Para a Psicopedagoga Maria Irene
Maluf "quase todas as pessoas, mesmo as mais controladas,
exasperam-se com os filhos vez ou outra, mas os pais devem
sempre ter em mente que sua irritação está mais fundada nele
próprio do que com o comportamento da criança e devem usar
esta ocasião para refletir e ensinar e não para castigá-la,
verbal ou fisicamente. Por si só, castigo físico apenas
reprime e não ensina autodisciplina, não cria ou desenvolve o
desejo de agir sempre certo".
E
complementa "quando se fala em disciplina quase sempre se
tem em mente a questão do castigo, embora a palavra disciplina
não esteja necessariamente ligada à punição. O significado
mais importante relacionado à palavra disciplina, é o de
instrução, de aprendizagem e autocontrole. A preocupação dos
pais e portanto educadores, deve se prender primordialmente a
educar o filho para que este desenvolva ao longo da infância,
o autocontrole. E isso é feito através da aprendizagem de
habilidades, que se adquirem por meio do estímulo à cópia de
modelos comportamentais dos pais e da família. E não por
agressão, autoridade ou ameaças.
Crianças são
por natureza admiradoras de seus pais e “discípulos’ naturais
destes, o que resulta em uma responsabilidade muito grande
para aqueles que não se comportam de um modo a despertar uma
amorosa admiração de seus filhos.
A disciplina
verdadeira e duradoura é criada por uma identificação contínua
e profunda. Quando tal processo é supérfluo, baseado em
modelos pouco fiéis a seus princípios, as crianças desenvolvem
um autocontrole frágil e assim sempre precisarão de alguém que
os regule, já que não sentirão a necessidade e nem a
possibilidade de se controlar e agir certo em qualquer
situação onde não sejam vigiados.
O castigo entra
nesse ponto, onde a obediência é exigida e não o autocontrole,
o que evidencia a crença dos pais de que a menos que seus
filhos sejam forçados a fazer o que é conveniente para eles e
para o momento, eles não o farão.
A
punição acaba por tornar a criança menos cooperativa e aí se
inicia um círculo vicioso, onde o adulto perde a paciência, o
auto-respeito e o respeito pela criança e parte para a
agressão física ou verbal, no desejo de reprimir o
comportamento infantil.
O castigo não
leva em conta a necessidade real de se dar a oportunidade à
criança de agir bem, repensar seus atos, palavras e
comportamentos, de se sentir amada e respeitada ao longo de
seu crescimento.Uma palmada pode parecer pouca coisa a quem a
dá, mas, com certeza, muito para quem a recebe, principalmente
porque neste momento o respeito e a educação disciplinar
passou longe dessa relação.
Com lei, sem
lei ou apesar da lei que nos proíbe de darmos palmadas em
nossos filhos, é fundamental lembrarmos que crianças crescem
tendo seus pais como modelos e que a agressividade, física ou
verbal, aponta a onipotência, a fragilidade e a insegurança
dos adultos".
Maria Irene Maluf
Professores sofrem com dores
musculares
Pesquisa revela que trabalho
prolongado e esforço físico podem estar relacionados com problema dos
educadores
De acordo com levantamento publicado na
Revista Brasileira de Epidemiologia, dores musculares em membros
superiores e inferiores em profissionais da área da educação são
comuns e estão relacionadas a esforços físicos e tempo de trabalho. O
artigo é da autoria de Jefferson Paixão Cardoso, do Programa de
Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de
Santana (UEFS – Bahia), e colegas, e foi veiculado na edição de
dezembro de 2009.
Segundo os autores,
para coleta de dados, foi
realizado estudo sobre as condições de
trabalho e saúde dos professores da rede municipal de ensino de
Salvador. Esta abrangia na época da pesquisa, conforme explicam eles,
a educação infantil (pré-escola), ensino fundamental I (1ª a 4ª
série) e ensino fundamental II (5ª a 8ª série).
“Um inquérito que incluiu todos os
professores da rede municipal de educação de Salvador foi realizado
durante o recadastramento dos professores, no ano de 2006” afirmam
Jefferson e colegas. Segundo eles, o quadro foi investigado “em três
regiões corporais: membros inferiores: ‘dor nas pernas’; membros
superiores: ‘dor nos braços’ e no dorso: ‘dor nas costas/coluna’. A frequência da dor foi medida numa escala do tipo
Likert: 0=nunca; 1=raramente; 2=pouco frequente; 3=frequente e
4=muito frequente. Neste estudo, foi considerada como queixa de dor
musculoesquelética quando o professor referiu sentir a queixa álgica
como "frequentemente" ou "muito frequentemente", para cada região
corporal acima mencionada”. Os pesquisadores
revelam no artigo que a prevalência da dor foi de 41,1% para membros
inferiores (dores nas pernas), 41,1% para o dorso (dor nas costas) e
23,7% para os membros superiores (dor nos braços). “A prevalência
global, para DME (dor músculoesquelética) relacionada a qualquer um
dos três segmentos corporais foi de 55%: 19,7% referiram dor apenas
em um dos três segmentos corporais analisados, 19,9%, em dois
segmentos, e 15,4%, nos três segmentos”, dizem.
Os autores acreditam
que “os achados do estudo reforçam a hipótese de que as
características oriundas de determinada atividade laboral produzem
efeitos negativos sobre a saúde dos trabalhadores. Os professores
investigados referiram elevadas prevalências de dor
musculoesquelética em membros superiores, inferiores e dorso. Também
foram analisadas associações de fatores sociodemográficos e
ocupacionais para estas ocorrências. A identificação desses fatores
pode contribuir para a adoção de políticas públicas que visem à
prevenção de adoecimento e promovam bem-estar dessa categorial
profissional”.
Escrever à mão é fundamental para o
desenvolvimento da criança
Escrever à mão sempre foi parte
essencial da cultura e da formação dos indivíduos. A ciência mostra
que a escrita à mão desenvolve músculos, articulações e tem ligação
direta com o cérebro. A caligrafia individual revela distúrbios
nervosos em estágio inicial e é fundamental para o desenvolvimento
das crianças.
De acordo com Steve
Graham, pesquisador educacional da Vanderbilt University de Nashville
– Tenesse, escrever à mão tem um papel fundamental no processo de
aprendizagem. Para testar a influência da escrita na habilidade
cognitiva, ele fez com que um grupo de estudantes tivessem aula de
redação três vezes por semana. Ao final do curso, eles escreviam mais
rápido e expressavam suas idéias com mais facilidade do que os outros
estudantes.
Aprender um idioma
também fica mais simples quando se escreve à mão. Neurocientistas
franceses demonstraram que as crianças memorizam a forma de letra
juntamente com a pronúncia e o respectivo movimento da mão. Portanto,
está cientificamente provado que a aprendizagem está relacionada com
atividades motoras. Escrever, desenhar, colorir e fazer trabalhos
manuais são exercícios fundamentais para treinar as redes neuronais
do cérebro.
Cada fase da vida
exige instrumentos de escrita educacional e ergonomicamente corretos.
Com base nessa realidade, a Faber-Castell desenvolve produtos
diferenciados para as necessidades específicas das diversas etapas do
desenvolvimento infantil. O EcoLápis grafite Jumbo da Faber-Castell,
por exemplo, é ideal para o desenvolvimento do processo de
alfabetização pois têm diâmetro maior que o normal, comprimento menor
e formato triangular.
O Ecolápis grafite
Grip tem formato triangular e possui as exclusivas esferas
antideslizantes, que proporcionam mais comforto e não escorrega nas
mãos. Já os Ecolápis grafite regulares estão disponíveis em formato
redondo, hexagonal e triangular, atendendo às diferentes necessidades
e preferências do consumidor. Todos eles deslizam no papel, possuem
alta resistência à quebra da ponta, escrevem forte e são fáceis de
apagar e são fabricados a partir de madeira 100% reflorestada e
certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council), preservando o meio
ambiente e se preocupando com as futuras gerações.
“Escrever, desenhar
e pintar à mão são muito importantes para o desenvolvimento de uma
criança, pois sabe-se que essas atividades contribuem para a ligação
dos neurônios, estimulando o desenvolvimento mental, além da
criatividade como um todo. Nossa estratégia corporativa se concentra
em dois públicos-alvo principais: crianças de 3 a 12 anos e os
amantes dos instrumentos e acessórios de escrita exclusivos e
sofisticados .”, afirma o Conde Anton Wolfgang von Faber-Castell, CEO
da empresa.
Fonte: British Institute of
Practitioners in Advertising .
Uso inadequado de mochilas pode
causar sérias lesões nos ombros
Ortopedista do Hospital do Coração
alerta para o uso incorreto e o peso excessivo das mochilas da
criançada na volta às aulas; o ideal é que a bolsa não pese mais de
10% do peso corporal da criança e que tenha duas alças
Com a volta às aulas, volta também a
atenção dos pais ao peso da mochila das crianças. O que levar à
escola, e como levar é um dilema que há tempos os pais enfrentam.
Porém, é um cuidado que deve ser redobrado a cada ano, para que
possam ser evitadas lesões e também para não torná-las uma doença
crônica.
Pesquisadores do
Cincinnati Children’s Hospital, nos Estados Unidos, analisaram que
crianças que dão entrada no pronto socorro do hospital e verificaram
que 23% delas tinham queixas causadas pelo uso inadequado da mochila.
Esse número não se restringe apenas a lesões na coluna e sim a 19
tipos de lesões no ombro. Já no Hcor – Hospital do Coração, em São
Paulo, a porcentagem é de 9%, e em época de volta às aulas esse
número aumenta em 15%.
A maneira de
carregar, erguer ou retirar a mochila das costas também deve ser
supervisionada. Se comparada a bolsas de uso lateral, a mochila tem
uma melhor aceitação, pois distribui o peso dos objetos pelos
músculos e abdômen. Porém, se estiverem com peso acima do
recomendado, podem causar um grande mal à saúde dos ombros das
crianças.
Segundo Dr. Sérgio
Xavier, ortopedista do HCor, o mau uso da mochila pode ocasionar dor
muscular, ferimentos abrasivos e problemas para a coluna. “Crianças
podem sofrer danos na coluna vertebral ao carregar uma mochila muito
pesada. O peso pode afetar as articulações, influindo no
desenvolvimento dos pequenos.
O ideal é que a bolsa não pese mais de
10% do peso corporal da criança e que tenha duas alças para não haver
sobrecarrega de apenas um ombro”, explica.
Muitos pais optam
então para o uso de mochila com rodinhas porém, se puxadas de maneira
inadequada, os riscos são os mesmo. “A alça do carrinho tem que ter a
altura adequada para a criança, e o peso também não pode ultrapassar
a porcentagem desejada, senão o esforço que é feito causa lesões tão
sérias quanto ao carregar nas costas”, orienta Dr. Xavier.
Os pais devem ficar
atentos para qualquer reclamação do filho. Ao primeiro sinal de dor
devem levá-lo ao médico especialista para uma melhor avaliação. Vale
também observar se o que ele leva na mochila é realmente essencial
para as tarefas daquele dia.
Lesões mais comuns
Em média o HCor atende nessa época do
ano cerca de 10 crianças por mês com queixas de dores nos ombros,
geralmente ocasionadas pelo mau uso das mochilas escolares. São
problemas que se não tratados quando detectados, podem levar a
prejuízos para a vida toda. É comum encontrar jovens com problemas de
postura e dores crônicas nas articulações. Os problemas mais comuns
são:
Dor muscular
Ferimentos abrasivos
Alterações posturais
Fadiga
irritabilidade
“Quando o problema se instala
iniciamos um tratamento de reabilitação para o paciente. Mudamos a
rotina da pessoa e começamos com sessões de fisioterapia e exercícios
de compensação”, explica o ortopedista.
Prevenção de lesões
Para eliminar a possibilidade do seu
filho adquirir uma lesão pelo mau uso do material escolar, o Dr.
Xavier dá algumas sugestões para a escolha da mochila.
As mochilas devem ter duas tiras
para distribuir o peso da melhor forma;
As tiras devem ser preferencialmente
acolchoadas e ajustadas de forma que a mochila fique rente ao corpo;
A largura da mochila não pode ser
maior que o dorso da criança;
Não deve ter ultrapassar a cintura
da criança.
Dê preferência para mochilas com
poucos bolsos. A diversidade de compartimentos pode ser um atrativo
para carregar objetos inúteis.
Dicas para os estudantes
universitários economizarem
O sonho de ter no currículo um curso
superior acompanha a maioria dos jovens brasileiros. Porém, com a
concorrência cada vez maior por vagas em faculdades públicas, muitos
estudantes precisam estudar em instituições particulares, ou precisam
mudar de cidade.
No caso das universidades particulares,
existe um custo. Só a mensalidade eu um desses cursos fica numa faixa
de R$ 650,00. O que sozinha, já pode levar muitas vezes o estudante e
sua família à inadimplência.
Fora isso, os estudantes
que entram nesse novo estágio da vida tem diversas outras
preocupações financeiras. Diferente do que ocorria anteriormente no
colégio, o número de livros e textos que o aluno tem que ler é muito
maior; tem também o custo de transportes, e aumentam as baladas e os
eventos sociais. O caso se torna ainda mais grave quando o estudante
muda de cidade, nesse caso, ainda existe o custo de moradia,
telefone, alimentação e viagens.
Veja algumas dicas de
economia para essas situações:
Buscar economizar o máximo possível
na utilização de papel e cadernos, utilize material de outros anos
que tenham folhas em branco, uma boa dica é o uso de sulfites já
utilizadas de um lado como rascunhos;
Em função do grande número de texto
para ler, é interessante formar um grupo de estudos com colegas
compartilhando textos, uma cópia de cada texto será suficiente para
vários alunos, mas é importante que todos tenham o mesmo ritmo, para
que não haja confusões. Também é importante utilizar as bibliotecas;
Não deixe de aproveitar as baladas,
mas selecione as que realmente valem a pena e as que são mais
econômicas, uma boa dica é reuniões e encontros caseiros. Diversão
não é sinônimo de gastos;
Sobre transporte, sempre existem os
passes estudantis, utilize os transportes públicos. Se isso não for
possível, busque revezar ou dividir carro com o maior número de
pessoas possíveis;
Se trabalhar, busque sempre ter uma
reserva no fim do mês, são frequentes imprevistos que podem fazer com
que tenha que parar com o curso;
Caso não trabalhe, é a hora de
buscar um estágio remunerado, além de ser bom para o currículo, o
dinheiro que recebe poderá ser utilizado para reduzir os custos de
sua família com a mensalidade, e para que você comece realmente a
conquistar sua independência;
Busque descontos nas mensalidades ou
mesmo créditos educacionais, mas, lembre-se, esses terão que ser
pagos no futuro, assim, já deve começar a fazer uma reserva extra;
Se for morar fora, busque morar em
repúblicas com pessoas que tenha as mesmas condições financeiras que
você e com um aluguel mais baixo possível, faculdade não é fase de
status e sim de estudo;
Evite comer fora com frequência,
cozinhar é uma solução econômica e relaxante, também, existe a
possibilidade de levar lanchinhos em vasilhas ou mesmo os lanches
naturais;
Por mais que a saudade dos familiares
seja grande, a universidade é um momento de conquistar seu espaço,
assim, não é necessário viajar todo o fim de semana, nem telefonar
todo dia, mas, cuidado, ficar em outra cidade sozinho não é sinônimo
de sair bagunçar e gastar.
A faculdade é uma
fase de crescimento e nesse processo está a capacitação financeira,
assim, todo cuidado é pouco para que você realmente cresce e tenha um
futuro adequado para seu crescimento profissional.
Reinaldo Domingos
Em 10 anos, matrículas de alunos com
deficiência visual cresceram mais de 600% no Brasil
Cresceram 620% as matrículas de alunos
jovens e adultos portadores de deficiência visual no
Brasil comparadas a 1998, de acordo com Censo Escolar de 2008
publicado pelo Inep/MEC no final do ano. Em 1998, eram 8.963
estudantes, sem segmentação por deficiência. Já em 2008, foram
registradas 55.915 matrículas, das quais 4.604 de alunos cegos e
51.311 de estudantes com baixa visão.
Em 2009, o Conselho
Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou que 30% das crianças em
idade escolar apresentavam problemas de refração no Brasil, o que
equivale a dizer que oito milhões de estudantes entre 7 e 14 anos de
idade passam por dificuldades visuais para aprender.
Para a oftalmopediatra do Hospital
Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura, muitas crianças,
principalmente no início da idade escolar, apresentam problemas de
visão não diagnosticados. "Pais e professores devem ficar atentos aos
sinais de que a visão das crianças tem problemas. O aluno que não
enxerga bem tem uma limitação de aprendizado", alerta.
Populações - De
acordo com o levantamento do CBO, a menor prevalência da cegueira
infantil em países desenvolvidos é de até 0,3 por mil crianças. Este
número se torna mais preocupante nos países em desenvolvimento, onde
alcança a proporção de 1,5 por mil crianças. No Brasil, a estimativa
é de que 30% das crianças entre zero e 15 anos de idade sejam
portadoras de cegueira, cerca de 54 milhões de habitantes.
Mas com os recursos
médicos existentes atualmente, já é possível tratar pelo menos 60%
das causas que levam a ao comprometimento visual, conclui o estudo da
entidade que integra o programa governamental Olhar Brasil.
Causas x Tempo-
Segundo Dorotéia, as principais causas de cegueira infantil são
distrofia retiniana, catarata, aniridia, albinismo, ambliopia,
deficiência de vitamina A, sarampo, meningite, oftalmia neonatal,
rubéola, toxoplasmose. Entre as causas evitáveis estão, por exemplo,
as doenças infecciosas e a retinopatia da prematuridade, bem como a
ambliopia (olho preguiçoso). As causas tratáveis decorrem de
ocorrências de catarata congênita ou infantil, glaucoma congênito e
alguns tipos de retinopatia da prematuridade.
Em avaliação geral,
oftalmologistas acreditam que cerca de 50% das crianças cegas no
mundo chegaram a esse estágio por não tratarem em tempo as causas
evitáveis.
Regionalização - No
Censo de 2008, a região Nordeste apresentou o maior crescimento de
matrículas de alunos portadores de deficiência visual. Foram 1.600%
de matrículas feitas a mais no período de 10 anos. Eram 1.362
estudantes em 1998, passados 10 anos, o volume é de 22.945
matriculados com deficiência visual. Já no Sudeste brasileiro, o
crescimento das matrículas neste segmento educacional foi de 665% no
mesmo período. O volume de alunos saiu de 2.934 em 98 para 19.523 em
2008.
A região Norte
registrou crescimento de 470%, saindo de 1.025 alunos com deficiência
visual em 1998 para 4.825 em 2008. No Centro-oeste, o salto foi de
415%. Na região da capital do País, os 651 estudantes com deficiência
visual matriculados em 1998 passaram a ser 2.706 no último Censo. Já
os estados da região Sul tiveram um aumento de 197% entre esses
alunos. Com 2.991 alunos em situação de cegueira ou baixa visão
matriculados em 1998 a região mostrou em 2008, um contingente de
5.916.
Baixa visão - A
oftalmologista do HOB explica que os principais problemas de baixa
visão em estudantes estão relacionados aos erros refrativos, defeitos
de qualidade de visão como a miopia, hipermetropia e astigmatismo e
se manifestam exatamente nos primeiros anos de escola. "A miopia é a
dificuldade de enxergar de longe. O olho do míope é longo e a imagem
se forma antes da retina. Já a hipermetropia é a dificuldade de
enxergar de perto já que o olho é pequeno e a imagem se forma depois
da retina. E o astigmatismo ocorre quando a visão fica embaçada, com
mais de um ponto de foco. Não se vê bem o que está na vertical ou na
horizontal", explica Dorotéia.
Outra irregularidade
visual que pode afetar o aprendizado e, esta tem prazo para ser
corrigida, é a ambliopia, chamada também de "olho preguiçoso".
A ambliopia, de
acordo com a oftalmologista, pode ser ocasionada pelo estrabismo nos
primeiros anos de vida, pela anisometropia (diferença de grau entre
os olhos), pela catarata e por outras doenças oculares congênitas.
O tratamento da
ambliopia deve ser realizado o mais precoce possível, pois em torno
dos 6 a 7 anos de idade a visão já está estabelecida e qualquer
estímulo para recuperar a visão após esta idade tem poucos
resultados. O tratamento cirúrgico, necessário em alguns casos, é
realizado somente após a busca da recuperação da visão, quando os
dois olhos estiverem com boa visão para a criança. "A correção
estética não é o mais urgente", comenta a médica ao aconselhar que o
primeiro exame oftalmológico seja realizado antes dos três anos
idade.
Como identificar -
Dorotéia Matsuura conta que as crianças que têm deficiências visuais
normalmente são agitadas em sala de aula, não conseguem se concentrar
e chegam bem perto do quadro ou do livro para poder enxergar. "O mal
rendimento em sala de aula pode ser um sinal de que algo não vai bem
com a visão da criança. Muitas vezes a criança já é estigmatizada
como desinteressada, mas, na verdade sofre com problemas de refração,
como miopia, hipermetropia ou astigmatismo, por exemplo".
Outro comportamento
frequente entre crianças em idade de alfabetização é a troca de
letras. "É muito comum crianças com baixa visão confundirem as vogais
cursivas fechadas como a e o ou consoantes semelhantes como o q/g ou
m/n".
Já no caso da
ambliopia, a situação é controversa, porque é justamente na idade
limite para o tratamento (entre os 6 e os 7 anos de idade) que a
criança dá sinais mais evidentes do problema. É quando vai para a
escola, iniciando o período de alfabetização que aparecem as
primeiras mostras dessa dificuldade visual. Dorotéia aconselha aos
pais realizarem o primeiro exame de acuidade visual a partir dos dois
anos de idade, quando ainda é possível fazer o tratamento da
ambliopia com sucesso.
A
oftalmologista enumera como principais indícios de problemas oculares
nas crianças:
Cobrança de taxa de matrícula em
escolas e faculdades é ilegal e pode ser contestada na justiça.
“Um ano com 13 meses para cobrar e 9
meses para prestar serviços. É assim que as instituições de ensino –
de um cursinho de línguas até a universidade – encaram suas
atividades”, segundo o advogado tributarista Dr. Arcênio Rodrigues da
Silva. Ele considera ilegal a cobrança de taxa de matrícula em cursos
de toda espécie. “Com base no Código de Defesa do Consumidor, os pais
de alunos estão fazendo um contrato de prestação de serviços que
inicia em janeiro e termina em dezembro. Não existe o 13º mês”,
afirma o advogado.
Porém, a alegação de
muitas escolas é que se trata de uma anuidade dividida em 13 parcelas
como uma forma de facilitar o pagamento. “Isso não me convence, Além
do mais, não tem amparo legal”, afirma Dr. Arcênio. E vai mais longe:
“os meses de férias em dezembro, janeiro e julho, quando normalmente
existe o recesso escolar, também poderiam, em tese, ser isentos de
pagamento. Os custos fixos da escola não são problemas dos pais”,
resume o advogado.
Dr. Arcênio provou
sua tese com uma experiência particular. Ele contestou junto à escola
de Ensino Fundamental das suas duas filhas, o pagamento da taxa de
matrícula - na verdade “re-matrícula” – . O diretor da escola – uma
instituição de grande porte em São Paulo – chamou o Dr. Arcênio para
uma conversa reservada. E tentou convencê-lo a pagar a matrícula. O
advogado então propôs discutir o caso na Justiça. A escola resolveu
“dar um desconto” para as filhas do advogado, não cobrando mais a
matrícula. “Esse negócio de desconto não existe; foi uma saída
honrosa da escola”, opina.
“A causa é fácil de
ser ganha. O consumidor deve procurar o Procon, entrar com uma ação
no Juizado de Pequenas Causas, ou na Justiça comum com seu advogado”.
O advogado recomenda ainda que as associações de pais comecem a
discutir esse assunto nas escolas. “É uma forma de pressionar as
instituições a corrigir essa distorção”.
Dr. Arcênio Rodrigues da Silva
Hora de vacinar as crianças
O início do ano letivo é mais um
motivo para que os pais coloquem em dia o calendário de vacinação dos
filhos.
As férias escolares chegaram ao fim e a
maioria dos pais já começaram os preparativos para a volta às aulas
da criançada. Mas, muitos se esquecem que a ocasião também exige
preocupações com a saúde dos pequenos. Isso porque na escola as
crianças passam muito tempo em salas fechadas, o que facilita a
transmissão de doenças infectocontagiosas. Portanto, o momento é
ideal para colocar em dia o calendário de vacinação dos filhos.
"Os pais costumam
dar muita atenção à vacinação quando os filhos ainda são bebês. Mas,
quando a criança entra em idade escolar alguns pais se descuidam e
acabam perdendo as datas de reforços importantes", explica Jorge
Huberman, neonatologista e pediatra do Hospital Albert Einstein e do
Instituto Saúde Plena. Para ajudar a organizar a vacinação dos
filhos, o pediatra lista abaixo as vacinas necessárias para crianças
de 3 a 14 anos.
Vacinas:
- Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa):
reforço aos 4 e aos 5 anos da criança;
- Poliomielite (vírus inativados):
reforço aos 4 e aos 5 anos da criança;
- Influenza (gripe): reforço anual;
- Poliomielite oral (vírus vivos
atenuados): para essa vacina há os dias nacionais de vacinação
comunicados pelo governo;
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e
rubéola): a segunda dose deve ser dada aos 4 e aos 5 anos de idade;
- Varicela (catapora): segunda dose aos
4 anos de idade;
- HPV: deve ser aplicada em meninas de
11 a 12 anos de idade. A princípio, apenas as meninas deverão ser
vacinadas. Sempre que possível, deve ser aplicada preferencialmente
na adolescência, antes de iniciada a vida sexual, entre 11 e 12 anos.
- Tríplice bacteriana acelular do tipo
adulto (dTpa): Reforço deve ser dado aos 14 anos de idade.
Fonte: Associação Brasileira de
Imunizações (SBIm) - 2009
Falar sobre sexo no ensino
fundamental não é cedo demais
Até a década passada, a aula de
educação sexual nas escolas para alunos acima de 14 anos era uma
evolução da sociedade e da educação formal dos adolescentes. Mas essa
realidade mudou, (e muito) em pouco tempo e cabe a todos refletir
como fazer, o que falar, como agir para que essa criança seja
orientada adequadamente a partir dos 8 anos.
Os números assustam:
- Desde o primeiro caso de AIDS no
Brasil (1982) até a mais recente publicação do boletim epidemiológico
das DST/AIDS (Brasil, 2007) houve um aumento da infecção na faixa
etária entre 13 e 24 anos (54.965 casos - 10.337 entre 13 e 19 anos e
44.628 entre de 20 e 24 anos);
- Apesar de raro, o Hospital Pérola
Byngton (em São Paulo) tem registro de dois casos por ano de câncer
de mama, entre adolescentes, na faixa etária entre 13 e 16 anos;
- Pesquisa do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística de 2006) mostra que a única
faixa etária que apresentou aumento da fecundidade foi a de 15 a 17
anos (6,9% em 1996, para 7,6%, em 2006). Nordeste – aumento de 1,2%;
Sul – aumento de 0,9%; Sudeste - menor proporção de adolescentes com
filhos (5,6%), metade do percentual da região Norte (11,2%). Pesquisa
de Registro Civil do IBGE- 2007 mostrou queda na gravidez de
adolescentes de 15 a 19 anos - de 20,5% em 2006 para 20,1% em 2007.
Assim, em cada cinco gestantes, uma é menor de 20 anos;
- Segundo dados da Fundação Oswaldo
Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria
com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 30% das mulheres
sexualmente ativas carregam o vírus de HPV. Entre as adolescentes,
esse número sobe para 50%.
De acordo com o
Estatuto da Criança e do Adolescente (de 1990), em seu artigo 2º,
considera-se criança, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e
adolescentes entre 12 e 18 anos de idade. Já o conceito de puberdade,
caracterizado pela presença de caracteres sexuais secundários
compatíveis com determinados parâmetros (escala de Tanner), que em
1990 acompanhava o padrão da adolescência, vem apresentando, nos
últimos 20 anos, uma antecipação importante. Hoje, considera-se a
puberdade precoce em meninas antes dos 8 anos de idade (até 9 anos é
normal) ou em meninos antes dos 9 anos (até 10 anos é normal). Sendo
que em 95% das mulheres o desenvolvimento dos caracteres sexuais
secundários ocorre entre 8,5 e 13 anos.
Cada vez mais, temos
doenças de adultos aparecendo em crianças (obesidade, diabetes,
hipertensão e alterações de colesterol e triglicérides). Esse assunto
começa a gerar uma conscientização para uma mudança de comportamento
(ainda não tão eficaz quanto o desejado), provocada pela antecipação
de situações que antes só víamos mais tardiamente.
Nossas crianças
estão amadurecendo física e hormonalmente sem um suporte educacional,
psicológico e até familiar adequado que permita que elas não
"adoeçam" precocemente.
E essas "doenças"
(gravidez na adolescência, HPV, câncer de mama, entre outras) trazem
consigo, não só conseqüências individuais, mas carregam problemas
sociais importantes, já comprovados por estudos como abandono precoce
de escola (25% temporariamente e 17,5% de forma definitiva), risco de
desemprego (70% - segundo a Fundação Oswaldo Cruz), mudança social,
riscos de morte (parto e abortamento provocado em adolescentes) e de
câncer (mama e colo de útero).
Até quando vamos esperar para
tomar medidas mais eficientes e preventivas?
Poucas iniciativas isoladas começam a
aparecer, mas sem grande abrangência. Por exemplo, podemos citar a
vacinação contra HPV, para ser aplicada no sexo feminino, entre os 9
e os 26 anos de idade. Mas essa vacina ainda é muito cara e
inacessível à maioria das jovens (três doses ao custo de cerca de R$
300 a R$ 400,00 por dose).
Temos que investir na educação, na
promoção à saúde. Prevenir ainda continua sendo melhor (mais barato e
mais produtivo) do que remediar. Mas como agir? Quais as estratégias
mais adequadas?
Não há como atingir as metas desejadas
sem a participação de todos:
-Do governo: através de programas
educativos, de acesso facilitado a bons serviços de saúde adequados,
conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);
-Da escola: pela orientação sexual e de
saúde, tanto para os professores quanto para os alunos;
-Da sociedade: na fiscalização dos
objetivos propostos;
-Da mídia: com campanhas educativas,
evitando a erotização precoce das crianças;
-Dos pais e familiares: na abordagem
mais aberta e acolhedora de seus filhos;
-Dos profissionais de saúde: com um
preparo mais apropriado na orientação desse grupo de pacientes (por
exemplo, pediatras orientando vacinação, cuidados de higiene,
auto-exame de mamas e até anticoncepção);
-Dos próprios adolescentes: que não
sejam apenas os receptores de toda essa informação, mas também
agentes dessa mudança.
Dr.Yechiel Moises Chencinski
Educação - qual o papel da escola?
Lucro a qualquer preço?
A cada dia que passa me preocupo cada
vez mais a quantas anda a educação no país. Ao meu ver muito
preocupante. O ensino público está em queda vertiginosa à anos,
salvo raríssimas exceções, restando aos pais buscarem por escolas
particulares para oferecer um futuro mais promissor aos seus filhos.
O problema é que muitas escolas privadas abusam, e muito dos pais.
A voracidade por
dinheiro é tão grande, que sem qualquer escrúpulo cobram dos pais
valores indevidos e impõem coisas absurdas, em total desrespeito ao
Código de Defesa do Consumidor – Lei 8.078/90, que em 15 de março
desse ano completa 20 anos. Pois é vinte anos se passaram e a lei
continua sendo ignorada.
A Associação Brasileira do Consumidor –
ABC relata abaixo os principais truques e irregularidades cometidas
por algumas escolas privadas. Fique atento às dicas:
Rematrícula(reserva
de matrícula): cobrada geralmente em dezembro na fase mais turbulenta
do ano. Pense bem antes de pagá-la, pois não será devolvida caso
resolva mudar seu filho de escola.
Mudando de escola:
suponha que pagou a rematrícula do seu filho em dezembro, e dias após
resolve mudar seu filho de escola. Nesse caso você não será obrigado
a pagar a mensalidade de janeiro. Parece obvio não? Pois é, mas
mesmo assim tem escolas que tenta coagir os pais desavisados a
pagá-la, agindo de forma antiética e extorsiva. Por incrível que
pareça uma escola “tentou” fazer isso comigo, e obviamente teve que
recuar. Não se pode cobrar por um serviço que não será prestado.
Portanto antes de rematricular seu filho ou assinar o contrato de
prestação de serviços para o ano seguinte, pense muito bem.
Infra estrutura:
conheça as dependências das escolas, observe detalhes tais como
higiene, se tem umidade e infiltrações nas salas de aula e demais
ambientes, cantina, refeitório, espaço de recreação(espaços reduzidos
deixam as crianças estressadas)
Mudança de
professores com freqüência: esse também pode ser um indicativo de que
as coisas não vão bem na parte administrativa da escola, e com isso
os professores vão às salas de aula insatisfeitos, prejudicando o
aprendizado das crianças.
Material de
Higiene: algumas escolas privas exigem mensalmente ou anualmente que
os pais mandem material de higiene, tais como Álcool, papel toalha,
papel higiênico, copos descartáveis, ou seja; repassam aos pais uma
obrigação que é da escola fornecer. Essa prática também é totalmente
proibida pelo CDC. Assim fica fácil gerir um empresa não é mesmo?
Material Escolar: Um
outro problema é em relação à quantidade do que é cobrado por estes
estabelecimentos escolares. Alguns itens que até são legais para os
estudantes mais novos, como tinta guache, lápis de cor e hidrocor,
acabam sendo cobrados numa quantidade grande e injustificada, o que
também acaba se transformando em irregularidade. O resultado não
poderia ser outro: contas altas para os pais e inflação em relação ao
ano passado. Assim as escolas abrem precedentes para que os pais
exijam uma prestação de contas no final do ano letivo.
Valor dos materiais
escolares: Pesquisar preços é fundamental uma vez que os preços de
um mesmo produto podem variar em mais de 100% de um estabelecimento
comercial para outro. Portanto faça cotações em vários locais.
Portanto nos vemos
diante de uma verdadeira inversão de valores, pois ao invés da de
escolas ensinarem elas tem que aprender e muito como respeitar o
próximo e as leis que regem o país. Precisamos excluir da grade
curricular de algumas escolas a desonestidade e total desrespeito com
pais e alunos.
Sentiu-se
lesado? Procure pelos órgãos de defesa do consumidor e exija seus
direitos.
Marcelo Fernando Segredo
Excesso de barulho nas escolas pode
gerar estresse, problemas de aprendizagem e até danos à audição
Milhões de estudantes do país estão voltando às aulas. A animação e
algazarra nas classes, no entanto, escondem um sério problema: os
danos à audição, que podem ser sentidos somente na idade adulta, mas
que têm início nos primeiros anos de escola, em meio ao ruído
excessivo nas salas de aula.
O "barulho
ensurdecedor", reclamação de muitos professores, não é somente um
jeito exagerado de se referir ao incômodo. Com o passar do tempo,
aluno e professor, expostos diariamente a sons altos, podem ter a
audição comprometida, já que a perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
tem efeito cumulativo. Quanto maior a frequência a ambientes
barulhentos ao longo da vida, maiores as chances de danos. No
ambiente escolar, a gritaria da turma, somada aos ruídos que vêm da
rua e do trânsito, prejudica o bem-estar de todos, comprometendo não
apenas a concentração e aprendizagem, mas também os ouvidos.
A barulheira das
crianças frequentemente tem efeito multiplicador. Os alunos vão
gritar para fazer ouvir sua voz entre outras crianças barulhentas. O
professor, por sua vez, faz tamanho esforço para ser compreendido que
também acaba gritando sem perceber. Ao mesmo tempo, outros alunos
movem suas cadeiras para frente e para trás para apanhar um lápis no
chão, ir ao banheiro ou simplesmente conversar com o colega de trás.
Medidas simples que atenuam o problema são colocar feltro sob mesas e
cadeiras escolares; e exigir dos alunos que falem mais baixo - a
começar pelo professor.
Estudo realizado
pela Universidade de Oldenburg, na Alemanha, confirmou que em muitos
colégios o barulho nas salas de aula passa do tolerável. No Brasil,
alguns colégios particulares já se preocupam com o tema. É o caso do
paulistano Santo Américo, no Morumbi, que conscientiza alunos do 1º
ao 9º ano com os chamados "ruidômetros" - cartazes que trazem uma
escala subjetiva de barulho que vai de 0 a 10. Quando professor ou
aluno fica incomodado com a barulheira, muda o prendedor para os
números mais altos para chamar a atenção de todos.
O limite suportável
para o ouvido humano é de 65 decibéis, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde. Acima disso, o organismo começa a sofrer danos.
Para as salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas
estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibéis.
Muitas classes, no entanto, atingem 75
decibéis, principalmente as que têm mais de 25 estudantes. Além
disso, o barulho no pátio, na hora do recreio, pode chegar a mais de
100 decibéis.
Se pessoas com boa
audição são prejudicadas com tanto barulho na escola, imagine um
aluno que já sofre de perda auditiva. "Ouvir o professor com tanto
ruído ao redor é difícil, mas a tarefa torna-se impossível para uma
criança com problemas de surdez. As escolas precisam buscar
alternativas para enfrentar o problema", alerta a fonoaudióloga
Isabela Gomes, do Centro Auditivo Telex.
Criado pela
dinamarquesa Oticon - líder mundial na comercialização de aparelhos
auditivos - foi lançado no Brasil o aparelho "Amigo", sistema FM que
permite a comunicação direta de professores com crianças e jovens que
apresentam problemas auditivos. A nova tecnologia, utilizada dentro
das salas de aula, é fundamental para ajudar o aluno com deficiência
auditiva a entender com clareza o que o professor está ensinando. O
sistema é composto por um microfone (transmissor) e um receptor. A
pessoa que está falando, no caso o professor, utiliza o minimicrofone
acoplado à roupa e sua voz é transmitida diretamente para o ouvinte,
que é o aluno. Isso ajuda a cortar qualquer efeito negativo de
distância, eco ou ruído de fundo, mantendo o sinal da fala original
alto e claro.
"Pais e professores
precisam estar atentos para problemas de déficit auditivo de seus
filhos e alunos, que muitas vezes passam despercebidos. É necessário
medir a audição das crianças, principalmente no início da fase
escolar, para evitar problemas de aprendizagem, futuros danos
auditivos ou mesmo o agravamento de distúrbios já existentes",
aconselha a especialista Isabela Gomes.
No Centro Auditivo
Telex, as pessoas encontram, além do sistema 'Amigo', diversos outros
aparelhos auditivos, quase invisíveis, com tecnologia digital, que
aliam estética aos cuidados com a audição, de forma a não trazer
inibições a quem precisa ouvir melhor.
Falta de segurança em escolas acaba
com a tranqüilidade dos pais
É inegável que as escolas possuem
importância fundamental na educação das crianças, tanto no
aprendizado quanto no desenvolvimento, e devem ser consideradas como
o segundo lar delas. Para tal, é imprescindível que os pais sintam-se
seguros em colocar seus filhos em uma instituição de ensino onde
terão a maior segurança possível.
Acidentes ou até mesmo o
risco de incêndio são fatores preocupantes, porém, devido à atual
situação de criminalidade no Brasil, especialmente em São Paulo, a
violência tem se tornado um dos mais importantes quesitos na escolha
da futura escola dos filhos, principalmente depois que foram
registrados alguns casos de seqüestros a crianças na chegada ou saída
do colégio.
“É fundamental que a
escola se preocupe em realizar um levantamento de antecedentes de
todos os seus funcionários, checagem criminal, comercial e
investigação social, já que, em muitos casos, o bandido age através
de informações que obteve por alguém próximo à vítima”, revela o
consultor em segurança Nilton Migdal, da Migdal Consulting.
O profissional afirma, ainda, que a
grande maioria das escolas não está preparada para esse tipo de
problema.
A checagem dos
funcionários é somente a primeira de diversas medidas a serem
tomadas. “O investimento na prevenção é primordial; não se pode
esperar que um caso seja registrado para tomar as devidas
providências. É preciso criar um manual de normas e procedimentos,
que deve ser fielmente seguido por todos os envolvidos. Conheço casos
que crianças foram entregues a um funcionário da empresa do pai que
não estava autorizado para pegá-las. E se fosse um seqüestrador? ”,
alerta Migdal.
No manual, ele
informa que horários de entrada, saída e entregas devem ser rigorosos
e cumpridos à risca. Todos os pais ou responsáveis, além de
fornecedores e funcionários de serviços públicos, como carteiros e
leitores de água e luz, devem ser cadastrados. Além disso, Migdal
também informa que as entradas e saídas dos alunos devem ser
exclusivas, o que facilita a identificação de uma pessoa estranha
àquele meio. “Sempre sugiro que as escolas realizem, uma vez por ano,
uma palestra aos pais e aos alunos sobre comportamento preventivo,
que, além de aspectos ligados à escola, focará situações atuais, com
os melhores procedimentos para o dia-a-dia, no carro, no banco,
saindo de casa, entre outros, salientando as novas modalidades de
crimes e, principalmente, como evitá-los”, finaliza.
Chegou a hora da lição de casa
Passada a novidade dos materiais novos,
novos amigos da nova turma, chegou a hora de encarar o ano escolar.
Lição de casa, tarefa, dever, cada um dá o nome que quiser à
atividade que todo estudante tem que realizar e que, para muitos, é a
primeira grande responsabilidade da vida. Como acontece no ambiente
doméstico, muitas vezes o momento da lição de casa pode gerar atritos
entre pais e filhos. De um lado, pais cansados com a jornada dupla de
trabalho e, do outro, filhos bravos por terem seu tempo "roubado" ou
inseguros por não darem conta do recado. Ou então aqueles pais que
avançam o sinal e realizam o dever pelo filho para "tirar da
frente". Educadores são unânimes: a participação dos pais, desde que
com critério, é importante sim.
"O papel dos pais no desenvolvimento
e expressão das diferentes competências do filho é fundamental, e
muda a cada etapa de escolaridade. O interesse pelas tarefas de casa
do filho demonstra o valor que a família dá aos estudos e ao trabalho
escolar, precisando, para tanto, estabelecer laços de apoio e afeto
que possam favorecer este processo", afirma Quézia Bombonatto,
presidente da ABPp, Associação Brasileira de Psicopedagogia. Outro
aspecto destacado pela psicopedagoga diz respeito ao espaço físico
para a realização da lição de casa, pois, geralmente, os alunos
apresentam melhor desempenho quando dispõem de um local adequado para
sua realização com mesa, cadeira, boa iluminação, distante de
televisão, livre de barulho ou outros estímulos que possam
distraí-los.
"Falar sobre lição de casa é
discutir sobre as concepções de educação. Educar é formar e propiciar
situações nas quais o aluno se sinta co-responsável pelo processo de
aprendizagem. É fazê-lo perceber suas potencialidades, dificuldades e
responsabilidades, para que se torne autor de suas ações e não um
cumpridor de tarefas", reflete Cleuza Vilas Boas, diretora do ensino
fundamental da Escola Móbile, zona sul de São Paulo. Nessa
perspectiva, a lição, para ela, ganha uma outra dimensão, em que o
aluno desenvolve atitudes importantes, a saber, ter hábitos de
estudo; responsabilidade; motivação de estudar sozinho, no próprio
ritmo; autonomia intelectual; organização; persistência e capacidade
de solucionar problemas.
"O contado dos pais com os filhos no
momento da lição de casa pode ser muito rico, desde que não tomem
para si a responsabilidade de responder questões", afirma. Segundo
ela, é hora oportuna para troca de vivências, tornando os pais
parceiros da vida escolar dos filhos. Além disso, afirma Cleuza, a
lição de casa pode servir de preparo para a próxima aula. "Isso
instiga a prática investigativa".
Para Rosana Nunes,
coordenadora pedagógica do Colégio Hugo Sarmento, na Vila Madalena, é
importante que a criança adquira, dia a dia, uma postura de
estudante. Para isso, a atuação dos pais é fundamental na hora da
lição de casa. A educadora dá algumas dicas de como encarar o
desafio:
Definir o horário para a realização da
lição
Estabelecer uma rotina com a criança
para realizar as tarefas
Manter os materiais em ordem e bom
estado
Orientar a criança a não realizar a
tarefa caso não tenha entendido
Encaminhar para o professor ou
orientador a tarefa "difícil" da criança
Ler sempre que possível bons livros
(autores consagrados...) para a criança ampliar o seu repertório
Ler para a criança caso necessite (pode
combinar de ler uma parte e a criança lê a outra)
Informar a maneira certa de escrever,
quando solicitado, ou sej,a caso a criança esteja na dúvida entre x
ou ch, sempre responder a forma correta
Não pressionar a criança com relação
aos erros ortográficos
Nunca faça a tarefa pela criança, mas
pense junto com ela
Contribuir com informações, caso seja
solicitado (entrevistas, pesquisas...)
A lição tem que ser o momento
prazeroso, não de brigas e embates pessoais
Apresentar interesse e envolvimento
quando a criança traz uma questão para pensar em casa
Criar autonomia, ou seja, que, a cada
dia, a criança realize sozinha suas tarefas, mas é importante passar
a segurança de estar por perto
Quézia Bombonatto
Mais que um professor
Educação é a base para o
desenvolvimento de qualquer nação, dessa forma, o professor torna-se
peça chave na formação do ser social, é ele quem vai guiar a produção
do conhecimento e o futuro profissional e acadêmico de cada criança.
No entanto, uma recente notícia sobre
professores alarmou pais e estudantes. A Secretaria da Educação de
São Paulo anunciou que usará professores reprovados em exames para
ministrar aulas no ensino básico. O sindicato do setor anunciou ainda
que esses professores irão para as periferias da capital, onde o
desempenho dos alunos é abaixo da média nacional. Segundo dados da
Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do
Trabalho e Emprego, 80% dos professores ativos no Brasil participam
da educação básica, ou seja, educação infantil, ensino fundamental e
ensino médio.
Para solucionar esse
problema, é preciso primeiro ter presente que o professor é muito
mais que um transmissor de conhecimentos. É ele também que irá
estimular a criança a ter características exigidas pelo mercado de
trabalho. Em uma de minhas palestras, em específico a realizada na
UNESCO, para educadores, lembro-me que iniciei a reflexão com a
seguinte pergunta: “quais as qualidades exigidas a um cidadão em uma
entrevista para emprego?“.
Muitos falaram, ao mesmo tempo, vários
atributos. Liderança, comunicação, trabalhar em equipe, iniciativa,
criatividade, flexibilidade entre outras. Foram inúmeras as
características citadas pelos participantes da palestra e todas elas
se encaixam no perfil selecionado pelas empresas. Respondi então a
eles com uma segunda pergunta: “Nós como educadores estamos colocando
dentro da sala de aula estas qualidades? Foi quando disse a todos:
“Se não estivermos fazendo isto como uma prática dentro da sala de
aula, nós estaremos engrossando a fila dos desempregados”. Pois é
exatamente esse questionamento que o docente pode fazer a si mesmo.
O papel do educador
dentro e fora da sala de aula é de extrema importância para os
alunos. O professor é um dos principais líderes da vida de uma
criança, é ele que, juntamente com os pais, vai influenciar
diretamente no desenvolvimento delas. Ele irá conduzir os alunos rumo
ao conhecimento e a sabedoria. A escola é o primeiro ambiente que a
criança encontra fora da família, e o mestre será uma das pontes mais
importantes de transição da infância para a vida adulta. Nesse
sentido, o docente deverá ser um bom exemplo e passar a sua melhor
característica para os alunos, agindo como um cidadão ético e
responsável, ciente de sua missão de transmitir valores para um
futuro profissional.
As rápidas mudanças
podem afetar alguns setores da sociedade, e a educação não está
exclusa deste cenário. Assim, o professor deve enfrentar grandes
desafios em sua profissão, além de se especializar para comunicar o
conhecimento, ele precisa estar atento em transmitir mais que isso, é
preciso mostrar aos pequenos que motivação e qualidades devem crescer
dentro nós e nunca se perder em meio aos problemas da vida.
Os grandes
professores que se permitem ensinar e transmitir o amor e a dedicação
nos marcam de forma positiva, deixam resultados perenes e transmitem
de forma inequívoca valores e ideais, promovendo uma verdadeira
transformação na vida de cada pessoa.
Eduardo Shinyashiki
Brasil é citado no relatório da ONU
Educação sob Ataque
Guerra do tráfico no Rio de Janeiro
é um dos casos analisados pela UNESCO
O Brasil está incluído na lista do
países que sofrem ataques políticos e ideológicos contra escolas,
professores e alunos. O estudo ´Educação sob Ataque´, divulgado pela
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco),
dia 9, cita a ocupação de escolas na guerra contra o tráfico de
drogas no Rio de Janeiro e o fechamento de escolas do Movimento dos
Sem-Terra (MST), no Rio Grande do Sul.
De acordo com o
relatório, publicado pela primeira vez em 2007, em países como
Afeganistão, Paquistão, Índia e Tailândia as escolas são alvo
sistemático de agressões. No Afeganistão, por exemplo, o número de
ataques quase triplicou entre 2007 e 2008, passando de 242 para 670
no período.
Na parte referente ao Brasil, a ONU
cita a ocupação de oito escolas municipais no Complexo do Alemão, no
Rio de Janeiro, entre maio e julho de 2007, por policiais armados.
Segundo a Unesco, os locais foram usados como base para ataques
contra traficantes de drogas, mobilizando 1,3 mil policiais civis e
militares em áreas frequentadas por alunos.
O relatório cita
ainda o fechamento, pela polícia, de escolas lideradas pelo MST, no
Rio Grande do Sul, em junho de 2008.
Outros dados
apontados pelo documento são os espancamentos, prisões, torturas e
ameaças realizadas por forças nacionais contra estudantes,
professores e acadêmicos em diversos países, incluindo o Brasil.
O relatório da
Unesco também ressalta a violência sexual contra meninas e mulheres
em áreas de conflito, como na República Democrática do Congo, Haiti,
Indonésia e Iraque.
Segundo texto
divulgado pela Rádio ONU em Nova York, a Unesco diz que a prevenção
de futuros ataques depende da compreensão dos motivos dessas ações,
que estariam relacionadas a revanches por assassinatos, silenciar
defensores dos direitos humanos, minar o controle do governo e
impedir a educação de meninas.
A sociedade não pode aceitar a
desqualificação dos professores
As conclusões de certos órgãos de
comunicação sobre os resultados da prova aplicada pelo governo de São
Paulo aos professores e candidatos à contratação temporária na rede
estadual de ensino são, no mínimo, precipitadas e incongruentes. Os
grandes jornais parecem mesmo ter eleito os professores como seus
inimigos principais.
Estes jornais falam em “professores
reprovados”, mas o que existe são duas listas de classificados para a
atribuição de aulas de 2010: a primeira composta pelos professores
que atingiram ou superaram a pontuação mínima definida pelo governo
(considerando a nota da prova e parte do tempo de serviço) e, a
segunda, com os professores que ficaram abaixo desta pontuação. Não
existem aprovados ou reprovados neste processo, mas professores
qualificados para a atribuição de aulas no primeiro momento e
professores qualificados para o segundo momento da atribuição.
A falta de critério
de parcela da mídia na cobertura deste assunto começa pelo fato de
dizerem que metade dos professores foi reprovada, sem considerar que
não existem 182 mil professores temporários na rede estadual de
ensino. Existem cerca de 90 mil profissionais nesta situação.
Quantos, entre os que não atingiram a pontuação, sequer pertencem à
rede estadual de ensino, são estudantes ou, simplesmente, não fizeram
a prova?
A diferença é própria da sociedade
humana. Não somos todos iguais e, em processos de avaliação, nem
todos se preparam da mesma forma, alguns possuem melhores condições
que outros, lidam de forma diferente com as questões apresentadas e,
assim, é natural que estas diferenças se reflitam nas notas obtidas.
A questão que se
apresenta é sabermos qual é melhor política de formação para os
professores. Para nós, esta política é aquela que assegure ao
professor uma jornada de trabalho que permita a implementação da
formação continuada dos professores no próprio local de trabalho.
Você, leitor, sabia
que o professor da rede estadual de ensino de São Paulo paga sua
formação e atualização profissional com recursos do próprio bolso?
Sabia que os poucos programas de
formação promovidos pelo governo estadual são restritivos, voltados
apenas para parte dos efetivos e não para o conjunto dos professores?
Sabia que os professores têm jornadas estafantes de trabalho, muitos
em diversas escolas, devido aos baixos salários? Que são responsáveis
por até 600 alunos, dependendo da disciplina que ministram, devido à
superlotação das salas de aula? Como, então, avaliar professores aos
quais não se garantem as mínimas condições para a sua formação e
atualização profissional?
Além da formação
continuada no local de trabalho, uma política de formação deveria
contemplar, também, afastamentos remunerados dos professores para
realizarem cursos de mestrado e doutorado, que revertem em melhoria
da qualidade do ensino. Deveria prever, ainda, viagens dos
professores (e até mesmo de grupos de alunos) dentro e fora do país.
Imagine se um professor de História que esteja trabalhando com seus
alunos a Inconfidência Mineira pudesse visitar a cidade de Vila Rica,
vivenciando o contexto histórico dos acontecimentos e podendo
degustar um pouco da cultura brasileira!
A denominada Escola
de Formação criada pelo governo como mais uma etapa do concurso
público não resolve o problema da formação do professor. As
disparidades vão persistir e as conseqüências para a qualidade do
ensino também.
Há coisas simples
que poderiam melhorar a educação pública no estado de São Paulo, e
não chegaremos a estas soluções desqualificando os professores. Ao
contrário, parabenizamos os professores, obrigados a participar desta
prova imposta pelo governo, com extensa bibliografia, com muitos
títulos esgotados, e com apenas um mês para estudar.
Convidaríamos alguns
profissionais da mídia a trabalhar nas escolas estaduais durante 40
horas semanais, submetidos a toda sorte de violências e sem estrutura
e, ao mesmo tempo, tendo que se submeter a esta prova nas condições
que foram impostas aos professores. Uma prova complexa – como admitiu
o próprio secretário da Educação – e, como já assinalamos, com
bibliografia muito extensa; muitos títulos esgotados; e com apenas um
mês para estudar, no final do ano, quando estivessem envolvidos em
avaliações de alunos, reuniões de conselhos e, ainda, repondo aulas
aos sábados, em decorrência da gripe suína. Será que teriam um
aproveitamento melhor que o dos professores?
Se nossa categoria
profissional fosse tão desqualificada como certos jornais querem
fazer supor, haveria alunos da escola pública ingressando na USP, na
Unicamp e em outras boas universidades?
É preciso que o
governo promova espaços de formação continuada do professor em seu
próprio local de trabalho, trazendo para o interior das escolas as
universidades públicas, através de convênios. Desta forma, as
universidades não apenas proporcionariam aos professores uma formação
continuada de qualidade, mas, também, alterariam a própria formação
inicial dos docentes. Com uma proposta assim implementada estaremos
unindo teoria e prática pedagógicas e aproximando a escola real da
escola ideal.
Maria Izabel Azevedo Noronha
Mais crédito para a cultura,
dividendos para a sociedade!
O recém-instituído Programa BNDES
para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult) é bastante
oportuno, devendo contribuir para o fomento do setor em 2010, de
modo consentâneo com a retomada do crescimento do PIB brasileiro.
A linha de financiamento deverá ser mais um fator de impulso do
mercado editorial, estímulo à leitura e acesso ao livro no País.
Portanto, trata-se de um plano com reflexos positivos e impacto
amplo no contexto da sociedade. A iniciativa prevê apoio
financeiro, por meio de programas de crédito, totalizando um
bilhão de reais, a ser aplicado até 2012, abrangendo diversos
segmentos culturais, como o editorial, patrimônio histórico,
musical, fonográfico e espetáculos ao vivo.
Era mais do que necessária a viabilização de um projeto como
esse, que, com certeza, fortalecerá a cadeia produtiva da cultura
no País. E o que é melhor: promovendo verdadeiramente a inclusão
cultural, já que dará apoio a agentes fomentadores de iniciativas
originais e autênticas. O fomento à economia da cultura, em uma
nação rica em expressões e manifestações, é, sem dúvida, um dos
mais importantes canais de geração de emprego e renda. Não há como
refutar que a produção cultural diversificada e descentralizada
tem enorme capacidade de propiciar desenvolvimento em todas as
regiões do território nacional.
No que tange ao
livro, a iniciativa tem o objetivo essencial de fomentar a
produção de obras editoriais, inclusive para comercialização em
novas mídias, melhorar a distribuição, desenvolver novos modelos
de negócios e modernizar as livrarias.
O custo financeiro do Procult é um dos menores praticados pela instituição em comparação
a todos os tipos de projetos que desenvolve com diversos setores
da economia: TJLP (hoje igual a 6% ao ano), acrescida da taxa de
1,% a.a. para micro, pequenas e médias empresas. Para as grandes
empresas da área cultural, o custo financeiro é de 7% ao ano,
acrescido de taxa de 2,0% a.a. Para projetos que desenvolvam novos
produtos e criem obras intelectuais originais brasileiras, a
novidade é que haverá uma taxa fixa de 4,5% a.a., equiparando-se
ao custo das linhas de inovação tecnológica oferecidas pelo banco.
Muito antes de lançar o programa, o BNDES já procurava um
encontro com o mercado editorial para delinear linhas de crédito
às empresas do setor. É importante ressaltar a nova visão do
Estado brasileiro na economia da cultura. Por outro lado, o
fortalecimento e a consolidação da cadeia produtiva editorial no
País, por meio desse programa, poderá contribuir para expansão
mais substantiva e rápida do setor e fazer com que cheguemos mais
perto de nosso objetivo de transformar o Brasil em um país de
leitores.
Rosely Boschini - Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Fonte: Agência Brasil Que Lê