No Brasil, o voto obrigatório está
na Constituição Federal desde 1934.
Há uma grande discussão nos meios
acadêmicos e políticos acerca de propostas e idéias para a
substituição do voto obrigatório pelo facultativo.
Uma das principais discussões
levantadas é a de que o voto é um direito e não uma obrigação e que,
portanto, deve ser facultada ao eleitor a opção de se abster.
“Entretanto, acredito que sua eliminação elevaria a abstenção a um
nível inaceitável colocando em dúvida a legitimidade das eleições.
Além do mais, acarretaria ainda mais, o desinteresse da sociedade
pela vida política do nosso país, tornando o processo político mais
elitista!”, declara o advogado tributarista, Dr. Arcênio Rodrigues da
Silva.
Para o advogado, “a
defesa do voto obrigatório é a salvaguarda do principal, senão o
único, instrumento de participação direta no processo democrático em
que o cidadão brasileiro/ eleitor tem a opção de votar nulo ou em
branco no caso de insatisfação com os candidatos apresentados”.
Porém, os
“defensores do voto facultativo” acreditam que tal iniciativa seria
um instrumento de suma importância para a conscientização política na
medida em que os partidos e seus candidatos teriam a dupla e dura
missão de convencer os eleitores: primeiro exercer o voto e, segundo
a votarem em suas propostas. Alegam também que “só no Brasil” o voto
é obrigatório, comparando-se com os Estados Unidos, a França e a
Grã-Bretanha!!
“Então, porque não
mencionar também a Austrália, a Itália e a Bélgica cujas legislações
determinam a obrigatoriedade do voto?. Aliás, essas nações demonstram
uma invejável estabilidade democrática, sendo suas instituições
sólidas, há pelo menos meio século!”, afirma Dr. Arcênio.
Nos Estados Unidos,
por exemplo, onde o voto é facultativo, não só a abstenção nas
eleições tem sido bastante grande, como ela tende a se perpetuar nos
mesmos grupos sociais e étnicos – basicamente, os dos discriminados
socialmente, em especial os negros.
“Ora, segundo a discussão política que
atualmente chega à própria mídia, esse fenômeno estaria agravando a
desigualdade, na medida em que os negros votam menos que os brancos,
portanto os eleitos procuram atender mais os interesses de seus reais
eleitores do que os dos não-votantes, de modo que a exclusão social
dos negros aumenta e, com isso, mantém-se ou se acentua a abstenção
eleitoral dos negros. Temos assim um círculo vicioso da exclusão,
piorada pelo caráter facultativo do voto”, acredita o advogado.
Porque manter o voto obrigatório
no Brasil?:
Para o advogado tributarista, Arcênio
Rodrigues da Silva, “a maior parte do eleitorado brasileiro somente
tem contato com a política no momento do exercício democrático do
voto; Aproximadamente 78% dos jovens - com idade entre 15 e 24 anos
-, não se mostram interessados pelos assuntos políticos do país;
Cerca de 95%, jamais participaram de qualquer movimento ou debate
político; 94% dos brasileiros jamais participaram de associações,
sindicatos etc. e, mais de 99%, não acreditam na classe política!”.
“Estes dados
demonstram o baixíssimo nível de politização do povo brasileiro e o
total desinteresse pela política. O ato de votar requer que o eleitor
esteja preparado. E, a única forma de se obter esse preparo é o
exercício à constância do voto. “Ademais, a desigualdade social, o
nível de renda e o nível da escolaridade estão positivamente
relacionadas com a diminuta participação política”, acredita o
advogado.
“Diante deste
cenário, não tenho dúvidas de que o voto obrigatório deva ser mantido
no Brasil”, finaliza o advogado.
Dr. Arcênio Rodrigues da Silva
População brasileira não conhece
seus governantes
A Ipsos Public Affairs, área da Ipsos
que monitora constantemente a agenda social e política brasileira,
apresenta pesquisa realizada em 70 cidades incluindo as 9 regiões
metropolitanas do Brasil que revela que os eleitores conhecem pouco
os políticos que os representam. Quando questionados se sabiam dizer
o nome de algum ministro, deputado federal ou senador, a maioria dos
entrevistados respondeu negativamente. Apenas 34% citaram algum
ministro corretamente; para deputados federais, foram somente 38%; e
para senadores, o número foi ainda menor: 31%. Os dados mostram ainda
que, quanto mais alto o grau de escolaridade e a classe social, maior
o número de respostas positivas: a porcentagem de pessoas que
souberam citar algum ministro corretamente, por exemplo, varia entre
20% (classes DE) e 52% (Classes AB), e entre 21% (analfabetos,
primário incompleto e primário completo) e 59% (pessoas com superior
incompleto, completo ou mais).
Percentual (%)
CLASSE ECONÔMICA
AB
C
DE
Citou algum corretamente
52
38
20
Nenhum/ Não sabe
48
62
80
Percentual (%)
Total
GRAU DE INSTRUÇÃO
Analf/Pri Inc/Comp
Ginásio Inc/Comp
Colegial Inc/Comp
Superior Inc/Comp ou mais
Citou algum corretamente
34
21
35
41
59
Nenhum/ Não sabe
66
79
65
59
41
Ipsos - referência mundial em pesquisa
de mercado e interpretação de dados que geram conhecimento
estratégico para clientes e sociedade. Criada em 1975 na França, e
presente no Brasil desde 1997, a Ipsos consolidou-se como uma das
maiores empresas de pesquisa do mundo, estruturando-se por meio de
áreas especializadas, que contam com profissionais altamente
qualificados em estudos de tendências e mercado. Eles atuam para
entender e traduzir a percepção das pessoas, sociedade e dos
mercados, com conteúdos que vão além da identificação dos dados, mas
compreendem conhecimento e visões multidisciplinares, pensamento
analítico e recomendações estratégicas.
Possui escritórios em 64 países e
realiza pesquisas em mais de 100. Atualmente atende mais de 5.000
clientes no mundo e possui mais de 8.000 funcionários. No Brasil, com
a aquisição da Alfacom, conta com quase 600 funcionários diretos,
sendo a maior empresa de pesquisa ad hoc.
Sempre se falou, no interior, que
“cavalo velho se coloca em pasto sem capim”, pois, já vencido pelo
cansaço, pela exaustão, melhor para o mau e insano criador, que o
velho cavalo, já cheio de escoriações, morresse mais depressa. Assim
são, os aposentados deste país, elegeram o Presidente Lula, na
esperança de melhorarem as suas aposentadorias, mas, lá se vão quase
dois mandatos e o líder dos trabalhadores, esqueceu da classe mais
sofrida.
Os contratempos da
vida lhe impingiram, no decurso de seus anos de trabalho, muito
sofrimento, hoje, até o caminhar, para enfrentar as filas dos bancos
e da previdência, lhe causa muita sofreguidão. Tal qual o cavalo
magro que não encontra abundância de um pasto verde, os aposentados,
hoje, têm uma nova jornada, esperar que o Governo, pague uma
aposentadoria decente, nos termos daquilo que contribuíram,
duramente, durante trinta ou mais anos.
Como hoje, para os
poderosos, não têm mais utilidade, melhor que morram os velhos, mais
cedo. Nosso desgastado Congresso, na maioria de seus membros, faz
aquilo que o Poder Central quer e não impõe Justiça para os
aposentados.
Quanto aos cavalos
velhos, atualmente, até quase não se vêem mais o mau trato, pois, as
associações protetoras dos animais estão atentas, mas o aposentado
está completamente abandonado. E a defasagem das Aposentadorias acima
de um Salário Mínimo obriga a todos irem à luta, tirando inclusive, o
lugar para os mais jovens.
Esquecem esses
“líderes” que levamos ao poder, que os aposentados, já cumpriram a
sua missão, com esforços excessivos e milhares deles, de forma cruel,
enquanto eles estão garantidos com ricos proventos, mantidos pelo
povo.
Com a alegação de
defenderem os cofres da previdência, tão espoliados pela corrupção,
covardemente, o poder executivo impõe as suas regras desumanas.
Querem os
aposentados, em verdade, é de sossego com “um pastinho verde” onde
possam com a melhoria nos seus rendimentos, terminar a sua jornada
mais tranqüilamente, se alimentando melhor e racionalmente, pois,
devido à situação precária, até seus dentes perderam ao longo de sua
caminhada.
Com a eleição
do atual Presidente, milhões de aposentados, deram graças a Deus,
pois acharam algo de oportuno e sublime havia acontecido, já que
alguém, que parecia ser dotado de sensibilidade e coragem iria
restabelecer os direitos, daquele que trabalhou e contribuiu, para
ter uma velhice com conforto. Ledo engano, pois Lula não ouve os
aposentados.
Ao longo dos últimos
onze anos, desde, portanto, que Fernando Henrique chegou à
Presidência da República, os valores do salário mínimo têm sido
corrigidos em percentuais acima da reposição aplicada aos
pensionistas e aposentados da Previdência Social que percebam acima
do piso básico. A situação é a seguinte: o INSS tem 25 milhões de
aposentados e pensionistas. Deste total – vejam só – 75% ganham
salário mínimo. Consequentemente, 25% ganham mais do que este valor.
E tudo continua no mesmo. Aqueles que contribuíram com cinco, dez
salários mínimos, daqui a pouco, estarão ganhando apenas o mínimo.
Os cofres públicos
têm dinheiro, até para financiar obras no exterior, como na
Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru,
Venezuela, Namíbia, Angola, Moçambique e outros países que tiveram
obras públicas financiadas pelo Brasil. Além do BNDES, o Banco do
Brasil também opera mecanismo parecido, através do PROEX (para
financiamento de exportações), com semelhança idêntica à do BNDES. A
triangulação implica diversas impropriedades: Trata-se de empréstimos
disfarçados a países estrangeiros.
O dinheiro público
brasileiro está sendo usado para financiar obras no estrangeiro, sem
nenhum processo concorrencial que permita a participação de outras
empresas brasileiras eventualmente interessadas e, até emprestar para
o FMI, já aconteceu. Isto prova que o país cresceu o que é
importante, mas para o aposentado, tolhido em seus direitos, só se
fala em déficit da previdência.
Carlos Fernando Priess
Enchentes: problema de força maior
O Estado, por definição, é um ente
personificado que tem como função representar os membros de uma
comunidade num dado espaço e num tempo determinado. Não existe uma
figura que defina fisicamente o Estado, mas sim um conjunto de
pessoas representadas na figura de um governador, um prefeito, um
Presidente, como reza o artigo 18 da Constituição Federal.
Para que as pessoas
coexistam em harmonia e em paz, o Estado disciplina acerca das normas
de respeito e convivência entre os cidadãos e, por conseguinte,
assegura alguns direitos e deveres a essa comunidade.
Àquele que transgredir as normas
responderá pelo dano causado na esfera do delito (penal, civil,
administrativa, etc). Já no campo dos
direitos, o Estado assegura educação, saúde, segurança, lazer e
condições mínimas de subsistência, como água encanada, esgoto, etc.
De tal sorte que
cabe ao Estado gerir o gasto com esses setores em contrapartida ao
dinheiro arrecadado com os impostos, contribuições, taxas, etc., a
sobra tende a ser revertida em investimentos.
No caso das
enchentes, que ultimamente vem causando enormes prejuízos em todo o
país, na maioria das vezes o dano é causado pela omissão do ente
público, ou seja, o Estado não atuou diretamente para evitar o evento
danoso e, apesar de não ter culpa pelas chuvas torrenciais, em
vários casos, os estragos ocasionados pelas enxurradas seriam
evitados se o ente gestor cumprisse com sua função.
O cidadão paga
impostos (como o IPTU) para que o Poder Público faça o desentupimento
das galerias da rede pluvial, a construção de piscinões e a limpeza
de bueiros e bocas-de-lobo. Logo, o cidadão tem direito a receber uma
indenização pelos prejuízos causados pelas chuvas, pois os danos, na
maioria das vezes, ocorreram por negligência das autoridades
constituídas.
Logicamente que o cidadão também possui
sua cota de responsabilidade com bitucas de cigarros sendo jogados em bueiros,
lixo nos rios, etc. mas novamente cabe ao Estado desenvolver um forte
e amplo trabalho de conscientização com aplicação de multas em caso
de decumprimento.
E, nessa complexa
equação, como proceder quando ocorre um dano na engrenagem, ou seja,
um problema que afeta à população como um todo, de quem será a
responsabilidade? Como determinar se houve um erro?
A Constituição
Federal é clara ao estipular no artigo 37, caput, §§2 e 3, o
funcionamento do Estado bem como sua responsabilidade mas, na
prática, a clareza será a mesma? Não é o que temos acompanhado com
casos de grandes proporções.
Apesar de a
sociedade recolher seus impostos e cumprir com suas obrigações da
melhor forma possível, no momento da contraprestação os governantes
alegam “força maior”? Os direitos são exigidos e cumpridos, mas os
deveres são relegados a fenômenos naturais.
Tal atitude não chega a
ser inédita, porém para o bom funcionamento da própria sociedade é
chegada a hora de se abandonar o caminho unilateral, ou seja, que o
Estado exerça, de fato, sua função de dar e receber e não apenas
receber e jogar para as perdas, senão tudo será motivo de força
maior.
Antonio Gonçalves
A má gestão do dinheiro público leva
à necessidade de instituição de novos tributos
Lendo notícia veiculada pelo jornal
Valor Econômico, em 2 de março de 2009, a qual mencionava um projeto
de emenda constitucional visando à instituição de uma nova
contribuição, a Care, com finalidade específica de custear a
revitalização econômica de áreas urbanas centrais degradadas,
coloquei-me a fazer alguns questionamentos sobre a destinação dos
tributos pagos pela sociedade ao governo brasileiro. Tal medida, a
princípio, poderia até parecer uma solução para os problemas
enfrentados pelas grandes cidades, uma vez que essas áreas centrais
estão cada vez mais abandonadas e realmente causam uma fuga de
clientela e desvalorização imobiliária para essas regiões. Contudo,
essa medida parece-me injusta e reflete mais uma vez o descaso do
Poder Público com a sociedade brasileira, a qual cada vez mais vê a
tributação aumentar sem ter a contrapartida necessária, ou seja, a
melhoria dos serviços públicos.
A função dos
tributos é cobrir os gastos públicos do Estado, para que esse possa
garantir a efetividade dos direitos essenciais dos indivíduos
garantidos constitucionalmente. Prevê a Constituição Federal que são
direitos do indivíduo a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e
à infância, a assistência aos desamparados, entre outros. A Carta
Magna prevê ainda que são objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil constituir uma sociedade livre, justa e
solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e
a marginalidade, reduzir as desigualdades sociais etc..
Desta forma, a
arrecadação tributária deve ser utilizada para cobrir esses gastos,
os quais, em um país da grandeza do Brasil e com os graves problemas
sociais que enfrentamos, realmente não são poucos. Entretanto,
conforme se verifica em levantamento do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário – IBPT, o valor de tributos arrecadados em
2008, R$ 1,056 trilhão, representa 36,54% do PIB brasileiro no ano
passado, estimado em R$ 2,89 trilhão. Referida carga tributária,
conforme demonstram os estudos, é a maior entre os países denominados
BRICs, os quatro principais emergentes do mundo, representados por
Brasil, Rússia, Índia e China.
Contudo, conforme
constatado pelo professor José Pastore, pH. D. em Sociologia pela
Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e professor titular da
Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo
(FEA), em fórum de debates promovido pela FEBRATEL, quem possui os
piores dados dentre os integrantes do BRIC é o Brasil.
Seu PIB cresce menos (3,7%), investe
menos (US$ 21,3 milhões), poupa menos (US$ 25,3 bilhões) e tem a
maior carga tributária (38%). O PIB da Rússia cresce 6,7%; da Índia,
8,2%; e da China, 10,2%. Este país investe US$ 43,8 bilhões e poupa
US$ 47,8 bilhões, praticamente o dobro do Brasil. Sua carga
tributária é de 16%, e a da Índia, 17%. Tal situação reflete
claramente a má gestão da verba pública pelo governo brasileiro.
Além de ser dos
povos mais tributados no mundo, o brasileiro ainda tem que arcar com
despesas que, constitucionalmente, deveriam ser pagas pelo Estado. No
entanto, o que se vê hoje em dia é que quem possui um pouco maios de
recursos arca ele próprio com gastos com a educação, saúde,
segurança, lazer, previdência, entre outros, enquanto que aqueles que
não possuem essa condição financeira reclamam, com toda razão, do mau
serviço prestado pelo Estado nessas áreas. Outros gastos antes
custeados pelo Estado agora já são diretamente repassados para o
indivíduo, como é o caso da cobrança de pedágio para o uso de
rodovias, o que desonera ainda mais o Estado, o qual transfere o
custeio de tais serviços para o contribuinte.
Ou seja, além de ser
um país de pouco investimento e de alta tributação, a população não
recebe um serviço público de qualidade que justifique a alta carga
tributária sobre ela incidente, devendo ela própria arcar com tais
gastos em busca de uma melhor qualidade na prestação de tais
serviços. E mais: a todo momento são criados novos tributos com o
objetivo de custear gastos específicos como a iluminação pública
(caso da contribuição para iluminação pública), a seguridade social
(COFINS), correção de saldos inflacionários do FGTS (contribuições da
Lei Complementar 110/2001) e, agora, pretende-se instituir uma nova
contribuição para custear a reforma de áreas públicas das cidades, a
Care.
Muitos desses novos
tributos, inclusive, são criados de forma ilegal e inconstitucional,
no ensejo de gerar um aumento de renda de forma rápida. Isso acaba
por gerar uma enxurrada de demandas judiciais, como se viu nos casos
citados, aumentando ainda mais os gastos da administração pública,
uma vez que terá que se defender em referidas ações, levando a uma
maior morosidade do Poder Judiciário.
Ora, um país que
possui uma das maiores arrecadações tributárias do mundo, que
representa mais de 36% da riqueza nele produzida, não necessita de
aumento da arrecadação para a realização ou prestação de qualquer
serviço público que se faça necessário. Sendo assim, a pergunta que
se faz é: onde está todo esse dinheiro que deveria custear tais
serviços?
Provavelmente parte
dele encontra-se nos altos gastos despendidos com a manutenção da
máquina estatal, a qual atualmente mostra-se inchada e excessivamente
onerosa. Ainda, diversos escândalos de corrupção vieram à tona nos
últimos anos, demonstrando os caminhos errados trilhados pelas verbas
públicas que deveriam ser utilizadas para o custeio dos serviços
públicos.
Assim sendo, o que
se faz necessário hoje no país não é a criação de novos tributos -
como se pretende através da criação da Care -, nem tampouco o aumento
daqueles existentes. O que o Brasil precisa é de uma melhor gestão
das receitas públicas, que claramente são suficientes para custear os
gastos estatais. Sobre a criação de novos tributos ou o aumento
daqueles existentes, cabe ao contribuinte manter-se sempre alerta
contra abusos eventualmente perpetrados pelo Poder Público e, sendo
pertinente, discutir as ilegalidades neles existentes.
Eduardo Oliveira Gonçalves
Robin Hood e o Principe Zé
As paixões do brasileiro ao que
sabia-se até há pouco tempo eram: samba, futebol e cachaça (ou
cerveja). Havia outros de menor importância, alguns machistas até,
como mulata, traseiro (de homem ou de mulher), que não ofuscavam os
principais.
Parece-nos que agora
surgiu mais uma paixão nacional, os impostos, os quais o brasileiro
por amar tanto, paga sem saber porquê e para quê e por isso mesmo
deveria pagar em dobro, pois afinal, quem paga mal, paga duas vezes.
Analise: quantas
pessoas se conhece, que vangloriam-se em público por pagar pequenas
fortunas de IPVA, Imposto de Renda e assim por diante?
Nunca pensou nisso?
Não são poucas.
Pagar (mal) imposto
não deixa de ser uma paixão nacional, daí explicando-se as
mal-sucedidas gritas-geral contra o excessivo número de tributos e da
carga tributária. Se o povo, assim quer, paciência, o governo
continuará indefinidamente, a cobrar bem e gastar mal.
Podem pensar que
exageramos, mas vejam.
Quando se paga a
conta de energia elétrica, tem-se uma tarifa, que nada mais é que um
imposto. Se o governo reajusta errado para mais, como ora acontece,
estamos pagando mais imposto indevidamente e sem reclamar.
Mais, a Empresa
Rede, que distribui energia para parte do Estado de São Paulo e
Tocantins, no cálculo da conta de luz, soma consumo e ICMS e no total
aplica novamente o mesmo imposto. Ou seja, o Imposto que é estadual e
escorchante, variando de doze a vinte e cinco por cento, é acrescido
pela concessionária por um percentual igual, com o consumidor pagando
imposto sobre imposto, não adiantando reclamar nem para a Empresa e
nem para a ANEEL. Talvez, se a gente reclamasse para o bispo, quem
sabe...
Mais absurda ainda é
a tarifa de pedágio – imposto, portanto. Um imposto absurdo por
muitas razões. Uma delas, é o cerceamento da liberdade de
locomover-se dentro de seu próprio país. A outra é pagar tarifa para
um particular (geralmente uma empreiteira, que garante com as
propinas o príncipe João, Zé, ou qualquer-coisa, menos Mané, no
poder), que a usa em benefício próprio, quando a própria lei diz que
instituir e cobrar impostos é competência exclusiva do Poder Público,
que não pode transferi-la para ninguém.
Sabe o leitor
quantos impostos são cobrados para construir e conservar estradas?
Exatamente dois: o caríssimo IPVA, pago quando do licenciamento do
veículo e a escorchante CIDE, cobrada em cada litro de gasolina,
quando se abastece. Para onde vai essa montanha de dinheiro? Só o
príncipe deve saber.
Isto é apenas o
começo. Veja mais. O sistema de concessão de estradas para exploração
por particulares, contraria toda a lógica possível e em muito se
parece com os tempos feudais em que Robin Hood lavou a alma da
clientela explorada, roubando dos ricos senhores de feudo, que
cobravam lautas importâncias para que os camponeses pudessem circular
pelas suas estradas e repassando á clientela o resultado da pilhagem.
Os absurdos
continuam, se você conseguir “furar” o pedágio, passando sem pagar a
concessionária, quem vai obrigar a fazê-lo é um agente público e
portanto, “nosso” empregado, que vai adverti-lo e multá-lo para não
fazer mais isso - deixar de pagar seu “vizinho” que te explora.
O pedágio é mais uma
prova de que o brasileiro tem paixão mórbida por pagar impostos, pois
não chiam quando as empresas produtoras de bens embutem nos seus
preços as tarifas de pedágio e fraternalmente as divide entre todos
os consumidores do Oiapoque ao Chuí.
Isto é justiça
tributária ao contrário e a dano do contribuinte, que se dana.
Pena que os tempos
românticos de Robin Hood, o justiceiro da floresta, infelizmente
foram-se, pois naquele tempo havia justiça fiscal e não é o que vemos
no Brasil do século XXI, onde aprendizes de príncipe João (ou Zé, com
certeza, Manés não são) continuam governando soberanos sem serem
molestados pelos amantes do samba, do futebol, do carnaval, da
cerveja e dos impostos.
Luiz Bosco Sardinha Machado
Estado supera plano de investimentos
em obras escolares em 2009 e anuncia R$ 580 milhões para 2010
Pacote de investimentos anunciados
no início do ano passado previa gastos de R$ 807 milhões em
construções de escolas, reformas e coberturas de quadras. Governo
investiu mais e fechou ano com R$ 961 milhões
No dia 03 de fevereiro de 2010, em evento no Palácio dos
Bandeirantes, o governador José Serra e o secretário da Educação
Paulo Renato Souza divulgaram um balanço das ações na área da
educação durante o ano de 2009, que apontou que os investimentos com
obras na área da Educação superaram a meta estabelecida. Parte do
Programa de Combate à Crise, o Plano de Obras para a Educação,
anunciado em fevereiro do ano passado, previa um investimento de R$
807 milhões. Esse valor foi ultrapassado e chegou aos R$ 961 milhões,
que incluem obras para a construção e ampliações de escolas, reformas
e cobertura de quadras.
Ao longo de 2009, foram iniciadas 8.167 obras escolares, que
compreendem a construção de 25 novas unidades de ensino, ampliações
do número de salas de aula em 240 unidades e coberturas de quadras
esportivas. Do total de ações programas, 5631 já foram concluídas. O
restante deve ser entregue até o final deste ano. Com isso, mais de
56 mil alunos foram beneficiados.
"O plano de obras é um complemento de nossas ações para
melhoria do ensino, que incluem programas como o Ler e Escrever, São
Paulo Faz Escola e Rede do Saber, além do foco nos professores, com
incentivo do bônus, da promoção salarial e a Escola de Formação para
aprimorar a qualidade do nosso magistério", declarou o governador
José Serra.
Neste ano, as
melhorias continuam na agenda da Secretaria de Estado da Educação: a
previsão é que mais R$ 580 milhões sejam investidos em obras, dos
quais R$ 190 milhões estão reservados à construção de 37 novas
unidades em todo o Estado, com capacidade para atender a 46.410 mil
estudantes. Além das novas escolas, o Plano de Obras prevê outras
1813 intervenções, como a cobertura de quadras, ampliação do número
de salas de aulas em unidades já existentes e reformas.
Em 2010, também serão realizadas 84 intervenções por meio de
convênios Estado/Município, assinados no final do ano passado e que
contabilizam um investimento total de R$ 164 milhões. Os repasses são
destinados a obras de construção, ampliações e reformas de escolas em
65 cidades e representam a criação de 57 mil novas vagas na rede
estadual de educação.
"Muitas dessas reformas são importantes para criar condições
de acessibilidade para as pessoas com deficiência. Todas novas obras
que fazemos preveem essa característica. Acredito que com esses
recursos e os convênios com os municípios vamos atender toda nossa
rede", disse o secretário Paulo Renato.
Fonte: Secretaria de Estado da Educação
A Oposição e a Estabilidade Política
Muito embora a janela do escritório
fosse do tipo “antirruído”, naquela tarde de 1998 o carro de som e as
palavras de ordem tiravam minha concentração ao elaborar uma
contestação judicial que deveria ser entregue no fórum, no dia
subsequente. Como quem já soubesse que se tratava de uma passeata
sindical, fui até a janela e olhei a multidão que caminhava com
cartazes na avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo.
Os sons do
microfone, a voz estridente, o volume nas alturas já faziam parte do
cenário do segundo mandato do governo do tucano Fernando Henrique
Cardoso (1998-2002) As greves e a instabilidade política sindical
eram corriqueiras e exigiam uma nova postura do governo. Hoje, ao
olharmos para trás e observarmos a calmaria reivindicatória que nos
envolve, vemos que o Brasil realmente mudou.
Os sindicatos, apesar de
estarem muito mais estruturados, fortes e segmentados, parecem estar
sofrendo de determinada “dormência reivindicatória” e pactuados com o
governo federal do ponto de vista ideológico. Em contrapartida,
alegar que essa condição não produz certo bem-estar e real
estabilidade política ao país é não reconhecer os avanços do governo
Lula no que diz respeito ao diálogo em relação à flexibilização das
ideias, na construção de uma sociedade representativa e mais justa.
A grande questão que devemos analisar nas eleições de 2010 é a
objetiva capacidade da oposição, se vencedora, de se alinhar aos
anseios sindicais, de ter verdadeira postura à dignidade do
trabalhador e, principalmente, de ser capaz de fazer o que o governo
Lula fez nas relações de trabalho. Todos sabemos que a maioria das
grandes centrais sindicais deverá apoiar a ministra Dilma, que
representa a continuidade desse entendimento.
Portanto, talvez
devêssemos analisar até que ponto a oposição do país será capaz de
ter a devida governabilidade social, hábil em nos proporcionar a
tranquilidade sindical tão necessária, expressa na calmaria e na
estabilidade política, para que possamos perpetuar esse gosto pelo
desenvolvimento, sem as turbulências e violências reivindicatórias
tão comuns na era FHC. As conquistas dos trabalhadores não possuem
caminho de volta, e com certeza um retorno ao passado, pela falta de
diálogo, influenciaria a economia, a vida e os ouvidos da população e
principalmente as antigas janelas antirruído, que já algum tempo
atrás se tornaram desnecessárias para esse tipo de barulho
popular.
Fernando Rizzolo
Pobreza e educação
Há séculos economistas tentam descobrir
as causas do crescimento econômico para poderem eliminar a pobreza.
Mas o governo brasileiro acha que encontrou a fórmula que uma
profissão inteira vem procurando e ainda não achou.
Adam Smith sugeriu
que o mercado livre e a especialização do trabalho seriam as causas
fundamentais da riqueza das nações; Joseph Schumpeter priorizou a
inovação tecnológica e a constante renovação dos métodos de produção
como fontes do crescimento econômico moderno; Robert Solow tentou
medir o impacto da poupança e do investimento na expansão econômica,
mas não foi capaz de explicar um grande resíduo em suas estimativas
que chamou de progresso tecnológico; Kenneth Arrow introduziu o
conhecimento e a pesquisa nas equações do crescimento econômico; e
John Galbraith sugeriu variáveis socioculturais como a base da
armadilha da pobreza no mundo, entre muitos outros notáveis esforços
de outros economistas.
Contudo nunca se
conseguiu produzir uma teoria geral do crescimento, mas apenas
identificar alguns fatores determinantes no sucesso dessa corrida
rumo à riqueza.
Recentemente,
Douglas North propôs que valores e instituições são determinantes no
crescimento econômico. A crença de que boas instituições geram
crescimento econômico é hoje aceita por todos.
De fato, há
correlação entre instituições eficientes, garantia de contratos e
estabilidade de direitos com crescimento econômico. Mas essa relação
não indica quais caminhos adotar se se deseja estimular a expansão
econômica.
No Brasil, o caminho
escolhido para a superação da pobreza tem sido o do redistributivismo.
Esse é o rumo mais ilusório e ineficaz de todos.
A demagogia dos "vale-isto"
e "vale-aquilo", das bolsas "A" e bolsas "B", da distribuição de
subsídios e isenções, da exacerbação da progressividade tributária e
dos confiscos de terra e de riqueza para serem pulverizados entre os
pobres jamais eliminará a miséria. A dificuldade para romper o
círculo vicioso da pobreza está no enraizamento do subdesenvolvimento
nas estruturas sociais, econômicas, políticas e psicológicas da
sociedade. E isso não se altera com políticas assistenciais, que,
ainda que justificáveis, não serão capazes de sanar o problema a
longo prazo.
A ruptura
fundamental com esse dramático equilíbrio de pobreza acha-se na
educação. È a qualidade do capital humano que gera crescimento e,
subsidiariamente, também gera boas instituições.
Grande parte dos
homens públicos brasileiros não aprendeu com o sucesso do Japão e da
Coréia do Sul, que investiram pesadamente em educação fundamental. O
Brasil ignora esse clamor e confunde caridade, que é uma virtude
pessoal, com políticas eficazes de geração de renda, virtude pública
rara entre nossos governantes.
Não se acaba com a
pobreza punindo a riqueza. Com demagogia e pitadas de caridade
corre-se o risco de aprofundá-la.
Marcos Cintra
A compra dos caças e a dispensa de
licitação
Recentemente, o governo brasileiro
optou pela compra dos caças franceses, o Dassault Rafale, para a FAB
(Força Aérea Brasileira). Não obstante os argumentos a favor e contra
esta aquisição, entendemos que uma provocação nesta discussão, de
natureza jurídica, poderá contribuir para uma visão mais global da
questão.
Ao que parece, ao
cabo do procedimento de seleção, a opinião pública debate, de forma
geral, se o embasamento do Planalto para a compra foi, ou não,
suficiente para a escolha. E, ainda, se isso justifica o considerável
valor a maior a ser pago e outros relevantes aspectos de cunho
técnico, social e político.
Juridicamente,
entendemos ser salutar o debate para dizer se foram observadas as
normas de Direito Público aplicáveis, mais especificamente à matéria
de licitações e contratos administrativos, especialmente o princípio
da vantajosidade e, de forma mais geral, o princípio processual da
motivação.
Quanto ao princípio da motivação dos
atos administrativos, este se encontra presente difusa e
implicitamente previsto na Constituição Federal (necessidade de
motivação dos atos judiciais, artigo 93, inciso IX), posto que a
transparência e a exposição clara e completa de motivos é
pressuposto nos Estados Democráticos de Direito.
Não obstante a falta de disposição
expressa na Constituição, notáveis leis posteriores trataram de
suprir tal falha, como a Lei Federal de Processo Administrativo (Lei
9.784/99, art. 2º) e a Constituição Paulista, nos seção dos
princípios que regem a Administração.
Entendemos que a
motivação do ato administrativo é, como regra, inafastável, pois
constitui garantia de legalidade, tanto com relação aos particulares
interessados quanto ao Poder Público, pois permite a fiscalização, a
qualquer momento, da legalidade do ato em questão.
Isso dito, quando o
Poder Público pretende utilizar-se do erário, do dinheiro público,
para contratar visando determinada obra, serviço ou bem, ele se
submete, em princípio, ao regime jurídico das licitações e contratos
administrativos. Ou seja, deve seguir as normas da lei nº 8.666/93
(Lei das Licitações), cujo artigo 3º preclara serem seus
princípios-macro: a garantia de isonomia de tratamento entre os
licitantes; a sujeição à da legalidade e; finalmente, a busca pela
proposta mais vantajosa (vantajosidade).
A vantajosidade
determinada no artigo 3º da Lei das Licitações espelha basicamente a
busca por contratação que seja tanto economicamente mais vantajosa
(menor gasto de dinheiro público) quanto que assim o seja
qualitativamente (melhor gasto). Contudo, vale ressaltar que o
contexto da lei 8.666/93 privilegia o menor preço, sugerindo-o como
regra nos procederes de que trata.
Outra regra
fundamental nas contratações da administração pública é à
obrigatoriedade da adoção do procedimento licitatório para
efetuá-las, sendo que a dispensa de licitação e a inexigibilidade de
licitação são exceções.
Quanto à primeira
exceção, a dispensa, ela afasta a necessidade de licitação nos casos
previstos em lei – na 8.666/93, e estão arroladas no artigo 24 –
enquanto que a inexigibilidade decorre da inviabilidade de
competição, ou seja, quando apenas determinada empresa ou
profissional seja apta à prestação de que a administração pública
necessite. E o caso, por exemplo, da necessidade da administração na
contratação de um profissional que seja, reconhecidamente, uma
sumidade em sua área de atuação.
No caso da compra
dos caças, houve dispensa de licitação, nos termos do inciso 24,
inciso XXVIII, “para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou
prestados no País, que envolvam, cumulativamente, alta complexidade
tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de comissão
especialmente designada pela autoridade máxima do órgão”.
Desta forma, muito
embora a motivação seja, via de regra, inafastável nos atos da
administração pública - conforme princípio insculpido no artigo 2º da
Lei de Processo Administrativo - verifica-se, no inciso acima citado,
que há obrigatoriedade de parecer técnico apto a justificar a
dispensa em questão. Decorrência lógica de sua ausência ou
deficiência é restar o ato em questão viciado, ao ponto de poder ser
considerado nulo de pleno direito.
Neste caso, houve
parecer da FAB, elencando elementos econômicos, técnicos e sociais
que propugnaram pela aquisição do caça Saab Gripen, da Suécia, logo,
como as decisões neste caso são vinculadas a parecer técnico, sem se
tomar partido quanto ao acerto do Governo Federal na temerária
refutação desse documento, esta deve, no mínimo, superar os
argumentos em contrário e conter elementos evidenciem a vantagem ao
interesse público na contratação.
E que tais elementos
sejam disponibilizados para controle e fiscalização da sociedade e
dos Poderes Constituídos.
Carlos Eduardo Moreira Valentim
Pela segurança e proteção de vidas
deputado propõe 1% do DPVAT para Policia Rodoviária
Federal
Todos os dias ocorrem, pelo menos, 723
acidentes nas rodovias pavimentadas brasileiras, provocando a morte
de 35 pessoas por dia, e deixando 417 feridos, dos quais 30 morrem em
decorrência do acidente.
Para reduzir estas
estatísticas lamentáveis e o número de crimes (assaltos, roubos de
carga e transporte de drogas ilíticas) o deputado federal Roberto
Santiago (PV-SP) é o relator do projeto de lei que destina um por
cento dos dos prêmios do Seguro Facultativo Complementar de Viagem e
do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos
Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) à Polícia Rodoviária Federal.
Na sua justificativa
ao projeto de lei, Roberto Santiago afirma: “O Departamento de
Polícia Rodoviária Federal (DPRF) é o órgão responsável pela
segurança dos passageiros e veículos que transitam pelas rodovias
federais. Tais rodovias, que interligam as capitais a pontos
estratégicos do território nacional, são os canais por onde passam
grande parte da riqueza nacional, na forma de produtos primários em
direção aos grandes centros e de produtos elaborados em sentido
contrário, dada a opção preferencial dos sucessivos governos pela
matriz rodoviária para o transporte de cargas.”
E completa: “De
outro lado, grande parte das viagens de turismo e negócios são feitas
por via rodoviária, tanto por transporte público concedido das linhas
de ônibus quanto pelos meios próprios dos usuários usando seus
automóveis.”
A preocupação do
deputado é financiar a fiscalização, segurança e a vigilância nas
rodovias federais. “Entretanto essa imensa malha rodoviária não é
suficientemente fiscalizada, diante dos parcos recursos destinados ao
DPRF, embora o ingente esforço de seus nobres integrantes na difícil
missão. Essa fiscalização por amostragem é, muitas vezes, ineficaz,
diante dos recursos humanos e materiais deficitários, põe em risco a
paz nas estradas, no sentido de coibir os excessos de velocidade, as
manobras arriscadas, o uso de veículos em péssimas condições de
trafegabilidade, o abuso de drogas lícitas e ilícitas ao volante,
enfim, a simples prudência esquecida por muitos”, diz.
Há ainda,
lembra Roberto Santiago, toda uma série de crimes cometidos nas
estradas, desde o roubo de cargas ao tráfico de armas, drogas,
animais e mesmo pessoas, sem falar nos sequestros, contrabando e
descaminho, que tanto prejuízo traz à sociedade.
“Para coibi-los é
necessário um aparato suficiente, com pessoal devida e continuamente
capacitado, usando equipamentos de ponta, motivados e em número
suficiente para tornar nossas estradas caminhos seguros”, afirma.
E continua: “O
repasse do percentual de um por cento do valor pago a título do
seguro facultativo complementar de viagem para aparelhamento do órgão
será se suma importância para a melhoria do serviço prestado”.
“Trata-se de quantia
irrisória, ainda, razão porque propomos, também, a destinação de um
por cento dos prêmios pagos a título de DPVAT para a mesma
finalidade. A aquisição de novos equipamentos, viaturas, bem como a
construção de novos postos, sem dúvida contribuirá para o aumento da
fiscalização e, consequentemente, da segurança de todos os usuários
das rodovias”, diz.
Um exemplo disso é a
comprovação estatística da redução do número de acidentes naquelas
rodovias com maior incidência de fiscalização eletrônica de
velocidade.
O projeto de lei
depende, agora, do apoio dos demais deputados federais e da
compreensão da necessidade de se investir na fiscalização para
reduzir os acidentes, muitas vezes, fatais nas rodovias federais.
Para mais informações, ligue para (11)
3299
Controle: controvérsias e
contribuição
Está vivo o debate sobre o controle da
Administração Pública. Ele começou na esfera política pela
controvérsia em torno das obras do PAC. E atingiu o mundo jurídico a
partir das críticas ao capítulo dedicado ao controle no Anteprojeto
da Lei Orgânica da Administração Pública. A confusão entre uma e
outra iniciativa foi imediata. O Anteprojeto, fruto do trabalho de
sete professores de direito administrativo por longos 18 meses virou,
rapidamente, mero texto de encomenda feito para o Governo cotar o
TCU. Mais simploriamente virou projeto para acabar com as cautelares
que paralisaram obras. A associação é tentadora, mas falsa. Primeiro,
porque o texto trata de muito mais temas que o controle, embora dele
dê conta. Segundo porque o trabalho foi solicitado no segundo
semestre de 2007, muito antes da controvérsia política. Além disso,
como proposta de uma Lei Orgânica, o texto não contém normas
mandatórias, de aplicação imediata; não contém proibições, mas apenas
princípios gerais, normas estruturantes e premissas organizacionais.
Portanto, não se achará no texto indicações ou obstáculos à ação de
controladores. Por fim, sendo uma proposta de lei ordinária,
pretendesse ela proibir cautelares, seria um esforço inútil. A
principal base legal para estas medidas vem sendo posta na Lei de
Diretrizes Orçamentárias, que é aprovada anualmente pelo Congresso
Nacional. Buscasse o Anteprojeto vedar, por exemplo, cautelares e a
tentativa duraria alguns meses, revogada pela LDO editada com o
conteúdo da hoje vigente.
Os princípios e conceitos sugeridos no Anteprojeto visam a clarear as
competências dos órgãos de controle interno e externo e evitar que o
controle se transforme num fim em si mesmo. Antes de enfraquecer o
controle, o fortalece, pois impede que o controlador se confunda em
Gestor. Obriga a que todos, gestores e controladores, se
responsabilizem por seus atos. E procura evitar sobreposições e
multiplicações de instâncias que não contribuem para a eficiência da
Administração.
Este debate deve ser
travado. E essa a proposta da Consulta Pública realizada pela
Administração. Porém ele deve ser tratado longe do preconceito e do
entrincheiramento de posições, como se houvessem dois lados a
pelejar: os que querem a moralidade e os que querem promover o desvio
e o descalabro. Não existe democracia moderna sem um bom sistema de
controle. Porém também não será democrático um Estado em que a
Administração viva para satisfazer o controlador e não o
administrado.
Floriano de Azevedo Marques
Arranjos Produtivos Locais do Estado
recebem mais de R$ 6 milhões em investimentos
Secretaria de Desenvolvimento
investiu R$ 3,15 milhões por meio de convênios que também garantiram
a aplicação de mais R$ 3 milhões como contrapartida de entidades
parceiras
Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) do
Estado de São Paulo, formados por municípios que concentram micro,
pequenas e médias empresas de um mesmo setor ou cadeia produtiva,
receberam, em 2009, investimentos na ordem de R$ 6,15 milhões. Os
recursos serão aplicados na instalação de centrais de prestação de
serviços, que vão oferecer cursos de capacitação, consultoria
estratégica e suporte tecnológico aos empreendedores.
Por intermédio do
Programa Estadual de Fomento e Apoio aos Arranjos Produtivos Locais,
a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo investiu R$
3,15 milhões em dez projetos diretamente voltados às cadeias
produtivas regionais. Além disso, os convênios garantiram a aplicação
de outros R$ 3 milhões como contrapartida das entidades parceiras. “O
programa tem como foco a melhoria da competitividade de setores
estratégicos, estimulando a atividade econômica regional, o
empreendedorismo e a geração de emprego e renda para a população”,
explica o secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.
Os APLs cooperam
entre si e com entidades públicas e privadas, sob uma estrutura de
governança comum. Em todo o Estado de São Paulo, existem 24 Arranjos
Produtivos Locais, que somam 14,5 mil empresas e 350 mil postos de
trabalho.
Investimentos
No setor têxtil, a região de Americana recebeu recursos para
a implantação de um Centro de Capacitação e Produção de Cooperativas
de Trabalho de Costura – por meio de um convênio com o Polo Tec Tex –
para qualificar e organizar costureiras em forma de cooperativa de
trabalho.
Já o APL de Cerquilho e Tietê recebeu investimentos para a
criação de um Centro de Formação de Mão-de-obra, em uma parceria com
a Associação de Confecções Infantis de Cerquilho e Tietê. A região de
Votuporanga, que também conta com empresas do ramo de confecções,
terá um espaço empresarial, focado na capacitação de mão-de-obra e no
desenvolvimento de técnicas inovadoras de produção.
O interior do Estado
dispõe ainda de uma ampla rede de produção calçadista, nos municípios
de Birigui, Jaú e Franca. Em Jaú, um convênio com o Sindicalçados vai
proporcionar a implantação do Núcleo de Inteligência Competitiva de
Couro e Calçado (NICC) – o mesmo ocorrerá em Franca, numa ação
conjunta com o SindiFranca. Os NICCs pretendem disponibilizar
informações estratégicas para aumentar a competitividade das empresas
instaladas nos APLs e formar uma rede de cooperação entre as
governanças e a cadeia produtiva de calçados masculinos e femininos.
Já em Birigui, para aprimorar ainda
mais a produção de calçados infantis, está sendo criado um Núcleo de
Design Estratégico, na Escola Técnica (Etec) Dr. Renato Cordeiro.
Além de aprimorar o design de calçados, o núcleo focará estratégias
de marketing e comunicação para trabalhar conceitos de identidade
empresarial, estudo de públicos e posicionamento de mercado.
No Vale do Paraíba,
a indústria aeroespacial recebeu investimentos para a implantação de
um Centro de Design e Manufatura, para criar protótipos de peças de
aviões, no Parque Tecnológico de São José dos Campos, em parceria com
o Centro para Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi).
A região de Ribeirão Preto, com suas indústrias especializadas em
equipamentos médico-hospitalares e odontológicos, vai ganhar um
Centro de Desenvolvimento e Inovação Aplicada, que vai oferecer
serviços de certificação tecnológica, ensaios, testes de qualidade e
avaliação de produtos do gênero.
Com sua economia
girando em torno da produção de equipamentos eletroeletrônicos de
segurança, o município de Garça, com o apoio do Centro Paula Souza,
vai receber investimentos para a implantação de um Centro de Formação
e Prestação de Serviços no APL. Já em Cunha, uma parceria com o
Instituto de Cultura de Cerâmica da cidade resultará na criação de
uma oficina atelier para capacitar profissionais na prática de
cerâmica artística.
O Programa de
Fomento aos APLs consagra os arranjos produtivos como importante
estratégia de desenvolvimento econômico integrado. O êxito do
programa é marcado pela interlocução entre os setores público e
privado, aumentando o poder de negociação das empresas que compõem os
APLs e o compromisso de empresários e instituições locais com a
execução de projetos de estímulo à competitividade. Para 2010, o
programa prevê novos investimentos na ordem de R$ 4,5 milhões nos
APLs. Para mais informações acesse:
www.desenvolvimento.sp.gov.br/drt/apls.
Ministério da Saúde investe R$ 39,1
milhões em serviço para pessoas com cegueira e baixa visão
O recurso será para implantar
unidades de reabilitação visual, que tratarão pacientes desde o
diagnóstico ao fornecimento de recursos ópticos de reabilitação
Os brasileiros com baixa visão ou
cegueira vão contar com novo serviço no Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde liberou recurso de R$ 1,9 milhão para
implementar as primeiras cinco unidades de reabilitação visual do
país, que vão atender, em média, 7,5 mil pessoas por ano. Serão 75
unidades no país distribuídas em todos os estados, até 2011, um
investimento de R$ 39,1 milhões. Essas unidades terão o papel de
acompanhar a pessoa com deficiência visual para que ela desenvolva
habilidades que a auxilie em suas atividades diárias. O
acompanhamento especializado também vai permitir a adaptação delas
aos recursos ópticos fornecidos no SUS, como óculos especiais,
sistemas telescópicos, lupas, próteses visuais e bengalas.
Outra novidade no
tratamento da pessoa com deficiência visual é a ampliação da oferta
de equipamentos para auxiliar na reabilitação visual, que passou de 4
para 10 tipos (veja lista abaixo). Agora, o SUS vai fornecer óculos
com lentes filtrantes para controle da iluminação. Esse recurso
óptico evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de
melanina, no caso de albinos, por exemplo. Também serão financiados
sistemas telescópicos monoculares e binoculares, utilizados para
ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas.
Também foram incluídos dois tipos de lupa, uma manual com ou sem
iluminação e uma de apoio (para pessoas que têm tremores nas mãos),
com ou sem iluminação. Antes, era fornecida um tipo de lupa, a comum.
As primeiras
unidades estão localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro (veja
lista abaixo). São hospitais, associações, institutos ou clínicas que
já fornecem algum tipo de serviço em oftalmologia, mas receberão
recursos para oferecer a reabilitação visual. Eles passarão a ser
credenciados ao SUS. O investimento vai custear avaliação e
acompanhamento oftalmológicos, tratamento terapêutico especializado,
acompanhamento com equipe multiprofissional para a reabilitação do
paciente e a concessão dos onze recursos ópticos, dos quais sete são
novos.
O usuário será acompanhado por
oftalmologistas, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais,
psicólogos, assistentes sociais e técnicos em orientação e
mobilidade. A atenção especializada e integral a essas pessoas é uma
novidade na rede pública de saúde. Com o novo serviço, um deficiente
visual que é atendido em ambulatórios de oftalmologia receberá o
diagnóstico de baixa visão ou cegueira e poderá ser encaminhado para
uma unidade de reabilitação.
“O serviço é um
avanço na implantação da Política Nacional de Saúde para Pessoa com
Deficiência. Nele será oferecido o atendimento necessário para que a
pessoa com baixa visão ou cegueira desenvolva suas potencialidades e
enfrente com maior autonomia as dificuldades no seu dia-a-dia”,
afirma Érika Pisaneschi, coordenadora da Área Técnica Saúde da Pessoa
com Deficiência do Ministério da Saúde.
Uma pessoa que fica
cega, por exemplo, pode adquirir habilidades para caminhar na rua e
movimentar-se em casa com maior autonomia. Pacientes com baixa visão
muitas vezes não sabem utilizar os recursos ópticos com destreza. A
adaptação aos equipamentos faz parte do processo de reabilitação que
irá, por exemplo, orientá-lo a focar melhor seu campo visual. Há
aqueles, ainda, que não aceitam sua nova condição e resistem o uso
dos recursos ópticos. O trabalho do psicólogo, neste caso, será
crucial para conscientizá-lo da importância do uso dos equipamentos
para melhor qualidade de vida.
As outras unidades
serão implantadas no país conforme adesão dos estados e municípios,
que devem identificar nas cidades as unidades capazes de oferecer o
serviço e encaminhar processo de habilitação do serviço ao Ministério
da Saúde.
Estatística – De acordo com a
Organização Mundial da Saúde, no Brasil, a prevalência de cegueira na
população é de 0,3% e de baixa visão, 1,7%, A pessoa com baixa visão
é aquela que mesmo após tratamentos ou correção óptica apresenta
diminuição considerável de sua função visual. A maior parte da
população considerada cega tem, na verdade, baixa visão e é, a
princípio, capaz de usar sua visão para realizar tarefas. Para cada
pessoa cega há em média, 3 ou 4 com baixa visão. Já o paciente com
cegueira é aquele que perde totalmente a visão por diversas causas,
que vão desde traumas oculares até doenças congênitas.
A prevalência de
doenças oculares que levam ao comprometimento da visão cresce com o
avanço da idade. As taxas maiores de cegueira e baixa visão são
observadas com o aumento da vida média da população. Na população com
mais de cinqüenta anos de idade as principais causas de cegueira são:
catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular
(perda da visão no centro do campo visual, a mácula) relacionada a
idade.
Política Nacional – A Política
Nacional da Pessoa com Deficiência criada pelo Ministério da Saúde
busca proteger a saúde e reabilitar a pessoa com deficiência. Os
recursos para a política tiveram acréscimo de R$ 115 milhões em 2009,
sendo que R$ 75,5 milhões já foram repassados aos municípios. Os 39,1
milhões restantes serão destinados a implantação dos serviços de
reabilitação visual.
De 2002 a 2009,
foram implantadas 53 unidades em reabilitação física, totalizando 156
existentes no país. Hoje o país já conta com 142 unidades de saúde
auditiva, implantadas a partir de 2004. Essas unidades, que promovem
a reabilitação e a aquisição de órteses e próteses para pessoas com
deficiência física ou deficiência auditiva atendem entre 280 a 300
mil pessoas por ano.
A redução da fila de
espera por órteses e próteses e a melhora na qualidade do atendimento
a pessoas com deficiência é uma das metas do programa Mais Saúde do
Ministério e da Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência
do Governo Federal. Lançada em 2007 (Decreto 6.215 de set/07), a
Agenda tem o objetivo de promover maior cobertura das ações para os
14,5% da população que possuem algum tipo de deficiência.
Unidade
Município/UF
Total investido
Irmandade da Santa Casa de São
Paulo
São Paulo (SP)
R$ 371.243,51
Instituto Rio Pretense dos Cegos
Trabalhadores (IRTC)
São José do Rio Preto (SP)
R$ 371.243,51
Conderg – Hospital de Divindolândia
São João da Boa Vista (SP)
R$ 371.243,51
Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da USP de Ribeirão Preto
Ribeirão Preto (SP)
R$ 371.243,51
Associação Fluminense de Amparo aos
Cegos (AFAC)
Niterói (RJ)
R$ 440.851,67
TOTAL
R$ 1.925.825,71
Novos recursos ópticos a serem
oferecidos no SUS
- Óculos com lentes esferoprismáticas:
serve para aproximar a visão de objetos em uma distância mais
próxima.
- Óculos com lentes asféricas positivas: serve para enxergar objetos
de forma tanto mais próxima quanto mais distante.
- Lupa manual com ou sem iluminação: utilizada para leitura e
ampliação de imagens.
- Lupa de apoio com ou sem iluminação: também é usada para leituras e
para ter uma visão mais de perto. A diferença é que serve para
pessoas que têm tremor ao segurar objetos e/ou dificuldades de
sustentar um objeto com as mãos.
- Sistema Telescópico manual monocular com foco ajustável: é um mini
telescópio monocular que serve para visualizar objetos a distância.
É ajustável para ampliar a imagem para distâncias longas,
intermediárias e curtas.
- Sistema Telescópico manual binocular com foco ajustável: utilizado
para aproximar a visão. É montado para evitar a movimentação e fixar
melhor a imagem.
- Óculos com lentes filtrantes: utilizadas para controle da
iluminação, para diminuir o desconforto visual, diminuir o
ofuscamento, aumentar o contraste e a resolução da imagem. Evita a
fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina como no caso
das pessoas com albinismo.
Quotas de ex-detentos e as
licitações
Foi assinado um acordo entre o
Ministério dos Esportes, o Comitê Organizador Brasileiro da Copa do
Mundo 2014 e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que garante que
presos e egressos do sistema carcerário brasileiro sejam contratados
para trabalhar nas obras para realização da Copa 2014.
Entra em pauta para
discussão a questão relacionada à utilização da licitação como forma
de integrar esse grupo de pessoas no mercado de trabalho, bem como
minimizar o preconceito existente no país.
Não cabe à
administração pública impor tal exigência, tendo em vista que deve
proporcionar condições para que o maior número possível de
participantes tenha conhecimento e acesso ao processo licitatório.
Razão pela qual, deve exigir, nesta fase, apenas comprovação das
condições que lhe assegure não estar realizando um procedimento de
risco, com participantes que não preencham as qualificações mínimas
exigidas por lei.
Com tal exigência, principalmente, os
princípios constitucionais da igualdade e da eficiência estariam
sendo deixados de lado.
O primeiro implica
no dever não apenas de tratar isonomicamente todos os interessados na
participação do certame, mas também, de possibilitar a oportunidade
de disputá-lo não justificando qualquer discriminação. E o segundo,
por restringir a participação de interessados, quando que, para a
administração pública, quanto maior o número de licitantes maior a
probabilidade em efetivar um contrato administrativo favorável aos
cofres públicos.
A intenção do
Ministério dos Esportes, o Comitê Organizador Brasileiro da Copa do
Mundo 2014 e o Conselho Nacional de Justiça em incentivar a
contratação de presos e egressos do sistema carcerário pelas empresas
poderia ser realizada de diversas formas, como por exemplo,
oferecendo incentivos fiscais, mas não através das licitações tendo
em vista o próprio aspecto desfavorável que seria gerado à
administração pública.
Fernando Forte Janeiro Fachini
Cinquini
Para mitigar enchentes Prefeitura
aumenta a exigência de permeabilidade em novas edificações
A Secretaria do Verde e do Meio
Ambiente publicou na última semana a Portaria de nº 156
que modifica os critérios para licenciamento de novos parcelamentos
do solo ou projetos de edificação urbana na cidade de São Paulo onde
há supressão de vegetação.
A Portaria determina que esses imóveis mantenham características
naturais de permeabilidade do solo em no mínimo 20% da área total do
imóvel. Anteriormente a exigência era de apenas 15% .
Essa medida visa
assegurar entre outros aspectos, a infiltração das águas pluviais, a
conservação da biodiversidade, a mitigação da formação de ilhas de
calor e da poluição atmosférica e sonora.
A medida mitigadora
é uma das exigências da nova portaria independente da existência de
vegetação no terreno. As áreas deverão ser revitalizadas com o
plantio de espécies nativas ou ainda de espécies nativas e exóticas,
podendo ser destinadas até o limite de 30% para ajardinamento,
instalação de equipamentos esportivos e de lazer.
PORTARIA 156/09 - SVMA publicada
10/12/2009
EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO,
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente, no uso das
atribuições que lhe são conferidas por lei, e
CONSIDERANDO o disposto na Lei Federal
n? 4.771/65;
CONSIDERANDO o que estabelece a
Resolução n? 31/SMA/09;
RESOLVE:
Art. 1º - Ficam disciplinados nesta
portaria os critérios para análise dos pedidos de supressão de
vegetação, a serem aplicados nos casos de:
I- Parcelamento do solo;
II- Projetos de edificação urbana.
Art. 2º - Nos processos de
licenciamento de novos parcelamentos do solo ou projetos de
edificação urbana, sem prejuízo das demais medidas mitigadoras
pertinentes, deverá ser exigida a manutenção das características
naturais de permeabilidade do solo em, no mínimo, 20% (vinte por
cento) da área total do imóvel, preferencialmente em bloco único,
visando assegurar, entre outros aspectos, a infiltração das águas
pluviais, a conservação da biodiversidade, a mitigação da formação de
ilhas de calor e da poluição sonora e atmosférica. § 1º - A medida mitigadora prevista no
caput deverá ser exigida independentemente da existência de vegetação
nativa na área.
§ 2º - As áreas verdes e sistemas de
lazer definidos em lei municipal e as Áreas de Preservação Permanente
poderão ser considerados para o atendimento da exigência prevista no
caput.
§ 3º - As áreas de que trata o caput
deverão ser revegetadas com o plantio de espécies nativas ou plantio
consorciado de espécies nativas e exóticas, excetuando-se espécies
exóticas consideradas invasoras, podendo ser destinado até o limite
de 30% (trinta por cento) destas áreas para ajardinamento, instalação
de equipamentos esportivos e de lazer.
§ 4º - A Resolução CONAMA nº 369/06
deve ser observada no caso de áreas de preservação permanente.
Art. 3º - No caso do licenciamento de
novos empreendimentos destinados à construção de habitações de
interesse social, de que trata a Resolução CONAMA nº 412, de 13 de
maio de 2009, poderá ser dispensada a exigência prevista no art. 2º,
se houver a comprovação da existência, na proximidade, de áreas
naturais que assegurem a manutenção das funções ambientais, desde que
respeitadas as demais normas vigentes sobre a matéria.
§ 1º - Para fins de aplicação do
disposto no caput, poderão ser consideradas áreas verdes públicas ou
privadas, parques municipais ou outras áreas não impermeabilizadas
existentes em área urbana na região em que se pretende implantar o
empreendimento.
§ 2º - A comprovação da existência de
áreas naturais de que trata o caput deverá ser feita pela Prefeitura
Municipal com base em estudo técnico.
Art. 4º - Esta portaria entrará em
vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.
Os valores mais puros têm os
significados mais simples
É incrível pensar que as maiores
carências do povo brasileiro surgem da raiz, da base, da ausência da
valorização aos costumes, sentimentos e afeições que, de tão simples,
parecem sem importância. De atitudes que de talvez por serem
intrínsecas à natureza humana, muitas vezes nos soam como pequenas,
porque temos a infeliz mania de darmos mais importância àquilo que
não nos é natural, no que não podemos ter, ou que até podemos, mas
que não nos foi dado, não nos foi concebido.
Deixamos a pureza, a
sinceridade e a candura de lado, para cavarmos uma riqueza
dissimulada, abstraída de valores, causas, enfim, sentidos.
Colocamos, muitas vezes, os nossos sentimentos de lado para buscar a
complexidade no que não tem valor real. E, acreditem, fazemos isso
sem perceber. A busca pela perfeição nos faz
esquecer que certas coisas sem estima de valor econômico, têm caráter
vital.
Esse afastamento da
simplicidade nos leva a uma complexa lógica de sentimentos e
raciocínio, sem nos deixar perceber que, na verdade, a maioria dos
nossos problemas de hoje têm solução nas questões mais básicas.
Alegria, amizade, amor,
ausência de preconceitos, bondade, caráter, carinho, compaixão,
compreensão, confiança, consciência, dignidade, ética, fraternidade,
valor espiritual, harmonia, honestidade, humanidade, humildade,
integridade, justiça, liberdade, moral, paz, respeito,
responsabilidade, solidariedade, tolerância e união. Valores simples
e humanos, mas que se afastam cada vez mais dos desejos e costumes de
nossa sociedade. Se cada um fizer a sua parte, já podemos começar a
mudar um pouquinho da realidade e a construirmos uma nova história.
Agora reflita e nos
responda: O que são valores para você? Você disseminaria
individualmente um valor para que ele se tornasse mais possível e
frequente na convivencia humana? Daria sequência nesses atos mesmo
percebendo que os outros não os fazem pelo simples motivo de ser um
cidadão, um ser humano?
Mostre através do
site-
www.mostreseuvalor.org.br qual você julga, desses fatores acima,
o valor humano que o povo precisa rever com mais urgência. O PNUD-
Programa das Nações Unidas – está engajado e contando com a sua ajuda
para melhorar a vida dos brasileiros.
É hora de preparar o Minha Casa,
Minha Vida 2
Sempre defendemos uma perene política
habitacional de Estado, não de governo. Coerentes com essa premissa,
consideramos que está na hora de preparar a segunda etapa do programa
Minha Casa, Minha Vida (PMCMV).
Em termos gerais, a primeira fase do
programa caminha com sucesso. Dificuldades operacionais estão sendo
paulatinamente vencidas, mesmo as de ordem urbanísticas, as quais
ainda são muito grandes em cidades como a capital paulista, onde os
resultados estão aquém dos esperados.
Até o momento, a
Caixa Econômica Federal contratou, em âmbito nacional, cerca de 300
mil unidades no PMCMV e poderá chegar ao final deste ano ou início de
2011 com o total anunciado de um milhão de moradias.
Estamos aprendendo
no processo, identificando problemas e possibilidades de solução.
Diante dessa experiência, fica evidente que a continuidade do
programa depende de quatro vertentes indispensáveis:
1) recursos permanentes para garantir a
produção de unidades;
2) segurança jurídica e efetividade das
instituições, sem o que não há como se enfrentar o risco de produzir
e adquirir imóveis;
3) fortalecimento das empresas e maior
qualidade dos produtos, inclusive no concernente aos quesitos de
sustentabilidade;
4) melhor urbanismo para resolver
incompatibilidades como a inaceitável distância entre a habitação e o
emprego.
Sobre este quarto
item, um dado merece destaque: no centro da cidade de São Paulo
existem 40 empregos para cada moradia; no bairro de Itaquera a
relação é de 20 moradias para cada emprego.
Estamos no momento exato de aperfeiçoar
o PMCMV para que se possa em suas próximas fases ofertar mais do que
um milhão de novas moradias ao ano. A meta de todos nós é zerar o
déficit habitacional e proporcionar um teto digno para os
brasileiros.
João Crestana
O desastroso PNDH 3
A luta pelos Direitos Humanos é uma
bandeira importante do PSDB.
Logo no início de seu primeiro mandato,
o presidente Fernando Henrique Cardoso confiou a um dos mais
respeitados integrantes de sua equipe, o advogado José Gregori, a
tarefa de coordenar o primeiro Programa Nacional dos Direitos
Humanos, oficializado em 1966.
Experimentado
batalhador daquela causa, Gregori, também co-autor da lei nº
9140/1995, que trata da questão dos desparecidos políticos, imprimiu
ao PNDH 1 a amplitude exigida pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos, da qual o Brasil é um dos signatários, contemplando seus
três princípios básicos e igualmente importantes: universalidade,
indivisibilidade e interdependência.
À luz da Declaração
Universal, pouco adianta o país dispor de um estatuto avançado em
termos de direitos políticos e civis se as suas políticas públicas
não contemplam questões como a do saneamento básico, essenciais à
saúde e à vida da população e, em particular, dos segmentos mais
pobres.
Ainda ao governo FHC
se devem avanços importantes como a inclusão no PNDH 2, de 2002, do
apoio à parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e do
aborto como tema de saúde pública. Esta última diretriz inverteu os
procedimentos observados no atendimento à mulher envolvida em
situação de abortamento, estabelecendo que o atendimento médico de
que necessita deve preceder qualquer medida de natureza policial.
Infelizmente, muitas
das diretrizes contempladas naqueles dois Programas não tiveram
aplicação prática, por falta da legislação ordinária e mesmo das
medidas administrativas que deveriam concretizar seus objetivos. No
governo Lula, por exemplo, muito se falou e pouco se fez no sentido
de verificar o que ocorreu com mais de 140 pessoas enquadradas na
condição de desaparecidas, às quais deveriam ser aplicados os
dispositivos da Lei José Gregori.
A diferença entre os
PNDHs do governo FHC e o extenso PNDH 3 do governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva é que, naqueles documentos, se evitou a
tentativa de incluir, de modo abrupto, na legislação do País, medidas
em torno das quais existe profunda divisão na opinião pública
brasileira e, inclusive, entre os juristas.
Exemplo disso é a
descriminalização do aborto, contemplada no PNDH 3. O abortamento
resulta, de maneira inevitável, na supressão do direito à vida do
embrião. A essa possibilidade se opõem eminentes cientistas do
Direito, como o primeiro Procurador-Geral da República do governo
Lula, Claudio Fonteles. Político experimentado, o saudoso
ex-governador de São Paulo, Mário Covas, costumava dizer que decisão
em matéria tão melindrosa exige prévia consulta à opinião pública por
meio de um plebiscito.
Questões não menos
ásperas, cuja resolução num sentido ou noutro envolve longas
discussões e exige a construção de consensos difíceis de serem
estruturados, são as relativas ao controle da mídia e às providências
legais que implicam a supressão de lei da anistia.
Há pouco, tivemos a
prisão de um ex-deputado à Assembléia Legislativa do Amazonas, que
paralelamente à política exercia as funções de produtor de um
programa radiofônico sobre ocorrências criminais. À míngua de
assassinatos reais que pudessem denunciar como exemplos da falta de
segurança na capital amazonense, ele delegara à sua produção a tarefa
de encomendar tais mortes a matadores de aluguel que se desdobravam
para que não faltassem mortes misteriosas a serem abordadas pelo
noticiarista.
Ainda que
excepcional, o caso evidencia a necessidade da observância de um
mínimo ético elevado por parte das emissoras que veiculam tais
programas. A busca de tais parâmetros há que se fazer com urgência,
mas por meios e modos que não violem o direito que tem a imprensa de
investigar, denunciar e criticar abusos da autoridade. Incluir esse
tema num programa por natureza muito amplo, como o PNDH 3,
seguramente não facilita a definição de tais providências.
Ampliar o acesso dos
cidadãos aos documentos e arquivos governamentais que possam
esclarecer o fim das pessoas que, quinze após a Lei José Gregori,
permanecem desaparecidas, é uma resposta necessária do Estado aos
pais, viúvas e filhos que sofrem na dúvida, garantindo, enfim, a
estes, o direito de chorar seus mortos.
O esclarecimento dos
fatos daquele momento infeliz de nosso passado recente, que ainda
permanecem nas sombras, será suficiente para produzir o efeito
catártico e libertador que se deseja. A partir disso, as retificações
históricas virão naturalmente.
Ao presidente da
República cabe arbitrar e imprimir os contornos definitivos a essa
discussão e, não menos importante, proibir seus assessores diretos
de, em sua ausência do País, se engalfinhar em escaramuças verbais
mais propícias a reviver ódios adormecidos que a assegurar o direito
à memória, objetivo declarado do PNDH 3.
Antonio Carlos Pannunzio
O direito à vida em primeiro lugar
Apesar de nossa Constituição Federal
ser clara em dizer que o cidadão tem assegurado o acesso universal e
igualitário às ações e aos serviços para a promoção e recuperação da
saúde, na prática, infelizmente, isso não tem acontecido. Nem mesmo o
serviço particular de saúde tem cumprido com as obrigações
contratadas e o Poder Judiciário, que vinha sendo o derradeiro trunfo
dos cidadãos nesse ponto, está oscilando em obrigar os planos de
saúde a prestarem assistência devida aos seus consumidores. Sendo
assim, fica a pergunta: qual é a extensão do direito à saúde e do
direito à vida no Brasil?
Em decisão recente e
unânime, proferida em processo movido por consumidor, que padece de
câncer de laringe, resistente a várias sessões de quimioterapia,
contra seu plano de saúde, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) enxergou que o prestador de serviços não é obrigado a custear
ou fornecer um medicamento receitado pelo médico, caso seja ele
importado ou possua comercialização vetada por órgãos governamentais
(Recurso Especial nº 874.976).
No acórdão, os
ministros justificam sua decisão aduzindo que não pode o Judiciário
impor ao plano de saúde que realize ato tipificado como infração de
natureza sanitária. Infração sanitária?! É notoriamente equivocado
esse entendimento, ainda mais considerando que, em tais casos, o
tratamento indicado pelo médico constitui o único método capaz de
garantir a integridade física do paciente. Há de se levar em conta
também que a importação de remédios para uso próprio está prevista na
Resolução 350, de 28 de dezembro de 2005, da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, esse
entendimento contradiz decisão do Supremo Tribunal Federal (STF),
cujo relator foi o saudoso ministro Menezes Direito, na qual
explicita que o médico é quem decide o tratamento por que passará o
paciente, não o plano de saúde (Recurso Especial nº 668.216). Por
esse prisma, se existe um relatório médico que ateste que determinado
tratamento é indispensável à saúde do segurado, a prestadora terá de
viabilizar seu custeio.
Acontece que,
amiúde, certo medicamento, por exemplo, mesmo liberado pela Anvisa,
cuja eficácia é comprovada no país, fica preso durante anos na Câmara
de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o que demonstra que
os trâmites burocráticos regulamentadores do uso de novas drogas não
acompanham a celeridade da evolução da medicina. Na visão dos planos
de saúde, essa obstrução é suficiente para justificar a não-cobertura
de certa droga.
A compreensão do
ilustre ministro deve se estender também às indicações off label, ou
seja, quando o médico indica um remédio para uma finalidade diversa
da estabelecida pelo registro na Anvisa. Nesses casos, que abundam na
Justiça brasileira, o argumento usado pelas seguradoras, para
restringirem seu fornecimento, é considerar a droga como destinada a
tratamento experimental.
O médico,
entretanto, só recorre a essa alternativa quando já houve comprovação
da eficácia de seu uso para combater a moléstia visada, por meio de
estudos científicos já apresentados em congressos ou divulgados em
publicações da área. É, em realidade, a última via de que lança mão
para salvar a vida de seu paciente.
Em tais situações, o
entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo prega que, se o
medicamento já tem o aval da Anvisa e já demonstrou, comprovadamente,
bons resultados em outros pacientes, fica descaracterizado seu
caráter experimental. Além disso, é praticamente pacífico nesse
Tribunal que os contratos de plano de saúde devem atingir a
finalidade pela qual foram contratados, ou seja, a efetiva garantia
de cobertura aos serviços de saúde. O Código de Defesa do Consumidor
continua sendo a base elementar com que os desembargadores
fundamentam sua decisão.
Se voltarmos ao
texto de nossa Carta Magna, veremos que o artigo 196 impõe ao Estado
o dever de garantir serviços de saúde à população. No artigo
seguinte, dispõe-se sobre a possibilidade de sua execução ser feita,
sob fiscalização e controle do Poder Público, pela iniciativa
privada. Nesse contexto, quando um plano de saúde assume a
responsabilidade do Estado na prestação de serviços dessa natureza,
contrai o papel de importante relevância social, tendo de respeitar
as normas de ordem estatal.
Corroborando o que
foi dito anteriormente, é válido lembrar que no Direito há uma teoria
que trata da perda de uma chance. Ou seja, não se pode subtrair a
chance de uma pessoa atingir um determinado objetivo, ainda mais se
tratando da possível cura de uma doença. Negar àquele cidadão,
consumidor aludido no início deste texto, o tratamento devido, ônus
da operadora, é o mesmo que não lhe dar oportunidade para continuar
lutando contra a doença que lhe fustiga, ameaçando, sobremaneira, sua
vida.
Quando a
problemática envolve uma doença grave, em hipótese alguma os
referidos entraves deveriam limitar o acesso à saúde. O direito não
pode neutralizar-se frente à transformação da medicina, sob pena de
sucumbir na garantia de assistência a pessoas extremamente
vulneráveis, os enfermos, frente às arbitrariedades das empresas que
prestam serviço privado de saúde.
Renata Vilhena Silva e Thiago
Lopes de Amorim
Eleições e a agenda do
desenvolvimento
O ano de 2010 é de extrema importância
para toda a sociedade brasileira, que elegerá, exercendo o dever e o
direito inalienáveis do voto direto, o presidente da República,
governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Mais uma
vez, os eleitores têm a oportunidade de passar o País a limpo, julgar
com a imparcialidade de sua consciência aqueles que já passaram pelo
poder — no Executivo e no Legislativo — e as propostas voltadas à
solução dos problemas nacionais e de cada estado da federação.
O voto é o mais
poderoso instrumento dos cidadãos para melhorar a sua pátria,
intervir na realidade e mudar os rumos da história. Por isto, é
efetivamente a essência da democracia e seu meio mais efetivo quanto
à participação direta da população nas decisões capazes de tornar um
país vitorioso ou perdedor na saga do desenvolvimento. Não há dúvida,
portanto, de que o voto direto, para todas as instâncias
governamentais, foi a mais importante reconquista dos brasileiros
depois dos anos do regime de exceção iniciado em 1964.
É preciso deixar
clara tal premissa para reforçar, por outro lado, a necessidade
indubitável de evitar que o processo eleitoral — o ponto mais alto da
democracia — interfira de modo negativo na agenda do desenvolvimento.
Este alerta seria desnecessário não fossem os amargos exemplos aos
quais assistimos em todo ano eleitoral, a começar pela paralisia do
Legislativo, cujos membros, tanto no Congresso Nacional, quanto nas
assembléias dos estados, passam a se dedicar muito mais às campanhas
do que à função parlamentar. Isso não pode ocorrer, pois é dever de
quem recebeu o voto do eleitorado saber conciliar suas
responsabilidades no cargo eletivo com suas campanhas e interesses
políticos.
A CNI (Confederação
Nacional da Indústria) está definindo quais são as prioridades do
setor no Congresso este ano. Os itens selecionados comporão a Agenda
Legislativa da Indústria – 2010, que será lançada em março. Pois bem,
as proposições indicadas como prioridades na ação de defesa de
interesses da manufatura não podem, em hipótese alguma, esperar o
calendário eleitoral.
O conteúdo do documento reúne propostas
de emenda constitucional, medidas provisórias e projetos de lei
decisivos para o setor, que tem peso exponencial na economia,
considerando o volume de empregos que gera, o valor agregado de sua
produção, o aporte tecnológico e as divisas que internaliza com suas
exportações. Outro problema a ser
evitado é a descontinuidade de ações, projetos e medidas no
Executivo, em decorrência da alternância no poder, esta peculiaridade
tão saudável da democracia. Não é benéfico para o País que os novos
governantes, quando de partidos diferentes dos de seus antecessores,
extingam programas comprovadamente eficazes, pelo simples fato de
terem sido criados e implantados por adversários políticos. Imaginem,
por exemplo, se o presidente Lula, ao assumir a Presidência da
República em 2003, tivesse mudado radicalmente os princípios da
estratégia monetária anti-inflacionária adotada no Governo Fernando
Henrique. Teria sido imenso retrocesso.
Ainda no
âmbito da macroeconomia, também seria inconcebível que o novo
governo, a ser empossado em 1º de janeiro de 2011, implodisse a
política de manutenção de reservas cambiais elevadas, hoje acima do
patamar de 200 bilhões de dólares. Afinal, esta foi uma de nossas
principais blindagens contra a recente crise mundial. Tampouco,
seriam inaceitáveis a interrupção do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento), que tem gerado empregos e impulsionado a construção
civil e numerosos segmentos industriais, e a extinção de programas,
como o Bolsa Família, voltados à inclusão social.
No tocante à
indústria, de modo específico, seria temeroso, por exemplo, qualquer
retrocesso em linhas de financiamento do BNDES, políticas de
estímulos a alguns setores e ações voltadas à ampliação das
exportações e diversificação de mercados. Os novos governantes devem,
sim, diagnosticar os gargalos, identificar o que está errado e buscar
avançar. Retroceder, jamais! Caso não ajam com racionalidade e foco
nos interesses maiores da Nação, acabam causando imenso prejuízo.
Contribuir para que
o País cresça, com inclusão social e ascensão econômica crescente dos
cidadãos, é o anseio dos brasileiros. Que a grandeza democrática das
eleições, o civismo com que os brasileiros forem às urnas e a
esperança com que digitem cada voto inspirem os políticos eleitos e
lhes deem respaldo, confiança, serenidade e a sabedoria de priorizar
os interesses maiores da população. São esses os valores e objetivos
que norteiam as expectativas da indústria, dos setores produtivos e
de toda a sociedade!
João Francisco Salomão
Paulistanos culpam a própria
população pelas enchentes
APPM realiza pesquisa sobre as
inundações em São Paulo
Na sua opinião, nos últimos quatro
anos, o número de enchentes em São Paulo (SP) vem aumentando,
diminuindo ou está inalterado? Esta foi uma das perguntas que a APPM
- Análise, Pesquisa e Planejamento de Mercado fez para os paulistanos
entre dezembro de 2008 e fevereiro de 2010. Questionadas sobre o
número das enchentes, em dezembro de 2008, apenas 12% das pessoas
acreditavam que as chuvas haviam aumentado muito; já em dezembro de
2009, este número subiu para 60% dos entrevistados.
E quando a pergunta
foi sobre o culpado pelas inundações, em dezembro de 2008, 74% dos
paulistanos acreditavam que a população da cidade entope bueiros e
bocas de lobo contra apenas 17% que responsabilizavam a Prefeitura,
que deveria zelar pelo funcionamento da cidade. Em março de 2009, 75%
dos paulistanos acreditavam na culpa da população frente a 16% da
Prefeitura. Já em setembro do mesmo ano, as respostas variaram: 71%
punham a culpa na população e somente 19% na Prefeitura.
Em janeiro de 2010, São Paulo quase
bateu o recorde histórico de chuva: foram 480,5 mm segundo o
Instituto Nacional de Meteorologia (cada mm equivale a um litro de
água por metro quadrado). Por isso é importante compreender as
mudanças que ocorreram na opinião dos paulistanos. Em janeiro deste
ano, questionados sobre os responsáveis pelas enchentes, os
entrevistaram apontaram 45% como sendo a população, 10% a Prefeitura,
10% o aumento da quantidade e da intensidade das chuvas e 31%
consideraram todos estes fatores juntos.
“A população se reconhece de
forma isolada como a grande responsável pelas enchentes, mas também
aponta para uma congruência de fatores, demonstrando que é consciente
de sua parcela de culpa sem eximir a Prefeitura e o próprio clima.
Isso reforça a necessidade de uma maior integração entre políticas de
informação, educação e também prevenção”, explica Rodrigo de Souza
Queiroz, diretor de Comunicação e Marketing da APPM.
Mais quais são as
medidas que deveriam ser tomadas para evitar as enchentes em São
Paulo? As respostas foram diversificadas: 62% dos paulistanos
acreditam na conscientização da população, 48% na intensificação da
coleta de lixo, 42% na multa para quem jogar lixo na rua e 37% na
construção de novos “piscinões” nas áreas de enchentes - 10%
preferiram não responder.
Reféns do medo
O economista da Universidade de
Chicago, Gary Becker, afirma em sua obra Crime e castigo: uma
abordagem econômica que a ação do criminoso é precedida de uma
avaliação de risco na relação custo/benefício. Para Becker o
criminoso age quando conclui que o benefício de sua ação será maior
que o risco que terá que correr. O criminoso poderá sair ileso ou, se
for preso, o preço pago à sociedade não será tão alto.
Com base na tese de
Becker é possível entender as razões que levam o crime organizado a
priorizar determinadas modalidades de delitos e deixar de lado outras
cujo risco é elevado frente aos benefícios que geram.
Os assaltos a
bancos, por exemplo, deixaram de ser uma das prioridades para os
criminosos no Brasil porque a disseminação da moeda eletrônica
esvaziou os caixas das agências. Os riscos tornaram-se elevados em
relação aos benefícios que geram.
A falência da
segurança pública brasileira direcionou as ações dos criminosos para
ações como os seqüestros e roubos, muitas vezes seguidos de morte,
como alternativa capaz de maximizar a relação risco/benefício.
Para avaliar a tese de Becker frente ao
problema da violência no Brasil é preciso levar em consideração um
aspecto importante que é a estagnação econômica vivida pelo país por
volta de meados dos anos oitenta e que durou mais de vinte anos.
Expressivo contingente da população cresceu num ambiente sem
perspectivas econômicas e com crescente deterioração da educação
pública nesse período. Essa população, agora adulta, encontrou no
mundo do crime o meio para atender suas necessidades.
O problema da
criminalidade não será solucionado no curto prazo. Há um estoque de
indivíduos atuando na marginalidade que precisa ser enfrentado com a
recuperação do sistema de segurança pública e a revisão rigorosa das
leis penais. É preciso elevar o risco para os criminosos.
Por outro lado, o
país precisa estancar um fluxo que potencializa a marginalidade. A
economia precisa crescer e, concomitantemente, é necessário que se
enfrente a violência cometida na distribuição da renda. Além disso,
educar com qualidade no ensino público é condição fundamental para
encaminhar o problema. Pouco adianta aumentar a escolaridade média da
população, como ocorreu nos últimos anos, se o nível do ensino é de
baixíssima qualidade. O analfabetismo funcional é uma realidade que
atenta contra o desenvolvimento sócio econômico brasileiro.
Ficar debatendo se o
caos na segurança é de ordem policial ou social não leva à nada. O
preço desta discussão estéril é muito alto. O combate ao crime e à
violência compreende ações simultâneas que elevem os riscos dos
delitos para os criminosos e que criem políticas sociais que
efetivamente resgatem uma enorme massa marginalizada. Caso o caminho
seja outro, continuaremos por muito tempo sendo reféns do medo.
Marcos Cintra
De apagão em apagão
O dia dez de novembro fez lembrar os
tempos bicudos de FHC. Justamente agora que o Ministério de Minas
e Energia engalfinha-se numa aparente e interminável disputa com a
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para ver quem são os
culpados por um erro de cálculo nos reajustes nos preços de
energia, que estão causando incontáveis prejuízos aos
consumidores, segundo estimativa, só no ano passado superaram o um
bilhão de reais, um apagão na estrela petista, traz o presidente a
uma realidade muito diferente da que vive nas fantasias das
intermináveis viagens por hotéis cinco estrelas pelo mundo afora.
O Brasil deve ter
mudado, mas só na forma, porquê no fundo é tudo a mesma coisa,
apresentando porém agora, um componente novo, que era tão sentido
em épocas anteriores.
Talvez, por causa
da maciça propaganda que a mídia martela, uma verdadeira lavagem
cerebral, diuturnamente, o brasileiro perdeu a capacidade de
indignar-se.
Não estamos falando só do
indiferente, para quem o exercício da cidadania “não lhe diz
respeito”, daquele que “não tem tempo”, mas da maioria de todos
nós.
O brasileiro não
é um povo “ordeiro, pacato”, como sempre quiseram nos fazer crer.
O brasileiro é omisso por natureza - por isso o sucesso das “bolsa
família” e agora “bolsa celular” (valha-nos! A que ponto chegamos)
- e se puder transferir para outrem a tarefa até de pensar, é com
ele mesmo!
No entanto, tal
não se admite dos formadores de opinião, dos institutos de
proteção ao consumidor, do Ministério Público e até do Judiciário,
que tem obrigação até constitucional de zelar pelos direitos do
cidadão.
Não se concebe
que apenas Ministério e ANEEL discutam indefinidamente, com
demonstrada má vontade, sem que os órgãos de defesa do consumidor
disponíveis participem dessa discussão para apurar
responsabilidades e determinar quem irá nos ressarcir dos
prejuízos causados por aumentos indevidos.
Apagão
O Ministério das Minas e Energia é a
galinha dos ovos de ouro do governo federal e pelo seu aspecto
altamente técnico deveria ser conferido a um expert na área. Mas
não é bem assim, no país dos omissos, o Ministério é usado para
barganhas políticas.
Edson Lobão,
homem de Sarney, foi guindado ao cargo por influência de seu
padrinho e demonstrou no episódio do apagão ser jejuno na matéria.
Na entrevista
coletiva que concedeu ao lado do Administrador Nacional do Sistema
(elétrico) ambos, apressaram-se em jogar a culpa pelo apagão numa
tempestade de raios havida entre os estados do Paraná e São Paulo.
O Paraguai aponta para uma eventual pane em São Paulo – Capital.
Se certo Lobão, possíveis ações para ressarcimento de danos
decorrentes do apagão estariam obstaculizadas, pois eventos
naturais, que não dependem da vontade do homem, não são
indenizáveis. O que não ocorreria, se aceita a tese paraguaia.
Nesta batalha de
declarações e suposições esperemos que ambos os lados estejam
errados, pois caso contrário a fragilidade do sistema estará mais
que comprovada, pois, se panes no sistema de distribuição (linhões,
estações e subestações) podem afetar usinas geradoras – no caso
Itaipu, que ficou paralisada por quatro horas – nosso futuro
elétrico estará nas mãos do imponderável e dos irresponsáveis.
E mais uma vez
seremos chamados a pagar a conta dos prejuízos causados pelo
apagão que deverá ser distribuída irmãmente entre nós, os
contumazes omissos, que habitam este país.