A taxa de inadimplência subiu 5,34%
em todo ano passado, na comparação com 2010, informou a
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em conjunto. O aumento acontece
após dois anos de recuo, registrado em 2009 e 2010. Segundo o
presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, Reinaldo
Domingos o resultado não é nenhuma surpresa.
“Nos
últimos anos observamos uma grande festa do consumo, a oferta de
crédito foi muito grande e as pessoas não projetaram seus gastos
para o futuro, isso, somado com à falta de educação financeira,
faz com que o reflexo seja sentido agora com o crescimento do
número de consumidores que não conseguem arcar com seus
compromissos”, explica.
Para
agravar ainda mais a situação, os juros bancários são exorbitantes
e o educador financeiro Reinaldo Domingos diz que a grande maioria
dos brasileiros recorre a empréstimos e linhas de créditos. Mas
usar essas sem conhecer em detalhes o funcionamento do sistema, é
uma das faces do comportamento de risco financeiro mais comum na
cultura de endividamento.
Em seu
livro – Livre-se das Dívidas: como equilibrar as contas e sair da
inadimplência, Domingos faz importantes alertas para as pessoas
saberem calcular o impacto de financiamentos (cartão de crédito,
cheque especial, financiamento da casa própria, do carro, de
eletrodomésticos, entre outros) em seu orçamento, com dicas
práticas do que fazer antes de optar por uma linha de crédito e
evitar o endividamento como também orientações para quem já está
endividado.
Ciclo do endividamento
Segundo
Domingos, o ciclo do endividamento se constitui de Causas como
analfabetismo financeiro, consumismo, marketing publicitário e
crédito fácil; de Meios – cheque especial, cartão de crédito,
crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e
antecipação do IR -; e de Efeitos – problemas conjugais, problemas
de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida,
atrasos e faltas no trabalho. “Para quebrar esse ciclo é
necessário ajudar a ampliar o repertório da população sobre
finanças, de forma consistente e carregada de sentido prático,
para que assimilem, o mais cedo possível, a importância do
equilíbrio financeiro para o bem-estar individual e social”, diz o
presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira.
Em
geral, a ciranda financeira segue o seguinte compasso: se a
prestação da casa ou do carro não está cabendo no orçamento, a
pessoa passa a pagar todas as demais despesas no cartão de
crédito, imaginando que assim sobrará recurso para pagar suas
principais dívidas. Dentro de poucos meses, no entanto, já não
conseguirá quitar a fatura do cartão e passará a pagar a parcela
mínima, até que entre algum recurso extra. Mas isso não acontece e
a saída é recorrer também ao cheque especial. Chega o começo do
outro mês e a história se repete. O salário recebido é suficiente
apenas para cobrir o limite do cheque especial. Junto vem o débito
referente aos juros do período mais a parcela mínima do cartão
acompanhada de juros. Sem alternativa, deixa-se de pagar a
prestação da casa ou do carro. Quando se dá conta, a pessoa está
endividada de todos os lados, correndo o risco de ficar
inadimplente e sem linhas de crédito. Há quem provoque a própria
demissão para usar os recursos dos direitos trabalhistas para
solucionar o problema. Quando percebem que o dinheiro não é
suficiente buscam empréstimo. E assim vai até chegar ao fundo do
poço.
A
solução é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas,
separando os itens em “essenciais” e “não essenciais”, priorizando
o pagamento das essenciais para evitar o corte de serviços
indispensáveis. Deve-se também priorizar as dívidas que têm as
taxas de juros mais altas. Provavelmente serão as dos empréstimos
adquiridos junto ao sistema financeiro. Se assim for, o melhor é
procurar o gerente e pedir que junte num mesmo pacote as dívidas
de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos e
negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros
médios de 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos
juros que a pessoa pagava mensalmente. A partir desse acordo com o
banco, o devedor estará pagando não mais apenas os juros, e sim o
valor principal, fazendo com que a dívida seja efetivamente
liquidada ao longo do tempo. Se não houver possibilidade de acordo
com a instituição financeira ou se a parcela negociada não couber
no orçamento será melhor poupar para quando for procurado pelas
empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tenha
melhores condições de negociar a quitação em valores menores.
Perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra
Eu realmente preciso desse produto?
O que ele vai trazer de benefício
para a minha vida?
Se eu não comprar isso hoje, o que
acontecerá?
Estou comprando por necessidade real
ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?
Estou comprando por mim ou
influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?
Se
mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente
precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas
perguntas como:
De quanto eu disponho efetivamente
para gastar?
Tenho o dinheiro para comprar à
vista?
Precisarei comprar a prazo e pagar
juros?
Tenho o valor referente a uma
parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?
Preciso do modelo mais sofisticado,
ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha
necessidade?
Reinaldo Domingos
Pesquisa internacional The Future Family revela o impacto da crise
internacional na estrutura familiar
A crise econômica internacional
gerou um impacto significativo na estrutura familiar dos europeus
e norte-americanos – o conceito de família nuclear está sendo
substituído por famílias multigeracionais. Com a recessão, idosos
estão voltando a viver sob o mesmo teto de filhos e netos; os
jovens também estão fazendo o caminho de volta e passam a
constituir famílias que integram até quatro gerações. No Brasil, o
cenário difere: o Censo 2010 mostra que o número de pessoas que
moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma década. Essas
são algumas das conclusões da pesquisa internacional The Future
Family.
A crise
econômica mundial tem demandado uma nova organização social,
sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Em tempos economicamente
turbulentos, o conceito de família nuclear tem sido substituído
pela multigeracional; a família é vista como fonte de confiança e
resistência em tempos de recessão. Nos Estados Unidos, os membros
da geração baby boomers (nascidos entre 1946 e 1954) perderam 49%
da renda pessoal com a crise e passaram a reformular gastos como
consumo de energia e moradia. Nesse contexto, um número
significativo de idosos está voltando a viver sob o mesmo teto de
filhos e netos – tendência nomeada Boomers Boomerang. Na prática,
a família multigeracional, similar à da década de 1950, tem
melhores condições para atender os novos desafios econômicos e
socioambientais; além de auxiliar na educação de crianças e
jovens.
Esses
são alguns insights da pesquisa The Future Family, destaque do LS:N
Global (LifeStyle News Network) – portal internacional da The
Future Laboratory. No Brasil, o portal é parceiro exclusivo da
Voltage, agência produtora de insights aplicáveis ao negócio.
Segundo Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage e especialista em
tendências, em um cenário em que a expectativa de vida cresce e a
renda cai, surge a Beanpole Family: um núcleo familiar longo porém
estreito, com três ou até quatro gerações vivendo na mesma casa.
No Reino Unido, a chamada Full House Family vai crescer 32% em
2031, situação similar em países desenvolvidos. Nos Estados
Unidos, 62% dos mais de 6 milhões de lares multigeracionais
surgiram em razão do retorno de jovens que voltaram a morar com os
pais; desses, 50% do fator motivador foi o econômico.
“No
Brasil, em contrapartida, vivemos o aumento do número de pessoas
que moram sozinhas. De acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, o Censo 2010 mostra que o número de
pessoas que moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma
década”, avalia Al-Assal.
O
especialista acrescenta que há pesquisas que indicam que em 2020
haverá mais pessoas morando sozinhas no Reino Unido do que casais.
Ao mesmo tempo em que o número de famílias multigeracionais
aumenta, é maior também, na Europa e nos Estados Unidos, o número
de pessoas que moram sozinhas nas grandes cidades, o que se traduz
em uma enorme pressão sobre o espaço urbano. O fenômeno social
exige a construção espaços habitacionais menores e sustentáveis.
Em plena era da austeridade, a família do futuro precisa de um
espaço multifuncional, que acomode um novo estilo de vida.
Pesquisas indicam, por exemplo, que 32% dos norte-americanos estão
dispostos a comprar casas menores e 57% querem viver em centros
urbanos, ou seja, estão interessados em trocar os subúrbios para
reduzir as jornadas de carro no trajeto casa-trabalho.
Família conectada
A
pesquisa Future Family mostra que até 2013 haverá 1,2 bilhão de
dispositivos eletrônicos de consumo conectados em mais de 800
milhões de lares com conexões banda larga no mundo. Mais pessoas
também vão se conectar à internet a partir de dispositivos móveis.
Ou seja, as famílias e as casas estarão mais conectadas. Uma área
da cidade de Fujisawa, no Japão, dá indícios de como será a casa
do futuro. Em 2014, todas as mil casas da área serão controladas
por um software de armazenamento de energia, que irá gerenciar
bombas de calor do solo e iluminação – marcando a criação de uma
“cidade sustentável e inteligente”.
A
fronteira entre a vida profissional e familiar está cada vez mais
estreita; cerca de 80% dos europeus já utilizam tecnologias para
trabalhar on-line nas residências, inclusive na sala de estar,
enquanto participam de atividades familiares; 40% o fazem da
cozinha. O relatório de tendências mostra que no futuro haverá um
serviço de saúde pessoal; sensores no lar vão coletar e analisar
dados importantes para gerir, em casa, a saúde das pessoas. Com um
sistema de vídeo link será possível conectar médicos e enfermeiros
a partir da casa.
De
acordo com Paulo Al-Assal, a pesquisa mostra que a mistura de
mudanças tecnológicas, comportamentais e econômicas está fazendo
com que a sociedade europeia e norte-americana regresse ao
conceito de família. “A recessão fez com que as pessoas
iniciassem uma reavaliação do que realmente importa – o que fez
com que a família passasse a ser associada a uma fonte de
confiança e resistência em tempos econômicos turbulentos”, analisa
o especialista.
Brasileiro deve gastar em média R$ 670 com vestuário em 2012
De acordo com o Pyxis Consumo, ferramenta de potencial de mercado
do IBOPE Inteligência, o varejo de vestuário deve movimentar R$
109 bilhões neste ano
No dia em que teve início a mais
importante semana de moda da América Latina, a São Paulo Fashion
Week, estimativas do Pyxis Consumo, ferramenta de dimensionamento
de mercado do IBOPE Inteligência, apontaram que cada brasileiro
deve gastar neste ano, em média, R$ 670 com vestuário. O valor é
superior ao estimado em 2011, quando a média nacional foi de R$
583.
De
acordo com o estudo, a região Sul é a que possui maior expectativa
per capita, com R$ 791, seguida da região Centro-Oeste, com R$
740, e da região Sudeste, com R$ 729.
Potencial anual de consumo para vestuário por região
Região
Potencial de Consumo
(R$ bilhões)
% Potencial de Consumo
Consumo per Capita
R$/hab por ano
Norte
7,07
6,46
590,71
Nordeste
19,17
17,54
487,29
Sudeste
55,06
50,36
729,15
Sul
18,58
16,99
791,56
Centro oeste
9,45
8,64
740,29
Brasil
109,33
100
670,49
Fonte: Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência
Potencial de consumo por classe
Assim
como em 2011, a classe B deverá ser responsável pela maior parcela
deste consumo, com 42% do potencial, seguida pela classe C, com
38%. Em reais, essas duas classes somarão R$ 88 bilhões, de um
total de R$ 109 bilhões estimados para o ano, 15,7% superior aos
R$ 76 bilhões de 2011. A classe A deverá representar 12%, com
potencial de consumo de R$ 13 bilhões, pouco acima dos R$ 12
bilhões do ano passado. As
classes
D e E compõem o menor grupo de consumo para varejo de moda. O
volume deste grupo em 2012 deverá ficar em torno de 6%, atingindo
R$ 7 bilhões, pequena variação sobre os R$ 6,6 bilhões do ano
anterior.
Potencial anual de consumo para vestuário por classe
Classe
Número de Domicílios em Área
Urbana
% Domicílios
Potencial de Consumo
(R$ bilhões)
% Potencial de Consumo
A
1.302.104
2,60
13,72
12,56
B
12.241.526
24,45
46,46
42,50
C
26.226.711
52,38
41,98
38,40
DE
10.303.006
20,58
7,15
6,54
Brasil
50.073.977
100
109,33
100
Fonte:
Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência
Potencial de consumo por região/classe
Na
análise de poder de consumo por região/classe social, o Sudeste
deverá concentrar o maior potencial em todas as classes. Assim
como na análise geral, o destaque fica para a classe B, com R$ 26
bilhões, seguida pela classe C, com R$ 19 bilhões. Os índices mais
baixos serão notados na região Norte, onde a soma de todas as
classes deverá atingir apenas R$ 7 bilhões.
Potencial de Consumo por Classe e por Região
Classe
Sul
(R$ bilhões)
Sudeste
(R$ bilhões)
Nordeste
(R$ bilhões)
Norte
(R$ bilhões)
Centro Oeste
(R$ bilhões)
A
2,47
7,17
1,90
0,63
1,54
B
7,99
26,03
6,08
2,50
3,88
C
7,03
19,91
8,46
3,10
3,48
DE
1,09
1,95
2,73
0,84
0,53
Total
18,58
55,06
19,17
7,07
9,45
Fonte:
Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência
IPI sustentável
Sondagens nos setores produtivos
brasileiros demonstram que há um recuo da atividade industrial e
que a utilização da capacidade instalada encontra-se abaixo do
padrão, principalmente quando comparada a 2010. Várias análises
convergem para os entendimentos de que uma nova onda de crise
financeira mundial está interferindo no nosso crescimento.
O
Governo Federal aparenta estar atento a essa conjuntura e aumenta
o discurso de medidas anticíclicas, aptas a evitar perigo maior de
contágio. Os discursos alardeiam medidas cambiais, produtivas etc.
Neste momento, surgem novamente indícios de que serão anunciadas
novas políticas tributárias direcionadas ao incentivo na venda de
veículos novos. Até sob a égide de um denominado programa de
investimento e tecnologia está para ser constituído regime
automotivo visando ao aumento da competitividade do setor.
Anteriormente, houve a decisão do governo de prorrogar a redução
da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
incidente sobre os carros “flex” e caminhões zero quilômetros,
trazendo importantes indicações sobre a agenda ambiental e
tecnológica. Esta aponta para uma aceitação comum, sobretudo em
meio aos debates sobre a aprovação do novo Código Florestal. Um
dos vieses desse incentivo tem como escopo o desenvolvimento de
tecnologia para que os novos veículos reduzam a emissão de gases
poluentes e de efeito estufa, o vilão do aquecimento global.
Sob
esse aspecto, seria altamente viável uma complementação desse novo
incentivo, prestes a ser lançado, com inclusão de mecanismos mais
eficazes para a renovação da frota, não só neste momento, mas
sobretudo, em caráter permanente. Uma das sugestões é que se crie
uma diferenciação de alíquotas para os veículos zero quilômetro
com vida útil determinada desde a produção.
Por exemplo, na compra
de um carro novo – ou caminhão –, o comprador escolheria o modelo
de tributação desse veículo. No caso do automóvel de passeio, a
escolha dar-se-ia entre tributação menor, desde que esse veículo
não pudesse ser licenciado após dez anos do primeiro
licenciamento.
Caso o
comprador opte pelo direito de licenciar indefinidamente, a
alíquota dos tributos seria aquela do patamar original, sem os
incentivos. Ao final dos dez anos, o proprietário atual do carro
“incentivado” deverá entregá-lo em um dos postos de coleta, para
desmonte e reciclagem.
Juridicamente não implicaria qualquer prejuízo, já que o comprador
fez a opção consciente de aquisição desse carro. No mercado haverá
grande quantidade de veículos que não receberam o incentivo e que
poderão naturalmente ser comercializados. Os enormes ganhos
dar-se-iam em várias esferas, sobretudo na ambiental, já que é
cada vez mais evidente o desenvolvimento tecnológico dos novos
veículos e a retirada dos antigos promoveria o consequente
resultado de se manter uma frota mais moderna, com menores índices
de emissão de gases.
Para a
indústria automotiva, uma das mais importantes, significaria desde
a geração de empregos, quanto a necessidade de atuar mais
fortemente na questão da preservação ambiental. Além disso, é
fácil imaginar o fomento para o desenvolvimento maior da indústria
de reciclagem no País, muito importante nesse momento em que
sempre vem à tona a limitação da exploração de recursos naturais.
Até mesmo deve-se levar em conta a economia em um dos maiores
insumos para toda a cadeia produtiva do setor, que é a energia
elétrica.
Já que
o debate está colocado e o próprio ministro Mantega disse que
haverá diminuição da alíquota de IPI para automóveis em 2013, é
oportuno que se planejem meios sustentáveis, perenes e capazes de
colocar a indústria automobilística como protagonista de uma nova
maneira de pensar “verde”, ao mesmo tempo em que se permite uma
enorme onda nova de consumo, com manutenção de emprego e renda em
toda a cadeia produtiva e renovação da frota.
Ou
seja, vê-se que a decisão do governo é importante nesse momento,
mas poderá ser melhorada com mais mecanismos de incentivo e
pressão para que a questão da sustentabilidade tenha seu peso
maior reconhecido, com expressivos modelos de maior aproveitamento
da combustão; diminuição da intensidade energética; maior
capacidade de rodar, na equação quilômetros por litro; e incentivo
para ganho de escala na produção de veículos abastecidos por
combustíveis renováveis eagroenergia.
Antonio Carlos Porto Araujo
Baixo crescimento econômico no Brasil trará reflexos negativos em
2012
Crise de 2008 continua cobrando seu preço nos EUA e países da
Europa
A crise da dívida nos países da zona
do euro tem gerado uma série de dúvidas sobre o futuro das
economias desenvolvidas. Até mesmo a existência do projeto da
moeda única europeia foi colocado em xeque. Mas há outros fatores
– econômicos e políticos – que devem colocar o Brasil em estado de
atenção. Por exemplo, um novo conflito armado no Oriente Médio,
que terá efeitos sobre a cotação do barril de petróleo, e a
instabilidade política em alguns países latino-americanos. A
edição de janeiro da revista AméricaEconomia, da Spring Editora,
mostra quais serão os efeitos mais temidos pela economia
brasileira em 2012.
No
Brasil, as políticas econômicas deram uma robustez interna que
permitiu que o país saísse relativamente ileso da crise de 2008.
Mas a trajetória de alta da inflação reduziu as exportações de
commodities e deteriorou as condições de comércio exterior para as
empresas nacionais.
Aqui no
Brasil, alguns setores, como o têxtil, sentiram com mais força a
pressão das importações, que acirram ainda mais a concorrência no
mercado interno. Esse desequilíbrio anulou as negociações feitas
pelo Brasil em fóruns como a OMC (Organização Mundial do Comércio)
para proteger sua indústria com tarifas de importação. Um estudo
feito pelo Cemap (Centro de Macroeconomia Aplicada) mostrou que a
valorização do real acaba tornando essas tarifas negativas, ao
mesmo tempo em que dificulta a entrada de produtos brasileiros em
mercados cujas moedas estejam desvalorizadas, como a dos EUA e da
China, por exemplo.
Na
América Latina, existe a preocupação de que seus aspectos
negativos se combinem com problemas políticos decorrentes de um
eventual processo de sucessão do presidente da Venezuela, Hugo
Chávez. Além de uma possível recessão mundial, que reduzirá a
aquisição das commodities exportadas por diversos países da
região.
O Fisco e a tecnologia
A
evolução das tecnologias da informação e da comunicação é uma das
principais armas que os Fiscos de todo o mundo contam para
combater a sonegação de impostos pelas pessoas ou empresas. O uso
de ferramentas de alta performance permite às autoridades fiscais
realizar cruzamentos de dados e de informações para apurar
eventuais inconsistências nas prestações de contas feitas pelos
contribuintes.
É
interessante perceber que vivemos atualmente um verdadeiro “Big
Brother Fiscal”, pois o Fisco está muito à frente da maioria das
empresas no que se refere ao uso das tecnologias para assegurar
que os contribuintes estão pagando corretamente os tributos a que
são sujeitos.
No
Brasil, a Receita Federal conta hoje com um supercomputador
apelidado de “T-Rex” – em referência ao temido Tiranossauro Rex,
que imperou entre os dinossauros no período Cretáceo – e um
software de inteligência denominado “Harpia” – uma das maiores e
mais eficientes aves caçadoras de nossa fauna – capazes de
realizar em segundos milhões de cruzamentos de informações para
apurar eventuais inconsistências fiscais.
O
equipamento auxilia os agentes fiscais a analisar as cada vez mais
disponíveis e instantâneas informações sobre a vida financeira dos
contribuintes, especialmente a partir da instituição do SPED
(Sistema Público de Escrituração Digital), composto pelos módulos
ECD (Escrituração Contábil Digital), EFD (Escrituração Fiscal
Digital) e NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) em âmbito nacional, que
passou a exigir que as informações contábeis e fiscais sejam
fornecidas à Receita Federal por meio de padrões pré-determinados,
formando um único ambiente virtual.
Ademais, há atualmente uma integração muito maior entre as
administrações tributárias nas três esferas governamentais
(federal, estadual e municipal), além de parcerias com
instituições como CVM, SUSEP e outros órgãos públicos.
Diante
dessas circunstâncias, é imperioso que as empresas tenham uma
gestão tributária adequada para evitar problemas causados por
divergências de informações em relação às bases de dados das
autoridades fiscais municipais, estaduais e federais. Qualquer
inconsistência apurada pode redundar em autuação. Em muitos casos,
dependendo da gravidade do ato fiscal que gerou a autuação e do
valor da penalização, uma empresa pode até ser inviabilizada
financeiramente. Sem essa gestão adequada, as empresas estão
expostas a riscos tributários muito importantes, que devem ser
avaliados e ponderados.
Para
evitar essa delicada exposição a riscos, as companhias necessitam
contar com o apoio de técnicos e especialistas que dominem as
normas, regras e leis que estabelecem os princípios tributários
nas três esferas de governo, e, ainda, com recursos tecnológicos
que dêem suporte à equilibrada gestão fiscal das empresas. O ideal
é que os gestores disponham de soluções tecnológicas customizadas
para atender as características de negócio e as especificidades de
cada empresa.
O
desenvolvimento e a utilização de sistemas integrados de gestão
empresarial de tributos são considerados hoje como elementos
essenciais à boa governança das corporações. Contar com esse tipo
de ferramenta que contribui para reduzir a exposição aos chamados
riscos fiscais é um fator extremamente valorizado pelo mercado,
melhorando, inclusive, a percepção e a avaliação positivas da
instituição. Investir em controles e na redução da exposição a
riscos é sempre uma atitude sábia, que pode evitar perdas muitas
vezes irreversíveis.
Cecilio Schiguematu
Perspectivas 2012
Em 2012 a economia européia deverá declinar.
Mas a notícia de destaque é que a
economia dos Estados Unidos deve desempenhar um papel de liderança
na condução do ciclo de crescimento global. Com isso o Tio Sam
deve reverter os cenários de desconfianças atuais e chamar a
atenção do mundo de forma positiva.
O PIB
dos Americanos deve ter um aumento de 3% - um ponto percentual
acima das estimativas de consenso, impulsionado por uma
recuperação no setor da construção, assim como por despesas de
capital e de consumo.
Já na
Europa a situação é mais delicada. A recessão branda é quase
inevitável e, diante deste cenário, os políticos concentraram seus
esforços para que suas ações não tenham resultados ainda piores.
Os
asiáticos terão posições um pouco diferentes. O Japão deve
continuar seu sólido crescimento liderado pela reconstrução em
2012. Os chineses, por sua vez, estão se organizando para reduzir
as taxas de empréstimo.
Em
relação ao Brasil o Great Group acredita que, apesar dos
indicadores manterem a posição de crescimento próxima ao nível de
2011, o próximo ano será de grandes negócios e oportunidades.
Por
isso, em 2012 será necessário desafiar os pensamentos
“commodities” para que cada empresa crie seu “oceano azul”.
“GREAT
GROUP transformando cenários incertos em oportunidades reais”
Julio Amorim
6 dicas para se planejar melhor em 2012
Final de ano é época de checar metas
e planejar mudanças para o próximo ano. Entretanto, em meio a
tantas promessas e expectativas para o novo período, é comum as
pessoas se perderem em seus planejamentos. Foco, atenção e
disposição para buscar as metas são vitais para a realização dos
objetivos traçados. Especialistas elencam seis dicas que podem
fazer a diferença nas suas resoluções de 2012:
Ter o
próprio negócio: antes de pensar em abrir seu próprio negócio é
preciso estudar as possibilidades do mercado, ou, então, fazer uma
avaliação profissional para identificar o melhor negócio ao seu
perfil. “No processo de escolha do conceito certo, é importante
analisar muitos aspectos além dos números. É fundamental que o
processo se inicie pela avaliação minuciosa do perfil do
empreendedor, como, por exemplo, suas habilidades e gostos
pessoais, o tempo e o capital que pretende investir no negócio,
entre vários outros detalhes”, explica Batista Gigliotti,
presidente da Fran Systems, consultoria em desenvolvimento de
negócios e de franquias;
Higienizar o automóvel valoriza o bem: Ariangelo Fonseca,
franqueador da Station Car, que realiza serviços voltados à
conservação e estética automotiva, afirma que “muitas pessoas só
optam por fazer uma higienização em seus veículos após constatar
que o banco está sujo ou algumas peças internas estão ficando
amareladas. Isso, além de desvalorizar o automóvel, pode
prejudicar sua saúde e a dos passageiros que você transporta”;
Nunca é
tarde para se atualizar: em 2012 serão 98 milhões de PCs no
Brasil, um para cada dois habitantes. A presença cada vez maior
dessa ferramenta em nosso dia a dia impulsiona muita gente a
buscar conhecimento para lidar com ela. Na Easycomp Plus, por
exemplo, é grande o número de idosos que procuram cursos para
aprender a usar programas como Power Point e MSN. “Eles querem
aprender a usar a internet e o MSN para estar em contato com os
netos e outros familiares; e o Power Point para montar
apresentações. A iniciativa dos mais velhos em procurar
familiarização com esses programas muito utilizados no mercado de
trabalho é um exemplo para todos”, afirma Jacques Grinberg,
diretor executivo da rede;
Customizar a residência: na hora de escolher um imóvel, muitas
coisas são levadas em conta. Porém, um elemento que pode parecer
simples, mas faz toda a diferença é a esquadria. Apesar de
representarem, em média, 5 a 8% do custo da obra, elas têm papel
importante no sentido de oferecer conforto e redução do consumo de
energia, já que ajudam na iluminação do ambiente. Uma boa
alternativa é escolher produtos customizados para cada ambiente.
“Com peças personalizadas, é possível atender necessidades
funcionais, encontrar soluções de acordo com a localização do
imóvel, amenizar o calor ou ampliar a incidência de luz em cada
cômodo”, analisa Adnei Fernandes, diretor administrativo da Epros;
Atenção
às exigências do mercado de trabalho: quem deseja realmente se
destacar no mundo profissional deverá saber pelo menos um terceiro
idioma. Isso se torna mais urgente quando se pensa na concorrência
com profissionais estrangeiros dentro do Brasil. Depois do inglês,
o espanhol é o idioma mais pedido pelo mercado por ser a língua
dos países da América Latina, dos quais o Brasil possui muitos
negócios. “No segundo semestre deste ano a inFlux percebeu um
aumento de 25% nas matrículas para os cursos de inglês e
espanhol”, afirma Ricardo Leal, diretor presidente da rede;
Comprar
ou alugar um imóvel?: “na hora de decidir entre compra e locação,
o preço atual dos aluguéis podem ser um impulso para a compra”,
destaca Francisco Diogo Magnani, presidente da MZM Construtora.
Pensando em uma família jovem de classe média em busca da primeira
casa, podemos pensar em um apartamento de 49 m² para fazer uma
comparação entre o preço do aluguel no bairro da Ponte Rasa (Zona
Leste/São Paulo) e o valor de um imóvel novo no centro de São
Bernardo do Campo, com parcelas decrescentes de financiamento:
Bairro/
Cidade
Caracte-
rísticas
Preço
(valor
médio)
Conquista
Anchieta (Centro/São Bernardo do Campo)
Próxima a rodovia
Anchieta, Hospital Anchieta, a prefeitura de São Bernardo do
Campo e ao Parque Regional e Jardim Botânico do Pedroso (Santo
André)
Banco: Caixa
Econômica Federal – Sistema SAC
Valor do Imóvel: R$ 180 mil
Valor Financiado: R$130 mil
Renda Mínima: R$ 5.500,00
Prazo: 360 meses
Valor da 1ª prestação: R$ 1.405,00
Valor da Última Prestação: R$388,00
Taxa de Juros: 9,5%
Ponte Rasa (Zona
Leste/São Paulo)
Próximo a praças
e à estrada de Mogi das Cruzes
R$ 663.95
(aluguel)
Brasil inflado
A inflação medida pelo Banco Central
(BACEN) ficou dentro do teto de 6,5% ao ano, ou seja, dois pontos
percentuais acima do centro da meta inicialmente estabelecida. Com
isso, atingiu patamares superiores ao que ocorreu sete anos atrás
e teve como justificativa a situação dos países que fazem parte do
euro e os Estados Unidos, em virtude de sua recessão.
A
dúvida sobre a qual muitos no mercado devem estar perguntando é
que o valor ficou muito justo àproposta fixada pelo Banco Central,
o que gera questionamentos sobre se realmente foi esse ou se houve
algum ajuste para adequação das taxas.
O
grande problema é 2012. A situação no mercado internacional é bem
complexa: eleições nos Estados Unidos; suspeita de um calote
grego; possibilidade da nota da França ser rebaixada, sendo que o
mercado já considera virtualmente passe para triplo B; dúvidas da
manutenção do euro como moeda europeia; redução do crescimento do
PIB chinês; e a crise provocada pelo Irã relacionada à exploração
do urânioenriquecido. Todos esses fatores são críticos e, com
certeza, poderão mudar o cenário econômico nacional.
A
previsão da inflação para 2012, de acordo com o BACEN, é de 4,7%,
considerando previsões otimistas, mas que poderá atingir pelas
premissas de meta máxima 6,7%. Em 2010 tivemosvários cenários que
fizeram com que nossa economia se mantivesse em patamares
controláveis e que não tivéssemos prejuízos ao atingir as metas
fiscais preestabelecidas, como superávit primário; superávit da
balança comercial; empregabilidade em alta; estimulo do governo a
alguns setores com redução do impacto tributário; excesso de
arrecadação; redução da taxa de financiamento da dívida interna
através da Selic, que estava em 11% ao ano, mas chegou em agosto
de 2011 a atingir 12,5% ao ano.
O
fundamental para 2012 é a redução da taxa Selic, para que os
patamares sejam mais justos, ficando próxima ou inferior a 9,5% ao
ano – que ainda é uma taxa de juros real muito alta, considerando
um ganho real próximo a 2,8%. Além disso, é necessária a redução
gradativa da inflação com estímulo à produção e ao consumo, de
maneira sustentável, aliada à empregabilidade e administração do
câmbio, o que não permitirá excesso de exportação de produtos de
comoditties, gerando, caso contrário, desabastecimento no País com
aumento da inflação.
Reginaldo Gonçalves
Nova tabela de salário-de-contribuição de segurados do INSS
A advogada do Cenofisco, Andreia Tassiane Antonacci, explica que
salário-de-benefício e salário-de-contribuição não poderão ser
inferiores a R$ 622, nem superiores a R$ 3.916,20
No ultimo dia 9 de janeiro, foi
divulgada no Diário Oficial da União a tabela de
salários-de-contribuição dos segurados empregado, empregado
doméstico e trabalhador avulso para fatos geradores que ocorrerem
a partir de janeiro de 2012. A Portaria Interministerial MPS/MF nº
2 também reajustou os benefícios mantidos pela Previdência Social
em 6,08% e definiu o valor da cota do salário família.
De
acordo com a advogada trabalhista do Cenofisco – Centro de
Orientação Fiscal, Andreia Tassiane Antonacci, para os benefícios
que foram majorados por força da elevação do salário mínimo para
R$ 622, o referido aumento será descontado da aplicação do
reajuste. “A Portaria define que a partir de 1º de janeiro de 2012
o salário-de-benefício e o salário-de-contribuição não poderão ser
inferiores a R$ 622, nem superiores a R$ 3.916,20. Os benefícios
de prestação continuada pagos pelo INSS correspondentes a
aposentadorias, auxílio-doença, auxílio-reclusão, pensão por
morte; de aposentadoria dos aeronautas; e de pensão especial para
vítimas da síndrome da talidomida também não serão inferiores ao
valor do salário mínimo”, explica.
A
especialista comenta ainda que o valor da cota do salário-família
por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 anos de
idade, ou inválido de qualquer idade é de R$ 31,22 para o segurado
com remuneração mensal não superior a R$ 608,80; e R$ 22,00 para o
segurado com remuneração mensal superior a R$ 608,80 e igual ou
inferior a R$ 915,05. “O direito à cota do salário-família é
definido em razão da remuneração que seria devida ao empregado no
mês, independentemente do número de dias efetivamente trabalhados.
Todas as importâncias que integram o salário-de-contribuição serão
consideradas como parte integrante da remuneração do mês, exceto o
décimo terceiro salário e o adicional de férias”, afirma,
salientando que a cota do salário família é devida
proporcionalmente aos dias trabalhados nos meses de admissão e
demissão do empregado.
A
contribuição dos segurados empregados, inclusive o doméstico e do
trabalhador avulso, relativamente aos fatos geradores que
ocorrerem a partir da competência janeiro de 2012, será calculada
mediante a aplicação da correspondente alíquota, de forma não
cumulativa, sobre o salário-de-contribuição mensal, de acordo com
a tabela abaixo:
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
(R$)
ALÍQUOTA PARA FINS DE RECOLHIMENTO
AO INSS
até 1.174,86
8%
de 1.174,87 até 1.958,10
9%
de 1.958,11 até 3.916,20
11%
O Fisco está sempre ao seu lado!
É verdade, o fisco atualmente esta
sempre ao seu lado, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A
inteligência fiscal ou se preferir, tecnologia aplicada ao fisco
esta em ação. Os controles que todas as esferas (Federal, Estadual
e Municipal) possuem, permite o monitoramento dos contribuintes
pessoas físicas e jurídicas praticamente de forma on-line. É um
verdadeiro exército eletrônico: EFD, ECD, EFD Pis/Cofins, NF-e,
CT-e, TF-e, Sintegra, DCTF, DIRF, DIPJ, DASN, DOI, etc. Tudo isso
para a coleta de informações das operações entre os contribuintes
e reduzir a sonegação fiscal. Hoje é praticamente impossível fazer
uma operação que envolva recursos financeiros sem que o fisco
esteja com seu “olho” eletrônico atento. De uma compra de imóvel
até a compra de um simples lápis, nada passa despercebido a
inteligência fiscal.
Um
grande exemplo de controle eletrônico, que já existe em vários
Municípios do país é a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica, ou se
preferir NFS-e. Trata-se de um sistema, acessado via WEB,
desenvolvido pelas Prefeituras ou empresas privadas, onde o
contribuinte prestador de serviços deve emitir suas notas fiscais
por ele. Cabe informar que o sistema é 100% controlado pela
Prefeitura, já que o acesso é feito diretamente aos bancos de
dados nos servidores dela. No caso, o fisco Municipal, tem, em
tempo real, todas as informações do serviço prestado, dados
completos do cliente (tomador dos serviços), valor do imposto
devido e data. Antes de a empresa calcular o seu ISS a Prefeitura
já sabe quanto ela deve. É uma realidade ao estilo “Jornada nas
Estrelas”, futurista, porém real.
Aí nos
perguntamos, será que vai pegar? Sem dúvida alguma que sim. O
sistema da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica permite a Prefeitura
colocar toda a população como verdadeiros fiscais da emissão das
notas, isto porque, toda vez que uma pessoas física adquire um
serviço, pode informar seu CPF e muitas prefeituras dão benefícios
ao contribuinte, como: crédito no IPTU do seu imóvel e sorteios de
brindes. Será uma verdadeira caça às notas fiscais. Quem não quer
pagar menos no valor do IPTU ou ganhar um belo presente? Podemos
então ver um simples “ticket” de estacionamento do shopping (é um
serviço), virar desconto no IPTU. No início é tudo novo, mas com o
passar do tempo, irá integrar a nossa cultura o pedido da nota
fiscal para termos, ao menos, um pequeno retorno sobre os altos
impostos que pagamos.
Se você
é empresário, prepare-se, pois serão “contratados” milhões de
pessoas para fiscais da Prefeitura. Se você é consumidor,
parabéns, você acaba de ganhar um novo “emprego”!
Helio Donin Jr.
Mesmo com nova lei, consumidor deve guardar recibos de contas Norma
que obriga empresas a enviar recibos de quitação de débito "ainda
não pegou"
No próximo mês de maio, a lei
12.007/2009, que estabeleceu o envio do recibo anual de quitação
de débitos por parte das prestadoras de serviços públicos e
privados, completará dois anos em vigor. Mesmo assim, são poucos
ainda os consumidores que receberam os recibos referentes aos
pagamentos efetuados nos anos de 2009 e 2010, de acordo com
associações de defesa dos direitos do consumidor.
Recorrer à empresa, ao Procon ou até mesmo à Justiça para receber
o comprovante de quitação são alternativas para o usuário dos
serviços, segundo especialistas. Na avaliação do advogado Antônio
Laért, presidente da comissão de Defesa do Consumidor do Instituto
dos Advogados Brasileiros (IAB), a nova lei “ainda não pegou”:
— Ao não cumprir a lei, as empresas
estão atentando contra o direito do consumidor. O fato é que, por
ser recente, ela ainda não pegou, não se criou um caldo de cultura
em torno dessa nova lei — diz o advogado.
O
descumprimento da lei pelas empresas impede muita gente de cumprir
uma das primeiras metas de cada Ano Novo: descartar pilhas de
papéis antigos. Sem o recibo de quitação dos débitos, o melhor a
fazer é continuar guardando as faturas mensais pagas. Segundo o
Procon-SP, para fazer valer seus direitos o consumidor deve ter
sempre à mão documentos que comprovem a relação de consumo, como
contas, recibos e notas fiscais, entre outros. No entanto, a lei
sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009,
tirou do consumidor o ônus de apresentar a comprovação de
quitação, caso haja dúvida quanto ao pagamento:
— O consumidor pode recorrer à
empresa e pedir o recibo ou até mesmo fazer o pedido em juízo,
caso tenha pago a conta e haja dúvida sobre o pagamento. É a
empresa quem terá de apresentar o comprovante, já que a lei
transferiu às empresas o ônus da guarda desses documentos —
explica Laért.
O
Procon-SP lembra que, de acordo com a legislação federal, somente
terão direito à declaração de quitação anual os consumidores em
dia com todas as parcelas ou mensalidades do ano anterior. Caso
algum débito seja objeto de contestação judicial, o consumidor
terá direito à declaração de quitação apenas dos meses não
questionados. Se o consumidor não tiver utilizado os serviços
durante todos os meses do ano anterior, terá direito ao documento
de quitação dos meses em que houve faturamento dos débitos.
O termo
de quitação anual reduz a quantidade da papelada, mas não a
necessidade de arquivo desses documentos. Confira os diferentes
prazos de conservação dos recibos para não ter dor de cabeça:
Prazos
de conservação do recibo de quitação anual: água, energia,
telefone e demais contas de serviços essenciais devem ser
conservadas por cinco anos
Condomínio: declarações de quitação do pagamento do condomínio não
devem ser inutilizadas durante todo o período em que o morador
estiver no imóvel
Consórcio: declarações devem ser guardadas até o encerramento das
operações financeiras do grupo
Seguro:
proposta, apólice e as declarações de pagamento devem ser
guardadas por mais um ano após o tempo em que ele estiver
vigorando
Convênio médico: proposta, contrato e a(s) declaração(s)
referente(s) a, no mínimo, os 12 meses anteriores ao último
reajuste devem ser guardados por todo o período de contratação
Mensalidade escolar: declarações e contrato devem ser guardados
pelo período de cinco anos
Cursos
livres: declarações e contrato devem ser guardados pelo período de
cinco anos
Cartão
de crédito: declarações devem ser conservadas pelo período de um
ano
Aluguel: o locatário deve guardar o contrato e as declarações até
sua desocupação e consequente recebimento do termo de entrega de
chaves, por três anos, desde que não haja qualquer pendência
(somente para casos onde haja uma efetiva relação de consumo –
contratos entre particulares são de natureza jurídica
diferente)Prazos de conservação de outros documentos:
Compra
de imóvel: a proposta, o contrato e todos os comprovantes de
pagamento devem ser conservados pelo comprador até a lavratura e
registro imobiliário da escritura (somente para casos onde haja
uma efetiva relação de consumo – contratos entre particulares são
de natureza jurídica diferente)
Notas
fiscais: as notas fiscais de compra de produtos e serviços
duráveis devem ser guardadas pelo prazo da vida útil do
produto/serviço, a contar da aquisição do bem, uma vez que, mesmo
após o término da garantia contratual, ainda há possibilidade de
aparecerem "vícios ocultos" (defeitos)
Certificados de garantia: a guarda deve seguir a mesma regra das
notas fiscais
Contratos: precisam ser conservados até que o vínculo entre as
partes seja desfeito e, em se tratando de financiamento, até que
todas as parcelas estejam quitadas e o bem, desalienado.
Fonte: O Globo
Aquilo que nos devora
Em 12 meses até novembro, R$ 137,6
bilhões em receitas fiscais foram desviados de projetos prementes
na área social e de infraestrutura e canalizados ao pagamento de
juros da dívida pública brasileira. O valor equivale a 3,34% do
PIB previsto para 2011. Não é tudo; a despesa efetiva com os
rentistas é bem maior.
A
economia feita pelas três esferas de governo até agora, mais as
estatais, cobre apenas uma parte do serviço devido, da ordem de R$
240 bilhões este ano, sendo o restante incorporado ao saldo
principal, elevando-o. Em 2011, essa 'capitalização' (deles)
acrescentará R$ 110 bilhões à dívida, totalizando o equivalente a
5,6% do PIB em juros.
A
sangria se consuma no orçamento federal que em 2012 destinará
47,2% do total, ou seja, mais de R$ 1 trilhão, ao pagamento de
juros e amortizações da dívida pública. Consolida-se assim um caso
clássico de captura do Estado pela lógica da servidão rentista na
qual quanto mais se paga, mais se deve.
Em
dezembro de 2009 a dívida interna pública era de R$ 1,39 trilhão;
em dezembro de 2010 havia saltado para R$ 1,6 trilhão; em 2011
deve passar de R$ 1,7 trilhão. De janeiro a novembro ela cresceu
R$ 148,67 bilhões. O valor é R$ 53,5 bilhões superior ao total dos
investimentos realizados no período pela União e o conjunto das 73
estatais brasileiras, que caíram 3,2% em relação a 2010.
É
tristemente forçoso lembrar que enquanto a despesa com os
rentistas esfarela 5,6% do PIB em juros, o orçamento federal para
a saúde em 2012 será da ordem de R$ 90 bilhões (uns 3,5% do PIB);
o SUS terá R$ 80 bilhões para atender 146 milhões de pessoas.
E o
valor aplicado numa área crucial como a educação gira em torno de
3% (NR: 3% do orçamento federal para 2012; somadas as tres
esferas, municipal, estadual e federal, chega a 5% do PIB).
Discute-se se há 'margem' fiscal para elevar isso a 7% ou 8% --em
uma década. Os movimentos sociais e a UNE defendem 10% do PIB.
Visto à
distancia, o naufrágio europeu permite enxergar melhor o absurdo
que consiste em colocar o Estado e a sociedade a serviço das
finanças e não o contrário. Sem uma política corajosa de corte na
ração rentista o Brasil cruzará décadas apagando incêndios no
combate à pobreza e a miséria que enredam a vida de 27% da
população e às deficiências de infraestrutura social e logística.
É melhor que a regressividade demotucana. Mas insuficiente para
embalar a travessia histórica da injustiça e do subdesenvolvido
para uma Nação rica, compartilhada por todos.
Era digital: os benefícios e desafios das novidades tecnológicas
para o mercado tributário
As constantes evoluções da
tecnologia impactam positivamente no segmento de tributação. A
própria Receita Federal tem iniciativas que alinham o crescimento
do setor com as novidades tecnológicas, como no caso do projeto
SPED, Sistema Público de Escrituração Digital. Hoje, já existem as
Escriturações Contábil, Fiscal e Nota Fiscal Eletrônica. Outras
declarações serão inseridas dentro do SPED, como o PIS e Cofins, a
partir do início de 2012, já o e-Lalur e o e-Social, estão em
andamento.
Como em
qualquer processo novo, esta ferramenta pode ser melhorada, tanto
na geração quanto na utilização das informações. O Brasil está no
caminho certo. O que a RFB não pode deixar de lado é a preocupação
de criar condições para o sistema proporcionar cada vez mais
rapidez, confiabilidade e disponibilidade na alimentação e
consulta dos dados. Outra questão que merece atenção é o hardware
necessário para “aguentar” toda a demanda gerada, porque algumas
empresas estão com dificuldades com o tempo das respostas,
principalmente nos períodos de picos.
Até o
momento, a era digital já permite a proximidade entre as empresas,
os órgãos fiscalizadores e controladores do mercado tributário.
Mais contribuições podem ser observadas, como na questão de evasão
fiscal e transparência nas operações. Dessa forma, a tendência é
uma expansão contínua.
Para
melhor se beneficiar, as companhias de médio e grande porte devem
estar atentas a diversos aspectos para atender as demandas
tributárias. Primeiro precisam, se já não o fizeram, planejar as
etapas necessárias para o atendimento das obrigações dentro do
prazo que são requisitados. Realizada a identificação dos recursos
e prazos necessários, a empresa deve buscar soluções no mercado
que possam garantir o cumprimento do objetivo a um custo
compatível.
No caso das pequenas empresas, o
procedimento é o mesmo, dentro do seu cenário econômico e fiscal.
A terceirização no processo e elaboração das informações pode ser
uma alternativa interessante.
Fernando Moura
Saiba tudo sobre o parcelamento do Simples Nacional
Por meio da Resolução CGSN nº
92/2011 publicada no DOE 22.11.2011, o Comitê Gestor do Simples
Nacional (CGSN) disciplinou o parcelamento dos débitos tributários
apurados no regime do Simples Nacional. Envio pontos relevantes
selecionados pela consultora tributária da Confirp Contabilidade
Evelyn Moura:
Os
débitos apurados na forma do Simples Nacional poderão ser
parcelados em até 60 (sessenta) parcelas mensais e sucessivas,
desde que não se encontrem com a exigibilidade suspensa.
Portanto esses débitos devem estar vencidos e constituídos na
data do pedido de parcelamento, excetuadas as multas de ofício
vinculadas a débitos já vencidos, que poderão ser parceladas antes
da data de vencimento.
Os
débitos constituídos por meio de Auto de Infração e Notificação
Fiscal - AINF, que trata o art. 6º da Resolução CGSN nº 30, de 7
de fevereiro de 2008, poderão ser parcelados desde a sua
lavratura, desde que não estejam com a exigibilidade suspensa.
Importante:Serão aplicadas nos somatório dos débitos parcelados
as reduções das multas de lançamento de ofício previstas nos
incisos II e IV do art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de
1991, nos seguintes percentuais:
a) 40% (quarenta por cento), se o
sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de trinta dias,
contado da data em que foi notificado do lançamento;
b) 20% (vinte por cento), se o
sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de trinta dias,
contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de
primeira instância;
Não
poderão ser objeto de parcelamento:
a) as multas por descumprimento de
obrigação acessória. exemplo: multa por atraso na entrega de DASN;
b) a Contribuição Patronal
Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social para a empresa
optante tributada com base:
b.1) nos anexos IV e V da Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, até 31 de dezembro
de 2008;
b.2) no anexo IV da Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a partir de 1º de
janeiro de 2009;
c) aos demais tributos ou fatos
geradores não abrangidos pelo Simples Nacional, previstos no § 1º
do art. 13 da Lei Complementar nº 123, de 2006, inclusive aqueles
passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de
sub-rogação.
Pedido
de Parcelamento
O
Parcelamento de débitos da empresa, cujos atos constitutivos
estejam baixados, será requerido em nome do titular ou de um dos
sócios, alcançado os parcelamentos de débitos cuja execução tenha
sido redirecionada para o titular ou para os sócios.
Valor mínimo de cada parcela
O
valor de cada parcela será obtido mediante a divisão do valor da
dívida consolidada pelo número de parcelas solicitadas, observado
o limite mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), exceto quanto aos
débitos de responsabilidade do Microempreendedor Individual (MEI),
quando o valor mínimo será estipulado em ato do órgão concessor;
O valor
de cada parcela, inclusive do valor mínimo de R$ 500,00
(quinhentos reais) estará sujeito ao disposto ao acréscimo da
Selic.
As
prestações do parcelamento vencerão no último dia útil de cada
mês.
Reparcelamento
Serão
admitidos até 2 (dois) reparcelamentos de débitos do Simples
Nacional constantes de parcelamento em curso ou que tenha sido
rescindido, podendo ser incluídos novos débitos.
A
formalização de reparcelamento de débitos fica condicionada ao
recolhimento da primeira parcela em valor correspondente a:
a) 10%
(dez por cento) do total do somatório dos débitos parcelados;
b) 20%
(vinte por cento) do total dos débitos do somatório dos débitos
parcelados, caso haja débito com histórico de reparcelamento
anterior.
Rescisão do Parcelamento
Implicará rescisão do parcelamento:
a) a falta de pagamento de três
parcelas, consecutivas ou não;
b) a existência de saldo devedor,
após a data de vencimento da última parcela do parcelamento.
Rescindido o parcelamento, apurar-se-á o saldo devedor,
providenciando-se, conforme o caso, o encaminhamento do débito
para inscrição em dívida ativa ou o prosseguimento da cobrança, se
já realizada aquela, inclusive quando em execução fiscal.
A
rescisão do parcelamento motivada pelo descumprimento das normas
que o regulam implicará restabelecimento do montante das multas
reduzidas proporcionalmente ao valor da receita não pagas.
Disponibilização Do Parcelamento Pela Receita Federal
A o
aplicativo para adesão ao parcelamento será disponibilizado pela
Receita Federal do Brasil - RFB a partir do dia 2 de janeiro de
2012 no Site:http://www.receita.fazenda.gov.br/.
Evelyn Moura
Simplificação tributária
Paralelamente à idéia de se criar no
Brasil um imposto único sobre as transações financeiras, em
seminário realizado na Argentina no final de 1989, o economista da
Universidade de Wisconsin, Edgard L. Feige apresentou estudo
intitulado “Taxing All Transactions: The Automated Payment
Transaction Tax System”. Da mesma forma que no Brasil, a proposta
de criação de um imposto sobre movimentação financeira defendida
pelo professor Feige, um especialista em economia informal e que
desenvolve pesquisas sobre o tema em vários países há mais de 20
anos, suscitou interesse também nos Estados Unidos.
Os
estudos de Feige sobre a informalidade em vários países ao redor
do mundo apontaram os enormes malefícios que a economia informal e
a evasão de impostos vêm causando. O professor Feige concluiu que
a tributação sobre as transações bancárias pode atenuar as
distorções causadas pela economia subterrânea, e descreve a
proposta como um sistema de impostos para o século 21.
A
proposta de Feige deu origem a um movimento de divulgação do
“imposto único” norte-americano. O detalhamento do Automated
Payment Transaction (APT) e outras informações acham-se
disponíveis no site
www.apttax.com
A
simplificação tributária ganhou destaque tempos atrás nos Estados
Unidos quando o milionário Steve Forbes, então candidato à
presidência daquele país, propôs um imposto único de 17% sobre os
salários. A idéia do “flat-tax” ganhou adeptos, e, em 2003, cinco
projetos seguindo essa linha simplificadora foram apresentados ao
Congresso norte-americano.
Também
na Alemanha a simplificação ganhou grande destaque. Uma variante
da tese do Imposto Único, defendida pelo professor da Universidade
de Heidelberg, Paul Kirchhof, um dos gurus em finanças públicas
naquele país, foi colocada no centro dos debates pela atual
chanceler Angela Merkel quando era candidata.
A onda
simplificadora é um passo importante na área dos impostos em
muitos países. Economias do leste europeu também assimilaram essa
necessidade e realizaram reformas em seus sistemas tributários
tendo como diretriz a simplificação.
No
Brasil a proposta do Imposto Único reúne um número crescente de
adeptos desde o final dos anos 80. Projeto neste sentido foi
aprovado pelas Comissões Temáticas do Congresso, e encontra-se
pronta para ser votada pelo Plenário da Câmara dos Deputados.
Trata-se da PEC 474/01 que prevê a substituição de vários tributos
federais (Imposto de Renda, Cofins, IPI, INSS patronal, IOF,
Salário-Educação, Sistema “S” e ITR) por apenas com alíquota de
2,1% sobre os débitos e os créditos de cada lançamento nas
contas-correntes bancárias.
A
simplificação de impostos tem sido a diretriz fundamental das
propostas de reestruturação dos sistemas tributários ao redor do
mundo. Lamentavelmente, nos últimos anos, o Brasil não adotou essa
linha e montou uma estrutura fiscal absurdamente complexa. Mas,
aos poucos o País tem debatido a necessidade de uma reforma
simplificadora e o Imposto Único proposto na PEC 474/01 se
apresenta como a alternativa mais viável para a sociedade
brasileira.
Marcos
Cintra
Muita cautela em 2012
O ano não foi tão bom quanto em
2010, mas não dá para reclamar, mesmo com a brusca freada do PIB
no terceiro trimestre. Pairam incertezas sobre 2012, diante da
crise dos Estados Unidos e dos países da zona do euro, mas não há
propriamente um clima de pessimismo generalizado. A palavra de
ordem nas empresas é cautela.
O
mercado de recrutamento de executivos se comportou como outros
setores da economia, com grande aquecimento em 2010, quando o País
cresceu 7,5%, e uma fase de acomodação em 2011, que deverá se
repetir no próximo ano. Algumas empresas protelam novos
investimentos e, portanto, tendem reduzir ou adiar também novas
contratações. Por conta disso, procurarão ser certeiras no momento
da contratação de um executivo, recorrendo a empresas
especializadas em recrutamento.
Na
verdade, mesmo com índices de crescimento da economia em base mais
modesta, continua o chamado apagão de talentos, que decorre mais
de problemas estruturais. A formação de profissionais não
acompanha a velocidade do ritmo de produção no Brasil.
Os
setores que ainda devem demandar mais executivos são os de
construção civil e de engenharia em geral, uma vez que o País faz
grandes investimentos para melhorar a infraestrutura,
impulsionados pela Copa do Mundo em 2014 e pelas Olimpíadas em
2016.
Mas
outros setores, especialmente os de tecnologia da informação e de
petróleo e gás, também têm grande carência de talentos,
proporcional aos investimentos que estão sendo feitos. O
agronegócio, cujo desempenho impediu um PIB negativo no terceiro
trimestre, continuará a demandar profissionais para áreas que não
estão dentro das fazendas, mas além das porteiras, como logística,
comércio exterior, meteorologia, biotecnologia e serviços
financeiros. Para cada posto criado na produção, dois são abertos
em serviços.
Em 2011
passaram a dar sinais de que vão demandar mais executivos as áreas
de educação e saúde, que estão investindo na profissionalização,
passando por processos de fusão e aquisição e despertando a cobiça
de fundos de investimento, tanto brasileiros como internacionais.
Profissionais especializados em sustentabilidade ou que querem
trabalhar na área também um amplo mercado pela frente.
Por
conta da falta de profissionais bem preparados, houve um aumento
de salários e benefícios, impulsionado tanto pela batalha para
capturar um talento no mercado quanto para retê-lo. Outro ponto
que favoreceu o profissional brasileiro foi o aumento da
importância do Brasil para as multinacionais. O País virou o
principal mercado consumidor para algumas delas e muitas
transferiram a sede de suas operações na América Latina para cá.
Assim, os diretores daqui ganham poder e isso se reflete nos
salários, mais altos que em outros países.
Em 2012
essa situação deve se estabilizar, pois as remunerações atingiram
um patamar muito elevado e se subirem mais podem ficar em
desacordo com o mercado.
Na
verdade, ninguém espera maravilhas, mas pode ser um bom ano.
Marcelo Mariaca
Requisito para o sucesso na economia do conhecimento
No cenário competitivo do século
XXI, o conhecimento tornou-se matéria-prima básica e é o principal
ingrediente do que é produzido, feito, comprado e vendido.
Portanto, administrá-lo, armazená-lo, vendê-lo e compartilhá-lo
constituem-se na tarefa econômica mais importante das empresas.
Dessa
maneira, está acontecendo uma efetiva mudança de paradigma. A
rígida divisão entre trabalho mental e manual tende a ser
eliminada. Tarefas fragmentadas e padronizadas passam a ser
integrais e complexas, exigindo, em todos os níveis
organizacionais, pessoas com capacidade de pensar e executar
simultaneamente.
Os
consumidores também mudaram, ficando mais exigentes. O mercado
está mais competitivo, o ciclo de vida dos produtos diminuiu e o
seu real valor encontra-se no conhecimento neles embutido. A
evolução tecnológica, igualmente, causou impactos intensos no
ambiente organizacional, como mudanças e reestruturações.
Esse
cenário da economia do conhecimento certamente implica inovações
no sistema educacional, pois, para se adaptar às novas exigências,
os executivos necessitam de constante criação,geração e
assimilação de conhecimentos e competências. Sendo assim, a
aprendizagem ganha destaque entre as organizações e os executivos.
Algum
tempo atrás, ter um diploma de graduação era garantia de emprego e
destaque profissional. O grau de conhecimento do indivíduo era
considerado condizente para o bom desempenho das tarefas. Hoje,
graduar-se em um curso universitário não dá aos formandos todas as
condições exigidas pelo atual mundo competitivo, que requer
inovações e respostas rápidas.
Portanto, os executivos precisam de um aprendizado contínuo, capaz
de qualificá-los para atuarem em suas carreiras em constantes
transformações. Nessa perspectiva, a educação continuada passa a
ter um lugar central em sua vida, assumindo função estratégica
essencial para adequá-los às novas exigências do mercado.
Um dos
cursos de educação continuada bastante procurados atualmente pelos
executivos é o de MBA, que começou a ser oferecido no início do
século XX na forma de programas preparatórios, em período
integral, para aqueles que desejavam construir suas carreiras nas
diversas áreas da gestão de negócios, em 1908. Em 1940, a oferta
evoluiu para um modelo em regime parcial, mais pragmático e
modelado, dirigido aos executivos que não tinham a possibilidade
de se afastar de suas atividades para atualizar seus
conhecimentos. Era o MBA Executivo. Nas décadas seguintes houve a
proliferação das escolas de negócios com a proposta de preparar
executivos para enfrentar os desafios das constantes mudanças
impostas pelos novos meios de informação, devido ao grande avanço
tecnológico que aconteceu na segundametade do século XX.
A
oferta de MBAs e outros cursos de qualidade é importante, pois ser
bem-sucedido na economia do conhecimento requer proficiência em um
novo conjunto de conhecimentos e competências, o que inclui
conteúdos acadêmicos básicos, como domínio da língua nativa e de
um idioma estrangeiro, matemática, habilidades científicas e a
capacidade de utilizar a tecnologia de comunicação e informação.
Além disso, os executivos devem ser capazes de utilizar essas
habilidades de modo eficaz, atuar de maneira autônoma, reflexiva e
crítica e funcionar em grupos socialmente heterogêneos. Saber cada
dia mais, portanto, é essencial.
Juliana Quintino de Oliveira
Incerteza econômica de 2012 mudará comportamento das empresas, diz
HRG
2012 mudará a maneira de pensar das empresas no que diz respeito à
gestão de viagens, de acordo com Hogg Robinson Group (HRG),
empresa internacional de serviços corporativos
Como os negócios ao redor do mundo
começam a lidar com a previsão para o Ano Novo no meio da
incerteza econômica, as empresas devem executar mudanças para
maximizar os recursos de viagem. De acordo com Stewart Harvey,
diretor comercial da HRG, “As perspectivas econômicas estão
levando as empresas a buscarem novos negócios e isso significa
priorizar mercados com perspectivas mais saudáveis de crescimento.
As organizações não gastarão necessariamente mais ou menos em
viagens em 2012, mas o farão de forma diferente”.
No
Brasil, o Grupo Alatur, que atua na Gestão de Viagens Corporativas
(Travel Management Company), Gestão de Eventos, Viagens Pessoais e
Mobilidade Corporativa, é parceiro exclusivo da HRG Worldwide no
País, sendo a HRG Brasil uma de suas unidades de negócio. Harvey
comenta que os clientes estarão em busca de um melhor controle
sobre opções de viagem em mercados tradicionais, por meio de
viagens mais inteligentes e alternativas para reuniões internas,
tais como vídeo-conferência. “ O dinheiro economizado pode ser
realocado para permitir maior foco no crescimento e nos mercados
emergentes, onde a oportunidade para novos negócios é mais forte,
como China, Índia e Brasil”.
Autorização de viagem avançada
Como
corporações focam em controle de custos, HRG prevê que a maioria
dos gerentes de viagens estará sob pressão para olhar mais de
perto as despesas antes das viagens serem feitas. As empresas
estão buscando um controle mais rígido em custos por meio de
autorizações prévias, mas há potencial para os gargalos se os
sistemas não estiverem adaptados para facilitar o processo.
“Responsabilidade para autorizar viagens normalmente cai para
gerentes de linha, mas como eles também podem ser viajantes,
esperamos ver aumento da demanda por tecnologias que se estendem
por meio de dispositivos móveis e desktops. Controle através de
dispositivos móveis é alta prioridade para os nossos clientes. Por
isso, a HRG desenvolveu ferramentas de autorização e relatórios
para smartphones como uma forma de ajudá-los na obtenção de um
processo mais eficaz ", diz Harvey.
Com
corporações cada vez mais focadas em previsões precisas para os
custos de viagem antes de sua autorização, HRG espera que a
indústria de viagens venha mais uma vez ser pressionada para
proporcionar uma maior transparência e padronização de taxas.
"Quando
as condições econômicas são incertas, a última coisa que as
empresas querem são surpresas, particularmente quando essas
surpresas custam dinheiro. Além de ampliar o debate em torno de
taxas adicionais (ancillary fees), também veremos mais corporações
utilizando tecnologias móveis para reforçar a política de viagens
entre os viajantes", avalia.
Capacidade e inventário limitados
HRG
acredita que a demanda por viagens de negócios continuará saudável
em 2012, mas espera que os fornecedores mantenham uma visão
conservadora, controlando inventário e capacidade para minimizar a
exposição ao risco. Para o diretor comercial da HRG, houve uma
grande oscilação na demanda de viagens ao longo dos últimos anos.
A atual situação econômica torna muito difícil para os
fornecedores da indústria efetuarem previsões acuradas, preferindo
errar por precaução.
"Como a
demanda aumenta e a capacidade diminui, há dois desafios
principais para os clientes: disponibilidade e acesso ao melhor
preço. Nosso valor é percebido quando trabalhamos com os clientes
para ajudá-los a compreender como estão viajando, e para
identificar oportunidades através das quais podem economizar,
mudando hábitos de viagem existentes".
*Números anuais de crescimento projetados pela GBTA mostram que o
mercado de viagens deve crescer 11,2% na China, 10,8% na Índia e
7% no Brasil. Correspondentemente, HRG tem testemunhado forte foco
na Ásia e no Oriente Médio, com interesse crescente em países da
África e América Latina.
O mito
do ranking de rentabilidade
A cada
fechamento de mês, trimestre, semestre ou ano, as associações e
instituições que trabalham essencialmente com investimento
disponibilizam o ranking das melhores aplicações financeiras do
período em questão.
No
bloco da renda fixa, formado pela caderneta de poupança, pelos
diversos títulos do tesouro, fundos DI, CDB’s etc, há pouca ou
quase nenhuma novidade. Salvo mudanças muito significativas nas
variáveis macroeconômicas, incluo aqui a legislação em vigor, os
vagões são dispostos em certa ordem no trilho econômico, que
deverá permanecer o mesmo de 01 de janeiro a 31 de dezembro. Note
que no bloco da renda fixa, sistematicamente são esquecidas as
debêntures. Afinal, sabem o que é uma debênture e têm acesso a
elas aqueles que já possuem um certo conhecimento de investimento
e também já têm o hábito de investir.
Já no
bloco da renda variável, mais sujeito a emoções diárias
determinadas pelos humores de investidores e mercados
internacionais, vemos que em um período a bolsa é melhor, em outro
pior. Em outra fase, o ouro ganha e o dólar perde. Ou então, a
forte valorização dos imóveis se sobrepõe a outros investimentos
em determinada época. E como em um campeonato, o líder do ranking
é muito bajulado e assediado por inúmeros fãs de ocasião.
A
regulamentação vigente obriga que os prospectos de produtos
financeiros mostrem, além de sua rentabilidade, a seguinte frase:
“Rentabilidade Passada Não é Garantia de Rentabilidade Futura”.
Isto serve para proteger, ou melhor, alertar o consumidor daquele
produto financeiro sobre seu primeiro grande erro na percepção de
qualidade do que está adquirindo.
A
percepção de qualidade do consumidor financeiro se refere somente,
e repito o somente, à rentabilidade passada. Tal percepção foi
forjada por anos de altas taxas de inflação, quando se faziam
aplicações financeiras escolhendo a melhor rentabilidade diária.
Lembro que as alternativas de produto eram poucas àquela época,
quando comparamos com os dias atuais. Para corrigir o problema,
deve o poupador desenvolver uma perspectiva de rentabilidade
futura, ainda que mais qualitativa que quantitativa, ou mesmo a
instituição financeira oferecer seus panoramas de curto, médio e
longo prazo, para que a tomada de decisão final tenha olhos no
futuro e não no passado.
Também
não faz parte da percepção de qualidade outros dois importantes
ingredientes de uma aplicação financeira: a liquidez e a
segurança. Muitos investem em caderneta de poupança e aumentam
seus investimentos nela quando ela passa a liderar o ranking de
rentabilidade, mas desconhecem os riscos que correm. Muitos se
dizem investidores de longo prazo, mas salientam ao gerente do
banco que querem poder retirar seu dinheiro a qualquer momento que
precisarem.
Rentabilidade que muda muito e liquidez e segurança que oscilam,
em conjunto, pouco ou nada devem ajudar a formar a decisão final
de investimento. Desta forma, os investimentos passam a ser mais
consistentes e a produzirem melhores resultados a despeito das
oscilações, rumores e humores.
Mauro Calil
Mais transparência, menos delinquência!
A Iniciativa para a Recuperação de
Ativos Roubados (StAR), ação conjunta do Banco Mundial e do
Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito, acaba de
divulgar o instigante estudo “Como os corruptos utilizam as
estruturas legais para ocultar bens roubados e o que fazer a
respeito”. O trabalho mostra como os subornos, a malversação de
verbas e bens do Estado e outros atos criminais ocultam-se em meio
a estruturas legais, como empresas fantasmas, fundações e
organizações diversas. O tema é de alto interesse da sociedade
brasileira, considerando que, a despeito dos avanços políticos e
econômicos das últimastrês décadas, não conseguimos exorcizar os
fantasmas da improbidade, que continuam nos assombrando.
Uma das
mais relevantes recomendações do relatório ressalta a importância
do trabalho realizado pelos provedores de serviços legais,
financeiros, administrativos e gestão. Trata-se de uma referência
direta à atividade de outsourcing. De fato, a eficácia e a ética
dessa atividade contribuem de modo significativo para que
organizações sérias, corretas e jamais coniventes com a corrupção
sejam utilizadas inadvertidamente por indivíduos inescrupulosos.
No
Brasil e no mundo, há dramáticos exemplos de companhias de alta
credibilidade e reconhecimento, surpreendidas por ações dolosas de
executivos e colaboradores.
O caso Enron, no início da primeira
década deste século, ficou conhecido como exemplo do mau uso da
contabilidade para manipular mercados e propiciar o enriquecimento
ilícito de executivos. No âmago da crise do sub-prime nos Estados
Unidos, em 2008, também há claros vícios na emissão e replicação
de títulos imobiliários. Verifica-se, assim, que os equívocos no
setor privado têm consequências tão ou mais danosas do que na área
pública.
Nesse
contexto, os princípios contábeis criados pela Resolução nº 750/93
do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), bem como os
aperfeiçoamentos da legislação e das normas nacionais e
internacionais, tornam-se cada vez mais importantes, em especial
numa conjuntura de economia aquecida e com grande expansão dos
mercados, como a atual. É muito pertinente que as corporações
organizem-se adequadamente e com acesso fácil às suas informações
contábeis. Por isso, é fundamental que os princípios basilares da
contabilidade sejam assimilados como valores intrínsecos do
universo corporativo.
A
corrupção, além da questão moral, ética e legal, reduz muito a
competitividade da economia de qualquer país. No Brasil, sabe-se
que o problema é responsável pelo desvio de parcela expressiva do
dinheiro arrecado à sociedade por um dos sistemas tributários mais
onerosos e burocráticos do mundo. Por isso, quanto mais eficazes
forem os mecanismos de controle, as boas práticas da gestão, a
competência e transparência da contabilidade, maiores serão os
benefícios para a Nação. Não se pode permitir que a minoria
corrupta continue desperdiçando o dinheiro público e/ou
comprometendo a saúde financeira e a sobrevivência das empresas.
Por isso, nada mais pertinente do que o título da matéria sobre
onovo estudo da StAR, estampado em manchete no website do Banco
Mundial: “Mais transparência, menos deliquência”.
Vagner Jaime Rodrigues
O leão está de olho em você
Desde os acontecimentos no final do
ano passado nos quais o sistema de sigilo e integridade dos dados
dos contribuintes foram afetadas e questionados a Secretaria da
Receita Federal do Brasil implementou uma série de modificações
que afetaram diretamente o contribuinte para a Declaração de
Imposto de Renda Pessoa Física de 2011.
O
endurecimento varia desde um maior rigor na fiscalização quanto à
criação de parâmetros especiais a serem melhor observados quanto à
declaração. O plano de metas deste ano pela Secretaria da receita
Federal do Brasil é fiscalizar as informações advindas de
locações, compra e venda de imóveis e, especialmente, as despesas
médicas.
Já
existia, no passado, um critério subjetivo, um limite de até 15%
da renda ser tolerado a título de despesas médicas. Ora, se o
contribuinte possui o dinheiro e passa por necessidade, por que a
Receita irá colocá-lo na Malha Fina a seu bel prazer? Isso mesmo,
e pior: para os mais experientes, leia-se acima de 65 anos, o
drama é ainda maior: o plano de saúde cobra mensalidades
astronômicas e o prêmio fiscal é ser conduzido diretamente para a
malha por ser “incompatível com a renda”.
Além
disso, a receita deseja olhar com mais atenção os abatimentos em
busca de fraudes, valores lançados a maior ou inexistentes, tudo
para arrecadar e obter uma restituição.
Na
mesma esteira temos os aluguéis, muitas vezes omitidos quando
entre pessoas físicas e as transações imobiliárias feitas entre
particulares, nas quais se convenciona um valor menor que o da
venda. A fraude existe e a Receita está ávida pela arrecadação e
distribuição de Autos de Infração, que o contribuinte fique
atento, pois, definitivamente, o Leão está de olho.
Antonio Gonçalves
Economistas dão dez dicas de como não perder dinheiro em época de
crise
Reportagem da revista AméricaEconomia mostra que adotar
estratégias de menor risco é medida mais recomendada em períodos
mais difíceis
A edição de dezembro da revista
AméricaEconomia, da Spring Editora, traz dez dicas de
especialistas sobre como não perder dinheiro em tempos de crise.
As sugestões são dos economistas André Massaro (Money Fit),
CaioTorralvo (professor da FIA), Fernando Góes (Rico), Georges
Catalão (Lecca), Humberto Veiga (corretor financeiro), José
Roberto Ferreira Savóia (professor da FEA-USP) e Reinaldo
Domingues (educador financeiro). A recomendação unânime é a de que
o empresário adote uma estratégia defensiva no mercado. Com EUA e
Europa em situação delicada, o crescimento do Brasil desacelerou,
então o investidor deve estudar muito antes de fazer qualquer
aplicação e sempre estar atento a investimentos que acompanham
juros e a inflação, considerados boas opções.
O
pagamento dos dividendos é a segunda recomendação. Fazendo isso, o
empresário continua a ganhar, mesmo com queda nas bolsas de
valores. Focar no mercado interno também é uma das dicas, já que
há menos risco de ficar vulnerável à crise externa. Usar a bolsa
para investimentos de longo prazo funciona como medida de baixa
perda. Resgatar o dinheiro imediatamente após haver queda resulta
em diminuição de preços da companhia, mas esperar a estabilização
do mercado aumenta as chances de rendimento. O recomendado é não
pegar de volta o dinheiro aplicado por pelo menos três anos.
Manter
a estratégia de mercado do início ao fim é muito importante
também. Sabotar a própria ideia no meio da crise é um dos caminhos
mais conhecidos para o investidor começar a vender papéis em
baixa. Ao montar um plano, deve-se segui-lo até o fim. Apostar na
Selic continua sendo uma boa, pois a taxa segue muito superior às
registradas em outros países. A sétima dica é defender-se da
inflação. Como a taxa de juros no Brasil de 6,97% ao ano foi
superior à estipulada pelo Banco Central (6,5%), o ideal é
investir em um título do Tesouro chamado NTN-B. A rentabilidade é
vinculada à variaçãodo IPCA, acrescida de juros definidos no
momento da compra. Assim,se a inflaçãosubir, o efeito sobre esse
investimento será positivo no longo prazo.
Antes
de investir, deve-se conhecer o mercado. Comprar ouro só faz
sentido se ele for comprado barato e vendido caro. A aquisição do
metal não vai ajudar necessariamente a manter o patrimônio, ainda
mais se ele ficar em baixa com a crise. Fundos de investimento são
a forma apropriada para se ganhar dinheiro, mas sem precipitações
na hora da venda. No mercado de fundos, o destaque é do setor
imobiliário. E por fim, fazer um diagnóstico é sempre bom. Quando
o investidor estuda a crise, consegue entender a própria saúde
financeira, e também avaliar quais as posturas que ele pode ou não
adotar.
Finanças pessoais e sustentabilidade
O conceito de sustentabilidade é relativamente recente. Na década
de 80, Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, definiu
comunidade sustentável como aquela capaz de satisfazer às próprias
necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.
O tema tem sido palco de amplas
discussões no Brasil e no mundo, entretanto, há um aspecto pouco
discutido: a sustentabilidade das finanças da família. E não se
trata apenas de salvaguardar empregos, mas de como ser capaz de
suprir as necessidades atuais sem comprometer a capacidade de
atender às necessidades futuras da família.
Nesse
período que antecede às festas de final de ano, especialmente o
Natal, tem início a busca desenfreada por presentes: amigo secreto
do escritório, da escola, da família, lembrancinhas para os
amigos, gorjeta “mais gorda” para prestadores de serviços,
brinquedos novos para os filhos, troca de móveis, de computadores,
de celulares, de eletrodomésticos etc. Inúmeras são as desculpas
para as compras de Natal. As mesas são exageradamente fartas e
muito se desperdiça nesses períodos de festas, num sinal de que a
sustentabilidade não passa por aqui. As pessoas comem até quanto
conseguem como se tivessem que fazer uma reserva de calorias para
os demais dias da vida; bebem para esquecer as más lembranças do
ano e exageram na comemoração daquele que chega, como se fosse o
último trago de suas vidas.
Nessa
perspectiva, a família se esquece, muitas vezes, de dar um destino
mais racional ao 13º salário, como a quitação de dívidas,
cobertura do cheque especial e provisão de muitos valores que
chegam com o novo ano (matrícula e material escolar, IPVA, IPTU,
entre outros). A irracionalidade das compras torna-se
comportamento-padrão ao invés de uma reflexão em família para
acertar o compasso do grupo, estabelecer metas, traçar objetivos
conjuntos
Na
ânsia de viver o presente, as famílias deixam de pensar no futuro
e apresentam aos filhos maus exemplos de desperdício e consumo
desenfreado.
Assim,
que tal pensar duas vezes antes de fazer as próximas compras de
Natal? Que tal reunir a família e propor um Natal sustentável,
comprando apenas o realmente essencial e dando amor e carinho no
lugar de presentes?
Donatila Brasil Rocha Pinski
Dicas para entrar em 2012 com as finanças no azul
Para ter dinheiro no bolso nesse fim
de ano e se preparar para realizar os objetivos definidos para
2012, planejamento financeiro ainda é mais garantido do que
simpatia. O educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente do
Instituto DSOP de Educação Financeira, preparou orientações aos
brasileiros que querem passar longe da onda de endividamento. São
orientações para quem quer quitar dívidas, presentear, curtir as
festas e férias sem comprometer os recursos para as despesas
típicas do início do ano – IPVA, IPTU, matrícula e material
escolar - e ainda poupar.
Para
não extrapolar as despesas de fim de ano e garantir recursos para
2012
Evitar
compras por impulso: os consumidores devem se fazer algumas
perguntas antes de comprar - Estou comprando por necessidade real
ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?
Se não comprar isso hoje, o que acontecerá? Tenho dinheiro para
comprar à vista? Se comprar a prazo, terei o valor das parcelas? O
acúmulo de parcelas coloca em risco a realização dos sonhos que
foram priorizados com a família?
Planejamento do fim de ano: liste os ganhos do período (renda e
ganhos extras como 13º, bonificações e férias). Liste todas as
despesas – fixas e variáveis. Avalie sua situação financeira. Há
margem para novos gastos? Há pendências financeiras? Faça um
esforço para identificar excessos, que geralmente representam 30%
das despesas das famílias brasileiras. Avalie quanto poderá
reservar para comprar presentes, artigos das festas de fim de ano,
preferencialmente à vista. Evite a todo custo entrar no limite do
cheque especial e pagar a parcela mínima do cartão de crédito.
Reserve parte do décimo terceiro para as despesas do início do ano
como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar. Cuidado ao parcelar
viagens. Pense: será que vale a pena passar dificuldades o ano
todo por alguns dias de diversão? Será que uma viagem mais barata
e dentro do orçamento não trará satisfação?
Planejamento financeiro de 2012: é fundamental evitar
parcelamentos das compras de final do ano. Na empolgação do
consumismo típico da época, esquece-se que os rendimentos extras,
também típicos do período, não persistirão pelo ano seguinte.
Porém, se o parcelamento for inevitável, faça uma planilha em que
o valor já comprometido esteja previsto nos meses correspondentes.
Sem esse controle, é certo o acúmulo de dívidas e o risco da
inadimplência. É assim que inicia-se o ciclo de endividamento que
afasta a realização daquilo que realmente traz satisfação e agrega
valor à vida das pessoas. Por isso, reúna-se com a família para
definir os desejos de curto (um anos), médio (até cinco anos) e
longo (mais de 10 anos) prazos ou aqueles que se pretende em
realizar em 2012 e incorpore o valor mensal necessário para a
realização dos mesmos no orçamento mensal do próximo ano. Subtraia
o valor desses sonhos da receita. O saldo restante é o orçamento
para as demais despesas mensais.
Para
economizar e poupar sempre
Pesquisar preço e comprar à vista: Tudo que se compra em
prestações paga-se mais caro. Já quem pesquisa o melhor preço paga
menos e aumenta a chance de comprar à vista e obter desconto.
Pedir
desconto: Se um produto custa mil reais e pode ser parcelado em 10
vezes de 100 reais, certamente à vista custará de 10% a 20% menos.
Reter
10% dos rendimentos: para começar a construir a independência
financeira, deve-se guardar 10% do que ganha. Com o tempo, pode-se
partir para um plano de previdência privada para complementar o
INSS.
Para
ficar livre das dívidas
Qualquer que seja a dívida, o consumidor deve investigar o que
está levando ele a gastar mais do que ganha, somando dívidas que
não consegue pagar e que roubam recursos que deveriam ser
destinados para a realização de sonhos. Fazer acordos para
pagamentos de dívidas sem antes saber qual é a real capacidade de
pagamento, sem cortar excessos, sem ajustar o orçamento ao
verdadeiro padrão de vida é um grande risco, além de uma medida
paliativa que apenas adia a solução da causa do problema. Abaixo,
algumas medidas para ajudar a quitar dívidas e reequilibrar as
finanças.
Cheque
especial – cheque especial é uma das mais altas taxas de juros
praticadas no mundo. Procure o gerente da conta e proponha
imediato cancelamento dessa linha de crédito, mesmo que esteja
utilizando. Proponha troca por uma linha de crédito que não
ultrapasse 3% de juros mensais. Caso esteja pagando 100 reais de
juros ao mês, proponha um parcelamento do mesmo valor, com prazo
alongado. Isto fará com que não tenha mais que pagar juros mensais
de 10% - isso faz sua dívida dobrar a cada 7 meses. Caso o gerente
não aceite, o melhor a fazer é poupar para uma futura negociação.
Cartão
de crédito – busque negociação com operadora do cartão ou banco.
Proponha um parcelamento com juros que não ultrapassem 3% ao mês,
e que estas prestações caibam no orçamento financeiro mensal. Caso
a operadora ou banco não aceitem, não faça acordos que não
conseguirá cumprir. Mesmo que o nome seja negativado, guarde
dinheiro mensalmente para uma futura negociação. Outra estratégia
é buscar crédito com taxas mais baixas como, por exemplo, o
crédito consignado. Mas atenção: não resolve trocar um credor por
outro, é preciso resolver e atacar a verdadeira causa do
desequilíbrio financeiro.
Financiamento de casa – Para a maioria dos brasileiros a compra da
casa própria é um sonho que só é possível realizar adquirindo uma
dívida – o financiamento imobiliário. Em boa parte dos casos, o
que impede o pagamento das prestações da casa são os gastos
supérfluos. Se está difícil pagar as prestações, o melhor a fazer,
além de cortar excessos de gastos, é procurar a financiadora e
propor um alongamento da dívida, adequando a prestação à real
capacidade de pagamento. Caso não consiga a renegociação, estude a
possibilidade de trocar esse imóvel por um de preço inferior.
Carro
- um veículo não é investimento e, sim, um bem de consumo. A
prestação em si nem sempre é o motivo da dificuldade de custear
esse bem - embora ao final do financiamento a pessoa tenha pagado
por dois veículos e levado apenas um. O verdadeiro problema está
na manutenção do veículo, cujo custo mensal equivale, em média, a
3% do valor do carro. A manutenção de um veículo de 20 mil reais,
por exemplo, tem um custo de aproximadamente 600 reais mensais -
gasolina, seguro, licenciamento, IPVA, entre outros. Portanto, é
importante analisar o custo-benefício da compra do veículo. Se
tê-lo é uma necessidade e está difícil pagar é melhor rever o
orçamento e tentar renegociar o prazo da dívida com prestações que
realmente caibam no bolso, considerando todas as demais despesas
já assumidas. Se a renegociação também não for possível, o melhor
é buscar um advogado e providenciar a devolução do veículo.
Reinaldo Domingos
Tudo tem seu preço
As reservas cambiais brasileiras
fecharam 2011 em US$ 352 bilhões, valor decorrente da entrada de
recursos estrangeiros através de investimentos diretos e superávit
comercial. O colchão que vem sendo criado de acordo com as
premissas do Banco Central (BACEN) para viabilizar a política de
controle do câmbio e maior flexibilidade externa nas negociações
com produtos importados gera um aumento dos gastos para sua
manutenção. A sua remuneração é fixada pelos investimentos no
mercado americano, bem menor do que os rendimentos das aplicações
no Brasil, que giram em torno de 11% (Taxa Selic anual).
De
acordo com o BACEN, os custos de manutenção das reservas cambiais
brasileiras, no ano de 2011, girou em torno de R$ 26,6 bilhões, o
que representa uma taxa média de 4,2% de juros líquidos aplicados
sobre a reserva cambial atual, utilizando o câmbio de R$ 1,80. O
valor da manutenção de tal reserva gera gastos que são adicionadas
aos juros da dívida interna brasileira e que o superávit primário
não consegue cobri-lo.
O
Tesouro Nacional captou, no início de janeiro, US$ 825 milhões
como estratégia de identificar os juros que seriam cobrados do
Brasil em caso de necessidade de novos financiamentos externos.
Com isso, obteve uma taxa de 3,449% ao ano, que, pelas colocações
do próprio Tesouro e pela taxa conquistada, representa maior
confiabilidade no mercado brasileiro em virtude de uma séria de
premissas do planejamento fiscal.
Embora
o valor captado seja pequeno, fará com que cresça os gastos com os
juros, em virtude do aumento da reserva. O fato é que isso não
significa que, no futuro, o Brasil, tendo necessidade de captar,
consiga a mesma taxa, que é próxima a dos Estados Unidos.
É
necessário ter um planejamento diferente no momento de captar
recursos desnecessários, a não ser que a dívida seja combinada com
a troca de outra com juros maiores e que possam reduzir o impacto
dos juros internos e do montante da dívida interna que,
atualmente, gira em torno de R$ 1,75 trilhão. A dívida externa
projetada é de U$ 282,4 bilhões e a interna de US$ 972,0 bilhões,
com um total de endividamento em torno de US$ 1,254 trilhão.
Precisamos de muito trabalho e fechar as torneiras para estancar
os juros de manutenção da dívida interna e externa e, assim,
buscar a amortização do principal. Tudo tem seu preço.