Como obter controle sobre as
finanças? Basta gastar menos do que se ganha. A resposta é
óbvia, concorda? Na prática, porém, a aplicação desta simples
fórmula é um pouco mais complicada. Hoje, o apelo ao consumo é
tão grande quanto à facilidades para se endividar. Os juros no
Brasil são exorbitantes e podem chegar a até 15% ao mês no
cheque especial e cartões de crédito. E ninguém parece se
importar.
O primeiro passo para ter saúde
financeira e a tão desejada independência financeira começa
pelos seguintes pontos:
- saber quanto ganha;
- saber quanto gasta;
- saber quanto deve (se tiver
dívidas)
- e finalmente quebrar a lei:
Quanto mais ganho, mais gasto.
Outro ponto muito importante é
saber qual é sua personalidade quando o assunto é dinheiro.
Primeiramente, existe o Consumista, que vive intensamente o
presente e, por isso, tende a fazer compras sem planejamento e
joga suas dívidas para o futuro. Não raramente, essa pessoa
gasta mais do que pode e do que gostaria, comprando por
impulso coisas que nem queria adquirir. Por isso, ela pode
criar problemas para si e para familiares pela sua capacidade
de se endividar. Se não se cuidar, pode acabar com o seu
patrimônio e o de sua família, incluindo o seu trabalho ou
negócio.
Outra
personalidade muito comum é o Acumulador. Ele guarda para o
futuro o dinheiro que ganha no presente. Geralmente enriquece
e pode até ficar milionário. Porém, em sua versão mais
acentuada, não chega a desfrutar de sua riqueza, adia sonhos e
prazeres e tem a sensação de que, se gastar, o valor vai lhe
fazer falta no futuro. Já o Centralizador procura controlar o
dinheiro e tudo o mais em sua volta. Em sua versão mais
radical, ele quer o dinheiro para se sentir poderoso e, assim,
controlar e manipular os outros, inclusive os familiares.
Essas são
algumas personalidades. É importante saber com qual delas você
se identifica a fim de fazer as “correções” necessárias. Uma
vez feita esta lição de casa, é possível obter maior
prosperidade no trabalho ou negócio e maior qualidade nos
relacionamentos, uma vez que o dinheiro influencia todos os
aspectos de nossa vida.
Quem nunca
perdeu uma noite de sono por problemas financeiros e no outro
dia, teve problemas no trabalho, discussões em casa ou com
clientes, fazendo com que seu rendimento caísse muito? Por
isso, todos devem desenvolver a saúde financeira em sua vida
pessoal e profissional. Uma vez resolvidas as dificuldades nas
relações com o dinheiro, a prosperidade será apenas uma
consequência.
Em suma, a
sua saúde financeira exige que você conheça sua personalidade,
seu padrão de gasto e o quanto gasta com cada área da vida,
incluindo as despesas formiguinhas, aquelas do dia a dia, como
o cafezinho, o chocolate, a moeda para guardador de carros.
Uma dica é anotar tudo o que foi gasto durante o dia quando
chegar em casa. Faça essa experiência durante um mês. Você vai
se surpreender.
Dicas
- Tenha sempre uma planilha
atualizada com todas as despesas e receitas, nunca se
esquecendo das compras parceladas;
- Poupe 10% dos seus ganhos;
- Faça planejamento financeiro
para todas as compras, seja de que valor for. Assim o risco de
sair do orçamento é muito menor;
- Cuidado com o cartão de
crédito. O melhor mesmo é ter somente um e ainda assim
deixá-lo em casa, juntamente com o talão de cheques e deixar
na carteira somente um pouco de dinheiro, uma folha de cheques
e o cartão de débito;
- O cartão de crédito deve
entrar na planilha de gastos e ser pago integralmente todo
mês;
- Cuidado com o cheque especial,
ele não faz parte de sua receita. Só utilize em caso de
emergência;
- Se tiver dívidas, após
regular seu orçamento, negocie com os credores o valor das
parcelas a serem pagas, cuidando para se manter no
orçamento.
Essas dicas
são algumas das mais importantes para gerir seu dia-a-dia
financeiro. Mas não são as únicas. Pegando carona neste ano
que se inicia, devemos pensar em nossos sonhos; uma vez
estando com o orçamento em dia; e como financiá-los.
Existem
várias formas de realizar os sonhos, sejam eles de que tamanho
forem. Para isso, existem vários livros de educação
financeira, mas se isso não for suficiente, recorra ao apoio
de um Coach. Ele (ou ela) vai ajudar você a desenvolver
condutas que o ajudarão a manter o controle de suas finanças,
fechando a "torneira do desperdício", ajudarão também a
conhecer seu padrão de gasto, suas crenças em relação ao
dinheiro e conquistar a independência financeira.
E não se esqueçam: O que você
faz com o dinheiro é o que você faz com a sua vida!
Paula Schurt
Menos imposto sobre salários
e consumo
A sonegação gera injustiças
porque alguns contribuintes conseguem pagar pouco imposto e
outros têm que compensar tal fato pagando mais do que
deveriam. Há estimativas apontando que em 2008 as empresas no
Brasil sonegaram R$ 200,3 bilhões.
As bases
tributárias que compensam a sonegação no Brasil são os
salários e o consumo. Os rendimentos dos trabalhadores formais
são tributados em média em 42,5% e do total de R$ 1 trilhão
arrecadado em impostos em 2008 as contribuições sobre a folha
de pagamentos (empregados mais empregadores) representaram
22,5%, excluindo o imposto de renda. Já as vendas de
mercadorias e prestação de serviços, que foram responsáveis
por 48,4% das receitas do governo no mesmo ano, têm embutidos
em seus preços finais tributos elevados, como, por exemplo,
37,8% nas roupas, 39,3% nos automóveis de 1000 cilindradas,
46,7% na conta de telefone, 45,8% na conta de luz e 53% no
litro da gasolina.
A
supertributação sobre salários e consumo limita o potencial da
economia brasileira. No caso dos impostos sobre os salários
eles limitam a renda das famílias e o elevado ônus tributário
sobre os preços reduz o poder aquisitivo dos consumidores.
Essa é uma questão
que precisa ser focada na retomada das discussões envolvendo a
reforma tributária. È necessário um projeto que minimize a
sonegação e que, ao mesmo tempo, alivie a carga de impostos
sobre os salários e o consumo. Para que isso ocorra só há uma
base viável para a cobrança de tributo que é a movimentação
financeira nos bancos.
Nesse sentido
há o projeto do Imposto Único, que prevê o fim do Imposto de
Renda, INSS patronal, ICMS, IPI, IOF, ISS e outros. A
arrecadação que eles geram seria obtida através da cobrança de
apenas 2,8% sobre os débitos e os créditos de cada lançamento
nas contas-correntes bancárias. A cobrança seria automática e
toda operação só seria liquidada em termos jurídicos depois de
passar pelo sistema bancário, medidas que fariam com que todos
paguem a sua parte, inclusive os sonegadores.
No caso dos
salários não haveria mais os descontos do IRPF na fonte,
elevando a renda disponível, e o ônus sobre a folha de
pagamentos das empresas, que é de 35%, se restringiria aos 8%
do FGTS, que permaneceria por se tratar de patrimônio do
trabalhador.
Simulações
revelam que no tocante ao consumo a substituição dos tributos
indiretos pela cobrança de apenas 2,8% sobre as transações
bancárias permitiria reduções nos preços finais. Por exemplo:
um veículo de R$ 25 mil poderia ter seu valor reduzido para R$
21 mil, o litro da gasolina passaria de R$ 2,50 para R$ 1,89,
um par de sapato de R$ 100 poderia custar R$ 84,35. Ou seja,
haveria maior poder aquisitivo com o Imposto Único.
Este é um
projeto viável para o país, pois ganham as empresas e os
trabalhadores sem que o governo perca arrecadação. Só os
sonegadores perderiam.
Marcos Cintra
Elas frente à administração
financeira
Elas vieram para ficar. O mundo
financeiro está cercado de todos os lados pelas mulheres. Em casa,
na empresa, nas lojas, em todos os ambientes as mulheres mostram
que se dão bem com dinheiro – e muito. O curioso é que muitas se
destacam no gerenciamento das contas da casa ou de uma
organização, mas, em contrapartida, quando o assunto é finança
pessoal ou investimentos, a mulher ainda exibe suas fragilidades.
Uma pesquisa
realizada com 2.096 mulheres no segundo semestre de 2009, pela
Sophia Mind, empresa de inteligência de mercado e pesquisa do
grupo Bolsa de Mulher, revelou algumas das principais
características femininas na gestão financeira.
Segundo o estudo,
77% das mulheres decidem sozinhas pelas compras domésticas. Assim,
elas costumam organizar a vida financeira com expectativas de
relações duradouras, como se o parceiro fosse estar ao seu lado
para sempre. Quanto à divisão dessas contas, apenas 39% delas
dizem ajudar o parceiro nas despesas de casa, questão que cabe ao
casal decidir. Se em casa a administração é responsabilidade da
confiança feminina, na vida pessoal o cenário é diferente. Em
relação a aplicações, 46% afirmaram que investem com frequencia
parte de sua renda, mas evitam passar por grandes apostas e
demonstram maior aversão em correr riscos, comparado ao sexo
masculino.
Além do cuidado
no investimento, as mulheres tendem a não poupar. Ao longo de um
ano, 54% afirmam investir nada ou bem pouco de sua renda e 43% das
entrevistadas, entre 41 e 50 anos, disseram que ainda estão
avaliando como se preparar para a aposentadoria.
Estes dados
revelam o mau planejamento feminino em questões administrativas
pessoais. É comum a mulher acabar esquecendo que é um ser
independente e que precisa se organizar para tomar as rédeas de
sua vida financeira, mesmo que tenha ao seu lado um parceiro que
se dedique mais a este assunto. O plano comum é um casamento
duradouro, mas nem sempre isto é uma realidade.
É fundamental que a mulher faça uma
idealização de suas contas pessoais, para que não tenha problemas
futuros. Programar a sua aposentadoria, por exemplo, é a base para
a tranquilidade financeira na terceira idade. Nessa hora, o
contador pode ser uma pessoa essencial para te orientar sobre qual
a melhor forma de se aposentar sem que você tenha surpresas
desagradáveis. É necessário também, que a mulher ajude seu
parceiro na hora de administrar as dívidas do lar, pois o
casamento pode ser considerado como a união de dois orçamentos e
de talentos, ou seja, se duas pessoas organizadas que tem um
planejamento econômico e conseguem aplicá-lo, melhorarão em muitos
aspectos as suas finanças e no caso de um dos dois ou ambos serem
empresários, o casamento não terá um efeito negativo para a
empresa.
Outra dica é
elaborar um plano de negócio ou uma tabela, na qual são somados
todos os gastos pessoais (prestações, contas a pagar, cartões de
crédito, gasolina, lazer e alimentação, por exemplo), e assim se
planejar com o salário que receberá no mês. Procure não gastar
mais do que ganha e nem deixar suas dividas acumularem. Se isto
acontecer, controle as datas de vencimentos e os juros para que
assim entre novamente no verde. Com as contas em dia fica mais
fácil economizar para o futuro.
Ter um orçamento organizado e um
controle financeiro são os pontos de partida, para a mulher e para
o homem que deseja investir em algo lucrativo ou apenas equilibrar
suas contas pessoais para não ficar no vermelho hoje e amanhã.
Dora Ramos
A conscientização do consumidor de
baixa renda
O Instituto Análise apurou através de
pesquisa de opinião pública que duas em cada três pessoas com renda
familiar até R$ 465 preferem pagar menos impostos sobre os produtos
que consomem em vez de serem auxiliadas por programas de
transferência de renda, como o Bolsa-Família. A constatação é
positiva, uma vez que revela que aos poucos os brasileiros mais
pobres se conscientizam do elevado peso dos tributos embutidos nos
preços das mercadorias. Esse consumidor está se dando conta que em
produtos como alimentos, por exemplo, há uma pesada carga tributária
que limita seu poder de compra.
É animador o fato da
população de baixa renda estar adquirindo maior consciência da
derrama tributária exercida pelo poder público através da cobrança de
tributos sobre os preços. Essa situação é uma oportunidade de
envolvimento desse grupo social numa das principais demandas do país
que é a reforma tributária. Essas pessoas desejam aumentar seu poder
de consumo e a redução de tributos é uma forma de elas atingirem esse
objetivo. Porém, é preciso esclarecer que não basta mexer na
estrutura de impostos conforme as diretrizes apresentadas nas
propostas que vêm tramitando no Congresso Nacional.
O projeto em
discussão muda apenas a forma de arrecadação dos tributos. A idéia é
juntar alguns impostos, como Cide-combustíveis, PIS, Cofins,
Salário-Educação e ICMS, sobre uma base que seria o valor agregado.
Propõe-se um IVA duplo, dividido entre os governos federal e
estadual, cuja alíquota total seria superior a 32%.
Esse imposto,
juntamente com outros que continuariam onerando o consumo, como o
IPI, ISS e outros, manteria a absurda carga tributária sobre o
consumo existente hoje. Resumindo, os impostos que atualmente
representam em média um terço dos preços de produtos, como o caso dos
alimentos, não seriam reduzidos com a proposta que está no Congresso
Nacional.
A alternativa para a
desoneração do consumo seria o Imposto Único. Simulações produzidas
com base nas Contas Nacionais e na matriz interindustrial do IBGE
mostram que substituir o ICMS, IPI, ISS e o INSS patronal por um
tributo de 1,13% cobrado no débito e no crédito de cada lançamento na
conta corrente bancária reduziria fortemente a carga de impostos
sobre os preços. No caso, por exemplo, de alimentos como arroz ela
cairia de 31,2% para 6,7%, no café passaria de 31,7% para 6,9%, no
leite seria reduzida de 28,7% para 7,4% e na carne iria de 34% para
7,4%.
O projeto do Imposto Único (PEC
474/01), proposta que está em condições de ser votada pela Câmara dos
Deputados, é a reforma tributária que atenderia a demanda da
população de baixa renda. Ele teria grande efeito sobre o poder de
compra dos consumidores ao permitir significativa redução dos preços
finais.
Marcos Cintra
O tabuleiro aumentou. Vamos jogar no
campo dos adversários
O esgotamento do potencial de mercado
nacional e a evolução do processo de integração da América Latina são
as duas forças que impulsionam os bancos brasileiros para o exterior.
Internamente, o crescimento do mercado
bancário estará dependente da velocidade de crescimento da economia
nacional e da permanência da política distributivista do governo
federal. Na medida em que a política de renda e os programas sociais
e assistenciais permaneçam, estarão garantidas as condições de
expansão das atividades financeiras, por meio da bancarização de um
grande número de novos usuários.
Apoiado em políticas
públicas e em evoluções tecnológicas recentes, o mercado bancário
dará acesso aos produtos e operações bancárias para uma ampla camada
da população, reduzindo seus riscos e viabilizando a inclusão de
milhões de novos consumidores. Para isso, a indústria bancária está
preparada e já razoavelmente dimensionada para atender às novas
solicitações. Portanto, crescer para além desses horizontes, impõe um
olhar mais atento para América Latina e outras regiões do mundo.
Do ponto de vista
dos bancos públicos, Caixa e Banco do Brasil, a ideia é garantir ao
governo brasileiro a liderança na integração financeira. A alta
especialização requerida por essas operações é uma oportunidade para
os bancos brasileiros e uma barreira para seus competidores latinos.
Essas razões são as mesmas que motivam as estatais brasileiras a
buscarem mercado em países da região, tudo sob o pretexto de suas
internacionalizações. O aprofundamento dessa integração poderá
desembocar, em futuro próximo, na criação de uma moeda única, em
processo semelhante ao que assistimos na zona do euro. Certamente, o
governo Lula e suas aspirações pan-americanista não retardariam
decisões nessa direção.
No que respeita aos
bancos privados, o processo é mais complexo e mais competitivo.
Instrumentos financeiros mais estruturados e produtos próprios de
investimentos dariam maior robustez ao processo de expansão no
cenário internacional. É nesse mercado que os bancos nacionais podem
buscar escala econômica, apoiados em tecnologia e experiência de
gestão acumuladas no país. A administração bancária brasileira
conseguiu amealhar uma experiência inigualável em criar e operar
bancos em conjunturas extremamente voláteis e de alto risco. Dentro
da América Latina, os principais mercados seriam: México, América
Central, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Peru, Colômbia e
Venezuela. Esse último, na hipótese de que o regime político
mostre-se suficientemente maduro e não hostil aos capitais
estrangeiros. O México seria uma porta de entrada para o mercado dos
Estados Unidos. Flórida, Texas e toda a Califórnia, com sua
predominância latina, constituem-se em mercados regionais atraentes.
Em Nova York, já
existem instalações físicas dando cobertura às operações de empresas
nacionais. O mesmo acontece na Europa. Em relação a esses países de
economias maduras e desenvolvidas, as coisas devem ocorrer nos
próximos dois ou três anos, aproveitando os baixos preços dos ativos
bancários e do endividamento excessivo das instituições financeiras
locais junto a seus governos nacionais. A aceitação de bancos
brasileiros será, por isso, facilitada nessas comunidades. Com os
aportes a serem feitos, os bancos brasileiros reduziriam a dívida das
instituições financeiras adquiridas junto a seus governos, injetariam
capital nas instituições privadas e permitiriam um aumento da
concorrência e da produtividade desse setor no primeiro mundo.
Banco do Brasil e Caixa já anunciaram
suas intenções. Itaú -Unibanco também declarou parte de seus planos
de internacionalização. Bradesco não tardará a por seus talentos em
campo. Podemos aguardar por fusões e aquisições, mas, dessa vez, para
além da fronteiras nacionais. No campo dos adversários. Já era tempo.
Celso Cláudio de Hildebrand e
Grisi
Seguro-desemprego:
pagamento recorde em 2009
O pagamento do seguro-desemprego foi
recorde em 2009, segundo balanço divulgado pelo Ministério do
Trabalho e Emprego. Foram destinados cerca de R$ 19,5 bilhões aos
trabalhadores involuntariamente dispensados por seus empregadores.
Esse valor significa uma ampliação de mais de 32% em relação ao ano
anterior na concessão e pagamento do benefício.
O aumento é
expressivo e deve ser atribuído à grave crise econômica e financeira
que atingiu o Brasil durante o primeiro semestre de 2009. Com a
grande redução das exportações e enfraquecimento do mercado interno
em determinados setores, não estimulados com benefícios fiscais, as
empresas e indústrias se viram obrigadas a reduzir seu quadro de
funcionários, enxugando as folhas de pagamento, para minimizar os
gastos e perdas. Com isso, o número de trabalhadores dispensados sem
justa causa aumentou vertiginosamente, o que acarretou, por
consequência, o acréscimo na concessão do seguro-desemprego.
Aliás, diversos
trabalhadores obtiveram a prorrogação do seguro-desemprego diante do
referido panorama econômico. O benefício, que é pago em até cinco
parcelas, foi estendido para até sete parcelas para cerca de 103,7
mil trabalhadores dispensados em dezembro de 2008. Segundo o Ministro
do Trabalho na época, a medida foi intentada porque só o índice de
desemprego em dezembro de 2008 superou a média constatada nos meses
de dezembro, janeiro e fevereiro dos últimos sete anos.
Passada a crise e
apresentadas às estatísticas do ano de 2009, cabe agora a reflexão
sobre os desdobramentos da concessão do seguro-desemprego na vida dos
trabalhadores. Trata-se de um benefício integrante da seguridade
social, e garantido aos trabalhadores por força do artigo 7º da
Constituição Federal. Sua finalidade é a de promover a assistência
financeira temporária aos trabalhadores dispensados sem justa causa,
ou que obtiveram a rescisão indireta de seus contratos de trabalho.
Assim, o seguro-desemprego visa auxiliar esses trabalhadores na sua
subsistência, e de suas famílias, durante a busca por nova
recolocação profissional.
No entanto, durante
a concessão do benefício poucos são os trabalhadores que buscam o
aprimoramento profissional e especialização de sua mão-de-obra para
conseguirem um novo, e melhor, posicionamento no mercado de trabalho.
Aliás, muitos procuram nova recolocação profissional apenas após o
esgotamento das parcelas, com o medo de verem seus rendimentos
cancelados pela admissão em novo emprego. Não que este fato seja a
regra dentre os trabalhadores, mas, com certeza, adotado por muitos
que desconhecem a legislação laboral acerca suspensão do benefício em
caso de admissão em novo emprego.
Diante dessa
constatação, o atual Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se
comprometeu a enviar ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (Codefat), responsável pela administração e concessão do
seguro-desemprego, uma proposta de modificação nas regras da
concessão do benefício. A alteração condicionaria o pagamento do
seguro-desemprego à presença obrigatória do beneficiário em cursos de
qualificação profissional, a exemplo do que já é feito na Itália.
No modelo italiano,
o seguro-desemprego adota a denominação de indennità di
disoccupazione e vincula a concessão do benefício à presença do
beneficiário em cursos que o qualifiquem para nova inserção no
mercado de trabalho. Caso seja aceita a proposta, os cursos poderiam
ser fornecidos pelo próprio Estado, bem como através de convênios
firmados com entidades sindicais e de direito privado, como o Senai.
A adoção do modelo
estabelecido pela legislação italiana não que dizer, necessariamente,
uma queda no gasto com o pagamento do seguro-desemprego. Isto fica
evidenciado pelos próprios dados fornecidos pelo governo italiano,
que entre janeiro e fevereiro de 2009, época da crise econômica,
recebeu mais de 370 mil requerimentos de seguro-desemprego, um
aumento de pouco mais de 46% em relação ao mesmo período de 2008.
Entretanto, o objetivo primordial da medida não é dificultar o acesso
ou restringir a concessão do seguro-desemprego, mas sim, acabar com a
ociosidade dos beneficiários durante o percebimento do benefício. O
intuito é fomentar e incentivar a busca por conhecimento,
qualificação profissional e especialização da mão-de-obra, gerando a
valorização do trabalhador e pagamento de melhores salários, o que,
definitivamente, refletirá no mercado de trabalho e na prestação dos
serviços.
Orestes Antonio Nascimento Rebuá
Filho
Riscos do crédito consignado
Hoje muitas empresas já permitem que
seus colaboradores realizem o chamado crédito consignado, com certeza
esse é um ótimo benefício, contudo, que deve ser seguido de alguns
cuidados. Ao oferecer esse produto, tem que ser grande o cuidado para
que não se esteja combatendo apenas o efeito do problema do
endividamento, e sim também ferramentas para combater a causa que é a
falta de educação financeira. Caso contrário, esse benefício fará com
que o problema possa se tornar uma “bola de neve”.
É fundamental que os
profissionais de recursos humanos se atentem para o papel primordial
da capacitação de seus colaboradores em relação a reeducação
financeira, pois, isso com certeza fará com que eles se endividem
menos e melhores sua produtividade.
Mas o que é o
crédito consignado? É uma forma dos trabalhadores terem acesso a
empréstimos com juros bem mais baixos que os usualmentes cobrados no
cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal. Com a garantia
de este ser realizado com desconto de prestações em folha de
pagamento (crédito consignado), ou seja, o trabalhador receberá seu
salário já deduzido da prestação devida ao banco. O valor máximo das
prestações é de até 30% do salário líquido mensal. Assim, essa é a
melhor forma das pessoas endividadas ajustarem suas contas. Retomando
o caminho da segurança financeira.
As empresas devem
assim incentivar essas práticas em alguns casos, mas antes tem a área
de RH deve conversar francamente com os colaboradores que necessitam
do benefício. Mostrando que tomar um empréstimo deve ser um ato
responsável, com a avaliação dos reflexos que ele terá. Senão estará
apenas criando um problema a mais para o futuro. Com esses entrando
no ciclo vicioso do endividamento.
Isso provavelmente gerará no futuro
insatisfação dos colaboradores, ao constatarem que o que a empresa
paga não é suficiente para eles sobreviverem. Também recomendo que
quando a empresa utilizar esse tipo de benefício, que seja
acompanhado por cursos de reeducação financeira dos colaboradores.
Onde eles verão que é possível utilizar os salários de forma
adequada, até mesmo guardando uma parte deste para a realização de
objetivos (sonhos futuros).
Com a reeducação
financeira, os colaboradores quebrarão paradigmas estabelecidos em
nossa sociedade sobre a utilização do dinheiro de forma irresponsável
e consumista, vendo que o que gastam deve se adaptar ao que ganham,
incluindo nisso uma quantia para os objetivos. A empresa, oferecendo
isso aos colaboradores, além de melhorar a qualidade de vida deles e
de suas famílias, com certeza também observará melhorias na
produtividade, já que pessoas com menos problemas se dedicam mais aos
seus afazeres profissionais.
Por fim, a empresa
também deve mostrar que esses créditos são bons em alguns casos,
principalmente para quem está pendurado no cheque especial ou cartão
de crédito, sendo uma ótima opção para sair do sufoco, pelos juros
menores e prazos maiores. Para quem está no crédito pessoal parcelado
ou no carnê da loja, até no penhor da CEF, tem que analisar o
desconto que será dado pelo pagamento antecipado da dívida. Se a taxa
de juros do desconto for maior que a do empréstimo consignado,
recomendo a troca.
Antes de oferecer
benefícios aos colaboradores, é importante dar a percepção de onde as
ações corretivas e preventivas serão de melhor desempenho e eficácia.
Pois, como diz o velho ditado “prevenir é melhor que remediar”.
Reinaldo Domingos
Uma nova década. Uma nova chance para
enriquecer
Recebi o telefonema de um ex-aluno
queixando-se que sua carteira de ações, administrada por ele mesmo,
que rendeu somente 40% nos 12 meses de 2009, enquanto que o Ibovespa
rendera cerca de 80% no mesmo período. Ao fazer a comparação pura e
simples entre as rentabilidades, o mínimo que podemos dizer é que o
rapaz não perdeu dinheiro, mas poderia ter ganhado mais.
Porém, ao ver o ranking da rentabilidade dos investimentos
deste ano, divulgado recentemente, vemos que, mesmo com um rendimento
de metade do Ibovespa, o desempenho desse ex-aluno como gestor dos
próprios recursos alcançaria o honroso segundo lugar no ranking de
geral investimentos. Assim, podemos dizer que ele poderia ter sido
melhor, mas seu desempenho está longe de ser ruim.
Como sempre digo: a
bolsa de valores deve fazer parte de um projeto de enriquecimento de
vida e não de um momento, de apenas um ano, por exemplo. Seria
excesso de otimismo ou ausência de conservadorismo esperar os outros
82% de rentabilidade para o Ibovespa em 2010. Contudo, seria falta de
realismo acreditar que a bolsa não é capaz de superar todas as demais
alternativas de investimento no mercado financeiro em 2010 e nos
próximos 10 anos, mesmo que no período tenhamos meses ou anos com
rentabilidade negativa.
Estamos entrando em
uma nova década e há mais escolhas, mais opções, mais alternativas do
que nunca tivemos antes. Mas, quem vai enriquecer nos próximos
10 anos? Quem buscar a resposta nos indicadores oficiais de consumo e
renda verá que, praticamente, toda a população enriquecerá de 2010 a
2020.
Isto ocorrerá, pois esse tipo de pesquisa mede a riqueza da
população pelo aumento de sua renda e com base nos itens de instrução
e consumo possuídos e encontrados em domicílio. Cada item encontrado
soma pontos para alçar aquele domicílio a um degrau mais alto na
escala social.
Entretanto, com o
crédito mais abundante e acessível - eu disse acessível, não barato -
as pessoas terão a sensação de enriquecimento pessoal ao usarem o
crédito para o consumo. Enquanto que as pesquisas terão a "sensação"
de enriquecimento populacional e, muitas vezes, esquecerão de que
indivíduos e populações passaram a ser mais endividados, sendo que
muitos jamais sairão das dívidas.
Portanto, minha
resposta à questão acima é simples: enriquecerá quem receber mais
juros e empobrecerá quem pagar mais juros. No meio do caminho estarão
os "remediados", que pagarão menos juros e trocarão os juros
recebidos por sonhos passageiros de consumo. Enfim, é sempre bom
refletir se você é gastador ou poupador, se empobrece ou enriquece
bem como qual será o destino dado as suas economias na próxima
década. Roupas? Carros? Viagens? Caderneta de Poupança? Imóveis?
Dólar? Ou ações de empresas brasileiras gigantescas e que crescem ano
após ano? Desejo realmente que todos façam a escolha certa e tenham
uma década de enriquecimento.
Mauro Calil
Aposentados brasileiros buscam maiores
ganhos com a desaposentação
Mais um ano se iniciou e os primeiros
meses são sempre iguais para os contribuintes brasileiros: é chegado
a hora de pagar os impostos como o IPTU, IPVA, fora os gastos com as
matrículas e os materiais escolares que também sofrem altas
tarifações.
Anos passam, e os
aposentados continuam reclamando do valor que recebem mal dando para
pagar os tributos. Mas, essa situação vem se revertendo e um grande
número de pessoas estão procurando o direito de se desaposentarem.
O advogado
previdenciário Guilherme de Carvalho, do escritório G Carvalho,
explica que muitos casos de clientes que recorrem são porque o
beneficiário se aposentou cedo, recebendo um pequeno valor devido ao
fator previdenciário. “Por causa da baixa renda, o cidadão continua
na ativa, podendo rever os valores na Justiça. O beneficiário que se
aposentou e continuou a trabalhar e contribuir para o Instituto
Nacional de Seguridade Social (INSS) pode rever os valores na
Justiça”, garante.
A Justiça brasileira
vem contribuindo para a questão, concedendo pareceres favoráveis.
“Tivemos em apenas um dia 51 ações com pareceres favoráveis de
desaposentação concedidos pelo Tribunal Regional Federal de São
Paulo. O Tribunal da 1º Região em Brasília garantiu a desaposentação
de um cliente do escritório que recebia mensalmente R$ 1.160,00. Com
a revisão dos valores, o cliente passou a receber o valor máximo pago
pela previdência social, R$ 3.218,90”, diz o advogado previdenciário
Guilherme de Carvalho.
“Para quem possui
esse direito é necessário o cálculo para saber o quanto a mais
passará a receber, mas, isso é um trabalho que será realizado pelo
advogado responsável pelo processo. E também é importante reforçar
que até que a nova aposentadoria saia, a pessoa beneficiária do INSS
continua recebendo a antiga sem prejuízos”, explica o advogado
Guilherme de Carvalho.
Captação de recursos e endividamento
“Um homem deveria, sempre, comer e
beber menos do que seus meios lhe permitem; vestir-se conforme seus
meios; e honrar sua esposa e seus filhos mais do que pode.”
O antigo provérbio,
simples na forma e profundo em sabedoria, é pouco colocado em
prática, seja pelas pessoas ou pelas empresas. Consumir demais,
ostentar demais, e deixar de lado as coisas que possuem real
importância, são erros que cometemos com frequência, inclusive no
mundo dos negócios.
Consumir demais, ostentar
demais, e deixar de lado as coisas que possuem real importância, são
erros que cometemos com frequência, inclusive no mundo dos negócios.
Não se deve, porém,
confundir endividamento com busca de crédito ou com os financiamentos
imprescindíveis à aquisição de bens de produção, melhorias de métodos
e processos, expansão dos negócios etc. Pois, da mais modesta empresa
familiar à grande corporação multinacional, todas as organizações
precisam recorrer a essas ferramentas para poderem superar limites. O
que importa é a qualidade desse endividamento, em primeiro lugar; e,
em segundo, a capacidade da empresa saldar seus compromissos.
Há gestores que se
orgulham em utilizar apenas capital próprio. De fato, ao não se
envolverem com empréstimos de bancos ou outras fontes, eles ficam com
um balanço de contas saudável. Além disso, é inegável que o
endividamento aumenta o risco do negócio.
Por outro lado, não se
pode crescer sem investir. O segredo da boa gestão não reside em
manter o saldo sempre positivo, mas em utilizar as linhas de crédito
disponíveis com discernimento e sabedoria – ou, como no ditado
mencionado acima, “dentro das suas possibilidades”.
Se a finalidade para
a qual o investimento foi buscado responder às ambições do
empreendedor, e ainda por cima gerar um lucro que suplante os juros
do financiamento que tornou possível sua realização, então terá sido
uma escolha sábia, competente.
Se, no entanto, a
empresa tiver que recorrer frequentemente a empréstimos bancários
para quitar seus custos de manutenção – por exemplo, o pagamento dos
salários dos seus colaboradores, o aluguel da sede etc. –, haverá um
claro problema de gestão.
O ingresso no mercado de
capitais é uma excelente alternativa para as empresas que precisam se
capitalizar. Pela Bovespa Mais, por exemplo, elas podem começar a
negociar papeis seguindo regras mais flexíveis do que aquelas
vigentes no mercado principal de ações. Assim, além de obterem o
capital necessário à concretização de seus projetos, elas ganham
visibilidade perante os investidores, o que pode ser de extrema
utilidade no momento em que decidirem fazer sua oferta pública de
ações (IPO).
Deve-se estar atento
para o fato de que a saúde financeira da empresa tende a estar
vinculada a outros aspectos da boa gestão. Em outras palavras,
somente com um bom acompanhamento na área contábil, gestão
transparente, disposição para realizar a constante revisão de
processos e maturidade para alterar métodos e procedimentos que não
estão dando certo, uma empresa pode alcançar o sucesso.
Marcelo Gonçalves
O empreendedorismo de baixa renda
por políticas públicas mais focadas e eficientes
No campo dos estudos sobre
empreendedorismo, uma definição é considerada um dos mais importantes
divisores: é o conceito do empreendedorismo por necessidade versus o
empreendedorismo por oportunidades. De modo geral, "por necessidade"
é aquele empreendedor que não tinha outra escolha, ou seja, estava
desempregado e sem alternativas, e assim iniciou seu empreendimento;
por outro lado, o "por oportunidade" tinha outras escolhas, por
exemplo, tinha um bom emprego, e lançou-se no mundo do
empreendedorismo por escolha própria.
Esta definição é
extremamente importante para que possamos conhecer melhor o tipo de
empreendedores de cada país e região, e assim o GEM (Global Epresas
que duram menos, fecham as portas com mais freqüência; países com
maior quantidade de empreendedores por oportunidade apresentam
empresas mais duradouras, mais voltadas à inovntrepreneurship
Monitor) a utiliza de forma intensa. Por exemplo, um país com grande
quantidade de empreendedores por necessidade tende a ter emação
tecnológica. Portanto, o GEM tenta medir se e como países estão
conseguindo transformar empreendedores por necessidade em
empreendedores por oportunidade, e este é um trabalho sério e
importantíssimo.
Existe uma outra
forma de se conceituar e medir o empreendedorismo, porém, que pode
ser muito mais útil ao se compreender e criar políticas públicas em
países como o Brasil. É a definição que proponho entre
empreendedorismo de baixa renda versus empreendedorismo de alta
renda. Ao contrário da primeira, que exige uma autodefinição do
entrevistado (você se considera empreendedor por necessidade ou
oportunidade?), o empreendedor de baixa renda pode ser encontrado por
condições (medições) extrínsecas, como o capital disponível, o tipo
de empresa a ser iniciado, etc. Um alto executivo, que quando
demitido abre seu próprio negócio porque não encontra recolocação a
altura, pode ser considerado um empreendedor por necessidade, mas não
será jamais um empreendedor de baixa renda; apenas o seu
conhecimento, acesso ao crédito e experiência já o classificam como
empreendedor de alta renda.
Não se trata aqui de
repetir o conceito de micro-empresa e empresa pequena, média e
grande. O momento em que se define e encontra um empreendedor de
baixa renda é, muitas vezes, anterior ao da criação do negócio.
Podemos dizer que o empreendedor de baixa renda, quando bem sucedido,
é o criador de uma micro-empresa. Antes disso, porém, ele passará por
vários outros estágios, como o do negócio informal ou o do negócio
cooperado, por exemplo.
O empreendedor de
baixa renda muitas vezes é também um empreendedor por necessidade,
mas em importantes casos esta relação não se verifica. Podemos ver,
por exemplo, as dezenas de empreendedores de baixa renda que operam
carrinhos de venda de refrigerantes, isotônicos e similares no Parque
do Ibirapuera em São Paulo. Muitas vezes não são microempresários,
nem têm firma aberta, mas operam há anos (às vezes décadas) em seus
negócios, e se você lhes oferecer um emprego, irão recusar
prontamente. São, certamente, empreendedores de baixa renda, mas
agora por oportunidade. São pessoas que, mesmo sem formação, sem
acesso a crédito, sem quase nada, em verdade, vislumbraram uma
oportunidade e trabalham duro para explorar (no bom sentido) esta
oportunidade, criando famílias e educando filhos, mostrando na
prática a viabilidade do empreender.
Pergunte a estes
empreendedores como as políticas públicas os apoiaram nestes anos
todos e você terá uma resposta dura. "As políticas públicas sempre
foram um estorvo para nós", eles dirão, citando as várias vezes em
que tentaram tirar-lhes o direito de operar no Parque, ou criaram
esta ou aquela dificuldade. Eles se organizaram em uma cooperativa, e
o motivo principal não foi aproveitar uma oportunidade legal ou
realizar compras em conjunto e assim conseguir melhores preços. O
motivo principal foi lutarem contra as investidas das "políticas
públicas".
Apenas conseguindo
entender e encontrar quem é este tipo de brasileiro e brasileira,
exemplificados no caso acima, é que poderemos desenhar políticas
públicas que superem o simples assistencialismo e incentivem o mérito
e o esforço pessoal, em um nível nunca antes alcançado pelas
estratégias convencionais no Brasil.
Pequenas mudanças
conceituais podem nos ajudar grandemente quando precisamos montar
políticas públicas focadas no público correto e efetivas em suas
realizações. A mudança na definição e as formas de se encontrar e
estimular o empreendedor de baixa renda pode trazer, a São Paulo e ao
Brasil, uma nova forma de se montar e gerenciar políticas públicas de
apoio ao empreendedor de baixa renda, agora livre da pecha de
"coitado" e "necessitado"; e trazer a estes empreendedores as
condições para crescerem e se consolidarem. Muito diferente de fazer
com que se unam somente para lutar contra as injustiças do Estado, do
Governo e das políticas públicas equivocadas.
Henrique Flory
Impostos
Trade Contabilidade dá dicas de como
ficar em dia com os impostos ao longo do ano
Começo de ano é o período certo de
colocar a vida em ordem e organizar as finanças. Afinal, se janeiro
foi época de pagar os “is”, como IPVA e IPTU, preparem os bolsos,
pois outras cobranças e declarações de impostos ainda vão tirar o
sono de muita gente. Simone Domingues, sócia e contadora da Trade
Contabilidade, empresa do Grupo Virtual Office, alerta para as
obrigações que devem ser entregues.
Da declaração de
imposto de renda à relação anual de informações sociais, são tantos
encargos que não é difícil se perder nos prazos. Para isso, Simone
aconselha que seja feito um planejamento. “Montar uma planilha com
todas as obrigações ao longo do ano e os prazos de vencimento pode
evitar muita dor de cabeça”, explica.
Fique atento às
datas de entregas dos impostos do primeiro semestre de 2010:
19/03/2010 - declaração de
contribuições e tributos fiscais (DCTF)
19/03/2010 - demonstrativo de
contribuições sociais (DACON)
26/03/2010 - relação anual de
informações sociais (RAIS)
31/03/2010 - declaração inativa
30/04/2010 - declaração de imposto de
renda pessoa física (DIRPF)
30/04/2010 - declaração de imposto de
renda pessoa jurídica - lucro real
30/06/2010 - declaração de imposto de
renda pessoa jurídica - lucro presumido
Adolescentes puxam endividamento das
famílias com gastos com vestuário, comunicação e alimentação fora do
lar
Estudo realizado pela Kantar WorldPanel
(ex LatinPanel) mapeia os hábitos de consumo dos jovens brasileiros e
de suas famílias
Os desejos de consumo dos adolescentes
estão levando as famílias brasileiras ao endividamento. Estudo da
Kantar Worldpanel (ex LatinPanel), maior empresa de pesquisas de
consumo domiciliar da América Latina, revela que os lares com jovens
entre 12 e 19 anos estão no vermelho e gastam em média 5% a mais do
que conseguem ganhar a cada mês. Já as famílias que não têm jovens em
sua composição conseguem poupar 5% da receita mensal.
O furo no orçamento
vem de gastos que buscam atender aos desejos dos teens. Nos lares com
jovens, as famílias gastam 43% a mais com vestuário do que nos
domicílios sem adolescentes. A vontade de falar com os amigos também
pesa no orçamento. A conversa fiada no telefone e o uso intensivo de
internet e outros meios de comunicação faz com que as famílias com
adolescentes tenham dispêndios com este tipo de serviço 9% superiores
aos dos demais domicílios do país.
O consumo de
alimentos e bebidas fora do lar também pesa no orçamento. As saídas
com a galera resultam em gastos 10% superiores com estes itens nas
famílias com teens em sua composição.
As classes AB são as
que mimam mais os filhotes na fase da puberdade e início da vida
adulta. Neste estrato, as famílias gastam em média 8% a mais do que
ganham por conta de despesas com o consumo dos filhos.
Gastos individuais
A pesquisa Kantar Worldpanel revelou
também que os adolescentes das classes AB são os mais descontrolados
com o orçamento, enquanto os jovens das classes C,D e E administram
melhor os recursos que recebem da família ou de seus ganhos pessoais
no mercado de trabalho.
Os jovens da AB
gastam 14% a mais do que ganham (mesada, salário ou outros
rendimentos). Ao contrário, os teens de classe C economizam 32% do
que ganham. Na baixa renda (DE) a economia é ainda maior e chega a
48% do dinheiro recebido.
Aparência
A preocupação com a aparência e de como
serão vistos pelos colegas é o motor do consumo dos teens. A pesquisa
Kantar Worldpanel revela que 23% dos gastos individuais dos
adolescentes se dá com a compra de roupas. Educação vem em segundo
lugar, com 19% de participação. Alimentação fora do lar e o
transporte público ficam com 12% do total cada.
“O jovem tem uma
grande preocupação com sua aparência, pois isso conta muito para o
seu sucesso nos relacionamentos sociais. Desta forma, o item
vestuário se torna fundamental e encabeça a lista das preocupações
desse perfil de consumidor”, explica Christine Pereira, diretora
comercial da Kantar Worldpanel.
Os jovens gastam em
média, por ano, R$ 308,00 com lazer. Deste total, 27% são utilizados
para a compra ou aluguel de CDs, DVDs de filmes e de videogames. As
idas ao cinema consomem 19% dos gastos, as baladas e shows ficam com
11%, parques temáticos com 8%, mesmo patamar do que é destinado aos
artigos esportivos.
Segundo a pesquisa,
salgados, lanches e sanduíches estão presentes no cardápio de 56% dos
jovens entrevistados, representando um gasto médio anual de R$
190,00. O mesmo acontece com balas, sorvetes, biscoitos, pipoca e
outras guloseimas, que fazem parte do dia-a-dia de consumo de 52% dos
teens, representando um gasto médio anual de R$ 130,00.
“Definitivamente não se preocupam com a boa alimentação fora de
casa”, diz Christine.
Computador e Internet
Outro diferencial dos lares com
presença de jovens está no uso da tecnologia. O computador está
presente em 32% dos domicílios com teens, percentual 10 pontos
percentuais superior ao dos demais lares do País.
O mesmo fenômeno
ocorre com a Internet, que está presente em 26% dos lares com jovens,
ante 19% das famílias sem adolescentes. A TV por assinatura está
presente em 16% dos domicílios com teens, contra 14% em casas sem, e
a banda larga está presente em 31%, ante 22%.
Loucos por inovações, a grande maioria
dos jovens – 88% entre os indivíduos de 14 a 18 anos – possuem
telefone celular no Brasil. Mais da metade, 58%, compram aparelhos de
até R$ 200,00. Outros 32% adquirem de segunda mão. Além disso, 57%
dos adolescentes trocam de aparelho a cada 14 meses.
Além de serem
adeptos ferrenhos do telefone celular, os jovens também buscam por
inovações em serviços, sendo os principais usuários das ferramentas
de comunicação disponibilizadas pelas operadoras de telefonia móvel.
Hoje, 80% dos jovens usam SMS, ante 73% dos demais usuários. 24% dos
adolescentes enviam fotos pelo celular, ante 18% das pessoas de
outras idades. Outros 25% de teens fazem download de jogos, contra
17% dos demais consumidores. “O jovem gosta de tecnologia e novidade.
O celular é um prato cheio para isso”, conclui a executiva.
Demografia e renda
As famílias com presença de jovens
(idade entre 12 e 19 anos) representam hoje 36% dos domicílios do
país, o correspondente a 16,2 milhões de lares, nos quais a renda
domiciliar é, em média, 6% superior à renda de uma família sem
adolescentes e os gastos médios 19% superiores (R$ 48 bilhões), o que
as torna um nicho de mercado extremamente atrativo. Segundo a
pesquisa, a renda média individual de cada membro de uma família com
jovens é de R$ 218,00. O gasto médio é de R$ 196,00.
Carrinho de compras
As famílias compostas por adolescentes
das classes A/B colocam 41 categorias em seu carrinho de compras,
quatro a mais do que os núcleos familiares sem jovens. O mesmo ocorre
nas classes D/E, que compram seis categorias a mais.
Os produtos que mais
se destacam nos carrinhos das famílias com jovens são catchup (23%),
leite aromatizado (20%), massa instantânea (13%), salgadinhos (9%),
desodorante (9%), modificador de leite (9%), suco em pó (8%) e
maionese (7%). “São itens práticos, rápidos e saborosos”, explica a
executiva.
Há ainda uma lista
de produtos com grande potencial de crescimento dentro do carrinho de
compras das famílias com presença de jovens. São eles: bebida de
soja, leite fermentado, água mineral, suco pronto e deo colônia.
“Estes itens se enquadram no perfil de consumo das famílias compostas
por adolescentes, mas ainda não estão sendo bem trabalhos”, avalia
Christine.
Jovens concentrados no Norte e Nordeste
Em uma análise regional, a grande
maioria dos domicílios com presença de jovens no Brasil está nas
regiões Norte e Nordeste (32%). Apesar disso, essas famílias contam
com uma renda 33% mais baixa do que a média nacional, o que reflete
diretamente em uma menor renda individual - R$145,00. “Isso acontece
porque 58% da população dessas regiões são de baixa renda”, observa a
executiva.
Trata-se de uma
situação totalmente contrastante com a da Grande São Paulo, que tem
uma concentração de lares com jovens, 13%, ou seja, 20 pontos
percentuais a menos que no Norte e Nordeste, porém com uma renda
familiar 37% superior ao resto do Brasil, refletindo ganhos
individuais de R$298,00. O Interior de São Paulo não fica muito
atrás, respondendo por 12% dos domicílios com jovens ganhando 23% a
mais do que a média nacional, e com uma renda individual de R$268,00.
A região Sul fica
com 15% dos domicílios com jovens do País, com renda familiar
superior ao resto do Brasil em 29% e ganhos de R$281,00 por pessoa. A
região Centro-Oeste, por sua vez, responde por 8% dos lares com
adolescentes, onde a renda média das famílias supera em 22% a média
nacional e a individual é de R$ 266,00.
A região Leste,
juntamente com o Interior do Rio de Janeiro, tem 14% dos lares com
presença de jovens, com renda 10% superior ao resto do Brasil e ganho
individual mensal de R$ 233,00.
O mesmo não se
observa na Grande Rio, que possui 7% dos lares com adolescentes do
País, porém com uma renda média 16% abaixo da média nacional e ganhos
individuais de R$ 185,00.
ICMS incidente nas operações de
importação - recente decisão do STF
Devido a vários entendimentos dos
fiscos estaduais, sempre houve uma polêmica: para quem é devido o
ICMS nas operações de importação, especificamente, nas operações
triangulares e nas importações por conta e ordem e por encomenda?
Alguns Estados, como o Paraná e
Santa Catarina, sempre tiveram que o local da operação ou da
prestação, para efeito de cobrança do ICMS, é onde estiver situado
o importador, porque nas operações de importação de mercadorias
ocorrem dois fatos geradores do ICMS, um na entrada da importação
e outro na saída, por ocasião da venda dessas mercadorias a outro
Estado. Esse entendimento também se deu, pois o texto
constitucional em seu art. 155, § 2º, IX, “a” determina que o
imposto é devido ao Estado onde estiver situado o domicilio ou o
estabelecimento destinatário da mercadoria.
Apesar do
entendimento doutrinário majoritário, alguns Estados, como São
Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, entre
outros, interpretam a questão de forma distinta da exposta,
compreendendo que o ICMS é devido ao Estado do estabelecimento no
qual ocorre a entrada física da mercadoria importada.
Sendo assim, se
havia uma mercadoria importada por um estabelecimento do Paraná,
com desembaraço em Santos/SP, e o cliente comprador (entrada
física) se situava na Bahia, para quem seria devido o ICMS? O
fisco Paranaense exigiria para o Estado importador e o fisco
Baiano exigiria o ICMS para o destino físico. Em um caso como
este, o importador ficava sem saber para quem recolher: se aplica
o entendimento do seu ou do outro Estado, criando assim várias
complicações.
Contudo,
recentemente, a 2ª Turma do STF decidiu que o ICMS é devido ao
Estado importador. Ao analisar dispositivo do artigo 155 da
Constituição, afirmou que a parte final do dispositivo estabelece
a competência para arrecadação do ICMS incidente sobre operações
de importação com base no princípio da territorialidade, “o
destinatário a que alude o dispositivo constitucional é o
jurídico, isto é, o destinatário legal da operação da qual resulta
a transferência de propriedade do bem, ou seja, o importador
adquirente”.
Afirmou, ainda, o
Ministro Joaquim Barbosa: “O que se indaga é quem foi o
importador, pessoa efetivamente responsável pelo negócio jurídico
que subsidiou a operação, que trouxe os produtos ao território
nacional”.
Sendo assim,
podemos afirmar que o entendimento do Estado do Paraná e Santa
Catarina ganhou força com esta decisão.
Tânia Cristina Pryplotski de
Souza
Imposto de Renda – Veja os erros
comuns que levam à malha fina
No dia 01 de março tem início o
período para entrega da DIRPF - Declaração de Ajuste Anual do
Imposto de Renda - Exercício 2010 - Ano base 2009. Apesar do longo
prazo para entrega, até trinta de abril, o diretor executivo da
Confirp Contabilidade, Richard Domingos, alerta que esse é o
melhor período para a realização da declaração.
“Isso por dois
motivos: quem entrega o material com antecedência receberá sua
restituição antes, além disso, em caso de problemas, o
contribuinte terá tempo para resolvê-los, evitando a necessidade
de realizar uma declaração retificadora, depois do prazo de
entrega”, alerta.
Por esse motivo
Domingos recomenda que os contribuintes já iniciem a separar os
documentos necessários para realização da declaração. “Após a
entrega da declaração, esses documentos deverão ser guardados por
pelo menos seis anos, pois poderão ser solicitados a qualquer
momento pela Receita Federal, para prestação de conta” recomenda.
Mas quais os principais motivos que levam os contribuintes a
caírem na malha fina? Veja abaixo uma listagem feita pela Confirp
Contabilidade:
O contribuinte pode cair na malha
fina quando:
1) Informar incorretamente os dados
do informe de rendimento, principalmente valores e CNPJ;
2) Deixar de informar rendimentos
recebidos durante o ano (as vezes é comum esquecer de empresas em
que houve a rescisão do contrato);
3) Deixar de informar os rendimentos
dos dependentes;
4) Informar dependentes sem ter a
relação de dependência (por exemplo, um filho que declara a mãe
como dependente mas outro filho ou o marido também lançar);
5) A empresa alterar o informe de
rendimento e não comunicar o funcionário;
6) Deixar de informar os rendimentos
de aluguel recebidos durante o ano;
7) Informar os rendimentos
diferentes dos declarados pelos administradores / imobiliárias;
8) Informar despesas médicas
diferente dos recibos.
A empresa pode levar o
funcionário à malha fina quando:
1) Deixa de informar na DIRF ou
declara com CPF incorreto;
2) Deixar de repassar o IRRF retido
do funcionário durante o ano;
3) Altera o informe de rendimento na
DIRF sem informar o funcionário.
Veja também os principais
documentos que devem ser separados:
Copia da Declaração entregue no ano
de 2009
Informes de Rendimentos de
instituições financeiras, inclusive corretora de valores;
Informes de Rendimentos de Salários,
Pró Labore, Distribuição de Lucros, Aluguéis, etc.;
Informações e documentos de outras
rendas percebidas em 2009 (herança, doações, indenizações por
ação, resgate do FGTS, etc.)
Documentos comprobatórios da venda
ou alienação de bens ocorridas em 2009;
Documentos comprobatórios da compra
ou aquisição de bens ocorridos em 2009;
Documentos comprobatórios da
aquisição de dívidas e ônus no ano de 2009;
Dados da conta para restituição ou
débitos das cotas de imposto apurado, caso haja.
Livro caixa;
DARFs de Carne Leão;
Controle de compra e venda de ações,
inclusive com a apuração mensal de imposto (indispensável para o
cálculo do Imposto de Renda sobre Renda Variável).
DARFs de Renda Variável;
Recibos de Pagamentos de Plano de
Saúde (com CNPJ da empresa emissora);
Despesas médicas e odontológicas em
geral (com CNPJ da empresa emissora);
Comprovantes de despesas com
educação (com CNPJ da empresa emissora);
Comprovante de pagamento de
previdência social e privada (com CNPJ da empresa emissora);
Recibos de doações efetuadas;
Recibos de empregada doméstica
(apenas uma), contendo número NIT.
Importante: Quando se tratar de
DECLARAÇÃO CONJUNTA com dependentes (esposa, filhos, etc.) também
é necessário a apresentação da relação acima referente a eles.
Empresa inativa também deve prestar
contas à Receita Federal
As empresas (pessoas jurídicas) que
permaneceram inativas durante o ano de 2009 devem apresentar, até o
dia 31/3, a Declaração Simplificada de Pessoa Juridica (DSPJ) –
Inativa 2010, por meio do formulário online disponível no site da
Receita Federal (http://www.receita.fazenda.gov.br).
Segundo Glauco
Pinheiro da Cruz, diretor do Grupo Candinho Assessoria Contábil e
também presidente do Sesconapi (Sindicato das Empresas de Serviços
Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e
Pesquisas do Grande ABC), é preciso atenção por parte dos empresários
para que chequem como anda a contabilidade da empresa inativa. “É
comum o empresário abandonar a empresa e também esquecer da entrega
de declarações inerentes à inatividade do negócio. Ele só se dará
conta de que está irregular quando fizer um negócio ou for adquirir
um bem, porque o seu CPF constará irregular e ele não poderá efetuar
as negociações desejadas”, explica.
É considerada pessoa
jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade
operacional, não-operacional, patrimonial ou financeira, inclusive
aplicação no mercado financeiro ou de capitais, durante todo o
ano-calendário referente à declaração. A DSPJ - Inativa 2010 deve ser
apresentada também pelas pessoas jurídicas que forem extintas,
cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou
incorporadas, durante o ano-calendário de 2010, e que permanecerem
inativas durante o período de 1º de janeiro de 2010 até a data do
evento.
A multa pela não
apresentação da Declaração é de R$ 200,00 (duzentos reais), que será
informada automaticamente ao contribuinte no momento do envio da
declaração em atraso.
Onde está o risco das novas notas?
Na primeira semana de fevereiro
passado, o governo lançou as novas notas de Real e as primeiras
cédulas a chegar ao mercado serão as de R$ 100 e de R$ 50,
justamente por serem os alvos preferidos de falsificação, conforme
estatísticas. Elas estarão disponíveis ainda no primeiro semestre
de 2010.
Em 2011, será a
vez de substituir as notas de R$ 10 e R$ 20. As cédulas novas de
R$ 2 e R$ 5 só entrarão em circulação em 2012, segundo o Banco
Central.
O presidente do
BC lembrou que o Real foi lançado em 1994 de uma forma rápida,
dentro de um plano de estabilização da moeda. Portanto, é um passo
natural criar um programa de emissão de longo prazo da moeda.
Mas onde está o
risco? Segundo a nossa experiência, podemos dizer que existe uma
grande possibilidade de uma “desova” de notas falsas nos próximos
meses, pois, em breve, as notas antigas estarão sendo recolhidas e
substituídas pelas novas.
Esta mudança é de
suma importância, haja vista que as notas terão tamanhos
diferentes, justamente para dificultar a falsificação, com grande
semelhança às notas de Euro. A notas antigas de menor valor (R$ 1,
R$ 2 e R$ 5) – que, em geral, são menos sujeitas à falsificação -
também deverão apresentar risco de falsificação pois serão as
últimas a serem retiradas do meio circulante.
Assim, torna-se
importante intensificar o processo de treinamento de seus
colaboradores e alertá-los sobre estas possibilidades. O comércio
sempre é muito afetado, como supermercados, postos de gasolina,
praças de pedágio, entre outros ramos de atividade que trabalham
com o chamado “dinheiro vivo”.
A mudança é ainda
necessária porque se constata uma grande quantidade notas velhas
circulando no País. Isso pode ser um grande problema no futuro.
Principalmente quando se olha o Brasil mais adiante no plano
econômico, com as pessoas ingressando cada vez mais no mercado de
consumo.
Marcos Assi
Profissionais da área de saúde também
estão na mira da Receita Federal
A área de saúde também entrou na mira
da Receita Federal do Brasil, que publicou 14 Instruções Normativas
na segunda quinzena de dezembro ultimo. A IN RFB 985, publicada no
dia 22/12, instituiu a Declaração de Serviços Médicos (Dmed) para
todas as Pessoas Jurídicas que prestam serviços psicológicos,
fisioterapêuticos, de terapia ocupacional, fonoaudiologia,
odontológicos, radiológicos, de próteses ortopédicas e dentárias,
hospitalares e laboratoriais. Estão também obrigados à Dmed os
estabelecimentos geriátricos classificados como hospital pelo
Ministério da Saúde, as clínicas médicas de qualquer especialidade, e
entidades de ensino destinadas à instrução de deficiente físico ou
mental.
As operadoras de
plano privado de saúde, bem como as cooperativas, também se enquadram
na IN RFB 985. Apenas ficam isentos da obrigatoriedade da Declaração
os planos privados de saúde que atendem aos planos coletivos
empresariais, com vínculo empregatício.
Para preencher a Dmed, os
profissionais deverão informar o número de inscrição no Cadastro de
Pessoas Físicas (CPF), tanto do beneficiário quanto do titular no
caso dos planos de saúde; os valores recebidos de pessoas físicas,
individualizados por responsável pelo pagamento; e as quantias
reembolsadas pelos planos ao usuário do serviço, titular ou
dependente. A Declaração já está valendo e deve ser entregue no
último dia útil de fevereiro de 2011, referente a 2010.
A multa para quem
não entregar a Dmed no prazo estabelecido é de R$ 5 mil por
mês-calendário ou fração (no caso da entrega após a data limite). Se
houver informação omitida ou inexata, o valor da multa é de 5% por
transação comercial, não inferior a R$ 100. De acordo com Glauco
Pinheiro da Cruz, diretor do Grupo Candinho Assessoria Contábil, a
Dmed exigirá dos escritórios de contabilidade uma equipe
especializada em declarações, devido ao detalhamento de informações
exigido pela Receita. Consequentemente, acarretará um aumento de
custos, que será repassado às clínicas e aos profissionais da área de
saúde. “O que acontece é que os profissionais de contabilidade serão
responsabilizados no caso de incidência das multas. Como são valores
muito altos, precisamos considerar também os riscos a que estaremos
sujeitos, daí o repasse dos custos aos clientes”, explica Pinheiro da
Cruz.
De acordo com a
Receita, o objetivo da Dmed é diminuir a quantidade de Declarações do
Imposto de Renda de Pessoas Físicas (DIRPF) retidas na malha fiscal
em razão de despesas médicas.
Recuo na Industrialização
O resultado da balança comercial,
diferença entre o que exportamos e o que importamos, cai
progressivamente. No ano passado, o superávit ficou em apenas US$ 9,9
bilhões, em 2008, foi de US$ 47 bilhões e, em 2007, havia sido de US$
76,7 bilhões. Apesar de termos sido um dos países que menos sofreram
com a crise, a combinação entre a valorização excessiva do real,
juros altos, a ausência de uma política comercial agressiva e o
elevado Custo Brasil, serão a “herança maldita” que o Governo Lula
deixará para o seu sucessor.
Pior de tudo é que
um olhar mais profundo sobre o perfil das nossas exportações revela
um processo acelerado de desindustrialização que nos faz recuar em
direção a meros exportadores de matéria-prima. As exportações
brasileiras de produtos manufaturados caíram 27,3%, em 2009,
prejudicadas pela concorrência com os produtos chineses em mercados
tradicionalmente relevantes para os nossos produtos, como: Estados
Unidos, Argentina e México, dentre outros.
A mesma China que
acaba de ultrapassar os Estados Unidos com principal destino das
nossas exportações no ano passado. Enquanto as vendas para o mercado
chinês cresceram 23%, para o mercado norte-americano elas caíram
42,3%.
Esse aumento da
participação chinesa tem contribuído para a deterioração da pauta de
exportação nacional, uma vez que a demanda se concentra em produtos
básicos, que representam quase 80% do total vendido aquele país. Já
as vendas para os Estados Unidos são prioritariamente de produtos
manufaturados, que representam 70% das exportações para aquele
mercado.
Ao observarmos o
processo acelerado de crescimento econômico de outras potencias
emergentes, como China, Índia e os chamados Tigres Asiáticos,
percebemos que existe sim uma formula para acelerar o crescimento
econômico. Câmbio desvalorizado, exportações de bens com maior valor
agregado, consumo interno aquecido, uma base industrial diversificada
e competitiva internacionalmente, melhoria da educação e
investimentos pesados em inovação tecnológica e na melhoria da
infraestrutura.
Prioritariamente, é
preciso resolver a questão cambial e para isso volta a baila a
necessidade de conter o ingresso de capital especulativo e restringir
as operações financeiras externas (inclusive com derivativos), que
tanto tem contribuído para a valorização do real. Nossa atual
política cambial não atende mais as necessidades de crescimento do
País, pois foi concebida para fazer frente à escassez de dólares, o
que não corresponde mais a nossa atual realidade.
Concomitantemente, é
fundamental melhorar a qualidade dos investimentos públicos, ou seja,
deixar de inflar o custeio da máquina pública para garantir recursos
no longo prazo para obras estruturais. Desta maneira, garantindo um
superávit nas contas públicas, será possível adotar uma política
monetária mais agressiva, evitando a possibilidade de aumento nas
taxas de juros.
Nenhuma nação que
deseja um crescimento econômico sustentável e duradouro pode fazê-lo
sem antes fazer sua lição de casa. Nos escoramos no já famoso
“jeitinho” para nos adequarmos as crises, sem promover profundas
reformas que se fazem, cada vez mais necessárias, em uma economia de
mercado globalizada. Não podemos prescindir de uma política cambial
com viés exportador, uma política de juros que não penalize o setor
produtivo, a redução do custeio da máquina pública, uma política
industrial voltada para inovação que seja capaz de atender os
mercados interno e externo sem fomentar surtos inflacionários, uma
política tributária mais justa. Lembro a celebre frase que volta a
ser atual: é exportar ou morrer!
Arnaldo Jardim
Análise estatística em pesquisa de
mercado: Respostas Diretas e Conclusivas
O conhecimento das preferências e
expectativas dos clientes vem se tornando uma prática cada vez mais
necessária nas empresas.
Diversos canais de comunicação com o
cliente foram criados e equipes inteiras se responsabilizam pela
tarefa de escutar, entender e atender a figura mais importante em
qualquer relacionamento comercial. Sem dúvida nenhuma, o cliente é
muito mais importante para a empresa do que a empresa para o cliente.
Quando falamos em
cliente não podemos nos esquecer que cada um dos profissionais de
qualquer empresa é também um cliente dela. Nem sempre um cliente de
seus produtos ou serviços, mas um cliente interno, submetido às
práticas, políticas e valores desta companhia e que, como qualquer
cliente, tem necessidades e expectativas que merecem ser atendidas.
Centrais de
atendimento ao consumidor, redes sociais e as tradicionais caixas de
sugestões são meios passivos de se obter qualquer tipo de opinião.
Com eles, o cliente pede para ser ouvido e expõe sua opinião, que ora
pode ser boa...e ora pode ser ruim, muitas vezes sem saber se essa
opinião será vista como importante para a empresa, se terá atenção ou
se chegará a quem lhe é de direito. Ele busca o contato!
Que a opinião destes
clientes é importante, isso é indiscutível. Ele, melhor do que
ninguém, conhece a qualidade do serviço prestado, a eficiência do que
lhe foi vendido, o ambiente no qual trabalha e nós, enquanto gestores
dessas companhias, não podemos perder a riqueza de informações que
esse público tem para nos dar.
Mas, além dos meios
citados acima, tido como mais receptivos do que ativos, quais as
estratégias para obter um contato mais próximo com quem precisamos
ouvir? Como mostrar que é importante ouvir o que ele tem a dizer? Que
estamos comprometidos com a sua satisfação e queremos sua lealdade?
A pesquisa. Sim, as
famosas pesquisas de mercado, quantitativas ou qualitativas! Elas nos
permitem o entendimento real sobre os anseios de nosso “target” e
contribuem para que a tomada de decisão seja feita de forma clara,
sem “achismos”, baseadas em informações trazidas pelos próprios
clientes, através de questionários, tabulações e análises
estatísticas.
As pesquisas podem
ser aplicadas em diversos âmbitos. Existem as de Satisfação de
clientes - com perguntas que compreendam toda a cadeia da negociação
até a utilização e os resultados deste produto ou serviço; de Mercado
- para identificar o tipo de produto que este cliente precisa; de
Clima Organizacional - para identificar práticas que deram certo e o
que pode ser melhorado a fim de se contribuir para o bem estar do
colaborador no ambiente de trabalho.
Fazer uma pesquisa é
uma atividade que, embora pareça simples, deve ser muito bem
planejada. A pesquisa deve estar associada ao objetivo principal do
projeto e cada etapa deve ser concebida de maneira a se permitir
encontrar as respostas que se buscava.
Hora do Foco
Não se deve aproveitar o contato com o
cliente, seja através do telefone, de maneira presencial, formulário
eletrônico, emails, entre outros, para lhe perguntar sobre tudo o que
é possível. Se tivermos um problema, uma dúvida ou uma desconfiança,
devemos focar nesses objetivos e não buscar a opinião do cliente
sobre tudo.
Como profissional
especializada em pesquisas, vejo constantemente a aplicação das
mesmas pelas próprias empresas. Não há nenhum mal nisso, mas o
resultado pode ser previsível e não revelar informações e resultados
importantes. O que quero dizer aqui é que um profissional deve estar
focado em suas tarefas e se for lhe designada uma atividade que não
faz parte de sua alçada, certamente não terá competência para ir além
de tabelas e gráficos de pizza. É aqui que entra a contribuição das
ciências exatas entre os profissionais de marketing ou recursos
humanos: metodologias estatísticas trazem informações que vão além do
que se pode contar! Os números revelam informações que sequer
imaginamos...
A estatística está
presente em quase todas as etapas de uma pesquisa eficiente e
começarei comentando seu papel na definição de um questionário.
Quando pensamos em
aplicar uma pesquisa, o que logo nos vem à cabeça é o questionário.
Perguntar o que se quer saber não é tarefa complicada e, a princípio,
imaginamos que qualquer formato de pergunta é capaz de trazer
resultados relevantes. Quando esta etapa é elaborada de forma
independente, sem compromisso com as análises a serem feitas durante
o processamento dos resultados, iremos perceber que o trabalho foi em
vão, ou seja, não trouxe qualquer descoberta pela forma como se foi
perguntado, gerando informação em abundância, porém, sem muita
inteligência.
Algumas ferramentas
estatísticas, como a análise conjunta, por exemplo, dependem de um
formato de questionário diferente onde, neste caso, trocamos o
questionário tradicional por fichas com simulação de situações. Se
tivermos um questionário baseado em uma escala de Likert, a regressão
logística pode nos dizer o efeito de uma variável sob a satisfação do
cliente. Caso contrário, uma análise de correlação ou regressão
linear é mais eficiente.
A contratação ou
execução de uma pesquisa precisa de recursos financeiros que, na
maioria das vezes, são limitados. Quanto mais pessoas precisarmos
entrevistar, maior será o custo deste projeto. Além disso, nem sempre
é viável (ou possível) se aplicar uma pesquisa a toda a base de
clientes de uma empresa.
Um plano amostral
bem definido, feito levando-se em conta aspectos como a variabilidade
de perfis na população, margem de erro, nível de confiança, taxa de
preenchimento e outras variáveis, sobretudo o objetivo da pesquisa,
reduz significativamente o número de pessoas a serem entrevistadas e
mantém a representatividade dos dados.
Essa definição é uma
das etapas mais importantes para a análise dos resultados, pois é
preciso a garantia de que os dados coletados representam a opinião de
todos os clientes, sob pena de restringir o trabalho e a leitura de
resultados àquela amostra de clientes.
E finalmente, a análise dos resultados:
etapa em que se identifica onde estão os fatores de insatisfação,
quais processos estão no caminho certo, quais são os focos de
preocupação, enfim... onde se consegue todas as respostas para as
perguntas que assombram os gestores das empresas.
Um erro comum é
limitar o estudo e formar as conclusões baseadas apenas naquilo que
as análises descritivas mostram. Não conseguimos determinar através
de uma média ou um percentual a importância de cada item avaliado sem
tê-lo perguntado ao cliente e acabamos priorizando ações focadas em
aspectos que, apesar da baixa avaliação, não exercem qualquer
influência sobre a satisfação. Não conseguimos também entender como é
composta a satisfação geral do cliente com um serviço, uma empresa ou
um produto e tampouco conseguimos classificar nossos clientes segundo
interesses e não características sociais ou demográficas. Premiamos e
punimos o desempenho dos nossos profissionais sem sequer analisar
resultados históricos, de longo prazo.
Análise de
componentes principais e análise fatorial, conglomerados, correlação,
regressão, escalonamento multidimensional, limites de controle,
árvores de decisão, testes de hipótese e outras técnicas, cada uma
aplicada com o seu objetivo e de acordo com a realidade dos dados
coletados, podem trazer todas estas respostas e descobertas a
respeito do nosso cliente, possibilitando ações focadas para cada
aspecto e distintas para clientes com necessidades diferentes.
A análise
estatística aplicada às pesquisas é uma importante arma, que quando
aliada a uma empresa comprometida com o sucesso, é capaz de torná-la
cada vez mais competitiva e com clientes ainda mais leais.
Daniela Benetti Pelagalo
Cresce número de endividados, veja
como sair dessa situação
Dados sobre o endividamento da
população brasileira são fáceis de serem obtidos. Para ficarmos
apenas nos mais atuais, a taxa de inadimplência dos brasileiros
registrou aumento de 5,9% no ano passado, frente a 2008, revela o
Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, divulgado
no último dia 12 de janeiro. Segundo os dados, mesmo com a crise
econômica mundial apresentando fortes impactos no primeiro semestre
de 2009, a inadimplência registrou um crescimento menor que o
apresentado em 2008, quando cresceu 8% frente a 2007.
Entretanto, todos
apontam esse problema, mas, em contrapartida, soluções para isso são
muito difíceis de serem apontadas. No decorrer de meu trajeto de
aprendizagem pelo mundo das finanças pessoais, observei que o
problema vai muito além do consumismo exacerbado ao qual a população
está exposta em nossos dias, com meios de comunicações com muita
publicidade, criando no imaginário a idéia de necessidade dos novos
produtos que o mercado oferece.
O real problema está
na falta de educação financeira, a qual infelizmente nossa população
sofre em todo o processo educacional.
Como matemática, português, história,
entre outras, as finanças também são fundamentais para o nosso
desenvolvimento educacional e intelectual, entretanto, diferente das
citadas, essa matéria não consta em nosso currículo escolar, nem
mesmo no ensino superior.
Se a população não
tem ensinamentos básicos de como devem tratar seus salários ou outras
fontes de rendas, como que podemos esperar que ela, de uma hora para
outra, saiba as formas de lidar com dificuldades financeiras e com
endividamento, que pode ser causado por imprevistos, como a perda de
um emprego ou a compra de um produto que não estava no orçamento?
É fundamental, para
o desenvolvimento de nossa população, a inclusão da educação
financeira na proposta educacional das escolas. Mas muitos pensam que
isso seria muito complicado, isso não é verdade. A prova que isso é
possível está no livro Terapia Financeira (Editora Gente), onde
detalho como isso é mais simples do que se pode pensar. Na obra
apresento a Metodologia Comportamental de Educação Financeira DiSOP,
na qual a finanças pessoal não é tratada apenas como uma ciência
exata, entrando em outras áreas do saber.
Todos devem saber
que, para conseguir tomar as “rédeas” da vida financeira é necessário
primeiramente saber a situação que se encontra e traçar os objetivos
que se pretende atingir. Mas esse é só o começo, para que a realidade
de endividamento que muitos se encontram termine, é fundamental que a
educação financeira seja tomada como fundamental para o crescimento
das pessoas. Também é importante alertar nossas lideranças políticas
que se atente não só com a macro economia, pois, tão importante
quanto ela é a micro economia que cuida do dinheiro que circula todos
os dias nas mãos de nossa população.
Reinaldo Domingos
Quebras ou perdas de estoque: efeito
fiscal
O regulamento do imposto de renda, em
seu art. 291, dispõe que integrará também o custo de produção de bens
ou serviços o valor:
I – das quebras e perdas razoáveis, de
acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação,
no transporte e manuseio;
II – das quebras ou perdas de estoque
por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não
cobertos por seguros, desde que comprovadas:
a) por laudo ou certificado de
autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique
as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência;
b) por certificado de autoridade
competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos
semelhantes;
c) mediante laudo de autoridade fiscal
chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou
danificados, quando não houver valor residual apurável.
Como se verifica, a
legislação contempla como parcela integrante do custo de produção as
quebras ou perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da
atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e no manuseio.
Assim, quis o legislador amparar situações onde a própria natureza do
bem justifica a perda provável como, por exemplo, a evaporação de
produtos químicos e, em relação ao transporte e/ ou no manuseio, é
possível citar as quebras de materiais estocados ou transportados a
granel.
A lei não impõe
forma de comprovação de perdas normais, no entanto, a fiscalização
tem exigido que essas perdas sejam comprovadas.
Vejamos posições do Fisco no tocante à
razoabilidade prevista no inciso I do art. 291 do RIR/ 99:
MINISTÉRIO DA FAZENDA - SECRETARIA DA
RECEITA FEDERAL
DECISÃO Nº 275 de 02 de Dezembro de
1998
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de
Pessoa Jurídica - IRPJ
EMENTA: QUEBRAS E PERDAS - O valor das
quebras ou perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da
atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio,
integrará o custo de produto. Entende-se por razoável aquilo que está
conforme a razão, valendo a adoção de uma média, levantada entre
empresas que operam no mesmo ramo.
MINISTÉRIO DA FAZENDA - SECRETARIA DA
RECEITA FEDERAL
DECISÃO Nº 94 de 30 de Agosto de 2000
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de
Pessoa Jurídica - IRPJ
EMENTA: Quebras e perdas no processo
produtivo de lentes de contato. Integra o custo o valor das perdas
razoáveis ocorridas no processo produtivo, sem a necessidade de laudo
de autoridade competente, contudo devendo o contribuinte comprovar de
forma idônea e plausível as perdas ocorridas.
Conclui-se que, além
do critério da razoabilidade, as perdas para serem dedutíveis devem
ocorrer durante o processo de fabricação, transporte ou manuseio.
Ainda, é dever do contribuinte comprovar a natureza e o montante das
perdas através de documentos hábeis que contenham a descrição dos
fatos que originaram a perda ou a quebra e o seu montante, que deve
incluir ainda o valor dos créditos do ICMS e do IPI que serão
estornados de sua escrita fiscal, conforme o caso.
Se na entrada houve o
aproveitamento de crédito de PIS e COFINS, em razão das perdas ou
quebras, também deverá ocorrer o seu estorno.
Na hipótese de
quebras ou perdas por deterioração, obsolescência ou a razão de
outros riscos não cobertos por seguros a legislação impõe formas
específicas para que se determine o montante considerado custo
operacional dedutível, nos moldes dos itens “a”, “b” e “c”, do inciso
II, do art. 291 do RIR/ 99, retro citado.
Tais quebras podem
ocorrer no estoque de insumos, na produção ou no estoque de produtos
acabados.
Assim, exigi-se laudo ou
certificado de autoridade sanitária ou de segurança nos casos de
destruição ou inutilização de produtos que oferecem riscos à saúde ou
à segurança pública. A certificação pela autoridade competente, nos
casos de incêndio, inundação ou outros eventos semelhantes, e de
maneira conservadora a relação dos bens danificados ou inutilizados e
o seu respectivo valor.
E, por fim,
preceitua a legislação em comento a necessidade da presença de
autoridade fiscal no estabelecimento da empresa na hipótese de bens
que tenham se tornado imprestáveis em razão de obsolescência ou a
impossibilidade de serem vendidos ou danificados, para que a dedução
da perda produza efeitos na apuração do lucro real.
Assim, salientamos que as perdas ou
quebras, não podendo ser comprovadas nos termos previstos pela
legislação vigente, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período
em questão.
Vejamos posições das
Delegacias de Julgamento da Receita Federal e do Conselho de
Contribuintes:
MINISTÉRIO DA FAZENDA - SECRETARIA DA
RECEITA FEDERAL
DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE
JULGAMENTO EM CAMPINAS
5 º TURMA
ACÓRDÃO Nº 05-24281 de 25 de Novembro
de 2008
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de
Pessoa Jurídica - IRPJ
EMENTA: GLOSA DE CUSTOS. BENS
DESTRUÍDOS. IRPJ. CSLL. Para fins de apuração do lucro real e da base
de cálculo da CSLL, o valor contabilizado a título de quebras ou
perdas de estoque por deterioração ou obsolescência integrará o
custo, desde que comprovadas mediante laudo de autoridade fiscal
chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou
danificados, quando não houver valor residual apurável. ALEGAÇÃO DE
VENDA.
A
alegação de que bens contabilizados a título de perda por excesso ou
obsolescência foram vendidos como sucata e destruídos, desprovida de
provas que permitam a verificação da compatibilidade entre os bens
vendidos e aqueles apropriados como custos, não é hábil a justificar
a dedutibilidade destes. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle
de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de
competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso,
centrado em última instância revisional no STF. MULTA ISOLADA. FALTA
DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas
sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. CUMULAÇÃO COM
MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a
exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do
ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
Ano-calendário: 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/ 12/2004,
01/01/2005 a 31/12/2005, 01/01/2006 a 31/12/2006
MINISTÉRIO DA FAZENDA - SECRETARIA DA
RECEITA FEDERAL
DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE
JULGAMENTO EM RECIFE
ACÓRDÃO Nº 11-12278 de 20 de Maio de
2005
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de
Pessoa Jurídica - IRPJ
EMENTA: CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE
DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis os custos e despesas que, além
de preencherem os demais requisitos legais, sejam comprovados por
meio de documentação hábil e idônea. CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS.
QUEBRAS OU PERDAS. A contabilização, como custo das mercadorias
vendidas, das perdas ou quebras de estoque, há de estar amparada por
laudo ou certificado emitido pelo órgão competente, nos termos do
regulamento do imposto de renda. LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO CREDOR DA
DIFERENÇA IPC/BTNF. ATIVIDADE ISENTA. O saldo credor da diferença de
correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei nº 8.200/91) é
insuscetível de diferimento quando decorrente de atividade
beneficiada com isenção fiscal. SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA
IPC/BTNF. EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL. ISENÇÃO SUDENE. No caso de
empreendimento industrial ou agrícola na área de atuação da SUDENE, o
lucro inflacionário apurado na fase pré- operacional e realizado a
partir do período-base em que o empreendimento entrar em fase de
operação gozará da isenção do imposto de renda que vier a ser
atribuída ao referido empreendimento segundo a legislação em vigor.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. BA SE ESTIMADA. APLICAÇÃO. Cabível o
lançamento da multa de ofício isolada quando constatado que o
contribuinte não efetuou o recolhimento obrigatório do imposto de
renda sobre as bases estimadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estende-se
aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no
lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que
os vincula. Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
Número do Recurso: 129458
Câmara: OITAVA CÂMARA
Número do Processo:
15374.000141/2001-41
Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO
Matéria: IRPJ E OUTROS
Recorrente: POSTO HILÁRIO DE GOUVEIA
LTDA.
Recorrida/Interessado: DRJ-RIO DE
JANEIRO/RJ
Data da Sessão: 20/06/2002
Relator: Ivete Malaquias Pessoa
Monteiro
Decisão: Acórdão 108-07009
Resultado: NPU – NEGADO PROVIMENTO POR
UNANIMIDADE
Texto da decisão: por unanimidade de
votos, NEGAR provimento ao recurso.
Ementa: PERDA DE ESTOQUE – COMBUSTÍVEIS
– QUEBRAS – GLOSA DO EXCESSO REGISTRADO – Somente integram os custos
os valores do prejuízo resultante da perda do estoque, quando
comprovada de forma inquestionável, por laudo técnico firmado por
autoridade competente. Recurso negado.
Portanto, ocorrendo divergências entre
as quantidades constantes nos registros contábeis e no relatório de
contagem física, faz-se necessária, após investigações cabíveis, a
contabilização desse fato, que terá efeitos fiscais, já que se não
decorrer da constatação de perda ou quebra nos termos expostos, a
dedutibilidade dos valores correspondentes poderá ser contestada pelo
Fisco.
Lembramos que na
hipótese de constatação de furto ou apropriação indébita, o art. 364
do RIR/ 99 dispõe que:
Art. 364. Somente serão dedutíveis como
despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto,
por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos
termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante
a autoridade policial (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 3º).
Diante das regras expostas, é dever do
contribuinte analisá-las e efetuar as providências cabíveis, conforme
o caso.
Elaine Christina Mendes Gomes
Otimismo é respaldado em números
Há razões de sobra para o empresariado
brasileiro ficar otimista. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) demonstram que as empresas
paulistas de micro e pequeno porte conseguiram se recuperar muito bem
no final do ano passado. Embora tenha sido observada uma queda no
faturamento real desse segmento, da ordem de 4,5% em relação ao
período anterior, o mês de novembro registrou alta de 4,8% na
comparação com o mesmo mês de 2008. Na indústria, o crescimento foi
de 8,3%, no comércio, de 4,7%, e no setor de serviços, a alta foi de
1,6%.
Na Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa), o volume financeiro captado pelas empresas
saltou de R$ 34,25 bilhões em 2008 para R$ 45,9 bilhões em 2009. Seis
novas ofertas públicas de ações (negociação conhecida pela sigla IPO,
de Initial Public Offering) responderam por mais da metade dos
recursos obtidos no período.
O fato de os
investidores estrangeiros terem adquirido 66% do montante ofertado
revela que, definitivamente, o Brasil se tornou um dos destinos
preferenciais para o capital negociado em escala global - e isso é
muito bom para as empresas, que podem se capitalizar e contar com os
recursos necessários ao seu crescimento.
O número de IPOs
deverá crescer em 2010, e ainda mais em 2011. Devido às obras que
serão necessárias à adequação da infraestrutura do País para a
realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, e também daquelas que
já estavam previstas pelo PAC, as companhias ligadas à área da
construção civil são as que apresentam maior potencial para atrair
investimentos.
Os gestores que
pretendem realizar as IPOs de suas organizações entre 2010 e 2011 não
podem perder tempo: devem recorrer à contratação de auditores
independentes e de consultores, com a finalidade de corrigir
eventuais desvios e de organizar suas demonstrações contábeis,
adequando-as às normas internacionais, como preconiza a legislação
vigente.
Também é possível
antever uma "corrida ao empreendedorismo" pelos próximos anos. E é do
estado de Alagoas que vem uma das melhores ideias já surgidas com o
propósito de facilitar a vida de quem resolve investir capital e
energia na criação de um negócio próprio: gestores da Secretaria da
Fazenda e da Junta Comercial alagoanas, do Instituto de Tecnologia da
Informática e Informação (Itec) e do Sebrae daquele Estado vêm
discutindo a implantação de uma versão online da Central Fácil de
Atendimento.
Assim que estiver em
funcionamento, a ferramenta permitirá que se tenha acesso aos órgãos
responsáveis pela concessão da inscrição no Cadastro Nacional de
Pessoas Jurídica (CNPJ), como Receita Federal e Vigilância Sanitária,
e disponibilizará informações e orientações úteis sobre as
legislações de diversas cidades e a respeito de trâmites municipais e
estaduais. A finalidade principal desse recurso é facilitar a
abertura de empresas e a solução de problemas pelos micro e pequenos
empresários.
Em resumo, a
economia sobreviveu ao impacto da crise mundial e as empresas de
menor porte conseguiram superar as adversidades, apesar de
enfrentarem obstáculos para obtenção de crédito, a sobrecarga
tributária e o excesso de burocracia. Temos, portanto, motivos
razoáveis para acreditar que o ano de 2010 corresponderá às nossas
melhores expectativas.