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 Edição de Março de 2010

Sangue, Interdependência e solidariedade

 

Os bancos de sangue, em regra, sofrem com a variação sazonal das doações de sangue. Feriados, férias escolares e outros motivos desconhecidos freqüentemente prejudicam o atendimento de pacientes em sério risco de vida.

    Boa parte das cirurgias e alguns tratamentos, como os de certos tipos de câncer, requerem o emprego de sangue doado, seja das hemácias ou glóbulos vermelhos, seja das plaquetas, que promovem a coagulação do sangue, o estancamento de hemorragias.

    Uma cirurgia de ponte de safena, por exemplo, costuma requerer, em média, quatro bolsas de hemácias. Um atendimento de trauma, acidentes de vários tipos, pode demandar 40 bolsas ou mais. Sem elas, o médico está de mãos amarradas. Se você sofrer um acidente e for hospitalizado, morrerá caso necessite de sangue e não haja quantidade suficiente em estoque.

    No Brasil, segundo a Fundação Pró-Sangue, menos de 2% da população doam sangue regularmente, enquanto na Europa 4% o fazem.

    Não porque o brasileiro seja menos solidário, mas por uma questão cultural: a Europa viveu duas grandes guerras e transfusões de sangue eram constantes.

    O grande drama dos bancos de sangue é a forma de divulgar a necessidade de as pessoas doarem. Não se pode oferecer nenhum tipo de vantagem ao doador, pois isto comprometeria a segurança do sangue que hoje, graças aos exames mais modernos, é altíssima. Quem não se lembra de pessoas famosas que morreram em decorrência de contaminação na transfusão, como Betinho, Henfil e irmão, pessoas grandiosas que tanta falta nos fazem?

    Até 1992, isto era corriqueiro, não se testava o sangue coletado. Hoje, há testes que utilizam engenharia genética para detectar o vírus da Aids, como o NAT (Teste de Ácido Nucléico), que revelam se o sangue está contaminado com apenas 11 dias após o doador haver se infectado. Mas custa caro, e  muito.Além de Aids, são testados anticorpos de Hepatite, Chagas, etc., num total de nove doenças.

    No Brasil, a doação é bastante segura, e a possibilidade de se sofrer qualquer dano ou infecção é baixíssima.Todo doador é submetido a um questionário sigiloso e entrevistado por uma enfermeira com total privacidade. Ali, é verificado se o candidato à doação esteve exposto a alguma situação de risco, como uma simples gripe ou um tratamento dentário, porque o receptor daquele sangue poderá estar com sua imunidade baixa, e qualquer micróbio que passe para ele pode desencadear uma infecção muito grave, até mesmo fatal.

   É bonito e gratificante ver num hemocentro de um hospital pessoas pertencentes a diversas classes socioeconômicas à espera de sua vez de doar. Oferecem aquilo que o dinheiro não compra: solidariedade e altruísmo na forma de sangue, vermelho para todos. Nele, vemos que somos todos exatamente iguais, não há cor de pele, não há raça, apenas tipos A, B, AB e O, além do fator RH, positivo ou negativo.

Pense, caro leitor, que se tornar um doador e divulgar a doação é ajudar os outros, mas é também ajudar a si mesmo, pois você nunca saberá quando, como ou onde poderá necessitar de uma transfusão.

    Basta ir a um banco de sangue e ver a satisfação estampada nos rostos das pessoas, elas ali sabem que são importantes, como todos os demais,  interdependentes. Que sempre se pode deixar de lado por um tempo a luta pela sobrevivência para ajudar outros a sobreviver, dando um pouco mais de sentido à nossa existência; não comodamente dando uma esmola, mas ajudando – e muito – a salvar vidas.

    Há uma série de meios de se ajudar a divulgar a causa com pouco ou nenhum custo: nos selos dos correios, nos portais dos governos, no verso dos cupons fiscais, nas embalagens. Se o leitor é um empresário, jornalista, blogueiro, lojista, procure contribuir com a divulgação, em seu site, na sua assinatura eletrônica de email, no verso de boletos de cobrança, nas sacolas de suas lojas, num cantinho da capa do jornal, uma vez ao mês que seja; se for professor, fale aos seus alunos sobre o assunto; se for padre, recomende aos fiéis que doem

    E como a educação básica é o melhor meio de se criar consciência a respeito de temas como solidariedade, professores poderiam falar disto em aula, e livros de ciência deveriam abordar o assunto.

Vamos juntos mudar a cultura de doação, transformando o Brasil num país com 4% de doadores, através da divulgação da simples e valiosa mensagem: Doe sangue. Só isso, feito por várias pessoas e empresas, já é o suficiente. E se você, embora deseje doar, tiver algum impedimento, contribua tentando convencer amigos e parentes a fazer este belo gesto habitualmente.

    Maiores informações e solicitação de material promocional em: www.prosangue.sp.gov.br e www.anvisa.gov.br

Luiz Leitão



O multilateralismo: a melhor ajuda à reconstrução do Haiti

 

Os volumes monetários de ajuda destinados ao Haiti já superam outros desastres naturais, como o Tsunami na Ásia e o Furacão Katrina. As imagens da desvatação no Haiti chocam o mundo e  sensibilizam, além disso, as facilidades tecnológicas também favorecem a aceleração da arrecadação destas contribuições.

    A falta de infra-estrutura e condições internas no Haiti criam impedimentos para que esta ajuda realmente tenha o impacto desejado e chegue àqueles que necessitam. Por isso, vê-se no noticiário os saques e uma população andarilha, faminta e sem rumo.  Assim, colocam-se questões importantes neste momento sobre o que será do país depois da catástrofe? Como a comunidade internacional irá ajudar esta população tão sofrida? Quais serão os rumos a serem ditados para esta sociedade?

    O envolvimento de mais de 30 países na busca aos sobreviventes é um indicador relevante do alcance da participação da comunidade internacional, que também trazem novos desafios para a coordenação da missão de paz no Haiti.  No entanto, as baixas humanas poderão trazer custos inestimáveis para a operação de paz, já que a ONU teve grandes perdas.

    O Brasil provavelmente continuará com o comando da missão, mas necessitará de uma maior contribuição dos demais países. Por isso, a proposta de um conferência entre os países doadores é um sinal positivo que indicará quais os passos a serem dados após a fase emergencial.

    A mobilização do Governo Obama é outro um sinal positivo, demonstrando sensibilidade e grande capacidade de ação. No entanto, o histórico de intervenção dos Estados Unidos no país sempre traz suspeitas de como seria esta participação. Por outro lado, estima-se que vivem nos Estados Unidos mais 800 mil imigrantes haitianos (muitos ilegais) e 50 mil americanos encontram-se no Haiti. Estes números indicam a importância do país na agenda norte-americana, além disso, sempre existe a possibilidade de uma imigração maior de haitianos para os Estados Unidos.

    Se de um lado a participação americana é importante, por outro lado, coloca dúvidas sobre como será a relação entre as forças militares norte-americanas e os capacetes azuis. A falta de coordenação e unilateralismo norte-americano seriam prejudiciais para o socorro às vítimas, como também traria maiores dificuldades à condução da operação de paz e a reconstrução do país.

    Uma ação multilateral é a maior força para a construção do Haiti e também poderia significar uma vitória para a diplomacia “smart power” (poder inteligente) do Governo Obama, indicando realmente uma mudança de ação dos Estados Unidos. As primeiras ações de controle do aeroporto demonstram um unilateralismo norte-americano, mas esta postura pode ser apenas um reflexo de um momento de caos no país e de caráter emergencial. Deve-se aguardar o desenvolvimento do processo e também os resultados do debate entre os doadores e os envolvidos na missão no Haiti.

    O povo haitiano não merece mais sofrimento e espera-se a comunidade internacional consiga colocar o país em uma rota de desenvolvimento e superação deste desastre. A via multilateral poderá trazer mais efetividade, principalmente considerando que os resultados alcançados pela MINUSTAH indicavam, apesar dos desafios, que o país estava caminhando para a pacificação. Garantir este processo é um dever da comunidade internacional e o Brasil terá um papel relevante como comandante da operação de paz.

 

Denilde Holzhacker.


Estudo revela que países da América Latina e Leste Europeu precisam investir em educação financeira

Pesquisa conclui que as ações de educação para gestão das finanças pessoais em nações em desenvolvimento são incipientes

 

Pesquisa feita pelo mestre em finanças e professor da FIA, André Saito, revela que as ações organizadas por regiões em desenvolvimento, como os países do Leste Europeu e da América Latina, para difundir a educação financeira, são incipientes. Segundo levantamento, nesses locais, como o Brasil, a mídia exerce papel importante da disseminação de conceitos que ensinam a população a gerir de maneira mais consciente as suas finanças.

    Motivado pela importância do tema e ausência de trabalhos que avaliassem comparativamente os países, o estudo aponta ainda que Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália e Coreia do Sul são os que mais desenvolvem ações para a projeção da capacitação financeira dos indivíduos, com maior envolvimento das esferas pública e privada, terceiro setor e, em alguns casos, com a inserção de disciplina obrigatória nas escolas.

    Para Saito, o estudo demonstra a existência de lacunas de esforços mais organizados para inserção do tema em países em desenvolvimento. “Percebemos que nos países desenvolvidos a educação financeira é praticada desde cedo e há uma preocupação em ensinar como administrar seu dinheiro. Países em desenvolvimento, como o Brasil, deveriam seguir o exemplo e incentivar a população a melhor gerir suas finanças, o que contribuiria significativamente para a melhor compreensão de temas como taxas de juros, empréstimos, além da intenção de se planejar os investimentos para o futuro”, argumenta.


Orientações de saúde em catástrofes

As dicas são de Jaime Rocha, infectologista do Delboni Auriemo/DASA

 

Após o terremoto que devastou o Haiti em janeiro, o número de brasileiros que viaja para levar ajuda humanitária é crescente. As condições no país são muito precárias e há diversos riscos, o que exige orientações médicas sobre alguns cuidados aos viajantes, sejam eles militares ou não. Segundo Jaime Rocha, infectologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/DASA, quem pretende viajar ao Haiti ou à República Dominicana, país vizinho que também sofreu abalos, deve seguir algumas recomendações.

    A primeira é atualizar o calendário vacinal básico. Assegure-se de que principalmente as vacinas consideradas de rotina estejam atualizadas: poliomielite, gripe sazonal e pandêmica (se disponível), varicela, tétano, difteria e coqueluche (também conhecida com dTPa para adultos),  sarampo, caxumba, rubéola (também conhecida como tríplice viral, MMR, VTV ou SCR). “É fundamental que a vacina de tétano esteja atualizada”, reforça o infectologista.

Sobre a vacina contra hepatite A, o especialista lembra que, apesar de o esquema vacinal ser composto por duas doses com intervalo de seis meses, aplicando-se a primeira dose já existe grande proteção. Em relação à vacina contra febre tifóide, é indicada dose única intramuscular ou três doses, no caso da vacina oral. Por fim, o médico indica também a imunização contra meningite meningocóccica C, vacina contra hepatite B (existem esquemas acelerados), contra raiva pré-exposição e contra diarréia dos viajantes e cólera (vacina oral, com duas doses).

    A segunda orientação do médico é se prevenir contra doenças transmitidas por insetos. Entre as principais estão dengue e malária. A principal medida preventiva é evitar contato com mosquitos. Para tanto, recomenda-se o uso de repelentes com substâncias ativas (DEET ou Picardin). O Dr. Jaime Rocha explica que o tempo de proteção varia com a concentração da substância (DEET >35% protege por 4 a 5 horas, DEET <10% protege menos de uma a duas horas e Picardin >35% protege por sete a oito horas).

    O infectologista também orienta para o uso camisas com mangas longas, calças e chapéu. As roupas também podem ser preparadas com permetrina (somente para roupa). Outra dica do especialista é permanecer em ambientes fechados quando possível (para se precaver contra a malária, do entardecer até o amanhecer; para a dengue, o dia todo). É recomendado que as pessoas durmam protegidas por mosquiteiros.

    Quanto à malária, o médico lembra que a doença é endêmica em todo o Haiti e, portanto, é vital receber informações sobre profilaxia. Não existe vacina contra a malária e há várias opções de medicamentos contra a doença. “Todas devem ser consideradas individualmente, visto a possibilidade de efeitos colaterais. Entre as principais opões estão atavaquone-proguanil, cloroquina, doxiciclina e mefloquina. Mas não existe um medicamento 100% eficaz”, explica. Por isso, é fundamental o diagnóstico precoce. O viajante deve ser orientado sobre os principais sinais e sintomas (febre alta, mal-estar e dor no corpo) para que ele busque ajuda imediata e receba o tratamento específico.

    O médico relata que a dengue é muito comum no Haiti e também na República Dominicana. Assim como a malária, não existe vacina contra a dengue, nem medicamentos preventivos ou tratamento específico. “Existem somente tratamentos sintomáticos. O uso adequado de repelentes e medidas de barreira podem ajudar”, reforça o especialista.

    A terceira orientação diz respeito aos cuidados com água e alimentos. Rocha diz que são inúmeras as doenças que podem ser transmitidas através de água e alimentos contaminados como, por exemplo, hepatite A, febre tifóide, poliomielite, diarréias e parasitoses.

    A principal recomendação é lavar as mãos com frequência e, principalmente, antes de qualquer refeição. Isso pode ser feito com água e sabão ou soluções com álcool (>60%). Além disso, alimentar-se somente com alimentos industrializados e que tenham a embalagem íntegra ou com alimentos frescos que foram adequadamente cozidos e servidos quentes; não comer carne crua ou mal passada, frutos do mar ou frutas e vegetais não

 

preparados adquadamente; beber somente água engarrafada, fervida e filtrada ou tratada adequadamente, ou bebidas engarrafadas abertas na hora do consumo.

    Outras dicas são: evite água de fontes naturais, de torneira e gelo; caso necessite preparar água para consumo individual, você pode usar filtros especiais, ferver e filtrar, ou usar cloro ou iodo para preparo químico.

    A quarta recomendação diz respeito aos cuidados psicológicos. Segundo o médico, os viajantes podem encontrar situações extremamente estressantes, como o encontro de muitos corpos, pessoas em sofrimento com lesões graves, famílias desmontadas e extensa destruição das estruturas físicas. “Todas estas situações podem causar problemas psicológicos e emocionais”, diz. As reações normais frente ao desastre são tristeza profunda, luto e raiva. Muitas vezes o viajante pode não querer parar de trabalhar e esquecer a necessidade de descanso e alimentação adequada.

    Nesta esfera, as dicas do médico para evitar estresse são limitar o horário de trabalho para no máximo 12 horas por dia; diversificar o trabalho, variando trabalhos estressantes com funções menos estressantes; alimentar-se adequadamente; fazer pausas frequentes; ficar em contato com familiares e amigos.

   Por fim, Rocha dá orientações sobre outros cuidados que devem ser tomados nesta situação:

- Trauma: O país devastado apresenta muitos riscos potenciais para acidentes, principalmente para quem pretende trabalhar nos escombros ou durante deslocamentos. É fundamental o uso de roupas e calçados protetores.

- Resgate de corpos: Os restos humanos podem conter vírus e bactérias e devem-se tomar alguns cuidados, como proteger a face (boca e olhos) contra respingos de fluidos corpóreos e material fecal, proteger as mãos do contato direto com matéria orgânica, lavar as mãos com água e sabão ou álcool após retirar as luvas, proteger adequadamente os pés.

- HIV: A prevalência de pessoas infectadas pelo HIV no Haiti é alta e deve-se tomar alguns cuidados como uso de luvas ao manipular sangue ou fluidos corpóreos e membranas mucosas, uso de máscara e proteção para os olhos caso haja risco de dispersão de gotículas com sangue, uso de preservativos.

- Tuberculose: A prevalência é muito alta no país. Para profissionais da saúde que farão atendimento, recomenda-se levar máscaras N-95.

 

Não esqueça de levar

Rocha lembra que não existe infraestrutura no momento e todos que viajam para o Haiti devem ser auto-suficientes. Por isso, deve-se levar:

 

- Água e comida suficiente para o tempo de permanência;

- Repelentes e mosquiteiros;

- Medicamentos (principalmente para diarréia dos viajantes (antibióticos, anti-espasmósticos e antidiarréicos) e medicamentos de uso crônico;

- Óculos ou lentes reserva;

- Purificadores de água (filtros especiais ou sistemas químicos);

- EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como máscaras, luvas, óculos e sapatos adequados;

- Kit de primeiros socorros individual, como ataduras e compressas, gazes, luvas descartáveis, tesouras e pinças, antissépticos e antialérgicos;

- Materiais perfuro-cortantes, como tesouras e lâminas, devem ser acompanhados por declaração médica para evitar que sejam confiscadas nos aeroportos durante a viagem.

 


Brasil Sem Alergia é o mais novo projeto da Cruz Vermelha

Em 21 de janeiro de 2010, o Brasil Sem Alergia se transformou em um dos projetos da renomada instituição internacional de ajuda humanitária, a Cruz Vermelha, que dará todo suporte para a expansão e internacionalização de suas ações e seus atendimentos

 

Idealizado pelo imunologista e alergista, Dr. Marcello Bossois, o Brasil Sem Alergia já realiza atendimentos, gratuitamente, para o tratamento de alergias, há mais de dois anos, em diversos postos em Duque de Caxias e na Comunidade do Vidigal. A iniciativa já beneficiou milhares de pessoas no estado do Rio de Janeiro com a prevenção e o combate de todos os tipos de alergias e terá a ótima oportunidade de levar suas ações à outras regiões que necessitem de seus atendimentos.

   No final de janeiro, Os coordenadores da Cruz Vermelha no Brasil, uma das maiores organizações mundiais em ajuda humanitária, conheceram as atividades do Brasil Sem Alergia e se interessaram em apoiar a iniciativa. Com isso, a ação social que já possui um papel fundamental no combate e prevenção dos índices de alergias dentro do estado, levará sua equipe de atendimento à outros locais ampliando ainda mais o número de pessoas beneficiadas dentro e fora do país, realizando missões em outras cidades brasileiras e expedições de combate aos quadros alérgicos em países subdesenvolvidos.

   Fundada em 1908, a Cruz Vermelha Brasileira é uma organização humanitária sem fins lucrativos que tem como missão atenuar o sofrimento humano e faz parte do movimento Internacional da Cruz Vermelha e da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Em tempos de paz, a organização tem como missão reduzir os impactos dos desastres naturais, das doenças e das epidemias e terá dentro de seus projetos, as ações beneficentes do Brasil Sem Alergia, cujo objetivo é tratar e diminuir os sofrimentos dos afetados com as doenças alérgicas.

    Segundo o vice-presidente da Cruz Vermelha Brasileira, D´Artagnan Guimarães, a entrada do Brasil Sem Alergia, nos projetos assistidos pela Cruz Vermelha, significa um avanço fenomenal para a expansão das atividades de Bossois. Para ele, a ação tem um enorme potencial de crescimento e já vê a real possibilidade de, muito em breve, os moradores de todo o país terem total acesso aos atendimentos dentro de suas cidades. Em recente

    Isso, porque a equipe do Brasil Sem Alergia, em conjunto com sua assessoria e com o total apoio da Cruz Vermelha, nos próximos meses, realizará missões nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso dentre outros. Já no final de fevereiro e início de março, a ação social estará no norte do Espírito Santo em missões para o combate e prevenção das alergias.

 

Os atendimentos serão acompanhados de perto pela presidente da Cruz Vermelha no ES, Helena de Brito, que dará todo o suporte necessário para a realização das missões. A equipe de atendimento pretende diminuir radicalmente os casos de alergias à picadas de insetos e suas complicações, que, há muito, afeta aquela população.

    Além disso, foi anunciado por  D´Artagnan , em reunião recente com a Equipe do Projejo, a criação de um ônibus ambulatório itinerante, equipado com salas de atendimento e exames, para  atender a todos os municípios brasileiros. Porém, para que o local interessado receba a visita do Brasil Sem Alergia, as prefeituras devem entrar em contato direto, antes,  com a Cruz Vermelha do Rio de Janeiro ou com a administração do Projeto, formalizando o desejo de receber a equipe em sua cidade.

    A idéia do Dr. Marcello Bossois, na criação de seu projeto, surgiu devido a falta de ofertas de atendimentos gratuitos para controle das alergias e pelo alto índice de pessoas que sofre com algum tipo de alergia que, hoje gira entorno de 35% no mundo. As mais freqüentes são as alergias a picadas de insetos, que se agravam muito no verão pela crescente população dos mosquitos, as respiratórias que são muito comuns em grandes centros urbanos e as alimentares. Além disso, muitos não sabem mas o contato direto com determinados produtos químicos, até mesmo de uso doméstico, pode levar à alguns quadros graves de alergias dermatológicas.


Acordo entre CNJ e Nações Unidas visa combater crime organizado e corrupção

O combate à corrupção  e ao crime organizado no Brasil vão ganhar o reforço do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), graças uma parceria firmada  na manhã desta terça-feira (09/02)   entre o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes e pelo representante regional da UNODC para o Brasil e Cone Sul, Bo Mathiasen. A assinatura do Protocolo de Intenções 02/2010 ocorreu durante a sessão plenária do CNJ, em Brasília.

    "O objetivo desse acordo é enfrentar essa difícil questão do crime organizado para que possamos trocar experiências  e subsídios a propósito do que se pode fazer para que tenhamos uma ação efetiva nessa área de complexidade múltipla", disse o ministro Gilmar Mendes, por ocasião da assinatura do acordo. O ministro acrescentou que o CNJ já tem uma ação efetiva nesse sentido, ao propor mudanças na Justiça Criminal . Sugestões de melhorias  nessa área  estão sendo propostas  em   consulta  pública, cujo prazo se encerra no  próximo dia 18 de fevereiro.

    Pelo acordo assinado, tanto a UNODC quanto o CNJ se comprometem a desenvolver ações conjuntas  para prevenir e garantir a punição ao tráfico de pessoas, em especial de mulheres, crianças e imigrantes, além de combater a fabricação ilícita de armas de fogo e munição .  A parceria prevê ainda um esforço conjunto para inibir o tráfico de drogas e recuperar bens e dinheiro provenientes de corrupção. Bo Mathiasen espera que esse acordo "possa dificultar as atividades criminosas e o trabalho com o Judiciário é importante para o combate à corrupção e ao crime organizado".

   Pesquisas - Segundo Mathiasen, o primeiro passo desse acordo será identificar as áreas onde o CNJ e a UNODC vão trabalhar, como por exemplo, o intercâmbio de experiências com outros países. Também serão realizadas pesquisas sobre os temas abordados no acordo, além de estudos, diagnósticos e indicadores para  melhorar o desempenho do Judiciário, aprimorando sua eficiência, independência e imparcialidade  em conformidade com os padrões internacionais. "A independência do Judiciário é indispensável para a construção da democracia e o exercício pleno do estado de direito", ressaltou Bo Mathiasen, acrescentando que "é fundamental uma ação articulada", entre o Poder Judiciário de diversos países, "para enfrentar com maior eficiência os grupos criminosos que se utilizam cada vez mais da tecnologia para atuar de modo mais eficiente".

    Capacitação de juízes - Ele destacou ainda que o importante dessa parceria entre o CNJ e a UNODC será a capacitação de juízes e, para isso, serão organizados cursos científicos, seminários e conferência sobre esses temas, além de garantir auxílio técnico a instituições jurídicas de outros países. O acordo está conforme a Resolução do Conselho Econômico e Social da ONU número 2006/23, que incentiva os países a  seguirem os Princípios de Bangalore, uma espécie de código norteador da atuação dos juízes em âmbito mundial, elaborado pelas Nações Unidas. 

    A parceria visa também o cumprimento das Convenções das Nações Unidas Contra a Corrupção e Contra o Crime Organizado Internacional, que determinam aos países que adotem medidas para fortalecer a integridade e prevenir a corrupção, além de colaborarem de forma mútua para combater o crime organizado transnacional, promovendo cooperação jurídica internacional. "Como líder da região, o Brasil é fundamental neste acordo, para mostrar o caminho para outros países", disse Bo Mathiasen.

 

MB/EF

Agência CNJ de Notícias


Câncer será a doença mais letal do mundo em 2020

 

Os números assustam. Atualmente, o câncer é a segunda doença que mais causa mortes no Brasil e no mundo, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. E, daqui dez anos, o câncer pode chegar à primeira posição.

    Mas, na contramão do avanço da doença, o índice de cura tem aumentado substancialmente. Há 50 anos, o índice de mortalidade era de 70%. Hoje, entre 54% e 56% dos doentes conseguem cura.

Por ano, o Brasil registra, aproximadamente, 470 mil novos casos. Esse número poderia ser reduzido se houvesse alterações em alguns hábitos de vida, como o fumo, sedentarismo e alimentação não saudável.

    De acordo com Amândio Soares, diretor clínico da Oncomed, esses números tem levado a apelos para prevenir a doença e mais estudos para buscar a cura, além de tratamentos mais eficientes. “É inegável a evolução no processo de cura nesses últimos anos”, afirmou.


E de repente, o mundo todo que adotar as crianças haitianas, vítimas do terremoto...

 

Desde que aconteceu a tragédia do terremoto no Haiti, muitas famílias se desfizeram:  pais  perderam  seus filhos, crianças perderam seus pais... São muitos os mortos e os desaparecidos. E além das entidades internacionais e ONG’s, percebemos o interesse de inúmeras pessoas, no mundo todo, em cuidar destes órfãos, confortando-os. Muitos chegam a se prontificar, inclusive, a adotá-los.

    A embaixada do Haiti no Brasil vem recebendo centenas de pedidos de adoção, desde o terremoto. Franceses, israelenses, americanos e argentinos também já expressaram o mesmo desejo que os brasileiros. O drama desta população faz com que diversos sentimentos aflorem: pena, tristeza, injustiça e, principalmente, vontade de ajudar.

    Porém, quando falamos em adotar uma criança, não estamos falando de um gesto de caridade, e, sim, da constituição de uma família, onde é primordial que essa criança possa ter, acima de tudo, “um lugar de filho”, junto aos pais. Devido ao grande volume de solicitações de adoção de crianças haitianas, penso que possa estar havendo uma confusão na cabeça destes “candidatos a pais”.

    É preciso deixar claro que adoção não é um ato de caridade. Podemos ajudar o povo haitiano de diversas formas: enviando alimentos e dinheiro, prestando serviços voluntários... Não adotando. A adoção é algo muito mais sério e precisa ser bem trabalhada no psiquismo dos futuros pais.

    O próprio  Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta que órfãos e crianças abandonadas no Haiti, após o terremoto devastador, devem ser adotados no exterior, apenas como último recurso. O objetivo deste comunicado é preservar a saúde mental destas crianças. É muito mais vantajoso para elas encontrar seus familiares (irmãos, tios, avós) do que saírem de seu país de origem para viverem junto a pessoas estranhas.

    E sem menosprezar o sofrimento haitiano, é bom lembrar também o fato de termos, em nosso País, um grande  número de crianças negras pedindo um lar. E que, justamente pelo fato de serem negras, não conseguem ser adotadas, já que é sabido que a maioria dos casais em fila de adoção prefere crianças brancas.

    A impressão que nos dá é a de que por trás deste gesto, pode até mesmo existir um certo ganho de destaque social: “ Este é meu filho, adotei-o durante o terremoto que devastou o Haiti”... A pergunta que fica é se realmente lserá dado o posto de filho a esta criança.

Precisamos ser cautelosos diante de dramas tão comoventes como este. Uma adoção nestes termos, só seria válida, se esse evento tivesse mobilizado, de fato, o real desejo de adotar uma criança. Não é preciso ir ao Haiti, nem a países africanos, como fazem as celebridades, para encontrar crianças em situação de desamparo emocional, que aguardam ansiosamente por pais que as amem.

Luciana Leis


Hora de eliminar gargalos

 

Existem chances concretas de atrair mais investimentos para o País no biênio 2010-2011 do que em qualquer outro momento da nossa história. Por ter superado a fase mais crítica da crise econômica mundial com relativa tranquilidade, o Brasil se consolidou como um dos destinos preferenciais dos investidores de várias partes do mundo. Nossa estabilidade política e institucional é admirada e ajuda a fortalecer esse sentimento de confiança.

    Mas – sempre existe um “mas” –, para que essas conquistas se consolidem, há gargalos que requerem soluções urgentes. A pesada carga tributária e a rígida legislação trabalhista são dois grandes obstáculos ao crescimento mais robusto do País.

    De acordo com a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborada com dados disponíveis no último trimestre de 2009, e com as pesquisas de emprego e renda do IBGE e da Fundação Seade/Dieese, baseadas na realidade de dezembro de 2009, a economia brasileira está retomando o nível de atividade anterior à crise. Este é o momento certo para enfrentar os desafios e remover os obstáculos ao nosso desenvolvimento.

    Das 1.418 empresas entrevistadas pela CNI, 64,8% apontaram a pesada carga tributária como seu maior problema.

    Enquanto isso, uma pesquisa realizada anualmente pelo Banco Mundial, que analisa as condições para se fazer negócios em 183 países, colocou o Brasil em 129º lugar na lista geral (Doing Business – 2010, Washington: The World Bank, 2009).

    O índice leva em consideração os seguintes itens: as facilidades ou dificuldades para abrir, fechar e administrar empresas; o acesso ao crédito; a segurança no cumprimento de contratos; a facilidade ou dificuldade em regularizar e registrar propriedades; as regras tributárias e trabalhistas.

    Neste último quesito, o Brasil figura em 138º lugar. De fato, manter um funcionário custa caro. Especialistas estimam que, em virtude dos muitos encargos previstos na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), um trabalhador que ganha R$ 1.000,00 por mês tem um custo real para a empresa de R$ 2.020,00. Afinal, além da remuneração direta, há o recolhimento do INSS, do fundo de garantia, o pagamento do 13º salário, o adicional de férias, as horas extras, o vale-transporte, a cesta básica...

 

 

    Para piorar, a crença de que “a justiça do trabalho sempre decide a favor do funcionário” é um estímulo para que haja verdadeira corrida aos fóruns. Mais de dois milhões de ações tramitam na Justiça do Trabalho anualmente. Além de atravancar o sistema jurídico, a “indústria dos processos” sobrecarrega as empresas, que têm de arcar com custas de advogados e pagar indenizações altíssimas.

    Para solucionar tais problemas, seria muito interessante enfatizar e fortalecer as negociações coletivas, que contemplariam as peculiaridades de cada grupo ou categoria. Por esse modelo, as regras seriam estabelecidas nos contratos coletivos e valeriam para orientar as ações de empregados e empregadores pelo tempo de sua vigência.

    Também é preciso rediscutir o modo de execução de sentenças, uma vez que, nos últimos anos, o uso frequente das penhoras on-line tem comprometido a própria sobrevivência das empresas.

    Tudo isso afeta os investimentos, o custo de produção e a competitividade. O Brasil já provou que supera qualquer obstáculo e tem condições de se firmar como uma grande potência. Agora, precisamos criar coragem e recolocar na pauta as reformas trabalhista e tributária. Se enfrentarmos esses gargalos, chegaremos mais rapidamente à ambicionada posição de quinta maior economia do mundo.

 

Eduardo Pocetti


Para especialista, África do Sul depois de 20 anos, ainda passa por muitos problemas, mesmo com o fim do apartheid.

 

“Há vinte anos, logo após a queda do Muro de Berlim e fim declarado da Guerra Fria, o líder da luta antiapartheid da África do Sul era libertado, encerrando o longo cárcere de 27 anos.  De preso político a estadista mundial, sua trajetória é assombrosamente heróica, por sua persistência, perseverança na possibilidade da mudança, de novos tempos.  Se Mandela vai bem, a África do Sul nem tanto.  Assolada pela pobreza, pela AIDS, por um tipo de populismo grotesco, o país lida com múltiplas diferenças: parte da população negra transformada em elite econômica e política, outra - bem mais numerosa - enfrentando as mazelas derivadas desses fatores dominantes da política sulafricana e uma população branca sem encontrar seu lugar. Mandela vai bem, seu país nem tanto por não ter, sem dúvida, conseguido transferir seu legado para seus sucessores”, afirma o professor Sérgio Gil, do Curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco.


Onze por cento das crianças haitianas não são vacinadas

Embora o Haiti tenha conseguido grandes progressos na implantação do programa de imunizações, a despeito de todas as adversidades, apenas 41%, menos da metade das crianças do país, estão totalmente cobertas.

 

Agência Notisa - Um artigo publicado ano passado na Revista Clinica de Medicina da Família mostra que a imunização oferecida no Haiti nos últimos anos está bem aquém do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, em que pesem, segundo o texto, os enormes avanços conseguidos desde a implantação, no país, nos anos 80, do PAI, Programa Avançado de Imunizações. Implantado mundialmente pela OMS em 1974, os objetivos principais de proteção do PAI são crianças de menos de um ano de idade (3,5% da população,no caso do país caribenho) e mulheres sexualmente ativas, entre 15 e 49 anos, incluindo as grávidas ( respectivamente 25% e 4%).

    O autor, Marc-Henry Syldor, do Centro de Salud Cuenca I (Espanha), escreveu no texto publicado em junho de 2009: “no Haiti hoje se pratica a vacinação sistemática contra sarampo, poliomielite, difteria,tétano, coqueluche e tuberculose com o sistema recomendado pela OMS. Entretanto, as crianças mais pobres têm acesso a uma gama menor de vacinas e estão mais expostas a práticas de vacinações menos seguras”. Na contabilidade aferida pela revisão de dados do pesquisador, “a cobertura vacinal não supera os 40% do Haiti como um todo, chegando a ser apenas 18% em algumas regiões”.

    Syldor enfatiza que houve uma redução evidente das enfermidades cobertas pelo PAI, mas lembra que há apenas 41% de crianças entre 12 e 23 meses de idade cobertas, sendo que 11% das crianças nunca receberam nenhuma vacina e 48% estão parcialmente vacinadas. Por outro lado, de acordo com o médico, campanhas de vacinação em massa surtiram resultados eficazes, com redução dramática do sarampo – última epidemia em 2001, com 158 casos – e o ultimo caso descrito de poliomielite em 2000.

    As conseqüências da cobertura irregular do calendário de vacinação do PAI são muito preocupantes, segundo o autor. “Em 2004, houve um epidemia de difteria, com 801 casos suspeitos”, diz, sendo que 495 foram confirmados, tendo havido oito mortes conseqüentes. Na mesma esteira, no ano seguinte, foram assinalados 119 casos de tétano neonatal, “apesar dos esforços empreendidos para combater esta enfermidade, com as mães de três quartos dos nascidos vivos tendo recebido vacina contra o tétano durante a gravidez, entre 2005 e 2006.

 

Agência Notisa

(science journalism – jornalismo científico)


E o terrorismo chega ao esporte

 

As práticas intimidatórias com o intuito de disseminar o medo e a insegurança através do terror são a marca registrada dos grupos terroristas. O pano de fundo que cobre e envolve o terrorismo engloba questões como religião, etnia, etc. Entretanto, se engana quem pensa que o terrorismo se limita a uma disputa entre ocidente e oriente, pois, o viés que separa e alimenta a fúria é um pouco mais profundo e atende por nome diverso: política,  que não conhece fronteiras geográficas, culturais ou religiosas.

     É a disputa por territórios, influência e, acima de tudo, poder, que movimenta o terrorismo e cada vez mais propaga os grupos de extermínio. Atualmente não se pode atribuir força ou liderança a um único grupo, até mesmo pela característica peculiar de comando que atua de forma horizontal, ou seja, várias células autônomas entre si sem uma hierarquia elevada como um sistema piramidal, mas é inegável que o medo propalado pelo Hamas, Hizbollah, Talibã, Al-Qaeda é muito mais forte e consistente do que as forças que o combatem.

    O alvo, corriqueiramente, é o Governo da nação escolhida para o ataque terrorista, numa clara disputa por poder. Num passado recente era mais fácil se identificar a disputa política quando os movimentos eram internos ou nacionalistas, como os atentados ocorridos na Irlanda através do grupo IRA e na Espanha com o ETA.

    Após os atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos, foi apresentado ao mundo que a sofisticação terrorista aumentou e adveio conjuntamente com o uso indiscriminado de armas químicas e homens bomba, etc.

    De tal sorte que o principal enfoque dos grupos é a produção do terror e, infelizmente, uma nova forma de espalhar a insegurança coletiva surgiu.

O atentado à delegação de futebol do Togo promovido pelo inimigo oculto, isto é, o terrorismo demonstra que o medo pode emergir em qualquer momento, seja no trabalho, no descanso ou até mesmo no lazer. E a insegurança em não se conhecer o próximo passo é que fomenta o terror, tanto é verdade, que a seleção do Togo se retirou da Copa Africana de Nações, por temer pela segurança e pela integridade de seus atletas.    

     A seleção do Togo, em verdade, foi mais um alvo à conveniência do terrorismo, mas o objetivo fulcral da investida era outro: afetar o governo angolano, ou seja, uma disputa política acerca da independência de Cabinda. O governo de Angola sequer discute a questão, uma vez que Cabinda responde por 80% da produção de petróleo daquele País. No entanto, a região sequer faz fronteira com a Angola.

    O ataque tem como fundamento alterar a emoção das pessoas, o clima amistoso e, com isso, o lazer produzido pelo esporte ganhou contornos de insegurança. Outras delegações já pediram o incremento da segurança, alguns jogadores de futebol presentes já demonstraram preocupação com sua segurança e, até mesmo com sua vida.

    Nesse diapasão não há como negar: o terrorismo chegou ao esporte. E em ano de Copa do Mundo, como proceder? Se nem o esporte está salvo dos terroristas como se proteger num evento que reúne 32 nações diferentes para proporcionar o lazer coletivo?

    O exemplo recente dos Estados Unidos que decidiram por atacar indiscriminadamente o inimigo oculto produziu mais problemas do que soluções. Diplomacia também não parece ser um caminho viável já que os grupos guerrilheiros têm a consciência de que ao mostrar seu líder este se transforma num alvo fácil.

    O poder corrompe as pessoas e as nações e o terrorismo é a mostra cabal de que a cobiça não possui limites, logo, enquanto não encontrarmos uma forma eficiente de combate, ou melhor, de proteção o terror seque na porta ao lado e até mesmo o esporte perdeu sua aura imaculada.

      

Antonio Gonçalves


Os avanços nacionais no combate aos crimes eletrônicos

 

Há alguns anos abordamos o crime eletrônico e seu enquadramento legal, fazendo um breve panorama das leis e projetos de lei à época. De lá para cá, como de se esperar, o uso dos meios eletrônicos, notadamente a Internet, mudou e aumentou, como aumentaram também os ilícitos praticados. Importante, portanto, analisarmos algumas das iniciativas e avanços que tivemos em relação ao combate aos crimes eletrônicos com o passar do tempo.

    Por mais que se afirme a possibilidade de aplicação de nosso ordenamento vigente aos crimes praticados nos meio eletrônicos, alguns casos necessitam de legislação específica, como os ditos estritamente eletrônicos. Já temos mais de 10 anos desde a apresentação do Projeto de Lei dos Crimes Eletrônicos, projeto nº 84/1999, que ainda tramita no Congresso. Depois das idas e vindas de todo o processo legislativo, em 2008 o Projeto foi aprovado com revisão no Senado e devolvido para a Câmara dos Deputados. Com a atual redação, o Projeto de Lei torna crime o acesso não autorizado às redes de computadores, a divulgação e utilização indevida de dados pessoais, a difusão de código malicioso, a falsificação ou deleção de dados eletrônicos, por exemplo.

    Em relação ao crime de pedofilia, comentávamos, em 2004, a importância da ampliação da conduta delitiva trazida pela Lei 10.764/2003, que alterava o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), passando a incluir a pedofilia praticada pela Internet, punindo a circulação de fotos ou imagens contendo cenas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes. A Lei de 2003 também aumentou a pena de um a quatro anos, para dois a seis anos. Atualmente, com a última alteração do ECA quanto à pedofilia, a Lei 11.829/2008 aumentou novamente a pena para de quatro a oito anos para quem produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente, passando a incluir também no tipo penal o ato de filmar ou registrar.

    Outro importante avanço, trazido pela Lei 11.829/2008 no combate à pedofilia na Internet, foi a introdução no ECA dos artigos: 241-A, que prevê punição para a divulgação de imagens pelo "meio de sistema de informática ou telemático", além de responsabilizar também o prestador de serviço de Internet que, notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito; 241-B, que inclui o ato

 

 de armazenar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente; 241-C que pune quem realiza montagens em fotos ou vídeos para simular a participação de criança ou adolescente em cena sexo explicito ou pornografia; e 241-D que inclui proibição ao aliciamento, assédio ou constrangimento de criança para a prática de ato libidinoso.   Ainda nesse sentido, podemos citar o Projeto de Lei nº 5.658/2009, que torna pedofilia crime hediondo, além da excelente iniciativa da Polícia Federal, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e a ONG Safernet, na criação do Nightangel (nightangel.dpf.gov.br), um canal de comunicação com formulários eletrônicos para denúncias de sites que contenham materiais relacionados aos crimes de ódio, pedofilia e genocídio.

   Em pesquisa realizada pela Fecomercio em 2009, na cidade de São Paulo, com 1000 consumidores, revelou que os ilícitos que mais ocorrem são fraudes (envolvendo desvio de dinheiro da conta corrente e uso de cartão de crédito) e o uso de dados pessoais e clonagem de páginas pessoais em sites de relacionamento, representando, juntos, 80% dos ocorridos. Neste sentido, vale ressaltar o Termo de Ajustamento de Conduta (prsp.mpf.gov.br) assinado entre o Google e a Procuradoria da República em São Paulo, em 2008, visando à segurança na Internet, em que a empresa se compromete a fornecer, mediante ordem judicial, e guardar por 180 dias em seus servidores, os logs de acesso, com data, hora, endereços IP e referência GMT de cada usuário que conectar a partir do Brasil, além de promover a retirada de conteúdo reportado como ilícito. Esta medida é de suma importância para auxiliar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal no combate a pedofilia e demais ilícitos em nosso país.

    Cediço que a lei não acompanha a velocidade das mudanças sociais e a evolução dos meios tecnológicos, no entanto, as iniciativas como as aqui citadas, são importantes instrumentos no combate aos crimes praticados nos meios eletrônicos, como forma de identificação e punição dos infratores, e irão permitir que não mais se atribua a Internet a ideia de um mundo sem leis onde vigora o anonimato.

Renato Opice Blum

Victor E. M. Costa Jardim


Hospital da Irlanda é o primeiro do mundo a usar cobre para combater infecções hospitalares

 

 

 

 

Após realização de testes-pilotos em regiões do Chile, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Japão, hospital irlandês torna-se o primeiro do mundo a implantar oficialmente o projeto. O cobre já foi aprovado para uso pela americana Agência de Proteção Ambiental (EPA) por seu alto poder antimicrobiano. No Brasil, 45 mil pessoas morrem todos os anos por conseqüência de infecções hospitalares.

    Um hospital privado na Irlanda é o primeiro a usar a tecnologia do cobre para combater infecções hospitalares. A iniciativa aconteceu após a divulgação dos primeiros resultados de estudos em andamento no hospital Selly Oak, em Birmingham, Inglaterra. O hospital privado San Francis possui 140 leitos e fica em Mullingar, região de Westmeath, na Irlanda e é o primeiro no mundo a adotar maçanetas de cobre para reduzir infecções associadas à assistência médica, tais como a provocada pelo vírus MRSA.  

    O hospital contou com o apoio da International Copper Association (ICA)- representada no Brasil pelo Procobre que auxiliou no projeto para substituir mais de 100 maçanetas.

    Testes-piloto com uso do cobre em equipamentos e móveis hospitalares já foram realizados em oito centros de saúde nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão e Chile e comprovam que o cobre, aplicado em superfícies de alto contato manual, pode ser um importante aliado no combate às infecções hospitalares. O teste já apontou que o uso do cobre reduz em até 85% a presença de microorganismos causadores de infecções hospitalares.

    Em novembro de 2009, o Procobre Brasil divulgou, durante seminário, que a média de pacientes que contraem infecção após procedimentos cirúrgicos ou internações é de 45 mil óbitos anuais em 12 milhões de internações. Dados do Ministério da Saúde mostram que entre 13% e 15% dos pacientes internados adquirem algum tipo de infecção durante a hospitalização.

    Somente nos EUA, cerca de dois milhões de americanos contraem infecções hospitalares por ano, sendo que 100 mil morrem em decorrência das infecções, custando aos cofres públicos prejuízos de cerca de US$ 30 bilhões.

    Cada caso onera o sistema de saúde público em até US$ 1.400, em média, além de aumentar a internação hospitalar em torno de 14 dias. Com esse montante de recursos, e os leitos ocupados por suas vítimas, muitos problemas do sistema público de Saúde, além da falta de leitos, seriam minimizados.


O conceito da mobilidade urbana

 

Há muito tempo as estratégias de planejamento urbano para atender o crescimento das cidades são tratadas de maneira equivocada. Os técnicos em transportes preocupam-se principalmente em elaborar projetos voltados para o transporte coletivo. Na tentativa de proporcionar cada vez mais oferta, são trazidas novidades alternativas como o VLP - veículo leve sobre pneus, como por exemplo, o Expresso Tiradentes - e mais recentemente o Monotrilho - sistema de transporte suspenso em via elevada - esperando atender a crescente necessidade de transporte de massa. A intenção é fazer com que o crescimento da população seja atendido com o desenvolvimento dos equipamentos da rede.

    Por sua vez, técnicos em trânsito direcionam seus esforços em melhoria da fluidez, e como o crescimento do número de automóveis não é acompanhado pelo crescimento do viário, restringem cada vez mais a circulação de carros, caminhões e ônibus fretados. Como estas medidas não solucionam o problema,  investimentos cada vez maiores são feitos em novas obras e adequações viárias como as duplicações de faixa, passagens de nível, viadutos, pontes, túneis, etc. A estratégia de aumentar o viário acaba se transformando num ciclo vicioso e equivocado, onde o aumento da frota sempre supera e satura, e consequentemente favorece o transporte individual em detrimento do coletivo. Essas obras, apesar de resolverem parte do problema, têm resultados momentâneos, e acabam sendo ocupadas por veículos particulares. Adequações viárias são necessárias, mas não podem ser encaradas como solução para o problema de crescimento da frota.

    Paralelamente, a cidade cresce desordenadamente, ao arrepio do Estatuto das Cidades e sob a vigência de um Plano Diretor cuja revisão, em trâmite, não pode, de novo, padecer dos equívocos que o tornaram uma peça utópica e distante da realidade consolidada da Cidade.

    O planejamento urbano deve levar em conta a infra-estrutura disponível em cada uma das regiões que se pretende adensar sob pena de fazer valer a lógica cruel, que afasta das áreas centrais, a população mais volumosa e de baixa renda. Com isso, o cidadão de menor poder aquisitivo é o que mora no extremo da periferia e necessita de maior deslocamento para atender as suas necessidades como ir ao trabalho, à escola, ao médico, ao dentista, ao lazer etc.

 

    Por outro lado, a concentração de empregos costuma se dar no centro expandido e nas zonas industriais e comerciais nas quais o adensamento já não é mais possível. Em resumo, os empregos estão onde há menos gente morando e a maioria das pessoas vive onde praticamente não há oferta de trabalho. Daí,é preciso criar novos pólos de desenvolvimento econômico de modo a gerar emprego e renda nos círculos mais periféricos.

    O conceito de MOBILIDADE URBANA sustenta que as políticas públicas de transporte, trânsito e de uso e ocupação do solo devem ser elaboradas de maneira conjunta e harmoniosa. Dessa forma, parece possível que urbanistas, técnicos em transportes, em trânsito e legisladores, apliquem o conceito na administração pública e na revisão do Plano Diretor Estratégico, de modo a diminuir o número de deslocamentos, que hoje é de 30 milhões por dia,  proporcionando ao munícipe o acesso amplo e democrático ao espaço urbano.

    Um passo importante nessa direção é a revitalização de diversas áreas na região do centro expandido e a aplicação da lei no que se refere à função social da propriedade, permitindo abrigar unidades residenciais multifamiliares.  Outro passo é implantar moradias populares em todas as regiões em torno de novos pólos de desenvolvimento comercial, industrial e de serviços que devem ser incentivados e criados.

    Por último, a mobilidade urbana não pode prescindir de uma política que desestimule o uso de veículos particulares e a que qualifique cada vez mais o transporte coletivo o que passa, obviamente, pela ampliação do sistema, pelo conforto e renovação permanente das frotas.

 

Antonio Goulart


Elefantes: a União Europeia está dando luz verde para novos massacres?

 

Montreux, Suíça, PRNewswire - Apesar da maciça oposição do Parlamento Europeu à retomada do comércio de marfim dos elefantes, a Comissão Europeia parece cada vez mais propensa a apoiar a anulação de um bloqueio mundial de 1989 na 15ª Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens em

    Perigo de Extinção (CITES), que será realizada de 13 a 25 de março em Doha. Em 10 de fevereiro, o Parlamento adotou uma Resolução com linguagem muito forte (http://www.presseportal.ch/go2/franzweber1) convocando a União Europeia, que vai negociar como m único bloco na CITES, a não apoiar a reabertura do comércio de marfim e a respeitar o acordo de moratória sobre o marfim, com duração de nove anos e

celebrado na 14º encontro da CITES em Haga em 2007. 

    A Comissão e os estados-membros da União Europeia estão agora muito propensos a ignorar o Parlamento e a apoiar movimentos da Tanzânia e da Zâmbia para reiniciar o comércio do marfim. "Essa é realmente a última tacada para os elefantes na África. A caça devastadora da década de 80, que foi no início controlada pela CITES, é agora tão prevalente que os elefantes africanos estão praticamente extintos em alguns países onde antes viviam", disse Bourama Niagate, diretor de parques e reservas naturais em Mali e co-presidente da Coalizão pelos Elefantes Africanos, composta por 23 governos.

    "A União Europeia devia demonstrar mais uma vez a liderança que demonstrou em 2007 quando, sob presidência alemã, mediou uma negociação de onze horas sobre uma moratória sobre o marfim, de nove anos de duração, nas últimas negociações da CITES. É incompreensível que a União Europeia chegue a pensar em reabrir o mercado do marfim.

    Depois de anos de sossego, está agora dando luz verde para os caçadores matarem os elefantes", disse Vera Weber, diretora da Fondation Franz Weber. "Pedimos urgentemente que a Comissão mude sua posição antes que seja tarde demais para os elefantes africanos", acrescentou. 

 

FONTE  Fondation Franz Weber

              http://www.ffw.ch


Negócios das Arábias

 

Uma boa notícia vem da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. De acordo com a entidade, que reúne 22 países além do Brasil, as exportações verde-amarelas para os países árabes, que em 2009 sofreram redução de quase 5%, vão se recuperar de forma significativa em 2010.

    As carnes e o açúcar serão os principais responsáveis por esse alavancamento. Ambos os produtos responderam pelo maior volume de negócios entre o Brasil e aqueles países durante o ano passado, sendo 28,8% das vendas representadas pelas carnes e 27,4% pelo açúcar. Em dólares, as vendas totalizaram, respectivamente, US$ 2,71 bilhões e US$ 2,57 bilhões.

    A carne brasileira é muito bem recebida pelos países árabes, chegando a ocupar 52% daquele mercado. Também há crescente demanda pela aquisição do gado em pé, principalmente por parte do Líbano, da Síria e do Egito.

    Outros produtos que terão espaço cada vez maior na pauta de comércio exterior do Brasil e países árabes são a soja, o milho, o leite e seus derivados. A demanda por esses elementos já vem crescendo: vale lembrar que, no ano passado, as exportações brasileiras de cereais para os árabes cresceram 22,6%. O milho foi a principal ‘estrela’, seguido pela soja.

    Como o mercado brasileiro de lácteos sofreu um baque razoável no ano passado -- o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontou, em dezembro, uma queda de 5,45% na média nacional dos preços pagos aos produtores de leite –, a tendência de crescimento das exportações do setor merece ser comemorada. Dados da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que, no acumulado do ano, a receita das exportações de produtos lácteos caiu 69,2% em 2009, sendo que o volume vendido foi 53,5% menor.

 

    Em contrapartida, as importações subiram 24,2%, com um crescimento de 70,9% no volume, de 133,1 mil toneladas. O saldo da balança comercial deixou, portanto, de ter um superávit de US$ 328,4 milhões (2008) para acumular um déficit de US$ 98 milhões (2009). Tais resultados são devidos, em grande parte, à entrada expressiva de leite em pó proveniente da Argentina e do Uruguai no País, a preços depreciados.

    Assim, é positivo que existam sinais de recuperação nos preços do leite no mercado internacional, e que o Brasil esteja se preparando não apenas para recuperar o espaço perdido como, também, para ampliar sua participação global. E, principalmente, é bom saber que, além da melhoria das cotações no mercado internacional, a recuperação do segmento poderá contar com o incremento da demanda industrial. Temos, portanto, sinais efetivos de que o setor de alimentos em geral, e o de lácteos em particular, terão uma recuperação mais veloz do que outros. O fomento aos negócios com os países árabes é muito bem-vindo nesse momento.

    Carne, açúcar, leite, soja, milho. Em breve, a riqueza colhida nos campos brasileiros ocupará um espaço pra lá de significativo nas mesas egípcias, marroquinas, sírias, libanesas, argelinas e tantas outras.

José Osvaldo Bozzo


Convergir para o consumo popular

 

Os consumidores populares brasileiros estão na moda. Mesmo que confusamente sejam tratados ora como classe média, ora como pertencentes à base da pirâmide social. O que já é consenso é que o conjunto de mais de trinta milhões destes consumidores gastará em 2010, apenas, aproximadamente 700 bilhões de reais.

    Uma montanha de dinheiro suficiente para estimular agências e anunciantes para que voltem suas atenções estratégicas para esse imenso País dentro do Brasil. 

    É aí que surgem alguns problemas.

Este país de consumidores populares dentro do Brasil tem regras próprias de comunicação, que se apóia em linguagem que leva em conta sua cultura, seus regionalismos, hábitos familiares, vivências em bairros, conduções, igrejas etc.

    São homens e mulheres, jovens e idosos, que interagem em redes vivas nos aglomerados urbanos. Que praticam coletivamente o amadurecimento e as decisões finais de compra. Que decidem, também coletivamente, a seqüência das prestações a serem pagas.

    E que são estrangeiros dentro do Brasil pois foram abandonados à própria sorte nos seus bairros distantes, nos cortiços e favelas por um capitalismo tupiniquim que apostou sempre nos nichos mais abastados.

São consumidores do povão que, até recentemente, não eram percebidos nas suas nuances (e ainda não o são) mas que esvaziam seus bolsos sem deixar rastros na poupança, todos os meses.

    Que chegam ao mercado cada vez mais bem informados mas que não conseguem, ainda, traduzir suas vontades aos ouvidos desatentos e destrinados de lojistas, de agências e até mesmo dos grandes conglomerados.

    Colocar estes consumidores na perspectiva de crescimento das companhias nos obriga a se especializar nestes homens e mulheres, jovens e velhos que querem gastar, mas que já impõem como condição de acesso aos seus bolsos. Ou seja, fazer uma paradinha obrigatória e ascultar seus corações e mentes. Pois se trata de gente que valoriza o acesso emocional e que decide a partir do reforço da auto-estima e das sinergias com suas crenças, cultura e vivências na família, na igreja, no bairro e nas conduções.

Marco Roza

Agência Consumidor Popular (www.consumidorpopular.com.br).


O principal legado para São Paulo serão trilhos, diz secretário
 
 O secretário de Economia e Planejamento, Francisco Vidal Luna, declarou, em sua palestra no Seminário da Copa 2014, realizado na Assembleia paulista entre 9 e 11 de fevereiro, que o governo paulista não fará nada que não se constitua, após a Copa, num legado para a população. Em seguida, mostrou os itens que estão assinalados como preparativos para 2014, entre eles: adequação do estádio do Morumbi; entorno do estádio; sistema de transporte; e serviços qualificados.
    Excluindo a adequação do estádio à Copa, que é responsabilidade do proprietário (no caso, o São Paulo Futebol Clube), entre as ações de responsabilidade do Estado, Vidal destacou o sistema de transporte, que apesar de não ter sido projetado com vistas à Copa, vai ser redimensionado para dar um acesso maior ao estádio por meio da construção de um monotrilho, batizado de Linha Ouro. Com custo estimado em R$ 3,175 bilhões, a linha sairá das estações São Judas e Jabaquara do Metrô e irá até o estádio do Morumbi, passando por duas outras estações no caminho.

O secretário explicou que considera o transporte o item mais crítico do projeto e que vai impactar mais na qualidade de vida dos moradores de São Paulo, porque depois da inauguração dessas obras, a poluição diminuirá e o congestionamento do trânsito também, além de diminuir o tempo gasto em deslocamentos pela população.

 

Sobre os itens segurança e acomodação, o secretário estima que a cidade de São Paulo já está bem preparada nesses setores, já que sedia eventos como a Fórmula 1. Ficará melhor ainda, mas que essa parte compete à atividade privada, observou.
    O secretário reforçou que a preocupação do governo é quanto ao legado de transporte público, e declarou que "mais do que o metrô, o transporte público vai se constituir de uma melhoria na CPTM, com a incorporação de 84 composições de trens, com 8 carros cada, e qualidade superior aos atuais trens do metrô".
    Quanto às obras viárias, estão previstas para ser entregues no curto prazo a marginal do Tietê e o trecho sul do Rodoanel, e as demais, como a finalização da avenida Roberto Marinho (Águas Espraiadas) e a ampliação da Jacu-Pêssego, tem previsão de entrega até 2012.


Fonte: Agência Assembleia de Notícias

www.al.sp.gov.br


Saúde da Família: maior cobertura do país está em Minas Gerais

População atendida pelas equipes de PSF em Minas Gerais passou de 54,89% em 2003 para 69,13% em dezembro de 2009

 

 

O percentual da população mineira atendida pelas equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) saltou de 54,89% em 2003 para 69,13% em dezembro de 2009. Isso significa que quase metade dos municípios mineiros tem 100% da cobertura do PSF. Mais de 420 cidades já recebem o repasse mensal de recursos do Estado para efetivar e melhorar a qualidade dos serviços de atenção básica e possibilitar que eles estejam mais próximos da população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

    A responsabilidade por essa melhoria pode ser creditada ao Programa Saúde em Casa. Por meio dele, Minas Gerais repassa um incentivo financeiro mensal às equipes de Saúde da Família e investe na construção e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Este é o maior projeto de infraestrutura de saúde pública do país.

    De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza, Minas é o único Estado brasileiro a destinar mais recursos, qualificando e fortalecendo as equipes de saúde da família.Minas investiu, até outubro de 2009, mais de R$ 555 milhões do Tesouro do Estado em infraestrutura, qualificação de pessoal, compra de equipamentos e material para melhorar a atuação das equipes do Programa Saúde da Família (PSF). Desse total, foram aplicados cerca de R$ 245 milhões na compra de equipamentos, material de consumo e custeio.

    Para facilitar o acesso dos médicos e enfermeiros à população, R$ 16,5 milhões foram destinados à compra de 926 carros para as equipes do PSF. Cada veículo atende até cinco equipes.

Entre 2005 e 2008, também foram investidos R$ 177,3 milhões para construção, reforma, ampliação e compra de equipamentos para 1.252 Unidades Básicas de Saúde (UBS). O restante dos recursos foram utilizados em outras ações, como capacitação de pessoal e compra de material de consumo.

 

Novos Investimentos – Para a terceira etapa, 2009-2010, mais 358 municípios serão beneficiados pelo Saúde em Casa. Desse modo, a  cobertura do programa será ampliada para 97,65% do território mineiro. Neste período, o programa de melhoria da infraestruta do Saúde em Casa receberá investimento de R$ 120 milhões. As novas unidades se destinam a abrigar 565 Equipes de Saúde da Família (ESF).

    Cerca de 80% das demandas de saúde podem ser tratados nas UBSs. Por  isso, é fundamental o investimento na saúde primária. A Unidade “Tipo 1” abriga uma equipe do Programa Saúde da Família em municípios que possuem de três a cinco equipes. A do “Tipo 2” é destinada a abrigar duas equipes em um mesmo imóvel, em cidades que possuem entre seis e dezesseis equipes. Por último, a UBS “Tipo 3” abriga três equipes em um mesmo imóvel e é destinada a municípios que possuem 17 ou mais equipes de Saúde da Família em funcionamento.

    As Unidades Tipo 2 e 3 são conhecidas como compartilhadas, pois constituem um modelo de Unidade Básica de Saúde destinada a acolher mais de uma equipe de Saúde da Família (duas ou três ESF) em um único imóvel.

    De acordo com o gerente-adjunto do Saúde em Casa, Fernando Schneider, as unidades compartilhadas são adequadas para áreas de grande concentração populacional. Nesses locais, os serviços de Atenção Primária à Saúde se beneficiam dos denominados “ganhos de escala”, ou seja, há possibilidade de prestar serviços de qualidade a menores custos, sem prejuízo do acesso da população.

    Além disso, como a unidade compartilhada tem o objetivo de atender um maior número de pessoas do que a UBS, ela dispõe de um espaço físico mais amplo. “Quando instalada em locais adequados, a UBS Compartilhada torna-se ponto de referência para a população”, explica Schneider.

    Até agora, foram construídas ou reformadas 1.200 Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Estado. Outras 600 unidades serão construídas em 2010. “Nenhum outro Estado brasileiro construiu tantos postos de saúde em oito anos”, garantiu o secretário Antônio Jorge.  

    Cada UBS custa, em média, R$ 180 mil aos cofres estaduais para a obra e compra de equipamentos. O Governo ainda disponibiliza a implantação do Plano Diretor de Atenção Primária aos municípios, que garante a organização dos processos de trabalho e permite a oferta dos serviços que a população precisa. A SES oferece, ainda,  educação continuada, por meio do Canal Minas Saúde, uma das maiores redes de televisão corporativa do país.

    Fernando Schneider explica que os investimentos do programa no PSF são também responsáveis pela redução de  15% no índice de internações sensíveis de 2002 a 2009, segundo o Sistema de Internação Hospital (SIH), queda de 15,4% da mortalidade em menores de um ano e de 17% em menores de cinco anos entre 2003 e 2008, segundo o Sistema de Informações sobre mortalidade (SIM) e o Sistema de Informações de Nascidos vivos  (Sinasc). O reforço para as equipes contribuiu para o sucesso das campanhas de vacinação, chegando a mais de 97% da população-alvo na vacinação da BCG, Febre Amarela, Hepatite B, na Tetravalente (DTP/Hib) e Tríplice Viral.

       

Metas alcançadas – Em Catas Altas, na região Central do Estado, os números atestam o sucesso do PSF. O município, com menos de 5 mil habitantes, tem duas equipes de saúde da família, cada uma assistindo aproximadamente 2,5 mil pessoas. Segundo a secretária municipal de Saúde e coordenadora do PSF, Cláudia Picardi Morais de Castro, quase todas as metas pactuadas foram alcançadas: redução da mortalidade infantil e materna, aumento de consultas e de exames, redução de internação por condições sensíveis, 100% de vacinação de crianças e idosos, dentre outras. “Agora queremos reduzir o tempo de espera para o atendimento de nossos pacientes, que é de 40 minutos em média”, explica Cláudia de Castro. O Saúde em Casa levou para Catas Altas, desde 2006, R$ 345 mil para construção de duas UBS, veículos e equipamentos.

    O trabalho em parceria com a Assistência Municipal em Catas Altas zerou também o índice de desnutrição, com o atendimento de 45 crianças e seus responsáveis. “Já cumprimos as metas do Milênio até 2013. Com o mapeamento das condições de cada família assistida, conseguimos que todas as casas no município tenham caixa d’água tampadas e filtros, o que ajudou a zerar os casos de dengue e de verminoses”, completou a secretária.

    Em Barão de Cocais, o secretário de Saúde Geovani Ferreira Guimarães também mostra os bons números da saúde. Com 28 mil habitantes, possui dez equipes de saúde da família e recebeu do programa, desde 2005, R$ 345 mil para a construção de duas UBS e compra de um veículo. Foi contemplada no edital de 2009 para a construção de mais uma UBS em 2010.

    A redução de internações por condições sensíveis à atenção entre 2007 e 2008 foi significativa, chegando a 9,3%, informa Geovani. As gestantes estão fazendo as sete consultas de pré-natal, os exames preventivos de câncer de útero e mama também ostentam bons números e as campanhas de vacinação de crianças e idosos atingem 100% de cobertura.


Adorável Mundo Novo

 

A crescente conectividade entre sistemas de informação, a Internet e outras infraestruturas criam oportunidade para agressores desestabilizar telecomunicações, redes elétricas, linhas de transmissão, refinarias, sistemas financeiro e bancário e outras estruturas críticas. Nos últimos anos, muitas dessas situações ocorreram em diversos países do mundo, e o Brasil é suspeito de também ter sido um dos alvos. Um ataque bem sucedido a um ator importante do sistema financeiro poderia impactar severamente a economia nacional e mundial, enquanto ataques cibernéticos contra computadores de infraestruturas físicas, como as que controlam sistemas de distribuição de energia e refinarias de óleo, têm o potencial de tornar inoperantes esses serviços por horas ou semanas.

    A dependência dessas infraestruturas vulneráveis foi ressaltada recentemente pelo Presidente Obama no lançamento da sua política de revisão para o ciberespaço: “A infraestrutura digital, de comunicações, global e interconectada, conhecida como ciberespaço, encontra-se hoje em quase todos os aspectos da sociedade moderna e provê suporte crítico para a economia americana, infraestrutura cível, segurança pública e nacional. Ameaças ao ciberespaço podem ser encaradas hoje como um dos mais sérios desafios econômicos e de segurança nacional do século 21”.

    Ao mesmo tempo em que as sociedades têm se tornado mais frágeis, as potenciais ameaças estão se expandindo, se diversificando e ficando mais difíceis de detectar. A capacidade para lançar ataques cibernéticos que podem corromper essas vulnerabilidades estratégicas está chegando ao limite, isto é, os avanços tecnológicos estão fortalecendo grupos e indivíduos para diretamente ameaçar a segurança nacional e a estabilidade global, quando colocam em risco infraestruturas críticas.

    As motivações para os ataques podem variar desde intenções estratégicas até políticas, financeiras, vingativas ou simplesmente a procura de aventuras. Em termos simples, a ameaça para a segurança nacional e a estabilidade global não está mais confinada a outras nações e seus exércitos, podendo ser incluídos nesse rol grupos ou indivíduos poderosos, como terroristas, insurgentes, organizações criminosas e gangues.

    William Crowell, ex-diretor assistente da Agência de Segurança Nacional dos EUA afirma que “Para evitar ou burlar completamente normas jurídicas internacionais sobre guerra, os países podem patrocinar, incentivar ou simplesmente tolerar ataques cibernéticos ou espionagem realizados por grupos privados contra seus inimigos”.

    O impacto de um ataque cibernético a infraestruturas críticas de um Estado pode desestabilizar vários sistemas cruciais para o devido funcionamento da sociedade como nós a conhecemos. É importante frisar que esse cenário não é fruto da imaginação popular, mas algo que já está acontecendo, inclusive dentro do nosso próprio país. Entretanto, ainda não estamos habilitados a tomar as devidas medidas repressivas e de contra-ataque. É necessária uma cooperação entre as esferas públicas e privadas para uma efetiva política de proteção contra essa novel modalidade criminosa. Nas palavras do Relatório de Criminologia Virtual de 2009, da empresa Mcafee: “O conflito cibernético internacional chegou ao ponto de não ser mais apenas uma teoria, mas uma ameaça significativa com a qual os países já estão lutando a portas fechadas”. 

Renato Leite Monteiro


Vacina da gripe será composta por vírus H1N1 pandêmico

A imunização deste ano será trivalente, contendo o vírus da gripe A pandêmica além de outros dois tipos circulantes no hemisfério sul

 

 

Está disponível nas marcas Delboni Auriemo e Lavoisier a vacina contra gripe de 2010, que será composta por cepas do vírus H1N1 pandêmico e outros dois tipos que circulam no hemisfério sul, um “A” e um “B”. Por essa composição, a vacina está adaptada a todas as faixas etárias, inclusive crianças menores de 5 anos e idosos, que são os grupos mais vulneráveis a complicações causadas pela gripe.

    A Organização Mundial de Saúde mantém o alerta de risco de pandemia para o H1N1 para o próximo inverno no hemisfério sul. Na epidemia de 2009, as pessoas mais afetadas tinham entre 15 e 40 anos. O ideal é que a vacina seja aplicada o quanto antes, o que confere proteção precoce. As unidades do Delboni Auriemo e Lavoisier, em São Paulo, oferecem a vacina contra o vírus influenza para todos a partir de seis meses de idade, durante todo o ano.

    Caracterizada por febre alta, fraqueza, cefaléia e dor no corpo, além de congestionamento do sistema respiratório, uma gripe simples pode evoluir para pneumonia. Para conscientizar a população da importância de prevenir a doença, as redes de saúde pública e privada se unem na campanha de vacinação contra a gripe.

    O governo promove desde 1999 uma campanha nacional de vacinação, que garante a imunização gratuita para maiores de 60 anos.

Neste ano, o Ministério da Saúde anunciou que imunizará contra a gripe A pandêmica trabalhadores da rede de saúde, população indígena, crianças, adultos de 20 a 29 anos e idosos, de acordo com o cronograma:

 

8/3 a 19/3 – população indígena e trabalhadores da rede de saúde

22/3 a 2/4 – crianças (seis meses a dois anos), doentes crônicos (diabéticos, doenças respiratórias, obesos)

5/4 a 23/4 – adultos de 20 a 29 anos

24/4 a 7/5 – idosos com mais de 60 anos, com doenças crônicas

 

Grávidas podem ser vacinadas em qualquer etapa, exceto a primeira.

De acordo com o sanitarista Dr. Ricardo Cunha, responsável pela área de vacinas da DASA, durante os surtos epidêmicos de inverno a gripe acomete até 15% da população podendo chegar a 30% nas grandes epidemias. “Várias medidas podem ser adotadas para se prevenir a gripe, porém a mais importante e eficaz é a vacinação”, explica o especialista.

    A vacinação apresenta até 90% de eficácia, tem efeitos protetores depois de dez e é indicada para todas as pessoas com idade superior a seis meses de idade. Ela deve ser aplicada anualmente, já que o vírus sofre mutações. Para gestantes, é recomendável a partir do terceiro mês da gravidez, sempre com orientação médica. As reações mais comuns, que atingem entre 10% e 20% dos vacinados, são dor e no local da aplicação. Os sintomas desaparecem espontaneamente entre 24 e 72 horas após receber a dose. A vacina não é indicada para pessoas com alergia comprovada à proteína do ovo, já que a produção é a partir de embriões de galinha.

    Segundo o Ministério da Saúde, estudos nacionais e internacionais comprovam que a vacina reduz mais de 50% das doenças relacionadas à gripe e, no mínimo, 32% das hospitalizações por pneumonias. A perspectiva do governo é que na campanha deste ano sejam imunizadas 81 milhões de pessoas: 62 milhões contra a gripe pandêmica, que ganhou o nome de suína ou A, e o restante contra gripe comum.

 

Dr. Ricardo Ferreira da Cunha



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