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 Edição de Março de 2010


Disciplina sem palmadas

 

Para a Psicopedagoga Maria Irene Maluf  "quase todas as pessoas, mesmo as mais controladas, exasperam-se com os filhos vez ou outra, mas os pais devem sempre ter em mente que sua irritação está mais fundada nele próprio do que com o comportamento da criança e devem usar esta ocasião para refletir e ensinar e não para castigá-la, verbal ou fisicamente. Por si só, castigo físico apenas reprime e não ensina autodisciplina, não cria ou desenvolve o desejo de agir sempre certo".

    E complementa "quando se fala em disciplina quase sempre se tem em mente a questão do castigo, embora a palavra disciplina não esteja necessariamente ligada à punição. O significado mais importante relacionado à palavra disciplina, é o de instrução, de aprendizagem e autocontrole. A preocupação dos  pais e portanto educadores, deve se prender primordialmente a educar o filho para que este desenvolva ao longo da infância, o autocontrole. E isso é feito através da aprendizagem  de habilidades, que se adquirem por meio do estímulo à cópia de modelos comportamentais dos pais e da família. E não por agressão, autoridade ou ameaças.

    Crianças são por natureza admiradoras de seus pais e “discípulos’ naturais destes, o que resulta em uma responsabilidade muito grande para aqueles que não se comportam de um modo a despertar uma amorosa admiração de seus filhos.

    A disciplina verdadeira e duradoura é criada por uma identificação contínua e profunda. Quando tal processo é supérfluo, baseado em modelos pouco fiéis a seus princípios, as crianças desenvolvem um autocontrole frágil e assim sempre precisarão de alguém que os regule, já que não sentirão a necessidade e nem a possibilidade de se  controlar e agir certo em qualquer situação onde não sejam vigiados. 

   O castigo entra nesse ponto, onde a obediência é exigida e não o autocontrole, o que evidencia a crença dos pais de que a menos que seus filhos sejam forçados a fazer o que é conveniente para eles e para o momento, eles não o farão. 

     A punição acaba por tornar a criança menos cooperativa e aí se inicia um círculo vicioso, onde o adulto perde a paciência, o auto-respeito e o respeito pela criança e parte para a agressão física ou verbal, no desejo de reprimir o comportamento infantil.

    O castigo não leva em conta a necessidade real de se dar a oportunidade à criança de agir bem, repensar seus atos, palavras e comportamentos, de se sentir amada e respeitada ao longo de seu crescimento.Uma palmada pode parecer pouca coisa a quem a dá, mas, com certeza, muito para quem a recebe, principalmente porque neste momento o respeito e a educação disciplinar passou longe dessa relação.

    Com lei, sem lei ou apesar da lei que nos proíbe de darmos palmadas em nossos filhos, é fundamental lembrarmos que crianças crescem tendo seus pais como modelos e que a agressividade, física ou verbal, aponta a onipotência, a fragilidade e a insegurança dos adultos".

 

Maria Irene Maluf

 


Professores sofrem com dores musculares

Pesquisa revela que trabalho prolongado e esforço físico podem estar relacionados com problema dos educadores

 

De acordo com levantamento publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, dores musculares em membros superiores e inferiores em profissionais da área da educação são comuns e estão relacionadas a esforços físicos e tempo de trabalho. O artigo é da autoria de Jefferson Paixão Cardoso, do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS – Bahia), e colegas, e foi veiculado na edição de dezembro de 2009.

    Segundo os autores, para coleta de dados, foi

realizado estudo sobre as condições de trabalho e saúde dos professores da rede municipal de ensino de Salvador. Esta abrangia na época da pesquisa, conforme explicam eles, a educação infantil (pré-escola), ensino fundamental I (1ª a 4ª série) e ensino fundamental II (5ª a 8ª série).

“Um inquérito que incluiu todos os professores da rede municipal de educação de Salvador foi realizado durante o recadastramento dos professores, no ano de 2006” afirmam Jefferson e colegas. Segundo eles, o quadro foi investigado “em três regiões corporais: membros inferiores: ‘dor nas pernas’; membros superiores: ‘dor nos braços’ e no dorso: ‘dor nas costas/coluna’. A frequência da dor foi medida numa escala do tipo Likert: 0=nunca; 1=raramente; 2=pouco frequente; 3=frequente e 4=muito frequente. Neste estudo, foi considerada como queixa de dor musculoesquelética quando o professor referiu sentir a queixa álgica como "frequentemente" ou "muito frequentemente", para cada região corporal acima mencionada”.    Os pesquisadores revelam no artigo que a prevalência da dor foi de 41,1% para membros inferiores (dores nas pernas), 41,1% para o dorso (dor nas costas) e 23,7% para os membros superiores (dor nos braços). “A prevalência global, para DME (dor músculoesquelética) relacionada a qualquer um dos três segmentos corporais foi de 55%: 19,7% referiram dor apenas em um dos três segmentos corporais analisados, 19,9%, em dois segmentos, e 15,4%, nos três segmentos”, dizem.

    Os autores acreditam que “os achados do estudo reforçam a hipótese de que as características oriundas de determinada atividade laboral produzem efeitos negativos sobre a saúde dos trabalhadores. Os professores investigados referiram elevadas prevalências de dor musculoesquelética em membros superiores, inferiores e dorso. Também foram analisadas associações de fatores sociodemográficos e ocupacionais para estas ocorrências. A identificação desses fatores pode contribuir para a adoção de políticas públicas que visem à prevenção de adoecimento e promovam bem-estar dessa categorial profissional”.

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico


Escrever à mão é fundamental para o desenvolvimento da criança

 

Escrever à mão sempre foi parte essencial da cultura e da formação dos indivíduos. A ciência mostra que a escrita à mão desenvolve músculos, articulações e tem ligação direta com o cérebro. A caligrafia individual revela distúrbios nervosos em estágio inicial e é fundamental para o desenvolvimento das crianças.

    De acordo com Steve Graham, pesquisador educacional da Vanderbilt University de Nashville – Tenesse, escrever à mão tem um papel fundamental no processo de aprendizagem. Para testar a influência da escrita na habilidade cognitiva, ele fez com que um grupo de estudantes tivessem aula de redação três vezes por semana. Ao final do curso, eles escreviam mais rápido e expressavam suas idéias com mais facilidade do que os outros estudantes.

    Aprender um idioma também fica mais simples quando se escreve à mão. Neurocientistas franceses demonstraram que as crianças memorizam a forma de letra juntamente com a pronúncia e o respectivo movimento da mão. Portanto, está cientificamente provado que a aprendizagem está relacionada com atividades motoras. Escrever, desenhar, colorir e fazer trabalhos manuais são exercícios fundamentais para treinar as redes neuronais do cérebro.

    Cada fase da vida exige instrumentos de escrita educacional e ergonomicamente corretos. Com base nessa realidade, a Faber-Castell desenvolve produtos diferenciados para as necessidades específicas das diversas etapas do desenvolvimento infantil. O EcoLápis grafite Jumbo da Faber-Castell, por exemplo, é ideal para o desenvolvimento do processo de alfabetização pois têm diâmetro maior que o normal, comprimento menor e formato triangular.

    O Ecolápis grafite Grip tem formato triangular e possui as exclusivas esferas antideslizantes, que proporcionam mais comforto e não escorrega nas mãos. Já os Ecolápis grafite regulares estão disponíveis em formato redondo, hexagonal e triangular, atendendo às diferentes necessidades e preferências do consumidor. Todos eles deslizam no papel, possuem alta resistência à quebra da ponta, escrevem forte e são fáceis de apagar e são fabricados a partir de madeira 100% reflorestada e certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council), preservando o meio ambiente e se preocupando com as futuras gerações.

     “Escrever, desenhar e pintar à mão são muito importantes para o desenvolvimento de uma criança, pois sabe-se que essas atividades contribuem para a ligação dos neurônios, estimulando o desenvolvimento mental, além da criatividade como um todo. Nossa estratégia corporativa se concentra em dois públicos-alvo principais: crianças de 3 a 12 anos e os amantes dos instrumentos e acessórios de escrita exclusivos e sofisticados .”, afirma o Conde Anton Wolfgang von Faber-Castell, CEO da empresa.

 

Fonte: British Institute of Practitioners in Advertising .


Uso inadequado de mochilas pode causar sérias lesões nos ombros

Ortopedista do Hospital do Coração alerta para o uso incorreto e o peso excessivo das mochilas da criançada na volta às aulas; o ideal é que a bolsa não pese mais de 10% do peso corporal da criança e que tenha duas alças

 

Com a volta às aulas, volta também a atenção dos pais ao peso da mochila das crianças. O que levar à escola, e como levar é um dilema que há tempos os pais enfrentam. Porém, é um cuidado que deve ser redobrado a cada ano, para que possam ser evitadas lesões e também para não torná-las uma doença crônica.

    Pesquisadores do Cincinnati Children’s Hospital, nos Estados Unidos, analisaram que crianças que dão entrada no pronto socorro do hospital e verificaram que 23% delas tinham queixas causadas pelo uso inadequado da mochila. Esse número não se restringe apenas a lesões na coluna e sim a 19 tipos de lesões no ombro. Já no Hcor – Hospital do Coração, em São Paulo, a porcentagem é de 9%, e em época de volta às aulas esse número aumenta em 15%.

    A maneira de carregar, erguer ou retirar a mochila das costas também deve ser supervisionada. Se comparada a bolsas de uso lateral, a mochila tem uma melhor aceitação, pois distribui o peso dos objetos pelos músculos e abdômen. Porém, se estiverem com peso acima do recomendado, podem causar um grande mal à saúde dos ombros das crianças.

    Segundo Dr. Sérgio Xavier, ortopedista do HCor, o mau uso da mochila pode ocasionar dor muscular, ferimentos abrasivos e problemas para a coluna. “Crianças podem sofrer danos na coluna vertebral ao carregar uma mochila muito pesada. O peso pode afetar as articulações, influindo no desenvolvimento dos pequenos.

O ideal é que a bolsa não pese mais de 10% do peso corporal da criança e que tenha duas alças para não haver sobrecarrega de apenas um ombro”, explica.

    Muitos pais optam então para o uso de mochila com rodinhas porém, se puxadas de maneira inadequada, os riscos são os mesmo. “A alça do carrinho tem que ter a altura adequada para a criança, e o peso também não pode ultrapassar a porcentagem desejada, senão o esforço que é feito causa lesões tão sérias quanto ao carregar nas costas”, orienta Dr. Xavier.

    Os pais devem ficar atentos para qualquer reclamação do filho. Ao primeiro sinal de dor devem levá-lo ao médico especialista para uma melhor avaliação. Vale também observar se o que ele leva na mochila é realmente essencial para as tarefas daquele dia.

 

Lesões mais comuns

Em média o HCor atende nessa época do ano cerca de 10 crianças por mês com queixas de dores nos ombros, geralmente ocasionadas pelo mau uso das mochilas escolares. São problemas que se não tratados quando detectados, podem levar a prejuízos para a vida toda. É comum encontrar jovens com problemas de postura e dores crônicas nas articulações. Os problemas mais comuns são:

  Dor muscular

  Ferimentos abrasivos

  Alterações posturais

  Fadiga

  irritabilidade

    “Quando o problema se instala iniciamos um tratamento de reabilitação para o paciente. Mudamos a rotina da pessoa e começamos com sessões de fisioterapia e exercícios de compensação”, explica o ortopedista.

Prevenção de lesões

Para eliminar a possibilidade do seu filho adquirir uma lesão pelo mau uso do material escolar, o Dr. Xavier dá algumas sugestões para a escolha da mochila.

  As mochilas devem ter duas tiras para distribuir o peso da melhor forma;

  As tiras devem ser preferencialmente acolchoadas e ajustadas de forma que a mochila fique rente ao corpo;

  A largura da mochila não pode ser maior que o dorso da criança;

  Não deve ter ultrapassar a cintura da criança.

  Dê preferência para mochilas com poucos bolsos. A diversidade de compartimentos pode ser um atrativo para carregar objetos inúteis.


Dicas para os estudantes universitários economizarem

 

O sonho de ter no currículo um curso superior acompanha a maioria dos jovens brasileiros. Porém, com a concorrência cada vez maior por vagas em faculdades públicas, muitos estudantes precisam estudar em instituições particulares, ou precisam mudar de cidade.

No caso das universidades particulares, existe um custo. Só a mensalidade eu um desses cursos fica numa faixa de R$ 650,00. O que sozinha, já pode levar muitas vezes o estudante e sua família à inadimplência.

   Fora isso, os estudantes que entram nesse novo estágio da vida tem diversas outras preocupações financeiras. Diferente do que ocorria anteriormente no colégio, o número de livros e textos que o aluno tem que ler é muito maior; tem também o custo de transportes, e aumentam as baladas e os eventos sociais. O caso se torna ainda mais grave quando o estudante muda de cidade, nesse caso, ainda existe o custo de moradia, telefone, alimentação e viagens.

   Veja algumas dicas de economia para essas situações:

  Buscar economizar o máximo possível na utilização de papel e cadernos, utilize material de outros anos que tenham folhas em branco, uma boa dica é o uso de sulfites já utilizadas de um lado como rascunhos;

  Em função do grande número de texto para ler, é interessante formar um grupo de estudos com colegas compartilhando textos, uma cópia de cada texto será suficiente para vários alunos, mas é importante que todos tenham o mesmo ritmo, para que não haja confusões. Também é importante utilizar as bibliotecas;

  Não deixe de aproveitar as baladas, mas selecione as que realmente valem a pena e as que são mais econômicas, uma boa dica é reuniões e encontros caseiros. Diversão não é sinônimo de gastos;

  Sobre transporte, sempre existem os passes estudantis, utilize os transportes públicos. Se isso não for possível, busque revezar ou dividir carro com o maior número de pessoas possíveis;

  Se trabalhar, busque sempre ter uma reserva no fim do mês, são frequentes imprevistos que podem fazer com que tenha que parar com o curso;

  Caso não trabalhe, é a hora de buscar um estágio remunerado, além de ser bom para o currículo, o dinheiro que recebe poderá ser utilizado para reduzir os custos de sua família com a mensalidade, e para que você comece realmente a conquistar sua independência;

  Busque descontos nas mensalidades ou mesmo créditos educacionais, mas, lembre-se, esses terão que ser pagos no futuro, assim, já deve começar a fazer uma reserva extra;

  Se for morar fora, busque morar em repúblicas com pessoas que tenha as mesmas condições financeiras que você e com um aluguel mais baixo possível, faculdade não é fase de status e sim de estudo;

 Evite comer fora com frequência, cozinhar é uma solução econômica e relaxante, também, existe a possibilidade de levar lanchinhos em vasilhas ou mesmo os lanches naturais;

 Por mais que a saudade dos familiares seja grande, a universidade é um momento de conquistar seu espaço, assim, não é necessário viajar todo o fim de semana, nem telefonar todo dia, mas, cuidado, ficar em outra cidade sozinho não é sinônimo de sair bagunçar e gastar.

    A faculdade é uma fase de crescimento e nesse processo está a capacitação financeira, assim, todo cuidado é pouco para que você realmente cresce e tenha um futuro adequado para seu crescimento profissional.

Reinaldo Domingos


Em 10 anos, matrículas de alunos com deficiência visual cresceram mais de 600% no Brasil

 

 

Cresceram 620% as matrículas de alunos jovens e adultos portadores de deficiência visual no Brasil comparadas a 1998, de acordo com Censo Escolar de 2008 publicado pelo Inep/MEC no final do ano. Em 1998, eram 8.963 estudantes, sem segmentação por deficiência. Já em 2008, foram registradas 55.915 matrículas, das quais 4.604 de alunos cegos e 51.311 de estudantes com baixa visão.

    Em 2009, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou que 30% das crianças em idade escolar apresentavam problemas de refração no Brasil, o que equivale a dizer que oito milhões de estudantes entre 7 e 14 anos de idade passam por dificuldades visuais para aprender.

Para a oftalmopediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura, muitas crianças, principalmente no início da idade escolar, apresentam problemas de visão não diagnosticados. "Pais e professores devem ficar atentos aos sinais de que a visão das crianças tem problemas. O aluno que não enxerga bem tem uma limitação de aprendizado", alerta.

    Populações - De acordo com o levantamento do CBO, a menor prevalência da cegueira infantil em países desenvolvidos é de até 0,3 por mil crianças. Este número se torna mais preocupante nos países em desenvolvimento, onde alcança a proporção de 1,5 por mil crianças. No Brasil, a estimativa é de que 30% das crianças entre zero e 15 anos de idade sejam portadoras de cegueira, cerca de 54 milhões de habitantes.

    Mas com os recursos médicos existentes atualmente, já é possível tratar pelo menos 60% das causas que levam a ao comprometimento visual, conclui o estudo da entidade que integra o programa governamental Olhar Brasil.

    Causas x Tempo- Segundo Dorotéia, as principais causas de cegueira infantil são distrofia retiniana, catarata, aniridia, albinismo, ambliopia, deficiência de vitamina A, sarampo, meningite, oftalmia neonatal, rubéola, toxoplasmose. Entre as causas evitáveis estão, por exemplo, as doenças infecciosas e a retinopatia da prematuridade, bem como a ambliopia (olho preguiçoso). As causas tratáveis decorrem de ocorrências de catarata congênita ou infantil, glaucoma congênito e alguns tipos de retinopatia da prematuridade.

    Em avaliação geral, oftalmologistas acreditam que cerca de 50% das crianças cegas no mundo chegaram a esse estágio por não tratarem em tempo as causas evitáveis.

    Regionalização - No Censo de 2008, a região Nordeste apresentou o maior crescimento de matrículas de alunos portadores de deficiência visual. Foram 1.600% de matrículas feitas a mais no período de 10 anos. Eram 1.362 estudantes em 1998, passados 10 anos, o volume é de 22.945 matriculados com deficiência visual. Já no Sudeste brasileiro, o crescimento das matrículas neste segmento educacional foi de 665% no mesmo período. O volume de alunos saiu de 2.934 em 98 para 19.523 em 2008.

    A região Norte registrou crescimento de 470%, saindo de 1.025 alunos com deficiência visual em 1998 para 4.825 em 2008. No Centro-oeste, o salto foi de 415%. Na região da capital do País, os 651 estudantes com deficiência visual matriculados em 1998 passaram a ser 2.706 no último Censo. Já os estados da região Sul tiveram um aumento de 197% entre esses alunos. Com 2.991 alunos em situação de cegueira ou baixa visão matriculados em 1998 a região mostrou em 2008, um contingente de 5.916.

    Baixa visão - A oftalmologista do HOB explica que os principais problemas de baixa visão em estudantes estão relacionados aos erros refrativos, defeitos de qualidade de visão como a miopia, hipermetropia e astigmatismo e se manifestam exatamente nos primeiros anos de escola. "A miopia é a dificuldade de enxergar de longe. O olho do míope é longo e a imagem se forma antes da retina. Já a hipermetropia é a dificuldade de enxergar de perto já que o olho é pequeno e a imagem se forma depois da retina. E o astigmatismo ocorre quando a visão fica embaçada, com mais de um ponto de foco. Não se vê bem o que está na vertical ou na horizontal", explica Dorotéia.

    Outra irregularidade visual que pode afetar o aprendizado e, esta tem prazo para ser corrigida, é a ambliopia, chamada também de "olho preguiçoso".

    A ambliopia, de acordo com a oftalmologista, pode ser ocasionada pelo estrabismo nos primeiros anos de vida, pela anisometropia (diferença de grau entre os olhos), pela catarata e por outras doenças oculares congênitas.

    O tratamento da ambliopia deve ser realizado o mais precoce possível, pois em torno dos 6 a 7 anos de idade a visão já está estabelecida e qualquer estímulo para recuperar a visão após esta idade tem poucos resultados. O tratamento cirúrgico, necessário em alguns casos, é realizado somente após a busca da recuperação da visão, quando os dois olhos estiverem com boa visão para a criança. "A correção estética não é o mais urgente", comenta a médica ao aconselhar que o primeiro exame oftalmológico seja realizado antes dos três anos idade.

    Como identificar - Dorotéia Matsuura conta que as crianças que têm deficiências visuais normalmente são agitadas em sala de aula, não conseguem se concentrar e chegam bem perto do quadro ou do livro para poder enxergar. "O mal rendimento em sala de aula pode ser um sinal de que algo não vai bem com a visão da criança. Muitas vezes a criança já é estigmatizada como desinteressada, mas, na verdade sofre com problemas de refração, como miopia, hipermetropia ou astigmatismo, por exemplo".

    Outro comportamento frequente entre crianças em idade de alfabetização é a troca de letras. "É muito comum crianças com baixa visão confundirem as vogais cursivas fechadas como a e o ou consoantes semelhantes como o q/g ou m/n".

    Já no caso da ambliopia, a situação é controversa, porque é justamente na idade limite para o tratamento (entre os 6 e os 7 anos de idade) que a criança dá sinais mais evidentes do problema. É quando vai para a escola, iniciando o período de alfabetização que aparecem as primeiras mostras dessa dificuldade visual. Dorotéia aconselha aos pais realizarem o primeiro exame de acuidade visual a partir dos dois anos de idade, quando ainda é possível fazer o tratamento da ambliopia com sucesso.

     A oftalmologista enumera como principais indícios de problemas oculares nas crianças:

  Mal rendimento em sala de aula;

  Confusão de letras;

  Lacrimejamento excessivo;

  Dificuldade de ler o que está no quadro;

  Coceira nos olhos;

  Vermelhidão ocular.

 

Site do Censo Escolar: http://www.inep.gov.br/basica/censo/

Escolar/Sinopse/sinopse.asp


Escolas abusam com taxa de matrícula

 Cobrança de taxa de matrícula em escolas e faculdades é ilegal e pode ser contestada na justiça.

 

“Um ano com 13 meses para cobrar e 9 meses para prestar serviços. É assim que as instituições de ensino – de um cursinho de línguas até a universidade – encaram suas atividades”, segundo o advogado tributarista Dr. Arcênio Rodrigues da Silva. Ele considera ilegal a cobrança de taxa de matrícula em cursos de toda espécie. “Com base no Código de Defesa do Consumidor, os pais de alunos estão fazendo um contrato de prestação de serviços que inicia em janeiro e termina em dezembro. Não existe o 13º mês”, afirma o advogado.

    Porém, a alegação de muitas escolas é que se trata de uma anuidade dividida em 13 parcelas como uma forma de facilitar o pagamento. “Isso não me convence, Além do mais, não tem amparo legal”, afirma Dr. Arcênio. E vai mais longe: “os meses de férias em dezembro, janeiro e julho, quando normalmente existe o recesso escolar, também poderiam, em tese, ser isentos de pagamento. Os custos fixos da escola não são problemas dos pais”, resume o advogado.

  

    Dr. Arcênio provou sua tese com uma experiência particular. Ele contestou junto à escola de Ensino Fundamental das suas duas filhas, o pagamento da taxa de matrícula - na verdade “re-matrícula” – . O diretor da escola – uma instituição de grande porte em São Paulo – chamou o Dr. Arcênio para uma conversa reservada. E tentou convencê-lo a pagar a matrícula. O advogado então propôs discutir o caso na Justiça. A escola resolveu “dar um desconto” para as filhas do advogado, não cobrando mais a matrícula. “Esse negócio de desconto não existe; foi uma saída honrosa da escola”, opina.

    “A causa é fácil de ser ganha. O consumidor deve procurar o Procon, entrar com uma ação no Juizado de Pequenas Causas, ou na Justiça comum com seu advogado”. O advogado recomenda ainda que as associações de pais comecem a discutir esse assunto nas escolas. “É uma forma de pressionar as instituições a corrigir essa distorção”.

 

 Dr. Arcênio Rodrigues da Silva


Hora de vacinar as crianças

O início do ano letivo é mais um motivo para que os pais coloquem em dia o calendário de vacinação dos filhos.

 

As férias escolares chegaram ao fim e a maioria dos pais já começaram os preparativos para a volta às aulas da criançada. Mas, muitos se esquecem que a ocasião também exige preocupações com a saúde dos pequenos. Isso porque na escola as crianças passam muito tempo em salas fechadas, o que facilita a transmissão de doenças infectocontagiosas. Portanto, o momento é ideal para colocar em dia o calendário de vacinação dos filhos.

    "Os pais costumam dar muita atenção à vacinação quando os filhos ainda são bebês. Mas, quando a criança entra em idade escolar alguns pais se descuidam e acabam perdendo as datas de reforços importantes", explica Jorge Huberman, neonatologista e pediatra do Hospital Albert Einstein e do Instituto Saúde Plena. Para ajudar a organizar a vacinação dos filhos, o pediatra lista abaixo as vacinas necessárias para crianças de 3 a 14 anos.

 

Vacinas:

 

- Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa): reforço aos 4 e aos 5 anos da criança;

- Poliomielite (vírus inativados): reforço aos 4 e aos 5 anos da criança;

- Influenza (gripe): reforço anual;

- Poliomielite oral (vírus vivos atenuados): para essa vacina há os dias nacionais de vacinação comunicados pelo governo;

- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): a segunda dose deve ser dada aos 4 e aos 5 anos de idade;

- Varicela (catapora): segunda dose aos 4 anos de idade;

- HPV: deve ser aplicada em meninas de 11 a 12 anos de idade. A princípio, apenas as meninas deverão ser vacinadas. Sempre que possível, deve ser aplicada preferencialmente na adolescência, antes de iniciada a vida sexual, entre 11 e 12 anos.

- Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa): Reforço deve ser dado aos 14 anos de idade.

 

Fonte: Associação Brasileira de Imunizações (SBIm) - 2009


Falar sobre sexo no ensino fundamental não é cedo demais

 

Até a década passada, a aula de educação sexual nas escolas para alunos acima de 14 anos era uma evolução da sociedade e da educação formal dos adolescentes. Mas essa realidade mudou, (e muito) em pouco tempo e cabe a todos refletir como fazer, o que falar, como agir para que essa criança seja orientada adequadamente a partir dos 8 anos.

    Os números assustam:

- Desde o primeiro caso de AIDS no Brasil (1982) até a mais recente publicação do boletim epidemiológico das DST/AIDS (Brasil, 2007) houve um aumento da infecção na faixa etária entre 13 e 24 anos (54.965 casos - 10.337 entre 13 e 19 anos e 44.628 entre de 20 e 24 anos);

- Apesar de raro, o Hospital Pérola Byngton (em São Paulo) tem registro de dois casos por ano de câncer de mama, entre adolescentes, na faixa etária entre 13 e 16 anos;

- Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2006) mostra que a única faixa etária que apresentou aumento da fecundidade foi a de 15 a 17 anos (6,9% em 1996, para 7,6%, em 2006). Nordeste – aumento de 1,2%; Sul – aumento de 0,9%; Sudeste - menor proporção de adolescentes com filhos (5,6%), metade do percentual da região Norte (11,2%). Pesquisa de Registro Civil do IBGE- 2007 mostrou queda na gravidez de adolescentes de 15 a 19 anos - de 20,5% em 2006 para 20,1% em 2007. Assim, em cada cinco gestantes, uma é menor de 20 anos;

- Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 30% das mulheres sexualmente ativas carregam o vírus de HPV. Entre as adolescentes, esse número sobe para 50%.

    De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (de 1990), em seu artigo 2º, considera-se criança, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes entre 12 e 18 anos de idade. Já o conceito de puberdade, caracterizado pela presença de caracteres sexuais secundários compatíveis com determinados parâmetros (escala de Tanner), que em 1990 acompanhava o padrão da adolescência, vem apresentando, nos últimos 20 anos, uma antecipação importante. Hoje, considera-se a puberdade precoce em meninas antes dos 8 anos de idade (até 9 anos é normal) ou em meninos antes dos 9 anos (até 10 anos é normal). Sendo que em 95% das mulheres o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários ocorre entre 8,5 e 13 anos.

   Cada vez mais, temos doenças de adultos aparecendo em crianças (obesidade, diabetes, hipertensão e alterações de colesterol e triglicérides). Esse assunto começa a gerar uma conscientização para uma mudança de comportamento (ainda não tão eficaz quanto o desejado), provocada pela antecipação de situações que antes só víamos mais tardiamente.

    Nossas crianças estão amadurecendo física e hormonalmente sem um suporte educacional, psicológico e até familiar adequado que permita que elas não "adoeçam" precocemente.

    E essas "doenças" (gravidez na adolescência, HPV, câncer de mama, entre outras) trazem consigo, não só conseqüências individuais, mas carregam problemas sociais importantes, já comprovados por estudos como abandono precoce de escola (25% temporariamente e 17,5% de forma definitiva), risco de desemprego (70% - segundo a Fundação Oswaldo Cruz), mudança social, riscos de morte (parto e abortamento provocado em adolescentes) e de câncer (mama e colo de útero).

 

Até quando vamos esperar para tomar medidas mais eficientes e preventivas?

Poucas iniciativas isoladas começam a aparecer, mas sem grande abrangência. Por exemplo, podemos citar a vacinação contra HPV, para ser aplicada no sexo feminino, entre os 9 e os 26 anos de idade. Mas essa vacina ainda é muito cara e inacessível à maioria das jovens (três doses ao custo de cerca de R$ 300 a R$ 400,00 por dose).

Temos que investir na educação, na promoção à saúde. Prevenir ainda continua sendo melhor (mais barato e mais produtivo) do que remediar. Mas como agir? Quais as estratégias mais adequadas?

Não há como atingir as metas desejadas sem a participação de todos:

-Do governo: através de programas educativos, de acesso facilitado a bons serviços de saúde adequados, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);

-Da escola: pela orientação sexual e de saúde, tanto para os professores quanto para os alunos;

-Da sociedade: na fiscalização dos objetivos propostos;

-Da mídia: com campanhas educativas, evitando a erotização precoce das crianças;

-Dos pais e familiares: na abordagem mais aberta e acolhedora de seus filhos;

-Dos profissionais de saúde: com um preparo mais apropriado na orientação desse grupo de pacientes (por exemplo, pediatras orientando vacinação, cuidados de higiene, auto-exame de mamas e até anticoncepção);

-Dos próprios adolescentes: que não sejam apenas os receptores de toda essa informação, mas também agentes dessa mudança.

 

Dr.Yechiel Moises Chencinski


Educação - qual o papel da escola? Lucro a qualquer preço?

 

A cada dia que passa me preocupo cada vez mais a quantas anda a educação no país. Ao meu ver muito preocupante.  O ensino público está em queda vertiginosa à anos, salvo raríssimas exceções, restando aos pais buscarem por escolas particulares para oferecer um futuro mais promissor aos seus filhos.  O problema é que muitas escolas privadas abusam, e muito dos pais. 

    A voracidade por dinheiro é tão grande, que sem qualquer escrúpulo cobram dos pais valores indevidos e impõem coisas absurdas, em total desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor – Lei 8.078/90, que em 15 de março desse ano completa 20 anos.  Pois é vinte anos se passaram e a lei continua sendo ignorada. 

A Associação Brasileira do Consumidor – ABC relata abaixo os principais truques e irregularidades cometidas por algumas escolas privadas.  Fique atento às dicas:

    Rematrícula(reserva de matrícula): cobrada geralmente em dezembro na fase mais turbulenta do ano.  Pense bem antes de pagá-la, pois não será devolvida caso resolva mudar seu filho de escola.

    Mudando de escola: suponha que pagou a rematrícula do seu filho em dezembro, e dias após resolve mudar seu filho de escola.  Nesse caso você não será obrigado a pagar a mensalidade de janeiro. Parece obvio não?  Pois é, mas mesmo assim tem escolas que tenta coagir os pais desavisados a pagá-la, agindo de forma antiética e extorsiva.   Por incrível que pareça uma escola “tentou” fazer isso comigo, e obviamente teve que recuar.  Não se pode cobrar por um serviço que não será prestado.    Portanto antes de rematricular seu filho ou assinar o contrato de prestação de serviços para o ano seguinte, pense muito bem.

    Infra estrutura: conheça as dependências das escolas, observe detalhes tais como higiene, se tem umidade e infiltrações nas salas de aula e demais ambientes, cantina, refeitório, espaço de recreação(espaços reduzidos deixam as crianças estressadas)

    Mudança de professores com freqüência: esse também pode ser um indicativo de que as coisas não vão bem na parte administrativa da escola, e com isso os professores vão às salas de aula insatisfeitos, prejudicando o aprendizado das crianças.

    Material de Higiene:  algumas escolas privas exigem mensalmente ou anualmente que os pais mandem material de higiene, tais como Álcool, papel toalha, papel higiênico, copos descartáveis, ou seja; repassam aos pais uma obrigação que é da escola fornecer.  Essa prática também é totalmente proibida pelo CDC.   Assim fica fácil gerir um empresa não é mesmo?

    Material Escolar: Um outro problema é em relação à quantidade do que é cobrado por estes estabelecimentos escolares. Alguns itens que até são legais para os estudantes mais novos, como tinta guache, lápis de cor e hidrocor, acabam sendo cobrados numa quantidade grande e injustificada, o que também acaba se transformando em irregularidade. O resultado não poderia ser outro: contas altas para os pais e inflação em relação ao ano passado.   Assim as escolas abrem precedentes para que os pais exijam uma prestação de contas no final do ano letivo.

    Valor dos materiais escolares:  Pesquisar preços é fundamental uma vez que os preços de um mesmo produto podem variar em mais de 100% de um estabelecimento comercial para outro.  Portanto faça cotações em vários locais.

    Portanto nos vemos diante de uma verdadeira inversão de valores, pois ao invés da de escolas ensinarem elas tem que aprender e muito como respeitar o próximo e as leis que regem o país.  Precisamos excluir da grade curricular de algumas escolas a desonestidade e total desrespeito com pais e alunos.

     Sentiu-se lesado?  Procure pelos órgãos de defesa do consumidor e exija seus direitos.

 

Marcelo Fernando Segredo


Excesso de barulho nas escolas pode gerar estresse, problemas de aprendizagem e até danos à audição


Milhões de estudantes do país estão voltando às aulas. A animação e algazarra nas classes, no entanto, escondem um sério problema: os danos à audição, que podem ser sentidos somente na idade adulta, mas que têm início nos primeiros anos de escola, em meio ao ruído excessivo nas salas de aula.

    O "barulho ensurdecedor", reclamação de muitos professores, não é somente um jeito exagerado de se referir ao incômodo. Com o passar do tempo, aluno e professor, expostos diariamente a sons altos, podem ter a audição comprometida, já que a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) tem efeito cumulativo. Quanto maior a frequência a ambientes barulhentos ao longo da vida, maiores as chances de danos. No ambiente escolar, a gritaria da turma, somada aos ruídos que vêm da rua e do trânsito, prejudica o bem-estar de todos, comprometendo não apenas a concentração e aprendizagem, mas também os ouvidos.

    A barulheira das crianças frequentemente tem efeito multiplicador. Os alunos vão gritar para fazer ouvir sua voz entre outras crianças barulhentas. O professor, por sua vez, faz tamanho esforço para ser compreendido que também acaba gritando sem perceber. Ao mesmo tempo, outros alunos movem suas cadeiras para frente e para trás para apanhar um lápis no chão, ir ao banheiro ou simplesmente conversar com o colega de trás. Medidas simples que atenuam o problema são colocar feltro sob mesas e cadeiras escolares; e exigir dos alunos que falem mais baixo - a começar pelo professor.

    Estudo realizado pela Universidade de Oldenburg, na Alemanha, confirmou que em muitos colégios o barulho nas salas de aula passa do tolerável. No Brasil, alguns colégios particulares já se preocupam com o tema. É o caso do paulistano Santo Américo, no Morumbi, que conscientiza alunos do 1º ao 9º ano com os chamados "ruidômetros" - cartazes que trazem uma escala subjetiva de barulho que vai de 0 a 10. Quando professor ou aluno fica incomodado com a barulheira, muda o prendedor para os números mais altos para chamar a atenção de todos.

    O limite suportável para o ouvido humano é de 65 decibéis, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Acima disso, o organismo começa a sofrer danos. Para as salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibéis.

Muitas classes, no entanto, atingem 75 decibéis, principalmente as que têm mais de 25 estudantes. Além disso, o barulho no pátio, na hora do recreio, pode chegar a mais de 100 decibéis.

    Se pessoas com boa audição são prejudicadas com tanto barulho na escola, imagine um aluno que já sofre de perda auditiva. "Ouvir o professor com tanto ruído ao redor é difícil, mas a tarefa torna-se impossível para uma criança com problemas de surdez. As escolas precisam buscar alternativas para enfrentar o problema", alerta a fonoaudióloga Isabela Gomes, do Centro Auditivo Telex.

    Criado pela dinamarquesa Oticon - líder mundial na comercialização de aparelhos auditivos - foi lançado no Brasil o aparelho "Amigo", sistema FM que permite a comunicação direta de professores com crianças e jovens que apresentam problemas auditivos. A nova tecnologia, utilizada dentro das salas de aula, é fundamental para ajudar o aluno com deficiência auditiva a entender com clareza o que o professor está ensinando. O sistema é composto por um microfone (transmissor) e um receptor. A pessoa que está falando, no caso o professor, utiliza o minimicrofone acoplado à roupa e sua voz é transmitida diretamente para o ouvinte, que é o aluno. Isso ajuda a cortar qualquer efeito negativo de distância, eco ou ruído de fundo, mantendo o sinal da fala original alto e claro.

    "Pais e professores precisam estar atentos para problemas de déficit auditivo de seus filhos e alunos, que muitas vezes passam despercebidos. É necessário medir a audição das crianças, principalmente no início da fase escolar, para evitar problemas de aprendizagem, futuros danos auditivos ou mesmo o agravamento de distúrbios já existentes", aconselha a especialista Isabela Gomes.

    No Centro Auditivo Telex, as pessoas encontram, além do sistema 'Amigo', diversos outros aparelhos auditivos, quase invisíveis, com tecnologia digital, que aliam estética aos cuidados com a audição, de forma a não trazer inibições a quem precisa ouvir melhor.   


Falta de segurança em escolas acaba com a tranqüilidade dos pais

 

É inegável que as escolas possuem importância fundamental na educação das crianças, tanto no aprendizado quanto no desenvolvimento, e devem ser consideradas como o segundo lar delas. Para tal, é imprescindível que os pais sintam-se seguros em colocar seus filhos em uma instituição de ensino onde terão a maior segurança possível.

   Acidentes ou até mesmo o risco de incêndio são fatores preocupantes, porém, devido à atual situação de criminalidade no Brasil, especialmente em São Paulo, a violência tem se tornado um dos mais importantes quesitos na escolha da futura escola dos filhos, principalmente depois que foram registrados alguns casos de seqüestros a crianças na chegada ou saída do colégio.

    “É fundamental que a escola se preocupe em realizar um levantamento de antecedentes de todos os seus funcionários, checagem criminal, comercial e investigação social, já que, em muitos casos, o bandido age através de informações que obteve por alguém próximo à vítima”, revela o consultor em segurança Nilton Migdal, da Migdal Consulting.

O profissional afirma, ainda, que a grande maioria das escolas não está preparada para esse tipo de problema.

    A checagem dos funcionários é somente a primeira de diversas medidas a serem tomadas. “O investimento na prevenção é primordial; não se pode esperar que um caso seja registrado para tomar as devidas providências. É preciso criar um manual de normas e procedimentos, que deve ser fielmente seguido por todos os envolvidos. Conheço casos que crianças foram entregues a um funcionário da empresa do pai que não estava autorizado para pegá-las. E se fosse um seqüestrador? ”, alerta Migdal.

    No manual, ele informa que horários de entrada, saída e entregas devem ser rigorosos e cumpridos à risca. Todos os pais ou responsáveis, além de fornecedores e funcionários de serviços públicos, como carteiros e leitores de água e luz, devem ser cadastrados. Além disso, Migdal também informa que as entradas e saídas dos alunos devem ser exclusivas, o que facilita a identificação de uma pessoa estranha àquele meio. “Sempre sugiro que as escolas realizem, uma vez por ano, uma palestra aos pais e aos alunos sobre comportamento preventivo, que, além de aspectos ligados à escola, focará situações atuais, com os melhores procedimentos para o dia-a-dia, no carro, no banco, saindo de casa, entre outros, salientando as novas modalidades de crimes e, principalmente, como evitá-los”, finaliza.


Chegou a hora da lição de casa

 

Passada a novidade dos materiais novos, novos amigos da nova turma, chegou a hora de encarar o ano escolar. Lição de casa, tarefa, dever, cada um dá o nome que quiser à atividade que todo estudante tem que realizar e que, para muitos, é a primeira grande responsabilidade da vida.  Como acontece no ambiente doméstico, muitas vezes o momento da lição de casa pode gerar atritos entre pais e filhos. De um lado, pais cansados com a jornada dupla de trabalho e, do outro, filhos bravos por terem seu tempo "roubado" ou inseguros por não darem conta do recado. Ou então aqueles pais que avançam o sinal e realizam o dever pelo filho para "tirar da frente".  Educadores são unânimes: a participação dos pais, desde que com critério, é importante sim.

   "O papel dos pais no desenvolvimento e expressão das diferentes competências do filho é fundamental, e muda a cada etapa de escolaridade.  O interesse pelas tarefas de casa do filho demonstra o valor que a família dá aos estudos e ao trabalho escolar, precisando, para tanto, estabelecer laços de apoio e afeto que possam favorecer este processo", afirma Quézia Bombonatto, presidente da ABPp, Associação Brasileira de Psicopedagogia.  Outro aspecto destacado pela psicopedagoga diz respeito ao espaço físico para a realização da lição de casa, pois, geralmente, os alunos apresentam melhor desempenho quando dispõem de um local adequado para sua realização com mesa, cadeira, boa iluminação, distante de televisão, livre de barulho ou outros estímulos que possam distraí-los.

    "Falar sobre lição de casa é discutir sobre as concepções de educação. Educar é formar e propiciar situações nas quais o aluno se sinta co-responsável pelo processo de aprendizagem. É fazê-lo perceber suas potencialidades, dificuldades e responsabilidades, para que se torne autor de suas ações e não um cumpridor de tarefas", reflete Cleuza Vilas Boas, diretora do ensino fundamental da Escola Móbile, zona sul de São Paulo. Nessa perspectiva, a lição, para ela, ganha uma outra dimensão, em que o aluno desenvolve atitudes importantes, a saber, ter hábitos de estudo; responsabilidade; motivação de estudar sozinho, no próprio ritmo; autonomia intelectual; organização; persistência e capacidade de solucionar problemas. 

"O contado dos pais com os filhos no momento da lição de casa pode ser muito rico, desde que não tomem para si a responsabilidade de responder questões", afirma. Segundo ela, é hora  oportuna para troca de vivências, tornando os pais parceiros da vida escolar dos filhos. Além disso, afirma Cleuza, a lição de casa pode servir de preparo para a próxima aula. "Isso instiga a prática investigativa".

   Para Rosana Nunes, coordenadora pedagógica do Colégio Hugo Sarmento, na Vila Madalena, é importante que a criança adquira, dia a dia, uma postura de estudante. Para isso, a atuação dos pais é fundamental na hora da lição de casa.  A educadora dá algumas dicas de como encarar o desafio:

Definir o horário para a realização da lição

Estabelecer uma rotina com a criança para realizar as tarefas

Manter os materiais em ordem e bom estado

Orientar a criança a não realizar a tarefa caso não tenha entendido

Encaminhar para o professor ou orientador a tarefa "difícil"  da criança

Ler sempre que possível bons livros (autores consagrados...) para a criança ampliar o seu repertório

Ler para a criança caso necessite (pode combinar de ler uma parte e a criança lê a outra)

Informar a maneira certa de escrever, quando solicitado, ou sej,a caso a criança esteja na dúvida entre x ou ch, sempre responder a forma correta

Não pressionar a criança com relação aos erros ortográficos

Nunca faça a tarefa pela criança, mas pense junto com ela

Contribuir com informações, caso seja solicitado (entrevistas, pesquisas...)

A lição tem que ser o momento prazeroso, não de brigas e embates pessoais

Apresentar  interesse e envolvimento quando a criança traz uma questão para pensar em casa

Criar autonomia, ou seja, que, a cada dia, a criança realize sozinha suas tarefas, mas é importante  passar a segurança de estar por perto

Quézia Bombonatto


Mais que um professor

Educação é a base para o desenvolvimento de qualquer nação, dessa forma, o professor torna-se peça chave na formação do ser social, é ele quem vai guiar a produção do conhecimento e o futuro profissional e acadêmico de cada criança.

 

 

No entanto, uma recente notícia sobre professores alarmou pais e estudantes. A Secretaria da Educação de São Paulo anunciou que usará professores reprovados em exames para ministrar aulas no ensino básico. O sindicato do setor anunciou ainda que esses professores irão para as periferias da capital, onde o desempenho dos alunos é abaixo da média nacional. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, 80% dos professores ativos no Brasil participam da educação básica, ou seja, educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

    Para solucionar esse problema, é preciso primeiro ter presente que o professor é muito mais que um transmissor de conhecimentos. É ele também que irá estimular a criança a ter características exigidas pelo mercado de trabalho. Em uma de minhas palestras, em específico a realizada na UNESCO, para educadores, lembro-me que iniciei a reflexão com a seguinte pergunta: “quais as qualidades exigidas a um cidadão em uma entrevista para emprego?“.

Muitos falaram, ao mesmo tempo, vários atributos. Liderança, comunicação, trabalhar em equipe, iniciativa, criatividade, flexibilidade entre outras. Foram inúmeras as características citadas pelos participantes da palestra e todas elas se encaixam no perfil selecionado pelas empresas. Respondi então a eles com uma segunda pergunta: “Nós como educadores estamos colocando dentro da sala de aula estas qualidades? Foi quando disse a todos: “Se não estivermos fazendo isto como uma prática dentro da sala de aula, nós estaremos engrossando a fila dos desempregados”. Pois é exatamente esse questionamento que o docente pode fazer a si mesmo.

    O papel do educador dentro e fora da sala de aula é de extrema importância para os alunos. O professor é um dos principais líderes da vida de uma criança, é ele que, juntamente com os pais, vai influenciar diretamente no desenvolvimento delas. Ele irá conduzir os alunos rumo ao conhecimento e a sabedoria. A escola é o primeiro ambiente que a criança encontra fora da família, e o mestre será uma das pontes mais importantes de transição da infância para a vida adulta. Nesse sentido, o docente deverá ser um bom exemplo e passar a sua melhor característica para os alunos, agindo como um cidadão ético e responsável, ciente de sua missão de transmitir valores para um futuro profissional.

    As rápidas mudanças podem afetar alguns setores da sociedade, e a educação não está exclusa deste cenário. Assim, o professor deve enfrentar grandes desafios em sua profissão, além de se especializar para comunicar o conhecimento, ele precisa estar atento em transmitir mais que isso, é preciso mostrar aos pequenos que motivação e qualidades devem crescer dentro nós e nunca se perder em meio aos problemas da vida.

    Os grandes professores que se permitem ensinar e transmitir o amor e a dedicação nos marcam de forma positiva, deixam resultados perenes e transmitem de forma inequívoca valores e ideais, promovendo uma verdadeira transformação na vida de cada pessoa.

 

Eduardo Shinyashiki


Brasil é citado no relatório da ONU Educação sob Ataque

Guerra do tráfico no Rio de Janeiro é um dos casos analisados pela UNESCO

 

O Brasil está incluído na lista do países que sofrem ataques políticos e ideológicos contra escolas, professores e alunos. O estudo ´Educação sob Ataque´, divulgado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), dia 9,  cita a ocupação de escolas na guerra contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e o fechamento de escolas do Movimento dos Sem-Terra (MST), no Rio Grande do Sul.

    De acordo com o relatório, publicado pela primeira vez em 2007, em países como Afeganistão, Paquistão, Índia e Tailândia as escolas são alvo sistemático de agressões. No Afeganistão, por exemplo, o número de ataques quase triplicou entre 2007 e 2008, passando de 242 para 670 no período.

    Na parte referente ao Brasil, a ONU cita a ocupação de oito escolas municipais no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, entre maio e julho de 2007, por policiais armados. Segundo a Unesco, os locais foram usados como base para ataques contra traficantes de drogas, mobilizando 1,3 mil policiais civis e militares em áreas frequentadas por alunos.

    O relatório cita ainda o fechamento, pela polícia, de escolas lideradas pelo MST, no Rio Grande do Sul, em junho de 2008.

    Outros dados apontados pelo documento são os espancamentos, prisões, torturas e ameaças realizadas por forças nacionais contra estudantes, professores e acadêmicos em diversos países, incluindo o Brasil.

    O relatório da Unesco também ressalta a violência sexual contra meninas e mulheres em áreas de conflito, como na República Democrática do Congo, Haiti, Indonésia e Iraque.

    Segundo texto divulgado pela Rádio ONU em Nova York, a Unesco diz que a prevenção de futuros ataques depende da compreensão dos motivos dessas ações, que estariam relacionadas a revanches por assassinatos, silenciar defensores dos direitos humanos, minar o controle do governo e impedir a educação de meninas.


A sociedade não pode aceitar a desqualificação dos professores

 

 

As conclusões de certos órgãos de comunicação sobre os resultados da prova aplicada pelo governo de São Paulo aos professores e candidatos à contratação temporária na rede estadual de ensino são, no mínimo, precipitadas e incongruentes. Os grandes jornais parecem mesmo ter eleito os professores como seus inimigos principais.

Estes jornais falam em “professores reprovados”, mas o que existe são duas listas de classificados para a atribuição de aulas de 2010: a primeira composta pelos professores que atingiram ou superaram a pontuação mínima definida pelo governo (considerando a nota da prova e parte do tempo de serviço) e, a segunda, com os professores que ficaram abaixo desta pontuação. Não existem aprovados ou reprovados neste processo, mas professores qualificados para a atribuição de aulas no primeiro momento e professores qualificados para o segundo momento da atribuição.

    A falta de critério de parcela da mídia na cobertura deste assunto começa pelo fato de dizerem que metade dos professores foi reprovada, sem considerar que não existem 182 mil professores temporários na rede estadual de ensino. Existem cerca de 90 mil profissionais nesta situação. Quantos, entre os que não atingiram a pontuação, sequer pertencem à rede estadual de ensino, são estudantes ou, simplesmente, não fizeram a prova?

A diferença é própria da sociedade humana. Não somos todos iguais e, em processos de avaliação, nem todos se preparam da mesma forma, alguns possuem melhores condições que outros, lidam de forma diferente com as questões apresentadas e, assim, é natural que estas diferenças se reflitam nas notas obtidas.

    A questão que se apresenta é sabermos qual é melhor política de formação para os professores. Para nós, esta política é aquela que assegure ao professor uma jornada de trabalho que permita a implementação da formação continuada dos professores no próprio local de trabalho.

    Você, leitor, sabia que o professor da rede estadual de ensino de São Paulo paga sua formação e atualização profissional com recursos do próprio bolso?

Sabia que os poucos programas de formação promovidos pelo governo estadual são restritivos, voltados apenas para parte dos efetivos e não para o conjunto dos professores? Sabia que os professores têm jornadas estafantes de trabalho, muitos em diversas escolas, devido aos baixos salários? Que são responsáveis por até 600 alunos, dependendo da disciplina que ministram, devido à superlotação das salas de aula? Como, então, avaliar professores aos quais não se garantem as mínimas condições para a sua formação e atualização profissional?

    Além da formação continuada no local de trabalho, uma política de formação deveria contemplar, também, afastamentos remunerados dos professores para realizarem cursos de mestrado e doutorado, que revertem em melhoria da qualidade do ensino. Deveria prever, ainda, viagens dos professores (e até mesmo de grupos de alunos) dentro e fora do país. Imagine se um professor de História que esteja trabalhando com seus alunos a Inconfidência Mineira pudesse visitar a cidade de Vila Rica, vivenciando o contexto histórico dos acontecimentos e podendo degustar um pouco da cultura brasileira!

    A denominada Escola de Formação criada pelo governo como mais uma etapa do concurso público não resolve o problema da formação do professor. As disparidades vão persistir e as conseqüências para a qualidade do ensino também.

    Há coisas simples que poderiam melhorar a educação pública no estado de São Paulo, e não chegaremos a estas soluções desqualificando os professores. Ao contrário, parabenizamos os professores, obrigados a participar desta prova imposta pelo governo, com extensa bibliografia, com muitos títulos esgotados, e com apenas um mês para estudar.

    Convidaríamos alguns profissionais da mídia a trabalhar nas escolas estaduais durante 40 horas semanais, submetidos a toda sorte de violências e sem estrutura e, ao mesmo tempo, tendo que se submeter a esta prova nas condições que foram impostas aos professores. Uma prova complexa – como admitiu o próprio secretário da Educação – e, como já assinalamos, com bibliografia muito extensa; muitos títulos esgotados; e com apenas um mês para estudar, no final do ano, quando estivessem envolvidos em avaliações de alunos, reuniões de conselhos e, ainda, repondo aulas aos sábados, em decorrência da gripe suína. Será que teriam um aproveitamento melhor que o dos professores?

    Se nossa categoria profissional fosse tão desqualificada como certos jornais querem fazer supor, haveria alunos da escola pública ingressando na USP, na Unicamp e em outras boas universidades?

    É preciso que o governo promova espaços de formação continuada do professor em seu próprio local de trabalho, trazendo para o interior das escolas as universidades públicas, através de convênios. Desta forma, as universidades não apenas proporcionariam aos professores uma formação continuada de qualidade, mas, também, alterariam a própria formação inicial dos docentes. Com uma proposta assim implementada estaremos unindo teoria e prática pedagógicas e aproximando a escola real da escola ideal.

Maria Izabel Azevedo Noronha


Mais crédito para a cultura, dividendos para a sociedade!
 

O recém-instituído Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult) é bastante oportuno, devendo contribuir para o fomento do setor em 2010, de modo consentâneo com a retomada do crescimento do PIB brasileiro. A linha de financiamento deverá ser mais um fator de impulso do mercado editorial, estímulo à leitura e acesso ao livro no País. Portanto, trata-se de um plano com reflexos positivos e impacto amplo no contexto da sociedade. A iniciativa prevê apoio financeiro, por meio de programas de crédito, totalizando um bilhão de reais, a ser aplicado até 2012, abrangendo diversos segmentos culturais, como o editorial, patrimônio histórico, musical, fonográfico e espetáculos ao vivo.
    Era mais do que necessária a viabilização de um projeto como esse, que, com certeza, fortalecerá a cadeia produtiva da cultura no País. E o que é melhor: promovendo verdadeiramente a inclusão cultural, já que dará apoio a agentes fomentadores de iniciativas originais e autênticas. O fomento à economia da cultura, em uma nação rica em expressões e manifestações, é, sem dúvida, um dos mais importantes canais de geração de emprego e renda. Não há como refutar que a produção cultural diversificada e descentralizada tem enorme capacidade de propiciar desenvolvimento em todas as regiões do território nacional.

    No que tange ao livro, a iniciativa tem o objetivo essencial de fomentar a produção de obras editoriais, inclusive para comercialização em novas mídias, melhorar a distribuição, desenvolver novos modelos de negócios e modernizar as livrarias.

    O custo financeiro do Procult é um dos menores praticados pela instituição em comparação a todos os tipos de projetos que desenvolve com diversos setores da economia: TJLP (hoje igual a 6% ao ano), acrescida da taxa de 1,% a.a. para micro, pequenas e médias empresas. Para as grandes empresas da área cultural, o custo financeiro é de 7% ao ano, acrescido de taxa de 2,0% a.a. Para projetos que desenvolvam novos produtos e criem obras intelectuais originais brasileiras, a novidade é que haverá uma taxa fixa de 4,5% a.a., equiparando-se ao custo das linhas de inovação tecnológica oferecidas pelo banco.
    Muito antes de lançar o programa, o BNDES já procurava um encontro com o mercado editorial para delinear linhas de crédito às empresas do setor. É importante ressaltar a nova visão do Estado brasileiro na economia da cultura. Por outro lado, o fortalecimento e a consolidação da cadeia produtiva editorial no País, por meio desse programa, poderá contribuir para expansão mais substantiva e rápida do setor e fazer com que cheguemos mais perto de nosso objetivo de transformar o Brasil em um país de leitores.


Rosely Boschini - Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Fonte: Agência Brasil Que Lê



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