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Edição de  Maio de 2008

Problemas na tireóide comprometem gravidez

 

O sistema endócrino é uma das principais redes de comunicação do corpo e controla inúmeras funções. Os hormônios agem como coordenadores de jornalismo. Se algo vai mal com eles, a informação fica comprometida. Problemas com a glândula tireóide, por sua vez, podem interferir na capacidade de engravidar.

     De acordo com a doutora Silvana Chedid, especialista em Medicina Reprodutiva, pode ocorrer de um problema relacionado à glândula tireóide afetar a fertilidade feminina. “Menstruação irregular e anovulação (falta de ovulação) são comuns em pacientes que sofrem de alguma disfunção da tireóide. Sem óvulos para serem fertilizados, a concepção se torna impossível. E isso pode acontecer tanto em produz hormônios demais ou de menos”.

    Mesmo quem menstrua regularmente pode ter problemas de ovulação. “Às vezes, a paciente passa anos sem descobrir o que de fato a impede de engravidar”, diz a médica. “Além disso, algumas mulheres têm uma fase lútea muito curta, que é o tempo entre a ovulação e a menstruação. O normal é que esse período seja de 13 a 15 dias”.

     Doutora Silvana afirma que muitos mecanismos em que a disfunção da tireóide interfere na gravidez ainda são desconhecidos, mas não há qualquer dúvida quanto à real interferência. “O hipotireoidismo pode causar um aumento de prolactina, hormônio produzido pela glândula pituitária que induz a produção de leite materno no pós-parto. O excesso de prolactina gera impacto negativo sobre a fertilidade, comprometendo os ciclos menstruais”.

  A especialista diz que o hipotireoidismo  também facilita a ocorrência de ovários policísticos em algumas mulheres, comprometendo a fertilidade em alguma medida que precisa ser investigada e tratada por uma equipe especializada em reprodução humana.

 

 

Fonte: Dra. Silvana Chedid, ginecologista especialista em Medicina Reprodutiva, diretora da clínica Chedid Grieco (www.chedidgrieco.com.br) e chefe do setor de Reprodução Humana da Beneficência Portuguesa, em SP.


O “peso social” da infertilidade para a mulher

 

Na história da humanidade, a desigualdade entre homens e mulheres sempre marcou as relações sociais e definiu os papéis sexuais. Deste modo, na cultura ocidental coube ao homem trabalhar e garantir o sustento do lar.
Às mulheres foram destinados os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos. Com a sociedade assim organizada, com o passar do tempo, as mulheres foram ficando vinculadas à idéia da maternidade para “tornarem-se plenas”. A capacidade de gerar um filho foi reconhecida como "natural" em todas as mulheres, bem como o desejo da maternidade.

     No entanto, com o advento da Primeira Guerra Mundial, as mulheres tiveram que sair de suas casas para cuidarem de feridos em hospitais, cultivarem o campo e ocuparem os postos dos homens nas indústrias. A guerra proporcionou maior liberdade, responsabilidade e novas perspectivas profissionais às mulheres. Desta forma, cada vez mais integrada ao sistema produtivo, a maternidade passou a não ser mais o centro da vida das mulheres. A vida profissional e a afetiva passaram a ocupar lugares de destaque no universo feminino.

 

Uma nova mãe


    Mesmo em meio a tantas transformações e conquistas, o desejo da maternidade continuou sendo muito valorizado pelas mulheres. E, aqui, devemos diferenciar o desejo de maternidade da mulher moderna daquele que existia antigamente, uma vez que todas as mudanças sociais que ocorreram no decorrer de anos levaram a um amadurecimento deste processo.

     Hoje, o aspecto mais valorizado pela mulher é a liberdade de ser responsável por seu próprio caminho. A maternidade deixou de ser o único objetivo da vida da mulher, passando a ser uma das possíveis escolhas em busca de seu desenvolvimento pessoal.

   A maternidade é um dos caminhos para que as mulheres possam se realizar e sentirem-se produtivas. O desejo de filhos está bastante interiorizado na maioria delas, fruto de uma conquista histórica e passado de mãe para filha através de processos identificatórios. Sendo assim, a notícia da infertilidade pode abrir um vazio quanto ao referencial feminino, principalmente se não houver abertura para a análise de outras possibilidades onde se possa "se sentir mulher".

     Associada à questão sócio-cultural que não deve ser desconsiderada, é interessante destacar também que o desejo de filhos data desde a primeira infância, onde podemos ver meninas brincando com seus "bebês imaginários", adiando, assim, a concretização deste desejo para a vida adulta.

     Tendo em vista todos os fatores até agora expostos, nota-se que ter filhos acaba sendo um dos importantes pilares da construção da identidade feminina. Entre as mulheres com dificuldade para engravidar é comum o sentimento de que não conseguir ser mãe é como não ser completamente mulher. Desta maneira, podemos compreender melhor todos os sentimentos envolvidos na busca do filho desejado: “ansiedade a mais", “preocupação a mais", “desejo de engravidar maior que as outras mulheres”, como se sem este "a mais", a gravidez não pudesse acontecer.

     Podemos afirmar que este "a mais" de investimentos, na verdade, nos revela um "a menos" no campo da feminilidade. A busca centrada no filho faz com que esta mulher se esqueça que além da maternidade existem outras possibilidades de investimentos férteis e gratificantes, enquanto o bebê não vem.

 

Luciana Leis -  psicóloga da Clínica Gera.

É especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade.

 

Hipocondria: medo de ficar doente ou mania de achar que está doente?

 

Dor nas costas, nas pernas, no peito ou no abdômen, problemas de pele, complicações digestivas, insônia, cansaço exagerado, aperto na garganta, falta de ar, azia, palpitação e dores de cabeça... Apesar dos sintomas, os exames atestam que tudo está em ordem, não há nada de errado com a saúde desta pessoa e o estresse emocional pode ser a causa de tantas queixas. "É o que chamamos de somatização, ou seja, a transferência para o corpo, inconscientemente, das dificuldades sentimentais com as quais não conseguimos lidar", explica a psicóloga Adriana de Araújo, especializada no tratamento de fobias.

     A razão da somatização pode ser um trauma pela perda de uma pessoa querida ou a incapacidade de conviver com sentimentos como o medo, a frustração, a insegurança, a raiva, a culpa... “Assim que constata que a saúde está perfeita, a maioria das pessoas costuma sair do consultório tranqüila, mas uma minoria - cerca de 3% da população - não se conforma com o diagnóstico. O indivíduo tem certeza de que está enfermo e de que a doença é grave”, diz Adriana de Araújo.

     E assim, inicia uma peregrinação de consultório em consultório, capaz de se estender por muitos anos. "Esta pessoa, de fato, está doente. O mal que a atinge é a hipocondria", diz a psicóloga. Depois de passar por vários especialistas, tais como clínicos gerais, endocrinologistas, oftalmologistas, ortopedistas, ginecologistas, neurologistas e cardiologistas, ela, enfim decide procurar ajuda psicológica.

 

A hipocondria

A hipocondria é um estado psicopatológico em que o ser humano tem um medo mórbido de sofrer de um distúrbio progressivo em algum órgão. O hipocondríaco tende a supervalorizar a gravidade de males banais - como um resfriado - e a interpretar reações normais do organismo como se fossem problemas sérios de saúde. “Outra característica é a necessidade de falar sobre a 'doença' com todo mundo.

Pode até tratar-se de carência afetiva, mas isso não significa que o indivíduo simule ou 'finja' os sintomas - ele sente realmente, as dores das quais se queixa e acredita mesmo que está doente", afirma Adriana de Araújo, que também é autora do livro O Segredo para Emagrecer.

     Independentemente da idade, quem tem predisposição a se tornar hipocondríaco é justamente aquele com maior dificuldade em lidar com as incertezas, perdas e tristezas da vida. "Quem consegue trabalhar bem as próprias emoções dificilmente desenvolverá um quadro como esse”, afirma Adriana.

 

Graus de hipocondria

A hipocondria momentânea ou leve, que qualquer um está sujeito a desenvolver em um estágio da vida, tende a desaparecer assim que o obstáculo emocional que a desencadeou seja superado. "É mais um quadro de somatização do que propriamente hipocondria", diz a especialista.

     Já a hipocondria severa, aquela em que a pessoa fica 24 horas por dia preocupada com a doença que acredita ter, precisa de tratamento. "Dificilmente esta pessoa conseguirá controlar os pensamentos mórbidos e superar a enfermidade sem ajuda profissional", diz Adriana. Sem tratamento, sua vida transforma-se num inferno, não só pelo medo constante de ficar doente, mas pela angústia e depressão provocadas por esse pânico. Com o tempo, a própria instabilidade emocional que acompanha a hipocondria enfraquece o sistema imunológico e predispõe o organismo a doenças reais.

 

Tratamento

Medicação antidepressiva e terapia são a base do tratamento contra a hipocondria. "Reconhecer as emoções ruins que procuramos negar, por um mecanismo inconsciente de defesa, muitas vezes, já é suficiente para fazer cessar os sintomas, mas para isso é fundamental um auxílio específico. Não adianta tomar remédios, sem trabalhar os sentimentos que provocam as reações físicas", explica.

     “Em uma outra etapa do tratamento é importante que o paciente perceba que uma série de doenças e sensações desagradáveis podem ser apenas produtos da maneira de agir e de pensar de cada um. E o começo da cura acontece quando percebemos que somos os responsáveis pelo padrão de pensamentos que cultivamos: negativos ou positivos”, diz a psicóloga Adriana de Araújo.

 

Fonte: Adriana de Araújo - Psiclínica e We Care


Dois novos exames detectam riscos de parto prematuro

"O Parto Prematuro é responsável por 28% das causas de morte neonatal (Revista Brasileira de Ginecologia E Obstetrícia, Vol, 27 n° 6)"

 

Fevereiro/2008 - Os exames de EGE (Eco Glandular Endocervical) e SLUDGE (Pontos Hiperecogênicos ou "Reluzentes" na cavidade uterina semelhante a um "barro" do liquido amniótico - "Sludge" é uma palavra do idioma inglês que significa em português barro, lama) podem revelar a probabilidade do risco de parto prematuro. Estes exames, mais os que já são realizados, podem alcançar até 80% do diagnóstico precoce de risco de parto prematuro e, com isto, medidas preventivas poderão ser tomadas e as complicações evitadas.

    O parto prematuro, quando o nascimento acontece com menos de 37 semanas, ocorre em aproximadamente 20% das gestantes e quanto mais precoce o nascimento mais graves podem ser as conseqüências. Segundo Arnaldo Schizzi Cambiaghi, médico especialista em reprodução humana, bebês que nascem com menos de 24 semanas de gestação têm índice de sobrevivência de 5%. "Estas crianças podem levar, para toda a vida, seqüelas irreparáveis como a cegueira, surdez e outras complicações neurológicas causando um alto índice de invalidez, além de aumentar muito o custo econômico das internações, enquanto estiverem sob os cuidados intensivos até atingirem o peso e a saúde desejada", explica.

     Dr. Cambiaghi alerta sobre a importância do histórico da paciente visto que uma das principais causas do parto prematuro é a prematuridade prévia. Outros fatores de risco são: Malformação uterina, miomas, cirurgias ginecológicas, tabagismo, alcoolismo, pequena estatura, pouca idade, idade avançada, infecções e outras. "Até hoje os únicos exames complementares que existiam para este diagnóstico era o marcador bioquímico chamado fibronectina, realizado no muco cervical - de difícil aquisição (é importado), de pouca fidelidade e por isto pouco utilizado - e o comprimento do colo uterino", explica. Conforme diagnosticado o risco de parto prematuro medidas preventivas como repouso, medicamentos e até pequenas cirurgias (cerclagem), devem ser tomadas pois assim pode-se evitar complicações e aumenta a chance de ser evitado.

 

 

 

     O ideal é que estes exames sejam realizados durante o ultra-som morfológico de segundo trimestre "Acreditamos que estes novos marcadores devem ser incorporados à rotina de pré-natal de todas as pacientes principalmente as consideradas com alto risco", finaliza Cambiaghi.

 

Os exames

EGE - Eco Glandular Endocervical - Este exame consiste na avaliação das glândulas que estão normalmente no colo uterino (ou canal cervical) - região terminal do útero que está em contato com a vagina e que se dilata durante o parto. Quando estas glândulas deixam de ser visibilizadas pelo ultra-som, significa que esta havendo um processo de maturação antecipada do colo uterino e por isto há um maior risco de parto prematuro.

 

SLUDGE - Pontos Hiperecogênicos ou "Reluzentes" na cavidade uterina semelhante a um "barro" do liquido amniótico - "Sludge" é uma palavra do idioma inglês que significa em português barro, lama. O exame mostra um depósito de pontos em massa próximos ao canal cervical e está também relacionado a uma maior chance de parto prematuro, além de, muitas vezes, sugerir processos infecciosos dentro do útero, próximo ao bebê (corioamnioite). Estes marcadores devem ser avaliados juntamente com o comprimento do colo uterino, que já vem sendo realizado há algum tempo pela maioria das clínicas de ultra-som.

 

Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

 


Cuidados com a saúde bucal devem começar na gestação
Segundo especialistas, a saúde bucal depende de uma boa higiene desde a infância e muitos problemas bucais já podem ser evitados ainda na gestação

Dentes perfeitos e saudáveis na idade adulta começam a ser cultivados ainda no ventre materno. Por isso, os cuidados com a dentição devem começar antes mesmo do nascimento do bebê. Uma boa dieta durante a gravidez, atenção com a higiene bucal do recém-nascido e muito leite do peito são os ingredientes de um bebê com gengiva e dentes sadios.
     A futura mamãe que se preocupa com os dentes do bebê deve se preocupar com a sua própria alimentação já no período da gestação. Alimentos balanceados e, principalmente, dosar na ingestão de cálcio que contribui consideravelmente para a formação dentária do bebê. Após o nascimento, os cuidados não param. De acordo com a especialista em Odontopediatria, Dra. Caroline Jorge Zarvos, vários problemas dentários tem sua raiz logo no início do processo de amamentação. "Muita gente não sabe, mas a forma correta de se amamentar um bebê é colocá-lo de pé, reclinado no peito. Quando a criança mama deitada, as chances de uma deformação na arcada dentária são maiores", explica ela.
     Mesmo com poucos dias, o bebê já mama e retém lactose ao redor do bordo gengival podendo já apresentar bactérias. Quanto mais cedo a mãe começar a realizar a higienização da boca do bebê melhor. A limpeza bucal do bebê pode ser feita com um algodão ou cotonete embebido em água.
     “È importante a limpeza porque, antes de mais nada, para higiêne não tem idade e também porque quando aparecerem os dentinhos, em médio aos 6 meses, e é preciso usar escova, a criança já estará acostumada com algo "diferente" na boca e não irá reclamar ou achar ruim a escovação. Logo ao nascer os primeiros dentinhos, a mãe já deve utilizar escovas ou dedeiras bem macias para não machucar a gengiva do bebê. E utilizar pasta sem flúor”, comenta a Dra. Caroline.
     Além da higiene adequada, é importante que as mães fiquem atentas a algumas manifestações da erupção dos dentes. Como o nascimento do dentinho costuma provocar coceira na gengiva, é comum que as crianças levem muito as mãos à boca, para massagear a área. "Por isso, é nessa etapa que o nenê fica suscetível a contrair certas bactérias, podendo ter sintomas como diarréia", esclarece a Dra. Caroline. Chupetas na fase de nascimento dos dentes também devem ser evitadas. De acordo com a dentista, elas estão relacionadas a dificuldades de oclusão, deformação da arcada dentária, entre outros problemas. "Chupetas são sempre contra-indicadas. Além disso, os dentes de leite são a base para a dentição adulta. Assim, quanto mais bem cuidados forem, melhores resultados futuros serão alcançados", completa a Dra.


dra. Caroline Jorge Zarvos

 

15 Dicas para escolher uma clínica de fertilização

Especialista diz que os casais geralmente desconhecem quais fatores levar em conta na hora de recorrer a tratamento

 

Mês a mês, as mulheres jovens e saudáveis têm 20% de chance de engravidar. Depois dos 35 anos, essa taxa cai para 5%. Ou seja, cada vez mais os casais modernos – que investem na carreira antes de formar uma família – se deparam com a necessidade de buscar ajuda médica para ter um filho. Mas, como saber se estão indo ao lugar certo?

     De acordo com Silvana Chedid, especialista em Medicina Reprodutiva, é importante que o casal tenha parâmetros claros para avaliar as clínicas de fertilização que visitarem. “É comum que a própria decisão de recorrer a um especialista cause algum estresse ou impacto emocional. Portanto, quanto mais bem informados o homem e a mulher estiverem, mais tranqüilidade terão para enfrentar as etapas subseqüentes”.

   A especialista diz que a primeira recomendação é pedir indicação ao ginecologista – desde que se tenha uma relação de confiança estabelecida entre médico e paciente. “Como qualquer outra grande decisão na vida, a gente deve colher informações e não ter pressa para decidir. Afinal, trata-se de escolher uma equipe para ajudar a conceber uma criança. Geralmente, o casal deve levar em conta cinco fatores: histórico da clínica, taxas de sucesso, tipos de tratamento, custo do tratamento e serviço. Quem basear a escolha em apenas um fator estará correndo riscos. O ideal é avaliar o conjunto”, diz a chefe do setor de Reprodução Humana do Hospital Beneficência Portuguesa e diretora da Clínica Chedid Grieco, em São Paulo.

     Silvana Chedid sugere algumas perguntas que podem ser feitas por telefone, e-mail, ou mesmo durante uma consulta prévia. A idéia, segundo a médica, é colher o máximo possível de informações que servirão de base para a escolha do casal, “evitando aquele tipo de decisão baseada apenas na empatia”:

 

  1. Há quanto tempo a clínica está no mercado?

  2. Quantos tratamentos a clínica realiza por ano?

  3. Há restrições a algum tipo de tratamento? (idade, hepatite B ou C, sobrepeso/obesidade, casais homossexuais)

  4. A clínica oferece mapeamento genético para Síndrome de Down ou outras doenças transmitidas geneticamente?

  5. Qual é a taxa de sucesso e o tempo médio dos tratamentos?

  6. Qual é a taxa das gestações que resultaram em gestações múltiplas?

  7. Quais os exames necessários antes de dar início ao tratamento?

  8. Como é o processo? Quanto tempo, em média, levará?

  9. Quantas consultas serão necessárias durante o processo?

  10. Há efeitos colaterais?

  11. Qual é o custo médio do tratamento, entre medicamentos e exames?

  12. Como o pagamento é realizado? Há facilidades?

  13. O tratamento será acompanhado do começo ao fim pelo mesmo médico/equipe?

  14. A clínica oferece algum serviço de suporte emocional?

  15. Que outros serviços estão disponíveis? (massagens, acupuntura, aconselhamento de casal etc.)

 

Fonte: Dra. Silvana Chedid -  ginecologista especialista em Medicina Reprodutiva, diretora da clínica Chedid Grieco (www.chedidgrieco.com.br) e chefe do setor de Reprodução Humana da Beneficência Portuguesa, em SP.


Câncer de cólon e reto: cerca de 27 mil novos casos estão estimados em 2008 no Brasil

 

O ano de 2008 é de atenção para a população brasileira e de apreensão para os especialistas em gastroenterologia, endoscopia e coloproctologia de todo o país. Isso porque, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) estão estimados 14.500 novos casos de câncer de cólon e reto em mulheres e 12.490 em homens, números que correspondem a um risco estimado de 15 casos novos a cada 100 mil mulheres e 13 para cada 100 mil homens. Segundo o gastroenterologista Rodrigo Felipe, o alerta é de extrema importância já que este é o terceiro câncer mais comum entre o sexo feminino, com faixa etária acima dos 50 anos, e o quarto entre o sexo masculino, e que seu prognóstico está ligado diretamente à falta de prevenção.
     De acordo o médico, que é coordenador da unidade Gastro Hepato - Endoscopia do Itaigara Memorial, em Salvador, estes índices se referem ao diagnóstico da doença já estabelecida e, por isso, a importância da prevenção para diminuir estes números. Ainda segundo ele, só os exames preventivos podem detectar lesões precoces e pré-malignas. "Pessoas acima dos 50 anos, principalmente os que já têm histórico familiar de câncer de cólon, devem fazer uma colonoscopia. No caso de ter sido o pai ou a mãe que teve a doença, o filho deve procurar fazer exames a partir de 10 anos antes do diagnóstico inicial. Ao diagnosticarmos o problema ainda em fase inicial é o que faz com que consigamos diminuir a taxa de incidência do câncer", declara Rodrigo Felipe.
   O gastroenterologista, que alerta para os casos da doença na Bahia, explica que podem ocorrer dois tipos de tumores, os que surgem por meio de pólipos denominados adenomatosos - e que levam de dez a 15 anos para virar um câncer -, e o chamado "câncer de novo" por já nascer câncer. "Aqui no estado temos achado uma alta incidência de pessoas com pólipos adenomatosos.

     Para se ter uma idéia, realizamos cerca de 350 colonoscopias por mês no Itaigara Memorial Gastro Hepato e aproximadamente 10 a 15% dos casos apresentam adenomas, sendo que 10% desses casos viram câncer", revela o especialista.

    No caso do câncer de novo, que atinge no Brasil cerca de uma pessoa a cada mil, o tumor pode aparecer de forma plana, em pequena depressão, ou em tamanho reduzido (de 5mm a 1cm). "O que procuramos na endoscopia são esses tumores menores que 1cm, depressivos ou não, que precisam de uma maior atenção do colonoscopista por ocasião do exame. Mas também há alguns poucos casos que já apresentam metástase no momento do exame, tal fato que ocorre mais frequentemente quando a lesão é depressiva ou quando tiver o diâmetro maior que 1cm", adianta o mesmo.
    O médico, que também é ex-presidente da Sociedade Brasileira de endoscopia digestiva - secção Bahia, explica os sintomas e como prevenir a patologia. "Anemia de origem indeterminada, perda crônica de sangue intestinal, dores abdominais, massa abdominal (parte endurecida na barriga), diarréia e náuseas sem causas aparentes, fraqueza e sensação de evacuação incompleta são os sintomas, enquanto que para prevenir, além de fazer exames, seguir uma dieta rica em frutas, vegetais, fibras, cálcio e pouca gordura animal, e ainda evitar o consumo de bebidas alcoólicas e praticar exercícios", aponta Rodrigo Felipe.


Antes de 28 semanas de gestação, carga viral de HIV não influencia na transmissão para o feto

A conclusão é de uma pesquisa realizada entre 1999 e 2006 com 550 gestantes portadoras do HIV. Os resultados sugerem que, caso a mulher esteja clinicamente bem, iniciar o uso de anti-retrovirais antes do terceiro trimestre de gestação pode trazer mais prejuízos que benefícios à saúde da mãe e do bebê. 

 

As recomendações americana e brasileira para profilaxia anti-retroviral de gestantes infectadas pelo HIV sugerem iniciar o tratamento a partir de 14 semanas de gravidez, para evitar exposição embrionária ou fetal aos medicamentos no primeiro trimestre. Entretanto, pesquisa realizada no Núcleo de Patologias Infecciosas na Gestação (Nupaig) da Unifesp mostra que a introdução das drogas para controle da quantidade de vírus no organismo pode ocorrer bem depois desse período se a mulher estiver clinicamente bem e com a imunidade preservada, já que a carga viral não aumentou o risco de transmissão intra-útero durante as primeiras 28 semanas de gestação.

     De acordo com Jorge Figueiredo Senise, responsável pelo Ambulatório de Infectologia do Nupaig e autor do trabalho, que foi apresentado como tese de doutorado, o uso prolongado de anti-retrovirais, associado à intolerância que os medicamentos podem causar, aumenta o risco de falha terapêutica e de resistência a essas drogas próximo ao parto, que é o momento mais delicado para exposição do bebê à carga viral da mãe.

“Vários estudos já mostraram que o maior índice de transmissão intra-útero ocorre, predominantemente, no terceiro trimestre da gestação”, explica. “O atual estudo aponta que as chances de se obter cargas virais indetectáveis na hora do parto são semelhantes, independentemente do inicio do tratamento ocorrer antes ou depois das 28 semanas de gestação. Além disso, esse fator também não aumentou o risco de transmissão materno fetal durante esse período”, explica o pesquisador.

     As 550 gestantes que participaram da pesquisa foram atendidas em dois centros de referência do Estado de São Paulo – Nupaig, da Unifesp, e Hospital Ipiranga – e as gestações foram divididas em três períodos: antes de 14 semanas; de 14 a 27 semanas; e a partir de 28 semanas.    

    A média de idade das mães foi de 28,5 anos e 67% delas já sabiam ser portadoras do vírus HIV antes de engravidar. Das 269 gestantes (49%) que tinham história prévia de uso de anti-retroviral, 51,5% já estavam usando os medicamentos antes da concepção; 30,9% iniciaram durante a gestação; e 17,6%, a partir da 28ª semana.

   Durante as primeiras 14 semanas de gestação, a análise sangüínea verificou que 75,1% das mulheres foram expostas a cargas virais de HIV maiores que mil cópias (número de vírus) em cada mililitro de sangue e, 14,1%, a cargas maiores que 100 mil. Entretanto, essa diferença na carga viral não acrescentou risco de transmissão materno fetal do HIV. A média de carga viral a que ficaram expostas nesse período foi de 10 mil cópias/ml.

 

 

    No período gestacional de 14 a 28 semanas, novamente não houve aumento no risco de transmissão intra-útero entre as mulheres expostas a cargas virais maiores que mil cópias/ml, que correspondeu a 72,2% das participantes do estudo. Cargas acima de 100 mil foram encontradas em 12,5% das gestantes. A média, nesse caso, foi de 7,9 mil cópias/ml de sangue.

    A partir de 28 semanas, novamente a carga viral maior que mil cópias não parece ter influenciado na transmissão. Entretanto, o número de gestantes com cargas virais acima de mil (encontrados em 82 mulheres) era bem menor quando comparado ao grupo com carga menor que mil (em 454 mulheres). Uma única transmissão adicional no grupo de grávidas com mais de mil cópias, tornaria a diferença significante.

 

Transmissão materna e uso de anti-retroviral

                

Das 550 gestantes acompanhadas no estudo, apenas três casos de transmissão foram detectados (0,54%). As duas mulheres que transmitiram HIV intra-útero para seus filhos tinham cargas virais nas primeiras 28 semanas de gestação variando de 3,4 mil a 25 mil cópias/ml de sangue, respectivamente. A carga viral durante o parto manteve-se entre mil e 24 mil e seus partos foram cesárias eletivas. De acordo com o pesquisador, essas gestantes já faziam uso de anti-retroviral no momento da concepção e durante toda a gestação, entretanto a conduta não foi suficiente para evitar as transmissões.

     No caso da transmissão no momento do parto, a gestante ficou exposta a carga viral de 61,2 mil cópias durante as 22 semanas de gestação, tratou com anti-retroviral e permaneceu com carga indetectável até 33 semanas, quando foi internada durante dois dias por risco de parto prematuro. Após a alta hospitalar, ela parou com os medicamentos, não retornou ao pré-natal e entrou em trabalho de parto com 35 semanas, se submetendo a cesariana de urgência. “O risco dessa paciente não foi ter permanecido exposta a mais de 60 mil cópias de RNA-HIV por ml/sangue durante o primeiro e segundo trimestres de gestação, mas sim ter interrompido o tratamento nas últimas duas semanas de gravidez, permitindo que a carga viral voltasse a subir no momento sabidamente decisivo como fator de risco para transmissão materno fetal do HIV”, afirma Senise.

 

Universidade Federal de São Paulo – Unifesp

Ricardo Viveiros Oficina de Comunicação



Os múltiplos aspectos emocionais envolvidos na infertilidade feminina

 

A motivação para a criação deste texto partiu da percepção que temos, por meio da prática clínica, da repetição de histórias muito parecidas vivenciadas por mulheres que se deparam com o diagnóstico de infertilidade.

     A infertilidade, para a Medicina, é a dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas, sem uso de nenhum método contraceptivo. No entanto, para as pacientes que vivenciam esse problema, a infertilidade está além desta definição, é mais do que isso. Não conseguir gerar um filho com a pessoa amada e não conseguir dar continuidade à família é por demais frustrante e desmotivante.

Além disso, a sociedade estipula uma série de etapas a serem cumpridas pelas pessoas. Quando uma delas não é cumprida, aparecem as cobranças e imposições. Assim é se você não namora, precisa “arranjar” alguém; se já namora, precisa casar; e, se já casou, precisa ter filhos...

   A imposição dessa ordem linear de acontecimentos colabora para pressionar ainda mais os casais que tentam engravidar. E, se estes não marcarem o seu espaço frente à demanda do outro, pontuando o que os incomoda, para se protegerem, as angústias podem tornar-se insuportáveis.

 

Misto de sentimentos

É comum perceber, com toda essa problemática, que as mulheres com dificuldade de gravidez começam a se fechar num mundo muito solitário e frio. Deixam de sair com receio dos comentários alheios, sentem-se inferiorizadas frente às demais mulheres, pouco dividem com seus companheiros sentimentos e pensamentos com medo da rejeição do parceiro e, em alguns casos, abandonam seus empregos para dedicarem-se exclusivamente ao tratamento para engravidar.

     Com tantas limitações, a infertilidade acaba estando presente em tudo, uma vez que se configura como “não produzir, não criar”. Se imaginarmos um terreno a ser germinado e colocarmos a infertilidade em apenas uma porção, com o passar do tempo, olhamos novamente este mesmo terreno e percebemos que a porção infértil ocupou uma área maior. Isso não precisa necessariamente ser assim.

     Percebemos haver uma tendência das mulheres a levarem a infertilidade para outros espaços de sua vida, uma vez que a situação e os fatores a ela relacionados são frustrantes e angustiantes, gerando, principalmente, sentimentos de impotência.

     Para contornar este período difícil da vida é necessário que essas mulheres consigam “adubar” e “preparar a terra” a fim de que outras produções sejam possíveis, expandindo seus horizontes para além da gravidez. O processo psicoterapêutico em muito auxilia essa questão. Algumas pacientes engravidaram  justamente no momento em que se viam produtivas no trabalho e maduras em sua vida pessoal.

     Para situações delicadas e singulares como o enfretamento da infertilidade conjugal não existem receitas prontas (para alguma dificuldade na vida existe?); mas, certamente, a busca por essa expansão de interesses trará um sentimento de eficiência e de auto-valorização para essas mulheres, enquanto a gravidez não vem.

 

Luciana Leis - psicóloga da Clínica Gera e é especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade


Lentes de contato ou óculos?

A indicação do oftalmologista é indispensável

 

Se você está na dúvida se deve trocar os óculos pelas lentes de contato... Saiba que elas liberam o rosto da armação e das lentes grossas, não machucam o nariz e dão maior liberdade à prática esportiva. Além disso, não reduzem o campo de visão, podem ser usadas com óculos escuros, não embaçam e para as mulheres apenas: não escondem a maquiagem. "E o melhor: corrigem a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia. São uma boa alternativa para quem tem receio de fazer uma cirurgia refrativa” afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares. Segundo o médico, as lentes de contato só não são indicadas para quem tem algum tipo de alergia, infecção ou doença ocular, baixa produção lacrimal ou intolerância ao produto.

    Ao optar pela troca dos óculos pelas lentes, o paciente deve fazer uma nova consulta ao oftalmologista para receber as orientações necessárias. As lentes de contato devem ser colocadas sobre a córnea que, junto com o cristalino, ajusta o foco da imagem. Em contato com o globo ocular, o material forma uma barreira que obstrui parcialmente o fornecimento de oxigênio na região. “Ao piscar, as pálpebras ajudam a posicionar as próteses, de forma que elas permitam a passagem de lágrimas e, conseqüentemente, a oxigenação e remoção de detritos. Feito isso, a função da lente será modificar a convergência da luz na córnea, fazendo com que a imagem fixada se forme nitidamente na retina”, explica Sandra Alice Falvo, oftalmologista que também integra o corpo clínico do IMO.

 

Tipos de lentes

Basicamente, existem dois tipos de lentes: as rígidas e as moles ou gelatinosas. As primeiras têm maior durabilidade, são fáceis de limpar e são usadas simultaneamente com a maioria dos colírios. "Entretanto, podem ser desconfortáveis durante o período de adaptação e se deslocam da córnea com mais facilidade", diz a oftalmologista. Fazem parte desse grupo as lentes que são indicadas para corrigir o astigmatismo.

     Já as lentes gelatinosas são macias, confortáveis desde o primeiro dia de uso, raramente saem do lugar e têm alta hidratação, porém necessitam de uma higienização mais rigorosa e podem comprometer a nitidez em alguns tipos de astigmatismo. Neste grupo encaixam-se as descartáveis, as de uso prolongado e as coloridas. "As lentes rígidas e inflexíveis que eram usadas no passado perderam espaço. A lentes, hoje, vêm com filtro solar, que protegem a córnea contra os raios ultravioleta, prevenindo a catarata", diz a oftalmologista.

     Diante de tantas opções disponíveis no mercado, apenas o oftalmologista pode dizer qual é a mais indicada para cada caso e estipular o tempo adequado de utilização das lentes. “Para isso, é preciso avaliar o problema ocular, o grau (o das lentes de contato, especialmente das rígidas, é diferente do receitado para os óculos), o diâmetro da córnea, a sensibilidade do paciente e, por fim, a curvatura da lente”, explica Sandra Falvo.

     As consultas periódicas ao oftalmologista - no mínimo, uma vez por ano - também são imprescindíveis. "Mesmo uma lente bem adaptada pode, a qualquer momento, provocar desconfortos por causa da diminuição de oxigênio no olho, por reações alérgicas e tantas outras complicações que vão desde uma conjuntivite até uma úlcera de córnea", alerta a médica.

Cuidados especiais

É por essa razão que, independentemente da validade e da assepsia adequada, pode acontecer do paciente ser obrigado a trocar seu tipo de lente. Geralmente, as causas desses incômodos estão relacionadas a olhos secos (decorrentes da baixa umidade, do uso de medicamentos como antidepressivos e diuréticos e, ainda, de alterações hormonais), irritabilidade (provocada por fumaça, poluição ou spray aerosol), fadiga visual (especialmente em quem fica muito tempo em frente ao computador) ou cosméticos.

    O acompanhamento médico se faz ainda mais necessário entre as pessoas que têm o hábito de dormir com lentes de uso prolongado, pois as chances de desenvolverem úlcera de córnea são maiores. "Mesmo que a embalagem indique que as próteses são próprias para dormir, elas devem ser retiradas a cada dois dias e o especialista tem que ser consultado para avaliar os riscos adequadamente", recomenda a oftalmaologista.

     Se por um lado elas facilitam a vida, por outro é preciso ficar atento a alguns detalhes. Uma viagem de avião, por exemplo, pode gerar um desconforto, se durar mais do que duas horas. Isso porque a baixa concentração de oxigênio e a falta de umidade dentro da aeronave provocam o ressecamento do olho. Nesse caso, o melhor mesmo é lançar mão dos óculos até que os olhos se restabeleçam da vermelhidão, da dor e do lacrimejamento - o que acontece em algumas horas ou dias, dependendo da sensibilidade de cada indivíduo.

     Um simples mergulho na piscina é outra coisa que pode custar caro à saúde: primeiro, porque é muito grande o risco da água contaminar as lentes e, segundo, porque, se o cloro aderir ao material, certamente, irá provocar uma irritação no globo ocular. “Para quem faz atividades físicas diariamente em piscinas, o jeito é não abrir os olhos embaixo d'água ou usar óculos de natação ou máscara de mergulho”, recomenda a médica.

 

Higienização

Antes de mudar para as lentes de contato, é importante saber que elas necessitam de cuidados diários. "Caso contrário, há o risco de vários desconfortos, desde uma sensação de areia nos olhos até uma infecção séria", alerta a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que faz algumas recomendações sobre como deve ser feita a higienização:

 

1) Lavar bem as mãos com água e sabão antes de retirar a lente do estojo;

2) Enxágüe-a com uma solução multiuso (própria para esse fim) ou soro fisiológico e coloque no olho;

3) Na hora de retirar, lave bem as mãos e coloque a lente no meio da palma da mão. Espirre um pouco da solução multiuso, esfregue suavemente com o dedo indicador, removendo os depósitos de sujeira que ficam aderidos à superfície, e enxágüe novamente;

4) Guarde a lente no estojo totalmente submersa na solução multiuso;

5) Quem usa lentes de contato com freqüência deve repetir o procedimento acima diariamente. Se a utilização for eventual, limpe e troque o líquido do estojo pelo menos uma vez por semana.

 

IMO – Instituto de Moléstias Oculares


Hora de fazer um check-up oftalmológico nas crianças

 

O início do ano letivo é uma ótima oportunidade para realizar um check-up oftalmológico nas crianças. Já na primeira infância é possível perceber a presença de vícios de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, que são comuns e devem ser corrigidos com uso de óculos ou lentes de contato. O estrabismo também é freqüente nesta faixa etária, além das conjuntivites infecciosas e alérgicas. “Apesar de já saberem expressar o que sentem, crianças nesta faixa etária, muitas vezes, não sabem que enxergam mal. Algumas delas só percebem o problema quando são alfabetizadas: ou porque não vêem a lousa direito ou porque sentem dores de cabeça ao estudar. Antes disso, a criança pode achar que enxergar embaçado ou que não ver o que está mais longe é normal”, afirma  o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO.

     Os pais devem prestar atenção a sinais de problemas que, geralmente, aparecem antes da alfabetização. “Não se deve subestimar a queixa da criança. Se ela é portadora de rinite alérgica, provavelmente apresentará comprometimento do globo ocular, com pálpebras inchadas, coceira e lacrimejamento. Se a criança tropeça e cai muito ou apresenta posição viciosa de cabeça para assistir TV, estes podem ser sinais de estrabismo”, afirma a oftalmopediatra do IMO, Maria José Carrari.

 

Sinais de problemas

Na sala de aula ou durante o horário do recreio, os professores também podem observar sinais de que os alunos apresentam algum problema de visão e devem passar por uma consulta oftalmológica. Veja, a seguir, a lista de sinais mais comuns de que a criança pode apresentar algum problema de visão:

1) Estudantes com alguma deficiência visual costumam apertar ou esfregar os olhos com freqüência, vivem com os olhos irritados, avermelhados ou lacrimejantes, piscam muito ou franzem a testa para olhar à distância;

 

2) Estas crianças podem também se queixar de tonturas, náuseas, dor de cabeça ou sensibilidade excessiva à luz;

 

3) Crianças míopes não enxergam bem de longe e, por isso, podem evitar atividades esportivas que exijam esta habilidade;

 

4) Os astigmáticos, por enxergar os objetos embaçados, podem ficar dispersivos, indisciplinados ou com aversão à leitura. Para escrever ou ler, às vezes, aproximam-se demais do caderno ou do livro;

 

5) Crianças que andam com cuidado excessivo, esbarraram ou tropeçam com facilidade também podem apresentar algum tipo de deficiência visual.

 

Vícios de refração

Ao iniciar a vida escolar é preciso que pais e professores fiquem atentos aos problemas de visão na criança, pois o processo de ensino-aprendizagem depende primordialmente da visão. “Na verdade, o ideal é fazer um exame oftalmológico completo, dando ênfase ao diagnóstico de vícios de refração - miopia, hipermetropia e astigmatismo - todo início de ano letivo”, defende Maria Carrari. Miopia, hipermetropia e astigmatismo são hereditários e podem se manifestar desde a primeira infância. O diagnóstico destas alterações pode ser feito durante consulta de rotina, mas os pais devem ficar atentos para olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira e dor de cabeça, grandes indicadores da hipermetropia e do astigmatismo – a criança com baixo rendimento escolar pode ser portadora de miopia. Todos os casos podem ser corrigidos com o uso de óculos.

 

 

 

   “A criança com problema visual não diagnosticado e não tratado poderá apresentar dificuldade de aprendizado e se sentir desestimulada para estudar. Crianças míopes tenderão a se isolar das brincadeiras, pois não enxergam para longe com nitidez, enquanto que as hipermétropes e astigmatas se afastarão das atividades para perto, como ler e pintar, pois isso lhes traz desconforto”, explica a Maria Carrari.

 

O estrabismo

O exame de motilidade ocular também é muito importante e deve ser realizado na primeira infância, pois detecta o potencial de mobilidade da musculatura do olho: se existe limitação à movimentação, incoordenação; dessincromia ocasionando visão dupla, dores de cabeça ou ainda a presença de doenças oculares, endócrinas ou cerebrais. “A avaliação da motilidade ocular é realizada através do oclusor manual ou do reflexo luminoso corneal, solicitando que o paciente fixe o olhar num ponto. Assim pode ser verificado o desvio dos olhos para perto ou para longe. Por meio deste exame, o oftalmologista pode diagnosticar o estrabismo”, explica a médica.

     Freqüente durante os primeiros anos de vida, o estrabismo deve ser corrigido o quanto antes para que a criança desenvolva sua capacidade visual de forma adequada em ambos os olhos, evitando a ambliopia (olho preguiçoso). “A correção do estrabismo pode ser feita com uso de óculos associado a exercícios ou uso de tampão no olho melhor, para estimular o ‘olho com preguiça’. Há casos em que a correção cirúrgica do olho desviado é indicada”, explica a Maria Carrari.

É também na fase escolar que deve ser iniciada a realização do exame de fundo de olho, região que fica entre o cristalino e a retina. “O procedimento pode identificar doenças sérias como tumores e problemas vasculares. Qualquer alteração nessa área pode apontar um desequilíbrio no corpo. Para observá-la é usada uma lente especial, que aumenta a imagem diversas vezes. O exame completo só pode ser feito com a pupila dilatada”, informa a oftalmologista.

     Analisando os vasos sangüíneos do fundo do olho, o oftalmologista pode detectar problemas de pressão. O exame pode ainda identificar diabetes, leucemia, inflamações reumáticas, tuberculose, toxoplasmose e desequilíbrios da tiróide. “O exame de fundo do olho não se caracteriza como um exame preventivo, pois quando um sintoma aparece no olho, com certeza já existe uma doença instalada no organismo. Sua função principal é ajudar no diagnóstico de doenças que, às vezes, não foram percebidas pelo paciente nem por outros médicos”, diz a oftalmopediatra.

 

Corrigindo os problemas

A criança pode usar óculos para melhorar a sua acuidade visual, aliviar os sintomas oculares e para corrigir certos tipos de estrabismo. Os óculos com grau para as crianças só podem ser receitados pelo oftalmologista e recomenda-se que sejam conferidos após serem feitos. “As armações devem ser, de preferência, de acrílico, por serem mais resistentes. Devem, também, estar bem adaptadas ao rosto da criança, não podem estar soltas ou apertar o nariz ou atrás das orelhas. As hastes que se prendem atrás das orelhas são melhores para as crianças”, informa a médica. Se a criança e a família optarem pelo uso das lentes de contato, “ a adaptação deve ocorrer com a supervisão do oftalmologista”, completa.

 

O que você deve ter em mente?

Que um exame ocular de rotina é útil para:

-Fazer a anamnese das queixas atuais e do histórico familiar do paciente;

-Verificar a acuidade visual;

-Examinar a motilidade ocular;

-Observar o fundo do olho;

-Diagnosticar vícios de refração.

 

IMO – Instituto de Moléstias Oculares


Doenças típicas da infância colocam em risco a saúde de adolescentes, jovens e adultos

Passada a infância, doenças como sarampo, caxumba e varicela se manifestam de forma mais grave. A rubéola causa malformações fetais, quando atinge mulheres no início da gestação.

Até 2010, o Brasil pr