Professores do ensino básico
serão obrigados a ter nível superior
Projeto de lei obriga a
formação universitária para professores da educação básica
Foi aprovado pela Comissão de
Educação do Senado o projeto de lei que obriga a formação
universitária para professores da educação básica. De acordo
com a proposta aprovada, os docentes terão um prazo de seis
anos para que possam continuar a exercer seus trabalhos nas
escolas da rede pública, sem nível superior.
A proposta altera o projeto da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que não previa a
necessidade de curso superior para a educação básica. “É
necessário que os nossos legisladores deixem bem claro em seus
projetos as mudanças para os educadores que ainda não têm
nível superior”, enfatiza a tutora do Portal Educação,
Emileide L. da Costa, se referindo ao exercício da profissão.
Um dos pontos do projeto é
quanto à exigência de avaliação qualificada de nota mínima no
Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), para os candidatos aos
cursos superiores de formação docente. A sugestão foi feita
pelo Ministério da Educação à relatora Fátima Cleide (PT-RO).
A concessão de bolsas de
iniciação à docência para universitários de cursos de
licenciatura também foi acrescida ao projeto de lei. A
relatora explica que a iniciativa é um incentivo para a
formação de profissionais do magistério que venham a atuar na
educação básica da rede pública.
Como foi aprovado pela comissão
um pedido de urgência na tramitação, a matéria será remetida
direto para a análise em plenário. Se aprovado seguirá para a
sanção presidencial, ainda neste mês.
Fonte: www.portaleducacao.com.br
Há uma pedagogia para a
infância?
Para falarmos sobre, se há ou
não uma pedagogia para a infância, precisamos primeiramente,
buscar na História da Educação, àqueles que pensaram na
educação para as gerações passadas para então concluirmos
sobre a pergunta acima colocada.
Sabemos, porém, que a construção
do conceito de criança e infância transformou-se ao longo dos
anos. No século XVII, por exemplo, Locke compreendia a criança
como “um vazio a ser preenchido” ou “tabula rasa”, um ser que
precisava ser preparado para que aprendesse conhecimentos e
desenvolvesse habilidades a fim de enfrentar os anos escolares
obrigatórios.
Já no século XVIII, a criança de
Rousseau é um ser inocente, que possui bondade natural em sua
essência, sendo a sociedade responsável por corromper sua
bondade nata. Deste modo, a partir desta crença, os adultos
criam um ambiente de extrema segurança e proteção do mundo
ameaçador, violento e perigoso que as cerca. Atualmente
percebemos que esta crença não respeita a criança como
indivíduo, ao excluí-la do mundo, ao qual ela já pertence.
Não podemos nos esquecer de
outros grandes pensadores que em épocas e culturas diferentes
fizeram estudos e experiências que os possibilitaram
apresentar à humanidade, propostas para a educação de
crianças baseadas em princípios filosóficos e pedagógicos que,
nos tempos atuais, podem ser definidos como pilares de uma
educação para infância.
Inúmeros são os educadores,
filósofos, psicólogos e cientistas que pensaram o
desenvolvimento infantil, mas não podemos deixar de destacar
alguns deles, como por exemplo, Fröebel, um dos primeiros
educadores que considerou a infância como uma fase importante
e decisiva na formação das pessoas. Ou então, Maria Montessori
que acreditava que a educação é uma conquista da criança e
defendia que a individualidade, atividade e liberdade do aluno
deviam permear uma proposta pedagógica. Célestin Freinet, em
pleno século XIX, lutava contra o ensino tradicional, centrado
no professor e na cultura enciclopédica e defendia uma
educação ativa em torno do aluno. Lev Semenovich Vygotsky, por
sua vez, acreditava que a escola é o lugar social privilegiado
para o desenvolvimento das crianças e para compreender a
relação entre os processos de aprendizagem e desenvolvimento.
Jerome Bruner via a criança como indivíduo “multivocal”,
proativo, repleto de potencialidades, habilidades,
intencionalidade e possuidor de saberes construídos, John
Dewey destacava que a função social da educação era uma forma
de ação política que se dava por meio das interações do
indivíduo na sociedade, Malaguzzi compreendia a criança como
um sujeito único, complexo e individual, revelando a visão de
criança rica, capaz de surpreender e de contribuir com seus
conhecimentos próprios e Piaget defendia uma concepção
construtivista, ou seja, o conhecimento é um processo de
criação e construção que se dá a partir de conhecimentos e
idéias anteriores.
Os estudiosos acima trouxeram
para nós educadores uma contribuição muito valiosa na
construção de uma pedagogia para a infância. A concepção de
infância/criança, de educação e de sociedade levou-os a
formular teorias condizentes com essas concepções e que hoje,
no século XXI, são importantes e aparecem em nossos projetos
pedagógicos.
Os pressupostos pensados para o
desenvolvimento da educação da época em que cada um viveu são:
educação para a prática da democracia, autonomia da criança,
cognição, afeto e socialização, trabalho e capacitação do
aluno para a transformação do meio. Além disso, oferecem
técnicas, que consideramos motivadoras e que envolvem o aluno,
oportunizando a sua participação e garantindo, assim, o
alcance dos pressupostos já mencionados.
A pedagogia para a infância do
século XXI deve ter como pressupostos a preparação para uma
vida cidadã, onde crianças têm direitos e deveres, perfil
transformador, autonomia, independência, liberdade, justiça,
paz e uma visão globalizada.
Atualmente, surgem novas
perspectivas de criança e infância, baseadas em estudos
construcionistas e pós-modernos na Filosofia, Psicologia e
Sociologia. As crianças possuem seu próprio lugar na
sociedade, elas podem participar de decisões democráticas,
falar, serem ouvidas e acima de tudo, serem respeitadas.
A infância é compreendida por
construção social, contextualizada no tempo, espaço e cultura,
variando segundo gênero e condições socioeconômicas. Deste
modo não há somente uma infância universal, pois se tratam de
crianças diferentes com infâncias diferentes. A criança passa
a ser vista como co-construtora de sua identidade,
conhecimento e cultura, um ser único, complexo, individual,
rico em potencial.
Este olhar diferente demonstra
concepções de crianças ativas, que constroem conhecimento e
dão significado às suas aprendizagens à medida que exercem a
cidadania e influenciam o mundo que as cercam como
co-construtoras ativas.
Além das técnicas já
apresentadas pelos pensadores buscados, outras são incluídas,
tendo em vista os recursos tecnológicos que estão à disposição
do fazer educativo de nosso tempo.
A escola de hoje tem à
disposição recursos teóricos capazes de subsidiar uma
pedagogia que promove o desenvolvimento pessoal, social e
cultural de nossos educandos. É preciso, porém, que os
professores e os gestores dessa educação conheçam o perfil dos
educandos e as teorias que orientam a construção de uma
proposta pedagógica capaz de desenvolver “os ideais da paz, da
liberdade e da justiça social” (DELORS, 2000).
Consideramos que os educadores
que trabalham com a infância necessitam de aperfeiçoamento
contínuo, buscando cada vez mais aprimorar o seu trabalho
pedagógico e com isso trazer uma maior qualidade para a
educação, bem como, é preciso que acreditem que a educação
pode transformar.
Concluímos que a escola e os
sistemas educacionais têm à disposição, pedagogias já
desenvolvidas no passado que unidas com estudos recentes na
área de filosofia, psicologia, sociologia, didática e
metodologias podem constituir uma pedagogia para a infância
do século XXI.
Nilza Eller Barros Leal
.
Referências Bibliográficas
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mentais, mundos possíveis. Porto Alegre: Artmed, 2002
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e Lenguaje. In: Perspectivas, 1986.
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Educação Infantil. Perspectivas pós-modernas. Porto Alegre:
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tesouro a descobrir. Relatório para UNESCO da Comissão
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EDWARDS, C. e GANDINI, l. e
FORMAN, G. ( orgs.). As cem linguagens da criança. Porto
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KISHIMOTO, T. M. Bruner: uma
pedagogia da infância. Conhecimento local e conhecimento
universal: diversidade, mídias e tecnologias na educação.
Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2004.
/infanciaatualidade. TEIXEIRA, Kelly Cristina. Infância e
atualidade: A concepção de infância. Acesso em 29/07/09.
A violência educacional através do
“bullying, cyberbullying” e a responsabilidade civil
Educação sempre foi um sinônimo de
respeito, amor ao próximo, comprometimento e interesse.
Nos dias de hoje, a educação em seu
sentido nato de aprendizado se transformou em uma banalidade, na qual
alunos não respeitam mais professores ou colegas e professores também
desrespeitam alunos ou direção, portanto, vivemos na era do caos.
Os índices de violência nas escolas são
ascendentes e muito pouco tem sido efetuado para amenizarmos,
diminuirmos ou controlarmos as referidas ondas de violência. A
violência escolar reflete de forma negativa no aspecto social,
psicológico e jurídico de todos os envolvidos.
O termo violência é originário do latim
vil, possuindo as seguintes ramificações: vis absoluta ou vis
corporalis (violência física), vis compulsiva (violência moral ou
psíquica).
Temos uma violência presumida ou ficta
quando a vítima ainda não tem discernimento, seja por idade ou estado
mental, para consentir com o ato, acabando a lei por presumir as
situações de perigo.
A violência física sem sombra de
dúvidas é a mais comum, consistindo no uso da força muscular e
física. Já a violência psíquica ou moral é proveniente de graves
ameaças ou hipnoses, álcool, anestésicos, narcóticos, enfim,
elementos que auxiliem ou influenciem o estado psicológico da vítima.
Atualmente, vivemos um paradigma, pois
as famílias terceirizaram a educação de seus filhos para a escola.
Ocorre que as escolas não estão preparadas para receber tamanho fardo
de moldar alguns princípios e caráter nos alunos, responsabilidades
estas outorgadas aos pais.
Constantemente, os meios de comunicação
noticiam casos de violência nas escolas como brigas, mortes,
efetuadas dentro do ambiente escolar ou nas ruas adjacentes.
Com o avanço da internet, na desculpa
de criação de comunidades existe basicamente a criação das antigas
gangues, na qual vários alunos inclusive marcam dia e horário para se
encontrarem e se confrontarem, além da utilização do “cyberbullying”.
Um dos casos muito discutido é
relacionado ao famoso “bullying”. A expressão “bullying” é um termo
americano, significando valentão. O domínio do mais forte sobre o
mais fraco sempre existiu, inclusive na era das cavernas, antigamente
não chamávamos de “bullying” este tipo de agressão, mas também
existia o domínio do colega mais forte, em que a criança era obrigada
a pagar algum dinheiro a ele, famoso pedágio, pois se assim não o
fizesse apanharia além de ter o lanche furtado.
Hoje, também existe esta intimidação só
que de uma forma maior, pois o “bullying” é a violência física ou
psicológica intencional de forma pessoal, repetitiva e sem motivação
evidente. Portanto, a referida prática se estende a todas as formas
de agressão como: agressão física, isolamento, humilhação, insultos,
apelidos humilhantes, ofensas, amedrontar ou roubar.
Já o “cyberbullying“ são todos os tipos
de agressões ocasionadas de forma virtual, se escondendo o agressor
nos meios eletrônicos. No “cyberbullying” podemos citar informações
ou boatos que deponham contra a imagem da pessoa (incluindo fotos por
celular, computador, blogs e redes de relacionamentos).
Geralmente, em ambas as violências, são
apreciados sofrimentos psicológicos, além de medo, raiva e vergonha.
O “bullying” em casos extremos evolui
para agressões físicas, tentativa de homicídios e até a consumação do
homicídio. Também importante frisar que a prática do “bullying” não é
efetuada apenas entre alunos, existindo casos em nosso país de
professores contra alunos.
Em virtude do assombro da referida
violência diversos estados brasileiros estão criando leis visando
coibir a referida prática.
Em nosso país diversos tribunais tem
coibido as referidas prática de violência efetuando condenações no
âmbito civil aos agressores, a exemplo podemos citar a inédita
condenação por “ciberbullying” publicada no Diário de Justiça do Rio
Grande do Sul em 12/07/2010, que condenou a mãe de um adolescente ao
pagamento de R$ 5.000,00 a título de danos morais conforme abaixo
exposto:
APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL.
INTERNET. USO DE IMAGEM PARA FIM DEPRECIATIVO. CRIAÇÃO DE FLOG –
página pessoal para fotos na rede mundial de computadores.
responsabilidade dos genitores. pátrio poder. bullying. ato ilícito.
dano moral in re ipsa. ofensas aos chamados direitos de
personalidade. MANUTENÇÃO DA INDENIZAÇÃO. PROVEDOR DE INTERNET.
SERVIÇO DISPONIBILIZADO. COMPROVAÇÃO DE ZELO. AUSÊNCIA DE
RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO. AÇÃO. RETIRADA DA PÁGINA EM TEMPO
HÁBIL. PRELIMINAR AFASTADA. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. AUSENCIA DE
ELEMENTOS.
Apelo do autor
Da denunciação da lide
I. Para restar configurada a
denunciação da lide, nos moldes do art. 70 do CPC, necessário
elementos demonstrando vínculo de admissibilidade. Ausentes provas
embasando o pedido realizado, não há falar em denunciação da lide.
Da responsabilidade do provedor de
internet
II. Provedores de internet
disponibilizam espaço para criação de páginas pessoais na rede
mundial de computadores, as quais são utilizadas livremente pelos
usuários. Contudo, havendo denúncia de conteúdo impróprio e/ou
ofensivo à dignidade da pessoa humana, incumbe ao prestador de
serviços averiguar e retirar com brevidade a página se presente
elementos de caráter ofensivo.
III. Hipótese em que o provedor excluiu
a página denunciada do ar depois de transcorrida semana, uma vez ser
analisado assunto exposto, bem como necessário certo tempo para o
rastreamento da origem das ofensas pessoais – PC do ofensor. Ausentes
provas de desrespeito aos direitos previstos pelo CDC, não há falar
em responsabilidade civil do provedor.
Apelo da ré
Do dano moral
IV. A Doutrina moderna evoluiu para
firmar entendimento acerca da responsabilidade civil do ofensor em
relação ao ofendido, haja vista desgaste do instituto proveniente da
massificação das demandas judiciais. O dano deve representar ofensa
aos chamados direitos de personalidade, como à imagem e à honra, de
modo a desestabilizar psicologicamente o ofendido.
V. A prática de Bullying é ato ilícito,
haja vista compreender a intenção de desestabilizar psicologicamente
o ofendido, o qual resulta em abalo acima do razoável, respondendo o
ofensor pela prática ilegal.
VI. Aos pais incumbe o dever de
guarda, orientação e zelo pelos filhos menores de idade, respondendo
civilmente pelos ilícitos praticados, uma vez ser inerente ao pátrio
poder, conforme inteligência do art. 932, do Código Civil. Hipótese
em que o filho menor criou página na internet com a finalidade de
ofender colega de classe, atrelando fatos e imagens de caráter
exclusivamente pejorativo.
VII. Incontroversa ofensa aos chamados
direitos de personalidade do autor, como à imagem e à honra,
restando, ao responsável, o dever de indenizar o ofendido pelo dano
moral causado, o qual, no caso, tem natureza in re ipsa.
VIII. Quantum reparatório serve de meio
coercitivo/educativo ao ofensor, de modo a desestimular práticas
reiteradas de ilícitos civis. Manutenção do valor reparatório é
medida que se impõe, porquanto harmônico com caráter
punitivo/pedagógico comumente adotado pela Câmara em situações
análogas.
APELOS DESPROVIDOS (Apelação Cível Nº
70031750094, Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Liege Puricelli Pires, Julgado em 30/06/2010)
Em relação à condenação referente
à “bullying” segue sentença do Tribunal de Justiça do Distrito
Federal.
DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANOS
MORAIS. ABALOS PSICOLÓGICOS DECORRENTES DE VIOLÊNCIA ESCOLAR.
BULLYING. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA. SENTENÇA
REFORMADA. CONDENAÇÃO DO COLÉGIO. VALOR MÓDICO ATENDENDO-SE ÀS
PECULIARIDADES DO CASO.
1. Cuida-se de recurso de apelação interposto de sentença que julgou
improcedente pedido de indenização por danos morais por entender que
não restou configurado o nexo causal entre a conduta do colégio e
eventual dano moral alegado pelo autor. Este pretende receber
indenização sob o argumento de haver estudado no estabelecimento de
ensino em 2005 e ali teria sido alvo de várias agressões físicas que
o deixaram com traumas que refletem em sua conduta e na dificuldade
de aprendizado.
2. Na espécie, restou demonstrado nos autos que o recorrente sofreu
agressões físicas e verbais de alguns colegas de turma que iam muito
além de pequenos atritos entre crianças daquela idade, no interior do
estabelecimento réu, durante todo o ano letivo de 2005. É certo que
tais agressões, por si só, configuram dano moral cuja
responsabilidade de indenização seria do Colégio em razão de sua
responsabilidade objetiva. Com efeito, o Colégio réu tomou algumas
medidas na tentativa de contornar a situação, contudo, tais
providências foram inócuas para solucionar o problema, tendo em vista
que as agressões se perpetuaram pelo ano letivo. Talvez porque o
estabelecimento de ensino apelado não atentou para o papel da escola
como instrumento de inclusão social, sobretudo no caso de crianças
tidas como "diferentes". Nesse ponto, vale registrar que o ingresso
no mundo adulto requer a apropriação de conhecimentos socialmente
produzidos. A interiorização de tais conhecimentos e experiências
vividas se processa, primeiro, no interior da família e do grupo em
que este indivíduo se insere, e, depois, em instituições como a
escola. No dizer de Helder Baruffi, "Neste processo de socialização
ou de inserção do indivíduo na sociedade, a educação tem papel
estratégico, principalmente na construção da
cidadania."(20060310083312APC, Relator WALDIR LEÔNCIO C. LOPES
JÚNIOR, 2ª Turma Cível, julgado em 09/07/2008, DJ 25/08/2008 p. 70)
Conforme podemos vislumbrar a questão
da violência na esfera civil efetuada através do “bullying” ou
“cyberbullying” é classificada como um ilícito devendo ocorrer a sua
reparação, conforme esmiúça os artigos abaixo transcritos do Novo
Código Civil:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts.
186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de
reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 186. Aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o
titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.
A legislação é clara ao elencar que a
pessoa que efetuar danos a outrem terá a obrigação de ressarcimento.
O Direito civil também tipifica o dano em modalidades sendo elas:
Dano Material: como próprio nome sugere
é aquele que ocasiona prejuízos no patrimônio da pessoa, sobre seus
bens materiais;
Dano Moral: são aqueles ocasionados no
patrimônio imaterial do ser humano, voltados a sua imagem, espírito,
sentimento possuindo também correlação com o art. 5.º, V, X da
Constituição Federal; art. 6.º inciso VI do Código de defesa do
Consumidor;
Dano Estético: são os danos que venham
a modificar o aspecto morfológico do ser humano como deixar a pessoa
aleijada, amputação de dedo podendo ser aplicado às regras do art.
949 do Novo Código Civil.
No aspecto da violência escolar, estão
engajados pais, jovens, professores, funcionários, direção, sociedade
e o próprio Estado na omissão de práticas visando coibir as mesmas.
O Novo Código Civil elenca as referidas
responsabilidades conforme exposto abaixo:
Art. 932. São também responsáveis pela
reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que
estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos
e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por
seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que
lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias,
casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para
fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem
participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. (grifos
nossos)
Art. 933. As pessoas indicadas nos
incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua
parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali
referidos
Outrossim, as instituições de ensino
pelo Código de Defesa do Consumidor através do art. 3.º são
consideradas fornecedoras de serviços, sendo que no mesmo código o
art. 14 determina sua responsabilidade de ressarcimento pela má
prestação de serviços.
O Estado tem sua responsabilidade
gerida pela Constituição Federal dentre outros artigos podemos citar
o art. 227 in fine:
Art. 227. É dever da família, da
sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
Várias leis demonstram que crianças e
adolescentes deverão estar a salvo de qualquer discriminação ou
violência, contudo, se as leis não forem cumpridas ou conhecidas não
teremos como coibir e frear a violência.
Necessário uma reavaliação não só dos
métodos pedagógicos visando contribuir para detenção da violência,
mas também uma formulação conjunta de novas medidas entre Poder
Público, escola, comunidade, associação de pais e mestres e os
próprios jovens, bem como frear a utilização dos meios eletrônicos de
forma indevida.
Para isto é necessário uma análise
sócio cultural verificando os erros de todos os envolvidos para aos
poucos buscarmos os acertos.
A violência está ocorrendo em graus
intoleráveis faltando dentre outros critérios um ensinamento aos
jovens dos limites e das suas obrigações como cidadãos, as escolas se
preocupam com diversas disciplinas, muitas delas impostas, que não
serão utilizadas no cotidiano, mas se esquecem de introduzir uma
disciplina que venha realmente mostrar e demonstrar aos jovens e toda
classe discente o verdadeiro conceito de cidadania.
O Ministério da Educação- MEC apesar de
não possuir poder fiscalizador nas escolas, está preocupado com o
referido tema buscando efetuar a capacitação dos professores criando
inclusive a secretaria (SECAD) com a criação do Projeto Escola que
Protege e a criação do livro “Formação de Educadores (as)- Subsídios
para Atuar no Enfrentamento à Violência Contra Crianças e
Adolescentes”, maiores informações podem ser obtidos no site
www.mec.gov.br.
Devemos agir com fiscalização,
trabalhos voluntários, palestras mostrando critérios de cidadania,
visando um trabalho preventivo nas causas da violência.
Apesar das diversas condenações pelo
Poder Judiciário, as mesmas não irão apagar os traumas sofridos pelos
jovens vítimas de violência, bem como pelos próprios violentadores
que também são vítimas de uma sociedade de exclusão.
Para isto precisamos efetuar o primeiro
passo coibindo esta triste realidade, na qual as escolas, espaço para
a educação, estão se transformando na barbárie e ringues de
violência, ao contrário de formar cidadãos, forma criminosos e
delinqüentes constatando-se a triste realidade de inversão de
valores.
Gislaine Barbosa de Toledo
Adolescência - Os Riscos do Início
Precoce da Atividade Sexual
O início precoce da atividade sexual
trás sérias consequências para a vida dos adolescentes, entre as mais
preocupantes estão às relacionadas às doenças sexualmente
transmissíveis e a gravidez.
Gravidez
A gravidez na adolescência tem causado
muita preocupação. Apesar do número de adolescentes grávidas ter
caído nos últimos 10 anos segundo pesquisas divulgadas pelo IBGE,
ainda existem dúvidas quanto a educação sexual para os adolescentes.
Sem a maturidade física e emocional necessária para o enfrentamento
das sérias consequências que envolvem o advento de um filho, a vida
dos jovens sofre mudanças bruscas que, na maioria das vezes, foge de
controle. Uma das mudanças é a queda na qualidade de vida. Pesquisa
realizada pelo ambulatório de Planejamento Familiar da Unifesp
apontou que as adolescentes grávidas têm menos oportunidades no
mercado de trabalho e acabam abandonando os estudos por conta do
bebê.
Além disso, existem os casos de adolescentes que, por causa da
repressão familiar, fogem de casa ou se entregam nas mãos de pessoas
inescrupulosas, provocando abortos criminosos que, inevitavelmente,
produzem danos físicos e emocionais dificilmente superados. O fato
foi destacado recentemente na novela Passione, da TV Globo. A
personagem adolescente Fátima, vivida pela atriz Bianca Bin,
engravidou depois de uma aventura com o personagem Danilo, vivido
pelo ator Cauã Reymond. Ao praticar o aborto ilegal, em condições
inapropriadas, Fátima acaba entre a vida e a morte no leito de um
hospital.
DSTs
E não é só a gravidez indesejada que preocupa os pais dos
adolescentes. Outro problema que merece atenção são as DSTs (Doenças
Sexualmente Transmissíveis). Muitas vezes o jovem inicia a vida
sexual sem ter a preocupação com a prevenção já que nessa fase da
vida temos a sensação de que nada ruim pode nos acontecer.
Dá-se então a necessidade de maior
diálogo entre pais e filhos e uma participação da escola nesse
sentido.
Estudos apontam que o contexto familiar
tem uma relação direta com a época em que se inicia a atividade
sexual. Portanto, esse é um fator que deve ser ressaltado, pois, o
afastamento dos membros da família e a desestruturação familiar somam
maior insegurança no adolescente que, totalmente despreparado, dá
vazão aos anseios sexuais determinados pelos estímulos
característicos da puberdade. Seja por separação, seja pelo
corre-corre do dia-a-dia, alguns pais estão cada vez mais afastados
de seus filhos que, sem terem para quem dar satisfações de sua rotina
diária, só procuram os pais ou responsáveis quando o problema já se
instalou. A falha de comunicação entre pais e filhos dá ao
adolescente uma liberdade sem responsabilidade e é assim que muitos
jovens iniciam suas vidas sexuais sem o menor cuidado.
Mas porque é tão difícil para os pais
conversarem abertamente sobre sexualidade com seus filhos? Conhecer
essas dificuldades é primordial para que os pais as vençam,
estabelecendo maior intimidade e aproximação emocional com os
adolescentes. Todos os esforços nesse sentido são essenciais, pois,
não se pode simplesmente fechar os olhos para a realidade que se
impõe em fatos. Ouvir o adolescente com carinho e atenção;
jamais demonstrar menosprezo por suas preocupações, mesmo que pareçam
pueris; observar seu comportamento, suas amizades; ou seja, percorrer
com ele o máximo possível essa fase tão turbulenta da adolescência
são medidas que podem além de evitar muito sofrimento no futuro,
ainda promover maior união e alegria familiar. O discurso moralista
quase sempre provoca enfado no adolescente, enquanto o diálogo
afetuoso o orienta, estimula e compromete.
Suely Buriasco
Como implantar a educação financeira
na rede pública de ensino?
Uma boa notícia, é que o governo que
implantar a educação financeira e 900 escolas públicas estaduais de
cinco Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e
Tocantins – o projeto terá início para as classes de ensino médio.
Essa idéia nasceu da parceria de Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
e do Ministério da Educação (MEC) e o apoio do Instituto Unibanco.
Agora resta saber como será a
implantação desse programa, com a experiencia que já venho tendo com
a implantação de um sistema de educação financeira em diversas
escolas do país através do Instituto DiSOP, acredito que o caminho a
ser seguido é da implementação desse tema junto as matérias que já
fazem parte dos currículos das escolas, pois, assim se mostra a
naturalidade com que esse tema acontece no cotidiano dos jovens.
No material didático que preparamos
para variadas séries com base no livro O Menino do Dinheiro a
educação financeira é abordada de forma lúdica. Essa idéia nasceu
porque no decorrer de meu trajeto de aprendizagem pelo mundo das
finanças pessoais, observei que o real problema está na falta de
educação financeira, a qual infelizmente nossa população sofre em
todo o processo educacional.
A população não tem ensinamentos
básicos de como devem tratar o dinheiro que recebem desde pequenas.
Assim, como podemos esperar que elas, de uma hora para outra, saibam
as formas de lidarem com dificuldades financeiras e com
endividamento, muitas vezes causadas por imprevistos, como a perda de
um emprego ou a compra de um produto que não estava no orçamento?
É fundamental para o desenvolvimento de
nossa população a inclusão da educação financeira na proposta
educacional das escolas. Mas muitos pensam que isso seria muito
complicado, isso não é verdade. A prova que isso é possível está no
livro Terapia Financeira (Editora Gente), onde detalho como isso é
mais simples do que se pode pensar. Na obra apresento a Metodologia
Comportamental de Educação Financeira DiSOP, na qual a finanças
pessoal não é tratada apenas como uma ciência exata, entrando em
outras áreas do saber.
A população deve ter claro que para
conseguir tomar as “rédeas” de sua vida financeira é necessário
primeiramente saber a situação que se encontra e traçar os objetivos
que pretendemos atingir. Mas esse é só o começo, para que a realidade
de endividamento que muitos se encontram termine, é fundamental que a
educação financeira seja tomada como fundamental para o crescimento
das pessoas. Também é importante alertar nossas lideranças políticas
que se atente não só com a macro economia, pois, tão importante
quanto ela é a micro economia que cuida do dinheiro que circula todos
os dias nas mãos de nossa população.
Reinaldo Domingos
Pais devem ter cuidado com os
produtos que mantêm em casa adolescentes abusam de inalantes
encontrados em esmaltes de unhas e colas de contato
Levantamento recente feito em
escolas particulares de São Paulo mostra que os inalantes são a
terceira substância psicoativa mais consumida – depois de álcool e
tabaco – por estudantes de 15 a 18 anos
De acordo com levantamento feito pelo
Cebrid (Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp,
em 2008 e divulgado este mês, os inalantes são a terceira droga mais
consumida por alunos de escolas particulares de São Paulo, perdendo
apenas para o álcool e o tabaco. A pesquisa, que ouviu 5.226 alunos
do ensino fundamental e médio de 37 escolas, mostrou que os inalantes
foram consumidos pela primeira vez em idade precoce, visto que 50%
dos que experimentaram o fizeram até os 14 anos de idade.
Os inalantes são capazes de promover
depressão na atividade do sistema nervoso central e apresentam
potencial de abuso. A principal substância responsável por esses
efeitos é o toluol, solvente que faz parte da fórmula de produtos
como esmalte de unhas e cola de contato, conhecida também como cola
de sapateiro.
Uma olhada atenta à despensa de casa
permite que os pais verifiquem produtos de limpeza, higiene pessoal
ou para reparos caseiros que trazem especificações de cuidado ao uso
por conterem substâncias tóxicas e prejudiciais à saúde. Na maioria
dos casos, o risco é de alergias, dermatites, irritações de mucosas
etc., e pode ser evitado se o uso for feito de forma adequada. Mas o
perigo não para por aí.
Os esmaltes são um exemplo de produto
que possui substâncias tóxicas cuja ação, para os pais desavisados,
pode causar no máximo sérias alergias. A pesquisa do Cebrid, no
entanto, mostrou que os esmaltes e acetonas são o segundo inalante
mais consumido pelos adolescentes como forma de droga.
Já a cola de sapateiro é o quarto
inalante mais consumido pelos participantes da pesquisa. A alta
concentração de toluol encontrada nesse adesivo utilizado em diversos
tipos de materiais como sapato, madeira e metal, representa um perigo
ainda maior.
O toluol é um solvente aromático que,
ao ser inalado, inibe o sistema nervoso central, causando sensações
de excitação, alucinações auditivas e visuais, acompanhadas de
tontura, náuseas, espirros, tosse, salivação e fotofobia. Quando
usado em altas doses e/ou de forma crônica, essa substância leva à
síndrome de adicção. Como os efeitos após a inalação são rápidos
(desaparecem após 15 a 40 minutos), o usuário acaba repetindo a dose
diversas vezes para prolongar a sensação de euforia, o que favorece a
ocorrência da dependência química.
A indústria vem apresentando cada vez
mais soluções para evitar o uso de toluol em produtos
disponibilizados para o consumidor de final. A Henkel, que fabrica a
marca de cola de contato Cascola, deu um importante passo para
iniciar esse movimento. A empresa retirou o toluol de toda a linha do
produto, substituindo por um solvente que tem apenas um terço de sua
toxicidade, sem potencial de abuso.
No caso dos esmaltes, a Impala, por
exemplo, possui uma linha de produtos hipoalergênicos, com formulação
balanceada desenvolvida sem toluol.
O segredo para manter a segurança
dentro de casa é optar por produtos menos tóxicos, além de sempre
respeitar as normas de utilização sugeridas na embalagem.
Números pesquisa
Prevalência do consumo de drogas
Uso na vida
Uso no ano
Uso no mês
Álcool
80,30%
63,10%
29,60%
Tabaco
24,60%
17,10%
10,20%
Inalantes
13,60%
8,50%
3,70%
Tipo de inalante consumido pelos
entrevistados no mês anterior à pesquisa, dentre os 185 entrevistados
que relataram uso no mês de inalantes.
Ensino Médio
Ensino Fundamental
Loló / Lança Perfume
71,90%
34,40%
Esmalte/Acetona
24,80%
41,70%
Gasolina
17,80%
38,40%
Cola
10,60%
22,20%
Thiner/Agarraz/Benzina/ Tinta
9,50%
21,70%
Biblioteca: um espaço mágico
Na hora do intervalo, entre uma aula e
outra, as coisas aconteciam. Eu a via, conversávamos, nos olhávamos,
mas nos anos 60 namorar na escola era proibido. Quase sempre os
encontros se davam no intervalo. Era naquele momento mágico que eu
desenvolvia minha capacidade de compreensão da afetividade nas
discórdias tão comuns dos primeiros encontros com as primeiras
namoradas. Aquele sinal do famoso “recreio” era o prenúncio de fazer
e refazer os ingênuos amores dos meus 15 anos.
Foi exatamente nessa época que descobri
na minha escola um lugar especial: a biblioteca. Lá eu podia entender
através dos versos de Vinicius de Moraes, Drummond ou Fernando Pessoa
que aquele sentimento jovem, apaixonado, também era comum aos mais
velhos e viajava nos enlaces e desencontros dos meus ídolos da
literatura. Era a eles que eu me socorria na solidão do término de um
romance; era na biblioteca que encontrava as palavras mais doces
enviadas por carta àquela menina “que eu amava”, da terceira fila da
minha classe.
Talvez o socorro à biblioteca e aos
livros se desse muito mais porque a poesia, além de escrita, era
cantada por grandes nomes da literatura, algo que hoje já não existe
mais. Unir poesia e literatura com a melodia, como num casamento
perfeito, sonorizava o encanto poético e aflorava em mim o gosto pela
leitura. E era bem ali, na antiga biblioteca da minha escola, que eu
me curava dos amores perdidos. Os remédios mais comuns eram Vinicius
de Moraes e Fernando Pessoa. Além disso, era na mal iluminada
biblioteca que eu e os demais alunos costumávamos tirar todas as
nossas dúvidas sobre tantos assuntos que nos afligiam, típicos de uma
adolescência carente de informações.
Desenvolver o gosto dos alunos pela
literatura nos dias de hoje é um desafio aos educadores. A rapidez
das informações pela internet, a banalização dos sentimentos, a
praticidade em conquistar novos amores – o “ficar” – já não nos fazem
socorrer de forma contumaz ao encanto das poesias.
Foi com base nessa percepção que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei n. 12.244, que
visa à “universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do
país”, determinando que as escolas públicas e privadas de todos os
sistemas de ensino do Brasil deverão ter bibliotecas – ou seja, um
acervo de livros – de no mínimo um título para cada aluno
matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a
ampliação deste acervo, conforme sua realidade, bem como divulgar
orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das
bibliotecas escolares.
Pior do que não se habituar ao socorro
da leitura é não ter livros para ler e sofrer da falta do espaço
silencioso e quase sagrado das bibliotecas, local em que se procuram
respostas, se descobrem histórias, se consola dos amores perdidos.
Até hoje me lembro dos livros que me acalmaram, que me alegraram, que
me prendiam a atenção durante tardes inteiras. Recordo-me dos longos
corredores da gigantesca biblioteca da Hebraica de São Paulo, onde
disputávamos os novos livros, os novos títulos, reservando-os com
antecedência. Com a nova lei, teremos um espaço vivo de sabedoria, um
encontro certo com a literatura, e talvez assim voltemos a induzir os
jovens a entrar nessa sala mágica, onde se cura a curiosidade, se
descobre a ciência e se trata os amores, por mais ingênuos que sejam,
como o dos meus 15 anos, encantado com a menina da terceira fila.
Fernando Rizzolo
Os benefícios intangíveis dos cursos
de MBA
A proliferação dos cursos de MBA (Master
of Business Administration) é um fato. Porém, o que ocorre,
ultimamente, é que o público dessa modalidade de pós-graduação também
está se modificando, abrangendo não apenas a alta gerência como
também profissionais do nível operacional.
Cada vez mais os cursos de MBA vêm
sendo procurados por jovens profissionais, muitos recém-formados, com
pouco ou nenhum tempo de carreira, porém com expectativas muito altas
em relação ao retorno em termos financeiros que o curso trará para
eles. Esses profissionais são a chamada geração Y, aqueles nascidos
na década de 80, que possuem uma característica marcante: o
imediatismo. Eles iniciam um MBA pouco tempo depois de concluída a
graduação e esperam com isso uma inserção imediata no mercado de
trabalho ou um reconhecimento rápido das empresas onde atuam - como
um aumento salarial significativo, uma promoção de cargo ou outra
forma de compensação financeira.
Entretanto, a especialização por si só
não oferece garantias de sucesso. A experiência de um MBA pode
representar valor agregado sob o ponto de vista das empresas, mas o
retorno que o profissional trará à empresa demanda um longo tempo
para que se possa medir. A companhia não recompensará um título por
si só, mas os resultados que o profissional trouxer após aplicar no
seu dia-a-dia o know-how absorvido no curso.
Expectativas financeiras à parte, um
MBA também trás benefícios intangíveis, como:
- Incremento da bagagem profissional,
ampliada por meio de conhecimentos de várias áreas de negócios. Essa
bagagem é o que ajudará o profissional a falar a língua do cliente e
a se inserir em projetos mais desafiantes;
- Aprender a pensar “fora da caixa”. O
currículo do MBA tradicional ensina a interpretar balanços contábeis,
planos de marketing e elaborar um planejamento estratégico. Essas são
ferramentas úteis para um entendimento de como se desenvolvem as
operações de um departamento ou de uma empresa. Quanto melhor a
compreensão por parte do profissional sobre os movimentos da empresa,
melhor o seu posicionamento estratégico dentro dela.
- Visão de oportunidades de negócios,
que pode fazer com que o profissional ajude a alavancar o negócio da
empresa (e com isso se destacar), ou até mesmo empreender um negócio
por conta própria;
- Networking, permitindo a troca de
experiências com profissionais de várias áreas, trazendo visibilidade
ao profissional no mercado e podendo, até mesmo, gerar futuras
indicações, e;
- Valorização do profissional no
mercado, o que significa manutenção da empregabilidade,
Os benefícios tangíveis, como
crescimento na carreira, serão consequências da experiência prática
profissional, que vale mais que qualquer título. O que o MBA fará
pelo profissional é muní-lo de um ferramental diferenciado, para que
ele possa encontrar soluções que agreguem valor ao negócio da
empresa.
Bianca Machado Branco
Disléxicos têm chance no vestibular?
Entre as características dos
disléxicos podemos citar a lentificação do processamento de
informações, principalmente relacionadas à leitura, escrita e
interpretação de textos.
Isto se dá devido ao processo de
leitura utilizado pelo disléxico, que ativa áreas do cérebro não
especializadas para esta função, fazendo a tarefa ser um processo de
decodificação não automatizado, o que leva à lentificação da resposta
e ao cansaço excessivo relatado por alunos com dificuldades de
aprendizagem em tarefas de leitura e escrita, principalmente as mais
demoradas como, por exemplo, as provas de vestibular.
Sendo assim como proceder em relação ao
processo de seleção utilizado pelas faculdades e universidades?
Já existe um consenso entre as
principais instituições de ensino do Brasil de que se deve dar ao
disléxico condições diferenciadas por ocasião do vestibular.
E quais são estas condições?
A principal delas é um maior tempo para
a realização da prova (cerca de uma hora e trinta minutos a mais).
Esta condição é fundamental se levarmos
em conta a diferença apresentada pelos disléxicos em relação à
velocidade de trabalho (na leitura e escrita).
Além desta condição é oferecido ao
disléxico o direito de ter um ledor à sua disposição. Este ledor, de
preferência uma pessoa que tenha bom conhecimento do distúrbio,
realiza a leitura da prova para o aluno e este, com este recurso,
processa a informação mais rapidamente e registra sua resposta. O
ledor não interfere nesta escolha.
Este assistente de prova pode ainda
revisar as anotações na folha de resposta, pois o aluno poderia
marcar a resposta certa no caderno e transcrever de forma errada para
a folha de respostas (que é a que realmente conta para a apuração). O
assistente faria então a conferência da transcrição.
O ledor pode ainda ser auxiliar na
redação (um dos maiores obstáculos para o disléxico numa prova de
vestibular). Umas das formas de auxiliar neste momento é o aluno
elaborar a redação e ditar para o ledor escrever. A nota ponderada
também pode ter critério diferenciado.
Há universidades que disponibilizam
ainda o uso de calculadoras. Vamos explicar...
Uma vez que os disléxicos encontram
dificuldade em decorar, são mais lentos em realizar operações
matemáticas, pois fazem o roteiro completo das tabuadas para cada
conta que fazem (o que é claro leva muito mais tempo). E ainda
existe a questão da interpretação do enunciado, que pode levar tempo
(lembre-se que o texto precisa ser decodificado).
Estas condições diferenciadas não
colocam os disléxicos em melhores condições do que os demais alunos
ao acesso à universidade, mas os colocam em condições de igualdade,
considerando suas (dos disléxicos) necessidades diferenciadas para
expressarem os conhecimentos adquiridos.
Pode-se observar que estas condições e
possibilidades têm feito muita diferença em relação à auto-estima das
pessoas com dificuldades de aprendizagem, colocando-os em condições
de galgarem posições que de outra forma talvez não pudessem alcançar.
O valor do profissional disléxico já
tem despertado o interesse inclusive de grandes empresas que também
estão oferecendo estas mesmas condições diferenciadas aos disléxicos
que participarem de concurso público para ingresso nos quadros de
funcionários.
A ABD - Associação Brasileira de
Dislexia tem profissionais capacitados que têm exercido esta função
de ledores ou assistentes nas provas de vestibular e concurso público
ou orientado as instituições de ensino e empresas interessadas.
É importante citar que estas condições
diferenciadas devem ser solicitadas pelos interessados por ocasião de
inscrição para o vestibular ou concurso público, além de apresentarem
laudo conclusivo constando o diagnóstico de dislexia realizado por
equipe multidisciplinar especializada.
Maria Inez Ocanã De Luca
Quando o aluno se apaixona pelo
professor
Gostar do professor ou professora da
escola é normal entre os adolescentes e pré-adolescentes? Será que
essa 'apaixonite' pode acarretar problemas para a vida escolar e
pessoal do jovem?
O processo educativo pressupõe
basicamente a relação professor - aluno, pois é ela que dinamiza e
dá sentido a este processo tornando-se o centro deste. Esta relação
pode se mostrar por vezes conflituosa, pois se baseia no convívio de
classes sociais, culturas, valores e objetivos diferentes.
Dada a intensidade desta relação alguns
estudantes podem, por vezes, confundir os sentimentos que se
estabelecem. A paixão despertada pelos docentes em pré - adolescentes
e adolescentes é mais comum do que se pensa.
Segundo a orientadora educacional do
Colégio Farroupilha, Sumaia Curço, para muitos alunos o professor
representa uma figura praticamente mítica, uma pessoa perfeita,
ideal. Esse sentimento é normalmente despertado pela beleza, charme,
inteligência, cultura e situação de poder na qual o professor se
encontra. “É próprio desta fase da vida do aluno os sentimentos muito
intensos e eles acabam por transformar seus professores em príncipes
e princesas. Se trata de uma paixão idealizada ou amor platônico. Em
muitos casos, os adolescentes passam anos esperando pela realização
desta paixão idealizada. É uma fase de amadurecimento afetivo”,
afirma a especialista.
Dependendo da intensidade, essa paixão
pode estimular o aluno a se dedicar mais a determinada disciplina ou
ao contrário pode acarretar problemas de concentração nas aulas. A
fantasia que envolve esta relação e a dificuldade de conversar sobre
o assunto com outras pessoas aumentam a angustia do jovem.
A paixão por algum professor não
representa riscos à vida dos alunos e dificilmente poderá trazer
conseqüências mais graves no futuro, destaca Sumaia Curço. No entanto
os pais devem estar sempre atentos ao comportamento dos filhos e
nestes casos o diálogo entre pais e filhos é imprescindível.
O que seu filho está comendo na
escola?
Saiba o que priorizar na escolha do
lanchinho das crianças
consumo
de alimentos saudáveis e diversificados contribui com a saúde e com o
desenvolvimento físico e psíquico da criança, além de auxiliar no
processo do aprendizado.
Mas o que fazer para chamar a atenção
dos pequeninos para a alimentação adequada? A nutricionista do Oba
Hortifruti Marcella Xavier sugere atividades educativas como levá-los
para conhecer o hortifruti ou o supermercado e deixar que as crianças
ajudem a escolher e preparar alguma receita. “Durante o preparo, o
ideal é falar da importância dos alimentos para o corpo e para o
crescimento. E mostrar sempre que a lancheira deve ficar colorida com
os alimentos”, recomenda.
Frutas, cereais (pães, biscoitos
salgados), iogurtes, queijos e sucos devem compor, sempre, o lanche
infantil. No meio da manhã ou da tarde, os alimentos têm a função de
estabilizar o nível de glicose no sangue, o que é importante para o
desenvolvimento cognitivo da criança. Nesses períodos do dia, o ideal
é ingerir alimento que dê energia, como os carboidratos, que também
ajudam no crescimento, além de proteínas, vitaminas e minerais, que
ajudam no desenvolvimento.
Para o apelo infantil aos doces, a
recomendação é negociar. “Chocolates, biscoitos e refrigerantes podem
ser levados para a escola, mas limite-os a uma vez por semana. E
esteja sempre atento às informações nutricionais nos rótulos dos
alimentos industrializados”, sugere a nutricionista.
Opções de cardápio para a hora do
lanche
1ª opção:
- Suco de fruta (laranja, por exemplo)
- Sanduíche (pão integral e queijo
branco)
- Fruta (banana)
2ª opção:
- Iogurte
- Fatia de bolo (cenoura)
- Fruta (maçã)
Mochila: tire este peso das costas.
Alternar alças e rodinhas diminuem o risco de lesões
Dados
da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 85% das pessoas
têm, tiveram ou terão um dia dores nas costas provocadas por
problemas de coluna. Dor esta que pode estar relacionada ao peso da
mochila carregada na época escolar. Crianças e adolescentes de hoje
podem ser os próximos a sofrerem dores em um futuro não tão distante.
Sandro Costa, educador físico da Body Systems Latin America, adianta:
“A ergonomia é o ponto principal para se entender qual é a melhor
opção. Em outras palavras, as características posturais de cada
indivíduo em relação ao tipo de mochila que se tem”, diz,
acrescentando que, “no primeiro sinal de desconforto na coluna, o
ideal é trocar o peso carregado nas costas pela opção das rodinhas e
vice versa”.
Mas o difícil é fazer com que as
crianças e, principalmente os adolescentes, sigam a risca estas
recomendações. Se de um lado é praticamente impossível fazer com que
os pequenos fiquem com a coluna retinha para carregar a mochila, para
os adolescentes optar pelas rodinhas é “pagar mico” na frente dos
amigos. Mas a boa notícia é que toda regra tem exceção.
Para os pequenos, o mais indicado são
as mochilas de rodinhas. São fáceis de manusear e não sobrecarregam a
coluna. Mas, mesmo assim, o especialista alerta sobre alguns cuidados
com a altura da alça. “A criança não pode curvar a coluna para
alcançá-la, pois uma alça mal regulada sobrecarrega o quadril e
joelhos, o que pode causar inflamações e dores”. Mas se a idéia é ter
a tradicional mesmo, ela deve ter o tamanho da criança para
ajustar-se bem a coluna e sem folga. “O fundo da mochila também deve
ficar apoiado na curva lombar da coluna. Nunca deve ficar a mais de
10 cm abaixo da região da cintura da criança”, detalha Costa. A dica
é não carregar mais que 10% do peso corporal.
Já para os “crescidinhos” com
“vergonha” da mochila de rodinhas, o uso correto do mochilão deve ser
fiscalizado por eles mesmos. Levar mais do que precisa é o primeiro
passo para evitar o excesso de peso. “Carregar o mundo nas costas não
faz bem pra ninguém”, brinca Costa. O material escolar dos
adolescentes é mais pesado do que o infantil e deve ser bem
distribuído dentro da mochila. Outra dica é não deixá-los soltos.
Isso provoca movimentos de desequilíbrio e sobrecarga de impacto. As
alças devem ser bem acolchoadas e carregar o peso num ombro só nem
pensar. Uma parte do peso leve carregado na mão também ajuda a
aliviar.
Além de dores nas costas, carregar
mochilas muito pesadas é um problema grave. Além de conseqüências
irreversíveis em longo prazo para crianças, como escoliose idiopática
infantil - que mesmo sendo congênita pode ser agravada por estes maus
hábitos, podem causar cifose, hiperlordose da coluna lombar, artrose
precoce e má postura.
Como os pais podem ajudar os filhos
na escola?
Francisca Paris, diretora pedagógica
do Agora Sistema de Ensino, defende a ideia de que os pais se
esforcem para estarem presentes no dia a dia dos filhos, mesmo com
pouco tempo disponível. Ela sugere, por exemplo, que eles auxiliem
nas lições de casa, incentivem a leitura e participem dos eventos
escolares
O apoio dos pais é fundamental para
ajudar as crianças a se adaptarem à rotina escolar e a conseguir
melhores resultados em seu desempenho pedagógico. Segundo a pedagoga
Francisca Giacometti Paris, que foi secretária da Educação em
Ribeirão Preto (SP) e atualmente é diretora pedagógica do Agora
Sistema de Ensino – novo sistema de ensino da Editora Saraiva,
voltado para as escolas públicas –, educar é uma atuação mais
abrangente do que ensinar e transmitir conhecimentos. Para ela, os
pais não podem estar distantes da vida escolar de seus filhos.
“É comum que pais que trabalham fora de
casa acabem se afastando dos fazeres escolares dos filhos, com a
justificativa de estarem muito atarefados. Mas é preciso entender
que, mesmo com papéis diferentes, a escola e a família têm o objetivo
comum de educar a criança para a vida em sociedade. Já que têm o
tempo limitado, os progenitores devem investir em um relacionamento
de qualidade, e não de quantidade, no qual os aspectos específicos da
escola sejam também contemplados”, explica Francisca.
Para a especialista, é possível que o
núcleo familiar se integre a este processo de diversas maneiras. O
pai e a mãe podem, por exemplo, auxiliar nas lições de casa e nos
trabalhos escolares em um local sossegado da casa, dando dicas,
indicando pesquisas, relendo e comentando as atividades realizadas e
mesmo resolvendo alguma dúvida. Porém, eles devem evitar cair na
tentação de fazer o trabalho pelo estudante, uma vez que a tarefa é
de responsabilidade do aluno, que deve estar apto a realizá-la com
autonomia.
Incentivar a leitura e o gosto por
programas culturais desde cedo e participar dos eventos que acontecem
na escola, como reuniões de pais e mestres e festas, são outras ações
importantes para conhecimento e integração com os professores e
demais famílias daquela comunidade escolar. Também vale explorar o
novo universo que se abre aos filhos e aprender – ou relembrar –
assuntos relacionados anúmeros, plantas, animais, história e
geografia, entre outros. Ao perceber que é acompanhada nesse processo
de desenvolvimento educacional, a criança se sente valorizada e
importante na vida familiar.
Muitas vezes, ajudar o pequeno a ter um
bom desempenho na escola é uma questão apenas de ouvir seus problemas
– mesmo os que parecem irrelevantes –, elogiá-lo e repreendê-lo
quando necessário, orientando–o em cada situação. “Para os estudantes
obterem bons resultados na escola, algumas palavras-chave são
fundamentais, como: estrutura, disciplina, desafios, reconhecimento,
motivação, limites, escolhas, segunda chance, compreensão, respeito e
muito amor”, defende a pedagoga.
Uma dica importante é que os pais não
esperem que os filhos obtenham nota máxima em todas as áreas de
conhecimento, mesmo que sejam ótimos alunos. O importante é que eles
tenham bom desempenho, independentemente do ranking da sua turma.
“Quando os pais têm expectativas muito rígidas em relação às
crianças, elas podem se frustrar por imaginarem que precisam alcançar
padrões inatingíveis para conseguirem aprovação dos adultos. Contudo,
é preciso que os responsáveis vejam os grandes esforços dos pequenos
como boas atuações, mostrando a eles a importância de se esforçarem
para aprenderem o que precisam, aceitando suas limitações”, afirma
Francisca.
“É necessário estabelecer limites e
também cumpri-los, sem ceder diante das chantagens emocionais
infantis, e chegar a um meio termo entre a permissividade e o
autoritarismo, equilibrando o ‘tudo pode’ com o ‘nada pode’ e
justificando o porquê das regras. Assim, eles aprendem desde cedo a
fazer renúncias, a respeitar os direitos das outras pessoas e a
conviver com frustrações”, ensina a pedagoga.
Também vale ressaltar que um bom
desempenho escolar não deve ser condicionado à entrega de mesadas ou
presentes em função das boas notas ou após o término do dever de
casa. Desse modo, os responsáveis ajudam as crianças a se tornarem
independentes e preparadas para as obrigações da vida adulta.
Autoridade e Disciplina
A verdadeira autoridade se baseia no
velho e bom exemplo de autodisciplina. Mas como é fácil confundir os
diferentes sentidos dessa palavra, encontramos muitos pais que apenas
se lembram e usam um desses seus significados: castigar e dar ordens
. O que está longe do verdadeiro sentido da autoridade como geradora
de disciplina, ou melhor ainda de autodisciplina.
Disciplina vem da palavra “Discipulus”
, ou seja “alguém que aprende”. Assim, disciplina não pode ser
imposta pela força, pois isso contraria o princípio básico, da idéia
de que ser disciplinado implica na admiração espontânea por alguém
que nos incentiva a sermos parecidos com ele.
Exige auto controle e serenidade ,
indispensáveis para transmitir segurança e admiração a uma criança.
Para promoverem esse compromisso da
criança com certos princípios e comportamentos que desejem que seus
filhos tenham, os pais devem se basear na necessidade de apego das
crianças a eles e lhes dar a oportunidade de aprenderem no dia a dia
observando o seu comportamento.
As crianças pequenas , até mesmo para
se sentirem protegidas , tendem a admirar e imitarem seus pais . Elas
os vêem como perfeitos e mesmo quando essa idéia é posta em dúvida,
continuam se esforçando para acreditar que eles são modelos para o
mundo.
Ao crescerem, seu círculo de
conhecimentos vai aumentando enquanto a sua ingenuidade vai
diminuindo e começam a admirar e querer imitar outras pessoas, como
professores e amigos.
O desejo das crianças de serem amadas
pelos pais, permanece por muito tempo e por isso tendem a serem
“discípulos” desses até uma época além da infância. Quanto mais forte
esse vínculo, menos chance terão de admirar e imitar líderes
negativos durante sua adolescência.Por isso é importante se
preocupar com a disciplina desde cedo.
Crianças tendem a querer sempre ser
discípulo de seus pais, ou seja, seguir sua disciplina pessoal como
exemplo, em uma admiração amorosa. Ensinar pelo exemplo é um desafio
pois exige grande dose de autocontrole e disciplina no dia a dia e em
todas as áreas de nosso comportamento. Mas o resultado compensa.
É importante nos lembrarmos que mesmo
que a criança ame muito e admire seus pais e os queira imitar e
agradar e sempre procure agir com a disciplina imposta por eles, essa
é uma tarefa difícil para alguém tão frágil.
E mais difícil será se os pais não
transmitirem segurança e uma imagem clara do que eles desejam que o
filho imite e aprenda.
A atitude dos pais como modelo e a
compreensão pelos deslizes ocasionais dentro de um padrão de
serenidade, serão muito mais atuantes na formação da criança, do que
castigos, longas conversas ou reprimendas.
Quem não se lembra como se sentia
frustrado e humilhado quando os pais o castigavam ou forçavam a fazer
coisas absolutamente contra a sua vontade, sem nenhuma consideração?
Lembrando de nossa própria infância ,
teremos meios seguros de compreender como o desejo impaciente de
alguns pais em querer moldar os filhos é contraproducente.
O que se deve ensinar é o limite, o
dever e o direito, pois assim a criança aprende que a cada ação,
existe uma conseqüência. Que não significa castigo, mas uma tomada
de responsabilidade sobre seus atos. Isso é disciplinar, ensinar o
autocontrole . Com o castigo não se cria autocontrole e portanto não
se tem disciplina verdadeira. Disciplinado é quem age corretamente de
acordo com padrões introjetados de conduta ao longo de sua vida,
mesmo quando está sozinho. É a questão da ética e da moral.
Desde bebê o ser humano observa e imita
o meio ambiente. Assim, a clareza naquilo que se deseja da criança é
importante desde o princípio. Proibir coisas e em seguida permitir,
não cria padrões sólidos de conduta e é um comportamento que deve
ser evitado a todo custo.
Crianças criadas com rotinas saudáveis,
adequadas à sua idade, tendem a ser muito mais equilibradas em seu
comportamento durante a adolescência.
De modo geral, até os três anos, a criança deve ser
introduzida com afetividade nas suas primeiras tarefas familiares:
arrumar seus brinquedos, guardar seus pertences, treinar atos de
higiene pessoal, aprender a falar com as pessoas de forma educada,
respeitar as coisas dos outros, cumprir ordens dos mais velhos, etc.
A responsabilidade se ensina nessa idade. E é claro que também
depende do exemplo!
Com a ida à escola , novas exigências
são introduzidas em suas vidas, através do contato com os professores
e coleguinhas. Erram os pais que sempre dão razão aos filhos quando
estes são repreendidos na escola: as crianças sabem quando estão
agindo em desacordo com a disciplina que introjetaram em sua casa e
perceberão facilmente que seus pais não estão sendo coerentes e
serenos em sua atitude. Além disso, se os pais o confiaram a alguém,
no caso na sua professora, torna-se conflitivo para a criança que
estes contradigam a autoridade dessa pessoa!
Crianças com mais de sete anos, têm
condições de responderem por boa parte de seu comportamento e os pais
devem com afetuosa compreensão, procurar recordar-lhes de exemplos
de atitudes que lhes foram passadas em casa. Não se trata de ser
complacente , mas de não ser intransigente com a própria natureza
humana.Crianças criadas com disciplina , reagem bem a esse tipo de
conduta.
Saber distinguir o certo do errado
significa dominar interiormente uma escala de valores , possuir a
autodisciplina, que só uma educação criteriosa e cuidada permite
formar.
Se os pais tiverem comportamentos
coerentes com seus ensinamentos e agirem de forma clara e serena, as
crianças se sentirão com liberdade de questioná-los em relação ao que
lhes parece certo e errado.
Repreender é tarefa para ser feita em
um momento de calma e com serenidade. Gritos e castigos físicos não
condizem com disciplina e exemplo. Esperar a hora certa é tão
importante quanto encontrar as palavras certas para criticar,
explicar, repreender, mostrar as conseqüências dos atos.
Críticas sempre são bem vindas quando
são feitas de forma amorosa e construtiva. Quando apontam um caminho,
quando acrescentam esclarecimentos. Mas para criticar é preciso
também ter autodisciplina , ser um adulto bem formado e fazê-lo de
modo sereno.
Maria Irene Maluf
Estresse adquirido durante o período
pré-vestibular pode se tornar crônico
Técnicas de integração corpo e mente
(Yoga, Pilates e Meditação), somadas às técnicas advindas do Coaching
Ontológico são algumas opções para não deixar o estresse tomar conta
da vida do vestibulando
A adolescência é uma fase de conflitos
internos e de tomadas de decisões, entre elas, a escolha da carreira.
Um importante passo é o vestibular e a jornada que precede os exames
parece não ter fim. Muitas horas de estudos e a obrigatoriedade de
sucesso, imposta pelos familiares e, também, pelos próprios
adolescentes, podem causar o estresse pré-vestibular. Contudo, esse
sintoma pode ter continuidade durante grande parte do período
universitário, e a criação de hábitos comportamentais inadequados
pode vir a fazer parte da personalidade do indivíduo.
Os vestibulandos enfrentam um período
de alto índice de estresse, pois, geralmente, durante todo o ano do
exame, dedicam mais tempo aos estudos, deixando de sair com os amigos
e praticar atividades físicas. O psicofisiologista Marcello Árias
Dias Danucalov explica que todas essas privações em função do
vestibular podem ser em vão, caso o jovem não consiga administrar o
estresse. “Manter o corpo relaxado e a mente atenta, focada,
tranquila e equilibrada são os melhores remédios para que todo este
empenho não ‘vá pelos ares’. O estresse destrói células responsáveis
pela aquisição e recuperação de memórias. Durante períodos
prolongados de estresse são liberadas várias substâncias químicas no
organismo, entre elas um hormônio chamado cortisol. Este hormônio age
negativamente no hipocampo, uma estrutura do cérebro que exerce papel
fundamental nos processos associados à memória.”
Danucalov ressalta que estudantes nessa
fase apresentam várias deficiências preocupantes no que se refere aos
hábitos de atividade física, hábitos alimentares, controle de
estresse e comportamentos preventivos. “Durante o estresse, o
organismo automaticamente utiliza suas reservas de energia para se
reequilibrar, ou seja, ocorre uma ação reparadora do organismo
tentando restabelecer o seu equilíbrio interno. Nesta fase, dois
sintomas aparecem de modo bastante frequente: a sensação de desgaste
generalizado sem causa aparente e dificuldades com a memória. No
nível fisiológico, muitas mudanças ocorrem, principalmente em termos
do funcionamento de algumas glândulas endócrinas como as adrenais que
produzem mais corticosteróides, hormônios que sabidamente minam nosso
sistema imunológico, aumentando assim a possibilidade da pessoa
adoecer”, explica Danucalov.
Outra questão ressaltada pelo
psicofisiologista é que a falta de exercícios físicos regulares,
somada à exposição a altos níveis de estresse, além da adoção de
dietas inadequadas e de posturas corporais estáticas na maior parte
do tempo, muitas vezes com atitudes somáticas incorretas, levam o
corpo dos estudantes a se tornar uma fonte de tensões.
Os músculos
ficam mais enrijecidos e, por consequência, mais vulneráveis às
lesões, assim como as demais estruturas, criando dessa forma uma
reação em cadeia indesejada, ou seja, um sério transtorno de saúde.
A probabilidade de desenvolver o
estresse é maior na adolescência do que em qualquer outra faixa
etária, pois essa fase é caracterizada por períodos de extrema
instabilidade. Deve-se considerar que não somente o período
pré-vestibular, mas também o período de transição na vida acadêmica
dos estudantes pode gerar um aumento de responsabilidade,
competitividade e, consequentemente, ansiedade, o que pode facilitar
o aparecimento ou a continuidade do estresse. Além disso, os alunos
se deparam com as incertezas naturais da escolha profissional. “Uma
pesquisa com universitários relata que a depressão, o abuso de drogas
e, no caso das estudantes de sexo feminino, distúrbios de alimentação
são outros graves problemas demonstrados por estudantes
universitários”, explica o psicofisiologista.
Existem evidências de que o estresse
pode ter continuidade durante grande parte do período universitário e
a criação de hábitos comportamentais inadequados pode dar início a um
ciclo vicioso que terá enorme repercussão na vida do estudante. “O
modelo de vida sedentário, preocupado, ansioso adotado no período
pré-vestibular pode solidificar-se no comportamento do indivíduo
vindo a fazer parte de sua personalidade”, esclarece Danucalov.
O vestibulando não deve deixar de lado
as preocupações com as revisões de conteúdo, mas de nada adiantará
todo esse esforço, se o estudante não realizar boas confraternizações
com os amigos, praticar atividades físicas ou adquirir técnicas
comprovadamente eficazes advindas da área da medicina comportamental.
“Essas técnicas são destinadas ao gerenciamento pleno e consciente do
estresse. Entre elas estão as técnicas de relaxamento muscular
progressivo, o coaching, as técnicas do yoga e do Pilates, assim como
as de manutenção da atenção plena, como a meditação. Tais práticas
têm sido investigadas pela ciência e são comprovadamente associadas
ao sucesso do vestibulando, uma vez que melhoram a concentração, o
rendimento e o desempenho do candidato na hora da prova.”
Marcello Árias Dias Danucalov
Gerência escolar: diretor,
administrador ou gestor?
A diferença entre ser diretor,
administrador ou gestor escolar não está apenas no nome, mas no
conceito que dá sentido a cada um dessas funções. O atual gestor já
foi denominado diretor ou administrador escolar; mas em determinado
momento, contudo, percebemos que tais termos não eram suficientemente
rigorosos para definir as funções desse profissional. Então, hoje
consideramos que o termo “gestor” seja mais adequado para definir o
perfil do profissional que procuramos.
A escola historicamente estabelecida no
Brasil tinha uma estrutura hierárquica verticalizada e rígida, onde o
diretor usava “mão de ferro” para manter a organização instituída.
Sua opinião era uma ordem e sua presença representava a emanação da
autoridade do Estado. A ele cabiam todas as decisões e, por
conseguinte, o destino dos colaboradores. Pautada em um currículo
linear e fechado, a escola não precisava comunicar-se com seu entorno
e, em uma relação assimétrica de poder, o diretor decidia os rumos
cotidianos dos afazeres dos docentes, funcionários e alunos.
Uma escola tecnicista solicitava um
administrador cuja competência era estabelecer metas e alcançá-las.
Para isso, encaminhava os processos e fazia com que caminhassem em
uma direção preestabelecida. Metaforicamente, era o profissional
responsável pelo bom desempenho dos funcionários. Isso porque se cada
engrenagem cumprisse seu papel, a missão da máquina administrativa
estaria realizada e o administrador apresentaria resultados
favoráveis a quem lhe confiara tal tarefa.
Porém, preocupado demais com tarefas
burocráticas como planilhas, cadernetas, médias, livro de ponto e
múltiplos ofícios, o administrador geralmente negligenciava o
trabalho pedagógico e o acompanhamento dos recursos humanos,
relevando para segundo plano a tarefa de liderar uma equipe de
trabalho. Os gestores, ao contrário, são capazes de compreender o
complexo cenário escolar, participar dele, enxergar e projetar ações
e resultados futuros. Enquanto o planejamento administrativo se faz
por meio de elaboração de estratégias, os projetos dos gestores
compreendem duas dimensões – uma estratégica e outra tática –, com o
objetivo de favorecer o envolvimento de todos os sujeitos da escola.
Sem abrir mão de administrar, um gestor
envolve-se, sobremaneira, com seus colaboradores, conseguindo, assim,
resultados coletivos. Ele nunca decide sozinho, mas apresenta seu
ponto de vista e aceita outras sugestões. Entretanto, suas
deliberações não são apenas resultado de parecer ou consenso grupal,
já que um gestor tem autonomia para agir rapidamente em determinadas
circunstâncias e não tem medo de correr riscos, porque tem capacidade
para justificar suas decisões.
Caracterizando-se como líder, ele tem a
capacidade de construir relações. É assertivo, persuasivo, empático,
democrático e flexível, estando sempre aberto a novas ideias. Não
teme a perda da autoridade, pois tem convicção de que o respeito não
se dá pela imposição, mas pelo reconhecimento de seus colaboradores,
que seguem suas orientações não por obediência, mas porque acreditam
em suas propostas e confiam em sua visão.
Neste sentido, não necessitamos mais de
um diretor autoritário nem de um administrador, precisamos de
gestores imbuídos de realizar o sonho possível: a construção de uma
escola “instituinte”, mais próxima da vida e do tempo presente, que
incorpore como autores os sujeitos que a fazem acontecer.
Francisca Romana Giacometti
Paris
Para ter FIES estudante não precisa
estar matriculado em universidade
A decisão é do Ministério da Educação
Estudantes devem ficar atentos à nova
comunicação do Ministério da Educação. Segundo o MEC, quem vai pedir
Financiamento Estudantil, chamado de Fies, não precisa mais estar
matriculado em uma instituição de ensino superior antes de solicitar
inclusão no programa. A portaria foi publicada no dia 29 de julho no
Diário Oficial da União.
De acordo com o MEC a norma vale a
partir da mesma data da publicação. O estudante pode pedir direto no
banco o financiamento. Algumas recomendações devem ser observadas,
como a faculdade escolhida precisa ter nota acima de três no Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes, para poder participar do Fies e
o programa não atende cursos a distância.
Os financiamentos atendem 50%, 75% ou
até 100% do valor da mensalidade do curso. As inscrições podem ser
feitas em qualquer época do ano pelo site do programa. As exigências
ainda são as mesmas como, os candidatos precisam ter 60% ou mais da
renda familiar mensal bruta per capita comprometida com a mensalidade
para pedir 100% de financiamento. Estudantes com comprometimento de
renda igual ou superior a 40% e inferior a 60% podem pedir
financiamento de 75%. Já alunos com comprometimento de renda igual ou
superior a 20% e inferior a 40% podem financiar 50% da mensalidade.
“Muito boa a medida do Ministério da
Educação, o que torna o ensino superior acessível a mais estudantes”,
diz a tutora do Portal Educação, Emileide da Costa.
A partir do primeiro semestre de 2011,
será exigida a participação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)
para pedir o financiamento.
Fonte: Portal Educação
A punição sem educação
Em outras épocas, quando educar era
construir cidadania, a falha, o erro e as atitudes erradas,
especialmente numa criança, eram corrigidas com a punição da
palmada. O tempo passou, a população aumentou e os costumes
mudaram. E como mudaram! Porém, cada pai e cada mãe sabem muito
bem educar seus filhos. O estado não precisa interferir, exceto em
situações onde as crianças correm riscos. Mas isso são outros
quinhentos, como diziam nossos queridos antepassados.
O foco atualmente é debater outra
situação, muito comum nas cidades hoje em dia, sobretudo nas
grandes cidades, como é, por exemplo, o caso de Curitiba e região
metropolitana. É preciso discutir e encontrar melhores soluções
para uma situação muitas vezes injusta: a indústria das multas de
transito. O que se percebe nos dias atuais é uma voraz intenção
premeditada de punir, punir e punir. Porém punir com a força da
arrecadação. Há centenas de radares na capital paranaense com o
propósito evidente de arrecadar. Isso mesmo: arrecadar. Nada de
educativo. Os “entendidos” em sistema viário só enxergam os
ponteiros das cifras. Não são capazes de aceitar que há situações
de risco, onde muitas vezes se acelera para fugir de perigos e
assaltos. Não propagam campanhas educativas em localidades
vulneráveis. Não divulgam ações que possam envolver as comunidades
em mutirões de aprendizado. Só querem as faturas pagas e o
dinheiro em caixa.
Os “especialistas” do transito,
muitas vezes com canetas pesadas, mas nenhuma experiência técnica,
só elaboram as planilhas das previsões de arrecadação. Nada de
prevenção. Esquecem ou fingem que não sabem que a cidade cresceu,
o número de veículos muito mais ainda e que a geometria das ruas e
avenidas são as mesmas.
É
um fluxo exagerado em locais estáticos. Não há milagres. Faltam
consciência e paciência de nossos gestores. Acham que punir com
multas vai melhorar a educação no transito. Ora, ledo engano. O
próprio nome já diz: educação significa educar com ação. Enquanto
tivermos as intenções obscuras das vultosas quantias nos cofres,
originadas pelas incontáveis multas, sobretudo em épocas de
eleições, não teremos sucesso em melhorias. Se ainda persistir
essa demanda maldita de recolher, vamos reagir e também formar um
mutirão do esclarecimento. Vamos recolher também. Recolher
informações tais como: para onde vai todo esse dinheiro originado
das multas? É bem possível que uma auditoria séria nas
arrecadações e circunstancias que as mesmas são elaboradas possam
responder a essa e tantas outras perguntas e dúvidas. A população
deve se unir sim, cobrar dos representantes o destino dessa
sangrenta e contundente mania de punir pelo bolso. Educação e
bom-senso são fundamentais e nós gostamos. Honestidade com o
dinheiro público, mais ainda.