Os resultados do Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) para 2011, divulgados pela ONU, mostram
que o Brasil está parado no item mais importante para a sua
população: a qualidade de vida. Os números escancaram que os oito
anos do governo Lula foram perdidos na batalha contra a imensa
desigualdade de renda, o baixo nível de educação e o pífio desempenho
na saúde. A estagnação destes setores dá a exata medida de que a
somatória do que foi feito, nos últimos anos, não conseguiu
verdadeiramente criar condições para se viver melhor.
No
relatório do Desenvolvimento Humano, o Brasil aparece na 84ª posição,
entre 187 países avaliados, e subiu apenas uma colocação em relação
ao ano passado. Ficamos muito atrás do Chile, em 44º lugar, e da
Argentina, em 45º. Pior: com um índice de 0,715 (em uma escala que
vai de 0 a 1), estamos abaixo da média da América do Sul e do Caribe,
de 0,731. Também não conseguimos atingir os níveis que países como
Noruega, EUA e Japão possuíam 40 anos atrás.
A
divulgação do índice das Nações Unidas confirma que a educação é a
nossa maior vergonha. O número médio de anos de estudos do brasileiro
ficou estacionado em 7,2 anos, ou seja, menos que o período de ensino
fundamental completo. Estamos no mesmo nível do Zimbábue, país que
ocupou o último lugar em desenvolvimento humano no mundo, em 2010.
Neste item educação, entre os 187 países que compõem o ranking,
superamos apenas 74. No atual ritmo de evolução, o Brasil precisará
de 31 anos, uma geração inteira, para alcançar as condições
educacionais da Noruega, onde se estuda em média durante 12,6 anos.
E não é
só em tempo médio de estudos que tiramos nota vermelha. Em pesquisa,
de 2007, sobre qualidade de ensino, feita pela Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficamos muito mal. O
levantamento põe os alunos brasileiros entre os piores em
conhecimentos de matemática, ciências e capacidade de leitura, entre
57 países analisados.
Já em
relação à desigualdade de renda, outro quesito levado em conta no IDH,
o índice brasileiro caiu para 0,519, fazendo com que perdêssemos 13
posições. Ocupamos agora o 97ª lugar na classificação geral da ONU.
Só nove países são mais desiguais que o Brasil. É uma enorme
contradição, para quem ostenta ser a 8ª economia do mundo.
Na
saúde, a expectativa de vida subiu para 73,5 anos, mas bem abaixo dos
79,1 anos do Chile. Poderíamos ter avançado mais neste indicador,
caso não existissem ainda no país 24 milhões de domicílios sem acesso
à rede de esgoto.
Por
outro lado, as despesas com pessoal no Governo Federal aumentaram R$
52 bilhões acima da inflação, no segundo mandato de Lula. Pior é o
dinheiro perdido na corrupção. São R$ 82 bilhões por ano — ou 2,3% do
PIB, revela a revista Veja do mês passado. Estamos entre os países
mais corruptos. De acordo com a Transparência Internacional, na
comparação com outras 178 nações, o Brasil figura num deprimente 68º
lugar, no ranking do combate à corrupção. Se tivéssemos os mesmos
índices da Dinamarca, que encabeça a lista como o menos corrupto, a
renda per capita brasileira seria 70% maior.
Desse
modo, com tantos desvios e mau emprego do dinheiro público, o país
não poderia ter desempenho diferente no IDH, o que significa quase
uma década perdida na busca de melhor qualidade de vida para a
população brasileira.
Antonio Carlos Mendes Thame
O jogo dos ministros
Parece brincadeira, mas é a
realidade. Mais um ministro acusado de corrupção pode ser o
próximo a sair do governo Dilma. Desde junho de 2011, saíram
seis ministros, cinco deles por corrupção. Isto dá uma média
de um a cada mês. Vejamos em ordem cronológica: 1) Antônio
Palocci - Casa Civil; 2) Alfredo Nascimento - Transportes; 3)
Nelson Jobim - Defesa; 4) Wagner Rossi - Agricultura; 5) Pedro
Novais - Turismo; 6) Orlando Silva - Esportes. O único que não
saiu por corrupção foi Nelson Jobim, mas sim por discordar
publicamente do governo e revelar que na última eleição votou
em Serra e não na Dilma.
Bem,
enquanto faço esta crônica, está sendo acusado o Ministro do
Trabalho, Carlos Lupi e logo teremos o desfecho. Depois deste
não tenham dúvidas de que teremos outros. Uma análise
simplista indica alguns motivos básicos para essa situação,
como por exemplo, o excesso de ministros, de ONGs, de
gabinetes, de cargos em toda a máquina do governo, de
corrupção, de dinheiro (sem dinheiro não existe corrupção), de
impostos (sem impostos não teríamos tanto dinheiro para a
corrupção), de partidos políticos, de falta de vergonha, de
falta de caráter e assim por diante.
Enquanto isso, o Brasil vai seguindo sua caminhada rumo a Copa
do Mundo. Vamos com nossos doentes morrendo nas portas dos
hospitais, nos buracos das estradas, nas balas perdidas, etc.,
e vamos trocando ministros a cada mês, da mesma forma que
durante uma partida de futebol substituímos os jogadores,
sendo logicamente companheiros da mesma equipe. Se compararmos
o governo com uma seleção de futebol e os ministros e seus
partidos com os jogadores, podemos imaginar uma grande partida
de quatro anos de duração, durante a qual, o técnico vai
substituindo os jogadores e o jogo vai continuando.
O povo,
como uma grande torcida, vai comemorando os lances e
resultados sem se importar se está tomando chuva nos estádios
ou se terá transporte para voltar para casa. Enquanto assiste
ao jogo, se delicia com as bolsas que recebe na entrada do
estádio e assume que tudo é festa e tem que assistir à grande
partida. Existem os torcedores de um lado, de outro e aqueles
que sabem que o jogo é uma grande “marmelada” e que o
resultado é manipulado. Mesmo assim, os estádios ficam lotados
e todos comemoram felizes as novas contratações a peso de
ouro. Conversam sobre milhões que os astros recebem e na vida
real só conhecem as migalhas. Mas, apesar disto, é um povo
feliz, pois tem um jogo para assistir.
Célio Pezza
Vereadores apreciam 123 projetos no segundo semestre e 213 no
ano
Os vereadores de Diadema tiveram um
ano de 2011 com muito trabalho. Foram 45 sessões ordinárias e
sete extraordinárias. No período, eles discutiram 213 Projetos
de Lei, sendo 90 no primeiro semestre e 123 no segundo. Em
2010, foram realizadas 44 sessões ordinárias e 11
extraordinárias com a apreciação de 166 projetos.
Em
2011, do Executivo protocolou 114 propostas, das quais 46
foram apresentadas entre fevereiro e junho do ano passado e 69
entre agosto e dezembro, ou 47,9% a mais na comparação entre
os semestres. No mesmo período, o Legislativo teve apreciadas
99 proposituras, sendo 44 no primeiro semestre e 53 no
segundo. Ou seja, comparando um semestre com o outro, os
vereadores apresentaram 25% a mais de projetos.
O
destaque fica para a Mesa da Câmara, que entre agosto e
dezembro de 2011 apresentou 11 projetos, sete a mais que no
primeiro semestre, no total do ano, portanto, foram 15
propostas. Em seguida, vem o vereador Laércio Soares (PCdoB),
que propôs 12 projetos no ano, seis em cada semestre. Depois
vem o vereador Manoel Eduardo Marinho, o Maninho (PT) com 11
PLs, sete entre janeiro e junho e quatro no último semestre de
2011. O vereador João Merenda teve apreciadas nove
proposituras, sendo uma no primeiro semestre e oito no
segundo.
Já com
relação aos requerimentos e indicações, foram apresentados no
período 1536 documentos. Deste total, 1318 foram lidos nas
sessões do segundo semestre. E o vereador Maninho (PT) foi o
líder com 63 requerimentos e 168 indicações, 231 no total do
período. Em seguida, aparecem os vereadores Cida Ferreira
(PMDB) com 52 requerimentos e 110 indicações (162 no total) e
Célio Boi (PSB), com 15 requerimentos e 134 indicações, 149 no
total.
Em
2011, os vereadores trabalharam também em 23 sessões solenes,
seis no primeiro semestre e 17 no segundo.
Neste
período também, a Mesa da Câmara, que administra a Casa,
devolveu à Prefeitura de Diadema, na última sexta-feira de
2011, cerca de R$ 3 milhões fruto do saldo financeiro do ano.
Deste total, R$ 2,5 milhões referem-se ao que o Executivo já
havia deixado de repassar à Câmara no início do ano. Os R$ 447
mil restantes são referentes aos ajustes administrativos
realizados pela Mesa, que proporcionaram esta economia, de
acordo com o presidente da Câmara, Laércio Soares (PCdoB).
A Mesa
é composta ainda pelo 1º vice-presidente, Célio Lucas de
Almeida, o Célio Boi (PSB), Talabi Ubirajara Cerqueira Fahel
(PR), 2º vice-presidente, Marion Magali de Oliveira (PPL), 1ª
Secretária, Márcio Paschoal Giudicio, o Márcio da Farmácia
(PV), 2º Secretário e Wagner Feitoza, o Vaguinho (PSB), 3º
Secretário.
“Foi um
ano de trabalho positivo, com muita participação dos
vereadores em defesa do coletivo, do bem público”, explicou o
presidente da Casa, Laércio Soares (PCdoB). Os principais
projetos apresentados na Câmara em benefício da população
foram aprovados aqui”, completou. O vereador Márcio Paschoal
Giudicio, o Márcio da Farmácia (PV), que é o segundo
secretário da Mesa, concordou. Para ele, vários projetos
aprovados tiveram boa repercussão junto à população. “Foi o
caso da proposta de proibir os chamados ‘pancadões’ na cidade,
que após várias discussões e intervenção da Câmara a proposta
foi retirada”, ressaltou.
Alckmin veta projeto que proibiria
exposição de cigarros
Foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o veto
total ao projeto de lei 128/2011, de autoria do deputado
Donisete Braga (PT), que propunha a proibição da exposição de
cigarros nos seus pontos de venda no estado.
No fim de novembro, o projeto havia
sido aprovado pela Assembleia Legislativa, seguindo para a
apreciação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que o
vetou na última segunda-feira, fazendo prevalecer a Lei
Federal 9.294/1996 que regula, dentre outros temas, a
propaganda comercial e a exposição de produtos fumígenos.
Na
justificativa do veto, o governador afirmou que o projeto de
lei seria inconstitucional pois trata de tema de competência
privativa da União, o qual já foi regulado pela Lei Federal
9.294/1996. Esta lei foi recentemente alterada pela Lei
Federal 12.546/2011, que modificou seu artigo 3º, proibindo
toda forma de propaganda comercial destes produtos, mas
permitindo a sua exposição nos pontos de venda, desde que
acompanhada de advertências sobre os malefícios do fumo e da
respectiva tabela de preços.
Nas
cidades de São José dos Campos (SP) e Cornélio Procópio (PR),
projetos semelhantes foram aprovados e tornaram-se leis.
Contudo, em ambos os casos, as leis estão suspensas por
liminares judiciais cujos fundamentos se assemelham aos do
veto do governador paulista. No estado do Piauí, um projeto de
lei que também visa à proibição da exposição de cigarros nos
pontos de venda foi aprovado pela Assembléia Legislativa no
fim de dezembro e deve seguir para a sanção ou veto do
governador Wilson Martins (PSB) nos próximos dias.
Dilma sanciona lei para trabalho à distância
Categoria da Tecnologia da Informação será uma das mais
afetadas
A partir de agora, todos os
trabalhadores que executam suas atividades fora do local de
trabalho, seja em casa ou à distância, passam a ter os mesmos
direitos daqueles que exercem suas funções dentro das
empresas, como hora extra, adicional noturno e assistência em
caso de acidente de trabalho.
A Lei
12.551, sancionada em dezembro de 2011 pela presidente Dilma
Rousseff, alterou o artigo sexto da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) para equiparar os efeitos jurídicos do trabalho
exercido por meios telemáticos e informatizados ao exercido
por meios pessoais e diretos, ou seja, nas empresas.
A
categoria da Tecnologia da Informação será uma das mais
afetadas pela mudança na lei, uma vez que muitos profissionais
da área praticam o trabalho à distância. Para o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores de TI (Sindpd), Antonio Neto, a
regulamentação é favorável aos trabalhadores e também aos
empresários.
“Participamos de muitos debates, tanto na esfera estadual como
na federal, para enfatizar a importância da preservação dos
direitos dos profissionais que atuam fora das empresas. Com a
vigência da lei, o trabalhador tem assegurado os direitos do
registro em carteira e não pode mais ser tratado como Pessoa
Jurídica, o chamado PJ”, avalia Neto.
O
controle das horas trabalhadas e a supervisão das tarefas
desempenhadas podem ser feitas por meios eletrônicos. As
companhias são as mais interessadas em definir as regras para
evitar o ônus de processos trabalhistas. “O controle da
jornada dos profissionais online não será difícil, pois o
horário pode ser medido a partir do momento em que eles se
logam à rede ou aos sistemas corporativos utilizados para
realizar suas tarefas”, explica Neto.
No caso
dos que trabalham offline, a maior dificuldade será
contabilizar o tempo gasto para o desenvolvimento de projetos.
“A negociação da convenção coletiva da categoria de TI começa
agora em janeiro e esse assunto com certeza vai ser
discutido”, completa Neto.
Contradições da sexta economia mundial
O presente de Natal recebido pela
presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, como mesmo ela disse, ao
País alcançar a sexta colocação no ranking da economia
mundial, não representa melhor qualidade da vida para os
brasileiros. A empregabilidade melhorou, mas a distribuição de
renda ainda é um dos principais entraves que precisará ser
melhor dimensionado.
Quando
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala que demoraremos em
torno de 10 a 20 anos para termos a mesma qualidade de vida
dos europeus, muitos criticam. Só que não está longe de ser
verdade, pois mesmo com os problemas econômicos que assolam os
países da Zona do Euro, a questão dos benefícios sociais são
de longe melhores que o nosso e a distribuição de renda por
habitante, muito superior.
Com a
estabilidade econômica brasileira, é possível diminuir
rapidamente esse espaço de tempo para melhorar a qualidade de
vida com melhor distribuição de renda. Não basta efetuar a
distribuição do Bolsa Família ou beneficiar poucos brasileiros
com o programa Nossa Casa Nossa Vida. É preciso capacitá-los
para que consigam uma renda superior e possam pensar no futuro
em consumir de maneira responsável e poupar.
O IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nos mostra
uma melhoria da empregabilidade com uma ocupação de vagas
nunca vista, mas a falta de cultura e uma educação ineficiente
também apresentam a baixa renda do brasileiro – 63% recebem
até dois salários mínimos, colocando-os em condição de
sobrevivência em um país de tantas desigualdades sociais.
Para
reduzir o tempo e melhorar a qualidade da vida, precisa haver,
em primeiro plano, redução da corrupção dos políticos e
punição severa; melhoria da malha de transporte, das condições
habitacionais e da saúde. É fundamental acabar com a ilusão e
partir para a realidade. Somente assim o Brasil deixará de ser
o país das desigualdades.
Reginaldo Gonçalves
Um chamado à reflexão
O Brasil está na contramão. Enquanto
os países desenvolvidos debatem acaloradamente de que forma realizar
os ajustes fiscais imprescindíveis para a retomada do crescimento
econômico, por aqui reina, ainda, um clima de baile da ilha fiscal. À
moda da última festa do império, só ouvimos falar de aumento de
gastos públicos. E o mais preocupante: não há voz em defesa da
realização das tão importantes reformas estruturantes (tributária,
trabalhista, previdenciária e política), sem as quais o País
compromete o seu futuro.
Ainda
que persista, em alguns setores da sociedade brasileira, a ilusão de
que o Brasil possa passar incólume pela turbulência econômica
internacional, a realidade é um pouco mais complexa. A estagnação do
PIB brasileiro no terceiro trimestre é um sinal de alerta. O índice
de 0% foi o pior resultado entre os BRICS. No mesmo período, em
valores anualizados, a China teve alta de 9,1%; Índia ficou com 6,9%;
Rússia com 4,8%; e África do Sul marcou 3,1%.
Nos
países desenvolvidos, principalmente na Europa (zona do euro) e nos
Estados Unidos, vemos um panorama de recessão bastante aprofundada. A
realidade aponta para vendas diminuídas – e não só no setor
imobiliário –, consumidores retraídos e investidores com receio de
alocar seus recursos. Trata-se de um cenário extremamente pernicioso
para a economia. Especificamente no setor imobiliário, que vem
sofrendo bastante desde a crise de 2008, praticamente não ocorrem
lançamentos, somente compras por necessidade.
Para
reorganizar as finanças de seus países e colocar novamente a economia
no rumo certo, os governos europeus e o norte-americano vêm adotando
medidas bastante duras. Portugal ilustra à perfeição a situação
atual. Para reduzir os déficits do setor público, o governo português
diminuiu benefícios, aboliu quatro feriados nacionais, chegou a
reduzir a iluminação pública e suprimiu municípios com o objetivo de
enxugar a máquina estatal. A busca por economia de recursos, mesmo de
alguns euros, está sendo perseguida incessantemente. Estão previstas
também reformas em diversos países, como Itália e Espanha, para mexer
em um verdadeiro vespeiro: benefícios sociais, principalmente em
aposentadorias.
Mesmo
outros países e blocos econômicos também já começam a sentir os
efeitos dessa crise. Por décadas a locomotiva mundial, a China
acostumou-se a crescer 10%, 12% ao ano. Isso está diminuindo. Ainda
que continue fabuloso, o PIB chinês deve reduzir o ritmo de
crescimento, para “apenas” cerca de 8,5% em 2012, em virtude de
preocupações com a inflação e da redução das exportações. O cenário
econômico global todo passa por mudanças.
Enquanto o mundo economiza centavos, o Brasil só discute aumento de
gastos, com trens da alegria, criação de novos estados, aumento de
benefícios, redução da jornada de trabalho. Estamos perdendo uma
oportunidade única. O Brasil ainda vive um clima otimista, com boa
situação de mercado e a economia fluindo bem. As pessoas estão
consumindo e as empresas, vendendo. Trata-se de uma janela de
oportunidade para o País realizar as reformas e os investimentos em
infraestrutura essenciais para modernizar a economia do Brasil e
tornar nosso País realmente competitivo no cenário internacional.
Precisamos obter maior eficiência da máquina estatal,
cortar gastos de custeio, reduzir a burocracia, garantir segurança
jurídica, combater a corrupção e o desperdício e desonerar a
atividade produtiva, entre diversas outras ações.
O
momento é de preocupação com a continuidade do ritmo de
desenvolvimento, para torná-lo sustentável e perene. Para isso, é
preciso avançar, modernizar o Estado, tornar atrativo o investimento
privado nacional e estrangeiro. Não podemos perder a chance de fazer
essas reformas em um momento favorável. Afinal, qual é o país que
queremos legar para as gerações posteriores?
Basilio Jafet
Qual o melhor governo?
Essa célebre discussão levantada,
entre outros, por Platão, Aristóteles, Hobbes, Rosseau e Hegel, e que
dá título ao presente artigo, mostra-se essencial no atual cenário
político, jurídico e econômico brasileiro, quando, por questões
político-partidárias, o governo desferiu dois violentos golpes contra
nossa Constituição Federal, contra o princípio da legalidade e contra
a estabilidade jurídica e econômica nacional.
O novo
modelo energético proposto pelo governo federal, por medida
provisória, além de esvaziar a autonomia e as funções da Aneel e
abalar diretamente a própria razão de existência das agências,
demonstrou verdadeiro desrespeito ao Congresso, que detém o monopólio
da atividade legislativa, de maneira a assegurar o primado da lei
como fonte máxima do direito, pois o texto constitucional
expressamente veda a edição de medidas provisórias para regvulamentar
esse assunto (artigo 246, já com precedente no Supremo Tribunal
Federal, Adin 2.005/DF).
Ora,
ignorou-se expresso mandamento constitucional, em flagrante
desrespeito ao Estado de Direito, com a pretensão de submeter a
sociedade à vontade unipessoal do presidente, em detrimento da lei,
dando-nos saudades da advertência de Platão, para quem onde a lei
está submetida aos governantes e privada de autoridade, será pronta a
ruína da cidade.
Deveria
o governo federal, com bom senso e sem paixões, demonstrando apreço à
Constituição Federal e respeito à legalidade, não reeditar a medida
provisória, permitindo ao congresso a discussão plena da matéria e,
se necessário, a edição de nova lei, pois, como lembrado por
Aristóteles, ao defender a necessidade de supremacia do governo de
leis sobre a verdade subjetiva dos homens, “a paixão perverte os
Magistrados e os melhores homens: a inteligência sem paixão – eis a
lei”.
Essa
nova reflexão permitiria perceber que, não somente no Brasil, mas
também na França, Espanha, entre outros países, a insatisfação com a
ineficiência do Estado, sobrecarregado na execução de obras e
serviços públicos, e a errônea e abusiva utilização
político-eleitoral de áreas sensíveis ao interesse nacional
acarretaram uma reforma de mentalidade administrativa, no modelo
anglo-saxão (1834) e americano (1887), com a ocorrência de diversas
privatizações e descentralizações, exigindo um novo papel do poder
público, que passou a concentrar-se na elaboração de metas e na
política regulatória e fiscalizatória dos diversos setores da
economia.
Também
mereceria maior reflexão pelo governo federal o modo como foi
alterada a direção da Anatel, pois não nos esqueçamos que essa
agência reguladora tem expressa previsão de “órgão regulador” no
texto constitucional e a garantia de sua autonomia é consagrada pela
presença obrigatória em sua lei de crição das independências
financeira e administrativa.
Se a
independência financeira deve ser assegurada pela disponibilidade de
recursos humaos e infra-estrutura material adequadas, além de
previsão de dotações consignadas no orçamento geral da União, a
independência administrativa se consagra no método de nomeação e
destituição de seus dirigentes. Em relação ao modo de nomeação de
seus dirigentes, deve ser previsto mandato certo – que não deve
coincidir com a duração do mandato presidencial, para se evitar
influências político-partidárias na condução dessas importantes
instituições reguladoras – e a impossibilidade de demissão
discricionária pelo presidente.
Essa
quebra da legalidade e da segurança jurídica, com o conseqüente
retorno à abusiva centralização administrativa, nos lembra a lição de
Tocqueville, ao afirmar que a centralização administrativa só serve
para debilitar os povos a que ela se submetem, porque tende sem
cessar a diminuir entre eles o espírito de cidadania.
Todas
essa medidas deveriam, pelo bem de nosso Estado de Direito, ser
revistas pelo governo federal, pois além de patente
inconstitucionalidade e ilegalidade acabam por gerar desconfiança
nacional e internacional dos investidores, nos serviços de
infra-estrutura do País, e , conseqüentemente, podem contribuir para
uma maior diminuição da geração de empregos e renda, tão necessários
no atual patamar da economia nacional.
A lição
de Cícero é antiga, porém a mensagem permanece atualíssima, sem
respeito à Constituição e proteção à segurança jurídica não há
República e sem essa não há respeito aos direitos dos cidadãos.
Alexandre de Moraes
Jornal da Tarde
O Capitalismo do Povo (11/08/85)
“A coisa mais importante para os
governos não é fazer as coisas que os indivíduos já estão fazendo, ou
fazê-las um pouco melhor ou pior; e sim fazer aquelas que no presente
ninguém possa fazer” (Lord Keynes).
Para o
começo de conversa precisamos de uma revolução semântica. A expressão
“setor privado” inspira uma conotação de egoísmo e apropriação. A
expressão “setor público” transmite a idéia de generosidade. Isso é
injusto e inadequado. Mais correto seria, como sugere o economista
paulista Rafael Vechiatti, chamarmos o setor público de “setor
coercitivo”, e o privado de “setor voluntário”.
Sempre
que se fala em desestatização, surge logo a indagação: de onde virão
os recursos para o setor voluntário comprar as empresas do setor
coercitivo? Uma resposta complexa é explicar que: 1) o governo não
gera recursos e sim administra os recursos hauridos do setor
voluntário por tributação ou tarifas; 2) que a poupança do governo é
hoje negativa e que seu déficit é coberto mediante sucção da poupança
privada; 3) que, na medida em que o Governo corte suas despesas,
liberando a poupança privada, esta poderia comprar as empresas do
“setor coercitivo”. Estas, aliás, não nasceram do nada e sim de
tributos pagos pelo “setor voluntário”. A velocidade de geração de
recursos para a privatização dependeria assim apenas da velocidade da
redução do déficit público e da liberação das poupanças do setor
voluntário.
Num
sentido fundamental, entretanto, o problema é simples e não exige
qualquer despesa. Basta uma revolução conceitual, que pode ser feita
por definição legal. O importante, num primeiro estágio, é separarmos
o conceito de propriedade, do direito de gestão, diferenciado-se
“ações de propriedade” de “ações de gestão”. O Governo é gestor das
despesas públicas. Mas não precisa ser seu proprietário. As empresas
públicas devem ser do público.
É esse
o objetivo do projeto de lei número 139 que apresentei ao Senado
Federal, em junho de 1983, e que há dois anos ali dorme o sono dos
justos, pois as idéias simples são em princípio escandalosas. Nesse
projeto se prevê que o governo devolva aos cidadãos a propriedade das
poupanças deles arrecadadas, mediante a transferência gratuita de
ações integralizadas – boas ou más – que sejam de propriedade da
União, suas autarquias e entidade públicas, a um grande fundo de
repartição de capital. Todos nós, contribuintes do INPS ou IPASE ou
Funrural receberíamos gratuitamente frações ideais desse fundo. Os
dividendos eventualmente resultantes seriam creditados aos cotistas,
vale dizer, ao universo dos contribuintes, cujos impostos financiaram
originalmente a criação dos elefantes estatais. As ações ficariam em
custodia num organismo central, que poderia ser a Caixa Econômica
Federal, ou qualquer outro órgão suficientemente computadorizado, que
manteria escrituração da carteira de ações dos beneficiários.
Enquanto mantidas em custódia, essas ações seriam de propriedade,
porém não de gestão. O poder de voto e de gestão continuaria, como no
presente, nas mãos dos administradores governamentais, até que essas
ações doadas se transformassem em ações vendidas ou negociadas,
através dos mecanismos normais de Bolsas de Valores ou de licitação
de ações. O projeto de lei acima citado prevê que a alienação das
ações ou a retirada da custodia se faça gradualmente (à razão de 5%
ao ano), a fim de na se congestionar o mercado de valores.
Se a
privatização da propriedade pode ser resolvida, resta o problema da
privatização da gestão, indispensável para aumento da produtividade
global do sistema. Esta continuaria a ser buscada através dos
programas correntes de desestatização, por venda em bolsa ou
licitação. O importante seria abandonarmos a idéia – usada pelos
estatizantes para sabotar a desestatização – de que o Governo tem que
reaver integralmente o capital investido. Em muitos casos, os
investimentos foram superdimensionados, com custos financeiros
tornados proibitivos pela lerda execução, de sorte que seria
irrealista esperar vendê-las senão pela rentabilidade real ou
esperada do patrimônio, aferida segundo as regras do mercado.
O
programa de “repartição do capital” inauguraria imediatamente o
capitalismo do povo. O programa de “desestatização” aumentaria
gradualmente a eficiência de gestão, além de trazer receitas, que o
Governo utilizaria para sanar aflitivas carências básicas –
analfabetismo, endemias e epidemias, desnutrição e insuficiência dos
serviços básicos de infra-estrutura. Não faz sentido o governo ter
postos de gasolina quando não tem postos de saúde, ou competir na
fabricação de computadores quando não tem dinheiro para cuidar da
malária...
Se há
hoje uma constatação universal é a da falência do Estado-empresário.
Até mesmo os regimes socialistas estão sentindo a rigidez e o
desperdício dos sistemas centralistas. No universo das estatais
brasileiras, o julgamento da eficiência é dificultado porque,
contrariamente ao previsto no Art. 170, Parágrafo 20 da Constituição
Federal, elas desfrutam de privilégios de mercado ou vantagens
fiscais inacessíveis às empresas privadas. A Petrobrás, por exemplo,
é lucrativa, mas desfruta de um monopólio que impede a aferição de
eficiência. O Banco do Brasil é lucrativo, mas recebe recursos
trilionários da Conta de Movimento do Tesouro a juros simbólicos, e
coleta depósitos compulsórios de entidades públicas, sem ter que
pagar os altos custos de captação. A Vale do Rio Doce e Usiminas, que
operam superavitariamente e sem subsídio, em mercados competitivos,
figuram talvez entre as únicas empresas sobre cuja eficiência não
pairam dúvidas. Os grupos Telebrás e Eletrobrás não podem ser
julgados porque operam em condições monopolísticas, caso em que o
lucro pode resultar de manipulação tarifária e não eficiência
competitiva.
O
importante é acentuar que o Ministro Dornelles e Roberto Gusmão, que
pregam a privatização por sentirem na carne os abusos dos elefantes
enlouquecidos do setor coercitivo, não precisam se preocupar
inicialmente com a carência de recursos para a privatização. Podemos
privatizar imediatamente a propriedade por transferência gratuita, e,
mais gradualmente, o voto e a gestão, pela venda convencional das
ações à medida que o mercado as absorva. Mas mesmo o primeiro passo
tem conseqüências psicológicas importantes. Sentido-se proprietário,
ainda que em frações minúsculas, das empresas públicas, os
contribuintes se interessariam em fiscalizá-las, na esperança de
algum dividendo, e para isso se organizariam em associações civis, a
fim de se manifestarem nas assembléias gerais. Os gestores,
sentindo-se também co-proprietários, ainda que microscópios, talvez
deixassem de considerar os dinheiros públicos um bem de ninguém. E o
lucro da empresa passaria a ser considerado o que realmente é, um
prêmio do desempenho e não uma secreção de cupidez capitalista. É uma
perfeita imbecilidade dizer-se que não se pode privatizar as estatais
porque elas são “patrimônio do povo”. Precisamente por isso é que
devem ser privatizadas, na forma indicada no projeto de lei número
139. Para que sejam do povo. Hoje são dos tecnocratas, que às vezes
delas abusam, ou dos políticos, que as desfiguram. O povo não tem
vez....
Roberto de Oliveira Campos
Fonte: Ricardo Bergamini
Os desafios legislativos do Congresso em 2012
Novo Código Florestal, Lei Geral da
Copa, royalties do pré-sal, criminalização da homofobia e revisão do
papel do CNJ estão entre os principais itens à espera dos
parlamentares este ano
Protestos de ambientalistas contra
novo Código Florestal prosseguem em 2012, com o retorno do projeto à
Câmara. Foto: Agência Brasil
O
Congresso vai começar 2012 com sua agenda recheada de projetos que
causaram polêmicas no ano que passou. Na Câmara, temas como a Lei
Geral da Copa, a divisão dos lucros do petróleo na camada pré-sal e o
novo Código Florestal devem dominar as discussões no primeiro
semestre. Já no Senado, a proposta que criminaliza a homofobia e a
que estabelece limites para o funcionamento do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) estão na pauta.
A
votação desses temas – a maioria de interesse do Executivo – vai
depender de muita discussão entre base aliada e oposição. Não apenas
pelas diferenças entre as bancadas, mas também pelo fato de 2012 ser
ano eleitoral. Uma parte dos deputados e até senadores devem se
ausentar dos mandatos para disputar as eleições municipais. “Vai ser
preciso diálogo para estabelecer uma pauta que permita o Congresso
funcionar”, afirmou o primeiro vice-líder do PSDB na Câmara, Otávio
Leite (RJ).
Ouvidos
pelo Congresso em Foco, parlamentares apontaram os principais temas
em discussão em 2012. Para o vice-líder do governo na Câmara José
Guimarães (PT-CE), os deputados vão se debruçar sobre quatro temas: a
conclusão do novo Código Florestal, o projeto da Lei Geral da Copa,
os royalties do pré-sal e a reforma política. “Acho que esses quatro
temas vão compor a agenda política de 2012″, disse.
Após
muitas discussões na Câmara, o Código Florestal foi aprovado em 24 de
maio com ampla maioria. O polêmico texto elaborado pelo deputado Aldo
Rebelo (PCdoB-SP), hoje ministro do Esporte, teve grande apoio da
bancada ruralista e críticas de ambientalistas. Enviado ao Senado,
teve sua votação concluída em 6 de dezembro. O substitutivo aprovado
é de autoria dos senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Viana
(PT-AC).
“Eu
defendo que a nossa posição na Câmara seja a mesma adotada pelo
relator Jorge Viana. Se fizermos isso, estaremos dando um passo
importante”, disse Guimarães. Para ele, eventuais mudanças devem ser
discutidas com os senadores, na tentativa de evitar novos impasses na
discussão da matéria. O petista apontou que, com a proximidade da Rio
+ 20, a conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento
sustentável, o país deve apresentar “uma nova legislação para o
mundo”.
Pré-sal
Em 19
de outubro, os senadores aprovaram projeto relatado pelo senador
Vital do Rêgo (PMDB-PB) estabelecendo uma nova divisão para os lucros
do petróleo. Parlamentares dos estados produtores – Espírito Santo,
Rio de Janeiro e São Paulo – protestaram contra a aprovação. Na visão
deles, o texto prejudica as três unidades da federação. Recursos são
tirados para beneficiar os outros estados brasileiros.
“O
único caminho é a União abrir mão de parte dos seus recursos e
distribuir as receitas para os não produtores”, defendeu Otávio
Leite. Para o deputado fluminense, o texto aprovado pelo Senado
possui “dados questionáveis” sobre o montante que será arrecadado com
a exploração do petróleo na camada pré-sal. Ele acredita que será
necessário encontrar uma solução que agrade a todos os estados porque
haverá muita pressão do governo para a aprovação do texto.
“Eu
defendo a posição que o Brasil não é só Rio de Janeiro, nem o
Espírito Santo nem São Paulo”, disse Guimarães. O vice-líder do
governo apoia a manutenção do projeto original enviado pelo
ex-presidente Lula ao Congresso em 2009. A proposta de Lula,
sancionada em 2010, mantém as regras de distribuição de royalties
para as áreas já licitadas e estabelece nova fórmula apenas para as
reservas que ainda serão leiloadas.
A
alíquota dos royalties seria elevada de 10% para 15%; e a União
reduziria sua parcela para garantir mais recursos aos estados e
municípios não produtores. A alíquota dos estados produtores cairia
dos atuais 26,25% para 25%. Porém, uma emenda de autoria do
ex-deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) reuniu as receitas de royalties
e participações especiais pagas na exploração de petróleo em áreas já
licitadas e a leiloar num único bolo e estabeleceu que a União
ficaria com uma fatia. A proposta, aprovada pelo Congresso, foi
vetada por Lula.
Copa do Mundo
Quando
o Brasil foi escolhido em 2007 para receber o maior evento do futebol
mundial, teve que se comprometer a cumprir uma série de exigências.
Entre elas, está a criação da Lei Geral da Copa, que trata desde a
forma como estrangeiros vão entrar no país até a cessão de direitos
de imagem das copas das Confederações, em 2013, e do Mundo, em 2014.
A
proposta tramita em comissão especial na Câmara. O relator do
projeto, Vicente Cândido (PT-SP), tinha o plano de colocar a matéria
em votação no início de dezembro. Porém, alguns pontos estão longe de
consenso. A análise do colegiado ficou para este ano. Entre os
trechos que causam maior comoção entre os deputados, estão a
meia-entrada para idosos e jovens estudantes, a liberação de bebidas
nos estádios e a retirada de responsabilidades da Federação
Internacional de Futebol (Fifa).
“Não me
preocupo com matéria polêmica. No dissenso é que construímos o
consenso”, disse o vice-líder do governo. Já o vice-líder do PSDB
acredita que um acordo entre os diferentes interesses será difícil de
ser alcançado. “Essa matéria não vai chegar a um acordo, vai à
votação”, adiantou. O tucano diz que a possibilidade de a Fifa ser
ressarcida por eventuais problemas ocorridos no mundial precisa ficar
de fora do texto.
Com um
deficit estimado em R$ 42 bilhões neste ano, a Previdência Social dos
servidores públicos deverá voltar à pauta do Congresso Nacional no
primeiro semestre de 2012. A mais recente tentativa de votação do
projeto de lei (PLC 1992/2007), enviado pelo Executivo em 2007 com a
finalidade de regulamentar o tema fracassou na Câmara em 14 de
dezembro de 2011, por falta de acordo.
Senado
Entre
os senadores, os temas considerados mais sensíveis são a Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 97/11, que disciplina os poderes do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e o novo projeto de lei que trata
da homofobia (PLC 122/06). A Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania (CCJ) concentrará alguns dos principais debates do primeiro
semestre de 2012, inclusive a PEC do CNJ. O texto, de autoria do
senador Demóstenes Torres (DEM-GO), torna mais clara a competência do
CNJ para processar e punir juízes.
A
proposta ganhou destaque no final de 2011 depois que o ministro Marco
Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar
restringindo os poderes do conselho. Com essa decisão, os
conselheiros não podem mais iniciar investigações — são autorizados a
atuar apenas em processos que estejam paralisados, abertos pelas
corregedorias dos tribunais. O STF ainda vai julgar o mérito.
Como diz o ditado popular, o futuro
a Deus pertence, mas, no caso do Brasil, Ele já nos entregou o
amanhã. Somos o país do presente, aquele que atrai a atenção e o
interesse de todo o mundo. Já podemos observar isso com a grande
entrada de estrangeiros que vêm para trabalhar e com o aumento de
empresas multinacionais que investem aqui e abrem as suas filiais.
Tudo
isso é um reflexo do momento econômico pelo qual estamos passando,
depois de sairmos na frente na superação da crise de 2008/2009. Ainda
hoje, como sabemos, a Europa e os Estados Unidos estão enfrentando
problemas sérios – para não dizer críticos – por conta de suas
desventuras fiscais. Lá, as medidas anticíclicas não tiveram sucesso
eainda agravaram as dívidas soberanas.
Na
última semana de 2011, tivemos uma grande notícia econômica – a
melhor em muitos anos. O Brasil ultrapassou o Reino Unido,
tornando-se a sexta economia mundial. E, neste mesmo ritmo, o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que seremos a quinta
economia até 2015. Por conta disso, temos um grande trabalho pela
frente: manter o crescimento e, de preferência, sustentável.
Para
conseguirmos tudo isso, temos de nos preparar – e em todos os
setores. Inicialmente, precisamos nos conscientizar de que, com todo
essa expansão econômica, precisaremos de profissionais mais
qualificados e preparados. Não há outra saída. E, nesta área, há um
tripé de grande importância: família, escola (do ensino primário ao
superior) e governo. Um exemplo atual da falta de mão de obra
qualificada é com a chegada da Copa do Mundo, em 2014. Estamos
importando profissionais para suprir as nossas necessidades.
Mesmo
com a melhora da empregabilidade, a distribuição de renda ainda é um
fator complicador do País. A qualidade de vida de muitos brasileiros
ainda é precária. Não adianta apenas fazer açõessociais. Não adianta
dar apenas o peixe; temos de ensinar a pescar. E isso está ligado,
totalmente, à educação.
As
empresas também precisam entender o momento que estamos vivendo para,
assim, conseguir se adaptar e atuar, de maneira eficiente, nesse novo
mercado. Procurar ajuda de profissionais externos, como consultorias
com foco em gestão de processos e governança corporativa, dentre
outras, é de grande valia. Outro ponto do qual não se pode esquecer –
e, como sempre, envolve educação – é a permanente capacitação dos
profissionais.
Não
podemos ficar parados. Este ano, 2012, promete trazer grandes
resultados econômicos para o Brasil, mas, paracontinuarmos sendo o
país do presente, precisamos solucionar as questões pendentes e nos
adaptar de modo definitivo aos desafios da competitividade do mercado
mundial.
Geuma Campos do Nascimento
Governador sanciona programa que vai custear ligação de esgoto de 192
mil famílias
Geraldo Alckmin assina a lei que cria o Programa Se Liga na Rede;
iniciativa pagará a obra dentro de imóveis de baixa renda no Estado
O governador do Estado de São Paulo,
Geraldo Alckmin, assinou nesta segunda-feira (2/1) a lei que cria o
Programa Se Liga na Rede. A iniciativa do Governo do Estado de São
Paulo vai custear as obras dentro dos imóveis para que famílias de
baixa renda se conectem à rede de esgoto.
Serão
192 mil novas conexões, com resultados diretos para cerca de 800 mil
pessoas. Além disso, os moradores de todas as regiões do Estado serão
beneficiados com a iniciativa, que vai colaborar para a despoluição
de córregos, rios e praias. O programa terá 80% dos recursos
custeados pelo Governo do Estado e os 20% restantes pela Sabesp
(Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Serão
investidos R$ 349,5 milhões ao longo de oito anos.
O
objetivo do programa é incentivar as famílias de baixa renda a
ligarem seus imóveis à rede de esgoto, aumentando a eficiência dos
programas de saneamento executados pelo Governo do Estado por meio da
Sabesp. Quando não existe a ligação domiciliar, o esgoto acaba
lançado in natura nos corpos d’água. O custo médio da obra dentro do
imóvel para conexão à rede coletora é de R$ 1.820, o que se torna um
impeditivo para quem tem baixo poder aquisitivo.
Com o
Se Liga na Rede, as famílias que tenham renda familiar de até três
salários mínimos terão a obra dentro de suas casas paga pelo Governo
do Estado e pela Sabesp. A medida será adotada nos imóveis que já
tenham a rede coletora instalada na rua. A estimativa é que sejam
implantadas 76,8 mil conexões na Região Metropolitana de São Paulo;
30 mil na Baixada Santista; 5,6 mil na Região de Campinas; e 79,3 mil
nos demais municípios do interior do Estado.
O
programa vai funcionar do seguinte modo: após a sanção pelo
governador e a assinatura do termo de cooperação entre Sabesp e
prefeituras para a escolha das áreas a serem atendidas, técnicos
comunitários da Sabesp visitarão os domicílios para apresentar o
Termo de Adesão ao programa. Com a assinatura do termo, a obra é
agendada e executada no prazo de 8 a 12 dias. Na capital, 50 agentes
comunitários da Sabesp vão atuar na iniciativa.
Importância da coleta e tratamento do esgoto
Com o
programa, o Governo do Estado e a Sabesp ampliam os investimentos em
coleta e tratamento de esgoto. O Projeto Tietê, que está em sua
terceira etapa, chegará até 2015 a US$ 2,65 bilhões aplicados no
aumento do saneamento básico na Região Metropolitana de São Paulo.
Entre 1992 e 2008, quando foram executadas a primeira e segunda
fases, passaram a ser enviados para tratamento o esgoto de 8,5
milhões de pessoas – o equivalente à população de Londres. Com a
terceira etapa (2009-2015), mais 3 milhões de pessoas terão seus
esgotos tratados.
Na
Baixada Santista e no Litoral Norte, desde 2007 o Programa Onda Limpa
investe R$ 1,7 bilhão em obras de saneamento. Os recursos também
beneficiam o turismo em duas das regiões mais visitadas no verão,
pois colabora com a melhoria na qualidade das praias.
Entre
os principais benefícios de ter água tratada, coleta e tratamento de
esgoto está a redução dos gastos de saúde e da mortalidade infantil.
O índice no Estado de São Paulo em 2010 ficou em 11,9 óbitos de
crianças com menos de um ano a cada mil nascidas vivas, contra 31,2
em 1990. A queda foi de 61,8% nesses 20 anos.
Um
estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) também corrobora os
benefícios: mostra que, para cada R$ 1 investido em saneamento,
economiza-se R$ 4 com gastos de saúde.
Meta: água e esgoto para todos
O
objetivo da Sabesp é, até 2018, ser reconhecida como a empresa que
universalizou os serviços de saneamento em sua área de atuação.
Atualmente, 143 dos 364 municípios onde a companhia atua estão
universalizados. Para oferecer 100% de abastecimento, 100% de coleta
e 100% de tratamento de esgoto, a empresa aumentou o volume de
investimentos, já que são necessários R$ 16,3 bilhões para atingir a
meta. Em 2011, o investimento previsto foi de cerca de R$ 2 bilhões.
Em 2009 e 2010 foram aplicados R$ 1,98 bilhão e R$ 2,26 bilhões,
respectivamente.
Copa e Olimpíada: oportunidades para as
PMEs paulistas
Os novos negócios incentivados pela
Copa de 2014 e pela Olimpíada de 2016 geram interesse tanto da
iniciativa privada, quanto das administrações públicas. Em São Paulo,
além da Capital, que receberá o jogo de abertura da Copa, o estado
conta ainda com outras 36 cidades aptas a abrigarem as seleções de
futebol, nos chamados Centros de Treinamentos de Seleções (CTS), e
essa lista poderá aumentar ainda mais. Em cada uma delas serão
necessárias obras de infraestrutura, que criarão oportunidades de
desenvolvimento para os municípios.
No
município de São Paulo, onde está sendo construído o novo estádio que
abrigará cinco partidas do Mundial, além do jogo de abertura, o
governo do Estado e a prefeitura da cidade estão alocando mais de R$
470 milhões. Além dessas obras, o governo estadual está investindo em
projetos de infraestrutura, educação, cultura, lazer e segurança.
A Copa
também movimentará a economia de muitas cidades do interior do
Estado. Além da Capital, São Paulo apresentou ao Comitê Organizador
Local da Copa a candidatura de 36 cidades aptas a se tornarem um
Centro de Treinamento de Seleções. Os critérios que serão analisados
pela FIFA estão relacionados à qualidade das instalações esportivas e
hoteleiras, localização, infraestrutura urbana e envolvimento do
poder público local e da iniciativa privada com o projeto. A lista
ainda é preliminar e as cidades paulistas terão duas novas
oportunidades de se inscrever em 2012.
O CTS
aprovado pela FIFA poderá receber a delegação de um país participante
do torneio, o que trará muitos benefícios para o município. Contudo,
serão necessários investimentos na infraestrutura das cidades e na
ampliação, capacitação e modernização de suas empresas.
A
Agência de Fomento Paulista, instituição financeira do Governo do
Estado, está pronta para financiar esse avanço com taxas de juros
mais baixas do que as praticadas no mercado e prazos mais longos.
Tornar-se sede de um esporte olímpico pode ser um grande atrativo de
investimentos para o município, que além de organizar competições,
por exemplo, incentivará a prática de esportes.
Ainda
há tempo para os municípios e para as empresas que desejam aproveitar
esse cenário de crescimento se prepararem bem para o momento que o
país, e principalmente o Estado, vivenciarão. Para isso, a parceria
de uma instituição financeira sólida, que possa oferecer condições
especiais e apostar no desenvolvimento é fundamental. Em São Paulo,
as prefeituras e a iniciativa privada já contam com esse parceiro, e
por isso, as pequenas e médias paulistas terão o apoio necessário
para agarrarem as grandes oportunidades de negócios que serão
oferecidas pelos dois eventos esportivos mais populares do mundo.
Milton Luiz de Melo Santos
Começo de solução para o
caos urbano
De janeiro a novembro do ano de
2011, foram licenciados 3,3 milhões de veículos novos no Brasil. É
impossível construir avenidas, viadutos e túneis em velocidade
suficiente para atender o crescimento de automóveis, motos e
caminhões em circulação. As consequências, todos sofremos.
A
Política Nacional de Mobilidade Urbana, instituída por lei
recém-aprovada pelo Senado, veio, finalmente, criar um instrumento
para que as administrações públicas possam dar prioridade aos
cidadãos sobre os automóveis, em um país que terá quatro veículos por
habitante, dentro de quatro anos.
A Lei
da Mobilidade diz que os governantes devem priorizar o transporte
coletivo público frente ao individual privado. E, assim, impedir que
se responda ao aumento da frota com mais obras públicos.
Para
estimular o transporte coletivo, a Lei prevê mecanismos que
proporcionam a redução do custo das passagens. Ganhos que as empresas
de ônibus, por exemplo, venham a ter com propaganda em seus veículos
deverão ser considerados no cálculo das tarifas, de modo a torná-las
mais baratas. Implantação de vias expressas, que reduzem custos,
também terão seu impacto nas passagens.
A Lei
assegura, ainda, o direito dos usuários de participar do
planejamento, da fiscalização e da avaliação da política local de
mobilidade urbana, assim como o de ser informado sobre itinerário,
horários, tarifas e meios de interação com outros modos de
transporte.
Tanto
quanto estimular o transporte coletivo com passagens baratas, ônibus
e trens seguros, confortáveis e pontuais, a Lei autoriza as
prefeituras a desestimularem o uso do automóvel com medidas como
instituir o pedágio urbano (a exemplo do que ocorre no centro de
Londres e outras capitais) ou o rodízio obrigatório, de acordo com a
placa. Cuida, ainda, princípios de planejamento e de meio ambiente.
Todas
as prefeituras de cidades com mais de 20 mil habitantes deverão
elaborar seu Plano de Mobilidade Urbana, seguindo todas as diretrizes
fixadas pela Lei de Mobilidade. É a concretização, 23 anos depois, do
instituído pelo artigo 182 da Constituição Federal:
- A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público
municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por
objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
A mesma
Constituição impede que a União imponha essas diretrizes aos
municípios. Mas permite, pela Lei da Mobilidade, que o Governo
Federal só repasse recursos às cidades que adotem e sigam seus
respectivos planos municipais de mobilidade. Criam-se, assim, normas
que orientam as verbas estaduais e federais a serem repassadas aos
municípios. Em benefício de todos, incluindo-se o meio ambiente e o
desenvolvimento econômico e social.
Clésio Andrade
Acelerar as alianças entre lideranças sindicais e partidos políticos
Começamos 2012 com o salário mínimo
em R$ 622,00. Um crescimento nominal de 211% e um ganho real, acima
da inflação, de 65,96%, entre 2002, quando o salário mínimo valia R$
200,00 e agora, dez anos depois.
Resultado de ações paternalistas do governo ou de uma elite generosa?
Nem uma
coisa nem outra.
Os
avanços que conseguimos no salário mínimo e em várias outras questões
sociais, políticas e econômicas resultaram, todas elas, da inclusão
democrática das lideranças sindicais brasileiras.
Não é
coincidência que esses avanços tenham sido precedidos pela eleição de
um ex-metalúrgico e ex-sindicalista à presidência da República. Não
foi por acaso que conseguimos o reconhecimento das centrais
sindicais.
As
lideranças sindicais brasileiras aprenderam a se articular a partir
da resistência cívica à ditadura militar. Redemocratizado o País,
ficou claro que só através das atuações consistentes dentro do
Congresso Nacional que garantimos, por exemplo, um aumento real de
65,96% no salário mínimo e beneficiar de uma só tacada 48 milhões de
trabalhadores sendo 13 milhões de aposentados e pensionistas.
É muito
mais do que sonharia qualquer dirigente sindical de qualquer
categoria profissional. Nesse período resolvemos ampliar nossa
influência sindical para os partidos que perceberam a importância de
nos incluir.
Fica
cada vez mais claro no jogo democrático brasileiro que sem os votos e
o envolvimento da base da pirâmide social, os partidos têm poucas
chances de manter e/ou ampliar suas respectivas fatias de poder.
Como
fica claro para os dirigentes sindicais que sem terem uma
representação político partidária comprometida com os interesses da
classe trabalhadora, fica também complicado acelerar os avanços de
interesse estratégicos para suas categorias.
É por
isso que alguns companheiros, companheiras e eu nos filiamos ao
Partido Social Democrático (PSD). Acrescente-se à nossa decisão a
possibilidade de interagirmos com independência, altivez e
patriotismo com os companheiros e companheiras historicamente
organizados em outras agremiações presentes no Congresso Nacional,
nos anima a conclamar as lideranças sindicais a prestarem mais
atenção à inclusão democrática, que só é possível através da aliança
do movimento sindical com os partidos políticos.Vamos levar para as
lideranças políticas nacionais o que elas já têm como certo: a classe
trabalhadora brasileira é a principal alavanca de mudança social,
política e econômica.
É cada
vez mais essencial que tenhamos o ponto de apoio, que será criado
através da ampliação do leque de alianças entre militância sindical e
as agremiações partidárias, para que mudemos, rapida e
favoravelmente, nossas realidades sociais e econômicas.
Vamos,
através dessas alianças entre lideranças sindicais e partidos
políticos, responder às expectativas e consolidar os avanços sociais
e econômicos, com distribuição de renda através de empregos com
salários dignos e políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento
com justiça social.
Expectativas de mudança que já chegaram a milhões de trabalhadores
que conseguiram emprego com carteira assinada, salários mais dignos e
a inclusão no mercado consumidor brasileiro, nos últimos dez anos.
A última reunião do Copom deste ano,
que fixou a taxa Selic em 11%, definiu as vertentes do mercado
interno e internacional frente aos problemas econômicos que poderão
impactar nos índices inflacionários e manutenção de empregabilidade.
O mercado, mais uma vez, acertou a redução, de 0,5 ponto percentual.
Como o
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) está em descendência,
indicando maior controle inflacionário, permite que o Copom possa
estimular o comércio. Com essa queda na taxa básica,
viabiliza-se redução da projeção das dívidas relativas aos pagamentos
de juros que, em outubro de 2011, somaram R$ 197,7 bilhões,conforme
dados divulgados pelo Banco Central.
Atualmente, países em crise financeira estão rolando suas dívidas com
juros anuais na faixa de 7% ao ano, o que permite que haja
estrangeiros que façam investimentos no Brasil e tenham condições de
ter remunerações maiores do que nas nações que pertencem à Zona do
Euro.
A
preocupação do Copom é com o superávit primário, que impacta no
pagamento dos juros e na necessidade de rolagem da dívida interna e
que, no acumulado até outubro/2011, atingiu R$ 118,6 bilhões. Ou
seja, com esse comportamento, nossa dívida interna continua
aumentando.
É
fundamental estabelecer diretrizes mais pontuais e com os pés no
chão, paraevitar o aumento da inflação, assim como controles que
gerem recessão. Estamos em um momento de crises no mercado
internacional, o que não tirará a oportunidade de o País ter
condições de melhoria da sua situação econômica e da condição de vida
da população. O momento não é para precaução em demasia. Temos de
mostrar nossos valores e nossa importância no cenário nacional e
internacional.
Reginaldo Gonçalves
Programa Orientação para o Trabalho orienta munícipes a elaborar
currículo eficiente
É muito difícil saber a forma ideal
de elaborar um currículo eficiente. Pensando nisso, o Programa
Orientação para o Trabalho da Semdet- Secretaria Municipal de
Desenvolvimento Econômico e do Trabalho oferece oficina com o tema
“Elaboração de Currículos”. A oficina acontecerá no dia 28, às 9h,
sendo ministrada simultaneamente por especialistas nas seguintes
unidades do CAT: Itaquera, Itaim Paulista, Penha, São Matheus I,
Santana, Luz, Jabaquara, Interlagos e Lapa I.
O
objetivo da oficina é orientar os trabalhadores sobre a importância
de um currículo eficiente para se destacar no mercado de trabalho.
Serão oferecidas dicas aos participantes, destacando a melhor forma
de elaborar um currículo: como evitar erros de português, direcionar
as informações para vaga pretendida, informações sobre experiências e
outras informações que deve conter no documento
Para
participar, basta ter idade acima dos 16 anos e levar RG, CPF e o n°
do PIS, caso possua.
CAT Itaquera
Rua Gregório Ramalho, 12
CAT Itaim Paulista
Av. Marechal Tito, 3.012
CAT Penha
Rua Candapuí, 492 (dentro da
Subprefeitura da Penha)
CAT São Mateus I
Av. Mateo Bei, 1.641
CAT Santana
Rua Voluntários da Pátria, 1.553
CAT Luz
Av. Prestes Maia, 913 / 919
CAT Jabaquara
Av. Eng. Armando de Arruda Pereira,
2.314
CAT Interlagos
Av. Interlagos, 6.122
CAT Lapa I
Rua Monteiro de Melo, 342
Brasil possui uma “faixa de Gaza” no trânsito
Fiscalização do trânsito na fronteira com outros países tem o desafio
de lidar com veículos “de ninguém”. Na cidade de Ponta Porã, Mato
Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, foram registradas mais de 500
mil infrações de motos sem placas
Sabe-se que a punição para aqueles
que infringem as leis de trânsito torna o transitar mais seguro. Mas
e quando nem o efetivo de oficiais nem dispositivos eletrônicos
conseguem conter o comportamento do motorista? Essa é a realidade nas
fronteiras do Brasil com outros países, que lidam com motoristas que
chegam a comprar carros e motocicletas no Paraguai na crença da
impunidade das multas e impostos brasileiros.
Em
Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, divisa com Pedro Juan Caballero,
no Paraguai, a avenida Brasil tem quatro pistas: duas brasileiras e
duas paraguaias. Lá a dificuldade do Detran/MS, responsável pela
fiscalização, é manter os motoristas dentro da velocidade permitida e
respeitando os sinais vermelhos. Para se ter ideia, de janeiro de
2011 até a segunda semana deste mês, foram registradas 20.694
infrações cometidas por veículos de placas estrangeiras, 7.945 por
carros sem placa e o número absurdo de 520.933 infrações cometidas
por motocicletas sem placa.
Já em
Foz do Iguaçu, a fronteira com Argentina e Paraguai apresenta o mesmo
problema: a chamada frota flutuante, ou seja, veículos estrangeiros,
que já somam 35 mil. Segundo Ali Hussein Safadi, Diretor de Trânsito
e Sistema Viário do instituto de Transportes e Trânsito da cidade, o
uso da tecnologia é muito importante no monitoramento do trânsito na
fronteira. “Já usamos a tecnologia OCR há algum tempo. Desta maneira,
conseguimos cadastrar os veículos estrangeiros que infringiram alguma
lei brasileira. Na próxima oportunidade que este carro passar pelas
vias monitoradas, será abordado, sendo obrigado a pagar a multa”,
explica.
O
diretor da FozTrans explica que a diferença entre as culturas
influencia no trânsito. “Estima-se que Foz do Iguaçu abrigue 72
etnias diferentes. É claro que isso influencia no tráfego, cidadania
e no comportamento do motorista. Estamos trabalhando com campanhas
educativas também em espanhol, lembrando que as leis de trânsito são
universais”, diz. E completa: “Enfrentamos todos os problemas de
trânsito de cidades que não são de fronteira: avanço de sinal
vermelho, alta velocidade e desrespeito ao estacionamento rotativo.
Tudo porque o motorista acredita que não será punido porque a placa é
de outro país. Essas infrações correspondem entre 20% a 25% do
montante de registros pleno”, conclui.
“Comprar veículos em outro país é ilegal por vários motivos”, diz
Inspetor da Polícia Rodoviária Federal
Ricardo
Schneider é inspetor da Polícia Rodoviária Federal há 15 anos; 14
deles atuando em regiões de fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná.
Nos últimos quatro anos, foi chefe da delegacia de Foz do Iguaçu e,
atualmente, é chefe da Seção de Policiamento e Fiscalização da 7ª
SRPRF/PR. A Perkons entrevistou o policial sobre o papel de cada
órgão na fiscalização do trânsito e algumas práticas ilegais de
motoristas brasileiros que tentam escapar da fiscalização e dos
impostos. Acompanhe:
– Qual
o papel da Polícia Rodoviária no monitoramento do tráfego?
Nas
rodovias federais que têm comunicação com outros países, o tráfego de
veículos é controlado pela Polícia Rodoviária Federal, já o ingresso
de pessoas de outros países em nosso território é de atuação da
Polícia Federal. A entrada e saída de bens e mercadorias é atribuição
da Receita Federal. Quando a PRF encontra uma situação de competência
de outro órgão, a ocorrência é apresentada ao órgão competente.
- Como
é feita a fiscalização do trânsito na fronteira?
No
Paraná, nós temos três pontos de fronteira e nos três pontos as
realidades são diferentes. Na localidade de Foz do Iguaçu, onde o
trânsito atinge média de 50.000 veículos diários, nos vários pontos
em que há tráfego internacional de veículos (do Brasil com o Paraguai
e Brasil com Argentina), a fiscalização do trânsito é feita por
amostragem. Os policiais se valem dos conhecimentos profissionais,
uso do sistema de consultas, informações do setor de Inteligência,
entre outras, para escolher o veículo a ser fiscalizado. Sempre
contando também com a ajuda dos outros órgãos federais, como a
Receita Federal e Polícia Federal e Estaduais, como Polícia Civil e
Polícia Militar.
– É
comum motoristas brasileiros comprarem carros no Paraguai por conta
do preço menor?
Isto é
mais frequente na medida em que nos aproximamos da fronteira. Temos
flagrado brasileiros conduzindo veículos estrangeiros sem a devida
“documentação”, quando a ocorrência sugere a importação indevida ou a
tentativa de iludir impostos, a ocorrência é encaminhada para a
receita federal.
– Com
relação aos carros estrangeiros que cometem infrações no Brasil, qual
o procedimento?
As
infrações cometidas por condutores e veículos estrangeiros nas
rodovias federais são autuadas pela PRF, o condutor é abordado e
notificado ao mesmo instante e, ao deixar o país, esta dívida tem que
estar quitada.
– É
sabido que muitos brasileiros compram motos no Paraguai para evitar
registro de multas no Brasil e para driblar os impostos. Qual o
procedimento aplicável?
No
Brasil, como no Paraguai, o licenciamento de qualquer veículo para
circulação é necessário. O que ocorre é que no país vizinho o
licenciamento é mais barato. Todavia, essa prática é ilegal por
várias questões, como o não pagamento dos impostos devidos e,
principalmente, a questão do seguro obrigatório, pois tais veículos,
quando se acidentam no Brasil, os feridos terão que ter os custos
cobertos pelo seguro obrigatório nacional.
Quando
identificada uma situação de irregularidade, a que se distinguir uma
importação ilegal será encaminhada à Receita Federal ou a retenção do
veículo com base no código de trânsito para a liberação ao legítimo
proprietário, se o mesmo estiver em nome de estrangeiro, bem como a
exigência do seguro carta verde para circulação de veículos do
Mercosul em nosso país. Este seguro é resultado de um acordo que foi
criado exatamente para indenizar as possíveis vítimas brasileiras de
acidentes envolvendo veículos de fora do país.
Fonte Perkons
Cargos comissionados custam mais de R$18 bilhões por ano ao Brasil
Os cargos comissionados dos três
poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário, nos 5.567 Municípios,
nas 27 unidades federativas (Estados e o Distrito Federal) e do
Congresso Nacional custam aos cofres públicos R$18,344 bilhões por
ano. A estimativa não inclui os cargos comissionados dos atuais 38
ministérios, nem os salários dos secretários das pastas estaduais e
municipais, tampouco os de autarquias e empresas estatais, o que leva
a concluir que as cifras são ainda maiores.
Para os
municípios, o cálculo desses gastos no poder Legislativo leva em
conta o número de vereadores, de acordo com a emenda constitucional
nº 58 (23/9/2009) e a respectiva verba de gabinete utilizada para a
contratação de assessores dos parlamentares, estimada em R$30 mil por
mês por vereador para cidades com mais de 200 mil habitantes e R$15
mil por mês por vereador para os municípios menores. No poder
Executivo das cidades, foi feita a estimativa conservadora de apenas
8 secretarias e, para cada uma delas, apenas 3 assessores por
secretário municipal. Na conta, estão excluídos os salários dos
próprios secretários municipais. Quanto aos cargos comissionados para
o poder Judiciário, a projeção foi entre 2 e 15 funcionários, de
acordo com o tamanho do município. O total foi de R$11,67 bilhões,
sendo R$7,019 para o Legislativo, R$3,852 bilhões para o Executivo e
R$798,2 milhões para o Judiciário.
No que
diz respeito aos Estados e ao Distrito Federal, foram considerados
somente os cargos comissionados dos poderes Legislativo e Executivo.
Para o poder Legislativo, foram levantados os números de deputados
estaduais e distritais e a verba de gabinete para cada parlamentar,
no teto de R$45 mil por mês – anualizado, inclusive com 13º e
adicional de férias. Já os cálculos do poder Executivo estimam de
forma conservadora apenas 10 secretarias estaduais/distritais e
apenas 3 assessores para cada secretário. O resultado foram gastos de
R$633,8 milhões para o Legislativo e R$17,9 milhões para o Executivo.
No
nível da União, o levantamento considera apenas os gastos com o
Congresso Nacional, estimados em R$6,023 bilhões por ano. Valor
próximo aos R$6,068 bilhões calculados pela ONG Transparência Brasil.
Mais do que as cifras, os valores mostram o custo de uma democracia
representativa que não está dando certo. Estados e Municípios
reproduzem o modelo de governo de coalizão da esfera federal,
centralizado não em projetos de governo que visem ao interesse
público, mas, sim, na mera distribuição de cargos e salários e o
loteamento do poder político. Dessa forma, os parlamentos – Congresso
Nacional, Assembleias Estaduais e Distrital e Câmaras de Vereadores –
aprovam os projetos de interesse do poder Executivo, não por
convicção política, mas em função da pura e simples barganha
econômica. O que afeta a todos os partidos políticos em todos os
entes da Federação, indistintamente, desde que se iniciou a Nova
República.
Retrata-se, enfim, por que o Brasil é e sempre foi o país do
desperdício. Principalmente do desperdício dos recursos públicos,
dinheiro do contribuinte advindo de tributos pesadamente pagos à
União, Estados, Distrito Federal e Municípios. É hora de a população
cobrar a extinção desses cargos comissionados e a valorização dos
funcionários públicos concursados, como primeiro passo para a efetiva
moralização política e, em especial, a profissionalização e a
qualificação da gestão pública.
Fabrício Pessato Ferreira
Falta de planejamento urbano é um dos principais causadores de
deslizamentos
Um deslizamento de terra ocorrido na
madrugada de segunda-feira, em Sapucaia, no Rio de Janeiro, resultou
na morte de pelo menos 13 pessoas. A estimativa é de que existam mais
10 corpos soterrados no local. O deslocamento da terra aconteceu
rapidamente no distrito de Jamapará, e surpreendeu as pessoas que
moravam numa encosta da região. O prefeito da região, Felipe Zanon,
baixou recentemente um decreto, proibindo empresas de energia e
saneamento de realizarem serviços em novas ocupações do distrito,
como forma de coibir ocupações irregulares.
Para
Sérgio Guimarães Pereira Júnior, diretor da Vallor Urbano, a falta de
planejamento urbano é um dos principais motivos para esse tipo de
acidente. “O discurso é sempre de que em nome do “social” é
impossível remover os moradores da região. Não pode haver casa sem
terreno com infraestrutura”, afirma. Segundo o especialista, esse
deslizamento mostra que o Brasil necessita rapidamente de uma
verdadeira política habitacional. “O País necessita crescer de
maneira organizada, planejada e sustentável”, explica.
Sérgio Guimarães Pereira Júnior
Monarquia do proletariado
Quando o economista, cientista
social e pensador alemão Karl Marx escreveu “O Capital”, consolidando
o conceito do socialismo científico e da chamada ditadura do
proletariado, com certeza lhe ocorreram as dificuldades práticas a
serem enfrentadas para a transformação radical da economia e do
processo político. A história demonstrou que a preocupação era
pertinente.
Por
outro lado, jamais deve ter passado, nem de longe, pela cabeça do
ilustre germânico, que sua tese pudesse inspirar algo tão distorcido
em termos de modelo político-econômico quanto o atual regime da
Coreia do Norte. Trata-se, a rigor, de um híbrido de socialismo com
um regime monárquico-ditatorial. É uma sociedade bipolarizada, na
qual se socializam os ganhos da frágil economia entre a casta militar
e se distribuem as carências entre o restante da população.
É algo
que poderia ser denominado de “Monarquia doProletariado”, já que a
dinastia dos Kim Jong acaba de empossar seu terceiro “monarca”
consecutivamente. Kim Jong-un, filho de Kim Jong-il, herda um “reino”
com 24 milhões de habitantes, dos quais 1,2 milhão de pessoas são
militares. As Forças Armadas têm um papel central no país, que dispõe
de bomba atômica. Ao mesmo tempo, há informações de que a fome
alastra-se, assim como dificuldades de acesso à saúde.
A
pergunta inevitável é: até quando esses países como a Coreia do
Norte, considerando o exemplo da inusitada “Primavera Árabe”,
conseguirão conter a explosão social de sua população mais
necessitada? Esta é uma questão que se coloca até mesmo para a China,
onde, a despeito dos avanços nos últimos anos, mais de um bilhão de
pessoas ainda estão muito distantes da sociedade de consumo
moderníssima que se observa nos noticiários da TV e no mundo
corporativo.
Os
exemplos práticos do mundo socialista foram mais do que didáticos
para demonstrar a inviabilidade da sustentação de economias baseadas
numa pretensa sociedade igualitária e integralmente estatizadas. Como
se observou na União Soviética, os meios de produção chegaram a um
ponto de estrangulamento irreversível. No entanto, Marx continua com
plena razão em um aspecto crucial: as desigualdades têm limites!
Não é
possível manter indefinidamente, mesmo que pela força, populações
inteiras sem direitos políticos plenos, sem liberdade de expressão,
reprimidas pelo medo e alijadas de um acesso mínimo a bens de consumo
reservados a uma elite política, militar ou burocrática. Por isso, os
direitos têm de ser iguais, e o moderno capitalismo democrático deve
buscar, sim, a socialização das oportunidades, por meio de empregos e
salários dignos, saúde, educação e inclusão socioeconômica, como se
tem observado paulatinamente no Brasil.
Neste
século, no qual as mais rígidas e intransponíveis ditaduras têm
sucumbido à consciência popular, como no mundo árabe, será cada vez
menos provável a sustentabilidade de regimes totalitários como a
norte-coreana “Monarquia do Proletariado”.
Antoninho Marmo Trevisan
Cooperativas Constroem um Mundo Melhor
Em tempos de dificuldade de crédito
por conta da turbulência dos mercados internacionais, as cooperativas
de crédito surgem como uma alternativa de inclusão financeira, já que
oferecem crédito a baixo custo e de forma mais acessível que os
bancos. Esse é mais um motivo que reforça a decisão da Organização
das Nações Unidas (ONU) de combater os efeitos da crise mundial com a
disseminação e consolidação dos princípios que norteiam a atividade
cooperativista em todo o mundo, ao estabelecer 2012 como o Ano
Internacional das Cooperativas.
Estive
em Nova York, no lançamento oficial da ONU sob o tema: Empresas
Cooperativas Constroem um Mundo Melhor, assim como, acompanhei o
evento que apresentou as iniciativas do Ano Internacional do
Cooperativismo no País, realizado pela Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB). Ambos são acontecimentos que merecem serem
comemorados, mas que também aumentam a nossa responsabilidade, assim
como dos países membros da ONU e das entidades representativas como
própria OCB, a OCESP, além das frentes parlamentares como a Frencoop
Nacional.
Afinal
é possível estabelecer vínculos entre os princípios que norteiam o
cooperativismo com a necessidade de repensarmos um novo modelo
econômico que desejamos para as próximas décadas, tais como: a adesão
voluntária e livre, o interesse pela comunidade, a autonomia e
independência, a educação, formação e informação, a gestão
democrática, a participação econômica dos membros, a intercooperação,
além, é claro, da responsabilidade social.
A
iniciativa da ONU reforça o papel das cooperativas na geração de
trabalho e renda e, consequentemente, na redução da pobreza, além de
representar uma oportunidade para ampliar sua atuação em todo mundo.
Hoje existe um bilhão de cooperativistas, espalhados em 100 países
diferentes, que já respondem pela geração de 100 milhões de empregos
diretos.
Fazer a lição de casa
Por
aqui, o setor mobiliza 30 milhões de pessoas - 9 milhões de
associados e suas famílias, além de 300 mil empregados. Hoje, as
6.652 cooperativas brasileiras atuam em 13 ramos de atividades
econômicas distintos.
Diretor
do ramo Crédito da Frencoop comemoro o aumento da participação do
setor no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Apesar de responder por
2% do SFN, as cooperativas de crédito apresentam um crescimento anual
de 35% nos últimos anos e a meta do setor é atingir 10% de forma
sustentável e chegar mais próximo de patamares de países como França
e Alemanha, que possuem 40% do crédito originado no cooperativismo.
Em
2012, além do respaldo das Nações Unidas, o setor contará com o apoio
dos governos federais e estaduais para disseminar os benefícios do
cooperativismo e para tanto é fundamental avançarmos na definição de
marcos regulatórios e políticas públicas favoráveis ao seu
desenvolvimento.
Cooperado da Credicoonai e, mesmo tendo conseguido vitórias
importantes, como a aprovação da Lei Estadual de Apoio ao
Cooperativismo, da Lei do Cooperativismo de Crédito e da inserção das
cooperativas no Programa Minha Casa, Minha Vida, destaco alguns dos
principais desafios no Congresso Nacional:
- Aprovação do Projeto de Lei
4622/04 que trata da regulamentação do cooperativismo de trabalho e
se encontra na pauta de votação da Câmara dos Deputados;
- Aprovarmos o novo texto do Ato
Cooperativo.
Batalha da comunicação
Ao
declarar 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas, a ONU também
pretende chamar a atenção dos governantes para o trabalho
desenvolvido pelo segmento. Vamos aproveitar o momento para divulgar,
em todos os cantos do mundo, de que forma contribuímos para o
desenvolvimento global, por meio da prática dos valores e princípios
cooperativistas, como bem disse o presidente do Sistema OCB, Márcio
Lopes de Freitas, durante a cerimônia de lançamento no Brasil. É
fundamental mostrar que o alimento que chega às mesas, os serviços
financeiros, o transporte, a saúde, entre tantos outros setores,
podem ser feitos por cooperativas.
O
movimento cooperativista nasceu em 1844, por iniciativa de 28
tecelões pioneiros que se organizaram para criar uma extensão
econômica da própria atividade profissional, em Rochdale, na
Inglaterra. Hoje, a maioria dos países desenvolvidos que conta com os
melhores índices de qualidade de vida, a cultura cooperativista tem
um lugar de destaque. Ao longo de décadas, as cooperativas se
disseminaram por vários setores, demonstrando a sua capacidade de
enfrentar os desafios econômicos, urbanos e rurais, com as
ferramentas da produtividade e competitividade e responsabilidade
social, contribuindo, assim, para a realização de um progresso social
em todo o mundo. Em 2012, nossa missão será ampliar a sua atuação e
fazer com que mais brasileiros tenham acesso aos seus benefícios!
Arnaldo Jardim
Dilma tira dinheiro dos pobres e trabalhadores e repassa aos bancos
O Orçamento da União para 2012, prevê a destinação de R$ 1,014
trilhão para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública
(antiga dívida externa que foi repassada para os bancos brasileiros),
o que representa 47,19% de todo o orçamento. Enquanto isso será
destinados apenas 18,22% para a Previdência Social, 3,98% para a
saúde, 3,18% para a Educação, e 0,25% para a Reforma Agrária,
conforme se vê no gráfico a seguir.
Apesar
de grande mobilização dos aposentados (reivindicando aumento real
para as aposentadorias maiores que um salário mínimo) e dos
servidores públicos do Judiciário (pela recomposição de perdas
inflacionárias), o governo Dilma não acatou nenhum destes pleitos,
alegando “falta de recursos” e a crise internacional. Desta forma, o
governo “combate” a crise da mesma forma que os países do Norte:
cortando gastos sociais para salvar o setor financeiro (Bradesco,
Itaú e Santander).
A
extrema intransigência da Presidente Dilma gerou revolta entre os
parlamentares da própria base do governo. O deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT/SP) chegou a executar uma manobra de “obstrução”, por meio
do pedido de verificação de quorum, o que faria a sessão se encerrar,
e a votação do orçamento ser adiada para o ano que vem. Porém, diante
da pressão da base do governo, Paulo Pereira aceitou retirar o pedido
de verificação, aceitando em troca apenas a promessa do governo de
que irá negociar tais pleitos, além da mera troca do negociador do
governo (Duvanier Ferreira seria substituído pela Secretária da
Ministra do Planejamento, ou pelo Ministro Gilberto Carvalho). Ou
seja: na prática, nada garante que haja um aumento nos recursos para
os aposentados ou servidores públicos.
As
aposentadorias no valor de um salário mínimo receberão um aumento
real, equivalente aos 7,53% aplicados ao salário mínimo. Apesar de o
governo festejar este aumento, cabe ressaltar que, desta forma, o
governo Dilma acumulará, em seus dois primeiros anos, um aumento real
médio anual de 3,4%, inferior até mesmo à média de FHC.
Continuando-se nesta média anual, serão necessários 37 anos para se
chegar aos R$ 2.349,26 exigidos pelo art. 7º, IV da Constituição, que
garante um salário que garanta “moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.
A
imprensa, colaboracionista do corrupto sistema financeiro, festeja –
dos jornais Estado de São Paulo e Correio Braziliense - mostram o
crescimento brutal do endividamento devido às altas taxas de juros, e
também à emissão de mais títulos da dívida para a obtenção de
recursos – aos maiores juros do mundo - para o BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social) emprestar a empresas privadas
cobrando taxas bem menores.
Finalmente, no plano externo, é interessante destacar também as
notícias – dos jornais Valor Econômico e O Globo - que mostram os
privilégios dos bancos, que são salvos pelo estado com dinheiro
público. Enquanto o primeiro traz artigo de um ex-economista chefe do
FMI, reconhecendo que os bancos privados foram salvos às custas do
Estado, o segundo mostra a ajuda de meio trilhão de euros do Banco
Central Europeu aos bancos privados, a juros de 1% ao ano, para que
estes bancos emprestem aos países, ganhando taxas de juros 5 vezes
maiores, ou seja, ganhando às custas do povo.