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Neste Mês do Dia dos Pais, leia o Caderno Especial sobre a Saúde do Homem

 

Novo Caderno Especial a Gripe H1N1 ou Gripe A

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Veja também o Caderno Especial sobre a Gripe que editamos no ano passado clicando aqui

 
Edição de  Setembro de 2010

Dengue: aumento de mortes pela doença atesta que precisamos de atenção redobrada

Casos de morte superam 94% o mesmo período de 2009, segundo o Ministério da Saúde e em São Paulo 99 pessoas já morreram

 

O Ministério da Saúde divulgou números importantes sobre os casos de dengue registrados no Brasil. Segundo o órgão, as mortes por conta da doença quase dobraram nos primeiros quatro meses deste ano e para controlar esta situação é preciso que a população tenha ainda mais consciência sobre fatores de prevenção e os cuidados necessários para erradicar o mosquito transmissor, Aedes aegypti.

Segundo Dr. Alberto Chebabo, infectologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/ DASA, a população costuma diminuir os cuidados com o acúmulo de água parada nesta época do ano, período mais seco e com baixa umidade relativa do ar. “Porém, a incidência de chuvas, mesmo que pontuais, favorece a proliferação da doença porque a fêmea do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti, deposita seus ovos em poças de água limpa” afirma o especialista. 

Sob a coordenação e financiamento do Ministério da Saúde, os Estados e os Municípios têm investido em ações para combater a doença que consistem, principalmente, na eliminação dos focos de proliferação do mosquito transmissor. Como ele vive dentro das casas e têm hábitos diurnos, pequenas poças acumuladas dentro das residências ou nos quintais, como pneus velhos, vasos de planta e garrafas passam a ser reservatórios potenciais para ovos e larvas, o que facilita a proliferação.

Ao picar uma pessoa infectada pelo vírus da dengue, o mosquito se torna-se transmissor ao picar outras pessoas, passando o vírus que se aloja em suas glândulas salivares.

Além das campanhas de conscientização e ações de controle do mosquito, outras medidas como o saneamento básico devem ser priorizadas em áreas carentes em todas as grandes e médias cidades, inclusive com a oferta de água encanada e tratamento adequado do esgoto e coleta de lixo. “Essas medidas são essenciais no controle dos focos nas regiões mais carentes destas cidades”, conclui o Dr. Chebabo.

 

Dicas importantes para prevenir a proliferação da Dengue

- Cobrir qualquer local em que haja água acumulada, como caixas de água e tonéis;

- Não guardar pneus em áreas abertas;

- Manter as lajes cobertas, sem poça de água e esfregá-las, diariamente, com vassoura;

- Guardar as garrafas de cabeça para baixo;

- Manter os pratos em vasos de plantas sem água ou com um pouco de areia;

- Esfregar, com bucha, recipientes que tenham plantas aquáticas

 

Sintomas

A partir da picada do mosquito infectado, o período de incubação da doença, em sintomas, é de7 a 10 dias. Os primeiros sinais da doença são febre, dor de cabeça e incômodo atrás dos olhos. Na seqüência, surgem vermelhidão e coceira pelo corpo.

 

Vírus

Existem quatro sorotipos diferentes do vírus. No Brasil, estão em circulação os sorotipos 1, 2 e 3. Quem já contraiu um sorotipo não se infecta novamente pelo mesmo, mas ainda está susceptível aos outros. A Dengue é mais grave quando uma pessoa que já contraiu anteriormente um sorotipo apresenta a doença pela segunda vez por um sorotipo diferente, o que pode causar a Dengue Hemorrágica. Neste caso, há possibilidade de haver manifestações hemorrágicas, como pequenas manchas avermelhadas por todo o corpo, hematomas e queda da pressão arterial, aumentando a gravidade da doença. Quando isto ocorrer, deve-se, imediatamente, procurar atendimento médico. O sorotipo quatro do vírus ainda não foi detectado no Brasil, mas está presente em vários países vizinhos, como Venezuela, Peru e Guiana Francesa.

 

Exames para o diagnóstico da doença

- Hemograma

- Sorologia, para determinar se a pessoa possui anticorpos contra o vírus da Dengue

- Tipagem do Vírus, que determina o sorotipo pelo método de PCR

 

Tratamento

O tratamento depende da gravidade da doença, que pode variar desde um simples repouso e analgésicos até a internação e reposição de líquidos na veia por soro. É importante dizer que a pessoa com manifestação de Dengue não deve utilizar medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico (como AAS e Aspirina, por exemplo), pois apresentam substâncias que podem aumentar o risco de hemorragias.


A primavera e a alergia

Problema dos alérgicos deve aumentar ainda mais com a chegada da estação

 

Com a baixa umidade do ar podemos perceber um maior número de espirros, tosse e alergias em geral na população. Na seca há um aumento de até 40% na incidência de doenças respiratórias, principalmente as alérgicas como asma, rinite, resfriados e gripe. E o problema deve se agravar ainda mais neste mês devido à chegada da primavera e o aumento de pólen das flores no ar.

"Esse crescimento pode ser explicado por diversos fatores como a umidade relativa do ar muito baixa e a inversão térmica, que é responsável pelo acúmulo maior de poluentes na atmosfera”, afirma Jaime Rocha, infectologista do Lavoisier / DASA.

A resposta alérgica é uma reação de hipersensibilidade do organismo quando as pessoas que são sensíveis com determinadas situações entram em contato com agentes desencadeantes chamados alérgenos, que provocam uma crise de doença alérgica. "Dentre os alérgenos mais conhecidos destacam-se a poeira domiciliar, ácaros, epitélios de animais, baratas, fungos, pólens, além de agentes irritantes como fumo e poluentes", acrescenta o especialista.

A asma é caracterizada pela presença de inflamação, hiperresponsividade e obstrução reversível das vias aéreas, tendo como manifestações clínicas principais tosse, falta de ar, chiado no peito, dor ou aperto no peito. A rinossinusite alérgica, mais conhecida como rinite, é uma inflamação do nariz e estruturas adjacentes ocasionada pela exposição aos alérgenos caracterizada por espirros em salva, coriza, prurido nasal e congestão nasal.

Tanto a asma quanto a rinite são doenças com determinação genética influenciadas por fatores ambientais. A bronquite consiste na inflamação dos brônquios, podendo ser ocasionada por infecções, agentes irritantes e alergia. No nosso país, a população frequentemente chama de bronquite o que, na verdade, é asma. Da mesma forma a sinusite é a inflamação dos seios da face, apresentando diversos agentes infecciosos desencadeantes. "Normalmente, a sensibilização aos fatores alérgicos já acontece na infância", conclui o médico.

 

 

 

Como evitar as alergias

- Forre colchão e travesseiro com capa impermeável;

- Retire tapetes e carpetes da casa, principalmente do quarto do paciente;

- Limpe a mobília da casa com pano úmido com frequência superior a uma vez por semana;

- Retire as cortinas, substituindo-as por persianas, que são facilmente limpas com pano úmido ou, em caso de cortinas de tecido leve, lave-as a cada 15 dias, no máximo;

- Mantenha sempre a casa arejada e ensolarada;

- Evite estofados recobertos com tecido;

- Os aspiradores de pó utilizados devem possuir filtro HEPA;

- Evite ter animais de pelo como cão, gato e outros ou evite a presença dos mesmos dentro de casa ou no quarto do paciente;

- Não fume dentro de casa;

- Cobertores devem ser substituídos por edredons que possam ser lavados quinzenalmente;

- Evite, no quarto do paciente, objetos que acumulem poeira como livros, revistas, brinquedos de pelúcia, caixas e quadros;

- Evite cheiros fortes no domicílio como de tintas, solventes, inseticidas, produtos de limpeza etc.

 


Coração encolhe, muda de forma e fica mais lento depois dos 45 anos

 

Através da ressonância magnética, a ciência pôde responder por que a idade é um fator de risco importante para as doenças do coração. De acordo com Susan Cheng, que coordenou um estudo abrangente na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, a massa muscular do coração encolhe 0,3 gramas por ano e ele passa a bombear 5% menos sangue para o corpo nesse período.

A análise das ressonâncias também levou à informação de que os batimentos ficam mais lentos, já que o tempo necessário para que os músculos do coração contraiam e relaxem aumenta entre 2% e 5% ao ano. “A informação mais relevante desse e de outros estudos nesse sentido é comprovar que o coração envelhece e que a população deve fazer um controle das doenças cardíacas a partir dos 45 anos”, diz a radiologista Maria Teresa Natel, do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), em São Paulo.

De acordo com a médica, quem apresenta outros fatores de risco importantes para as cardiopatias, como hipertensão, taxas elevadas de colesterol e triglicérides, histórico familiar, bem como idade avançada, deve se submeter a um controle anual mais detalhado. “Várias doenças também contribuem para a falência do coração. A doença arterial coronária é uma delas e tem se beneficiado dos avanços tecnológicos, já que é possível ser detectada antes mesmo que o paciente descubra ter fatores de risco.”

A médica radiologista também chama atenção para o fato de que algumas doenças cardíacas apresentam sintomas inespecíficos, como respiração ofegante e fadiga. “Não se pode descartar algum grau de insuficiência cardíaca quando o paciente apresenta esses sintomas, principalmente depois dos 40 ou 50 anos. Há pacientes que confundem com gripe um tipo de cansaço desvinculado de esforço físico, quando essa manifestação pode alertar para um problema cardíaco mais grave. Na dúvida, é melhor buscar ajuda médica”.

 

Fonte: Dra. Maria Teresa Natel

 


Visão 20/20 não significa a melhor acuidade

Oftalmologista presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares (SBCII) reclama que a tabela de Snellen, a qual mede a visão, desde o século 19, está defasada e não corresponde à rotina das pessoas no século 21.

 

 “Uma pessoa pode ter visão 20/20, o que significa 100%, na avaliação da medida da visão feita no consultório, por meio de uma tabela de Snellen, e, dependendo das condições de iluminação e contraste, não poder enxergar uma criança atravessando a rua enquanto dirige. O teste de acuidade visual por Snellen não serve mais para medir a qualidade de visão. Este teste serve apenas para medir a quantidade de visão nas condições de uma sala escura, com letras de alto contraste. A medida não corresponde ao dia-a-dia da maioria das pessoas”. O comentário é do oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB) e presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares (SBCII), Leonardo Akaishi, ao declarar que a tabela de Snellen – aquela com as letras pretas que vão diminuindo de tamanho - , está defasada diante dos novos recursos existentes.

     Atraso secular - Segundo Akaishi, frente aos avanços tecnológicos, que proporcionam melhorias à visão com conforto e segurança, não faz mais sentido limitar os diagnósticos oftalmológicos a padrões criados na primeira metade do século 19, quando Herman Snellen apresentou sua tabela como medida.
     “A vida não é em preto e branco como a tabela de Snellen, que serviu muito enquanto não existiam outras alternativas. Hoje, existe o teste de visão por contraste que mede a qualidade da visão a partir da percepção em uma escala de preto a cinza”, observa.

O teste de contraste é realizado a partir de variação com a letra “E”, porque necessita o dobro de frequências para a percepção do que a letra “L”, por exemplo.

 A acuidade visual, de acordo com Akaishi, é definida pela avaliação de três fatores:

1) A difração, que é relacionada ao tamanho da pupila. Quanto maior a pupila, melhor a difusão;


  

2) As aberrações, causadas por alterações na córnea ou no cristalino, os quais não podem ser corrigidos com óculos, quando forem de alta ordem;


3) A densidade das células fotoreceptoras presentes no fundo do olho.


Cristalino - É na avaliação das aberrações que o diagnóstico de catarata pode ter origem e o médico indicar a substituição do cristalino, assinala Akaishi. Ele explica que “quando as aberrações de alta ordem se localizam no cristalino, mesmo com visão 20/20, a qualidade da visão está péssima e em determinadas condições de luminosidade ambiente, um motorista, por exemplo, não percebe nem mesmo a presença de uma criança atravessando uma rua”. Nessas condições, há necessidade de substituir o cristalino, e este procedimento caracteriza uma cirurgia de catarata, uma vez que as aberrações são consideradas opacidades, esclarece. O médico frisa que “por este motivo a indicação da cirurgia da catarata, mesmos em pacientes com visão 20/20 é preconizada, para melhorar a qualidade da visão”.


Mau hálito é problema grave cercado de ‘verdades e mentiras’

Especialista explica que mau hálito não é doença, que regime pode provocar o problema, que bochechos, balas e chicletes não eliminam a causa, entre outros mitos. Acompanhe:

 

 

Apesar de ser um grave problema de saúde pública que acompanha a humanidade há séculos – há citações sobre ele até mesmo na Bíblia – e de ser um problema mais freqüente do que se imagina (pesquisas recentes mostram que pelo menos 30% da população sofre com o mal e 70% das pessoas acima dos 65 anos), o chamado “mau hálito” ainda é uma questão delicada, polêmica e cercado de desinformação.

“Isso porque o mau hálito pode ter até 60 causas diferentes. Problemas como prisão de ventre, queda na produção de saliva, além de doenças nas gengivas são algumas das causas mais freqüentes. Mas o problema também pode ser causado por doenças mais graves, como a leucemia, diabetes, câncer de estômago e sífilis”, esclarece o cirurgião-dentista Arany Tunes, um dos maiores especialistas do Brasil e do mundo em mau hálito, um dos primeiros a se dedicar exclusivamente ao estudo e tratamento do problema.

“É muito importante que as pessoas saibam que o mau hálito não é uma doença. Mau hálito é um importante ‘sinal’ que o nosso organismo emite para alertar que algo está errado. E esse ‘sinal’ deve ser investigado. O objetivo é descobrir a causa do mau hálito, que deve ser tratada, para eliminar assim todo o problema”, resume o estudioso, que já tratou mais de 1.000 pacientes com mau hálito, atingindo 99% de sucesso, e que atende diariamente pacientes com mau hálito em clínicas de 8 cidades diferentes do Estado de São Paulo (São Paulo, Campinas, Indaiatuba, Sorocaba, Jundiaí, Piracicaba, Santos e São Bernardo do Campo).

Membro efetivo da Associação Brasileira de Halitose (ABHA) e da International Society for Breath Odor Research (ISBOR), entidades, no Brasil e no exterior, dedicadas a pesquisar exclusivamente o mau hálito, o Doutor Arany Tunes esclarece a seguir algumas “verdades e mentiras” sobre o mau hálito:

Gastrite provoca mau hálito?

Não. Ao contrário do que muitos pensam, dificilmente algum problema estomacal provoca mau hálito. Isso é comprovado cientificamente.

 

Mau hálito é sinal de má higiene bucal?

Normalmente, não! Aliás, é muito comum haver pessoas com higiene bucal impecável, mas com hálito muito forte por outros motivos.

 

Regime para emagrecer provoca mau hálito?

Sim. A maioria das dietas pode provocar mau hálito.

 

Fazer bochechos resolve o problema?

Não. Nenhum anti-séptico bucal existente no mercado elimina o mau hálito. Aliás, a maioria deles somente “esconde” o cheiro nos primeiros minutos. Mas cerca de meia hora depois, o cheiro ruim volta a prevalecer. Além disso, os anti-sépticos bucais contêm álcool, o que piora o hálito ao longo do tempo.

 

Chupar balas e mastigar chicletes melhora o hálito?

Depende. Chupar balas e mascar chicletes estimula a produção de saliva, o que normalmente melhora o hálito. Porém, dependendo da origem do problema, isso pode ser inútil. Além disso, o alto teor de açúcar desses alimentos pode provocar o surgimento de cáries e excesso de peso. O ideal é descobrir a causa real e fazer o tratamento adequado.

 

Mau hálito tem cura?

Sim. Mas pela quantidade de causas é preciso passar por avaliação médica, feita por profissional especializado nesse problema.

 

É verdade que limpar a língua é importante para ter um bom hálito?

Em termos. Claro que a limpeza da língua é um hábito saudável. Porém, serve apenas para controlar o hálito em alguns pacientes. Em outros, não resolve o problema. O ideal é que a limpeza da língua seja desnecessária. Ou seja, que ela fique sempre limpa, sem que tenhamos que limpá-la freqüentemente.

 

É normal acordar de manhã com cheiro ruim e gosto amargo na boca.

Sim. Isso ocorre pela queda na produção de saliva e pelo longo período sem comer. O mau hálito pela manhã é normal. Mas após a escovação dos dentes e tomar o café da manhã, isso precisa passar. Caso não passe, é necessário tratamento.

 

É verdade que quem tem mau hálito não sente o cheiro?

Sim. Quem tem mau hálito constante não sente o cheiro que vem da própria boca. Chamamos isso de “fadiga olfatória”. É como quando compramos um novo perfume: no início, sentimos bem o cheiro. Após alguns dias, parece que fica mais fraco. Na verdade, é a fadiga olfatória.

 


Os aparelhos auditivos substituem a audição natural?

 

Com todos os avanços tecnológicos e o amplo acesso a diferentes mídias, que enaltecem esses acontecimentos nos tempos atuais, muitas pessoas acreditam que os aparelhos auditivos recuperam a audição natural ou substituem plenamente a audição perdida. Esse raciocínio pode prejudicar a adaptação à amplificação sonora individual, uma vez que contribui para que o candidato ao uso desses equipamentos e, muitas vezes, seus familiares tenham uma expectativa inadequada em relação ao seu real benefício.

Os avanços tecnológicos, próprios da era digital em que vivemos, fazem com que os atuais aparelhos auditivos tenham excelente qualidade sonora e sejam extremamente confortáveis, além de contribuírem significativamente para a melhora da comunicação mesmo em ambientes ruidosos. Sendo assim, o que esperar do uso desses auxiliares auditivos?

Em primeiro lugar, é preciso refletir sobre como o processo de adaptação de aparelhos auditivos acontece. O seu uso deve ser prescrito por um médico otorrinolaringologista, para que se tenha a certeza de que este será o tratamento mais adequado para o paciente. Já a escolha do aparelho auditivo é realizada por um fonoaudiólogo com o usuário. A partir desse momento, inicia-se um longo processo de testes e adaptação, que demanda tempo para algumas sessões e para a realização de exames.

No entanto, o uso dos aparelhos auditivos não é o único aspecto determinante de uma boa adaptação. Outras atitudes e métodos são essenciais para a otimização da amplificação sonora. Neste caso, o paciente deve ser orientado com relação a algumas atitudes que podem contribuir positivamente para sua audição, como privilegiar situações mais silenciosas para manter uma conversa importante.

Além disso, todos nós utilizamos as informações visuais para complementar a informação auditiva e atingir a compreensão do que está sendo dito. Para o usuário de aparelhos auditivos, essa pista é ainda mais importante.

Outro fator determinante para a comunicação é a distância entre as pessoas envolvidas na conversa. Recomenda-se que o usuário de aparelhos não fique muito distante das pessoas com quem está conversando, para evitar que o som chegue fraco ao microfone do aparelho.

Outro ponto fundamental à adaptação é o usuário saber e conhecer muito bem todos os recursos que estão disponíveis no seu aparelho. O profissional deve orientá-lo quanto ao manuseio e funções de cada um dos controles aos quais ele terá acesso. Atualmente, existem diversos recursos que podem ser alterados pelo usuário em pleno ambiente sonoro e, assim, atingir a regulagem de sua preferência e tornar a comunicação mais efetiva e agradável.

Certamente, usar aparelhos auditivos atualmente é muito mais agradável do que foi no passado. Além da indiscutível melhora na qualidade sonora, hoje os aparelhos são menores e tem design muito mais atraente e discreto. Porém, para que funcionem bem, é preciso ter acesso a um processo de adaptação com um profissional capacitado e que oriente o usuário durante todo o período de adaptação à nova audição. A acomodação do cérebro para que essa nova forma de ouvir seja usada de forma positiva é uma tarefa que demanda tempo e deve ser respeitada.

 

Maria do Carmo Branco


Gravidez na adolescência: altos índices ainda preocupam autoridades

Jovens têm maior propensão para hipertensão gestacional e parto prematuro. Conheça exames que podem garantir uma gravidez mais saudável em qualquer idade.

 

 

De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2009 foram registrados mais de 444 mil partos de adolescentes (de 12 a 18 anos de idade) em todo o Brasil. Segundo o mesmo estudo, estes números vêm caindo significativamente na última década, porém continua preocupando autoridades e a sociedade em geral.

Para a Dra. Sueli Raposo, ginecologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/ DASA, a gravidez é um período em que a mulher agrega novos desafios para sua vida. “Além de estar mais sensível, ela tem que lidar com as mudanças do corpo, ampliar hábitos saudáveis e se preparar para cuidar de alguém, educar”, ressalta a especialista.

Na maioria dos casos, as adolescentes não estão preparadas física e psiquicamente para essas alterações em sua vida. Por conta disso, as campanhas do Ministério da Saúde e de outras instituições à conscientização sobre sexo, uso de camisinha e acompanhamento da gravidez são tão importantes no Brasil.

O estudo do Ministério da Saúde aponta também que a redução de partos em adolescentes foi mais efetiva em 2009, com queda de 8,9% em relação a 2008. As autoridades acreditam que essa diminuição está atrelada ao investimento R$ 3,3 milhões em ações de educação sexual e na ampliação do planejamento familiar. Além disso, em dois anos foram distribuídos 871,2 milhões de preservativos nos postos de saúde para toda a população.

Apesar da significativa melhora nos índices, as preocupações com relação a este tema ultrapassam as questões preventivas. As gestantes, adolescentes ou não, precisam se conscientizar sobre a importância de um acompanhamento médico durante toda a gravidez, o pré-natal.

Segundo a Dra. Sueli, na adolescência o pré-natal é ainda mais significativo, já que muitas vezes o corpo pode estar ainda em desenvolvimento e não preparado para gerar um bebê. “É importante que as adolescentes entendam que uma gravidez com complicações pode trazer riscos para sua própria vida. A gestação precoce aumenta os riscos de hipertensão e parto prematuro”, acrescenta.

A ginecologista selecionou abaixo os principais exames gestacionais que devem ser realizados, independente da idade. “Ao consultar um médico, a gestante terá maior segurança desde o princípio da gravidez, poderá antecipar diagnósticos e até tratar o feto de acordo com os avanços da medicina”, completa a Dra. Sueli.

 

1º trimestre de gestação

1. Hemograma Completo

2. Tipagem Sangüínea

3. Glicemia de Jejum

4. Sorologia para Sífilis (VDRL e FTA Abs), HIV, Hepatite B e C, Toxoplasmose, Rubéola e Citomegalovírus

5. Uréia, creatinina

6. Urina I, cultura e antibiograma

7. PPF (Protoparasitológico de Fezes)

8. Papanicolaou

9. Ultra-som Obstétrico Endovaginal ou Transvaginal com translucência nucal entre 11 e 14 semanas.

10. TSH e T4 Livre

11. Coombs Indireto – nas pacientes Rh negativo.

 

2º trimestre de gestação 

1. Ultrassom Morfológico  entre 20 e 23 semanas

2. Urina I, cultura e antibiograma

3. Hemograma, Vdrl, glicemia, toxoplasmose.

 

3º trimestre de gestação

1. Ultrassom Obstétrico com Doppler colorido

2. Cardiotocografia

3. Perfil Biofísico Fetal, se necessário

4. Dosagem de Uréia, Ácido úrico e Creatinina, se necessário

5. Hemograma, glicemia, Vdrl, Hiv, Toxoplasmose

6. Urina I, cultura e antibiograma

7. Curva Glicêmica, se necessário.

 


Sociedade Americana de Geriatria faz recomendações para o tratamento da dor crônica em idosos

Pessoas com mais de 65 anos de idade correm mais riscos com o uso de anti-inflamatórios

 

O uso de anti-inflamatórios pode vir a causar complicações em qualquer pessoa. No caso de idosos com mais de 65 anos de idade há um risco ainda maior de sangramentos gastrointestinais, insuficiência renal e cardíaca, além de disfunção plaquetária.

Com o objetivo de evitar o agravamento de problemas de saúde comum aos idosos e prevenir danos aos órgãos como fígado e rins, a Sociedade Americana de Geriatria (The American Geriatrics Society) recomenda aos médicos que prescrevam com cautela anti-inflamatórios para esse público. A orientação foi publicada no artigo Diretrizes Farmacológicas para Gerenciamento de Dor Crônica em Pessoas Idosas (Guideline Pharmacological Management of Persistent Pain in Older Persons) de 2002.

Para tratar a dor nesses pacientes o ideal é escolher outros tipos de terapia menos danosas ao organismo. “Em pacientes acima dos 65 anos de idade optamos pelo tratamento multimodal.

Dependendo do tipo e da causa da dor, administramos em conjunto medicamentos como analgésicos simples ou opioides para dor leve a moderada ou intensa”, informa Toshio Chiba, médico do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo.

Chiba salienta, ainda, que qualquer tratamento pode ter efeitos colaterais, entretanto “a escolha deve ser baseada na ponderação entre o benefício que o medicamento trará para o paciente idoso em relação aos efeitos adversos que sejam transponíveis. Geralmente os riscos dos antiinflamatórios não compensam o retorno. O mesmo resultado pode ser alcançado com outros remédios”.

O importante é tratar a causa da dor e não apenas o sintoma. Nesse sentido, a automedicação é outro aspecto que traz impactos negativos para a saúde do idoso. Por ter sido medicado com anti-inflamatórios em algum momento da vida, o idoso pode pensar que se ingerir o mesmo remédio acabará com a dor e resolverá o problema, o que na realidade poderá trazer mais complicações para a sua saúde.


Câncer de estômago: mais comum do que se imagina

 

 

 

Também denominado câncer gástrico, os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma de três tipos histológicos: adenocarcinoma (responsável por 95% dos tumores), linfoma, diagnosticado em cerca de 3% dos casos, e leiomiossarcoma, iniciado em tecidos que dão origem aos músculos e aos ossos.

O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, por volta dos 70 anos. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos. No Brasil, esses tumores aparecem em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto, entre as mulheres. No resto do mundo, dados estatísticos revelam declínio da incidência, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países mais desenvolvidos.

A alta mortalidade é registrada atualmente na América Latina, principalmente na Costa Rica, Chile e Colômbia. Porém, o maior número de casos ocorre no Japão, onde são encontrados 780 doentes por 100.000 habitantes.

Já no Brasil, de acordo com dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), estão estimados 21.500 novos casos em 2010, sendo 13.820 em homens e 7.680 em mulheres.

 

Prevenção

Para prevenir o câncer de estômago é fundamental seguir dieta balanceada, composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância. Alimentação pobre em carnes e peixes e nas vitaminas A e C, ou ainda alto consumo de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal são fatores de risco para esse tipo de câncer. 

Algumas doenças pré-existentes podem ter forte associação com esse tipo de tumor, como anemia perniciosa, lesões precancerosas (como gastrite atrófica e metaplasia intestinal), e infecções pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori).

Fumantes que ingerem bebidas alcoólicas ou que já tenham sido submetidas a operações no estômago têm maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer, assim como pessoas com parentes que foram diagnosticados com câncer de estômago.

 

Fonte: Oncomed - Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas


Intensivistas alertam para a Sepse, doença mais mortal que os acidentes de trânsito

 

A Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro (SOTIERJ) quer reduzir a mortalidade por septicemia (sepse), que, no Brasil, mata seis vezes mais que os acidentes de trânsito.

Fatal para 70% dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a sepse tornou-se mais conhecida no Brasil ano passado, depois da trágica história da modelo capixaba Mariana Bridi.

Depois de sofrer uma infecção urinária, a jovem de 20 anos teve os pés e as mãos amputados, e acabou morrendo vítima da sepse, uma infecção generalizada.

Mesmo causando a morte de 220 mil pessoas todos os anos no Brasil, seis vezes mais que os 37 mil óbitos por acidentes de trânsito, a sepse continua sendo um mistério até para a maioria dos médicos. Um estudo do Instituto Latino-americano da Sepse (ILAS), realizado com 917 médicos de 21 hospitais brasileiros e publicado em janeiro de 2009, mostrou que apenas 27% dos profissionais sabem diagnosticar corretamente a doença.

A fim de reverter essa trágica estatística, a Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro (SOTIERJ), aderiu à Campanha Sobrevivendo à Sepse com o objetivo de reduzir a mortalidade por sepse no mundo. Fruto da iniciativa das principais organizações mundiais de medicina intensiva, a campanha baseia-se num conjunto de medidas diagnosticas e terapêuticas, adotadas sobretudo pelos médicos intensivistas que atuam nas UTIs.

 

Segundo dados do Ministério da Saúde, a septicemia custa R$ 17 bilhões por ano ao sistema hospitalar brasileiro. Desses recursos, cerca de R$10 bilhões são gastos com pacientes que acabam morrendo.

“O Brasil é um dos países que lideram o ranking de óbitos por sepse. Precisamos reverter essa situação trágica”, alerta o presidente da SOTIERJ, Moyzes Damasceno.


Doenças da Coluna Vertebral

 

O neurocirurgião César Casarolli, membro da equipe de neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e médico da Clinica Neurocop e Poliklinik, é um dos especialistas de São Paulo com maior experiência nas chamadas cirurgias minimamente invasivas, para abordagem da coluna vertebral através de cânulas e agulhas ablativas. Ele explica:

 

As maiores Patologias que acometem  a Coluna Vertebral são:

 

1 - Deformidades da coluna

podem ser congênitas --os pacientes  já nascem com as deformidades ou com tendência a desenvolver as doenças no futuro. São: escolioses, cifoses, lordoses, etc.

Nestas patologias o principal sintoma é a dor .Os tratamentos podem ser medicamentoso, fisioterápico ou cirúrgico.

 

2-  Doenças  pouco freqüentes:

 Calcificação  do ligamento longitudinal posterior - (entre uma vértebra e outra existem  ligamentos que não estão colados, estão justapostos,os ligamentos permitem manter a coluna em posição correta, ou seja uma vértebra sobre a outra) caso eles fiquem espessos comprimem a coluna e, resulta no principal sintoma que é dor nas pernas.

Tratamento também pode ser medicamentoso ou cirúrgico

 

3- Tumores :  podem acometer a coluna vertebral inteira e os sintomas dependem da  localização.

Os  tumores benignos e tumores malignos têm a dor como sintoma  mais comum . Podem ser primários da coluna vertebral (nascem na coluna vertebral) ou  secundários ou metásticos (metástases).

Tratamento quase sempre cirúrgico. 

Doenças adquiridas

Infecções

As infecções acontecem com a  presença de bactérias e fungos na região da coluna vertebral. A mais comum é a tuberculose óssea ou como é denominado: Mal de Pott.

A Tuberculose na Coluna Vertebral além de causar um  quadro infeccioso, resulta em  deformidades ósseas que levam as alterações estruturais da coluna vertebral como : cifoses,acanhamentos de vértebras e compressões mieloradiculares

 Tratamento medicamentoso no inicio,podendo ser cirúrgico,dependendo das complicações 

Abscesso

Abscesso (coleção de pus numa cavidade qualquer) resulta em dor e deformidades.

Tratamento medicamentoso ou cirúrgico,dependendo do caso.

 

Doenças Degenerativas

 

Fibriomialgia - o principal sintoma é a dor no corpo inteiro com limitação de movimentos, precisa de monitoramento e pode causar problemas psicológicos sérios, pois o paciente sente  dor 24 horas.

A causa: os pacientes já nascem com essa predisposição.

Tratamento : anti-inflamatório, psicoterápicos para melhora do humor e relaxantes musculares.

Conforme a crucificação da doença ,a dor vai aumentando e o tratamento fica mais difícil.

 

Doenças degenerativas do disco intervertebral.

As doenças do disco intervertebral  esultam na degeneração do disco podem ser pela : diminuição  do tamanho, calcificação, deslocamento , regressão,etc.

 

Hérnias são deslocamentos do disco intervertebral ser cirúrgicas se não tiver melhora clinica ou se a dor ou fraqueza motora ficar evidente. 

Estenoses de canal  quase sempre cirúrgico,visando descompressão do canal vertebral                               

 

Traumas: 

Frente a um acidente ocorre lesões na coluna vertebral como : fratura, hérnia, neuropatias, rupturas de ligamentos etc.

Geralmente essas lesões precisam de cirurgia.

Segundo dr Cesar Casarolli: as doenças da coluna vertebral não têm cura, mas os tratamentos podem levar o paciente a não ter nenhum sintoma e ter uma vida absolutamente normal . Hoje, já é possível realizar grande parte delas de maneira minimamente invasiva,com pouca lesão tecidual e recuperação rápida.


A importância dos primeiros molares permanentes

         
pais – pode provocar dor, maior ou menor, conforme a sensibilidade da criança.

Esses dentes são importantes no funcionamento da engrenagem dentária e o modo como os superiores fazem contato com os inferiores fornece informações sobre o “relacionamento” entre a maxila e a mandíbula e vai, de certa forma, sinalizar se a criança tem ou não má oclusão (mordida) e são considerados “dentes-chave” para o desenvolvimento.

Por esta razão, é importante que um especialista em Ortodontia examine o paciente nesta fase de Dentição Mista, pois a perda prematura pode trazer consequências bastante prejudiciais para uma mordida normal. Isso porque há risco de desenvolver cárie em sua superfície.

Por apresentar esmalte imaturo, forma complexa, lento processo de nascimento e localização posterior que dificulta o acesso para a higienização, favorece o acúmulo de placa bacteriana. Por outro lado, nunca é demais lembrar que os cuidados não podem ficar restritos ao molar – embora mereça mais atenção – e devem se estender também aos dentes de leite.
 

Margareth Dias


Distúrbio do sono pode levar a morte

 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira do Sono, 43% dos brasileiros sofrem de algum tipo de distúrbio enquanto dormem. A apnéia do sono é considerada um dos principais e atinge cerca de 4% das mulheres adultas e aproximadamente 9% dos homens adultos, principalmente em quem tem acima de 35 anos. Existem três tipos: a apnéia central, causada por uma rara disfunção do sistema nervoso central, neste caso a pessoa não faz nenhum esforço para respirar e por isso não há entrada nem saída de ar pelos pulmões; a obstrutiva, que acontece quando alguma região da garganta está obstruída; e a mista, no início não há esforço para respirar, mas quando a pessoa tenta não consegue porque há alguma obstrução.

 Gerson I. Köhler, ortodontista e ortopedista-facial da Clínica Köhler Ortofacial, explica que o ronco é a demonstração sonora que indica a existência de alguma anormalidade na respiração. “Quando há obstrução da faringe o ar não chega até os pulmões, mesmo que haja o esforço respiratório. Se ocorrer o fechamento ou o colapso da faringe então ocorre a apnéia”, esclarece. Quem sofre desta síndrome não percebe, mas quando está dormindo simplesmente para de respirar. “As interrupções são breves, duram geralmente 10 segundos, e acontecem no mínimo cinco vezes a cada hora de sono. Há ainda a hipopnéia, que ao invés de interromper completamente a respiração, reduz o fluxo de ar de 30 a 50%”, acrescenta.

O ronco é o sintoma mais comum, mas não é o único. Irritabilidade, depressão, redução da libido, impotência sexual, dificuldade de concentração, problemas de memória, suor excessivo durante a noite, pressão alta e dores de cabeça pela manhã também são sinais de que alguma coisa está errada. “A sonolência diurna acontece porque a interrupção da respiração faz a pessoa acordar várias vezes durante a noite. Esta fragmentação do sono prejudica a sua qualidade e impede que ele progrida para as fases mais profundas, nas quais o descanso é maior”, ressalta Juarez Köhler, outro especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial da Clínica Köhler Ortofacial.

A obesidade é um fator que prejudica a respiração, já que a gordura fecha o canal da faringe, órgão por onde passam os alimentos e o ar. Ela é responsável pela conexão entre o nariz e a boca e entre a laringe e o esôfago. Segundo Nilse Waltrick Köhler, fonoaudióloga e especialista em distúrbios miofuncionais da face da Clínica Köhler Ortofacial, o crescimento exagerado das amígdalas e a adenóide também podem causar esta síndrome.

 

“A mal formação da mandíbula ou da faringe, a hipertrofia da língua, a diminuição da força dos músculos da faringe ou até mesmo a falta de coordenação dos músculos respiratórios são outros elementos que podem ser determinantes para causar a apnéia”, afirma. Os ossos da face também devem ser levados em consideração, principalmente nas pessoas que possuem o queixo e o maxilar pequenos.  

Classificada entre as doenças que mais matam no mundo, a apnéia do sono aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e causa batimentos cardíacos irregulares – chamado de arritmia cardíaca- e hipertensão arterial. Também aumenta as chances de desenvolver resistência a insulina, o que pode levar a diabetes tipo 2 e de sofrer acidentes no trabalho e de trânsito devido à da fadiga.  Segundo Gerson, a apnéia do sono diminui a qualidade de vida, principalmente devido à fragmentação do sono e a sonolência diurna. “É necessário um tratamento adequado para tratar este distúrbio e limitar os riscos de desenvolver estas doenças. O diagnóstico pode ser feito através da polissonografia, exame que permite testar durante o sono os potenciais elétricos da atividade cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação de oxigênio no sangue, entre outros parâmetros”, conclui.

 

Doutor Gerson Köhler


Colesterol e triglicérides

Arenda a controlar os riscos à saúde conhecendo fatores agravantes 

 

 

Pelo menos uma vez ao ano, é comum as pessoas passarem por um check up simplificado, avaliando os níveis de colesterol e triglicérides. Muitas saem do consultório médico com a missão de adotar hábitos mais saudáveis para baixar os índices de gordura no sangue e, assim, poder viver mais e melhor. Mas, você sabia que alguns fatores podem agravar ainda mais a interpretação desses resultados?

De acordo com a doutora Clélia Machado, biomédica do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), mesmo quem apresenta taxa de colesterol total menor de 200 e de triglicérides abaixo de 150 – consideradas normais – não está livre de complicações futuras. Tudo depende de um conjunto de fatores.

“Os valores considerados normais podem variar de pessoa para pessoa. Uma das formas mais utilizadas para definir os valores desejáveis é o chamado ‘Score de Framingham’. Trata-se de um cálculo que avalia o risco de doença cardiovascular de acordo com a presença ou não de certos fatores de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, histórico familiar e doenças ateroscleróticas. Com a avaliação do conjunto de resultados é possível saber se o risco de o paciente sofrer um infarto nos próximos dez anos é baixo, moderado ou alto”, diz a médica.

Na opinião de Clélia, a partir dos 20 anos de idade as pessoas devem procurar um médico de confiança e realizar as dosagens de colesterol e triglicérides ao menos uma vez a cada cinco anos. “É importante lembrar o paciente deve fazer um jejum de 12 horas antes de se submeter ao exame de sangue, evitando interferência nos resultados obtidos. Quando há qualquer tipo de alteração é necessário repetir a análise com maior frequência e buscar orientação médica para iniciar um tratamento apropriado”.

 

Prevenção é tudo. Ou quase tudo

De acordo com a doutora Clélia Machado, o consumo exagerado de alimentos ricos em colesterol, como carnes gordas, leite integral, queijos amarelos, bacon, manteiga e banha, por exemplo, pode elevar os níveis de colesterol. Ao mesmo tempo, o excesso de álcool e o consumo de carboidratos e açúcar em grandes quantidades também podem fazer os níveis de triglicérides subir.

“Para manter a saúde em dia, prefira alimentos com menos gordura, dando preferência a carnes magras. Além disso, é recomendável que se retire a gordura visível da carne, frango e peixe antes de cozinhar, evitando fritar os alimentos. Grelhar, assar, cozinhar ou refogar é sempre melhor do que fritar. Com relação ao leite e seus derivados, prefira os desnatados e reduza o uso de maionese, manteiga, molhos cremosos e temperos oleosos. Última dica: inclua muitas frutas e vegetais frescos em seu cardápio diário e encontre uma forma prazerosa de combater o sedentarismo”.

 

Fonte: Dra. Clélia Machado

 

Hidratação nasal é fundamental para proteger vias respiratórias dos efeitos nocivos da poluição

 

Com o crescimento dos índices de poluição e a maior exposição ao ar condicionado, população precisa incorporar ao cotidiano o hábito da hidratação nasal, que é tão importante quanto o uso do filtro solar

Novas tecnologias surgem dia após dia para garantir o desenvolvimento econômico aos países, mais comodidade e qualidade de vida aos seres humanos. Mas tanto progresso traz também contratempos. Hoje, a maioria dos habitantes do planeta convive com a poluição atmosférica gerada pelas indústrias, lixões e esgotos industriais e domésticos, bem como com grandes congestionamentos viários (em alguns casos aéreos) e mudanças bruscas no clima, entre outros transtornos cotidianos.

São comuns também as diversas horas de exposição aos sistemas de ar condicionado, em ambientes fechados com grande número de pessoas e, conseqüente, maior exposição a partículas poluentes, vírus e bactérias, seja nos escritórios, aviões ou automóveis – com o agravante de que nem sempre os aparelhos têm a devida manutenção dos filtros.

Uma das conseqüências mais conhecidas e graves de tanta modernidade é o aumento do número de doenças respiratórias e de internações hospitalares, assunto que é há anos objeto de estudo do Dr. Paulo Saldiva, médico PhD do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental do Departamento de Patologia e professor de fisiopatologia pulmonar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

“Com o aumento do volume de circulação de automóveis e caminhões, por exemplo, os índices de poluição, que estavam estabilizados nos últimos cinco anos, voltaram a crescer gradativamente agora, assim como o tempo de exposição das pessoas aos efeitos nocivos dos poluentes presentes no ar”, reforça o especialista.  Segundo ele, em grandes cidades como São Paulo, os habitantes despendiam por dia em média 1h45 no trânsito em 2008. No ano passado, esse tempo foi ampliado para 2h10. Durante este intervalo, as pessoas presas em seus veículos respiram praticamente todas as partículas liberadas pelos veículos ao seu redor.

O problema se agrava porque com a poluição, geralmente ocorre queda da umidade relativa do ar, que atualmente é de 6 a 18% menor nas grandes cidades no comparativo com as zonas rurais. “Esta situação exige ainda mais esforço das vias respiratórias superiores, responsáveis por filtrar o oxigênio que será levado até os pulmões”, enfatiza Saldiva.

De acordo com Dra. Maura Neves, médica otorrinolaringologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), o uso constante dos sistemas de ar condicionado é outra questão a ser observada. “Os aparelhos, além de resfriarem o ambiente, retiram umidade do ar e nem sempre contam com a correta manutenção, juntando em seus filtros ácaros, bactérias, esporos, fungos, algas e outros poluentes, aos quais as pessoas ficam expostas diariamente”, afirma a doutora.   

O nariz é a primeira linha de defesa do sistema respiratório contra a entrada dos agentes agressores, executando várias funções como umidificação, aquecimento, filtragem do ar inspirado e transporte mucociliar. Suas funções são afetadas por diversos fatores como poluição atmosférica, temperatura e umidade do ar, anatomia e volume da cavidade nasal, distribuição de fluxo sanguíneo, estresse emocional e tabagismo, que alteram a mucosa nasal, provocando ressecamento e, em alguns casos, congestão nasal.

Essa desidratação nasal resulta na redução da frequência do batimento  ciliar (aquela fina camada de cílios microscópicos da parte interna do nariz) e compromete a filtragem das partículas poluidoras, que entram no organismo e podem causar infecções respiratórias, intensificar crises de asma e até mesmo provar lesões pulmonares.

“A questão é que, em geral, as pessoas não dão a devida importância à irritação nas narinas, a sensação de ressecamento da mucosa nasal ou a pequenos sangramentos do nariz, que podem ser resultado de horas de exposição à poluição. Mas é preciso dar atenção a estes sintomas e cuidar da hidratação nasal, que garante o funcionamento adequado das vias aéreas superiores e impede as partículas poluentes de prejudicarem o sistema respiratório como um todo”, reforça Dra. Maura, ao comparar a necessidade de manter a mucosa nasal hidratada aos cuidados que a população deve ter com a proteção solar.

Maxidrate, hidratação e conforto da mucosa nasal

Maxidrate (cloreto de sódio 4,5 mg/g) – É um gel nasal desenvolvido para aliviar o desconforto gerado pelo ressecamento da mucosa nasal, prevenindo piora do quadro clínico de pacientes alérgicos com rinite. De aplicação única diária, sua consistência em gel proporciona maior fixação que as soluções salinas comuns. Não causa dependência e não tem efeito vasoconstritor (que provoca contração dos vasos sanguíneos), por isso pode ser usado por longos períodos sem danos ao organismo. Sua fórmula é livre de conservantes (como o cloreto de benzalcônio), substâncias que alteram os batimentos mucociliares – aquela camada de cílios microscópicos que revestem a parte interna do nariz e cuja principal função é “filtrar” o ar que entra no organismo para que os pulmões o recebam bem limpo. É o único produto com esses atributos no mercado.

Indicação:

Ideal para aliviar sensação de ressecamento causado pela exposição ao ar- condicionado, frio ou clima seco. Indicado a partir de 12 anos.

Para o período pós-operatório de cirurgias otorrinolaringológicas, reforçando a hidratação da mucosa nasal e reduzindo a formação de crostas.

Para idosos, fase em que o indivíduo tem uma redução de 7% da água corporal.

Como funciona:

A falta de hidratação na mucosa nasal faz com que haja diminuição da freqüência dos batimentos mucociliares. O Maxidrate mantém essa área hidratada e garante a movimentação sincronizada dos cílios nasais. A textura gel, de grande fixação, garante hidratação ao longo do dia.

Os benefícios da hidratação nasal:

Manter o funcionamento adequado do sistema de defesa das vias respiratórias.

Prevenir a ocorrência de sangramento nasal.

Resistência e conforto respiratório nasal mesmo em condições climáticas agressivas (poluição, baixa umidade, frio e ar-condicionado).

 

Fonte: Libbs


Embolização uterina é a esperança no tratamento de miomas 

Alternativa é uma técnica não cirúrgica, rápida, através de procedimento minimamente invasivo, oferecido pelo Hospital Santa Cruz

 

Mulheres em idade reprodutiva, vítimas de mioma uterino, podem contar com uma alternativa efetiva de tratamento menos invasivo, que não requer a retirada do útero, órgão símbolo de fertilidade, maternidade e feminilidade. Trata-se da embolização uterina, procedimento minimamente invasivo, que dura, aproximadamente, uma hora, sendo uma técnica não cirúrgica, oferecida pelo Hospital Santa Cruz, sob coordenação do médico chefe do serviço de radiologia intervencionista, Dr. Alexander Ramajo Corvello.

A paciente que possui mioma no útero sofre de sintomas desconfortáveis, como por exemplo, intenso sangramento no período menstrual, fortes cólicas, urgência urinária, dores pélvicas, dor durante relação sexual, prisão de ventre e anemia. Através da embolização uterina é possível tratar estes sintomas, assim como garantir o bem estar da mulher. O Dr. Corvello explica que o procedimento consiste na obstrução do fluxo sanguíneo das artérias que nutrem o útero.

“A técnica não interfere nas funções normais do órgão, que passa a ser nutrido por circulações colaterais que mantêm sua vitalidade, e devolve a qualidade de vida a paciente”, diz.

A embolização uterina é realizada por meio de um corte de, no máximo, dois milímetros na região da virilha, onde se introduz um fino tubo até as artérias uterinas, conhecido também como cateter. Depois de localizado os miomas, são injetadas micro partículas de gel insolúvel para obstruir estas artérias. Assim, os miomas param de crescer ou até desaparecem. Este procedimento permite que a mulher possa voltar a cumprir totalmente suas atividades diárias, em quatro ou sete dias. Ao contrário das cirurgias de retirada do mioma, ou do útero, em que a mulher necessita de pelo menos um mês de recuperação.  

Embolização significa “fechar os vasos” e é uma técnica muito conceituada, além de possuir o maior grau de evidência científica concedido pela Sociedade Americana de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade de Radiologia Intervencionista Americana e Europeia, sendo realizada desde 1996 para tratar o mioma uterino, e desde os anos 1980 em casos de sangramentos extremos em partos ou acidentes. De acordo com Dr. Corvello, é um método efetivo que controla os sintomas em até 92%. Outro ponto positivo após este tratamento é que a mulher pode ter de 10% a 30% de chances de engravidar, um dado expressivo, já que no caso da retirada do útero isso não é mais possível, podendo desencadear em muitas pacientes à depressão e à perda de autoestima.   

A doença não apresenta grupo de risco, mas atinge mulheres em idade fértil de 20 aos 45 anos. De acordo com Dr. Corvello, “os miomas se alimentam de estrogênio, hormônio feminino”. “O importante é ressaltar que quando bem indicada, a embolização uterina pode, efetivamente, devolver a qualidade de vida as pacientes com um procedimento minimamente invasivo, com baixos índices de complicação e rápido retorno da paciente às suas atividades profissionais e pessoais”, diz o especialista.


Artrite reumatóide: doença afeta, principalmente, a capacidade laboral e a qualidade de vida

 

Se a pessoa já tem artrite reumatóide, encontrará certa dificuldade para digitar porque a mão vai se deformando com a doença. Mas, se ela consegue trabalhar, não precisa afastar-se do computador, porque ele não interfere na evolução da doença

Segundo o estudo português Artrite Reumatóide em Portugal - Viver ou Sobreviver?, divulgado no início de abril, em Portugal, um em cada dez doentes com artrite reumatóide, naquele País, foi "obrigado" a pedir a aposentadoria antecipada devido ao impacto da doença. A pesquisa, realizada, em 2009, pela Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, Andar, revelou também que os pacientes que se aposentaram antecipadamente devido à artrite reumatóide continuam se queixando do seu estado de saúde, mesmo depois de abandonar as atividades laborais. De acordo com a associação, em Portugal, a artrite reumatóide atinge mais de 40 mil pessoas, e as mulheres, entre os 30 e os 50 anos, são as grandes vítimas desta doença que atinge principalmente as articulações.

“ A doença é a segunda patologia reumática que mais acomete a população no Brasil, só sendo superada pela osteoartrose. Especialmente, nas pessoas com mais idade, essa doença provoca deformidades nas articulações e as mãos adquirem características típicas do reumatismo. No Brasil, as doenças reumáticas representam o segundo maior gasto do país relativo às faltas ao trabalho e à aposentadoria por invalidez. Como a artrite reumatóide é uma doença grave, progressiva e incapacitante, para requerer o benefício por incapacidade é preciso marcar uma perícia médica no INSS”, explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

Atualmente, tramita no Senado Federal, o Projeto de Lei  N °467/03 que pretende estender aos servidores portadores de lúpus, epilepsia ou artrite o direito à aposentadoria com proventos integrais. Em sua justificativa, o senador autor da proposta ressalta as características das três doenças, suas consequências para o ser humano, o fato de serem incuráveis e como esses males acabam por incapacitar o trabalhador para as suas tarefas diárias.

Manifestações do reumatismo

O reumatismo é uma doença que acomete crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, e existem tipos preferenciais de acordo com a idade. A febre reumática, por exemplo, acomete principalmente crianças. O lúpus eritematoso sistêmico, uma doença auto-imune, em geral, se manifesta no sexo feminino, durante a puberdade, quando ocorrem alterações hormonais em virtude da transformação do sistema endócrino. “Já nas pessoas de mais idade, os tipos predominantes são, sem dúvida, a artrose e a artrite reumatóide”, diz o reumatologista.

Em geral, quando falamos em artrite, estamos nos referindo à artrite reumatóide, doença que envolve alterações de genes ligadas a um fator externo que não se conhece exatamente qual seja, mas que desencadeia o processo. “Comumente, é fácil encontrar pessoas que fazem confusão entre artrose e artrite. Basicamente, a diferença entre osteoartrite, nome correto da artrose, e artrite reumatóide é que a primeira acomete pessoas de idade mais avançada, enquanto a segunda pode ocorrer em todas as idades e sua incidência é maior no sexo feminino”, afirma o diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

Em relação ao tipo de articulação atingida, há também algumas diferenças. “Embora ambas acometam as mãos, na artrite reumatóide, as articulações envolvidas são as mais proximais, ou seja, as mais próximas do punho e o próprio punho”, diz Lanzotti. Na osteoartrite, são mais atingidas as articulações distais, especialmente a interfalangiana distal, localizada mais perto das unhas e há a formação de pequenos nódulos, chamados nódulos de Heberben.

Praticamente todas as pessoas com mais de 60 anos têm artrose. “Por isto, é preciso proteger tudo o que está em volta das articulações: ligamentos, tendões, músculos. A atividade física correta ajuda a manter e a desenvolver adequadamente as estruturas que cercam a articulação a fim de garantir a movimentação”, explica Sergio Lanzotti.

Se a pessoa tem uma dor no joelho e fica sentada o dia todo assistindo à televisão, os músculos acabam se atrofiando e, um dia, ela não se levantará mais. “O paciente acha que a artrose destruiu seu joelho. Grande parte das vezes, a doença é discreta, mas não há mais músculos para andar. Por isso, os cuidados com os idosos estão mais ligados à preservação dessas estruturas do que propriamente ao tratamento direto da articulação”, alerta o médico. Atualmente, existem medicamentos anti-artrósicos, que bloqueiam ou diminuem a ação da osteoartrose. “O transplante de cartilagem  já existe, porém ainda é considerado um método com limitações e que não apresenta a efetividade que se esperava  do método,  no início de seu emprego”, observa o diretor do Iredo.

Já quem sofre com artrite reumatóide apresenta alterações na articulação metacarpofalangiana, que se localiza entre os ossos da mão e a primeira articulação dos dedos. Estes desvios são chamados de desvios cubitais. “Normalmente, os tendões flexores e extensores dos dedos precisam ficar bastante equilibrados. Quando as articulações metacarpofalangianas inflamam, eles se deslocam para o lado cubital. Disso decorre outra alteração importante, o zigue-zague da articulação interfalangiana proximal. Essa deformidade é chamada de pescoço de cisne, por causa da conformação que o dedo assume se visto de perfil”, explica Sergio Lanzotti.

Muitas dores...

Quem tem artrite reumatóide se queixa de uma dor constante, que vai deixando o paciente irritado e, posteriormente, deprimido. “No começo, dor e rigidez se manifestam só pela manhã. O paciente acorda e se ‘sente enferrujado’. Suas mãos estão duras e doloridas e só depois de uma hora voltam ao normal. Daí em diante, os sintomas desaparecem para reaparecer na manhã seguinte. Isso acontece porque o processo inflamatório está começando a estabelecer-se e, durante o repouso, a pessoa acumula líquido dentro das articulações. Quando acorda, enquanto não se movimenta o bastante para reduzir a quantidade de líquido dentro da cápsula, a dor não desaparece”, esclarece o médico.

Um dos problemas dos quadros de artrite reumatóide é que os pacientes se acostumam com estes sintomas matinais e deixam de procurar o médico quando eles aparecem. “Os que procuram um médico especialista no estágio inicial  do quadro, terão um  melhor prognóstico da doença,  pois o reumatologista pode indicar a medicação mais adequada para cada caso, o que proporcionará ao paciente uma evolução muito melhor. Como para estabelecer um quadro completo da doença, registrando alterações clínicas e laboratoriais, é necessário tempo, no caso de suspeita de artrite reumatóide, é possível ir tratando a doença para evitar os sintomas desagradáveis dela decorrentes”, conta Lanzotti.

Tratamento apropriado

No passado, esperávamos que os sintomas da artrite reumatóide ficassem realmente incômodos para iniciar o tratamento porque os efeitos colaterais dos remédios eram problemáticos. “Hoje, há uma tendência entre os reumatologistas de iniciar precocemente o tratamento para que as deformidades - motivo pela qual a doença se torna incapacitante - não surjam. No entanto, o tratamento de doenças com conotação genética visa tirar o paciente da crise e  fazer com que ele volte ao seu estado normal, porque houve uma remissão da doença. Isso acontece com inúmeras patologias:  diabetes, hipertensão, bronquite asmática, enxaqueca. O reumatismo se encaixa neste quadro também. É uma doença incurável, que demanda tratamento contínuo, mas que permite que o paciente leve uma vida normal”, explica o reumatologista.

Sergio Lanzotti explica que, nos últimos anos, os avanços no tratamento da artrite reumatóide foram muitos. “Há 50 anos, quando surgiu a cortisona, ela era utilizada amplamente nos pacientes que sofriam de artrite com excelentes resultados no combate à dor. Achávamos que tínhamos encontrado a cura para a artrite reumatóide. Pouco tempo depois, porém, verificou-se que os efeitos colaterais dos corticóides, especialmente em doses altas, eram piores do que a própria doença e o uso de cortisona foi cada vez menos indicado. Hoje, sabemos que doses pequenas de corticóides, aplicadas por períodos curtos, desempenham papel importante no tratamento da artrite reumatóide”, diz o médico.

A descoberta de novos antiinflamatórios foi mais uma arma para fazer com que a doença regrida. “Os medicamentos produzidos por engenharia genética são opções terapêuticas, mas por serem extremamente caros impedem a utilização ampla pela população afetada pela doença.  Estamos confiantes nas novas pesquisas, pois, cada vez mais, estamos chegando mais perto dos genes responsáveis pelo aparecimento da doença. Na hora em que conseguirmos manipulá-los para impedir sua manifestação, terá sido dado o passo definitivo para o controle dessa enfermidade”, explica o  reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).


Exames Clínicos

Sete perguntas que você sempre quis fazer, mas nunca fez

 

Os grandes centros de diagnóstico costumam receber em média 500 pacientes de todas as faixas etárias por dia e seus acompanhantes. Em meio à expectativa da realização do exame e, principalmente, do diagnóstico, muita gente deixa de fazer perguntas simples, mas que contêm informações importantes para o resultado final.

Paulo Campana, médico do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB) – grupo paulista com cinco unidades e prestes a inaugurar novos postos em Santo Amaro e no Morumbi – revela os questionamentos mais comuns que as pessoas têm vontade de perguntar, mas por inibição muitas vezes não o fazem.

 

Posso ir sozinho à clínica para realizar todos os exames?

Paulo Campana – “Não. Há exames em que é necessária a presença de um acompanhante maior de 18 anos, como endoscopia, mamotomia, biópsia, agulhamento e artrorressonância. A colonoscopia, por conta da sedação, também não deve ser realizada em pacientes desacompanhados”.

 

Quebrar o jejum interfere no exame de sangue?

Paulo Campana –  “Sim. Com exceção do hemograma simples, a maioria dos exames de sangue exige jejum. Para a dosagem de triglicérides e colesterol, por exemplo, são necessárias 12 horas de jejum. Já para a dosagem de glicose, entre oito e 12 horas. Água em pequena quantidade é permitido. Mas vale prestar atenção às recomendações transmitidas no momento do agendamento do exame”.

Posso fazer exame de sangue gripado e com febre?

Paulo Campana –  “Sim, mas é importante relatar ao atendente na hora de preencher seus dados. É muito importante, inclusive, informar se está tomando medicamentos para atenuar os sintomas e de quantas em quantas horas. Caso o exame não seja emergencial, e o paciente possa adiar por uma semana, tanto melhor”.

 

Estar menstruada pode interferir nos exames?

Paulo Campana – “Depende dos exames. Alguns deles sofrem interferência direta quando realizados nesse período, como o exame de urina, a colpocitologia oncótica, a colposcopia e a cultura de secreção vaginal. Nesses casos, não sendo emergencial, pode-se adiar o exame por alguns dias a fim de obter o melhor diagnóstico possível”.

 

Corro algum risco ao fazer exames de contraste?

Paulo Campana – “Alguns exames exigem um meio de contraste para melhorar a visualização e contribuir com a investigação de muitas doenças. O contraste usado na ressonância magnética é o gadolíneo; já o usado na tomografia é o iodo. Em alguns casos, geralmente raros, o paciente pode apresentar reação alérgica à substância empregada, principalmente o iodo. Por isso é importante se comunicar com a equipe responsável pela realização do exame em caso de o paciente sentir enjoo ou coceira. Normalmente, em 24 horas a substância é eliminada por completo da corrente sanguínea”.

 

Durante a gestação, tenho de beber tanta água antes de fazer ultrassom?

Paulo Campana – “Geralmente, até a 12ª semana de gestação é necessário ingerir entre cinco e seis copos d’água antes de se submeter ao exame de ultrassonografia. Depois disso já não é tão necessário. Com relação ao ultrassom transvaginal, algumas clínicas dispensam a ingestão de água. Entretanto, o CDB recomenda a ingestão de pelo menos quatro copos d’água, já que isso contribuirá muito para a visualização da região pélvica como um todo”.

 

É importante contar à atendente todos os remédios de que faço uso contínuo?

Paulo Campana – “Dependendo do exame a ser realizado pode ser fundamental. São muitos os medicamentos que interferem nos exames de laboratório, principalmente o de sangue. A critério médico, o paciente poderá suspender a medicação alguns dias antes da coleta. É o caso dos anti-inflamatórios, antibióticos e remédios que contêm ácido acetilsalicílico na formulação, entre outros”.


Dermatite de contato: a importância de se identificar problemas que podem ser causados até por cosméticos

Pequenas irritações, coceiras ou pequenas bolhas podem ser tornar graves e gerar infecções se não forem tratadas adequadamente. Produtos que utilizam as ceramidas são um dos mais indicados

 

O contato da pele com alguma substância que provoque reações pode resultar em problemas sérios se a pessoa não identificar o agente causador e tratar corretamente a situação.

E isto pode acontecer com qualquer tipo de substância ou superfície, seja um poluente no ar, um cosmético, produto de limpeza ou outros elementos como artefatos de borracha ou metal.

“Qualquer pessoa, em qualquer idade e com qualquer tipo de pele pode sofrer algum tipo de reação, que chamamos dermatite de contato, resultando em vermelhidão, inchaço, bolhas, crostas ou escamações”, revela a dermatologista Marcella Mendes Delcourt, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, regional de São Paulo. 

É possível prevenir as dermatites de contato utilizando-se de cremes de barreira, que são hidratantes potentes com princípios ativos especialmente desenvolvidos para evitá-las.

Esses cremes possuem ação diferenciada em relação ao creme hidratante comum (que apenas mantém a pele hidratada), pois agem como uma película protetora entre a pele e o agente causador da dermatite, detendo ou reduzindo a ação dos agentes nocivos.

 

Ceramidas

Segundo Marcella Delcourt, dentre os produtos mais eficazes estão aqueles em cuja fórmula encontram-se as ceramidas – principais lipídeos componentes da pele, que evitam a perda da água cutânea e são altamente eficazes na recuperação das barreiras.

 

 

Os cremes de barreira mais potentes são vendidos, nos Estados Unidos, sob prescrição médica. No Brasil, os dermatologistas geralmente prescrevem fórmulas para manipulação a base de óleo de silicone, óleo de framboesa, glicerina, lactato de amonia ou ceramidas, mas existem ótimos produtos industrializados no mercado. 

A médica alerta, ainda, que ao observar alguma das reações que caracterizam uma dermatite de contato, a pessoa deve evitar a substância suspeita e realizar uma avaliação com um especialista.

“Uma dermatite de contato, se não tratada adequadamente, pode se complicar e até ocorrer uma infecção secundaria, levando o paciente a um quadro de febre e de prostração geral”, finaliza.

 

Fonte:  Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional do Estado de São Paulo (SBD - SP)


Depressão e doença cardiovascular: combinação perigosa e cada vez mais comum

Estudo mostra que a depressão afeta de 16 a 22% das pessoas que sofreram infarto e pode aumentar em 50% a mortalidade desses pacientes

 

 

Estudo publicado no Journal of the American Medical Association* demonstra que as pessoas com depressão apresentam maior probabilidade de desenvolver doença cardiovascular, independentemente dos fatores de risco clássicos como hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo e obesidade. De acordo com Evandro Tinoco Mesquita, cardiologista, professor na Universidade Federal Fluminense e diretor do Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro, essa porcentagem pode ser ainda maior em alguns tipos de doença cardiovascular, pois pesquisas realizadas na Universidade Federal Fluminense mostram que a depressão está associada à cerca de 70% dos pacientes com insuficiência cardíaca.

Segundo dados do Estudo, a depressão será a segunda causa de incapacidade em 2020. Hoje, a doença afeta de 16 a 22% das pessoas que sofreram infarto e pode aumentar em 50% a mortalidade desses pacientes.

Este cenário se apresenta porque as pessoas com depressão tornam-se mais vulneráveis a interromper ou não seguir os tratamentos, mais propensas a fumar, não se alimentar de forma saudável e serem sedentárias. Em pacientes com depressão, o cérebro modifica a produção de neurotransmissores, o que interfere na sensação de bem estar e felicidade, levando a uma piora do seu quadro clínico com aumento do risco de arritmia cardíaca, morte súbita e novos episódios de infarto.

Outro dado importante apontado pela publicação revela que a depressão é mais comum no sexo feminino e o risco de mortalidade por doença cardiovascular aumenta em 9% nas mulheres deprimidas, especialmente nas que estão na pós-menopausa. “Aqui no Brasil, nossas pesquisas mostram elevada prevalência da depressão entre as mulheres e novas evidências apontam depressão como um novo fator de risco para desenvolver doença cardiovascular”, explica Mesquita.

A coexistência da depressão e da doença cardiovascular abre caminho para uma maior conexão entre o cardiologista e o psiquiatra na indicação do tratamento adequado, que envolve o uso de antidepressivos e estatinas. Dentre elas, atorvastatina (Lípitor), que é a estatina com o maior número de evidências científicas, que comprovam seus efeitos na redução significativa do risco de eventos cardiovasculares e na diminuição em 39% a 60% dos níveis do colesterol ruim (o LDL). De acordo com o cardiologista, é importante complementar o tratamento com o emprego regular de exercícios físicos. A prática de atividade física reduz o risco de infarto em mais de 50%, pois contribui para diminuir o LDL (colesterol ruim), também aumentando o HDL (colesterol bom) e melhora a qualidade de vida do paciente com depressão.

Ainda de acordo com dados do Estudo, a prática de 30 minutos de exercícios físicos, por pelo menos quatro vezes na semana, reduz em 40% o risco de isquemia cardíaca. Além, de melhorar o humor, o que também age diretamente no combate à depressão. Hábitos não saudáveis, como tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alimentação não balanceada também contribuem para o agravamento do quadro depressivo e possuem relação direta com doenças cardiovasculares.

 

 *O Estudo publicado pelo Journal of the American Medical Association contou com a participação de 1000 pacientes entre 2001 e 2008

Fonte: Pfizer


Médicos alertam para o risco do aneurisma cerebral

Muitos pacientes evoluem bem e não apresentam seqüelas, porém outros podem ter déficit neurológico e até mesmo evoluir ao óbito

 

O aneurisma cerebral consiste na dilatação de uma artéria intracraniana. Isto acontece devido ao enfraquecimento da parede do vaso, tornando-a suscetível a ruptura e sangramento. Uma comparação simples para entender como é um aneurisma: imaginar uma bexiga na parede de uma mangueira.

Segundo Rodrigo Leite de Morais, especialista do Hospital da Cruz Vermelha do Paraná, muitas pessoas podem nascer com aneurisma que, com o passar do tempo, vai aumentando e pode romper. Os principais fatores de risco para a ruptura do aneurisma são hipertensão arterial e o tabagismo. “O quadro clínico é muito variado. A dor de cabeça súbita e de forte intensidade na região da nuca é o sintoma mais comum. Pode estar associada com vômitos, crise convulsiva, perda de consciência, queda da pálpebra, rigidez do pescoço e déficit visual”, relata o médico.

Segundo o médico Andrei Leite de Morais, da equipe de neurocirurgia do Hospital da Cruz Vermelha o diagnóstico é feito pela história clínica, pelo exame neurológico e confirmado por exames de imagem. “O sangramento é visualizado pela tomografia, que mostra sangue no espaço subaracnóide (em volta do cérebro) ou hematoma intracerebral (coágulo dentro do cérebro)”.

Se a história for sugestiva, mas a tomografia estiver normal, é possível fazer o diagnóstico com a retirada do líquido da espinha, que é o mesmo que banha o cérebro e pode comprovar a presença de sangue. Quando isto ocorre é necessário fazer a arteriografia (exame que estuda os vasos do cérebro) para confirmar a presença do aneurisma cerebral.

As principais complicações da ruptura do aneurisma são o ressangramento, o vasoespasmo (fechamento das artérias do cérebro) e a hidrocefalia (acúmulo de água nas cavidades do cérebro). Os aneurismas rotos (que sangram) são urgências médicas e as duas principais técnicas de sangramento são cirurgia – abertura do crânio e fechamento do aneurisma com um clipe de metal – ou embolização – realizada por meio de cateterismo, com a inserção de micro molas, que promovem o bloqueio da dilatação aneurismática.

“A escolha do tratamento, sempre discutida com uma equipe especializada, deve ser realizada com base no tipo do aneurisma, sua localização e estado clínico do paciente”, esclarece Rodrigo.

O prognóstico do paciente depende de fatores como: extensão do sangramento, localização do aneurisma, idade do paciente, condição neurológica e saúde em geral. Muitos evoluem bem, sem apresentar seqüelas, porém alguns pacientes podem permanecer com déficit neurológico e até mesmo evoluir para o óbito. “É importante que ao surgirem os primeiros sinais e sintomas neurológicos o médico especialista seja consultado. O diagnóstico precoce da doença e o tratamento adequado diminuem os riscos de seqüelas”, afirma Andrei.


Hipertenso ignora perigo do sódio na dieta

Estudo aponta que 93% dos pacientes em tratamento no hospital estadual Dante Pazzanese desconhecem diferença entre sal e sódio

 

Uma pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde promovido com pacientes hipertensos atendidos no hospital estadual Dante Pazzanese, referência nacional em cardiologia, aponta que 93% deles simplesmente desconhecem a diferença entre sal e sódio.

O estudo, realizado em março deste ano, ouviu 1.294 pacientes. Desse total, 75% disseram que não costumam ler os rótulos dos alimentos, que informam a quantidade de sódio do produto.

Entre os que lêem os rótulos dos alimentos, 19% consomem alimentos embutidos, como lingüiças e salsichas (com altos teores de sódio) pelo menos uma vez por semana. Outros 18% consomem alimentos enlatados ou envidrados e 17% consomem queijos salgados uma vez por semana, no mínimo.

Ainda segundo o estudo, 10% dos pacientes que sabem a diferença entre sal e sódio utilizam saleiro na mesa durante as refeições.

O sal de cozinha é constituído por dois componentes, sódio e cloreto. Mas é o sódio presente no sal que pode ocasionar problemas de saúde quando consumido em excesso.

“Se há um número grande de pacientes hipertensos que deveriam ter essa preocupação e não têm, o desconhecimento será pior ainda no restante da população”, afirma o médico nutrólogo Daniel Magnoni, do Ambulatório de Nutrição Clínica do Dante Pazzanese.

“Os pacientes que não controlam o consumo de sódio possuem mais chances de sofrer derrames e problemas cardíacos, têm que fazer uso de mais medicamentos e apresentam dificuldade para controlar a hipertensão”, observa o médico.

O consumo ideal diário de sal de cozinha é de até 6g, que representa 2,4g de sódio.


O médico patologista! Que médico é este?

 

São chamados "médicos dos médicos" e também "príncipes da Medicina". Há quem os chame de, "juízes da prática Médica”. Os médicos e médicas patologistas, como são definidos na literatura médica e erudita, não são laboratoristas, exercem a arte e a ciência de fazer diagnóstico, somando os conhecimentos clínicos com os achados morfológicos.
Eles não usam aparelhos ou equipamentos para fazerem medidas e dosagens, nem mesmo automáticas, tal como nos laboratórios de análises clínicas, que liberam resultados numéricos ou percentuais. Então, quem são os Médicos Patologistas (anatomopatologistas e citopatologistas)?

 São responsáveis não só pelas autópsias (análise dos motivos morte), como também pelo diagnóstico de várias doenças, inclusive de lesões pré-cancerígenas, do câncer e do diagnóstico diferencial das diversas lesões, inflamatórias ou não, no corpo humano. Assim sendo, os médicos de qualquer especialidade, quando necessitam do diagnóstico definitivo, recorrem ao médico patologista.

Até os meados do século XIX, 1832, os médicos patologistas ocupavam-se apenas das necropsias (autópsias), isto é, do exame post-mortem, entretanto daquela época para cá esses especialistas passaram a examinar órgãos ou fragmentos de órgãos dos pacientes, para fornecer o diagnóstico em vida (biópsia), quando nasceu a denominada Patologia Cirúrgica, com a justificativa ou a interferência direta nas eventuais modificações dos procedimentos terapêuticos.

De acordo com o Código de Ética Médica “o exame Anátomo-Patológico, que é pericial e é obrigatório, sempre que se faz necessário”.

Quem julga esta necessidade? Será que um paciente, ao descobrir que o seu exame, do qual ele tinha direito, não fora realizado, poderia processar o médico por danos morais, haja vista estar psicologicamente comprometido pela falta do diagnóstico histopatológico?

Para diminuir os custos, na Europa estuda-se a possibilidade do cirurgião e um médico patologista assinem um documento dizendo não ser necessário, em casos específicos, o exame histopatológico, entretanto, a última palavra será sempre do paciente.

 

Dr. Maurício Sérgio Brasil Leite


Lúpus eritematoso:  auto-agressão do organismo feminino

O lúpus exige tratamento cuidadoso por especialistas. Pacientes tratadas adequadamente têm condições de levar uma vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida

 

 

 

Diante das incertezas na vida, o ser humano tenta encontrar uma explicação para fatos à primeira vista inexplicáveis. E um deles é a existência de doenças autoimunes. Os cientistas ainda tateiam em busca de motivos pelos quais as próprias defesas do corpo passariam a encarar o organismo como um adversário em um campo de batalha. A herança genética tem sua parcela de responsabilidade nesse processo do sistema imunológico. Mas, apesar da predisposição, muitos passam a vida toda sem apresentar essa reação “estranha” dos guardiões do corpo, o que indica um maior sinal de que fatores ambientais atuariam como estopins importantes para a autoagressão.

Pesquisadores dos quatro cantos do globo querem decifrar quais seriam os gatilhos das doenças autoimunes. O lúpus encaixa-se neste perfil de pesquisa. “É uma doença rara, mais freqüente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes. O anticorpo, que é um mecanismo de defesa, passa a ser um mecanismo de auto-agressão nessas pacientes. O que caracteriza a doença auto-imune é a formação de anticorpos contra seus próprios constituintes”, explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

No lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, confundem e adiam o diagnóstico apropriado. “O lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especialistas. Pacientes tratadas adequadamente têm condições de levar uma vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida”, alerta o reumatologista.

Entenda melhor o que acontece...

“O lúpus dificilmente aparece em meninas que ainda não menstruaram. Em geral, o acometimento coincide com a época da menstruação e atinge mulheres na faixa entre 15 e 30 anos. Se não há lesão renal e cerebral no primeiro surto, trata-se do lúpus benigno caracterizado por lesões de pele, asa de borboleta, dor nas juntas, sintomas controláveis com medicação. É também provável que esta paciente não apresente os problemas ligados com o passar da idade e venha a falecer de outra causa, que não o lúpus”, diz Sérgio Lanzotti. Se no primeiro surto, porém, a paciente manifestar lesão renal ou cerebral ou, as duas ao mesmo tempo, é sinal de mau prognóstico da doença.

Havia grande confusão diagnóstica em relação ao lúpus até a Sociedade Americana de Reumatologia enunciar os critérios de diagnóstico da doença, em 1971. A mulher que preencher quatro deles seguramente tem lúpus. Os dois primeiros referem-se à mucosa bucal. Dentre outras lesões orais importantes, aparecem úlceras na boca que, na fase inicial, exigem diagnóstico diferencial com pênfigo, uma doença freqüente em países tropicais. Pode ocorrer também mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição, por exemplo.

“O terceiro critério diagnóstico envolve a chamada buttefly rash, ou asa de borboleta, que muitos consideram o critério mais importante, mas não é. Trata-se de uma lesão que surge nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. De cor avermelhada, é um eritema que geralmente apresenta um aspecto clínico descamativo, isto é, se a lesão for raspada, descama profusamente”, explica o diretor do Iredo.

O quarto critério é a fotossensibilidade. Por isso, o médico deve sempre investigar se a paciente já apresentou problemas quando se expôs à luz do sol e provavelmente ficará sabendo que mínimas exposições provocaram queimaduras muito intensas na pele, especialmente na pele do rosto, do dorso e de outras partes do corpo mais expostas ao sol nas praias e piscinas. “Pacientes que já tem lúpus diagnosticado devem proteger-se da radiação solar e usar fotoprotetor, sempre, porque não é só na praia e na piscina que o sol é intenso. A radiação solar, em especial os raios ultravioleta prevalentes das dez às quinze horas, é a substância exterior que agride as pessoas que nasceram geneticamente predispostas. Em estudos conduzidos sobre a doença foi possível detectar inúmeros casos de pacientes que tiveram o primeiro surto logo após ter ido à praia e se exposto horas seguidas à radiação solar. Em geral, eram pacientes do sexo feminino, já que a incidência de lúpus atinge nove mulheres para cada homem”, diz Lanzotti.

 

     O quinto critério diagnóstico é a dor articular, ou seja, dor nas juntas, geralmente de caráter não inflamatório. É uma dor articular assimétrica e itinerante que se manifesta preferentemente nos membros superiores e inferiores de um só lado do corpo e migra de uma articulação para outra.

Geralmente, é uma dor sem calor nem rubor, sem inchaço, nem vermelhidão, os três sinais da inflamação. Há casos, porém, em que os três sintomas se fazem presentes.

“A dor é frequente nas articulações dos membros superiores. Acomete punho, cotovelo, ombro e dedos das mãos, como se fosse um quadro de artrite reumatóide. Portanto, a artralgia, às vezes, a artrite, e, excepcionalmente, a inflamação estão presentes no primeiro surto de 90% das pacientes. Por isso, elas procuram os reumatologistas. Se a paciente não apresenta dor articular, o diagnóstico clínico pode ficar em suspenso, pois não há rigidez matutina como na artrite reumatóide. É uma dor migratória não muito intensa. Isso, muitas vezes, retarda o diagnóstico, porque a paciente entra em remissão e não procura o tratamento médico apropriado”, relata Sérgio Lanzotti.

O sexto critério, e um dos mais importantes, é a lesão renal. Paciente com lesão renal acompanhada de hipertensão no primeiro surto tem prognóstico mais reservado. “A hipertensão arterial aponta que surgiu um processo inflamatório nas membranas das estruturas envolvidas no sistema de filtração do sangue que atravessa os rins e a paciente é acometida por glomerulonefrite”, conta o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

No campo das doenças do sangue, o lúpus estabelece as chamadas penias. Em 20% dos casos, a anemia hemolítica coincide com a ruptura dos vasos sanguíneos e a fragilidade dos glóbulos vermelhos, levando à anemia hemolítica auto-imune, uma manifestação da síndrome pré-lúpica. A paciente pode ir ao consultório do hematologista com esse problema e logo em seguida, ou, em alguns anos depois, manifestar o quadro clínico completo do lúpus eritematoso.

Outra manifestação de penia mais incidente é a leucopenia, ou seja, a diminuição de glóbulos brancos, dos leucócitos. “Em 40% dos casos, a leucopenia é traduzida pela produção de anticorpos principalmente dirigidos contra os neutrófilos, um tipo específico de glóbulos brancos, que hoje fazem parte do diagnóstico laboratorial do lúpus. Outra possibilidade é a ocorrência da plaquetopenia, ou púrpura trombocitopênica idiopática, uma lesão provocada por anticorpos contra as plaquetas que não tem etiologia definida e que pode preceder, em alguns anos, a instalação do lúpus”, afirma Sérgio Lanzotti.

A incidência de pericardites e de pleurites  também podem ocorrer em pacientes com lúpus. Em 70% dos casos, a pericardite é subclínica e diagnosticada apenas nas autópsias. “Outro critério para confirmação do diagnóstico da doença é o imunológico. Essas pacientes apresentam uma reação falsamente positiva para sífilis e manifestam a síndrome anticoagulante lúpica, que se caracteriza por trombose, embolias e abortos de repetição”, enumera Sérgio Lanzotti.

 

Lúpus e maternidade

Há um conceito muito difundido de que pacientes lúpicas não devem, não podem e não engravidam. Isso provém de um problema imunológico. “Algumas dessas mulheres produzem anticorpos contra um constituinte especial chamado fosfolípedes, ou seja, substâncias com o radical fósforo do tipo gorduroso, situadas na circulação. Pacientes com esses anticorpos têm abortos recorrentes, outro sinal de pré-lúpus”, esclarece o reumatologista.

Além de abortos de repetição, as pacientes com lúpus têm coágulos em várias partes do corpo. Formam trombos no cérebro e formam êmbolos. “Uma paciente lúpica que não tenha esse componente talvez possa ter uma gravidez normal. No entanto, aquelas que apresentam lesão renal estão mais sujeitas a abortos recorrentes ou a dar origem a um feto com pouca chance de sobrevivência. Outras pacientes com lúpus podem não apresentar dificuldades para engravidar, mas a gravidez pode ser difícil, exigindo acompanhamento pré-natal feito por uma equipe multidisciplinar”, avisa Sérgio Lanzotti.

Diante de uma paciente jovem com lúpus que deseja engravidar, o melhor é oferecer informação sobre os riscos desta atitude. “Em 80% dos casos, pode haver uma piora da doença, ao contrário do que ocorre com a artrite, que melhora durante a gravidez”, explica o diretor do Iredo.

 

Opções terapêuticas

No passado, todos os casos de lúpus eram tratados com cortisona e seus derivados. Hoje, contamos com recursos melhores, inclusive em relação à própria cortisona. “Os corticóides modernos não são dotados de efeitos colaterais como aumento de pressão e grande retenção de sal e água. Podem ser injetados por via endovenosa. É o chamado pulso terapêutico que consiste em hospitalizar a paciente e infundir de uma só vez, numa única aplicação, a quantidade de corticóide apropriada a cada caso. Os pacientes suportam bem essa técnica terapêutica, a tendência à infecção é menor”, conta o médico.

Segundo Sérgio Lanzotti,  a grande mudança no tratamento do lúpus foi  o advento do emprego de um imunossupressor usado nos primórdios dos transplantes renais, que, hoje, pode ser aplicada nas pacientes com lúpus sob a forma de pulso. Outras drogas usadas inicialmente nesse tipo de transplante foram aproveitadas pelos reumatologistas para controlar a formação dos complexos imunes. “Como alternativa terapêutica há, ainda, a plasmaferese, que pode ser aplicada quando a lesão renal está muito ativa. A paciente é internada para retirar a grande quantidade de plasma. Com isso, o hematologista elimina os complexos imunes circulantes em benefício da evolução benigna das lesões renais e cerebrais”, explica o reumatologista.

Atualmente, as pesquisas e estudos para o tratamento do lúpus concentram-se no desenvolvimento de imunossupressores e imunomoduladores específicos para o combate e controle da doença.



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