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 Edição de Setembro de 2010


Professores do ensino básico serão obrigados a ter nível superior

Projeto de lei obriga a formação universitária para professores da educação básica

 

Foi aprovado pela Comissão de Educação do Senado o projeto de lei que obriga a formação universitária para professores da educação básica. De acordo com a proposta aprovada, os docentes terão um prazo de seis anos para que possam continuar a exercer seus trabalhos nas escolas da rede pública, sem nível superior.

A proposta altera o projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que não previa a necessidade de curso superior para a educação básica. “É necessário que os nossos legisladores deixem bem claro em seus projetos as mudanças para os educadores que ainda não têm nível superior”, enfatiza a tutora do Portal Educação, Emileide L. da Costa, se referindo ao exercício da profissão.

Um dos pontos do projeto é quanto à exigência de avaliação qualificada de nota mínima no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), para os candidatos aos cursos superiores de formação docente. A sugestão foi feita pelo Ministério da Educação à relatora Fátima Cleide (PT-RO).

A concessão de bolsas de iniciação à docência para universitários de cursos de licenciatura também foi acrescida ao projeto de lei. A relatora explica que a iniciativa é um incentivo para a formação de profissionais do magistério que venham a atuar na educação básica da rede pública.

Como foi aprovado pela comissão um pedido de urgência na tramitação, a matéria será remetida direto para a análise em plenário. Se aprovado seguirá para a sanção presidencial, ainda neste mês.

 

Fonte: www.portaleducacao.com.br


Há uma pedagogia para a infância?

 

Para falarmos sobre, se há ou não uma pedagogia para a infância, precisamos primeiramente, buscar na  História da Educação,  àqueles que pensaram na educação para as gerações passadas  para então  concluirmos sobre  a pergunta acima colocada.

Sabemos, porém, que a construção do conceito de criança e infância transformou-se ao longo dos anos. No século XVII, por exemplo, Locke compreendia a criança como “um vazio a ser preenchido” ou “tabula rasa”, um ser que precisava ser preparado para que aprendesse conhecimentos e desenvolvesse habilidades a fim de enfrentar os anos escolares obrigatórios.

Já no século XVIII, a criança de Rousseau é um ser inocente, que possui bondade natural em sua essência, sendo a sociedade responsável por corromper sua bondade nata. Deste modo, a partir desta crença, os adultos criam um ambiente de extrema segurança e proteção do mundo ameaçador, violento e perigoso que as cerca. Atualmente percebemos que esta crença não respeita a criança como indivíduo, ao excluí-la do mundo, ao qual ela já pertence.

Não podemos nos esquecer de outros grandes pensadores que em épocas e culturas diferentes fizeram estudos e experiências que os possibilitaram apresentar à humanidade, propostas  para a educação de crianças baseadas em princípios filosóficos e pedagógicos que, nos tempos atuais, podem ser definidos como pilares de uma educação para infância.

Inúmeros são os educadores, filósofos, psicólogos e cientistas que pensaram o desenvolvimento infantil, mas não podemos deixar de destacar alguns deles, como por exemplo, Fröebel, um dos primeiros educadores que considerou a infância como uma fase importante  e decisiva na formação das pessoas. Ou então, Maria Montessori que acreditava que a educação é uma conquista da criança e defendia que a individualidade, atividade e liberdade do aluno deviam permear uma proposta pedagógica. Célestin Freinet, em pleno século XIX, lutava contra o ensino tradicional, centrado no professor e na cultura enciclopédica e defendia uma educação ativa em torno do aluno. Lev Semenovich Vygotsky, por sua vez, acreditava que a escola é o lugar social privilegiado para o desenvolvimento das crianças e para compreender  a relação entre os processos  de aprendizagem e desenvolvimento. Jerome Bruner via a criança como indivíduo “multivocal”, proativo, repleto de potencialidades, habilidades, intencionalidade e possuidor de saberes construídos, John Dewey destacava que a função social da educação era uma forma de ação política que se dava por meio das interações do indivíduo na sociedade, Malaguzzi compreendia a criança como um sujeito único, complexo e individual, revelando a visão de criança rica, capaz de surpreender e de contribuir com seus conhecimentos próprios e Piaget defendia uma concepção construtivista, ou seja, o conhecimento é um processo de criação e construção que se dá a partir de conhecimentos e idéias anteriores.

Os estudiosos acima trouxeram para nós educadores uma contribuição muito valiosa na construção de uma pedagogia para a infância. A concepção de infância/criança, de educação e de sociedade levou-os a formular teorias condizentes com essas concepções e que hoje, no século XXI, são importantes e  aparecem em nossos projetos pedagógicos.

Os pressupostos pensados para o desenvolvimento da educação da época em que cada um viveu são: educação para a prática da democracia, autonomia da criança, cognição, afeto e socialização, trabalho e capacitação do aluno para a transformação do meio. Além disso, oferecem técnicas, que consideramos motivadoras e que envolvem o aluno, oportunizando a sua participação e garantindo, assim, o alcance dos pressupostos já mencionados.

A pedagogia para a infância do século XXI deve ter como pressupostos a preparação para uma vida cidadã, onde crianças têm direitos e deveres, perfil transformador, autonomia, independência, liberdade, justiça, paz e uma visão globalizada.

Atualmente, surgem novas perspectivas de criança e infância, baseadas em estudos construcionistas e pós-modernos na Filosofia, Psicologia e Sociologia. As crianças possuem seu próprio lugar na sociedade, elas podem participar de decisões democráticas, falar, serem ouvidas e acima de tudo, serem respeitadas. 

 

 

A infância é compreendida por construção social, contextualizada no tempo, espaço e cultura, variando segundo gênero e condições socioeconômicas. Deste modo não há somente uma infância universal, pois se tratam de crianças diferentes com infâncias diferentes. A criança passa a ser vista como co-construtora de sua identidade, conhecimento e cultura, um ser único, complexo, individual, rico em potencial.

Este olhar diferente demonstra concepções de crianças ativas, que constroem conhecimento e dão significado às suas aprendizagens à medida que exercem a cidadania e influenciam o mundo que as cercam como co-construtoras ativas.

Além das técnicas já apresentadas pelos pensadores buscados, outras são incluídas, tendo em vista os recursos tecnológicos que estão à disposição do fazer educativo de nosso tempo.

A escola de hoje tem à disposição recursos teóricos capazes de subsidiar uma pedagogia  que promove o desenvolvimento pessoal, social e cultural de nossos educandos. É preciso, porém, que os professores e os gestores dessa educação conheçam o perfil dos educandos e as teorias que orientam a construção de uma proposta pedagógica capaz de desenvolver “os ideais da paz, da liberdade e da justiça social” (DELORS, 2000).

Consideramos que os educadores que trabalham com a infância necessitam de aperfeiçoamento contínuo, buscando cada vez mais aprimorar o seu trabalho pedagógico e com isso trazer uma maior qualidade para a educação, bem como, é preciso que acreditem que a educação pode transformar.

Concluímos  que a escola e os sistemas educacionais têm à disposição, pedagogias já desenvolvidas no passado que unidas com estudos recentes na área de filosofia, psicologia, sociologia, didática e metodologias  podem constituir uma pedagogia para a infância do século XXI.

 

 

Nilza Eller Barros Leal

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Referências Bibliográficas

BRUNER, J. S. Realidades mentais, mundos possíveis. Porto Alegre: Artmed, 2002

____________ Juego, Pensamiento e Lenguaje. In: Perspectivas, 1986.

CARBONELL, J. (org) Pedagogias do século XX. Porto Alegre: Artmed, 2000 – Dewey e Piaget.

DAHLBERG, M. P – Qualidade na Educação Infantil. Perspectivas pós-modernas. Porto Alegre: Artmed, 2003.

DELORS, Jacques. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para UNESCO da Comissão Internacional  sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez, 2000.

DEWEY, J. Vida e educação. São Paulo: Melhoramentos, 1954.

EDWARDS, C. e GANDINI, l. e FORMAN, G. ( orgs.). As cem linguagens da criança. Porto Alegre: Artmed, 1999.

FORMOSINHO, J.O.,KISHIMOTO,T. M. ;PINAZZA, M.A. (OrgS.) Pedagogia (s) da Infância, Dialogando com o passado, Construindo o futuro. Porto Alegre: Artmed, 2007.

KISHIMOTO, T. M. Bruner: uma pedagogia da infância. Conhecimento local e conhecimento universal: diversidade, mídias e tecnologias na educação. Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2004.

www.revistanovaescola.abril.com.br. Friedrich Froebel. O formador das crianças pequenas. Acesso em 8 /8/ 09.

www.pedagogia.com.br/artigos

/infanciaatualidade. TEIXEIRA, Kelly Cristina. Infância e atualidade: A concepção de infância. Acesso em 29/07/09.

 



A violência educacional através do “bullying, cyberbullying” e a responsabilidade civil

Educação sempre foi um sinônimo de respeito, amor ao próximo, comprometimento e interesse.

 

 

Nos dias de hoje, a educação em seu sentido nato de aprendizado se transformou em uma banalidade, na qual alunos não respeitam mais professores ou colegas e professores também desrespeitam alunos ou direção, portanto, vivemos na era do caos.

Os índices de violência nas escolas são ascendentes e muito pouco tem sido efetuado para amenizarmos, diminuirmos ou controlarmos as referidas ondas de violência. A violência escolar reflete de forma negativa no aspecto social, psicológico e jurídico de todos os envolvidos.

O termo violência é originário do latim vil, possuindo as seguintes ramificações: vis absoluta ou vis corporalis (violência física), vis compulsiva (violência moral ou psíquica).

Temos uma violência presumida ou ficta quando a vítima ainda não tem discernimento, seja por idade ou estado mental, para consentir com o ato, acabando a lei por presumir as situações de perigo.

A violência física sem sombra de dúvidas é a mais comum, consistindo no uso da força muscular e física. Já a violência psíquica ou moral é proveniente de graves ameaças ou hipnoses, álcool, anestésicos, narcóticos, enfim, elementos que auxiliem ou influenciem o estado psicológico da vítima.

Atualmente, vivemos um paradigma, pois as famílias terceirizaram a educação de seus filhos para a escola. Ocorre que as escolas não estão preparadas para receber tamanho fardo de moldar alguns princípios e caráter nos alunos, responsabilidades estas outorgadas aos pais.

Constantemente, os meios de comunicação noticiam casos de violência nas escolas como brigas, mortes, efetuadas dentro do ambiente escolar ou nas ruas adjacentes.

Com o avanço da internet, na desculpa de criação de comunidades existe basicamente a criação das antigas gangues, na qual vários alunos inclusive marcam dia e horário para se encontrarem e se confrontarem, além da utilização do “cyberbullying”.

Um dos casos muito discutido é relacionado ao famoso “bullying”. A expressão “bullying” é um termo americano, significando valentão. O domínio do mais forte sobre o mais fraco sempre existiu, inclusive na era das cavernas, antigamente não chamávamos de “bullying” este tipo de agressão, mas também existia o domínio do colega mais forte, em que a criança era obrigada a pagar algum dinheiro a ele, famoso pedágio, pois se assim não o fizesse apanharia além de ter o lanche furtado.

Hoje, também existe esta intimidação só que de uma forma maior, pois o “bullying” é a violência física ou psicológica intencional de forma pessoal, repetitiva e sem motivação evidente. Portanto, a referida prática se estende a todas as formas de agressão como: agressão física, isolamento, humilhação, insultos, apelidos humilhantes, ofensas, amedrontar ou roubar.

Já o “cyberbullying“ são todos os tipos de agressões ocasionadas de forma virtual, se escondendo o agressor nos meios eletrônicos. No “cyberbullying” podemos citar informações ou boatos que deponham contra a imagem da pessoa (incluindo fotos por celular, computador, blogs e redes de relacionamentos).

Geralmente, em ambas as violências, são apreciados sofrimentos psicológicos, além de medo, raiva e vergonha.

O “bullying” em casos extremos evolui para agressões físicas, tentativa de homicídios e até a consumação do homicídio. Também importante frisar que a prática do “bullying” não é efetuada apenas entre alunos, existindo casos em nosso país de professores contra alunos.

Em virtude do assombro da referida violência diversos estados brasileiros estão criando leis visando coibir a referida prática.

 

Em nosso país diversos tribunais tem coibido as referidas  prática de violência efetuando condenações no âmbito civil aos agressores, a exemplo podemos citar a inédita condenação por “ciberbullying”  publicada no Diário de Justiça do Rio Grande do Sul em 12/07/2010, que condenou a mãe de um adolescente ao pagamento de R$ 5.000,00 a título de danos morais conforme abaixo exposto:

APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. INTERNET. USO DE IMAGEM PARA FIM DEPRECIATIVO. CRIAÇÃO DE FLOG – página pessoal para fotos na rede mundial de computadores. responsabilidade dos genitores. pátrio poder. bullying. ato ilícito. dano moral in re ipsa. ofensas aos chamados direitos de personalidade. MANUTENÇÃO DA INDENIZAÇÃO. PROVEDOR DE INTERNET. SERVIÇO DISPONIBILIZADO. COMPROVAÇÃO DE ZELO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO. AÇÃO. RETIRADA DA PÁGINA EM TEMPO HÁBIL. PRELIMINAR AFASTADA. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. AUSENCIA DE ELEMENTOS.

Apelo do autor

Da denunciação da lide

I. Para restar configurada a denunciação da lide, nos moldes do art. 70 do CPC, necessário elementos demonstrando vínculo de admissibilidade. Ausentes provas embasando o pedido realizado, não há falar em denunciação da lide.

Da responsabilidade do provedor de internet

II. Provedores de internet disponibilizam espaço para criação de páginas pessoais na rede mundial de computadores, as quais são utilizadas livremente pelos usuários. Contudo, havendo denúncia de conteúdo impróprio e/ou ofensivo à dignidade da pessoa humana, incumbe ao prestador de serviços averiguar e retirar com brevidade a página se presente elementos de caráter ofensivo.

III. Hipótese em que o provedor excluiu a página denunciada do ar depois de transcorrida semana, uma vez ser analisado assunto exposto, bem como necessário certo tempo para o rastreamento da origem das ofensas pessoais – PC do ofensor. Ausentes provas de desrespeito aos direitos previstos pelo CDC, não há falar em responsabilidade civil do provedor.

Apelo da ré

Do dano moral

IV. A Doutrina moderna evoluiu para firmar entendimento acerca da responsabilidade civil do ofensor em relação ao ofendido, haja vista desgaste do instituto proveniente da massificação das demandas judiciais. O dano deve representar ofensa aos chamados direitos de personalidade, como à imagem e à honra, de modo a desestabilizar psicologicamente o ofendido.

V. A prática de Bullying é ato ilícito, haja vista compreender a intenção de desestabilizar psicologicamente o ofendido, o qual resulta em abalo acima do razoável, respondendo o ofensor pela prática ilegal.

VI.  Aos pais incumbe o dever de guarda, orientação e zelo pelos filhos menores de idade, respondendo civilmente pelos ilícitos praticados, uma vez ser inerente ao pátrio poder, conforme inteligência do art. 932, do Código Civil.   Hipótese em que o filho menor criou página na internet com a finalidade de ofender colega de classe, atrelando fatos e imagens de caráter exclusivamente pejorativo.

VII. Incontroversa ofensa aos chamados direitos de personalidade do autor, como à imagem e à honra, restando, ao responsável, o dever de indenizar o ofendido pelo dano moral causado, o qual, no caso, tem natureza in re ipsa.

VIII. Quantum reparatório serve de meio coercitivo/educativo ao ofensor, de modo a desestimular práticas reiteradas de ilícitos civis. Manutenção do valor reparatório é medida que se impõe, porquanto harmônico com caráter punitivo/pedagógico comumente adotado pela Câmara em situações análogas.

APELOS DESPROVIDOS (Apelação Cível Nº 70031750094, Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Liege Puricelli Pires, Julgado em 30/06/2010)

 

 

Em relação à condenação referente à “bullying” segue sentença do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

 

DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. ABALOS PSICOLÓGICOS DECORRENTES DE VIOLÊNCIA ESCOLAR. BULLYING. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA. SENTENÇA REFORMADA. CONDENAÇÃO DO COLÉGIO. VALOR MÓDICO ATENDENDO-SE ÀS PECULIARIDADES DO CASO.
1. Cuida-se de recurso de apelação interposto de sentença que julgou improcedente pedido de indenização por danos morais por entender que não restou configurado o nexo causal entre a conduta do colégio e eventual dano moral alegado pelo autor. Este pretende receber indenização sob o argumento de haver estudado no estabelecimento de ensino em 2005 e ali teria sido alvo de várias agressões físicas que o deixaram com traumas que refletem em sua conduta e na dificuldade de aprendizado.
2. Na espécie, restou demonstrado nos autos que o recorrente sofreu agressões físicas e verbais de alguns colegas de turma que iam muito além de pequenos atritos entre crianças daquela idade, no interior do estabelecimento réu, durante todo o ano letivo de 2005. É certo que tais agressões, por si só, configuram dano moral cuja responsabilidade de indenização seria do Colégio em razão de sua responsabilidade objetiva. Com efeito, o Colégio réu tomou algumas medidas na tentativa de contornar a situação, contudo, tais providências foram inócuas para solucionar o problema, tendo em vista que as agressões se perpetuaram pelo ano letivo. Talvez porque o estabelecimento de ensino apelado não atentou para o papel da escola como instrumento de inclusão social, sobretudo no caso de crianças tidas como "diferentes". Nesse ponto, vale registrar que o ingresso no mundo adulto requer a apropriação de conhecimentos socialmente produzidos. A interiorização de tais conhecimentos e experiências vividas se processa, primeiro, no interior da família e do grupo em que este indivíduo se insere, e, depois, em instituições como a escola. No dizer de Helder Baruffi, "Neste processo de socialização ou de inserção do indivíduo na sociedade, a educação tem papel estratégico, principalmente na construção da cidadania."(20060310083312APC, Relator WALDIR LEÔNCIO C. LOPES JÚNIOR, 2ª Turma Cível, julgado em 09/07/2008, DJ 25/08/2008 p. 70)

Conforme podemos vislumbrar a questão da violência na esfera civil efetuada através do “bullying” ou “cyberbullying” é classificada como um ilícito devendo ocorrer a sua reparação, conforme esmiúça os artigos abaixo transcritos do Novo Código Civil:

 

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

 

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

 

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

A legislação é clara ao elencar que a pessoa que efetuar danos a outrem terá a obrigação de ressarcimento. O Direito civil também tipifica o dano em modalidades sendo elas:

Dano Material: como próprio nome sugere é aquele que ocasiona prejuízos no patrimônio da pessoa, sobre seus bens materiais;

Dano Moral: são aqueles ocasionados no patrimônio imaterial do ser humano, voltados a sua imagem, espírito, sentimento possuindo também correlação com o art. 5.º, V, X da Constituição Federal; art. 6.º inciso VI do Código de defesa do Consumidor;

Dano Estético: são os danos que venham a modificar o aspecto morfológico do ser humano como deixar a pessoa aleijada, amputação de dedo podendo ser aplicado às regras do art. 949 do Novo Código Civil.

No aspecto da violência escolar, estão engajados pais, jovens, professores, funcionários, direção, sociedade e o próprio Estado na omissão de práticas visando coibir as mesmas.

O Novo Código Civil elenca as referidas responsabilidades conforme exposto abaixo:

 

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;

II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;

III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;

V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. (grifos nossos)

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos

Outrossim, as instituições de ensino pelo Código de Defesa do Consumidor através do art. 3.º são consideradas fornecedoras de serviços, sendo que no mesmo código o art. 14 determina sua responsabilidade de ressarcimento pela má prestação de serviços.

O Estado tem sua responsabilidade gerida pela Constituição Federal dentre outros artigos podemos citar o art. 227 in fine:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Várias leis demonstram que crianças e adolescentes deverão estar a salvo de qualquer discriminação ou violência, contudo, se as leis não forem cumpridas ou conhecidas não teremos como coibir e frear a violência.

Necessário uma reavaliação não só dos métodos pedagógicos visando contribuir para detenção da violência, mas também uma formulação conjunta de novas medidas entre Poder Público, escola, comunidade, associação de pais e mestres e os próprios jovens, bem como frear a utilização dos meios eletrônicos de forma indevida.

Para isto é necessário uma análise sócio cultural verificando os erros de todos os envolvidos para aos poucos buscarmos os acertos.

A violência está ocorrendo em graus intoleráveis faltando dentre outros critérios um ensinamento aos jovens dos limites e das suas obrigações como cidadãos, as escolas se preocupam com diversas disciplinas, muitas delas impostas, que não serão utilizadas no cotidiano, mas se esquecem de introduzir uma disciplina que venha realmente mostrar e demonstrar aos jovens e toda classe discente o verdadeiro conceito de cidadania.

O Ministério da Educação- MEC apesar de não possuir poder fiscalizador nas escolas, está preocupado com o referido tema buscando efetuar a capacitação dos professores criando inclusive a secretaria (SECAD) com a criação do Projeto Escola que Protege e a criação do livro “Formação de Educadores (as)- Subsídios para Atuar no Enfrentamento à Violência Contra Crianças e Adolescentes”, maiores informações podem ser obtidos no site www.mec.gov.br.

Devemos agir com fiscalização, trabalhos voluntários, palestras mostrando critérios de cidadania, visando um trabalho preventivo nas causas da violência.

Apesar das diversas condenações pelo Poder Judiciário, as mesmas não irão apagar os traumas sofridos pelos jovens vítimas de violência, bem como pelos próprios violentadores que também são vítimas de uma sociedade de exclusão.

Para isto precisamos efetuar o primeiro passo coibindo esta triste realidade, na qual as escolas, espaço para a educação, estão se transformando na barbárie e ringues de violência, ao contrário de formar cidadãos, forma criminosos e delinqüentes constatando-se a triste realidade de inversão de valores.

 

 

Gislaine Barbosa de Toledo

 


Adolescência - Os Riscos do Início Precoce da Atividade Sexual

O início precoce da atividade sexual trás sérias consequências para a vida dos adolescentes, entre as mais preocupantes estão às relacionadas às doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez.

Gravidez

A gravidez na adolescência tem causado muita preocupação. Apesar do número de adolescentes grávidas ter caído nos últimos 10 anos segundo pesquisas divulgadas pelo IBGE, ainda existem dúvidas quanto a educação sexual para os adolescentes.
Sem a maturidade física e emocional necessária para o enfrentamento das sérias consequências que envolvem o advento de um filho, a vida dos jovens sofre mudanças bruscas que, na maioria das vezes, foge de controle. Uma das mudanças é a queda na qualidade de vida. Pesquisa realizada pelo ambulatório de Planejamento Familiar da Unifesp apontou que as adolescentes grávidas têm menos oportunidades no mercado de trabalho e acabam abandonando os estudos por conta do bebê.
Além disso, existem os casos de adolescentes que, por causa da repressão familiar, fogem de casa ou se entregam nas mãos de pessoas inescrupulosas, provocando abortos criminosos que, inevitavelmente, produzem danos físicos e emocionais dificilmente superados. O fato foi destacado recentemente na novela Passione, da TV Globo. A personagem adolescente Fátima, vivida pela atriz Bianca Bin, engravidou depois de uma aventura com o personagem Danilo, vivido pelo ator Cauã Reymond. Ao praticar o aborto ilegal, em condições inapropriadas, Fátima acaba entre a vida e a morte no leito de um hospital.

DSTs
E não é só a gravidez indesejada que preocupa os pais dos adolescentes.  Outro problema que merece atenção são as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Muitas vezes o jovem inicia a vida sexual sem ter a preocupação com a prevenção já que nessa fase da vida temos a sensação de que nada ruim pode nos acontecer.

Dá-se então a necessidade de maior diálogo entre pais e filhos e uma participação da escola nesse sentido.

Estudos apontam que o contexto familiar tem uma relação direta com a época em que se inicia a atividade sexual. Portanto, esse é um fator que deve ser ressaltado, pois, o afastamento dos membros da família e a desestruturação familiar somam maior insegurança no adolescente que, totalmente despreparado, dá vazão aos anseios sexuais determinados pelos estímulos característicos da puberdade.   Seja por separação, seja pelo corre-corre do dia-a-dia, alguns pais estão cada vez mais afastados de seus filhos que, sem terem para quem dar satisfações de sua rotina diária, só procuram os pais ou responsáveis quando o problema já se instalou. A falha de comunicação entre pais e filhos dá ao adolescente uma liberdade sem responsabilidade e é assim que muitos jovens iniciam suas vidas sexuais sem o menor cuidado.

Mas porque é tão difícil para os pais conversarem abertamente sobre sexualidade com seus filhos? Conhecer essas dificuldades é primordial para que os pais as vençam, estabelecendo maior intimidade e aproximação emocional com os adolescentes. Todos os esforços nesse sentido são essenciais, pois, não se pode simplesmente fechar os olhos para a realidade que se impõe em fatos.          Ouvir o adolescente com carinho e atenção; jamais demonstrar menosprezo por suas preocupações, mesmo que pareçam pueris; observar seu comportamento, suas amizades; ou seja, percorrer com ele o máximo possível essa fase tão turbulenta da adolescência são medidas que podem além de evitar muito sofrimento no futuro, ainda promover maior união e alegria familiar. O discurso moralista quase sempre provoca enfado no adolescente, enquanto o diálogo afetuoso o orienta, estimula e compromete.
 

Suely Buriasco


Como implantar a educação financeira na rede pública de ensino?

 

Uma boa notícia, é que o governo que implantar a educação financeira e 900 escolas públicas estaduais de cinco Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Tocantins – o projeto terá início para as classes de ensino médio. Essa idéia nasceu da parceria de Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Educação (MEC) e o apoio do Instituto Unibanco.

Agora resta saber como será a implantação desse programa, com a experiencia que já venho tendo com a implantação de um sistema de educação financeira em diversas escolas do país através do Instituto DiSOP, acredito que o caminho a ser seguido é da implementação desse tema junto as matérias que já fazem parte dos currículos das escolas, pois, assim se mostra a naturalidade com que esse tema acontece no cotidiano dos jovens.

No material didático que preparamos para variadas séries com base no livro O Menino do Dinheiro a educação financeira é abordada de forma lúdica. Essa idéia nasceu porque no decorrer de meu trajeto de aprendizagem pelo mundo das finanças pessoais, observei que o real problema está na falta de educação financeira, a qual infelizmente nossa população sofre em todo o processo educacional.

A população não tem ensinamentos básicos de como devem tratar o dinheiro que recebem desde pequenas. Assim, como podemos esperar que elas, de uma hora para outra, saibam as formas de lidarem com dificuldades financeiras e com endividamento, muitas vezes causadas por imprevistos, como a perda de um emprego ou a compra de um produto que não estava no orçamento?

É fundamental para o desenvolvimento de nossa população a inclusão da educação financeira na proposta educacional das escolas. Mas muitos pensam que isso seria muito complicado, isso não é verdade. A prova que isso é possível está no livro Terapia Financeira (Editora Gente), onde detalho como isso é mais simples do que se pode pensar. Na obra apresento a Metodologia Comportamental de Educação Financeira DiSOP, na qual a finanças pessoal não é tratada apenas como uma ciência exata, entrando em outras áreas do saber.

A população deve ter claro que para conseguir tomar as “rédeas” de sua vida financeira é necessário primeiramente saber a situação que se encontra e traçar os objetivos que pretendemos atingir. Mas esse é só o começo, para que a realidade de endividamento que muitos se encontram termine, é fundamental que a educação financeira seja tomada como fundamental para o crescimento das pessoas. Também é importante alertar nossas lideranças políticas que se atente não só com a macro economia, pois, tão importante quanto ela é a micro economia que cuida do dinheiro que circula todos os dias nas mãos de nossa população.

 

Reinaldo Domingos


Pais devem ter cuidado com os produtos que mantêm em casa adolescentes abusam de inalantes encontrados em esmaltes de unhas e colas de contato

Levantamento recente feito em escolas particulares de São Paulo mostra que os inalantes são a terceira substância psicoativa mais consumida – depois de álcool e tabaco – por estudantes de 15 a 18 anos

 

De acordo com levantamento feito pelo Cebrid (Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp, em 2008 e divulgado este mês, os inalantes são a terceira droga mais consumida por alunos de escolas particulares de São Paulo, perdendo apenas para o álcool e o tabaco. A pesquisa, que ouviu 5.226 alunos do ensino fundamental e médio de 37 escolas, mostrou que os inalantes foram consumidos pela primeira vez em idade precoce, visto que 50% dos que experimentaram o fizeram até os 14 anos de idade.

Os inalantes são capazes de promover depressão na atividade do sistema nervoso central e apresentam potencial de abuso. A principal substância responsável por esses efeitos é o toluol, solvente que faz parte da fórmula de produtos como esmalte de unhas e cola de contato, conhecida também como cola de sapateiro.

Uma olhada atenta à despensa de casa permite que os pais verifiquem produtos de limpeza, higiene pessoal ou para reparos caseiros que trazem especificações de cuidado ao uso por conterem substâncias tóxicas e prejudiciais à saúde. Na maioria dos casos, o risco é de alergias, dermatites, irritações de mucosas etc., e pode ser evitado se o uso for feito de forma adequada. Mas o perigo não para por aí.

Os esmaltes são um exemplo de produto que possui substâncias tóxicas cuja ação, para os pais desavisados, pode causar no máximo sérias alergias. A pesquisa do Cebrid, no entanto, mostrou que os esmaltes e acetonas são o segundo inalante mais consumido pelos adolescentes como forma de droga.

Já a cola de sapateiro é o quarto inalante mais consumido pelos participantes da pesquisa. A alta concentração de toluol encontrada nesse adesivo utilizado em diversos tipos de materiais como sapato, madeira e metal, representa um perigo ainda maior.

O toluol é um solvente aromático que, ao ser inalado, inibe o sistema nervoso central, causando sensações de excitação, alucinações auditivas e visuais, acompanhadas de tontura, náuseas, espirros, tosse, salivação e fotofobia. Quando usado em altas doses e/ou de forma crônica, essa substância leva à síndrome de adicção. Como os efeitos após a inalação são rápidos (desaparecem após 15 a 40 minutos), o usuário acaba repetindo a dose diversas vezes para prolongar a sensação de euforia, o que favorece a ocorrência da dependência química.

A indústria vem apresentando cada vez mais soluções para evitar o uso de toluol em produtos disponibilizados para o consumidor de final. A Henkel, que fabrica a marca de cola de contato Cascola, deu um importante passo para iniciar esse movimento. A empresa retirou o toluol de toda a linha do produto, substituindo por um solvente que tem apenas um terço de sua toxicidade, sem potencial de abuso.

No caso dos esmaltes, a Impala, por exemplo, possui uma linha de produtos hipoalergênicos, com formulação balanceada desenvolvida sem toluol.

O segredo para manter a segurança dentro de casa é optar por produtos menos tóxicos, além de sempre respeitar as normas de utilização sugeridas na embalagem.

 

Números pesquisa

 

Prevalência do consumo de drogas

 

 

Uso na vida

Uso no ano

Uso no mês

Álcool

80,30%

63,10%

29,60%

Tabaco

24,60%

17,10%

10,20%

Inalantes

13,60%

8,50%

3,70%

 

 

Tipo de inalante consumido pelos entrevistados no mês anterior à pesquisa, dentre os 185 entrevistados que relataram uso no mês de inalantes.

 

 

Ensino Médio

Ensino Fundamental

Loló / Lança Perfume

71,90%

34,40%

Esmalte/Acetona

24,80%

41,70%

Gasolina

17,80%

38,40%

Cola

10,60%

22,20%

Thiner/Agarraz/Benzina/ Tinta

9,50%

21,70%

 

 


Biblioteca: um espaço mágico

 

 

 

Na hora do intervalo, entre uma aula e outra, as coisas aconteciam. Eu a via, conversávamos, nos olhávamos, mas nos anos 60 namorar na escola era proibido. Quase sempre os encontros se davam no intervalo. Era naquele momento mágico que eu desenvolvia minha capacidade de compreensão da afetividade nas discórdias tão comuns dos primeiros encontros com as primeiras namoradas. Aquele sinal do famoso “recreio” era o prenúncio de fazer e refazer os ingênuos amores dos meus 15 anos.

Foi exatamente nessa época que descobri na minha escola um lugar especial: a biblioteca. Lá eu podia entender através dos versos de Vinicius de Moraes, Drummond ou Fernando Pessoa que aquele sentimento jovem, apaixonado, também era comum aos mais velhos e viajava nos enlaces e desencontros dos meus ídolos da literatura. Era a eles que eu me socorria na solidão do término de um romance; era na biblioteca que encontrava as palavras mais doces enviadas por carta àquela menina “que eu amava”, da terceira fila da minha classe.

Talvez o socorro à biblioteca e aos livros se desse muito mais porque a poesia, além de escrita, era cantada por grandes nomes da literatura, algo que hoje já não existe mais. Unir poesia e literatura com a melodia, como num casamento perfeito, sonorizava o encanto poético e aflorava em mim o gosto pela leitura. E era bem ali, na antiga biblioteca da minha escola, que eu me curava dos amores perdidos. Os remédios mais comuns eram Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa. Além disso, era na mal iluminada biblioteca que eu e os demais alunos costumávamos tirar todas as nossas dúvidas sobre tantos assuntos que nos afligiam, típicos de uma adolescência carente de informações.

Desenvolver o gosto dos alunos pela literatura nos dias de hoje é um desafio aos educadores. A rapidez das informações pela internet, a banalização dos sentimentos, a praticidade em conquistar novos amores – o “ficar” – já não nos fazem socorrer de forma contumaz ao encanto das poesias.

Foi com base nessa percepção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei n. 12.244, que visa à “universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país”, determinando que as escolas públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do Brasil deverão ter bibliotecas – ou seja, um acervo de livros – de no mínimo um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo, conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares.

Pior do que não se habituar ao socorro da leitura é não ter livros para ler e sofrer da falta do espaço silencioso e quase sagrado das bibliotecas, local em que se procuram respostas, se descobrem histórias, se consola dos amores perdidos. Até hoje me lembro dos livros que me acalmaram, que me alegraram, que me prendiam a atenção durante tardes inteiras. Recordo-me dos longos corredores da gigantesca biblioteca da Hebraica de São Paulo, onde disputávamos os novos livros, os novos títulos, reservando-os com antecedência. Com a nova lei, teremos um espaço vivo de sabedoria, um encontro certo com a literatura, e talvez assim voltemos a induzir os jovens a entrar nessa sala mágica, onde se cura a curiosidade, se descobre a ciência e se trata os amores, por mais ingênuos que sejam, como o dos meus 15 anos, encantado com a menina da terceira fila.

 

Fernando Rizzolo


Os benefícios intangíveis dos cursos de MBA

 

A proliferação dos cursos de MBA (Master of Business Administration) é um fato. Porém, o que ocorre, ultimamente, é que o público dessa modalidade de pós-graduação também está se modificando, abrangendo não apenas a alta gerência como também profissionais do nível operacional.

Cada vez mais os cursos de MBA vêm sendo procurados por jovens profissionais, muitos recém-formados, com pouco ou nenhum tempo de carreira, porém com expectativas muito altas em relação ao retorno em termos financeiros que o curso trará para eles.  Esses profissionais são a chamada geração Y, aqueles nascidos na década de 80, que possuem uma característica marcante: o imediatismo. Eles iniciam um MBA pouco tempo depois de concluída a graduação e esperam com isso uma inserção imediata no mercado de trabalho ou um reconhecimento rápido das empresas onde atuam - como um aumento salarial significativo, uma promoção de cargo ou outra forma de compensação financeira.

Entretanto, a especialização por si só não oferece garantias de sucesso. A experiência de um MBA pode representar valor agregado sob o ponto de vista das empresas, mas o retorno que o profissional trará à empresa demanda um longo tempo para que se possa medir. A companhia não recompensará um título por si só, mas os resultados que o profissional trouxer após aplicar no seu dia-a-dia o know-how absorvido no curso. 

Expectativas financeiras à parte, um MBA também trás benefícios intangíveis, como:

- Incremento da bagagem profissional, ampliada por meio de conhecimentos de várias áreas de negócios. Essa bagagem é o que ajudará o profissional a falar a língua do cliente e a se inserir em projetos mais desafiantes;

- Aprender a pensar “fora da caixa”. O currículo do MBA tradicional ensina a interpretar balanços contábeis, planos de marketing e elaborar um planejamento estratégico. Essas são ferramentas úteis para um entendimento de como se desenvolvem as operações de um departamento ou de uma empresa. Quanto melhor a compreensão por parte do profissional sobre os movimentos da empresa, melhor o seu posicionamento estratégico dentro dela.

 

 

- Visão de oportunidades de negócios, que pode fazer com que o profissional ajude a alavancar o negócio da empresa (e com isso se destacar), ou até mesmo empreender um negócio por conta própria;

- Networking, permitindo a troca de experiências com profissionais de várias áreas, trazendo visibilidade ao profissional no mercado e podendo, até mesmo, gerar futuras indicações, e;

- Valorização do profissional no mercado, o que significa manutenção da empregabilidade,

Os benefícios tangíveis, como crescimento na carreira, serão consequências da experiência prática profissional, que vale mais que qualquer título. O que o MBA fará pelo profissional é muní-lo de um ferramental diferenciado, para que ele possa encontrar soluções que agreguem valor ao negócio da empresa.

 

Bianca Machado Branco



Disléxicos têm chance no vestibular?

Entre as características dos disléxicos podemos citar a lentificação do processamento de informações, principalmente relacionadas à leitura, escrita e interpretação de textos.

 

 

Isto se dá devido ao processo de leitura utilizado pelo disléxico, que ativa áreas do cérebro não especializadas para esta função, fazendo a tarefa ser um processo de decodificação não automatizado, o que leva à lentificação da resposta e ao cansaço excessivo relatado por alunos com dificuldades de aprendizagem em tarefas de leitura e escrita, principalmente as mais demoradas como, por exemplo, as provas de vestibular.

Sendo assim como proceder em relação ao processo de seleção utilizado pelas faculdades e universidades?

Já existe um consenso entre as principais instituições de ensino do Brasil de que se deve dar ao disléxico condições diferenciadas por ocasião do vestibular.

E quais são estas condições?

A principal delas é um maior tempo para a realização da prova (cerca de uma hora e trinta minutos a mais).

Esta condição é fundamental se levarmos em conta a diferença apresentada pelos disléxicos em relação à velocidade de trabalho (na leitura e escrita).

Além desta condição é oferecido ao disléxico o direito de ter um ledor à sua disposição. Este ledor, de preferência uma pessoa que tenha bom conhecimento do distúrbio, realiza a leitura da prova para o aluno e este, com este recurso, processa a informação mais rapidamente e registra sua resposta. O ledor não interfere nesta escolha.

Este assistente de prova pode ainda revisar as anotações na folha de resposta, pois o aluno poderia marcar a resposta certa no caderno e transcrever de forma errada para a folha de respostas (que é a que realmente conta para a apuração). O assistente faria então a conferência da transcrição.

 

O ledor pode ainda ser auxiliar na redação (um dos maiores obstáculos para o disléxico numa prova de vestibular). Umas das formas de auxiliar neste momento é o aluno elaborar a redação e ditar para o ledor escrever. A nota ponderada também pode ter critério diferenciado.

Há universidades que disponibilizam ainda o uso de calculadoras. Vamos explicar...

Uma vez que os disléxicos encontram dificuldade em decorar, são mais lentos em realizar operações matemáticas, pois fazem o roteiro completo das tabuadas para cada conta que fazem (o que é claro leva muito mais tempo).  E ainda existe a questão da interpretação do enunciado, que pode levar tempo (lembre-se que o texto precisa ser decodificado).

Estas condições diferenciadas não colocam os disléxicos em melhores condições do que os demais alunos ao acesso à universidade, mas os colocam em condições de igualdade, considerando suas (dos disléxicos) necessidades diferenciadas para expressarem os conhecimentos adquiridos.

Pode-se observar que estas condições e possibilidades têm feito muita diferença em relação à auto-estima das pessoas com dificuldades de aprendizagem, colocando-os em condições de galgarem posições que de outra forma talvez não pudessem alcançar.

O valor do profissional disléxico já tem despertado o interesse inclusive de grandes empresas que também estão oferecendo estas mesmas condições diferenciadas aos disléxicos que participarem de concurso público para ingresso nos quadros de funcionários.

A ABD - Associação Brasileira de Dislexia tem profissionais capacitados que têm exercido esta função de ledores ou assistentes nas provas de vestibular e concurso público ou orientado as instituições de ensino e empresas interessadas. 

É importante citar que estas condições diferenciadas devem ser solicitadas pelos interessados por ocasião de inscrição para o vestibular ou concurso público, além de apresentarem laudo conclusivo constando o diagnóstico de dislexia realizado por equipe multidisciplinar especializada.

 

Maria Inez Ocanã De Luca



Quando o aluno se apaixona pelo professor

Gostar do professor ou professora da escola é normal entre os adolescentes e pré-adolescentes? Será que essa 'apaixonite' pode acarretar problemas para a vida escolar e pessoal do jovem?

 

O processo educativo pressupõe basicamente a  relação professor - aluno, pois é  ela que dinamiza e dá sentido a este processo tornando-se o centro deste. Esta relação pode se mostrar por vezes conflituosa, pois se baseia no convívio de classes sociais, culturas, valores e objetivos diferentes.

Dada a intensidade desta relação alguns estudantes podem, por vezes, confundir os sentimentos que se estabelecem. A paixão despertada pelos docentes em pré - adolescentes e adolescentes é mais comum do que se pensa.

Segundo a orientadora educacional do Colégio Farroupilha, Sumaia Curço, para muitos alunos o professor representa uma figura praticamente mítica, uma pessoa perfeita, ideal. Esse sentimento é normalmente despertado pela beleza, charme, inteligência, cultura e situação de poder na qual o professor se encontra. “É próprio desta fase da vida do aluno os sentimentos muito intensos e eles acabam por transformar seus professores em príncipes e princesas. Se trata de uma paixão idealizada ou amor platônico. Em muitos casos, os adolescentes passam anos esperando pela realização desta paixão idealizada. É uma fase de amadurecimento afetivo”, afirma a especialista.

 

Dependendo da intensidade, essa paixão pode estimular o aluno a se dedicar mais a determinada disciplina ou ao contrário pode acarretar problemas de concentração nas aulas. A fantasia que envolve esta relação e a dificuldade de conversar sobre o assunto com outras pessoas aumentam a angustia do jovem.

A paixão por algum professor não representa riscos à vida dos alunos e dificilmente poderá trazer conseqüências mais graves no futuro, destaca Sumaia Curço. No entanto os pais devem estar sempre atentos ao comportamento dos filhos e nestes casos o diálogo entre pais e filhos é imprescindível.


O que seu filho está comendo na escola?

Saiba o que priorizar na escolha do lanchinho das crianças

 

consumo de alimentos saudáveis e diversificados contribui com a saúde e com o desenvolvimento físico e psíquico da criança, além de auxiliar no processo do aprendizado.

Mas o que fazer para chamar a atenção dos pequeninos para a alimentação adequada? A nutricionista do Oba Hortifruti Marcella Xavier sugere atividades educativas como levá-los para conhecer o hortifruti ou o supermercado e deixar que as crianças ajudem a escolher e preparar alguma receita. “Durante o preparo, o ideal é falar da importância dos alimentos para o corpo e para o crescimento. E mostrar sempre que a lancheira deve ficar colorida com os alimentos”, recomenda.

Frutas, cereais (pães, biscoitos salgados), iogurtes, queijos e sucos devem compor, sempre, o lanche infantil. No meio da manhã ou da tarde, os alimentos têm a função de estabilizar o nível de glicose no sangue, o que é importante para o desenvolvimento cognitivo da criança. Nesses períodos do dia, o ideal é ingerir alimento que dê energia, como os carboidratos, que também ajudam no crescimento, além de proteínas, vitaminas e minerais, que ajudam no desenvolvimento.

Para o apelo infantil aos doces, a recomendação é negociar. “Chocolates, biscoitos e refrigerantes podem ser levados para a escola, mas limite-os a uma vez por semana. E esteja sempre atento às informações nutricionais nos rótulos dos alimentos industrializados”, sugere a nutricionista.

Opções de cardápio para a hora do lanche

1ª opção:

- Suco de fruta (laranja, por exemplo)

- Sanduíche (pão integral e queijo branco)

- Fruta (banana)

2ª opção:

- Iogurte

- Fatia de bolo (cenoura)

- Fruta (maçã)


Mochila: tire este peso das costas. Alternar alças e rodinhas diminuem o risco de lesões

 

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 85% das pessoas têm, tiveram ou terão um dia dores nas costas provocadas por problemas de coluna. Dor esta que pode estar relacionada ao peso da mochila carregada na época escolar. Crianças e adolescentes de hoje podem ser os próximos a sofrerem dores em um futuro não tão distante. Sandro Costa, educador físico da Body Systems Latin America, adianta: “A ergonomia é o ponto principal para se entender qual é a melhor opção. Em outras palavras, as características posturais de cada indivíduo em relação ao tipo de mochila que se tem”, diz, acrescentando que, “no primeiro sinal de desconforto na coluna, o ideal é trocar o peso carregado nas costas pela opção das rodinhas e vice versa”.

Mas o difícil é fazer com que as crianças e, principalmente os adolescentes, sigam a risca estas recomendações. Se de um lado é praticamente impossível fazer com que os pequenos fiquem com a coluna retinha para carregar a mochila, para os adolescentes optar pelas rodinhas é “pagar mico” na frente dos amigos. Mas a boa notícia é que toda regra tem exceção.

Para os pequenos, o mais indicado são as mochilas de rodinhas. São fáceis de manusear e não sobrecarregam a coluna. Mas, mesmo assim, o especialista alerta sobre alguns cuidados com a altura da alça. “A criança não pode curvar a coluna para alcançá-la, pois uma alça mal regulada sobrecarrega o quadril e joelhos, o que pode causar inflamações e dores”. Mas se a idéia é ter a tradicional mesmo, ela deve ter o tamanho da criança para ajustar-se bem a coluna e sem folga. “O fundo da mochila também deve ficar apoiado na curva lombar da coluna. Nunca deve ficar a mais de 10 cm abaixo da região da cintura da criança”, detalha Costa. A dica é não carregar mais que 10% do peso corporal.

Já para os “crescidinhos” com “vergonha” da mochila de rodinhas, o uso correto do mochilão deve ser fiscalizado por eles mesmos. Levar mais do que precisa é o primeiro passo para evitar o excesso de peso. “Carregar o mundo nas costas não faz bem pra ninguém”, brinca Costa. O material escolar dos adolescentes é mais pesado do que o infantil e deve ser bem distribuído dentro da mochila. Outra dica é não deixá-los soltos. Isso provoca movimentos de desequilíbrio e sobrecarga de impacto. As alças devem ser bem acolchoadas e carregar o peso num ombro só nem pensar. Uma parte do peso leve carregado na mão também ajuda a aliviar.

Além de dores nas costas, carregar mochilas muito pesadas é um problema grave. Além de conseqüências irreversíveis em longo prazo para crianças, como escoliose idiopática infantil - que mesmo sendo congênita pode ser agravada por estes maus hábitos, podem causar cifose, hiperlordose da coluna lombar, artrose precoce e má postura.


Como os pais podem ajudar os filhos na escola?

Francisca Paris, diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, defende a ideia de que os pais se esforcem para estarem presentes no dia a dia dos filhos, mesmo com pouco tempo disponível. Ela sugere, por exemplo, que eles auxiliem nas lições de casa, incentivem a leitura e participem dos eventos escolares

 

O apoio dos pais é fundamental para ajudar as crianças a se adaptarem à rotina escolar e a conseguir melhores resultados em seu desempenho pedagógico. Segundo a pedagoga Francisca Giacometti Paris, que foi secretária da Educação em Ribeirão Preto (SP) e atualmente é diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino – novo sistema de ensino da Editora Saraiva, voltado para as escolas públicas –, educar é uma atuação mais abrangente do que ensinar e transmitir conhecimentos. Para ela, os pais não podem estar distantes da vida escolar de seus filhos.

“É comum que pais que trabalham fora de casa acabem se afastando dos fazeres escolares dos filhos, com a justificativa de estarem muito atarefados. Mas é preciso entender que, mesmo com papéis diferentes, a escola e a família têm o objetivo comum de educar a criança para a vida em sociedade. Já que têm o tempo limitado, os progenitores devem investir em um relacionamento de qualidade, e não de quantidade, no qual os aspectos específicos da escola sejam também contemplados”, explica Francisca.

Para a especialista, é possível que o núcleo familiar se integre a este processo de diversas maneiras. O pai e a mãe podem, por exemplo, auxiliar nas lições de casa e nos trabalhos escolares em um local sossegado da casa, dando dicas, indicando pesquisas, relendo e comentando as atividades realizadas e mesmo resolvendo alguma dúvida. Porém, eles devem evitar cair na tentação de fazer o trabalho pelo estudante, uma vez que a tarefa é de responsabilidade do aluno, que deve estar apto a realizá-la com autonomia.

Incentivar a leitura e o gosto por programas culturais desde cedo e participar dos eventos que acontecem na escola, como reuniões de pais e mestres e festas, são outras ações importantes para conhecimento e integração com os professores e demais famílias daquela comunidade escolar. Também vale explorar o novo universo que se abre aos filhos e aprender – ou relembrar – assuntos relacionados anúmeros, plantas, animais, história e geografia, entre outros. Ao perceber que é acompanhada nesse processo de desenvolvimento educacional, a criança se sente valorizada e importante na vida familiar.

Muitas vezes, ajudar o pequeno a ter um bom desempenho na escola é uma questão apenas de ouvir seus problemas – mesmo os que parecem irrelevantes –, elogiá-lo e repreendê-lo quando necessário, orientando–o em cada situação. “Para os estudantes obterem bons resultados na escola, algumas palavras-chave são fundamentais, como: estrutura, disciplina, desafios, reconhecimento, motivação, limites, escolhas, segunda chance, compreensão, respeito e muito amor”, defende a pedagoga.

 

 

 

 

Uma dica importante é que os pais não esperem que os filhos obtenham nota máxima em todas as áreas de conhecimento, mesmo que sejam ótimos alunos. O importante é que eles tenham bom desempenho, independentemente do ranking da sua turma. “Quando os pais têm expectativas muito rígidas em relação às crianças, elas podem se frustrar por imaginarem que precisam alcançar padrões inatingíveis para conseguirem aprovação dos adultos. Contudo, é preciso que os responsáveis vejam os grandes esforços dos pequenos como boas atuações, mostrando a eles a importância de se esforçarem para aprenderem o que precisam, aceitando suas limitações”, afirma Francisca.

“É necessário estabelecer limites e também cumpri-los, sem ceder diante das chantagens emocionais infantis, e chegar a um meio termo entre a permissividade e o autoritarismo, equilibrando o ‘tudo pode’ com o ‘nada pode’ e justificando o porquê das regras. Assim, eles aprendem desde cedo a fazer renúncias, a respeitar os direitos das outras pessoas e a conviver com frustrações”, ensina a pedagoga.

Também vale ressaltar que um bom desempenho escolar não deve ser condicionado à entrega de mesadas ou presentes em função das boas notas ou após o término do dever de casa. Desse modo, os responsáveis ajudam as crianças a se tornarem independentes e preparadas para as obrigações da vida adulta.


Autoridade e Disciplina

 

A verdadeira autoridade se baseia no velho e bom exemplo de autodisciplina. Mas como é fácil  confundir os diferentes sentidos dessa palavra, encontramos muitos pais que apenas se lembram e usam um desses seus significados: castigar e dar ordens . O que está longe do verdadeiro sentido da autoridade como  geradora de  disciplina, ou melhor ainda de  autodisciplina.

Disciplina vem  da palavra “Discipulus” , ou seja “alguém que aprende”. Assim, disciplina não pode ser imposta pela força, pois isso contraria o princípio básico, da idéia de que ser disciplinado implica  na admiração espontânea por alguém que nos incentiva a sermos parecidos com ele.

Exige auto controle e serenidade , indispensáveis para transmitir segurança e admiração a uma criança.

Para  promoverem esse compromisso da criança com certos princípios e comportamentos que desejem que seus filhos tenham, os pais devem se basear na necessidade de apego das crianças a eles e lhes dar  a oportunidade de aprenderem no dia a dia observando o seu comportamento.

As crianças pequenas , até mesmo  para se sentirem protegidas , tendem a admirar e imitarem seus pais . Elas os vêem como perfeitos e mesmo quando essa idéia é posta em dúvida, continuam se esforçando para acreditar que eles são modelos para o mundo.

Ao crescerem, seu círculo de conhecimentos vai aumentando enquanto a sua ingenuidade vai diminuindo e começam a admirar e querer imitar outras pessoas, como professores e amigos.

O desejo das crianças de serem amadas pelos pais, permanece por muito tempo e por isso tendem a serem “discípulos” desses até uma época além da infância. Quanto mais forte esse vínculo, menos chance terão de admirar  e imitar líderes negativos durante sua adolescência.Por isso é importante  se preocupar com a disciplina desde cedo.

Crianças tendem a querer sempre ser discípulo de seus pais, ou seja, seguir sua disciplina pessoal como exemplo, em uma admiração amorosa. Ensinar pelo exemplo  é um desafio pois exige grande dose de autocontrole e disciplina no dia a dia e em todas as áreas de nosso comportamento. Mas o resultado compensa.

É importante nos lembrarmos que mesmo que a criança ame muito e admire seus pais e os queira imitar e agradar e sempre procure agir com a disciplina imposta por eles, essa é uma tarefa difícil para alguém tão frágil.

E mais difícil será se os pais não transmitirem segurança e uma imagem clara do que eles desejam que o filho imite e aprenda.

A atitude dos pais como modelo e a compreensão pelos deslizes ocasionais dentro de um padrão de serenidade, serão muito mais atuantes na formação da criança, do que castigos, longas conversas ou reprimendas.
   

 Quem não se lembra como se sentia frustrado e humilhado quando os pais o castigavam ou forçavam a fazer  coisas absolutamente contra a sua vontade, sem nenhuma consideração?

Lembrando de nossa própria infância , teremos meios seguros de compreender  como o desejo impaciente de alguns  pais em querer moldar os filhos  é contraproducente.

O que se deve ensinar é o limite, o dever e o direito, pois assim a criança aprende que a cada ação, existe uma conseqüência. Que não significa castigo, mas uma  tomada de responsabilidade sobre seus atos. Isso é disciplinar, ensinar o autocontrole . Com o castigo não se cria autocontrole e portanto não se tem disciplina verdadeira. Disciplinado é quem age corretamente de acordo com padrões introjetados de conduta ao longo de sua vida, mesmo quando está sozinho. É a questão da ética e da moral.

Desde bebê o ser humano observa e imita o meio ambiente. Assim, a clareza naquilo que se deseja da criança é importante desde o princípio. Proibir coisas e em seguida permitir, não cria padrões sólidos de conduta e é  um comportamento que deve ser evitado a todo custo.

Crianças criadas com rotinas saudáveis, adequadas à sua idade, tendem a ser muito mais equilibradas em seu comportamento durante a adolescência.
     De modo geral, até os três anos, a criança deve ser introduzida com afetividade nas suas primeiras tarefas familiares: arrumar seus brinquedos, guardar seus pertences, treinar atos de higiene pessoal, aprender a falar com as pessoas de forma educada, respeitar as coisas dos outros, cumprir ordens dos mais velhos, etc. A responsabilidade se ensina nessa idade. E é claro que também depende do exemplo!

Com a ida à escola , novas exigências são introduzidas em suas vidas, através do contato com os professores e coleguinhas. Erram os pais que sempre dão razão aos filhos  quando estes são repreendidos na escola: as crianças sabem quando estão agindo em desacordo com a disciplina que introjetaram em sua casa e perceberão facilmente que seus pais não estão sendo coerentes e serenos em sua atitude. Além disso, se os pais o confiaram a alguém, no caso na sua professora, torna-se conflitivo para a criança que estes contradigam a autoridade dessa pessoa!

Crianças com mais de sete anos, têm condições de responderem por boa parte de seu comportamento e os pais devem com afetuosa  compreensão, procurar recordar-lhes de exemplos de atitudes que lhes foram passadas em casa. Não se trata de ser complacente , mas de não ser intransigente com a própria natureza humana.Crianças criadas com disciplina , reagem bem a esse tipo de conduta.

Saber distinguir o certo do errado significa dominar interiormente uma escala de valores , possuir a autodisciplina, que só uma educação  criteriosa e cuidada permite formar.

Se os pais tiverem comportamentos coerentes com seus ensinamentos e agirem de forma clara e serena, as crianças se sentirão com liberdade de questioná-los em relação ao que lhes parece certo e errado.

Repreender é tarefa para ser feita em um momento de calma e com serenidade. Gritos e castigos físicos não condizem com disciplina e exemplo. Esperar a hora certa é tão importante quanto encontrar as palavras certas para criticar, explicar, repreender, mostrar as conseqüências dos atos.

Críticas sempre são bem vindas quando são feitas de forma amorosa e construtiva. Quando apontam um caminho, quando acrescentam esclarecimentos. Mas para criticar é preciso também ter autodisciplina , ser um adulto bem formado e fazê-lo de modo sereno.

 

Maria Irene Maluf


Estresse adquirido durante o período pré-vestibular pode se tornar crônico

Técnicas de integração corpo e mente (Yoga, Pilates e Meditação), somadas às técnicas advindas do Coaching Ontológico são algumas opções para não deixar o estresse tomar conta da vida do vestibulando

 

A adolescência é uma fase de conflitos internos e de tomadas de decisões, entre elas, a escolha da carreira. Um importante passo é o vestibular e a jornada que precede os exames parece não ter fim. Muitas horas de estudos e a obrigatoriedade de sucesso, imposta pelos familiares e, também, pelos próprios adolescentes, podem causar o estresse pré-vestibular. Contudo, esse sintoma pode ter continuidade durante grande parte do período universitário, e a criação de hábitos comportamentais inadequados pode vir a fazer parte da personalidade do indivíduo.

Os vestibulandos enfrentam um período de alto índice de estresse, pois, geralmente, durante todo o ano do exame, dedicam mais tempo aos estudos, deixando de sair com os amigos e praticar atividades físicas. O psicofisiologista Marcello Árias Dias Danucalov explica que todas essas privações em função do vestibular podem ser em vão, caso o jovem não consiga administrar o estresse. “Manter o corpo relaxado e a mente atenta, focada, tranquila e equilibrada são os melhores remédios para que todo este empenho não ‘vá pelos ares’. O estresse destrói células responsáveis pela aquisição e recuperação de memórias. Durante períodos prolongados de estresse são liberadas várias substâncias químicas no organismo, entre elas um hormônio chamado cortisol. Este hormônio age negativamente no hipocampo, uma estrutura do cérebro que exerce papel fundamental nos processos associados à memória.”

Danucalov ressalta que estudantes nessa fase apresentam várias deficiências preocupantes no que se refere aos hábitos de atividade física, hábitos alimentares, controle de estresse e comportamentos preventivos. “Durante o estresse, o organismo automaticamente utiliza suas reservas de energia para se reequilibrar, ou seja, ocorre uma ação reparadora do organismo tentando restabelecer o seu equilíbrio interno. Nesta fase, dois sintomas aparecem de modo bastante frequente: a sensação de desgaste generalizado sem causa aparente e dificuldades com a memória. No nível fisiológico, muitas mudanças ocorrem, principalmente em termos do funcionamento de algumas glândulas endócrinas como as adrenais que produzem mais corticosteróides, hormônios que sabidamente minam nosso sistema imunológico, aumentando assim a possibilidade da pessoa adoecer”, explica Danucalov.

Outra questão ressaltada pelo psicofisiologista é que a falta de exercícios físicos regulares, somada à exposição a altos níveis de estresse, além da adoção de dietas inadequadas e de posturas corporais estáticas na maior parte do tempo, muitas vezes com atitudes somáticas incorretas, levam o corpo dos estudantes a se tornar uma fonte de tensões.

Os músculos ficam mais enrijecidos e, por consequência, mais vulneráveis às lesões, assim como as demais estruturas, criando dessa forma uma reação em cadeia indesejada, ou seja, um sério transtorno de saúde.

A probabilidade de desenvolver o estresse é maior na adolescência do que em qualquer outra faixa etária, pois essa fase é caracterizada por períodos de extrema instabilidade. Deve-se considerar que não somente o período pré-vestibular, mas também o período de transição na vida acadêmica dos estudantes pode gerar um aumento de responsabilidade, competitividade e, consequentemente, ansiedade, o que pode facilitar o aparecimento ou a continuidade do estresse. Além disso, os alunos se deparam com as incertezas naturais da escolha profissional. “Uma pesquisa com universitários relata que a depressão, o abuso de drogas e, no caso das estudantes de sexo feminino, distúrbios de alimentação são outros graves problemas demonstrados por estudantes universitários”, explica o psicofisiologista.

Existem evidências de que o estresse pode ter continuidade durante grande parte do período universitário e a criação de hábitos comportamentais inadequados pode dar início a um ciclo vicioso que terá enorme repercussão na vida do estudante. “O modelo de vida sedentário, preocupado, ansioso adotado no período pré-vestibular pode solidificar-se no comportamento do indivíduo vindo a fazer parte de sua personalidade”, esclarece Danucalov.

O vestibulando não deve deixar de lado as preocupações com as revisões de conteúdo, mas de nada adiantará todo esse esforço, se o estudante não realizar boas confraternizações com os amigos, praticar atividades físicas ou adquirir técnicas comprovadamente eficazes advindas da área da medicina comportamental. “Essas técnicas são destinadas ao gerenciamento pleno e consciente do estresse. Entre elas estão as técnicas de relaxamento muscular progressivo, o coaching, as técnicas do yoga e do Pilates, assim como as de manutenção da atenção plena, como a meditação. Tais práticas têm sido investigadas pela ciência e são comprovadamente associadas ao sucesso do vestibulando, uma vez que melhoram a concentração, o rendimento e o desempenho do candidato na hora da prova.”

 

Marcello Árias Dias Danucalov

 

 


Gerência escolar: diretor, administrador ou gestor?

 

 

 

 

A diferença entre ser diretor, administrador ou gestor escolar não está apenas no nome, mas no conceito que dá sentido a cada um dessas funções. O atual gestor já foi denominado diretor ou administrador escolar; mas em determinado momento, contudo, percebemos que tais termos não eram suficientemente rigorosos para definir as funções desse profissional. Então, hoje consideramos que o termo “gestor” seja mais adequado para definir o perfil do profissional que procuramos.

A escola historicamente estabelecida no Brasil tinha uma estrutura hierárquica verticalizada e rígida, onde o diretor usava “mão de ferro” para manter a organização instituída. Sua opinião era uma ordem e sua presença representava a emanação da autoridade do Estado. A ele cabiam todas as decisões e, por conseguinte, o destino dos colaboradores. Pautada em um currículo linear e fechado, a escola não precisava comunicar-se com seu entorno e, em uma relação assimétrica de poder, o diretor decidia os rumos cotidianos dos afazeres dos docentes, funcionários e alunos.

Uma escola tecnicista solicitava um administrador cuja competência era estabelecer metas e alcançá-las. Para isso, encaminhava os processos e fazia com que caminhassem em uma direção preestabelecida. Metaforicamente, era o profissional responsável pelo bom desempenho dos funcionários. Isso porque se cada engrenagem cumprisse seu papel, a missão da máquina administrativa estaria realizada e o administrador apresentaria resultados favoráveis a quem lhe confiara tal tarefa.

 Porém, preocupado demais com tarefas burocráticas como planilhas, cadernetas, médias, livro de ponto e múltiplos ofícios, o administrador geralmente negligenciava o trabalho pedagógico e o acompanhamento dos recursos humanos, relevando para segundo plano a tarefa de liderar uma equipe de trabalho. Os gestores, ao contrário, são capazes de compreender o complexo cenário escolar, participar dele, enxergar e projetar ações e resultados futuros. Enquanto o planejamento administrativo se faz por meio de elaboração de estratégias, os projetos dos gestores compreendem duas dimensões – uma estratégica e outra tática –, com o objetivo de favorecer o envolvimento de todos os sujeitos da escola.

Sem abrir mão de administrar, um gestor envolve-se, sobremaneira, com seus colaboradores, conseguindo, assim, resultados coletivos. Ele nunca decide sozinho, mas apresenta seu ponto de vista e aceita outras sugestões. Entretanto, suas deliberações não são apenas resultado de parecer ou consenso grupal, já que um gestor tem autonomia para agir rapidamente em determinadas circunstâncias e não tem medo de correr riscos, porque tem capacidade para justificar suas decisões.

Caracterizando-se como líder, ele tem a capacidade de construir relações. É assertivo, persuasivo, empático, democrático e flexível, estando sempre aberto a novas ideias. Não teme a perda da autoridade, pois tem convicção de que o respeito não se dá pela imposição, mas pelo reconhecimento de seus colaboradores, que seguem suas orientações não por obediência, mas porque acreditam em suas propostas e confiam em sua visão.

Neste sentido, não necessitamos mais de um diretor autoritário nem de um administrador, precisamos de gestores imbuídos de realizar o sonho possível: a construção de uma escola “instituinte”, mais próxima da vida e do tempo presente, que incorpore como autores os sujeitos que a fazem acontecer.

 

Francisca Romana Giacometti Paris 


Para ter FIES estudante não precisa estar matriculado em universidade

A decisão é do Ministério da Educação
 

Estudantes devem ficar atentos à nova comunicação do Ministério da Educação. Segundo o MEC, quem vai pedir Financiamento Estudantil, chamado de Fies, não precisa mais estar matriculado em uma instituição de ensino superior antes de solicitar inclusão no programa. A portaria foi publicada no dia 29 de julho no Diário Oficial da União.

De acordo com o MEC a norma vale a partir da mesma data da publicação. O estudante pode pedir direto no banco o financiamento. Algumas recomendações devem ser observadas, como a faculdade escolhida precisa ter nota acima de três no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, para poder participar do Fies e o programa não atende cursos a distância.

Os financiamentos atendem 50%, 75% ou até 100% do valor da mensalidade do curso. As inscrições podem ser feitas em qualquer época do ano pelo site do programa. As exigências ainda são as mesmas como, os candidatos precisam ter 60% ou mais da renda familiar mensal bruta per capita comprometida com a mensalidade para pedir 100% de financiamento. Estudantes com comprometimento de renda igual ou superior a 40% e inferior a 60% podem pedir financiamento de 75%. Já alunos com comprometimento de renda igual ou superior a 20% e inferior a 40% podem financiar 50% da mensalidade.

“Muito boa a medida do Ministério da Educação, o que torna o ensino superior acessível a mais estudantes”, diz a tutora do Portal Educação, Emileide da Costa.

A partir do primeiro semestre de 2011, será exigida a participação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para pedir o financiamento.

 

Fonte: Portal Educação


A punição sem educação

 

Em outras épocas, quando educar era construir cidadania, a falha, o erro e as atitudes erradas, especialmente numa criança, eram corrigidas com a punição da palmada. O tempo passou, a população aumentou e os costumes mudaram. E como mudaram! Porém, cada pai e cada mãe sabem muito bem educar seus filhos. O estado não precisa interferir, exceto em situações onde as crianças correm riscos. Mas isso são outros quinhentos, como diziam nossos queridos antepassados.

O foco atualmente é debater outra situação, muito comum nas cidades hoje em dia, sobretudo nas grandes cidades, como é, por exemplo, o caso de Curitiba e região metropolitana. É preciso discutir e encontrar melhores soluções para uma situação muitas vezes injusta: a indústria das multas de transito. O que se percebe nos dias atuais é uma voraz intenção premeditada de punir, punir e punir. Porém punir com a força da arrecadação. Há centenas de radares na capital paranaense com o propósito evidente de arrecadar. Isso mesmo: arrecadar. Nada de educativo. Os “entendidos” em sistema viário só enxergam os ponteiros das cifras. Não são capazes de aceitar que há situações de risco, onde muitas vezes se acelera para fugir de perigos e assaltos. Não propagam campanhas educativas em localidades vulneráveis. Não divulgam ações que possam envolver as comunidades em mutirões de aprendizado. Só querem as faturas pagas e o dinheiro em caixa.

Os “especialistas” do transito, muitas vezes com canetas pesadas, mas nenhuma experiência técnica, só elaboram as planilhas das previsões de arrecadação. Nada de prevenção. Esquecem ou fingem que não sabem que a cidade cresceu, o número de veículos muito mais ainda e que a geometria das ruas e avenidas são as mesmas.

É um fluxo exagerado em locais estáticos. Não há milagres. Faltam consciência e paciência de nossos gestores. Acham que punir com multas vai melhorar a educação no transito. Ora, ledo engano. O próprio nome já diz: educação significa educar com ação. Enquanto tivermos as intenções obscuras das vultosas quantias nos cofres, originadas pelas incontáveis multas, sobretudo em épocas de eleições, não teremos sucesso em melhorias. Se ainda persistir essa demanda maldita de recolher, vamos reagir e também formar um mutirão do esclarecimento. Vamos recolher também. Recolher informações tais como: para onde vai todo esse dinheiro originado das multas? É bem possível que uma auditoria séria nas arrecadações e circunstancias que as mesmas são elaboradas possam responder a essa e tantas outras perguntas e dúvidas. A população deve se unir sim, cobrar dos representantes o destino dessa sangrenta e contundente mania de punir pelo bolso. Educação e bom-senso são fundamentais e nós gostamos. Honestidade com o dinheiro público, mais ainda. 

 

Wilmar Marçal



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