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 Edição de Fevereiro de 2012


 Inadimplência cresce 5,34%, o que fazer?

 

A taxa de inadimplência subiu 5,34% em todo ano passado, na comparação com 2010, informou a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em conjunto. O aumento acontece após dois anos de recuo, registrado em 2009 e 2010. Segundo o presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, Reinaldo Domingos o resultado não é nenhuma surpresa.

“Nos últimos anos observamos uma grande festa do consumo, a oferta de crédito foi muito grande e as pessoas não projetaram seus gastos para o futuro, isso, somado com à falta de educação financeira, faz com que o reflexo seja sentido agora com o crescimento do número de consumidores que não conseguem arcar com seus compromissos”, explica.

Para agravar ainda mais a situação, os juros bancários são exorbitantes e o educador financeiro Reinaldo Domingos diz que a grande maioria dos brasileiros recorre a empréstimos e linhas de créditos. Mas usar essas sem conhecer em detalhes o funcionamento do sistema, é uma das faces do comportamento de risco financeiro mais comum na cultura de endividamento. 

Em seu livro – Livre-se das Dívidas: como equilibrar as contas e sair da inadimplência, Domingos faz importantes alertas para as pessoas saberem calcular o impacto de financiamentos (cartão de crédito, cheque especial, financiamento da casa própria, do carro, de eletrodomésticos, entre outros) em seu orçamento, com dicas práticas do que fazer antes de optar por uma linha de crédito e evitar o endividamento como também orientações para quem já está endividado.

 

Ciclo do endividamento

Segundo Domingos, o ciclo do endividamento se constitui de Causas como analfabetismo financeiro, consumismo, marketing publicitário e crédito fácil; de Meios – cheque especial, cartão de crédito, crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e antecipação do IR -; e de Efeitos – problemas conjugais, problemas de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida, atrasos e faltas no trabalho. “Para quebrar esse ciclo é necessário ajudar a ampliar o repertório da população sobre finanças, de forma consistente e carregada de sentido prático, para que assimilem, o mais cedo possível, a importância do equilíbrio financeiro para o bem-estar individual e social”, diz o presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira.

Em geral, a ciranda financeira segue o seguinte compasso: se a prestação da casa ou do carro não está cabendo no orçamento, a pessoa passa a pagar todas as demais despesas no cartão de crédito, imaginando que assim sobrará recurso para pagar suas principais dívidas. Dentro de poucos meses, no entanto, já não conseguirá quitar a fatura do cartão e passará a pagar a parcela mínima, até que entre algum recurso extra. Mas isso não acontece e a saída é recorrer também ao cheque especial. Chega o começo do outro mês e a história se repete. O salário recebido é suficiente apenas para cobrir o limite do cheque especial. Junto vem o débito referente aos juros do período mais a parcela mínima do cartão acompanhada de juros. Sem alternativa, deixa-se de pagar a prestação da casa ou do carro. Quando se dá conta, a pessoa está endividada de todos os lados, correndo o risco de ficar inadimplente e sem linhas de crédito. Há quem provoque a própria demissão para usar os recursos dos direitos trabalhistas para solucionar o problema. Quando percebem que o dinheiro não é suficiente buscam empréstimo. E assim vai até chegar ao fundo do poço.

A solução é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, separando os itens em “essenciais” e “não essenciais”, priorizando o pagamento das essenciais para evitar o corte de serviços indispensáveis. Deve-se também priorizar as dívidas que têm as taxas de juros mais altas. Provavelmente serão as dos empréstimos adquiridos junto ao sistema financeiro. Se assim for, o melhor é procurar o gerente e pedir que junte num mesmo pacote as dívidas de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos e negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros médios de 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos juros que a pessoa pagava mensalmente. A partir desse acordo com o banco, o devedor estará pagando não mais apenas os juros, e sim o valor principal, fazendo com que a dívida seja efetivamente liquidada ao longo do tempo. Se não houver possibilidade de acordo com a instituição financeira ou se a parcela negociada não couber no orçamento será melhor poupar para quando for procurado pelas empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tenha melhores condições de negociar a quitação em valores menores.

 

Perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra 

Eu realmente preciso desse produto?

O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?

Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá?

Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?

Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

 

Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas perguntas como: 

De quanto eu disponho efetivamente para gastar?

Tenho o dinheiro para comprar à vista?

Precisarei comprar a prazo e pagar juros?

Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?

Preciso do modelo mais sofisticado, ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?

 

Reinaldo Domingos

Pesquisa internacional The Future Family revela o impacto da crise internacional na estrutura familiar

 

A crise econômica internacional gerou um impacto significativo na estrutura familiar dos europeus e norte-americanos – o conceito de família nuclear está sendo substituído por famílias multigeracionais. Com a recessão, idosos estão voltando a viver sob o mesmo teto de filhos e netos; os jovens também estão fazendo o caminho de volta e passam a constituir famílias que integram até quatro gerações. No Brasil, o cenário difere: o Censo 2010 mostra que o número de pessoas que moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma década. Essas são algumas das conclusões da pesquisa internacional The Future Family.

A crise econômica mundial tem demandado uma nova organização social, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Em tempos economicamente turbulentos, o conceito de família nuclear tem sido substituído pela multigeracional; a família é vista como fonte de confiança e resistência em tempos de recessão. Nos Estados Unidos, os membros da geração baby boomers (nascidos entre 1946 e 1954) perderam 49% da renda pessoal com a crise e passaram a reformular gastos como consumo de energia e moradia. Nesse contexto, um número significativo de idosos está voltando a viver sob o mesmo teto de filhos e netos – tendência nomeada Boomers Boomerang. Na prática, a família multigeracional, similar à da década de 1950, tem melhores condições para atender os novos desafios econômicos e socioambientais; além de auxiliar na educação de crianças e jovens.

Esses são alguns insights da pesquisa The Future Family, destaque do LS:N Global (LifeStyle News Network) – portal internacional da The Future Laboratory. No Brasil, o portal é parceiro exclusivo da Voltage, agência produtora de insights aplicáveis ao negócio. Segundo Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage e especialista em tendências, em um cenário em que a expectativa de vida cresce e a renda cai, surge a Beanpole Family: um núcleo familiar longo porém estreito, com três ou até quatro gerações vivendo na mesma casa. No Reino Unido, a chamada Full House Family vai crescer 32% em 2031, situação similar em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, 62% dos mais de 6 milhões de lares multigeracionais surgiram em razão do retorno de jovens que voltaram a morar com os pais; desses, 50% do fator motivador foi o econômico.

“No Brasil, em contrapartida, vivemos o aumento do número de pessoas que moram sozinhas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Censo 2010 mostra que o número de pessoas que moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma década”, avalia Al-Assal.

O especialista acrescenta que há pesquisas que indicam que em 2020 haverá mais pessoas morando sozinhas no Reino Unido do que casais. Ao mesmo tempo em que o número de famílias multigeracionais aumenta, é maior também, na Europa e nos Estados Unidos, o número de pessoas que moram sozinhas nas grandes cidades, o que se traduz em uma enorme pressão sobre o espaço urbano. O fenômeno social exige a construção espaços habitacionais menores e sustentáveis. Em plena era da austeridade, a família do futuro precisa de um espaço multifuncional, que acomode um novo estilo de vida. Pesquisas indicam, por exemplo, que 32% dos norte-americanos estão dispostos a comprar casas menores e 57% querem viver em centros urbanos, ou seja, estão interessados em trocar os subúrbios para reduzir as jornadas de carro no trajeto casa-trabalho.

 

Família conectada

A pesquisa Future Family mostra que até 2013 haverá 1,2 bilhão de dispositivos eletrônicos de consumo conectados em mais de 800 milhões de lares com conexões banda larga no mundo. Mais pessoas também vão se conectar à internet a partir de dispositivos móveis. Ou seja, as famílias e as casas estarão mais conectadas. Uma área da cidade de Fujisawa, no Japão, dá indícios de como será a casa do futuro. Em 2014, todas as mil casas da área serão controladas por um software de armazenamento de energia, que irá gerenciar bombas de calor do solo e iluminação – marcando a criação de uma “cidade sustentável e inteligente”.

A fronteira entre a vida profissional e familiar está cada vez mais estreita; cerca de 80% dos europeus já utilizam tecnologias para trabalhar on-line nas residências, inclusive na sala de estar, enquanto participam de atividades familiares; 40% o fazem da cozinha. O relatório de tendências mostra que no futuro haverá um serviço de saúde pessoal; sensores no lar vão coletar e analisar dados importantes para gerir, em casa, a saúde das pessoas. Com um sistema de vídeo link será possível conectar médicos e enfermeiros a partir da casa.

De acordo com Paulo Al-Assal, a pesquisa mostra que a mistura de mudanças tecnológicas, comportamentais e econômicas está fazendo com que a sociedade europeia e norte-americana regresse ao conceito de família.  “A recessão fez com que as pessoas iniciassem uma reavaliação do que realmente importa – o que fez com que a família passasse a ser associada a uma fonte de confiança e resistência em tempos econômicos turbulentos”, analisa o especialista.

 


Brasileiro deve gastar em média R$ 670 com vestuário em 2012

De acordo com o Pyxis Consumo, ferramenta de potencial de mercado do IBOPE Inteligência, o varejo de vestuário deve movimentar R$ 109 bilhões neste ano

 

No dia em que teve início a mais importante semana de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week, estimativas do Pyxis Consumo, ferramenta de dimensionamento de mercado do IBOPE Inteligência, apontaram que cada brasileiro deve gastar neste ano, em média, R$ 670 com vestuário. O valor é superior ao estimado em 2011, quando a média nacional foi de R$ 583.

De acordo com o estudo, a região Sul é a que possui maior expectativa per capita, com R$ 791, seguida da região Centro-Oeste, com R$ 740, e da região Sudeste, com R$ 729.

 

Potencial anual de consumo para vestuário por região

Região

Potencial de Consumo

(R$ bilhões)

% Potencial de Consumo

Consumo per Capita

R$/hab por ano

Norte

7,07

6,46

590,71

Nordeste

19,17

17,54

487,29

Sudeste

55,06

50,36

729,15

Sul

18,58

16,99

791,56

Centro oeste

9,45

8,64

740,29

Brasil

109,33

100

670,49

Fonte: Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência

 

  Potencial de consumo por classe

Assim como em 2011, a classe B deverá ser responsável pela maior parcela deste consumo, com 42% do potencial, seguida pela classe C, com 38%. Em reais, essas duas classes somarão R$ 88 bilhões, de um total de R$ 109 bilhões estimados para o ano, 15,7% superior aos R$ 76 bilhões de 2011. A classe A deverá representar 12%, com potencial de consumo de R$ 13 bilhões, pouco acima dos R$ 12 bilhões do ano passado. As

classes D e E compõem o menor grupo de consumo para varejo de moda. O volume deste grupo em 2012 deverá ficar em torno de 6%, atingindo R$ 7 bilhões, pequena variação sobre os R$ 6,6 bilhões do ano anterior.

 

Potencial anual de consumo para vestuário por classe

 

Classe

Número de Domicílios em Área Urbana

% Domicílios

Potencial de Consumo

(R$ bilhões)

% Potencial de Consumo

A

1.302.104

2,60

13,72

12,56

B

12.241.526

24,45

46,46

42,50

C

26.226.711

52,38

41,98

38,40

DE

10.303.006

20,58

7,15

6,54

Brasil

50.073.977

100

109,33

100

Fonte: Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência

 

  Potencial de consumo por região/classe

Na análise de poder de consumo por região/classe social, o Sudeste deverá concentrar o maior potencial em todas as classes. Assim como na análise geral, o destaque fica para a classe B, com R$ 26 bilhões, seguida pela classe C, com R$ 19 bilhões. Os índices mais baixos serão notados na região Norte, onde a soma de todas as classes deverá atingir apenas R$ 7 bilhões.

 

Potencial de Consumo por Classe e por Região

 

Classe

Sul

(R$ bilhões)

Sudeste

(R$ bilhões)

Nordeste

(R$ bilhões)

Norte

(R$ bilhões)

Centro Oeste

(R$ bilhões)

A

2,47

7,17

1,90

0,63

1,54

B

7,99

26,03

6,08

2,50

3,88

C

7,03

19,91

8,46

3,10

3,48

DE

1,09

1,95

2,73

0,84

0,53

Total

18,58

55,06

19,17

7,07

9,45

Fonte: Pyxis Consumo - Versão 2012 - IBOPE Inteligência

 


IPI sustentável

 

 

Sondagens nos setores produtivos brasileiros demonstram que há um recuo da atividade industrial e que a utilização da capacidade instalada encontra-se abaixo do padrão, principalmente quando comparada a 2010. Várias análises convergem para os entendimentos de que uma nova onda de crise financeira mundial está interferindo no nosso crescimento.

O Governo Federal aparenta estar atento a essa conjuntura e aumenta o discurso de medidas anticíclicas, aptas a evitar perigo maior de contágio. Os discursos alardeiam medidas cambiais, produtivas etc. Neste momento, surgem novamente indícios de que serão anunciadas novas políticas tributárias direcionadas ao incentivo na venda de veículos novos. Até sob a égide de um denominado programa de investimento e tecnologia está para ser constituído regime automotivo visando ao aumento da competitividade do setor.

Anteriormente, houve a decisão do governo de prorrogar a redução da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre os carros “flex” e caminhões zero quilômetros, trazendo importantes indicações sobre a agenda ambiental e tecnológica. Esta aponta para uma aceitação comum, sobretudo em meio aos debates sobre a aprovação do novo Código Florestal. Um dos vieses desse incentivo tem como escopo o desenvolvimento de tecnologia para que os novos veículos reduzam a emissão de gases poluentes e de efeito estufa, o vilão do aquecimento global.

Sob esse aspecto, seria altamente viável uma complementação desse novo incentivo, prestes a ser lançado, com inclusão de mecanismos mais eficazes para a renovação da frota, não só neste momento, mas sobretudo, em caráter permanente. Uma das sugestões é que se crie uma diferenciação de alíquotas para os veículos zero quilômetro com vida útil determinada desde a produção.

Por exemplo, na compra de um carro novo – ou caminhão –, o comprador escolheria o modelo de tributação desse veículo. No caso do automóvel de passeio, a escolha dar-se-ia entre tributação menor, desde que esse veículo não pudesse ser licenciado após dez anos do primeiro licenciamento.

Caso o comprador opte pelo direito de licenciar indefinidamente, a alíquota dos tributos seria aquela do patamar original, sem os incentivos. Ao final dos dez anos, o proprietário atual do carro “incentivado” deverá entregá-lo em um dos postos de coleta, para desmonte e reciclagem.

Juridicamente não implicaria qualquer prejuízo, já que o comprador fez a opção consciente de aquisição desse carro. No mercado haverá grande quantidade de veículos que não receberam o incentivo e que poderão naturalmente ser comercializados. Os enormes ganhos dar-se-iam em várias esferas, sobretudo na ambiental, já que é cada vez mais evidente o desenvolvimento tecnológico dos novos veículos e a retirada dos antigos promoveria o consequente resultado de se manter uma frota mais moderna, com menores índices de emissão de gases.

Para a indústria automotiva, uma das mais importantes, significaria desde a geração de empregos, quanto a necessidade de atuar mais fortemente na questão da preservação ambiental. Além disso, é fácil imaginar o fomento para o desenvolvimento maior da indústria de reciclagem no País, muito importante nesse momento em que sempre vem à tona a limitação da exploração de recursos naturais. Até mesmo deve-se levar em conta a economia em um dos maiores insumos para toda a cadeia produtiva do setor, que é a energia elétrica.

Já que o debate está colocado e o próprio ministro Mantega disse que haverá diminuição da alíquota de IPI para automóveis em 2013, é oportuno que se planejem meios sustentáveis, perenes e capazes de colocar a indústria automobilística como protagonista de uma nova maneira de pensar “verde”, ao mesmo tempo em que se permite uma enorme onda nova de consumo, com manutenção de emprego e renda em toda a cadeia produtiva e renovação da frota.

Ou seja, vê-se que a decisão do governo é importante nesse momento, mas poderá ser melhorada com mais mecanismos de incentivo e pressão para que a questão da sustentabilidade tenha seu peso maior reconhecido, com expressivos modelos de maior aproveitamento da combustão; diminuição da intensidade energética; maior capacidade de rodar, na equação quilômetros por litro; e incentivo para ganho de escala na produção de veículos abastecidos por combustíveis renováveis eagroenergia.

Antonio Carlos Porto Araujo


Baixo crescimento econômico no Brasil trará reflexos negativos em 2012

Crise de 2008 continua cobrando seu preço nos EUA e países da Europa

 

A crise da dívida nos países da zona do euro tem gerado uma série de dúvidas sobre o futuro das economias desenvolvidas. Até mesmo a existência do projeto da moeda única europeia foi colocado em xeque. Mas há outros fatores – econômicos e políticos – que devem colocar o Brasil em estado de atenção. Por exemplo, um novo conflito armado no Oriente Médio, que terá efeitos sobre a cotação do barril de petróleo, e a instabilidade política em alguns países latino-americanos. A edição de janeiro da revista AméricaEconomia, da Spring Editora, mostra quais serão os efeitos mais temidos pela economia brasileira em 2012.

No Brasil, as políticas econômicas deram uma robustez interna que permitiu que o país saísse relativamente ileso da crise de 2008. Mas a trajetória de alta da inflação reduziu as exportações de commodities e deteriorou as condições de comércio exterior para as empresas nacionais.

Aqui no Brasil, alguns setores, como o têxtil, sentiram com mais força a pressão das importações, que acirram ainda mais a concorrência no mercado interno. Esse desequilíbrio anulou as negociações feitas pelo Brasil em fóruns como a OMC (Organização Mundial do Comércio) para proteger sua indústria com tarifas de importação. Um estudo feito pelo Cemap (Centro de Macroeconomia Aplicada) mostrou que a valorização do real acaba tornando essas tarifas negativas, ao mesmo tempo em que dificulta a entrada de produtos brasileiros em mercados cujas moedas estejam desvalorizadas, como a dos EUA e da China, por exemplo.

Na América Latina, existe a preocupação de que seus aspectos negativos se combinem com problemas políticos decorrentes de um eventual processo de sucessão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Além de uma possível recessão mundial, que reduzirá a aquisição das commodities exportadas por diversos países da região.

 

O Fisco e a tecnologia

A evolução das tecnologias da informação e da comunicação é uma das principais armas que os Fiscos de todo o mundo contam para combater a sonegação de impostos pelas pessoas ou empresas. O uso de ferramentas de alta performance permite às autoridades fiscais realizar cruzamentos de dados e de informações para apurar eventuais inconsistências nas prestações de contas feitas pelos contribuintes.

É interessante perceber que vivemos atualmente um verdadeiro “Big Brother Fiscal”, pois o Fisco está muito à frente da maioria das empresas no que se refere ao uso das tecnologias para assegurar que os contribuintes estão pagando corretamente os tributos a que são sujeitos.

No Brasil, a Receita Federal conta hoje com um supercomputador apelidado de “T-Rex” – em referência ao temido Tiranossauro Rex, que imperou entre os dinossauros no período Cretáceo – e um software de inteligência denominado “Harpia” – uma das maiores e mais eficientes aves caçadoras de nossa fauna – capazes de realizar em segundos milhões de cruzamentos de informações para apurar eventuais inconsistências fiscais.

 

O equipamento auxilia os agentes fiscais a analisar as cada vez mais disponíveis e instantâneas informações sobre a vida financeira dos contribuintes, especialmente a partir da instituição do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), composto pelos módulos ECD (Escrituração Contábil Digital), EFD (Escrituração Fiscal Digital) e NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) em âmbito nacional, que passou a exigir que as informações contábeis e fiscais sejam fornecidas à Receita Federal por meio de padrões pré-determinados, formando um único ambiente virtual.

Ademais, há atualmente uma integração muito maior entre as administrações tributárias nas três esferas governamentais (federal, estadual e municipal), além de parcerias com instituições como CVM, SUSEP e outros órgãos públicos.

Diante dessas circunstâncias, é imperioso que as empresas tenham uma gestão tributária adequada para evitar problemas causados por divergências de informações em relação às bases de dados das autoridades fiscais municipais, estaduais e federais. Qualquer inconsistência apurada pode redundar em autuação. Em muitos casos, dependendo da gravidade do ato fiscal que gerou a autuação e do valor da penalização, uma empresa pode até ser inviabilizada financeiramente. Sem essa gestão adequada, as empresas estão expostas a riscos tributários muito importantes, que devem ser avaliados e ponderados.

Para evitar essa delicada exposição a riscos, as companhias necessitam contar com o apoio de técnicos e especialistas que dominem as normas, regras e leis que estabelecem os princípios tributários nas três esferas de governo, e, ainda, com recursos tecnológicos que dêem suporte à equilibrada gestão fiscal das empresas. O ideal é que os gestores disponham de soluções tecnológicas customizadas para atender as características de negócio e as especificidades de cada empresa.

O desenvolvimento e a utilização de sistemas integrados de gestão empresarial de tributos são considerados hoje como elementos essenciais à boa governança das corporações. Contar com esse tipo de ferramenta que contribui para reduzir a exposição aos chamados riscos fiscais é um fator extremamente valorizado pelo mercado, melhorando, inclusive, a percepção e a avaliação positivas da instituição. Investir em controles e na redução da exposição a riscos é sempre uma atitude sábia, que pode evitar perdas muitas vezes irreversíveis.

 

Cecilio Schiguematu

 


Perspectivas 2012

Em 2012 a economia européia deverá declinar.

 

Mas a notícia de destaque é que a economia dos Estados Unidos deve desempenhar um papel de liderança na condução do ciclo de crescimento global. Com isso o Tio Sam deve reverter os cenários de desconfianças atuais e chamar a atenção do mundo de forma positiva.

O PIB dos Americanos deve ter um aumento de 3% - um ponto percentual acima das estimativas de consenso, impulsionado por uma recuperação no setor da construção, assim como por despesas de capital e de consumo.

Já na Europa a situação é mais delicada. A recessão branda é quase inevitável e, diante deste cenário, os políticos concentraram seus esforços para que suas ações não tenham resultados ainda piores.

Os asiáticos terão posições um pouco diferentes. O Japão deve continuar seu sólido crescimento liderado pela reconstrução em 2012. Os chineses, por sua vez, estão se organizando para reduzir as taxas de empréstimo.

Em relação ao Brasil o Great Group acredita que, apesar dos indicadores manterem a posição de crescimento próxima ao nível de 2011, o próximo ano será de grandes negócios e oportunidades.

Por isso, em 2012 será necessário desafiar os pensamentos “commodities” para que cada empresa crie seu “oceano azul”.

“GREAT GROUP transformando cenários incertos em oportunidades reais”

 

Julio Amorim


6 dicas para se planejar melhor em 2012

 

 

Final de ano é época de checar metas e planejar mudanças para o próximo ano. Entretanto, em meio a tantas promessas e expectativas para o novo período, é comum as pessoas se perderem em seus planejamentos. Foco, atenção e disposição para buscar as metas são vitais para a realização dos objetivos traçados. Especialistas elencam seis dicas que podem fazer a diferença nas suas resoluções de 2012:

Ter o próprio negócio: antes de pensar em abrir seu próprio negócio é preciso estudar as possibilidades do mercado, ou, então, fazer uma avaliação profissional para identificar o melhor negócio ao seu perfil. “No processo de escolha do conceito certo, é importante analisar muitos aspectos além dos números. É fundamental que o processo se inicie pela avaliação minuciosa do perfil do empreendedor, como, por exemplo, suas habilidades e gostos pessoais, o tempo e o capital que pretende investir no negócio, entre vários outros detalhes”, explica Batista Gigliotti, presidente da Fran Systems, consultoria em desenvolvimento de negócios e de franquias;

Higienizar o automóvel valoriza o bem: Ariangelo Fonseca, franqueador da Station Car, que realiza serviços voltados à conservação e estética automotiva, afirma que “muitas pessoas só optam por fazer uma higienização em seus veículos após constatar que o banco está sujo ou algumas peças internas estão ficando amareladas. Isso, além de desvalorizar o automóvel, pode prejudicar sua saúde e a dos passageiros que você transporta”;

Nunca é tarde para se atualizar: em 2012 serão 98 milhões de PCs no Brasil, um para cada dois habitantes. A presença cada vez maior dessa ferramenta em nosso dia a dia impulsiona muita gente a buscar conhecimento para lidar com ela. Na Easycomp Plus, por exemplo, é grande o número de idosos que procuram cursos para aprender a usar programas como Power Point e MSN. “Eles querem aprender a usar a internet e o MSN para estar em contato com os netos e outros familiares; e o Power Point para montar apresentações. A iniciativa dos mais velhos em procurar familiarização com esses programas muito utilizados no mercado de trabalho é um exemplo para todos”, afirma Jacques Grinberg, diretor executivo da rede;

Customizar a residência:  na hora de escolher um imóvel, muitas coisas são levadas em conta. Porém, um elemento que pode parecer simples, mas faz toda a diferença é a esquadria. Apesar de representarem, em média, 5 a 8% do custo da obra, elas têm papel importante no sentido de oferecer conforto e redução do consumo de energia, já que ajudam na iluminação do ambiente. Uma boa alternativa é escolher produtos customizados para cada ambiente. “Com peças personalizadas, é possível atender necessidades funcionais, encontrar soluções de acordo com a localização do imóvel, amenizar o calor ou ampliar a incidência de luz em cada cômodo”, analisa Adnei Fernandes, diretor administrativo da Epros;

Atenção às exigências do mercado de trabalho: quem deseja realmente se destacar no mundo profissional deverá saber pelo menos um terceiro idioma. Isso se torna mais urgente quando se pensa na concorrência com profissionais estrangeiros dentro do Brasil. Depois do inglês, o espanhol é o idioma mais pedido pelo mercado por ser a língua dos países da América Latina, dos quais o Brasil possui muitos negócios.  “No segundo semestre deste ano a inFlux percebeu um aumento de 25% nas matrículas para os cursos de inglês e espanhol”, afirma Ricardo Leal, diretor presidente da rede;

Comprar ou alugar um imóvel?: “na hora de decidir entre compra e locação, o preço atual dos aluguéis podem ser um impulso para a compra”, destaca Francisco Diogo Magnani, presidente da MZM Construtora. Pensando em uma família jovem de classe média em busca da primeira casa, podemos pensar em um apartamento de 49 m² para fazer uma comparação entre o preço do aluguel no bairro da Ponte Rasa (Zona Leste/São Paulo) e o valor de um imóvel novo no centro de São Bernardo do Campo, com parcelas decrescentes de financiamento:

Bairro/

Cidade

Caracte-

rísticas

Preço

 (valor médio)

Conquista Anchieta (Centro/São Bernardo do Campo)

Próxima a rodovia Anchieta, Hospital Anchieta, a prefeitura de São Bernardo do Campo e ao Parque Regional e Jardim Botânico do Pedroso (Santo André)

Banco: Caixa Econômica Federal – Sistema SAC
Valor do Imóvel: R$ 180 mil
Valor Financiado: R$130 mil
Renda Mínima: R$ 5.500,00                
Prazo: 360 meses
Valor da 1ª prestação: R$ 1.405,00
Valor da Última Prestação: R$388,00
Taxa de Juros: 9,5%

Ponte Rasa (Zona Leste/São Paulo)

Próximo a praças e à estrada de Mogi das Cruzes

R$ 663.95 (aluguel)


Brasil inflado

 

A inflação medida pelo Banco Central (BACEN) ficou dentro do teto de 6,5% ao ano, ou seja, dois pontos percentuais acima do centro da meta inicialmente estabelecida. Com isso, atingiu patamares superiores ao que ocorreu sete anos atrás e teve como justificativa a situação dos países que fazem parte do euro e os Estados Unidos, em virtude de sua recessão.

A dúvida sobre a qual muitos no mercado devem estar perguntando é que o valor ficou muito justo àproposta fixada pelo Banco Central, o que gera questionamentos sobre se realmente foi esse ou se houve algum ajuste para adequação das taxas.

O grande problema é 2012. A situação no mercado internacional é bem complexa: eleições nos Estados Unidos; suspeita de um calote grego; possibilidade da nota da França ser rebaixada, sendo que o mercado já considera virtualmente passe para triplo B; dúvidas da manutenção do euro como moeda europeia; redução do crescimento do PIB chinês; e a crise provocada pelo Irã relacionada à exploração do urânioenriquecido. Todos esses fatores são críticos e, com certeza, poderão mudar o cenário econômico nacional.

A previsão da inflação para 2012, de acordo com o BACEN, é de 4,7%, considerando previsões otimistas, mas que poderá atingir pelas premissas de meta máxima 6,7%. Em 2010 tivemosvários cenários que fizeram com que nossa economia se mantivesse em patamares controláveis e que não tivéssemos prejuízos ao atingir as metas fiscais preestabelecidas, como superávit primário; superávit da balança comercial; empregabilidade em alta; estimulo do governo a alguns setores com redução do impacto tributário; excesso de arrecadação; redução da taxa de financiamento da dívida interna através da Selic, que estava em 11% ao ano, mas chegou em agosto de 2011 a atingir 12,5% ao ano.

O fundamental para 2012 é a redução da taxa Selic, para que os patamares sejam mais justos, ficando próxima ou inferior a 9,5% ao ano – que ainda é uma taxa de juros real muito alta, considerando um ganho real próximo a 2,8%. Além disso, é necessária a redução gradativa da inflação com estímulo à produção e ao consumo, de maneira sustentável, aliada à empregabilidade e administração do câmbio, o que não permitirá excesso de exportação de produtos de comoditties, gerando, caso contrário, desabastecimento no País com aumento da inflação.

 

 Reginaldo Gonçalves


Nova tabela de salário-de-contribuição de segurados do INSS

A advogada do Cenofisco, Andreia Tassiane Antonacci, explica que salário-de-benefício e salário-de-contribuição não poderão ser inferiores a R$ 622, nem superiores a R$ 3.916,20

 

No ultimo dia 9 de janeiro, foi divulgada no Diário Oficial da União a tabela de salários-de-contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso para fatos geradores que ocorrerem a partir de janeiro de 2012. A Portaria Interministerial MPS/MF nº 2 também reajustou os benefícios mantidos pela Previdência Social em 6,08% e definiu o valor da cota do salário família.

De acordo com a advogada trabalhista do Cenofisco – Centro de Orientação Fiscal, Andreia Tassiane Antonacci, para os benefícios que foram majorados por força da elevação do salário mínimo para R$ 622, o referido aumento será descontado da aplicação do reajuste. “A Portaria define que a partir de 1º de janeiro de 2012 o salário-de-benefício e o salário-de-contribuição não poderão ser inferiores a R$ 622, nem superiores a R$ 3.916,20. Os benefícios de prestação continuada pagos pelo INSS correspondentes a aposentadorias, auxílio-doença, auxílio-reclusão, pensão por morte; de aposentadoria dos aeronautas; e de pensão especial para vítimas da síndrome da talidomida também não serão inferiores ao valor do salário mínimo”, explica.

A especialista comenta ainda que o valor da cota do salário-família por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 anos de idade, ou inválido de qualquer idade é de R$ 31,22 para o segurado com remuneração mensal não superior a R$ 608,80; e R$ 22,00 para o segurado com remuneração mensal superior a R$ 608,80 e igual ou inferior a R$ 915,05. “O direito à cota do salário-família é definido em razão da remuneração que seria devida ao empregado no mês, independentemente do número de dias efetivamente trabalhados. Todas as importâncias que integram o salário-de-contribuição serão consideradas como parte integrante da remuneração do mês, exceto o décimo terceiro salário e o adicional de férias”, afirma, salientando que a cota do salário família é devida proporcionalmente aos dias trabalhados nos meses de admissão e demissão do empregado.

 

A contribuição dos segurados empregados, inclusive o doméstico e do trabalhador avulso, relativamente aos fatos geradores que ocorrerem a partir da competência janeiro de 2012, será calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota, de forma não cumulativa, sobre o salário-de-contribuição mensal, de acordo com a tabela abaixo:

 

 

SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO

(R$)

ALÍQUOTA PARA FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS

até 1.174,86

8%

de 1.174,87 até 1.958,10

9%

de 1.958,11 até 3.916,20

11%


O Fisco está sempre ao seu lado!

 

É verdade, o fisco atualmente esta sempre ao seu lado, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A inteligência fiscal ou se preferir, tecnologia aplicada ao fisco esta em ação. Os controles que todas as esferas (Federal, Estadual e Municipal) possuem, permite o monitoramento dos contribuintes pessoas físicas e jurídicas praticamente de forma on-line. É um verdadeiro exército eletrônico: EFD, ECD, EFD Pis/Cofins, NF-e, CT-e, TF-e, Sintegra, DCTF, DIRF, DIPJ, DASN, DOI, etc. Tudo isso para a coleta de informações das operações entre os contribuintes e reduzir a sonegação fiscal. Hoje é praticamente impossível fazer uma operação que envolva recursos financeiros sem que o fisco esteja com seu “olho” eletrônico atento. De uma compra de imóvel até a compra de um simples lápis, nada passa despercebido a inteligência fiscal.

Um grande exemplo de controle eletrônico, que já existe em vários Municípios do país é a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica, ou se preferir NFS-e. Trata-se de um sistema, acessado via WEB, desenvolvido pelas Prefeituras ou empresas privadas, onde o contribuinte prestador de serviços deve emitir suas notas fiscais por ele. Cabe informar que o sistema é 100% controlado pela Prefeitura, já que o acesso é feito diretamente aos bancos de dados nos servidores dela. No caso, o fisco Municipal, tem, em tempo real, todas as informações do serviço prestado, dados completos do cliente (tomador dos serviços), valor do imposto devido e data. Antes de a empresa calcular o seu ISS a Prefeitura já sabe quanto ela deve. É uma realidade ao estilo “Jornada nas Estrelas”, futurista, porém real.

Aí nos perguntamos, será que vai pegar? Sem dúvida alguma que sim. O sistema da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica permite a Prefeitura colocar toda a população como verdadeiros fiscais da emissão das notas, isto porque, toda vez que uma pessoas física adquire um serviço, pode informar seu CPF e muitas prefeituras dão benefícios ao contribuinte, como: crédito no IPTU do seu imóvel e sorteios de brindes. Será uma verdadeira caça às notas fiscais. Quem não quer pagar menos no valor do IPTU ou ganhar um belo presente? Podemos então ver um simples “ticket” de estacionamento do shopping (é um serviço), virar desconto no IPTU. No início é tudo novo, mas com o passar do tempo, irá integrar a nossa cultura o pedido da nota fiscal para termos, ao menos, um pequeno retorno sobre os altos impostos que pagamos.

Se você é empresário, prepare-se, pois serão “contratados” milhões de pessoas para fiscais da Prefeitura. Se você é consumidor, parabéns, você acaba de ganhar um novo “emprego”!

 

Helio Donin Jr.


Mesmo com nova lei, consumidor deve guardar recibos de contas
Norma que obriga empresas a enviar recibos de quitação de débito "ainda não pegou"

 

 

No próximo mês de maio, a lei 12.007/2009, que estabeleceu o envio do recibo anual de quitação de débitos por parte das prestadoras de serviços públicos e privados, completará dois anos em vigor. Mesmo assim, são poucos ainda os consumidores que receberam os recibos referentes aos pagamentos efetuados nos anos de 2009 e 2010, de acordo com associações de defesa dos direitos do consumidor.

Recorrer à empresa, ao Procon ou até mesmo à Justiça para receber o comprovante de quitação são alternativas para o usuário dos serviços, segundo especialistas. Na avaliação do advogado Antônio Laért, presidente da comissão de Defesa do Consumidor do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), a nova lei “ainda não pegou”:

— Ao não cumprir a lei, as empresas estão atentando contra o direito do consumidor. O fato é que, por ser recente, ela ainda não pegou, não se criou um caldo de cultura em torno dessa nova lei — diz o advogado.

O descumprimento da lei pelas empresas impede muita gente de cumprir uma das primeiras metas de cada Ano Novo: descartar pilhas de papéis antigos. Sem o recibo de quitação dos débitos, o melhor a fazer é continuar guardando as faturas mensais pagas. Segundo o Procon-SP, para fazer valer seus direitos o consumidor deve ter sempre à mão documentos que comprovem a relação de consumo, como contas, recibos e notas fiscais, entre outros. No entanto, a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009, tirou do consumidor o ônus de apresentar a comprovação de quitação, caso haja dúvida quanto ao pagamento:

— O consumidor pode recorrer à empresa e pedir o recibo ou até mesmo fazer o pedido em juízo, caso tenha pago a conta e haja dúvida sobre o pagamento. É a empresa quem terá de apresentar o comprovante, já que a lei transferiu às empresas o ônus da guarda desses documentos — explica Laért.

O Procon-SP lembra que, de acordo com a legislação federal, somente terão direito à declaração de quitação anual os consumidores em dia com todas as parcelas ou mensalidades do ano anterior. Caso algum débito seja objeto de contestação judicial, o consumidor terá direito à declaração de quitação apenas dos meses não questionados. Se o consumidor não tiver utilizado os serviços durante todos os meses do ano anterior, terá direito ao documento de quitação dos meses em que houve faturamento dos débitos.

O termo de quitação anual reduz a quantidade da papelada, mas não a necessidade de arquivo desses documentos. Confira os diferentes prazos de conservação dos recibos para não ter dor de cabeça:

Prazos de conservação do recibo de quitação anual: água, energia, telefone e demais contas de serviços essenciais devem ser conservadas por cinco anos

Condomínio: declarações de quitação do pagamento do condomínio não devem ser inutilizadas durante todo o período em que o morador estiver no imóvel

Consórcio: declarações devem ser guardadas até o encerramento das operações financeiras do grupo

Seguro: proposta, apólice e as declarações de pagamento devem ser guardadas por mais um ano após o tempo em que ele estiver vigorando

Convênio médico: proposta, contrato e a(s) declaração(s) referente(s) a, no mínimo, os 12 meses anteriores ao último reajuste devem ser guardados por todo o período de contratação

Mensalidade escolar: declarações e contrato devem ser guardados pelo período de cinco anos

Cursos livres: declarações e contrato devem ser guardados pelo período de cinco anos

Cartão de crédito: declarações devem ser conservadas pelo período de um ano

Aluguel: o locatário deve guardar o contrato e as declarações até sua desocupação e consequente recebimento do termo de entrega de chaves, por três anos, desde que não haja qualquer pendência (somente para casos onde haja uma efetiva relação de consumo – contratos entre particulares são de natureza jurídica diferente)Prazos de conservação de outros documentos:

Compra de imóvel: a proposta, o contrato e todos os comprovantes de pagamento devem ser conservados pelo comprador até a lavratura e registro imobiliário da escritura (somente para casos onde haja uma efetiva relação de consumo – contratos entre particulares são de natureza jurídica diferente)

Notas fiscais: as notas fiscais de compra de produtos e serviços duráveis devem ser guardadas pelo prazo da vida útil do produto/serviço, a contar da aquisição do bem, uma vez que, mesmo após o término da garantia contratual, ainda há possibilidade de aparecerem "vícios ocultos" (defeitos)

Certificados de garantia: a guarda deve seguir a mesma regra das notas fiscais

Contratos: precisam ser conservados até que o vínculo entre as partes seja desfeito e, em se tratando de financiamento, até que todas as parcelas estejam quitadas e o bem, desalienado.

Fonte: O Globo


Aquilo que nos devora

 

Em 12 meses até novembro, R$ 137,6 bilhões em receitas fiscais foram desviados de projetos prementes na área social e de infraestrutura e canalizados ao pagamento de juros da dívida pública brasileira. O valor equivale a 3,34% do PIB previsto para 2011. Não é tudo; a despesa efetiva com os rentistas é bem maior.

A economia feita pelas três esferas de governo até agora, mais as estatais, cobre apenas uma parte do serviço devido, da ordem de R$ 240 bilhões este ano, sendo o restante incorporado ao saldo principal, elevando-o. Em 2011, essa 'capitalização' (deles) acrescentará R$ 110 bilhões à dívida, totalizando o equivalente a 5,6% do PIB em juros.

A sangria se consuma no orçamento federal que em 2012 destinará 47,2% do total, ou seja, mais de R$ 1 trilhão, ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Consolida-se assim um caso clássico de captura do Estado pela lógica da servidão rentista na qual quanto mais se paga, mais se deve.

Em dezembro de 2009 a dívida interna pública era de R$ 1,39 trilhão; em dezembro de 2010 havia saltado para R$ 1,6 trilhão; em 2011 deve passar de R$ 1,7 trilhão. De janeiro a novembro ela cresceu R$ 148,67 bilhões. O valor é R$ 53,5 bilhões superior ao total dos investimentos realizados no período pela União e o conjunto das 73 estatais brasileiras, que caíram 3,2% em relação a 2010.

É tristemente forçoso lembrar que enquanto a despesa com os rentistas esfarela 5,6% do PIB em juros, o orçamento federal para a saúde em 2012 será da ordem de R$ 90 bilhões (uns 3,5% do PIB); o SUS terá R$ 80 bilhões para atender 146 milhões de pessoas.

 

 

E o valor aplicado numa área crucial como a educação gira em torno de 3% (NR: 3% do orçamento federal para 2012; somadas as tres esferas, municipal, estadual e federal, chega a 5% do PIB). Discute-se se há 'margem' fiscal para elevar isso a 7% ou 8% --em uma década. Os movimentos sociais e a UNE defendem 10% do PIB.

Visto à distancia, o naufrágio europeu permite enxergar melhor o absurdo que consiste em colocar o Estado e a sociedade a serviço das finanças e não o contrário. Sem uma política corajosa de corte na ração rentista o Brasil cruzará décadas apagando incêndios no combate à pobreza e a miséria que enredam a vida de 27% da população e às deficiências de infraestrutura social e logística. É melhor que a regressividade demotucana. Mas insuficiente para embalar a travessia histórica da injustiça e do subdesenvolvido para uma Nação rica, compartilhada por todos.

 

Antônio Carlos Vieira  

Fonte:  http://cartamaior.com.br

 

Era digital: os benefícios e desafios das novidades tecnológicas para o mercado tributário

 

 

As constantes evoluções da tecnologia impactam positivamente no segmento de tributação. A própria Receita Federal tem iniciativas que alinham o crescimento do setor com as novidades tecnológicas, como no caso do projeto SPED, Sistema Público de Escrituração Digital. Hoje, já existem as Escriturações Contábil, Fiscal e Nota Fiscal Eletrônica. Outras declarações serão inseridas dentro do SPED, como o PIS e Cofins, a partir do início de 2012, já o e-Lalur e o e-Social, estão em andamento. 

Como em qualquer processo novo, esta ferramenta pode ser melhorada, tanto na geração quanto na utilização das informações. O Brasil está no caminho certo. O que a RFB não pode deixar de lado é a preocupação de criar condições para o sistema proporcionar cada vez mais rapidez, confiabilidade e disponibilidade na alimentação e consulta dos dados. Outra questão que merece atenção é o hardware necessário para “aguentar” toda a demanda gerada, porque algumas empresas estão com dificuldades com o tempo das respostas, principalmente nos períodos de picos.

Até o momento, a era digital já permite a proximidade entre as empresas, os órgãos fiscalizadores e controladores do mercado tributário.  Mais contribuições podem ser observadas, como na questão de evasão fiscal e transparência nas operações. Dessa forma, a tendência é uma expansão contínua.

Para melhor se beneficiar, as companhias de médio e grande porte devem estar atentas a diversos aspectos para atender as demandas tributárias. Primeiro precisam, se já não o fizeram, planejar as etapas necessárias para o atendimento das obrigações dentro do prazo que são requisitados. Realizada a identificação dos recursos e prazos necessários, a empresa deve buscar soluções no mercado que possam garantir o cumprimento do objetivo a um custo compatível.

No caso das pequenas empresas, o procedimento é o mesmo, dentro do seu cenário econômico e fiscal. A terceirização no processo e elaboração das informações pode ser uma alternativa interessante.
 

Fernando Moura


Saiba tudo sobre o parcelamento do Simples Nacional

 

Por meio da Resolução CGSN nº 92/2011 publicada no DOE 22.11.2011, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) disciplinou o parcelamento dos débitos tributários apurados no regime do Simples Nacional. Envio pontos relevantes selecionados pela consultora tributária da Confirp Contabilidade Evelyn Moura:

Os débitos apurados na forma do Simples Nacional poderão ser parcelados em até 60 (sessenta) parcelas mensais e sucessivas, desde que não se encontrem com a exigibilidade suspensa.

 Portanto esses débitos devem estar vencidos e constituídos na data do pedido de parcelamento, excetuadas as multas de ofício vinculadas a débitos já vencidos, que poderão ser parceladas antes da data de vencimento.

Os débitos constituídos por meio de Auto de Infração e Notificação Fiscal - AINF, que trata o art. 6º da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008, poderão ser parcelados desde a sua lavratura, desde que não estejam com a exigibilidade suspensa.

 Importante:Serão aplicadas nos somatório dos débitos parcelados as reduções das multas de lançamento de ofício previstas nos incisos II e IV do art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, nos seguintes percentuais:

a) 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de trinta dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;

b) 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de trinta dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância;

 

Não poderão ser objeto de parcelamento:

 a) as multas por descumprimento de obrigação acessória. exemplo: multa por atraso na entrega de DASN;

 b) a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social para a empresa optante tributada com base:

b.1) nos anexos IV e V da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, até 31 de dezembro de 2008;

 b.2) no anexo IV da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a partir de 1º de janeiro de 2009;

 c) aos demais tributos ou fatos geradores não abrangidos pelo Simples Nacional, previstos no § 1º do art. 13 da Lei Complementar nº 123, de 2006, inclusive aqueles passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de sub-rogação.

Pedido de Parcelamento

 O Parcelamento de débitos da empresa, cujos atos constitutivos estejam baixados, será requerido em nome do titular ou de um dos sócios, alcançado os parcelamentos de débitos cuja execução tenha sido redirecionada para o titular ou para os sócios.

 

Valor mínimo de cada parcela

 O valor de cada parcela será obtido mediante a divisão do valor da dívida consolidada pelo número de parcelas solicitadas, observado o limite mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), exceto quanto aos débitos de responsabilidade do Microempreendedor Individual (MEI), quando o valor mínimo será estipulado em ato do órgão concessor;

O valor de cada parcela, inclusive do valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais) estará sujeito ao disposto ao acréscimo da Selic.

 As prestações do parcelamento vencerão no último dia útil de cada mês.

 

Reparcelamento

 Serão admitidos até 2 (dois) reparcelamentos de débitos do Simples Nacional constantes de parcelamento em curso ou que tenha sido rescindido, podendo ser incluídos novos débitos.

 A formalização de reparcelamento de débitos fica condicionada ao recolhimento da primeira parcela em valor correspondente a:

 a) 10% (dez por cento) do total do somatório dos débitos parcelados;

 b) 20% (vinte por cento) do total dos débitos do somatório dos débitos parcelados, caso haja débito com histórico de reparcelamento anterior.

 

Rescisão do Parcelamento

 Implicará rescisão do parcelamento:

 a) a falta de pagamento de três parcelas, consecutivas ou não;

 b) a existência de saldo devedor, após a data de vencimento da última parcela do parcelamento.

 Rescindido o parcelamento, apurar-se-á o saldo devedor, providenciando-se, conforme o caso, o encaminhamento do débito para inscrição em dívida ativa ou o prosseguimento da cobrança, se já realizada aquela, inclusive quando em execução fiscal.

 A rescisão do parcelamento motivada pelo descumprimento das normas que o regulam implicará restabelecimento do montante das multas reduzidas proporcionalmente ao valor da receita não pagas.

 

Disponibilização Do Parcelamento Pela Receita Federal

 A o aplicativo para adesão ao parcelamento será disponibilizado pela Receita Federal do Brasil - RFB a partir do dia 2 de janeiro de 2012 no Site:http://www.receita.fazenda.gov.br/.

 

Evelyn Moura


Simplificação tributária

 

 

Paralelamente à idéia de se criar no Brasil um imposto único sobre as transações financeiras, em seminário realizado na Argentina no final de 1989, o economista da Universidade de Wisconsin, Edgard L. Feige apresentou estudo intitulado “Taxing All Transactions: The Automated Payment Transaction Tax System”. Da mesma forma que no Brasil, a proposta de criação de um imposto sobre movimentação financeira defendida pelo professor Feige, um especialista em economia informal e que desenvolve pesquisas sobre o tema em vários países há mais de 20 anos, suscitou interesse também nos Estados Unidos.

Os estudos de Feige sobre a informalidade em vários países ao redor do mundo apontaram os enormes malefícios que a economia informal e a evasão de impostos vêm causando. O professor Feige concluiu que a tributação sobre as transações bancárias pode atenuar as distorções causadas pela economia subterrânea, e descreve a proposta como um sistema de impostos para o século 21.

A proposta de Feige deu origem a um movimento de divulgação do “imposto único” norte-americano. O detalhamento do Automated Payment Transaction (APT) e outras informações acham-se disponíveis no site www.apttax.com

A simplificação tributária ganhou destaque tempos atrás nos Estados Unidos quando o milionário Steve Forbes, então candidato à presidência daquele país, propôs um imposto único de 17% sobre os salários. A idéia do “flat-tax” ganhou adeptos, e, em 2003, cinco projetos seguindo essa linha simplificadora foram apresentados ao Congresso norte-americano.

Também na Alemanha a simplificação ganhou grande destaque. Uma variante da tese do Imposto Único, defendida pelo professor da Universidade de Heidelberg, Paul Kirchhof, um dos gurus em finanças públicas naquele país, foi colocada no centro dos debates pela atual chanceler Angela Merkel quando era candidata.

A onda simplificadora é um passo importante na área dos impostos em muitos países. Economias do leste europeu também assimilaram essa necessidade e realizaram reformas em seus sistemas tributários tendo como diretriz a simplificação.

No Brasil a proposta do Imposto Único reúne um número crescente de adeptos desde o final dos anos 80. Projeto neste sentido foi aprovado pelas Comissões Temáticas do Congresso, e encontra-se pronta para ser votada pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Trata-se da PEC 474/01 que prevê a substituição de vários tributos federais (Imposto de Renda, Cofins, IPI, INSS patronal, IOF, Salário-Educação, Sistema “S” e ITR) por apenas com alíquota de 2,1% sobre os débitos e os créditos de cada lançamento nas contas-correntes bancárias.

A simplificação de impostos tem sido a diretriz fundamental das propostas de reestruturação dos sistemas tributários ao redor do mundo. Lamentavelmente, nos últimos anos, o Brasil não adotou essa linha e montou uma estrutura fiscal absurdamente complexa. Mas, aos poucos o País tem debatido a necessidade de uma reforma simplificadora e o Imposto Único proposto na PEC 474/01 se apresenta como a alternativa mais viável para a sociedade brasileira.

 

Marcos Cintra

 

 

Muita cautela em 2012

 

O ano não foi tão bom quanto em 2010, mas não dá para reclamar, mesmo com a brusca freada do PIB no terceiro trimestre. Pairam incertezas sobre 2012, diante da crise dos Estados Unidos e dos países da zona do euro, mas não há propriamente um clima de pessimismo generalizado. A palavra de ordem nas empresas é cautela.

O mercado de recrutamento de executivos se comportou como outros setores da economia, com grande aquecimento em 2010, quando o País cresceu 7,5%, e uma fase de acomodação em 2011, que deverá se repetir no próximo ano. Algumas empresas protelam novos investimentos e, portanto, tendem reduzir ou adiar também novas contratações. Por conta disso, procurarão ser certeiras no momento da contratação de um executivo, recorrendo a empresas especializadas em recrutamento.

Na verdade, mesmo com índices de crescimento da economia em base mais modesta, continua o chamado apagão de talentos, que decorre mais de problemas estruturais. A formação de profissionais não acompanha a velocidade do ritmo de produção no Brasil.

Os setores que ainda devem demandar mais executivos são os de construção civil e de engenharia em geral, uma vez que o País faz grandes investimentos para melhorar a infraestrutura, impulsionados pela Copa do Mundo em 2014 e pelas Olimpíadas em 2016.

Mas outros setores, especialmente os de tecnologia da informação e de petróleo e gás, também têm grande carência de talentos, proporcional aos investimentos que estão sendo feitos. O agronegócio, cujo desempenho impediu um PIB negativo no terceiro trimestre, continuará a demandar profissionais para áreas que não estão dentro das fazendas, mas além das porteiras, como logística, comércio exterior, meteorologia, biotecnologia e serviços financeiros. Para cada posto criado na produção, dois são abertos em serviços.

 

Em 2011 passaram a dar sinais de que vão demandar mais executivos as áreas de educação e saúde, que estão investindo na profissionalização, passando por processos de fusão e aquisição e despertando a cobiça de fundos de investimento, tanto brasileiros como internacionais. Profissionais especializados em sustentabilidade ou que querem trabalhar na área também um amplo mercado pela frente.

Por conta da falta de profissionais bem preparados, houve um aumento de salários e benefícios, impulsionado tanto pela batalha para capturar um talento no mercado quanto para retê-lo. Outro ponto que favoreceu o profissional brasileiro foi o aumento da importância do Brasil para as multinacionais. O País virou o principal mercado consumidor para algumas delas e muitas transferiram a sede de suas operações na América Latina para cá. Assim, os diretores daqui ganham poder e isso se reflete nos salários, mais altos que em outros países.

Em 2012 essa situação deve se estabilizar, pois as remunerações atingiram um patamar muito elevado e se subirem mais podem ficar em desacordo com o mercado.

Na verdade, ninguém espera maravilhas, mas pode ser um bom ano.

 

Marcelo Mariaca

 

Requisito para o sucesso na economia do conhecimento

 

No cenário competitivo do século XXI, o conhecimento tornou-se matéria-prima básica e é o principal ingrediente do que é produzido, feito, comprado e vendido. Portanto, administrá-lo, armazená-lo, vendê-lo e compartilhá-lo constituem-se na tarefa econômica mais importante das empresas.

Dessa maneira, está acontecendo uma efetiva mudança de paradigma. A rígida divisão entre trabalho mental e manual tende a ser eliminada. Tarefas fragmentadas e padronizadas passam a ser integrais e complexas, exigindo, em todos os níveis organizacionais, pessoas com capacidade de pensar e executar simultaneamente. 

Os consumidores também mudaram, ficando mais exigentes. O mercado está mais competitivo, o ciclo de vida dos produtos diminuiu e o seu real valor encontra-se no conhecimento neles embutido. A evolução tecnológica, igualmente, causou impactos intensos no ambiente organizacional, como mudanças e reestruturações.

Esse cenário da economia do conhecimento certamente implica inovações no sistema educacional, pois, para se adaptar às novas exigências, os executivos necessitam de constante criação,geração e assimilação de conhecimentos e competências. Sendo assim, a aprendizagem ganha destaque entre as organizações e os executivos.

Algum tempo atrás, ter um diploma de graduação era garantia de emprego e destaque profissional. O grau de conhecimento do indivíduo era considerado condizente para o bom desempenho das tarefas. Hoje, graduar-se em um curso universitário não dá aos formandos todas as condições exigidas pelo atual mundo competitivo, que requer inovações e respostas rápidas. 

Portanto, os executivos precisam de um aprendizado contínuo, capaz de qualificá-los para atuarem em suas carreiras em constantes transformações. Nessa perspectiva, a educação continuada passa a ter um lugar central em sua vida, assumindo função estratégica essencial para adequá-los às novas exigências do mercado.

 Um dos cursos de educação continuada bastante procurados atualmente pelos executivos é o de MBA, que começou a ser oferecido no início do século XX na forma de programas preparatórios, em período integral, para aqueles que desejavam construir suas carreiras nas diversas áreas da gestão de negócios, em 1908. Em 1940, a oferta evoluiu para um modelo em regime parcial, mais pragmático e modelado, dirigido aos executivos que não tinham a possibilidade de se afastar de suas atividades para atualizar seus conhecimentos. Era o MBA Executivo. Nas décadas seguintes houve a proliferação das escolas de negócios com a proposta de preparar executivos para enfrentar os desafios das constantes mudanças impostas pelos novos meios de informação, devido ao grande avanço tecnológico que aconteceu na segundametade do século XX.

A oferta de MBAs e outros cursos de qualidade é importante, pois ser bem-sucedido na economia do conhecimento requer proficiência em um novo conjunto de conhecimentos e competências, o que inclui conteúdos acadêmicos básicos, como domínio da língua nativa e de um idioma estrangeiro, matemática, habilidades científicas e a capacidade de utilizar a tecnologia de comunicação e informação.    Além disso, os executivos devem ser capazes de utilizar essas habilidades de modo eficaz, atuar de maneira autônoma, reflexiva e crítica e funcionar em grupos socialmente heterogêneos. Saber cada dia mais, portanto, é essencial.

 

Juliana Quintino de Oliveira


Incerteza econômica de 2012 mudará comportamento das empresas, diz HRG

2012 mudará a maneira de pensar das empresas no que diz respeito à gestão de viagens, de acordo com Hogg Robinson Group (HRG), empresa internacional de serviços corporativos

 

Como os negócios ao redor do mundo começam a lidar com a previsão para o Ano Novo no meio da incerteza econômica, as empresas devem executar mudanças para maximizar os recursos de viagem. De acordo com Stewart Harvey, diretor comercial da HRG, “As perspectivas econômicas estão levando as empresas a buscarem novos negócios e isso significa priorizar mercados com perspectivas mais saudáveis de crescimento. As organizações não  gastarão necessariamente mais ou menos em viagens em 2012, mas o farão  de forma diferente”.

No Brasil, o Grupo Alatur, que atua na Gestão de Viagens Corporativas (Travel Management Company), Gestão de Eventos, Viagens Pessoais e Mobilidade Corporativa, é parceiro exclusivo da HRG Worldwide no País, sendo a HRG Brasil uma de suas unidades de negócio. Harvey comenta que os clientes estarão em busca de um melhor controle sobre opções de viagem em mercados tradicionais, por meio de viagens mais inteligentes e alternativas para reuniões internas, tais como vídeo-conferência. “ O dinheiro economizado pode ser realocado para permitir maior foco no crescimento e nos mercados emergentes, onde a oportunidade para novos negócios é mais forte, como China, Índia e Brasil”.

 

Autorização de viagem avançada

Como corporações focam em controle de custos, HRG prevê que a maioria dos gerentes de viagens estará sob pressão para olhar mais de perto as despesas antes das viagens serem feitas. As empresas estão buscando um controle mais rígido em custos por meio de autorizações prévias, mas há potencial para os gargalos se os sistemas não estiverem adaptados para facilitar o processo.

“Responsabilidade para autorizar viagens normalmente cai para gerentes de linha, mas como eles também podem ser viajantes, esperamos ver aumento da demanda por tecnologias que se estendem por meio de dispositivos móveis e desktops. Controle através de dispositivos móveis é alta prioridade para os nossos clientes. Por isso, a HRG desenvolveu ferramentas de autorização e relatórios para smartphones como uma forma de ajudá-los na obtenção de um processo mais eficaz ", diz Harvey.

Com corporações cada vez mais focadas em previsões precisas para os custos  de viagem antes de sua autorização, HRG espera que a indústria de viagens venha mais uma vez ser pressionada para proporcionar uma maior transparência e padronização de taxas.

"Quando as condições econômicas são incertas, a última coisa que as empresas querem são surpresas, particularmente quando essas surpresas custam dinheiro. Além de ampliar o debate em torno de taxas adicionais (ancillary fees), também veremos mais corporações utilizando tecnologias móveis para reforçar a política de viagens entre os viajantes", avalia.

 

Capacidade e inventário limitados

HRG acredita que a demanda por viagens de negócios continuará saudável em 2012, mas espera que os fornecedores mantenham uma visão conservadora, controlando inventário e capacidade para minimizar a exposição ao risco. Para o diretor comercial da HRG, houve uma grande oscilação na demanda de viagens ao longo dos últimos anos. A atual situação econômica torna muito difícil para os fornecedores da indústria efetuarem previsões acuradas, preferindo errar por precaução.

"Como a demanda aumenta e a capacidade diminui, há dois desafios principais para os clientes: disponibilidade e acesso ao melhor preço. Nosso valor é percebido quando trabalhamos com os clientes para ajudá-los a compreender como estão viajando, e para identificar oportunidades através das quais podem economizar, mudando hábitos de viagem existentes".

*Números anuais de crescimento projetados pela GBTA mostram que o mercado de viagens deve crescer 11,2% na China, 10,8% na Índia e 7% no Brasil. Correspondentemente, HRG tem testemunhado forte foco na Ásia e no Oriente Médio, com interesse crescente em países da África e América Latina.

 

O mito do ranking de rentabilidade

A cada fechamento de mês, trimestre, semestre ou ano, as associações e instituições que trabalham essencialmente com investimento disponibilizam o ranking das melhores aplicações financeiras do período em questão.

No bloco da renda fixa, formado pela caderneta de poupança, pelos diversos títulos do tesouro, fundos DI, CDB’s etc, há pouca ou quase nenhuma novidade. Salvo mudanças muito significativas nas variáveis macroeconômicas, incluo aqui a legislação em vigor, os vagões são dispostos em certa ordem no trilho econômico, que deverá permanecer o mesmo de 01 de janeiro a 31 de dezembro. Note que no bloco da renda fixa, sistematicamente são esquecidas as debêntures. Afinal, sabem o que é uma debênture e têm acesso a elas aqueles que já possuem um certo conhecimento de investimento e também já têm o hábito de investir.

Já no bloco da renda variável, mais sujeito a emoções diárias determinadas pelos humores de investidores e mercados internacionais, vemos que em um período a bolsa é melhor, em outro pior. Em outra fase, o ouro ganha e o dólar perde. Ou então, a forte valorização dos imóveis se sobrepõe a outros investimentos em determinada época. E como em um campeonato, o líder do ranking é muito bajulado e assediado por inúmeros fãs de ocasião.

A regulamentação vigente obriga que os prospectos de produtos financeiros mostrem, além de sua rentabilidade, a seguinte frase: “Rentabilidade Passada Não é Garantia de Rentabilidade Futura”. Isto serve para proteger, ou melhor, alertar o consumidor daquele produto financeiro sobre seu primeiro grande erro na percepção de qualidade do que está adquirindo.

A percepção de qualidade do consumidor financeiro se refere somente, e repito o somente, à rentabilidade passada. Tal percepção foi forjada por anos de altas taxas de inflação, quando se faziam aplicações financeiras escolhendo a melhor rentabilidade diária. Lembro que as alternativas de produto eram poucas àquela época, quando comparamos com os dias atuais. Para corrigir o problema, deve o poupador desenvolver uma perspectiva de rentabilidade futura, ainda que mais qualitativa que quantitativa, ou mesmo a instituição financeira oferecer seus panoramas de curto, médio e longo prazo, para que a tomada de decisão final tenha olhos no futuro e não no passado.

Também não faz parte da percepção de qualidade outros dois importantes ingredientes de uma aplicação financeira: a liquidez e a segurança. Muitos investem em caderneta de poupança e aumentam seus investimentos nela quando ela passa a liderar o ranking de rentabilidade, mas desconhecem os riscos que correm. Muitos se dizem investidores de longo prazo, mas salientam ao gerente do banco que querem poder retirar seu dinheiro a qualquer momento que precisarem. 

Rentabilidade que muda muito e liquidez e segurança que oscilam, em conjunto, pouco ou nada devem ajudar a formar a decisão final de investimento. Desta forma, os investimentos passam a ser mais consistentes e a produzirem melhores resultados a despeito das oscilações, rumores e humores.

Mauro Calil


Mais transparência, menos delinquência!

 

A Iniciativa para a Recuperação de Ativos Roubados (StAR), ação conjunta do Banco Mundial e do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito, acaba de divulgar o instigante estudo “Como os corruptos utilizam as estruturas legais para ocultar bens roubados e o que fazer a respeito”. O trabalho mostra como os subornos, a malversação de verbas e bens do Estado e outros atos criminais ocultam-se em meio a estruturas legais, como empresas fantasmas, fundações e organizações diversas. O tema é de alto interesse da sociedade brasileira, considerando que, a despeito dos avanços políticos e econômicos das últimastrês décadas, não conseguimos exorcizar os fantasmas da improbidade, que continuam nos assombrando.

Uma das mais relevantes recomendações do relatório ressalta a importância do trabalho realizado pelos provedores de serviços legais, financeiros, administrativos e gestão. Trata-se de uma referência direta à atividade de outsourcing. De fato, a eficácia e a ética dessa atividade contribuem de modo significativo para que organizações sérias, corretas e jamais coniventes com a corrupção sejam utilizadas inadvertidamente por indivíduos inescrupulosos.

No Brasil e no mundo, há dramáticos exemplos de companhias de alta credibilidade e reconhecimento, surpreendidas por ações dolosas de executivos e colaboradores.

O caso Enron, no início da primeira década deste século, ficou conhecido como exemplo do mau uso da contabilidade para manipular mercados e propiciar o enriquecimento ilícito de executivos. No âmago da crise do sub-prime nos Estados Unidos, em 2008, também há claros vícios na emissão e replicação de títulos imobiliários. Verifica-se, assim, que os equívocos no setor privado têm consequências tão ou mais danosas do que na área pública.

 Nesse contexto, os princípios contábeis criados pela Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), bem como os aperfeiçoamentos da legislação e das normas nacionais e internacionais, tornam-se cada vez mais importantes, em especial numa conjuntura de economia aquecida e com grande expansão dos mercados, como a atual. É muito pertinente que as corporações organizem-se adequadamente e com acesso fácil às suas informações contábeis. Por isso, é fundamental que os princípios basilares da contabilidade sejam assimilados como valores intrínsecos do universo corporativo.

A corrupção, além da questão moral, ética e legal, reduz muito a competitividade da economia de qualquer país. No Brasil, sabe-se que o problema é responsável pelo desvio de parcela expressiva do dinheiro arrecado à sociedade por um dos sistemas tributários mais onerosos e burocráticos do mundo. Por isso, quanto mais eficazes forem os mecanismos de controle, as boas práticas da gestão, a competência e transparência da contabilidade, maiores serão os benefícios para a Nação. Não se pode permitir que a minoria corrupta continue desperdiçando o dinheiro público e/ou comprometendo a saúde financeira e a sobrevivência das empresas. Por isso, nada mais pertinente do que o título da matéria sobre onovo estudo da StAR, estampado em manchete no website do Banco Mundial: “Mais transparência, menos deliquência”.

 

Vagner Jaime Rodrigues


O leão está de olho em você

 

Desde os acontecimentos no final do ano passado nos quais o sistema de sigilo e integridade dos dados dos contribuintes foram afetadas e questionados a Secretaria da Receita Federal do Brasil implementou uma série de modificações que afetaram diretamente o contribuinte para a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física de 2011.

O endurecimento varia desde um maior rigor na fiscalização quanto à criação de parâmetros especiais a serem melhor observados quanto à declaração. O plano de metas deste ano pela Secretaria da receita Federal do Brasil é fiscalizar as informações advindas de locações, compra e venda de imóveis e, especialmente, as despesas médicas.

Já existia, no passado, um critério subjetivo, um limite de até 15% da renda ser tolerado a título de despesas médicas. Ora, se o contribuinte possui o dinheiro e passa por necessidade, por que a Receita irá colocá-lo na Malha Fina a seu bel prazer? Isso mesmo, e pior: para os mais experientes, leia-se acima de 65 anos, o drama é ainda maior: o plano de saúde cobra mensalidades astronômicas e o prêmio fiscal é ser conduzido diretamente para a malha por ser “incompatível com a renda”.

Além disso, a receita deseja olhar com mais atenção os abatimentos em busca de fraudes, valores lançados a maior ou inexistentes, tudo para arrecadar e obter uma restituição.

Na mesma esteira temos os aluguéis, muitas vezes omitidos quando entre pessoas físicas e as transações imobiliárias feitas entre particulares, nas quais se convenciona um valor menor que o da venda. A fraude existe e a Receita está ávida pela arrecadação e distribuição de Autos de Infração, que o contribuinte fique atento, pois, definitivamente, o Leão está de olho. 

 

Antonio Gonçalves


Economistas dão dez dicas de como não perder dinheiro em época de crise

Reportagem da revista AméricaEconomia mostra que adotar estratégias de menor risco é medida mais recomendada em períodos mais difíceis

A edição de dezembro da revista AméricaEconomia, da Spring Editora, traz dez dicas de especialistas sobre como não perder dinheiro em tempos de crise. As sugestões são dos economistas André Massaro (Money Fit), CaioTorralvo (professor da FIA), Fernando Góes (Rico), Georges Catalão (Lecca), Humberto Veiga (corretor financeiro), José Roberto Ferreira Savóia (professor da FEA-USP) e Reinaldo Domingues (educador financeiro). A recomendação unânime é a de que o empresário adote uma estratégia defensiva no mercado. Com EUA e Europa em situação delicada, o crescimento do Brasil desacelerou, então o investidor deve estudar muito antes de fazer qualquer aplicação e sempre estar atento a investimentos que acompanham juros e a inflação, considerados boas opções.

O pagamento dos dividendos é a segunda recomendação. Fazendo isso, o empresário continua a ganhar, mesmo com queda nas bolsas de valores.  Focar no mercado interno também é uma das dicas, já que há menos risco de ficar vulnerável à crise externa. Usar a bolsa para investimentos de longo prazo funciona como medida de baixa perda. Resgatar o dinheiro imediatamente após haver queda resulta em diminuição de preços da companhia, mas esperar a estabilização do mercado aumenta as chances de rendimento. O recomendado é não pegar de volta o dinheiro aplicado por pelo menos três anos.

Manter a estratégia de mercado do início ao fim é muito importante também. Sabotar a própria ideia no meio da crise é um dos caminhos mais conhecidos para o investidor começar a vender papéis em baixa. Ao montar um plano, deve-se segui-lo até o fim. Apostar na Selic continua sendo uma boa, pois a taxa segue muito superior às registradas em outros países. A sétima dica é defender-se da inflação. Como a taxa de juros no Brasil de 6,97% ao ano foi superior à estipulada pelo Banco Central (6,5%), o ideal é investir em um título do Tesouro chamado NTN-B. A rentabilidade é vinculada à variaçãodo IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra. Assim,se a inflaçãosubir, o efeito sobre esse investimento será positivo no longo prazo.

Antes de investir, deve-se conhecer o mercado. Comprar ouro só faz sentido se ele for comprado barato e vendido caro. A aquisição do metal não vai ajudar necessariamente a manter o patrimônio, ainda mais se ele ficar em baixa com a crise. Fundos de investimento são a forma apropriada para se ganhar dinheiro, mas sem precipitações na hora da venda. No mercado de fundos, o destaque é do setor imobiliário. E por fim, fazer um diagnóstico é sempre bom. Quando o investidor estuda a crise, consegue entender a própria saúde financeira, e também avaliar quais as posturas que ele pode ou não adotar.

 


Finanças pessoais e sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade é relativamente recente. Na década de 80, Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, definiu comunidade sustentável como aquela capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.

 

O tema tem sido palco de amplas discussões no Brasil e no mundo, entretanto, há um aspecto pouco discutido: a sustentabilidade das finanças da família. E não se trata apenas de salvaguardar empregos, mas de como ser capaz de suprir as necessidades atuais sem comprometer a capacidade de atender às necessidades futuras da família.

Nesse período que antecede às festas de final de ano, especialmente o Natal, tem início a busca desenfreada por presentes: amigo secreto do escritório, da escola, da família, lembrancinhas para os amigos, gorjeta “mais gorda” para prestadores de serviços, brinquedos novos para os filhos, troca de móveis, de computadores, de celulares, de eletrodomésticos etc. Inúmeras são as desculpas para as compras de Natal. As mesas são exageradamente fartas e muito se desperdiça nesses períodos de festas, num sinal de que a sustentabilidade não passa por aqui. As pessoas comem até quanto conseguem como se tivessem que fazer uma reserva de calorias para os demais dias da vida; bebem para esquecer as más lembranças do ano e exageram na comemoração daquele que chega, como se fosse o último trago de suas vidas.

 

Nessa perspectiva, a família se esquece, muitas vezes, de dar um destino mais racional ao 13º salário, como a quitação de dívidas, cobertura do cheque especial e provisão de muitos valores que chegam com o novo ano (matrícula e material escolar, IPVA, IPTU, entre outros). A irracionalidade das compras torna-se comportamento-padrão ao invés de uma reflexão em família para acertar o compasso do grupo, estabelecer metas, traçar objetivos conjuntos

Na ânsia de viver o presente, as famílias deixam de pensar no futuro e apresentam aos filhos maus exemplos de desperdício e consumo desenfreado.

Assim, que tal pensar duas vezes antes de fazer as próximas compras de Natal? Que tal reunir a família e propor um Natal sustentável, comprando apenas o realmente essencial e dando amor e carinho no lugar de presentes?

 

Donatila Brasil Rocha Pinski


Dicas para entrar em 2012 com as finanças no azul

 

 

Para ter dinheiro no bolso nesse fim de ano e se preparar para realizar os objetivos definidos para 2012, planejamento financeiro ainda é mais garantido do que simpatia. O educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, preparou orientações aos brasileiros que querem passar longe da onda de endividamento. São orientações para quem quer quitar dívidas, presentear, curtir as festas e férias sem comprometer os recursos para as despesas típicas do início do ano – IPVA, IPTU, matrícula e material escolar - e ainda poupar.

Para não extrapolar as despesas de fim de ano e garantir recursos para 2012

Evitar compras por impulso: os consumidores devem se fazer algumas perguntas antes de comprar - Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima? Se não comprar isso hoje, o que acontecerá? Tenho dinheiro para comprar à vista? Se comprar a prazo, terei o valor das parcelas? O acúmulo de parcelas coloca em risco a realização dos sonhos que foram priorizados com a família?

Planejamento do fim de ano: liste os ganhos do período (renda e ganhos extras como 13º, bonificações e férias). Liste todas as despesas – fixas e variáveis. Avalie sua situação financeira. Há margem para novos gastos? Há pendências financeiras? Faça um esforço para identificar excessos, que geralmente representam 30% das despesas das famílias brasileiras. Avalie quanto poderá reservar para comprar presentes, artigos das festas de fim de ano, preferencialmente à vista. Evite a todo custo entrar no limite do cheque especial e pagar a parcela mínima do cartão de crédito. Reserve parte do décimo terceiro para as despesas do início do ano como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar. Cuidado ao parcelar viagens. Pense: será que vale a pena passar dificuldades o ano todo por alguns dias de diversão? Será que uma viagem mais barata e dentro do orçamento não trará satisfação?

Planejamento financeiro de 2012: é fundamental evitar parcelamentos das compras de final do ano. Na empolgação do consumismo típico da época, esquece-se que os rendimentos extras, também típicos do período, não persistirão pelo ano seguinte. Porém, se o parcelamento for inevitável, faça uma planilha em que o valor já comprometido esteja previsto nos meses correspondentes. Sem esse controle, é certo o acúmulo de dívidas e o risco da inadimplência. É assim que inicia-se o ciclo de endividamento que afasta a realização daquilo que realmente traz satisfação e agrega valor à vida das pessoas. Por isso, reúna-se com a família para definir os desejos de curto (um anos), médio (até cinco anos) e longo (mais de 10 anos) prazos  ou aqueles que se pretende em realizar em 2012 e incorpore o valor mensal necessário para a realização dos mesmos no orçamento mensal do próximo ano. Subtraia o valor desses sonhos da receita. O saldo restante é o orçamento para as demais despesas mensais.

 

Para economizar e poupar sempre

Pesquisar preço e comprar à vista: Tudo que se compra em prestações paga-se mais caro. Já quem pesquisa o melhor preço paga menos e aumenta a chance de comprar à vista e obter desconto.  

Pedir desconto: Se um produto custa mil reais e pode ser parcelado em 10 vezes de 100 reais, certamente à vista custará de 10% a 20% menos.

Reter 10% dos rendimentos: para começar a construir a independência financeira, deve-se guardar 10% do que ganha. Com o tempo, pode-se partir para um plano de previdência privada para complementar o INSS.

 

Para ficar livre das dívidas

Qualquer que seja a dívida, o consumidor deve investigar o que está levando ele a gastar mais do que ganha, somando dívidas que não consegue pagar e que roubam recursos que deveriam ser destinados para a realização de sonhos. Fazer acordos para pagamentos de dívidas sem antes saber qual é a real capacidade de pagamento, sem cortar excessos, sem ajustar o orçamento ao verdadeiro padrão de vida é um grande risco, além de uma medida paliativa que apenas adia a solução da causa do problema. Abaixo, algumas medidas para ajudar a quitar dívidas e reequilibrar as finanças.

Cheque especial – cheque especial é uma das mais altas taxas de juros praticadas no mundo. Procure o gerente da conta e proponha imediato cancelamento dessa linha de crédito, mesmo que esteja utilizando. Proponha troca por uma linha de crédito que não ultrapasse 3% de juros mensais. Caso esteja pagando 100 reais de juros ao mês, proponha um parcelamento do mesmo valor, com prazo alongado. Isto fará com que não tenha mais que pagar juros mensais de 10% - isso faz sua dívida dobrar a cada 7 meses. Caso o gerente não aceite, o melhor a fazer é poupar para uma futura negociação.

Cartão de crédito – busque negociação com operadora do cartão ou banco. Proponha um parcelamento com juros que não ultrapassem 3% ao mês, e que estas prestações caibam no orçamento financeiro mensal. Caso a operadora ou banco não aceitem, não faça acordos que não conseguirá cumprir. Mesmo que o nome seja negativado, guarde dinheiro mensalmente para uma futura negociação. Outra estratégia é buscar crédito com taxas mais baixas como, por exemplo, o crédito consignado. Mas atenção: não resolve trocar um credor por outro, é preciso resolver e atacar a verdadeira causa do desequilíbrio financeiro.

Financiamento de casa – Para a maioria dos brasileiros a compra da casa própria é um sonho que só é possível realizar adquirindo uma dívida – o financiamento imobiliário. Em boa parte dos casos, o que impede o pagamento das prestações da casa são os gastos supérfluos. Se está difícil pagar as prestações, o melhor a fazer, além de cortar excessos de gastos, é procurar a financiadora e propor um alongamento da dívida, adequando a prestação à real capacidade de pagamento. Caso não consiga a renegociação, estude a possibilidade de trocar esse imóvel por um de preço inferior.

Carro  -  um veículo não é investimento e, sim, um bem de consumo. A prestação em si nem sempre é o motivo da dificuldade de custear esse bem - embora ao final do financiamento a pessoa tenha pagado por dois veículos e levado apenas um. O verdadeiro problema está na manutenção do veículo, cujo custo mensal equivale, em média, a 3% do valor do carro. A manutenção de um veículo de 20 mil reais, por exemplo, tem um custo de aproximadamente 600 reais mensais - gasolina, seguro, licenciamento, IPVA, entre outros. Portanto, é importante analisar o custo-benefício da compra do veículo. Se tê-lo é uma necessidade e está difícil pagar é melhor rever o orçamento e tentar renegociar o prazo da dívida com prestações que realmente caibam no bolso, considerando todas as demais despesas já assumidas. Se a renegociação também não for possível, o melhor é buscar um advogado e providenciar a devolução do veículo. 

Reinaldo Domingos


Tudo tem seu preço

 

As reservas cambiais brasileiras fecharam 2011 em US$ 352 bilhões, valor decorrente da entrada de recursos estrangeiros através de investimentos diretos e superávit comercial. O colchão que vem sendo criado de acordo com as premissas do Banco Central (BACEN) para viabilizar a política de controle do câmbio e maior flexibilidade externa nas negociações com produtos importados gera um aumento dos gastos para sua manutenção. A sua remuneração é fixada pelos investimentos no mercado americano, bem menor do que os rendimentos das aplicações no Brasil, que giram em torno de 11% (Taxa Selic anual).

De acordo com o BACEN, os custos de manutenção das reservas cambiais brasileiras, no ano de 2011, girou em torno de R$ 26,6 bilhões, o que representa uma taxa média de 4,2% de juros líquidos aplicados sobre a reserva cambial atual, utilizando o câmbio de R$ 1,80. O valor da manutenção de tal reserva gera gastos que são adicionadas aos juros da dívida interna brasileira e que o superávit primário não consegue cobri-lo.

O Tesouro Nacional captou, no início de janeiro, US$ 825 milhões como estratégia de identificar os juros que seriam cobrados do Brasil em caso de necessidade de novos financiamentos externos. Com isso, obteve uma taxa de 3,449% ao ano, que, pelas colocações do próprio Tesouro e pela taxa conquistada, representa maior confiabilidade no mercado brasileiro em virtude de uma séria de premissas do planejamento fiscal.

Embora o valor captado seja pequeno, fará com que cresça os gastos com os juros, em virtude do aumento da reserva. O fato é que isso não significa que, no futuro, o Brasil, tendo necessidade de captar, consiga a mesma taxa, que é próxima a dos Estados Unidos.

É necessário ter um planejamento diferente no momento de captar recursos desnecessários, a não ser que a dívida seja combinada com a troca de outra com juros maiores e que possam reduzir o impacto dos juros internos e do montante da dívida interna que, atualmente, gira em torno de R$ 1,75 trilhão. A dívida externa projetada é de U$ 282,4 bilhões e a interna de US$ 972,0 bilhões, com um total de endividamento em torno de US$ 1,254 trilhão.

Precisamos de muito trabalho e fechar as torneiras para estancar os juros de manutenção da dívida interna e externa e, assim, buscar a amortização do principal. Tudo tem seu preço.

 

Reginaldo Gonçalves


 

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