|
Harry
Potter e a Sabedoria Antiga
Os livros de J.K. Rowling sobre
Harry Potter são um fenômeno fantasticamente mágico. Não tiveram
origem em nenhum nicho do mundo editorial, mas rapidamente se
tornaram os livros mais vendidos para jovens desta época e os
filmes baseados neles também tem grande sucesso.
Os livros são típicos de três
gêneros literários. Um é o bildungsroman ou romance de educação
moral e psicológica do protagonista. Harry Potter vive num
internato, mas também se educa na grande escola da vida. Outro
gênero é a da busca, no qual o protagonista enfrenta uma série de
desafios e ao passar por eles descobre um grande tesouro - no caso
de Harry, a revelação do próprio conhecimento. O terceiro é o do
conto de fadas, cujo personagem central é muitas vezes um órfão.
Harry é um órfão e, portanto um representante adequado de cada ser
humano, porque como disse um dos grandes instrutores teosóficos,
todos nós somos membros desta "pobre órfã humanidade ".
A família de Harry é de feiticeiros,
mas ele foi criado pelos Muggles, isto é, por não-feiticeiros, e
assim ignora sua origem e seus poderes latentes. Porém ele é
chamado para a Escola de Magia e Bruxaria Hogwart onde ficará sete
anos para aprender magia e também adquirir maturidade moral e
psicológica. Em Hogwarts, Harry enfrenta uma série de indagações
que são parte de uma grande e abrangente busca para descobrir quem
e o quê ele é.
A série de quatro livros publicados
e mais os três em projeto agradam os jovens - de idade e de
coração. Esse interesse baseia-se na habilidade do autor em contar
a história, e também na visão de mundo das histórias que - podemos
dizer - é compatível com a da Sabedoria Antiga.
A ampla familiaridade de Rowling com
mitos, lendas, magia e episódios bizarros de informações
esotéricas misteriosas é o material da trama na qual ela constrói
seu conto mágico. Os livros criam seu próprio mundo, cuja
integridade é indispensável para a boa fantasia. Contudo eles
também são interpenetráveis em ou, para usar o termo de J.R.R.
Tolkien, "aplicáveis" a outros contextos, como a teosofia, com a
qual Rowling tem certa familiaridade, como fica claro por sua
referência em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ao autor
fictício "Cassandra Vablatsky" e seu também fictício livro
"Desvendando o Futuro". "Vablatsky" é uma transposição de fonemas,
de "Blavatsky", e "Cassandra" é um substituto apropriado para
"Helena", porque Cassandra era filha de Príamo, Rei de Tróia, uma
profetisa que sempre falava a verdade e nunca era levada em conta,
e porque a história de Cassandra é parte da grande guerra da
Ilíada, travada por Helena. Além disso, o título do fictício livro
Desvendando o Futuro sugere Ísis Sem Véu, o primeiro livro
importante de Helena Blavatsky.
Embora "Cassandra Vablatsty" mostre
que Rowling tem certo conhecimento da tradição teosófica e cremos
que este conhecimento não é profundo nem extenso. Mesmo assim, de
maneira interessante, muito nos livros de Harry Potter é
semelhante às idéias teosóficas. Este paralelismo não indica um
conhecimento detalhado destas idéias pela autora, mas revelam sua
familiaridade com mitos, lendas e símbolos com os quais a
Sabedoria Antiga Teosófica se expressa nos profundos níveis
inconscientes da alma, onde a Sabedoria está entesourada no
coração-mente de cada ser humano.
Polaridades
Um dos temas teosóficos em Harry
Potter é o da polaridade: espírito-matéria, vida-forma,
energia-massa, yin-yang, esotérico-exotérico, interno-externo e
outras mais. Diversas destas notáveis polaridades aparecem nos
livros. Uma é a dos Wizards e os Muggles, dois tipos de pessoas
que povoam o mundo de Harry Potter. Os Wizards são mestres em
magia; os Muggles são desorganizados, limitados, embora engenhosos
na tecnologia para compensar sua falta de poderes mágicos, mas
também freqüentemente vulgares e sem imaginação. Os Wizards e os
Muggles na prática são castas diferentes, que poucas vezes se
misturam e algumas vezes se desentendem:
"Toda sua família é de
feiticeiros?", perguntou Harry...
"Ah - sim, acho que sim", disse Ron.
"Acho que a mãe teve um primo segundo que é contador, mas nunca
falamos nele". (Harry Potter e a Pedra Filosofal; todas as
citações sem indicação são deste primeiro livro.)
Estas castas opostas dos sábios e
dos broncos são paralelas a dois tipos de pessoas mencionadas em
Aos Pés do Mestre (um dos clássicos espirituais da teosofia):
"Em todo mundo há somente dois tipos
de pessoas - os que sabem e os que não sabem; e este conhecimento
é o que importa". (Editora Teosófica, 1999, p.15.)
O conhecimento de que se fala é o da
realidade de um plano ordenado no universo e o lugar dos seres
humanos neste plano. Wizards, etimologicamente, são os wise,
sábios, os que sabem. Os Muggles são outro tipo de gente.
Outra polaridade é a do bem contra o
mal. Esta polaridade é muito diferente da dos Wizards e dos
Muggles. Há bons e maus Muggles, bem como bons e maus Wizards. Na
verdade, as duas figuras arquetípicas do bem e do mal nas
histórias são Wizards: Albus Dumbledore é o diretor de Hogwarts e
o maior Wizard vivo. Seu pré-nome, Albus, é a palavra latina para
"branco", sendo ele um mago "branco" isto é, bom. A primeira parte
de seu sobrenome, Dumb, é o vocábulo inglês "silenciosa, muda”,
nos lembrando que a verdadeira sabedoria não pode ser explicada,
apenas experimentada; o último significado de dumb "estúpido" é
ironicamente adequado, porque a sabedoria é muitas vezes tomada
erroneamente por estupidez por quem não sabe, como na figura
literária do Sábio Bobo. Além disto, Dumble rima com humble
(humilde); e os verdadeiros sábios são sempre pessoas humildes,
porque sabem quanto ainda não sabem. A última parte do nome do
diretor, dore, é homófona de door (porta), e este sábio diretor é
a porta através da qual Harry entrará no Caminho do aprendizado e
do serviço.
Por outro lado, o arquétipo do mal é
Voldemort, a sombra e castigo de Harry. Da mesma forma que Harry é
aluno de Hogwarts, Voldemort também o foi, adotando este nom de
mal quando se lançou em seu caminho maligno. Vol lembra o verbo
alemão wollen "querer, desejar", e mort é a raiz latina para
"morte". Assim Voldemort é aquele que tem um desejo (vol) (de)
morte (mort), o oposto da sabedoria.
Em Hogwarts, os dois melhores amigos
de Harry, Ron Weasley e Hermione Granger, são outra polaridade.
Ron vem de uma antiga família Wizard; e Hermione, de uma família
Muggle. Eles se equilibram entre si em outras caraterísticas. Ron
é retraído e introvertido; Hermione é faladora e desinibida. Ron é
tímido, com sentimento de inferioridade porque é o mais novo entre
os seis inteligentes irmãos; Hermione é confiante e positiva, uma
notável vencedora. Ron assume riscos, Hermione restringe-se à lei.
Ron é cheio de energia masculina, Hermione de energia feminina.
Com Harry eles formam um triângulo de energias e de tipos de
personalidade.
A
Busca
A busca fundamental nos livros de
Harry Potter é a da auto descoberta. A este respeito, estes livros
compartilham de um tema comum aos grandes livros guias da
humanidade. A iluminação é a habilidade de responder corretamente
a questão "Quem sou eu?" Certa vez, um estudante de zen foi a um
mestre zen e perguntou o que deveria fazer para atingir a
iluminação. O mestre zen replicou "Quem pergunta?" O estudante que
puder responder a esta pergunta está iluminado. A mesma pergunta é
o assunto principal de todos os Upanishads e, na verdade, dos
tratados espirituais de todas as grandes tradições.
Harry está na grande busca para
descobrir quem ele é - no sentido mais simples e mais literal, de
saber quem são seus pais - mas também no sentido mais profundo de
descobrir sua própria natureza e sua missão na vida. Esta grande
busca é mostrada num assunto diferente em cada livro da série. No
primeiro livro, é encontrar a Pedra Filosofal. "Filósofo" é um
termo tradicional para um alquimista e a Pedra Filosofal, um
produto mágico da arte da alquimia que transforma metais vulgares
em ouro e produz uma bebida, o Elixir da Vida, que concede
imortalidade. (Parece que os editores americanos acharam que
"filosofal" seria muito árido e desinteressante e usaram o termo
"Pedra da Feitiçaria".)
A procura pela Pedra Filosofal leva
Harry e seus dois amigos aos porões subterrâneos da Escola
Hogwarts, onde a Pedra está escondida. Sua jornada nestas
profundezas reflete o antigo tema da descida ao inferno, que é a
parte inconsciente de nossa alma, onde descobrimos verdades
ocultas sobre nós mesmos. Harry explora o subterrâneo em sete
estágios (reduzidos no filme a cinco):
1. Ele e seus amigos devem passar
por um cão de três cabeças que guarda o alçapão da porta dos
porões. O cão da história, "Fluffy", é Cerberus, o guardião do
inferno ou Hades na mitologia grega. O cão adormece com a música
tocada por Harry e Hermione na flauta que Harry recebeu de
presente. Da mesma maneira Orfeu tocando uma lira pôde entrar no
Hades e resgatar sua falecida esposa. A flauta tocada por Harry e
Hermione é análoga ao instrumento usado na ópera de Mozat "A
Flauta Mágica", tocada por Tamino e Pamina na cerimônia ao fim da
ópera.
2. Quando os companheiros caem no
alçapão (como Alice na toca do coelho) sua queda é amortecida ao
aterrissarem sobre uma luxuriante planta conhecida por Cilada do
Diabo. As gavinhas desta planta envolvem tudo que a toca,
apertando-se quando sua vítima luta para escapar. Hermione,
entretanto lembra-se ter estudado que a planta se recolhe com a
luz, e assim ela usa um encantamento para produzir uma brilhante
iluminação com sua varinha de condão. A Cilada do Diabo sugere que
o quê é agradável e fácil muitas vezes é uma armadilha, e que o
mal e a opressão podem ser sobrepujados pela Luz do Conhecimento.
3. Em seguida os meninos chegam a
uma sala que tem no outro lado uma porta que só pode ser aberta
com uma chave especial dentre as muitas chaves aladas que voam
desordenadamente ao redor do quarto. Harry encontra a chave, pois
é hábil em pegar coisas ao voar na vassoura. O simbolismo é óbvio:
precisamos da chave do conhecimento para abrir a porta da
realidade interna, mas esta chave é ilusória e pode ser capturada
somente por quem se treinou para realizar esta tarefa.
4. Na sala além da porta, os amigos
encontram um enorme tabuleiro de xadrez no qual eles tornam-se
peças num jogo de Xadrez Mágico, em que as peças capturadas são
esmagadas pela peça captora. Ron, que é o especialista em xadrez
do grupo, dirige os movimentos e finalmente sacrifica-se para que
Harry possa dar o xeque-mate no rei adversário. O jogo de xadrez
imita o de Alice no Espelho e é uma metáfora comum para o jogo da
vida. O heróico auto-sacrifício de Ron pelo bem-estar dos outros,
o coloca na classe dos futuros bodhisattvas que sacrificam sua
própria felicidade pelo bem de seus semelhantes.
5. Deixando o inconsciente Ron para
trás, na sala seguinte Harry e Hermione encontram um enorme e
medonho ser sobrenatural que deve ser dominado. Porém o gigante já
havia sido vencido - na realidade os três parceiros o haviam
deixado inconsciente num encontro anterior quando ele invadira a
escola. Dominar o monstro é ganhar controle de nossa própria
sombra, do Morador do Limiar, que personifica nossas faltas,
pecados e natureza animal. Mas, uma vez estabelecido o controle, o
monstro irreal não é mais um desafio, e quando necessário podemos
lidar com ele.
6. Na penúltima sala Harry e Hemione
são cercados por paredes de fogo que somente podem ser transpostas
se um enigma for resolvido. Hermione, a mais esperta dos três, o
resolve. Harry a manda de volta para cuidar de Ron e segue
sozinho. Os fogos da paixão somente podem ser debelados se
soubermos a resposta para o enigma da vida. Este conhecimento é
alcançado pelos que são verdadeiramente inteligentes e, de fato
este é o significado da inteligência. Devemos usar nossa
inteligência para atingir a câmara mais secreta de nossa busca, e
esta passagem final deve ser feita sozinho por cada um de nós,
porque na busca a iniciação final é solitária, enfrentada sem
qualquer auxílio, exceto por aquilo que cada um de nós tem dentro
de si.
7. Na última sala Harry encontra
ambos, Voldemort que corrompeu um dos professores de Hogwarts e
ocupou seu corpo, e também o Espelho de Erised, que deve ser usado
para achar a Pedra. O Espelho de Erised mostra a quem se olha
nele, não o reflexo da realidade, mas uma imagem do que mais
deseja. É a grande ilusão, e devemos conhecer seu segredo para não
cairmos nesta armadilha. Para encontrar a Pedra Filosofal no
Espelho, deve-se desejar encontrá-la, mas não usá-la em benefício
próprio. Harry encontra a Pedra, não para se beneficiar com ela,
mas para impedir que Valdemort a use para o mal. Da mesma forma
como o Anel de Tolkien, a Pedra Filosofal é destruída pelo ato de
coragem altruísta de Harry, para que não caia nas mãos de
Voldemort. A verdadeira riqueza e imortalidade são obtidas somente
por aqueles que são motivados por desejo altruísta. E este é o
grande segredo da busca.
As
Lições de Vida de Hogwarts
No curso da descoberta do grande
segredo, Harry aprende muitas lições repassadas aos leitores.
Embora isto seja ficção fantástica, suas mensagens são fatos
reais. Podemos identificar sete lições, sendo três preliminares:
1. Há um outro nível de verdade além
da medíocre realidade Muggle. Todos nós somos órfãos neste mundo e
Harry Potters na Escola da Sabedoria, para aprender as verdades
deste nível.
2. Instrutores como Dumbledore,
estão disponíveis na escola da vida para nos guiarem neste
aprendizado.
3. Destes instrutores, aprendemos a
ver a Verdade, mas com muita prudência: [Harry] "Há outras coisas
que gostaria de saber, se você puder me contar...gostaria de saber
a verdade de...”
4. "A verdade" - Dumbledore suspirou
- "é uma coisa bela e terrível, e deve ser tratada com muito
cuidado".
5. Quando Harry começa a perguntar
sobre Voldemort, mencionando-o pelo eufemismo de "Você-sabe-Quem",
como é chamado por muitos que tem medo até de mencionar o nome do
grande Feiticeiro do mal, Dumbledore o repreende:
"Chame-o de Voldemort, Harry. Use
sempre o nome das coisas. Omedo do nome aumenta o medo da própria
coisa."
Após estas três lições preliminares,
seguem-se as quatro lições principais:
1. Discernimento. Devemos escolher
nosso próprio caminho na vida. Dumbledore diz a Harry: "É a nossa
escolha, Harry, o que mostra o que somos realmente, mais do que
nossas habilidades". (Harry Potter e a Câmara Secreta). As Cartas
dos Mestres dizem: "Temos uma palavra para todos os aspirantes:
TENTE". E, no manual espiritual Aos Pés do Mestre, a primeira das
quatro qualificações para entrar na Senda é "Discernimento". Além
disso, a terceira Verdade do Lótus Branco (de outro manual
espiritual, Luz no Caminho) nos diz: "Cada um de nós é seu próprio
absoluto legislador, o distribuidor de glória ou tristeza a si
mesmo; quem decide nossa vida, nossa recompensa, nossa punição".
Portanto esta lição é a de fazer um esforço de - ou tentar -
distinguir entre o real e o irreal, entre o menos bom e o melhor,
entre o transitório e o eterno.
2. Desapego. A segunda lição
importante é que o mundo é mayavico, ilusório e, portanto devemos
passar por ele sem desejos egoístas. O Espelho de Erised é um
símbolo do desejo mayavico. O termo "Erised" é "Desire" (em
inglês, desejo) lido de trás para diante, por isso um mau desejo.
O Espelho tem no topo uma inscrição: "Erised s´traeh ruoy tub ecaf
rouy ton wohs i" que é a escrita reversa (em inglês) de "I show
not your face but your heart's desire" isto é "Não mostro sua
face, mas o desejo de seu coração". Os que se olham no Espelho não
se vêem a si mesmos como são, mas a ilusão do que eles querem ser
e ter. Dumbledore explica o Espelho:
"O homem mais feliz do mundo será
capaz de usar o espelho de Erised como um espelho normal, isto é,
ele verá a si mesmo exatamente como ele é... Ele não nos mostra
nada mais ou nada menos do que o mais profundo, o mais desesperado
desejo de nossos corações... Contudo, este espelho não nos dará
nem conhecimento nem verdade. Homens se consumiram em sua frente,
enlevados com o que viram, ou ficaram loucos não compreendendo se
o que viram é real ou mesmo possível".
O
Espelho é um símbolo de Maya, a Grande Ilusão, neste mundo
motivado e governado pelo desejo. Em Aos Pés do Mestre, a segunda
qualificação para entrar na Senda é o "Desapego" isto é, sem
desejo pessoal, ou, como coloca o Bhagavad Gita, agir sem desejar
os frutos da ação.
3. Boa Conduta. A terceira lição é
que devemos levar nossas vidas de acordo com Princípios Corretos e
não por regras arbitrárias. Muitas vezes Harry transgride as
regras da escola, nas nunca transgride os princípios morais. A
terceira qualificação em Aos Pés do Mestre são as "Seis Regras de
Conduta": Controle da Mente, Controle da Ação, Tolerância,
Contentamento, Perseverança e Confiança - especialmente confiança
no Plano, que é o quê aqueles que conhecem, sabem. E os que sabem,
sabem que a morte é parte do Plano. Quando Harry se preocupa com
as conseqüências da perda da Pedra Filosofal sobre o bom filósofo
alquimista que a conseguiu e que deve morrer sem ela, Dumbledore
explica:
"Além disso, para a mente bem
organizada, a morte é apenas a próxima grande aventura. Você sabe,
a Pedra realmente não era coisa tão maravilhosa. Quando muito lhe
traria todo dinheiro e vida que desejasse! As duas coisas que a
maioria das pessoas escolheriam dentre todas - o problema é que os
homens têm uma predileção para escolher exatamente as piores
coisas para si".
4. Amor. Harry salvou-se de duas
investidas do Mal, em sua infância e em sua busca, devido ao
grande amor de sua mãe. Dumbledore diz a Harry:
"Sua mãe morreu para salvá-lo. Se há
uma coisa que Voldemort não pode entender é o amor. Ele não
compreende que um amor tão grande como sua mãe teve por você deixa
sua própria marca. Não é uma cicatriz ou um sinal visível,... mas
por ter sido amado tão profundamente, será certa uma proteção
permanente, mesmo que a pessoa que tanto tenha amado haja morrido.
Por isso Voldemort não pôde atingi-lo. Seria uma agonia tocar uma
pessoa com a marca de algo tão bom".
A quarta qualificação em Aos Pés do
Mestre para entrar na Senda é o Amor.
Estas são as lições que Harry Potter
aprende em seu primeiro ano em Hogwarts, e no primeiro estágio de
sua educação para a vida: ter discernimento ao fizer suas
escolhas; fazer a coisa certa sem qualquer interesse; escolher por
guia os princípios inteligentes da vida e não as regras
arbitrárias; e ter confiança no que Dante chamou na Divina Comédia
de "O Amor que move o sol e as outras estrelas". São
Discernimento, Desapego, Boa Conduta e Amor.
Estas são lições para qualquer um de
nós aprender no início ou em qualquer época da vida.
John Algeo
Tradução: Izar G. Tauceda |