Todos os seres vivos do planeta
consumem Oxigênio na porcentagem de 21% do ar, nosso organismo está
adaptado a essa porcentagem, se a mesma fosse de 15% a gente ficaria
com tontura e cairia desmaiada pois seria insuficiente para o
cérebro, porém se estiver perto dos 30% isso provocaria o
envenenamento.
Uma prova são os
recém nascidos, nos hospitais, acidentalmente ou para salvar sua vida
o uso de Oxigênio puro deixa seqüelas, ficam cegos ou com dano
cerebral.
Observando, a
maioria das substancias oxidam-se, umas lenta e outras rapidamente, o
ferro fica marrão e começa a descamar aos pedaços, lentamente, o
envelhecimento de plantas, de animais e ate de pessoas é o mesmo, um
processo lento de oxidação que leva tempo.
Podemos observar também a oxidação
violenta, o fogo e toda combustão são uma prova.
O Oxigênio acima das
montanhas é escasso, mantém a mesma porcentagem, porem devido a menor
pressão atmosférica tem menos moléculas por metro cúbico de ar, isso
cria problemas para respirar, um exemplo são os alpinistas, muitos
deles utilizam respiradores.
Qual é a função dos
pulmões?
Eles retiram o
Oxigênio queimado do sangue (filtragem) e injetam moléculas de
Oxigênio na circulação, esse intercambio é feito pelos alvéolos.
A maioria do ar é
Nitrogênio, depois Oxigênio (vital), em menos quantidade vem
misturado gases nobres e sujeira contida no ar.
Depois de entrar, o ar é filtrado pela
umidade do nariz, também por um labirinto de pelos que o esquentam e
seguram partículas de sujeira e pó, essa sujeira é eliminada pelo
sistema ciliar, um mecanismo de células que limpam o aparelho
respiratório (mucosidade).
Que respira a gente,
principalmente nas cidades?
Tem sujeira natural e
sujeira artificial (criada pela atividade do próprio homem).
A sujeira natural contida
no ar, que também faz mal, trata-se principalmente de pó, terra seca
moída pelo atrito, esporas e fungos das plantas (produzem alergias),
gases e vapores naturais.
Na sujeira artificial existe uma gama
tão grande de substancias que seria impossível descrever, materiais
criados pelo homem e despejados na natureza, daí sofrem o atrito dos
veículos, assim são arrastados pelos ventos e se juntam ao ar que
respiramos em forma de poeira fina.
Somado a tudo isso esta a queima de
combustíveis fosseis das mais diversas formas.
O tamanho das
partículas é muito importante pois dependendo dele podem chegar aos
alvéolos, ultrapassando as barreiras do corpo, diâmetros inferiores a
10 micros (milésimos de milímetro).
Vamos a analisar especificamente as
partículas produzidas pela combustão de motores a Diesel.
Microanalise de partículas
obtidas da combustão diesel
Microscópio eletrônico de barrido marca
JEOL, mod. JSM35CF e um dispersador de energia MICROANALIST, mod.
7500, num espectro de raios X obteve-se o seguinte: (% em peso)
Na........................6,8%
Al.........................8,5%
Si........................51,0%
K..........................8,1%
Ca.........................7,5%
Ti..........................6,2%
Zn.......................11,9%
Alem de FENANTRENO, ANTRACENO,
FLUORANTANO, COMPOSTOS NITRADOS, BENÇO PIRENO, HIDROCARBONETOS
AROMATICOS POLICICLICOS (do inglês PAH),
3 NITROBEZANTRONA, entre outras
substancias.
Os principais
elementos achados nas partículas pertencem ao azeite lubrificante do
motor (Ca, Na, K y Zn) e pó (Si), eles são arrastados pelas paredes
do cilindro ate a câmara de combustão, devido as grandes pressões
existentes dentro do motor em funcionamento.
*Fred Pierce, The
Independent, (maio de 2005): as partículas da combustão a Diesel
podem produzir câncer, no Instituto da Saúde de Tóquio, uma equipe
liderada pelo Dr. Hitomi Suzuki descobriu uma substancia altamente
tóxica na superfície das partículas de fumaça de motores a Diesel, 3
NITROBEZANTRONA (hidrocarboneto aromático policíclico).
Utilizando o método
*Ames de laboratório (calcula o potencial cancerígeno), essa
substancia
demonstrou ser a mais letal achada ate
o momento, ela produz mais de 6.000.000 de mutações em células de
sangue de ratos, a descoberta explica o aumento de doenças
respiratórias.
Suspeita-se que
junto com o ar que respiramos, vão pequenas partículas de carvão da
poluição Diesel, atingindo as partes mais profundas do pulmão, elas
transportam na sua superfície metais pesados e substancias tóxicas do
combustível e do lubrificante do motor.
Leia com atenção,
nas garrafas de lubrificante para veículos existe uma advertência:
manter fora
do contato com a pele, alguns ate falam
de produto cancerígeno.
Isso quer dizer que
em contato com os alvéolos dos pulmões, é muito pior, o produto passa
direto a corrente sanguíneo, a poluição Diesel é responsável do 40%
da contaminação do ar nas cidades, pois o transporte é a base da
economia, ai esta a explicação do aumento de doenças respiratórias e
mortes, principalmente em população de risco (cardíacos, asmáticos,
alérgicos, crianças e idosos).
Esse tipo de noticia
parece sensacionalista, alarmante, as estatísticas não mentem, esta
acontecendo, gente que nunca fumou com doenças respiratórias crônicas
e ate câncer.
O objetivo dos
escapamentos dos ônibus, a 3 metros de altura na parte traseira é de
jogar a fumaça longe de nós, porem acontece todo o contrario, os
fabricantes ignoram o efeito chamado convecção, as partículas devido
a sua temperatura ficam flutuando no ar por certo tempo antes de cair
ou fixar-se em alguma superfície (em ruas movimentadas fachadas e
monumentos ficam pretos).
Uma verdade incontestável,
as pessoas que moram nos grandes centros urbanos, têm os pulmões de
fumantes passivos, a diferencia dos que moram na praia ou no campo
que têm aparelhos limpos.
Hoje existe o
cruzamento de dados entre os hospitais, IML e CETESB em São Paulo,
estatísticas precisas comprovam o aumento das ocorrências nos dias de
maior poluição e congestionamentos, aumento de crises respiratórias,
abortos espontâneos e óbitos.
Ar puro é uma
raridade, é um artigo de luxo, tanto para ricos como pobres, o pior é
que a gente se acostuma a essa vida, ninguém pode suportar trabalhar,
comer ou dormir na sujeira, mas a gente se acostuma a respirar
sujeira ate quando dorme.
O assunto tende a
piorar, a venda de veículos aumenta a cada ano, já fazemos parte de
estatísticas de saúde, estamos adoecendo e morrendo conhecendo as
causas.
Prof. Francisco Emilio Coutinho
Goux
Pena de morte para menores
Pena de morte, para menores vítimas de
violência, decretada por facínoras. È o que estamos vendo dia a dia
nos noticiários. Algumas vezes praticadas por “crianças” e
“adolescentes” protegidos por uma legislação que lhes dá o direito de
matar sem nenhuma punição.
Quem será penalizado
pela morte de uma menina de oito anos em um condomínio no interior de
São Paulo? Se for um menor, o mesmo será alojado, diga-se de
passagem, por muito pouco tempo, em um local pago por todos nós, e
brevemente devolvido à sociedade para promover novos crimes, matando
inocentes a seu bel-prazer. Graças a uma legislação anacrônica, até
os 18 anos, qualquer marginal — e o são a partir dos 12 anos, ou até
menos —, são imputáveis perante a lei. Podem matar, estuprar, roubar
ou cometer qualquer torpeza, pois a sociedade não irá punir já que os
mesmos são “de menor”, então tudo podem.
A situação é crítica
e não me venham condenar os famosos “direitos humanos”, que estão aí
só para proteger facínoras, pústulas da sociedade. Quero sim pena de
morte, punições severas, quero sim penas longas, castigos exemplares,
quero também o fim das regalias que estes marginais têm, como saídas
programadas em datas especiais, visitas íntimas e tudo o que vai
tornar mais branda as suas curtas estadias em nossas prisões.
Não estou falando
como advogada, mas como cidadã apavorada com a situação vigente do
nosso Judiciário.
Custa-me muito ainda entender a postura de profissionais que
acobertam toda a safadeza e crimes de seus clientes em troca de
remuneração, mesmo após comprovado o delito, e que procuram de todos
os modos “brechas” nas leis para devolverem estes canalhas à
sociedade.
Sei que serei muito
criticada, não me importo, sou polêmica mesmo. Só estou escrevendo o
que a maioria da população gostaria de exprimir e por falta de
coragem, omissão ou preguiça não o fazem. Sou uma cidadã, sou
profissional, sou mãe, não estou nem aí com os que irão me criticar,
espero que estes meus prováveis detratores nunca sintam a dor que a
família desta garotinha assassinada está sentindo. Sempre soube que
numa sociedade a prioridade deveria ser educação, saúde e segurança,
mas hoje esta ordem tem de ser invertida, pois é emergencial que a
segurança venha em primeiro lugar. Infelizmente chegamos a um ponto
que se não houver uma reação forte, dura e constante, continuaremos a
ver todos os dias mais sofrimentos impostos por uma legislação muito
branda e protecionista para bandidos.
Sylvia Romano
No cenário mundial, apenas Itália
condena pesquisas com células-tronco embrionárias
Em 26 países, contando o Brasil, há
leis sobre o tema. As regulações são semelhantes, com exceção da
Alemanha, que não permite uso de embriões “alemães”.
Apesar da polêmica, o uso de
células-tronco embrionárias em pesquisas tende a ser autorizado no
cenário internacional. Apenas a Itália, dentre os principais países
que investem em desenvolvimento científico, não permite o estudo
dessas células. Em artigo a ser publicado na Revista de Saúde
Pública, da Universidade de São Paulo (USP), o Anis Instituto de
Bioética, Direitos Humanos e Gênero traçou um panorama da
regulamentação de 25 países (sem contar o Brasil) no que concerne a
essas pesquisas.
Documentos de todos os
países que possuem legislação sobre o tema foram investigados para o
trabalho, de autoria de Daniel Avelino e Debora Diniz. Estados
Unidos, Canadá, México, Austrália, Suíça, Coréia, Israel, Rússia,
Japão, Dinamarca, Espanha, Noruega, Suécia, Países Baixos, Reino
Unido, África do Sul, Finlândia, França, Índia, Cingapura, Portugal,
Irã e China são os 23 países que permitem o uso de células-tronco
embrionárias, desde que sejam respeitadas as limitações impostas
pelas leis nacionais.
De acordo com o
artigo, o uso de embriões congelados remanescentes de clínicas de
reprodução assistida, a proibição de produção com fins exclusivos de
pesquisa, a exigência de que os projetos de pesquisa sejam avaliados
por comitês de ética e a obrigatoriedade de obtenção do consentimento
do casal que produziu o embrião previamente ao seu uso científico são
as regulações mais frequentes nesses países.
Dos dois outros restantes,
a Itália proíbe o uso de embriões a partir do controle do acesso às
tecnologias reprodutivas, regulamentado em lei de 2004. De acordo com
o artigo de Avelino e Diniz, “uma possível explicação para a
singularidade da lei italiana no cenário internacional é a
participação da Igreja Católica nas decisões do Estado, cujos
cientistas sofreram ameaças de excomunhão devido à defesa da pesquisa
com embriões”.
Já a Alemanha se
diferencia do grupo por proibir o uso de células-tronco embrionárias
“alemãs”. Lá, desde 2002, as pesquisas são feitas apenas com
linhagens produzidas em outros países e, depois, importadas. Para os
autores, “há um consenso de que a história do nazismo dificulta o
debate democrático e razoável na Alemanha, por isso a proibição de
uso de material biológico nativo; porém, também se concorda que a
legitimidade do princípio da liberdade de pesquisa é o que permitiu a
garantia do direito à investigação científica com linhagens
importadas”.
No Brasil, a lei n°
11.105/ 2005 (que recentemente foi reafirmada constitucional pelo
Supremo Tribunal Federal) permite a manipulação de embriões humanos,
produzidos por fertilização in vitro, para coleta de células-tronco.
Segundo a regulamentação, uma particularidade de nossa lei é a
determinação de que a pesquisa deve ser preferencialmente conduzida
com embriões inviáveis. Conforme o trabalho de Avelino e Diniz,
nenhum dos 25 países analisados estabelece a diferenciação legal
entre embriões congelados viáveis e inviáveis para a pesquisa
científica.
Agência Notisa ( jornalismo científico)
Lei seca: impunidade pode frear
queda de mortes
A lei seca (11.705/08), que completa um
ano no próximo dia 20, ainda é ineficiente. A impunidade causada por
brechas na lei pode frear a queda de acidentes fatais, pelo menos em
São Paulo, anunciada pelo governo do Estado. A opinião é do jurista e
presidente da Rede de Ensino LFG, Luiz Flávio Gomes.
Essa é uma ameaça de
fato, uma vez que a lei "anistia" todos os motoristas que foram
processados ou mesmo condenados por dirigir embriagados, até 19 de
junho de 2008 (um dia antes de a lei entrar em vigor), desde que
surpreendidos com menos de 0,6 decigramas de álcool por litro de
sangue, taxa estipulada pela atual legislação. “Dessa forma, o que
antes era delito se transformou em mera infração administrativa.
Tanto é verdade que o Tribunal de Justiça de São Paulo recentemente
anulou sentença de motoristas condenados por beber, baseado na lei
seca”, destaca Luiz Flávio Gomes.
Além disso, há o princípio da não
autoincriminação, ou seja, ninguém é obrigado a produzir prova contra
si mesmo.
O fato de o motorista ter o direito de não se submeter ao bafômetro,
o exame mais simples para comprovar a embriaguez, fica praticamente
impossível ao poder público demonstrar a
materialidade do delito e punir o
infrator. “Sequer prisão em flagrante pode haver”, afirma o
presidente da Rede LFG.
Por esta análise,
Luiz Flávio Gomes conclui que a lei seca chegou para beneficiar os
motoristas processados ou condenados, antes de 19 de junho de 2008, e
os que já cometeram delitos depois dessa data ou ainda vão cometer.
“Entendo que o mais importante seria verificar se o motorista está
dirigindo sob a influência do álcool ou outra substância e de maneira
perigosa para a segurança viária. Só que o legislador preferiu
relacionar a embriaguez a uma taxa de 0,6 decigramas de concentração
de álcool no sangue, incentivando a impunidade“, diz.
O Brasil, a crise, e a cúpula dos
BRICs
Realizou-se no dia 16 de junho de 2009,
em Ecaterimburgo, na Rússia, a primeira reunião de cúpula do grupo
denominado pelo acrônimo BRICs, composto pelas iniciais de Brasil,
Rússia, Índia e China, países que conjuntamente hoje detém nada menos
do que 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, situado na casa
dos US$ 60 trilhões, e que impulsionam o crescimento mundial.
Atenderam os presidentes Dmitry Medvedev, da Rússia, Luiz Inácio Lula
da Silva, do Brasil, Hu Jintao, da China, e o primeiro ministro
Manmohan Singh, da Índia.
A agenda da cimeira
buscou unificar posições entre aqueles países, líderes mundiais
dentre as economias em desenvolvimento, para uma cooperação mais
eficaz nos diferentes foros internacionais, tendo em vista os efeitos
da crise econômica e financeira que comprometeu o modelo neoliberal
de longa data patrocinado pelas economias falidas dos Estados Unidos
da América (EUA) e de um grupo de seus tradicionais
estados-clientes.
Assim, com destaque
nos entendimentos esteve a questão da substituição gradativa do dólar
dos EUA como moeda reserva mundial e como meio das trocas comerciais.
No dia que antecedeu a reunião, a China registrou mais uma diminuição
de suas reservas denominadas na moeda americana e em títulos do
tesouro dos EUA. A Rússia fez um anúncio semelhante, na mesma
ocasião.
Da mesma maneira, foi
objeto de tratativas a governança dos organismos multilaterais, de
longa data dominada pelas potências hegemônicas, de maneira a
promover a prosperidade seletiva própria, em detrimento dos demais
países. Em particular, tratou-se da questão do poder de voto e
controle do Fundo Monetário Mundial (FMI) e do Banco Mundial, dois
organismos obsoletos a carecer de profundas
reformas.
Outro ponto
importante da pauta dos trabalhos é a reestruturação da
regulamentação financeira mundial, de maneira a se prevenir a
recorrência dos fatores que causaram a crise atual e os seus efeitos
nefastos para a população global.
De fato, com alguns primeiros e tênues
sinais de recuperação, nota-se já a reincidência específica nos erros
cometidos pelos vorazes mercados financeiros.
A cooperação entre o
Brasil e outros países em desenvolvimento foi concebida pela doutrina
formulada pelo Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães como maneira de
minimizar as vulnerabilidades externas de nosso país e se encontra
expressa, mais recentemente, na importante obra, Desafios
Brasileiros, pela qual o autor ganhou o prêmio Juca Pato, de
intelectual do ano, em 2007.
No correr da
administração do Presidente Lula, o Brasil tem perseguido com sucesso
essa agenda, com iniciativas importantes não apenas no âmbito
regional, mas também noutros continentes como aquelas com a Índia e
África do Sul, no bloco denominado pelo acrônimo IBAS, composto das
iniciais dos três países, que têm procurado promover um ideário comum
não apenas para questões particulares, mas também para ações
multilaterais.
Do ponto de vista
estritamente comercial, a doutrina brasileira é ainda bastante lógica
devido ao fato de que, hoje, a maior parte do comércio externo do
Brasil é feita com outros países em desenvolvimento, diversificada
por várias regiões do planeta, como a Ásia, a Europa, a América do
Sul, a América do Norte e a África.
Uma das manifestações dessa cooperação,
inexistente até poucos anos atrás, foi observada durante a Rodada
Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), muito embora na
ocasião do recente impasse nas negociações, o Brasil tenha se
alienado de seus aliados, demonstrando então uma política externa
incoerente.
Acresce que, com a
acessão da China à OMC, ocorrida em 11 de dezembro de 2001, e com a
intensificação das trocas de mercadorias brasileiras com o país
asiático, hoje o principal parceiro comercial do Brasil, aumentou
expressivamente o leque de ações de colaboração, bem como de
oportunidades, no âmbito bilateral.
Esse espírito de
assistência recíproca buscado na cúpula realizada na Rússia, para ter
um significado positivo estratégico para os quatro países componentes
dos BRICs, deve ir além das questões comerciais, para abranger temas
políticos onde os interesses do grupo certamente irão conflitar com
aqueles do grupo hegemônico.
De resto, a aferição
dos resultados concretos da primeira cimeira dos BRICs, realizada na
Rússia, deverá vir não de simples análise e julgamento da declaração
conjunta dos chefes de Estado presentes, mas das ações futuras,
específicas e determinadas a serem tomadas nos diversos foros
multilaterais onde estão em jogo os interesses das nações.
Durval
de Noronha Goyos Jr.
Sustentabilidade do ouro branco
O setor sucroalcooleiro teve grandes
avanços nas sete décadas nas quais contou com forte participação de
agentes privados, quase sempre com a intervenção do Estado. Surge, no
entanto, uma pergunta: será possível no atual ambiente econômico,
político e social do mundo globalizado assegurar a sustentabilidade
de uma atividade com grandes impactos?
A resposta depende
da capacidade de o Estado e os agentes privados juntos estabelecerem
uma visão de futuro – um objetivo – e trabalharem para assegurar sua
realização. A experiência mostra que esta não é tarefa trivial. No
entanto, deixar de lado a sua elaboração seria um erro fatal. A
formulação dessa visão deve partir do conceito de sustentabilidade.
Entretanto, em
primeiro lugar, deve-se avaliar que a dinâmica econômica do setor
sucroalcooleiro ainda é determinada pelas trajetórias altamente
correlacionadas da produção e consumo de açúcar e de álcool. Além
disso, apesar das atuais vantagens econômicas, o volume de
investimentos necessário a sua preservação é ainda gigantesco, e está
relacionado à disponibilidade de terras – sem comprometer outras
culturas, ou áreas ocupadas por recursos naturais intocados –, à
oferta de infra-estrutura de armazenamento e transporte e à
construção de novas usinas para o processamento da cana. Assim, a
sustentabilidade sistêmica depende da sustentabilidade de cada uma
das empresas da cadeia produtiva.
Chamamos a atenção
para esses pontos porque a análise histórica do desenvolvimento
econômico brasileiro, desde o Descobrimento, pode ser caracterizada
pela exploração impiedosa, em ciclos sobrepostos, de recursos
naturais relativamente abundantes. Assim, exploramos o pau-brasil,
depois o açúcar, o ouro, o café e a borracha. Em cada ciclo, a
economia crescia de maneira acelerada, para depois entrar em colapso,
deixando sequelas socioeconômicas. Uma avaliação dos erros e acertos
de mais de quatro séculos de exploração desses recursos poderia ser
resumida em uma expressão, senão inovadora, ao menos cândida: “É a
sustentabilidade, estúpido”.
O açúcar foi
introduzido na Europa no início do século X e, anos mais tarde,
considerado uma especiaria. Portugal, no início do Século XV, já
dominava sua produção. Em 1516, foram implantados os primeiros
núcleos açucareiros no Brasil. O beneficiamento no País fez com que
os portugueses se tornassem os grandes supridores mundiais. A boa
adaptação às terras do Brasil foi a força motriz da cana-de-açúcar,
que chegou a ser chamado na época de “ouro branco” pela riqueza que
gerava. Todavia, choques internos e externos fizeram com que, a
partir da segunda metade do Século XVII, a produção fosse reduzida:
desorganização do mercado, concorrência antilhana – subproduto das
invasões holandesas ao Brasil –, queda do preço no mercado europeu,
retração das exportações e aumento do custo com a mão-de-obra
escrava, o que acabou por reduzir a rentabilidade dos engenhos.
Apesar das vantagens competitivas, não se conseguiu assegurar a sustentabilidade.
Agora, nesse novo
boom da cana-de-açúcar, é preciso estabelecer nesse setor padrões de
excelência atrelados à sustentabilidade socioambiental. É necessário
manter o respeito pleno às prerrogativas legais dos colaboradores,
com adequada remuneração do capital e visão mais ampla da estratégia
empresarial do negócio. Deve-se contemplar, ainda, o relacionamento
com a comunidade em que a organização atua, visando ao seu
desenvolvimento educacional e econômico, e o adequado relacionamento
com os trabalhadores do setor.
Além disso, o item
sustentabilidade tem também componentes importantes de interface com
o consumo de energia das propriedades, a utilização dos subprodutos
para produção interna de insumos e o destino dos resíduos gerados nas
usinas. As exigências de adequação já
começaram. Devemos pensar que estamos no Século XXI.
Antoninho Marmo Trevisan
Biossegurança: Brasil ainda corre
riscos desnecessários
Segundo ANBio, normas de
biossegurança evitariam casos como a proliferação da gripe A (H1N1) e
preocupações da OMS com a pólio
O Brasil precisa valorizar mais as
normas e procedimentos de biossegurança para evitar proliferação de
doenças, vazamento de material com potencial para armas biológicas,
além do risco de reintrodução de doenças erradicadas e possíveis
contaminações por material biológico nocivo, afirma a presidente da
Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), pesquisadora e doutora
Leila Macedo Oda.
Segundo Oda, casos como a transmissão
da gripe A (H1N1) de um paciente para outro ou as preocupações da
Organização Mundial de Saúde (OMS) - expressas em relatório
recém-divulgado, segundo o qual 15 laboratórios brasileiros ainda
armazenam amostras que contêm o vírus da poliomielite - poderiam ser
evitados se fossem tomados os devidos cuidados na manipulação de
amostras nesses lugares.
O controle e manejo
adequado de material biológico de risco é fundamental para os
laboratórios brasileiros o tempo todo, de acordo com a pesquisadora
Leila Oda. "Não adianta se preocupar só quando há risco de pandemia
ou contaminação. O segredo é a prevenção", afirma. Ela lembra que, no
Brasil, os custos de manutenção de laboratórios ainda são altos.
"Mesmo assim, é preciso seguir as normas de biossegurança à risca,
para evitar possível contaminação", ressalta.
Manual para laboratórios sobre a
H1N1
A Organização Mundial de Saúde (OMS)
disponibilizou, no início de maio, um manual para orientar
laboratórios brasileiros a lidar com amostras suspeitas de conter o
vírus influenza A (H1N1). O objetivo é oferecer um ponto de partida
para assegurar que os laboratórios estão, de fato, preparados para
receber amostras e para possíveis necessidades diante da necessidade
de eventual aumento da vigilância sobre o vírus. O material está
disponível no site da ANBio (www.anbio.org.br).
ANBio traz especialistas mundiais
ao Rio
Entre as comemorações do décimo
aniversário da ANBio, a ocorrerem em 2009, a entidade aproveitará
para trazer ao Brasil alguns dos maiores especialistas mundiais em
biossegurança para o VI Congresso Brasileiro de Biossegurança e
Simpósio Latino-Americano, que acontece de 22 a 25 de setembro no
campus da UERJ, no Rio de Janeiro. O programa preliminar do evento
encontra-se disponível na página da ANBio (www.anbio.org.br). O prazo
para inscrições de trabalhos vai até 30 de maio.
Geolocalização: revolucionando
sistemas
Toda nova mídia tem o intuito de
revolucionar a forma como as pessoas se conectam ao mundo. Desde os
primórdios da comunicação, o homem se esforça para criar uma
interação maior entre seus semelhantes. O fato é que o surgimento dos
meios de comunicação em massa aproxima as culturas, facilitando o
acesso a elas.
A popularização do rádio, telefone e televisão, bem como a
chegada da internet e, mais tarde, da Web 2.0, ajudou a difundir
também as redes sociais. O conceito de internet baseado em
plataformas e conteúdo colaborativo têm tido um grande impacto entre
os usuários da rede, que passaram a participar, gerar e organizar
informações.
Em paralelo a essa
evolução, aparece o desenvolvimento de serviços baseados em
geolocalização e a utilização dessa tecnologia anexada à idéia da web.
Alguns aplicativos já incorporam geolocalização no seu sistema. O You
Tube, por exemplo, permite associar vídeos a uma localização ou
coordenada geográfica. Sistemas de hospedagem de imagens fotográficas
na web como Flickr, Locr e Panoramio, também dispõem dessa
facilidade, permitindo aos usuários postarem fotos e as organizarem
por local.
Outro fenômeno da
internet que permite a realização de buscas de artigos por meio da
localização é a Wikipedia. A enciclopédia virtual, conhecida
mundialmente, utiliza o conceito de Web 2.0 e se mantêm em cima de um
conteúdo colaborativo. A programação dessas aplicações é realizada
por meio de APIs (Application Programming Interface) gratuitas,
facilitando o manuseio e a rapidez na organização e adição das fotos
ao mapa.
Já o o Wikiloc,
usando como base o sistema de geolocalização, permite aos usuários
enviar tracks de GPS (trilhas), fotos e as compartilhar com outras
pessoas de mesmo interesse. A recém lançada rede social OndeEstou (www.ondeestou.com.br),
por exemplo, reúne amigos e grupos de pessoas que trocam mensagens,
informam onde estão e o que estão fazendo. As atualizações podem ser
feitas pelo site ou por meio de dispositivos móveis como iPhone,
Blackberry, celulares com suporte Java ou com sistema operacional
Windows Mobile. Os usuários do OndeEstou podem integrar o aplicativo
a contas de outras redes sociais como Facebook, Orkut e Twitter.
As novidades no
mundo da geolocalização não se resumem a serviços via web. Hoje
grandes fornecedores de eletroeletrônicos já criam aparelhos que
carregam dispositivos GPS integrados ao sistema. É o caso de câmeras
fotográficas que registram na imagem coordenadas de latitude e
longitude, deixando anotado o local exato onde a pessoa estava no
momento do click.
Outro exemplo é o
Forerunner 405, que vem conquistando corredores e maratonistas de
todo o mundo. Trata-se de um relógio com sistema GPS integrado, que
permite a elaboração de tracks das corridas e atividades físicas
externas. O aparelho capta a trajetória do atleta, tempo, distância,
desempenho de velocidade, qualidade de solo, batimento cardíaco e
outros.
Cada atividade é armazenada na memória, para que o usuário
possa transferir seus dados a um computador, além de usar as
informações em sistemas especializados na análise de dados, como o
famoso Motion Based. Por meio dele, os atletas disponibilizam suas
tracks com base no percurso de suas corridas e compartilham com
outras pessoas. O site possibilita a interação com o usuário, que
pode ver os trajetos percorridos por meio do mapa, comparar seus
treinos, ver os níveis de altitude e clima, e compartilhar com outras
pessoas.
Com esses serviços à
disposição dos navegantes, a facilidade em encontrar fotos, vídeos,
pessoas e outros assuntos da área de interesse ficou simples e
rápido. A possibilidade de uso dessas ferramentas é interessante não
somente para os usuários, mas também para as empresas de mídias que
podem acompanhar o que acontece em determinadas regiões. Dessa forma,
é possível saber o que seu público-alvo deseja, o que busca, pesquisa
e pratica; estabelecendo, assim, planos de metas e, por fim,
corresponder às necessidades dos seus clientes.
Rafael Siqueira
Os mistérios da incerteza
A aviação áerea nacional conta com
fatos recentes desagradáveis e o incremento de acidentes suscitam
algumas reflexões necessárias. O mais recente deles envolve os muitos
mistérios acerca do acidente do avião da Air France.
Por quase uma
semana, a incerteza sobre o paradeiro do Air Bus da Air France era
total. Muitos questionamentos foram surgindo à medida que os dias
passavam sem qualquer tipo de sinalização do paradeiro da aeronave.
Agora, o cenário ganhou
novos contornos, pois destroços do avião já surgiram e os primeiros
corpos já foram resgatados.
Entretanto, como pode ser
possível um avião desaparecer do cenário nacional por cinco dias
sendo que as buscas eram constantes? Os destroços não tem como sumir,
já que partes do avião simplesmente não afundam, como asa, assentos,
etc.
Ainda restam inúmeras
perguntas para responder as inseguranças trazidas a tona, inclusive
sobre a confiabilidade do próprio tipo de aeronave, que nesse curto
lapso temporal já sofreu uma série de críticas, bem como promessas de
mudanças e correções por parte da fabricante.
Esse caso emblemático
marca a questão indissociável dos direitos humanos, pois, apesar do
acidente ter ocorrido em águas brasileiras não houve qualquer óbice
por parte dos governantes em aceitar auxílio nas buscas de
embarcações francesas e, até mesmo, de suporte norte-americano.
O que mostra existir acima
da divisa de soberania de jurisidição algo maior: a solidadiriedade e
ajuda mútua entre os povos.
Não existe um senão na
condução do caso e o motivo do acidente ainda dependerá, e muito, da
localização das caixas pretas para ser esclarecido.
De sorte que a reflexão premente é:
existe algum responsável legal nesse momento? E como combater os
oportunistas? Afinal, uma vez mais surgem ligações de profissionais
de moral duvidosa para os parentes dos desparecidos oferecendo seus
préstimos em busca de indenizações.
Ora, é prematuro apontar
um culpado, seja fabricante, companhia aérea, piloto ou caso
fortuito...
No entanto, alguns pontos
são claros: não existe discussão acerca do direito à indenização,
afinal, a companhia aérea dispõe de um seguro para esse tipo de
infortúnios.
O que não se pode é
aproveitar uma situação delicada como essa para oferecer a promessa
de indenizações milionárias, quando essa certeza é tão etérea quanto
o próprio acidente.
A responsabilidade é
devida, bem como a indenização compatível e concernente, porém, nesse
momento a preocupação maior é a busca pela vida, ou seja, a esperança
de se localizar sobreviventes. As questões civis e penais são
secundárias nesse cenário de incerteza.
A vida vale muito
mais do que qualquer indenização e suscitá-la agora é uma leviandade.
Pergunte a um familiar o que lhe e mais caro: um parente ou um
montante financeiro.
Antonio Gonçalves
Mobilização sem preconceitos contra
a insegurança alimentar
O Programa Alimentar Mundial da
Organização das Nações Unidas (WFP/ONU), numa excelente iniciativa,
acaba de lançar site educativo na Web, dirigido a estudantes e
professores. O conteúdo, muito bem elaborado, reúne informações e
estatísticas sobre a segurança alimentar e a fome em todo o mundo,
contém textos sobre dietas saudáveis e hábitos alimentares, propõe
atividades em sala de aula e disponibiliza material interativo, como
jogos e histórias sobre o tema.
O WFP, que somente
este ano está oferecendo assistência alimentar a 105 milhões de
pessoas, em 74 países, presta relevantes serviços à comunidade
internacional. É o principal instrumento de socorro, num imenso
esforço de logística e trabalho profissional e voluntário, para
evitar que refugiados e vítimas de guerras e desastres naturais
fiquem sem alimentos. Do mesmo modo, a organização está
permanentemente mobilizada no enfrentamento do flagelo da fome, que,
segundo seus dados, já atinge 1,11 bilhão de pessoas em todo o mundo
e mata 10 crianças a cada minuto.
Assim, é muito
relevante o programa educativo iniciado no espaço democrático da
Internet por esse reconhecido programa das Nações Unidas. Sim, pois o
problema da insegurança alimentar não será resolvido apenas pelo
necessário e urgente gesto de dar de comer a quem tem fome. É preciso
educar as presentes e próximas gerações para hábitos alimentares e
vida saudáveis, pois números da OMS (Organização Mundial da Saúde)
mostram que o excesso de peso afeta mais de um bilhão de habitantes.
E, como se sabe, a obesidade e suas conseqüências (diabetes,
hipertensão, problemas coronarianos etc) podem ser tão letais quanto
a inanição.
Como se observa, a
luta contra a segurança alimentar deve ser travada em duas fronteiras
principais: a da inclusão social, possibilitando que as pessoas hoje
abaixo da linha da pobreza possam tornar-se consumidoras e cidadãs na
acepção plena deste termo; e a da educação. Assim, trata-se de um
desafio da humanidade no qual não cabem preconceitos, dogmas
anacrônicos, bandeiras ideológicas panfletárias e demagogia.
É preciso, por
exemplo, quebrar o paradigma de ataques aos alimentos
industrializados, seu marketing, estratégias de distribuição e
vendas, hoje responsáveis, no Brasil, por 85% do abastecimento,
segundo estatísticas do IBGE. Os causadores da obesidade não são
eles, mas sim a ausência de educação alimentar e hábitos de vida
saudáveis.
Os alimentos industrializados, processados com base em
estudos, pesquisas e criterioso trabalho de nutricionistas, chegam ao
consumidor final limpos, esterilizados e com as propriedades
nutritivas intactas. A produção em escala, preço acessível,
qualidade, capacidade de distribuição sem perecer e equilíbrio de
nutrientes o tornam elemento indispensável ao enfrentamento
estratégico da insegurança alimentar.
Quem sabe o novo site das
Nações Unidas inspire autoridades, ambientalistas, acadêmicos e
instituições da sociedade civil, no Brasil e no mundo, a participarem
de uma ação abrangente, séria e consistente para vencer o grave
desafio. Uma mobilização sem preconceitos e voltada à busca de
soluções efetivas. Não podemos nos omitir na missão de educar, que,
no caso dos alimentos, não significa restringir, mas sim habilitar a
criança e o jovem para uma consciência crítica com relação a sua
saúde.
É possível comer tudo, mas
é fundamental balancear os alimentos, dosar as quantidades e manter
atividade física regular. O alimento, industrializado ou in natura, é
item estratégico para a saúde pública, e a educação é o meio mais
eficiente para reduzir os fatores de risco das populações e
incentivar a busca por uma vida mais saudável. Este, aliás, é o
escopo do Programa Educacional “Prazer de Estar Bem” (PEB), concebido
pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) e
realizado com sucesso pelo Sesi-SP, do Sistema Fiesp. A exemplo do
novo site das Nações Unidas, o projeto realiza-se como resposta à
pertinente preocupação mundial com a fome e a obesidade e à
necessidade de combatê-las de modo eficaz.
Edmundo Klotz - presidente da
Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA)
Brasil ocupa classificação de alto
índice de morte materna no ranking da OMS
País tem 75 mortes para cada 100 mil
nascidos vivos; problema de saúde pública só poderá ser reduzido com
senso compartilhado entre governos, médicos e sociedade
A cada ano que passa, mais de meio
milhão de mulheres morre em decorrência de complicações na gravidez,
parto ou pós-parto. A chamada Mortalidade Materna continua
preocupando especialistas da área de saúde, que alertam para o avanço
do problema, encontrado tanto no Sistema Único de Saúde - SUS -
quanto no suplementar. No Brasil, país cujo índice é considerado
alto, a taxa oficial é de 75 mortes maternas para cada 100 mil
nascidos vivos. “O número de casos permaneceu praticamente inalterado
ao longo das duas últimas décadas. Esse fato é extremamente
alarmante, já que a medicina evoluiu bastante ao longo dos anos e o
acesso à informação tem sido cada vez maior por parte da população”,
relata a ginecologista e obstetra Regina Amélia Lopes Pessoa de
Aguiar, presidente do comitê de Perinatologia da Associação dos
Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG). A solução, de
acordo com ela, é a união de todas as esferas da sociedade. “Cada um
precisa fazer a sua parte, seja governo, médico ou gestante. Só assim
poderemos minimizar as perdas”.
Morte Materna é todo
óbito causado por problemas relacionados à gravidez ou ao parto ou
ocorrido até 42 dias depois - período de risco no qual acontece a
grande maioria dos óbitos, geralmente causados por hipertensão,
hemorragias ou infecção. O índice considerado aceitável pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 20 mortes maternas para cada
100 mil nascidos vivos; entre 20 e 49 mortes, a taxa é considerada
média; entre 50 e 149 mortes, é alta e, acima de 150, muito alta.
O que assusta mais, no entanto, é a
possibilidade dos indicadores estarem errados e - o pior - para
menos. “Os números não refletem a realidade, pois nem todas as mortes
são registradas com as causas relacionadas à gravidez ou ao parto”,
acrescenta Regina. Estudos indicam que o número real é superior a 100
mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. Uma importante
medida utilizada para reduzir a Mortalidade Materna foi a criação de
"comitês de óbitos maternos", que visa justamente melhorar a
qualidade da notificação dos óbitos e conhecer as verdadeiras causas,
propondo, então, ações para sua prevenção.
A Organização das
Nações Unidas (ONU) já divulga que espera uma redução de 75% na taxa
de Mortalidade Materna até 2015, como parte do programa de Metas de
Desenvolvimento do Milênio. Os países, principalmente os em
desenvolvimento, parecem estar longe dessa marca. Os fatores
determinantes são muitos e envolvem todo o processo de atenção à
saúde da mulher, indo do planejamento reprodutivo ao cuidado
puerperal, entre eles, o acesso à informação, gravidez não planejada,
não identificação do risco materno no momento do pré-natal,
sobrecarga de equipes, inadequação de taxas de cesariana, assistência
inadequada ao puerpério (pós-parto), não adesão a protocolos e demora
na tomada de decisão.
A Mortalidade
Materna – um dos temas a serem discutidos no 53° Congresso Brasileiro
de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO), que acontece pela primeira vez
em Belo Horizonte entre os dias 14 a 17 de novembro, no Expominas -
acomete, especialmente, as mulheres de baixa renda e pouca
escolaridade, principalmente na periferia dos centros urbanos. Para
prevenir, portanto, são necessárias medidas de melhoria da situação
socioeconômica, formação dos profissionais que prestem assistência,
garantia de parto seguro e organização do sistema de referência para
atendimento às emergências obstétricas, entre outras.
O enfrentamento do
problema engloba diferentes estratégias. Por exemplo, desde 1996, 90%
das gestantes no Brasil têm acesso à atenção pré-natal, sendo que
mais de 50% delas fazem mais de sete consultas, e quase a totalidade
dos partos - 97% - ocorre em hospitais. Apesar dessa realidade, os
índices não têm sofrido mudanças significativas e as principais
causas vigentes de morte continuam a ser hemorragias e hipertensão
arterial. Isso demonstra que ainda é inadequada a assistência
prestada à saúde das mulheres e que, mais do que nunca, a sociedade
precisa estar consciente disso.
Hedge Funds e Regulação
Uma das diretivas acordadas pelos
líderes do G-20, na última reunião desses 20 mais poderosos países do
planeta, determina o endurecimento da regulação dos hedge funds,
também conhecidos como fundos de hedge. O que não foi explicado,
provavelmente diante da impossibilidade de fazê-lo, é como se dará
esse aumento na abrangência da regulação estatal sobre essa família
de fundos. A primeira dificuldade em se adotar uma regulação
internacional coordenada reside no fato de que nenhum dos países do
G-20 define em suas leis o que seja um hedge fund. Ou seja, qualquer
ação reguladora voltada especificamente a esse tipo de fundo, requer
interpretação que delimite o que seja um hedge fund.
Em alguns países, como a
Itália, a tarefa pode ser mais simples, pois ali criou-se um tipo
específico de fundo que reúne as características mais comuns dos
hedge funds, os fondi speculativi. Em outros países, notadamente os
Estados Unidos da América, esses fundos tomam diversas formas, sendo
constituídos em estruturas societárias ou contratuais geralmente
complexas e sofisticadas, sem que se possa individuá-los por sua
forma. No Brasil, a forma organizativa que mais se aproxima dos hedge
funds talvez seja a dos fundos de investimento multimercado, conforme
tipificados na Instrução CVM nº 409, que no entanto também podem ser
usados como estrutura de fundos absolutamente tradicionais.
Mas afinal, o que
são, ou pelo menos, como podemos reconhecer um hedge fund, já que não
existe como forma tipificada legalmente? Não há resposta definitiva a
essa pergunta. Ainda assim, desde a criação dos primeiros hedge funds,
em meados do século passado, até seu período de forte expansão, já no
início do século XXI, existem características que podem ser
utilizadas para se identificar o que o mercado chama de fundo de
hedge.
Uma primeira
abordagem para sua identidade decorre de sua função. Reconhecemos os
hedge funds como aqueles esquemas de investimento coletivo que contam
com uma grande liberdade operacional, ou seja, que permitem aos seus
gestores adotar praticamente quaisquer estratégias lícitas de
investimento. Tais gestores contam ou não com o auxílio de variados
mecanismos financeiros, tais como a venda a descoberto, a alavancagem
financeira ou a utilização dos infinitos contratos derivativos, como
os CDOs - collateralized debt obligations, que ganharam fama bastante
negativa na atual crise, em razão de sua complexidade e insistente
distância do ativo real que representam.
De qualquer forma,
uma das reconhecidas características, e frise-se vantagem, dos hedge
funds, é justamente essa possibilidade legal de se adotar com rapidez
a estratégia ou instrumento que o gestor estime vantajoso para a
consecução dos objetivos do fundo, conforme eventualmente contratado
no regulamento. Naqueles hedge funds mais arrojados, o regulamento
explicita somente que o gestor conta com total liberdade de utilizar
todas as técnicas e instrumentos financeiros que acreditar
necessários para a consecução do objetivo do fundo, ainda que isso
possa resultar em resultados negativos ou mesmo em dívida para os
investidores.
Outra concepção
equivocada é a de que os hedge funds, como poderia se subentender de
seu nome (hedge, em inglês, tem nesse caso o sentido de proteção), é
a de que tais fundos sempre buscam a proteção do capital investido.
De fato, nos primórdios da indústria
alternativa de investimentos, esse era o objetivo do fundo que cunhou
termo, o A. W. Jones & Co., fundado em 1949: buscar o chamado retorno
absoluto, ou seja, valorização ainda que os indicadores financeiros
tradicionais estejam em queda. No entanto, ainda que uma boa parte
dos atuais hedge funds adotem objetivos de retorno absoluto, não há
necessariamente a adoção de medidas que visem proteger o capital
sempre, como a venda a descoberto para se contrabalancear, pelo menos
em parte, uma posição longa (ativos efetivamente detidos) da qual se
espera valorização, como professavam os primeiros hedge funds.
Existem ainda outras
características típicas dos hedge funds, reconhecidas pelos
estudiosos no assunto: a estrutura de remuneração baseada em elevadas
taxas de performance e em taxas de administração; investimento no
fundo por parte dos próprios gestores, como forma de alinhamento de
interesses com os demais investidores; e o acesso restrito, como
forma de limitação dos riscos inerentes a esse tipo de fundo somente
aos investidores qualificados ou institucionais, que espera-se tomam
os cuidados necessários antes de investir. De qualquer forma, tais
características não apontam com segurança a existência de um hedge
fund, pois é natural e usual que fundos tradicionais se valham de uma
ou outra de tais características, ou de que um hedge fund reúna
certas dessas características, mas não necessariamente todas elas ao
mesmo tempo.
Acredita-se que o
G-20 buscou, ao recomendar uma maior regulação dos hedge funds, a
diminuição da possibilidade de riscos sistêmicos deles advindos. Além
da flagrante dificuldade em se identificá-los de forma homogênea,
dois outros argumentos devem ser considerados. O primeiro está na
constatação de que na recente crise, muito provavelmente por conta da
liberdade operacional já indicada e da particular habilidade dos
gestores de muitos desses fundos, muitos hedge funds registraram
consistentemente menos perdas para seus investidores se comparados
com os índices de ação usuais e, em alguns casos, proporcionaram
lucros. O segundo decorre dos estudos acadêmicos que tentaram
estabelecer a relação entre hedge funds e riscos sistêmicos de que se
têm notícia que, ao contrário do que se possa imaginar, concluíram
por não estabelecer tal relação.
Os efeitos
deletérios dos hedge funds num sistema financeiro são pequenos, se
comparados com a influência das instituições financeiras, tais como
os bancos de investimento, que pelo menos até que a recente crise
eclodisse nos Estados Unidos, não raro tomavam posições financeiras
alavancadas muito maiores que a de todos aqueles hedge funds que se
utilizavam de tais mecanismos, em valores absolutos. Assim, antes que
se saia à caça das bruxas, numa sanha regulatória potencialmente
populista e improdutiva, deve-se primeiro entender se, o que, porque
e como devemos regular os hedge funds, sob a pena de se criarem
mecanismos imediatistas e ineficientes, que finalmente comprometerão
a livre iniciativa e limitarão a criatividade e liquidez do mercado
de gestão de ativos de terceiros, em detrimento da retomada e
crescimento da economia nacional e internacional.