
Itália - Vaticano
O nome "Vaticano" é anterior ao
Cristianismo e vem do latim Mons Vaticanus, ou seja, o Monte Vaticano. A
raiz da palavra "Vaticano" é derivada do latim "vates", que significa
"vidente, adivinho", que por sua vez é uma palavra empréstada do etrusco. Na
verdade, a Colina do Vaticano foi a casa dos vates muito antes da Roma
pré-cristã. Vaticanus, também conhecido como Vagitanus, era um deus etrusco,
que "abria a boca do recém nascido para que ele pudesse dar o primeiro
grito, o primeiro choro", e seu templo foi construído no antigo local de
Vaticanum. Era também o nome de uma das sete colinas de Roma onde se erguia
o Circo de Nero. Lá São Pedro foi martirizado e sepultado para proclamar a
sua devoção a Jesus Cristo.
A área
do Vaticano é de 0,44 km², sendo o menor estado do mundo com reconhecimento
internacional. Está situado no meio da capital italiana, Roma. Por isso, não
possui área costeira e é um enclave, sendo um Estado independente e
soberano. Partilha 3,2 km de fronteira com a Itália, mais concretamente com
Roma. A defesa do país é da responsabilidade da Itália, enquanto que a
segurança do Papa fica a cargo da Guarda Suíça.
Os
edifícios e locais mais emblemáticos da Cidade do Vaticano são a Basílica
maior de São Pedro, os Jardins do Vaticano, a Praça de São Pedro, a Capela
Sistina, o Museu do Vaticano, a Biblioteca Vaticana e o Palácio Apostólico.
Fora da Cidade do Vaticano, o Estado possui vários edifícios em Roma e na
Itália que gozam de direitos extraterritoriais, entre os quais se destacam
Castel Gandolfo (a residência de Verão do Papa) e as Basílicas maiores de
Santa Maria Maior, de São João de Latrão e de São Paulo Extramuros.
A
Cidade do Vaticano conta com numerosos atrativos, além de principais
cerimônias. O Vaticano oferece uma inigualável mostra de tesouros
artísticos.
Antes
de adentrar-se na Cidade do Vaticano convém visitar o Castelo de São Anjo,
lugar caraterístico de Roma, obra do imperador Adriano data do ano 130, que
em seus inícios estava destinado a ser seu mausoleu. Este castelo foi
finalizado por seu sucessor Antonio Pío no 113, um ano depois da morte de
Adriano. O túmulo Imperial, onde se guardam as urnas com as cinzas dos
imperadores encontra-se no segundo andar. O castelo continuou como mausoleu
até a norte de Caracalla no século III, quando passou à ser uma fortaleza
conhecida como a Cidadela de Roma. A estátua de São Miguel coroa as torres e
foi agregada em 1753. O papa Leão IV cercou com uma muralha o Vaticano e o
Borgo, convertindo-o em uma fortaleza, onde se refugiavam os papas em épocas
de perigo. A passagem que une o Vaticano com o Castelo, fez Alexandre VI no
século XV. Durante o pontificado do Papa Paulo III, se decorou o interior,
colocando-se um anjo de mármore na parte mais alta, obra de Raffaelo de
Montelupo. Durante o Renascimento se utilizou como prisão e mais tarde como
residência papal. Na atualidade acolhe o Museu Nacional do mesmo nome, de
grande importância, que se abriu ao público no ano 1933. Pode-se visitar
quatro andares e os apartamentos papais com valiosas coleções de móveis,
tapetes, pintura, armas e armaduras, que datam do século VII a.C., de
autores como Miguel Angelo e Perin do Vaga, entre outros. No terceiro andar
encontra-se A Loggia de Pauolo III, que conduz à galeria aberta de Pio IV,
desde a que se contempla uma bela panorâmica da cidade. Também desde o
terraço à Loggia de Julho II se ve o Ponte Sant´Angelo e na parte mais alta
da cidade se contempla uma bela vista de São Pedro e seus arredores. Aberto,
segunda-feira das 14.00 h às 19.30 h, de terça-feira a sábado das 9.00 h às
14.00 h, domingo das 9.00 h às 13.00 h.
O
tratado Lateran de 1929 transformou o Vaticano no menos e mais influente
estado independente do mundo. O Vaticano parece uma cidade fortificada
graças a Leon IV, que ordenou a construção dos muros medievais que a cerca,
exceto ao leste, onde a entrada da piazza San Pedro delimita a fronteira com
Roma.
Essa
piazza, que fica em frente a enorme basílica de San Pedro, foi projetada por
um dos mais brilhantes artistas barrocos italianos, Gian Lorenzo Bernini.
Quatro fileiras de colunas, que parecem ser uma só quando vista de uma certa
perspectiva, do pátio da colunata elíptica que cerca o obelisco localizado
no centro da praça. No período imperial romano o obelisco decorava o circo
de Calígula, lugar onde São Pedro parece ter sido martirizado e crucificado.
A
piazza leva até a basílica de San Pedro, sede da igreja Católica e símbolo
de seu poder. Os primeiros cristãos construíram uma pequena capela no lugar
de martírio de São Pedro e, anos mais tarde, Constantino erigiu essa
impressionante igreja que guarda tesouros de imenso valor, como a Pietá de
Michelangelo e a imagem de São Pedro, atribuída a Arnolfo di Cambio, do
século XIII.
Na sua
construção, participaram arquitetos famosos e artistas como Michelangelo, o
criador da famosa cúpula. Cinco portas dão acesso ao interior do templo,
guardadas pelas estátuas eqüestres de Carloman e Constantino. A última a
direita é a Porta Santa, aberta e fechada pelo Papa apenas durante o ano do
jubileu. No centro da fachada, abre o grande salão destinado à benção “urbi
et orbi” (cidade e mundo). No centro do templo fica o baldaquino de Bernini,
uma enorme abóbada de bronze que sai da parte sagrada da basílica, e o
túmulo de São Pedro, localizado embaixo da igreja, no centro do necrotério
que guarda os túmulos de vários Papas. Emoldurada pelo baldaquino, aparece a
Cattedra Petra, obra de Bernini. Essa cadeira de madeira, banhada em ouro,
passa nas mãos de quarto patronos da igreja abaixo da figura da Santa
Trindade. Do lado direito da varanda fica a entrada para a cúpula.
A
guarita cercada de pilastras guarda relíquias veneradas como o famoso
Veronica, um tecido com a imagem gravada de Cristo. Os fabulosos jardins de
vaticano podem ser admirados de lá. Neles, há inúmeras fontes, como a
Gelleon e a Eagle; pequenas construções, como por exemplo a Casina di Pio
IV, que hospeda e Academia Pontifícia de Ciências, e alguns bosques
artificiais. A basílica de São Pedro no Vaticano e os museus dão os únicos
lugares abertos ao público, no entanto é possível organizar uma visita aos
jardins do Vaticano e ao cemitério de São Pedro através do centro de
informações turísticas.
Depois
de muitos anos na complicada tarefa de reconstruir e aumentar a igreja, obra
original de Constantino, foram os arquitetos Sangallo, Rafael e Peruzzi que
dirigiram a construção da Basílica mais formosa e grandiosa do mundo todo,
com forma de cruz grega, em sua orígem, ficando depois em forma de cruz
latina e rematada, posteriormente, por Miguel Angelo, com a maravilhosa
cúpula de 132,5 metros de altura que da unidade ao interior da basílica. A
fachada de Carlo Moderno, o pórtico de Bernini, acima deste a Loggia,
galeria que dá à praça antes mencionada com cinco portas de acesso, destas a
da direita unicamente se abre cada vinte e cinco anos, durante o Ano Santo.
As portas centrais de bronze, com retrato próprio e de seus ajudantes por
detrás mostrando seu trabalho, são obra de Antonio Filarete que demorou doze
anos em terminá-las (1433-1445). Ali também pode-se ver a Scala Regia de
Bernini. Na capela, à direita da entrada, encontra-se a obra de arte mais
importante de São Pedro, "La Pietá" de Miguel Angelo, que esculpiu com só 25
anos de idade, sendo também a única peça assinada por ele. Outras obras que
pode-se admirar na basílica são a escultura de "São Pedro no Trono"
atribuída a Arnolfo di Cambio, século XIII, situada ao final da nave e à
direita perto do altar papal. Sob este altar encontra-se a grade dourada que
cobre o ninho de Pallia, mosaico original e restaurado do século VI. A
maioria do interior da basílica é barroco, obra de Bernini, assim como, o
grande baldachino central de bronze que tardou dez anos em terminar e que se
alça acima do altar papal. Sua importância é indiscutível.
Não se
pode deixar de admirar o túmulo de São Pedro, situado na mesma basílica. As
visitas do Tesouro têm horário de 9.00 h às 13.00 h, no verão de 9.00 às
18.00 h. Se podem contemplar obras tão importantes como a "Dalmática", a
"Cruz do Imperador Justino II" e o "Sarcófago" de Giunio Basso.
O
Vaticano possui inúmeros palácios que são as residenciais oficiais desde o
século XIII e os famosos museus vaticanos, únicos no mundo com tamanho valor
e beleza. Ao cruzá-los a primeira parada é a Capela Cistina, construída sob
o mandato de Sixtus IV entre 1475 e 1481. O enorme afresco no teto, que
representa o Gênesis, foi feito por Michelangelo e as pinturas nas paredes
laterais e da parede oposta ao altar foram feitas por pintores de prestígio
da época como Boticelli, Perugino e Guirlandaio. Vinte e quatro anos depois
de terminar sua grande obra, Michelangelo ficou responsável por pintar nas
paredes da capela afrescos que refletissem o Julgamento Final. Através
dessas tocantes imagens a escola sagrada se reúne sempre que um novo Papa é
escolhido.
Cercando a Capela Cistina surgem as quatro salas de Rafael: o saguão de
Constantino e as salas da Segnatura, Heliondro e o L’Incendio, que tem esse
nome devido ao incêndio no distrito de Borgo e que, de acordo com a lenda,
cessou quando o Papa Leon IV fez o sinal da cruz.
Outros
lugares interessantes são a capela de São Nicolau, os quartos da Borgia, a
biblioteca do Vaticano, as instalações do museu Chiaromonti, e o museu
Pio-Clementino. Vale a pena também visitar a galeria de arte, com uma seção
de quadros de pintores como Caravaggio, Giotto e Da Vince, entre outros; e o
museu Profane Gregoriam, com mosaicos trazidos das estações de água de
Caracalla.
Museus e Galerias do Vaticano
Os
Museus e Galerias do Vaticano têm o seguinte horário: das 9.00 h às 14.00 h.
de segunda-feira a sábado (no período de Páscoa desde o 1 de julho ao 30 de
setembro, das 9.00 h às 16.00 h.). Fechado aos domingo, exceto o último de
cada mês, com entrada gratuita das 9.00 h às 13.00 h.
Estes
edifícios guardam uma de coleções de arte mais importantes do mundo. Os
palácios originariamente se edificaram como residências papais
renascentistas. No século XVIII se expuseram pela primeira vez ao público as
obras de arte que colecionaram os papas ao longo dos séculos. Por falar em
alguns dos tesouros mais apreciados, destacam o Museu Gregoriano Egípcio,
criado em 1839 por Gregório XIV, que compreende uma importante documentação
da civilização e a arte do antigo Egito, com múmias e sarcófagos, estrelas
funerárias e comemorativas, assim como, estátuas de época romana inspirade
na arte egípcia, entre outras.
O Museu
Pío-Clementino guarda uma grande coleção sobre tudo de esculturas gregas e
romanas, entre as que destacam o "Junho Sospita", a "Amazona Ferida", o
"Busto de Trajano", a "Ariadna Dormida", o "Apolo de Belvedere", o "Hermes",
a "Estátua da Deusa", o célebre grupo do "Laoconte" e o "Heros de Centocelle",
entre outros.
O Museu
Gregoriano Etrusco, aberto unicamente as segunda-feira e sexta-feira das
9.00 às 14.00 h. foi criado no ano 1837 por Gregório XVI. Em seu interior
encontra-se uma interessante coleção procedente de escavações da Etruria
meridional e recentes doações, entre as que encontram-se o "Marte" de Toldi,
estátua do século V a.C., o "Túmulo Regolini-Galassi" de Cervéteri do século
VII a.C., e um "Discóbolo", cópia do original de Miró. Neste museu não
pode-se deixar de visitar a Galeria dos Castiçais, com um "Sarcófago com
criança" do século III d.C. e a "Moça correndo", obra classicista do círculo
de Praxiteles do século I a.C., entre outras; a Galeria dos Tapetes, com uma
grande exibição de têxtéis que representam a vida de Cristo e a Galeria dos
Mapas, com uma extensão de 120 metros quadrados, decorados com os mapas da
Itália obra de Ignácio Danti dos anos 1580 -1583.
As
Estâncias de Rafael, decorada por ele mesmo a petição de Júlio II em 1508,
estão considerada como uma de obras primas de todos os tempos. Pode-se
visitar a Estância do Incêndio do Borgo, a Estância da Signatura, na que
pode-se admirar a "Disputa do Sacramento", a "Escola de Atenas e o Parnaso",
a Estância de Constantino e a Estância de Heliodoro, com a "Liberação de São
Pedro da Cadeia" e o "Milagro de Bolsena e Heliodoro expulso do templo". Na
continuação, a Galeria de Rafael, situada no segundo andar, com decoração de
estuco e grotescos entre os repinturas e nas paredes obra de Giovani da
Udine. A bóveda está decorada com cenas do Antigo e do Novo Testamento, tode
desenhade pelo artista e realizada por Giulio Romano, Perin do Vaga e F.
Penni.
Destinguem-se, além disso, a Capela de Fray Angélico, ornamentada toda ela
com afrescos de Fray Angélico de 1448 -1450 e o Apartamento Borgia, em cuja
visita se incluem as duas estâncias da torre Borgia, nesta Capela pode-se
visitar além diferentes salas como a de Sibilas, com profetas e sibilas dos
discípulos de Pinturicchio, a dos Mistérios da Fé, a do Credo, a de Ciências
e de Artes Liberais, a da Vida dos Santos e a dos Pontífices, além de outras
duas salas menores com afrescos de Pinturicchio.
A
Pinacoteca, com uma maravilhosa exibição de obras como "Histórias de São
Nicolás de Vari", a "Virgem do Magnificat", a "Coração de Maria", o "Cristo
ante Pilatos" e o "Tríptico Stefaneschi", entre outras, além dos dez tapetes
tecidos por Pieter vam Aelst nos anos 1515 -1516, sobre cartões de Rafael.
Como
peça essencial e autêntica jóia destaca a Capela Sixtina, construida nos
anos 1475-1481, na época de Sixto IV. Nela celebram-se os conclaves para a
eleição dos Papas, sendo além a Capela privada e oficial dos Pontífices. A
balaustrada que a divide foi decorada por Mino da Fiesole, Giovani Dalmata e
A. Bregno. Nesta maravilhosa estância pode-se admirar diferentes obras de
diferentes autores: na paredee direita do altar, as "Tentações de Jesus" de
Botticeli, a "Entrega de chaves à São Pedro" de Perugino, ajudado por
Signorelli, a "Última Ceia" de C. Rosselli e o "Batismo de Jesus"
provavelmente de Perugino e Pinturicchio, entre outras. Destacam além as
Figuras dos Papas nos ninhos entre as janelas obra de Botticeli e
Ghirlandajo, entre outros artistas e na paredee esquerda do altar, o "Passo
do Mar Morto" de C. Rosselli, "Moisés e as Filhas de Jetro" de Botticeli e a
"Morte de Moisés", entre outras.
Porém,
a Cúpula é, sem dúvida, um dos maiores atrativos da Capela. Foi decorada
pelo genial Miguel Angelo com maravilhosos afrescos, iniciados no ano 1508 e
acabados em 1512. As figuras e as cenas se enquadram em uma bela e
monumental obra arquitetônica pintada. No centro da bóveda distribuide em
nove repinturas retangulares se representam as Histórias do Gênesis,
enquanto que a parede do Altar está coberta pelo grande afresco do Juízo
Universal pintado por Miguel Angelo nos anos 1535-1541, durante o papado de
Pablo III. Nesta genial obra se cubriu com roupagens a nudez de algumas
figuras por ordem de Pio IV, tal e como aparece refletido no maravilhoso
filme "Miguel Angelo" interpretada por Charlton Heston. Alguns retoques
posteriores e a fumaça de velas têm escurecido a pintura, embora nos últimos
tempos têm-se realizado restaurações devolvendo à obra seu desenho e cor
original.