Como podemos minimizar os riscos
se ainda não entendemos os objetivos de compliance, controles
internos e gestão de riscos? Alguns estudiosos acreditam que o
profissional de compliance (ou conformidade) deve possuir
formação em administração e conhecimento em governança
corporativa. Mas será que é suficiente? Acredito que
conhecimento de contabilidade e/ou controladoria seria um
adicional fantástico para aprimorarmos os controles. Afinal,
todos os fatos e registros operacionais de alguma forma se
transformarão em números dentro da organização. E quem
controla estes números é a controladoria.
Com a adoção das normas
contábeis internacionais no Brasil, muito se tem falado sobre
a busca pela conformidade com o IFRS (International Financial
Report Standard) e com o CPC (Comitê de Pronunciamentos
Contábeis), mas pouco se tem criado no que tange a minimizar
os riscos e aprimorar os controles internos e contábeis. A
norma internacional sempre evidenciou a exposição — em inglês
disclosure. Portanto, a nota explicativa é fonte importante de
informação contábil e financeira.
Haja visto que a nota
explicativa assume um grau de importância tão evidente, como
podemos apresentar quadros de informação sem controles
internos e contábeis confiáveis e tempestivos? Para isso, o
profissional de compliance deve se aproximar da controladoria
e buscar esta conformidade.
Outro problema tão evidente na
gestão contábil é a ausência de controles para a área
fiscal/tributária das empresas, pois a informação está em uma
planilha ou na cabeça de quem administra o departamento.
Deve-se normatizar esta área e identificar os procedimentos
existentes.
Entretanto, para que o
planejamento tributário funcione adequadamente, deve-se
começar entendendo quais os tributos envolvidos no negócio e,
se possível, não pagar indevidamente ou com multas, afinal, os
tributos já oneram muito as organizações.
Muitos profissionais de
compliance se preocupam com a busca da conformidade com leis e
regulamentos, mas não identificam a existência de áreas na
organização que possuem muita legislação e ainda não estão
inseridas nas normas e procedimentos internos.
Os riscos existem e estão a
nossa volta o tempo todo. Dificilmente vamos eliminá-los.
Podemos é minimizá-los, mas para isso, a busca por
conformidade, confiabilidade, eficiência, eficácia, governança
e qualquer outro adjetivo que suporte as informações e a
manutenção das organizações será bem vindo, pois a busca pela
continuidade dos negócios e pela boa prática de governança
corporativa deve ser inserida em todas as atividades
empresariais, sejam para as pequenas, médias e grandes
companhias.
O bom senso e conhecimento de
negócio auxiliam na busca por esta tão falada conformidade e
devemos atentar que, em muitos os casos, as regras parecem
impossíveis de serem aplicadas, mas devemos avaliar até que
ponto devemos colocá-las em prática sem causar danos à
organização.
Ninguém está obrigado a fazer
nada desde que possa justificar a sua atitude. A busca pelos
controles internos e contábeis e pela gestão de riscos vai de
encontro ao apetite de risco da organização e como minimizar o
risco corporativo.
Portanto, minimizar riscos é
conhecer, prevenir e monitorá-lo sempre que possível, pois
eles não são evidenciados somente nas fraudes. Os erros e
negligencia também fazem parte. É bom avaliar sempre isso.
Marcos Assi
A reforma tributária nas
eleições de 2010
Faltam menos de dois meses para
as eleições presidenciais e os principais candidatos não falam
objetivamente sobre a reforma tributária. Se a questão surge
em algum evento ela é meramente tratada de modo amplo e vago.
O sistema de impostos brasileiro
é um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico e
não há manifestação clara de Dilma Roussef, Jose Serra e
Marina Silva a respeito do tema. A tônica dos discursos até
agora é a candidata do PT tentando mostrar que não é guiada
pelo presidente Lula, mas que faz parte da equipe que hoje
colhe bons resultado na economia. O candidato do PSDB
enfatizando ações na área da saúde e procurando passar a
imagem de que seu partido não é elitista e a candidata do PV
se concentrando na questão da sustentabilidade.
A estrutura tributária
brasileira é a pior dentre 134 países analisados pelo Fórum
Econômico Mundial e o Banco Mundial apurou sete anos atrás que
os impostos no Brasil são um dos itens determinantes para o
afastamento de investidores. Ambos os casos representam uma
situação vexatória para um país que é a oitava economia do
planeta e que almeja saltar para a quinta posição em duas
décadas.
A questão tributária não se
restringe à avaliação ruim apurada por instituições
internacionais. Felizmente, as pessoas de baixa renda se
conscientizaram de que os impostos limitam o consumo e a
geração de empregos. Segundo uma pesquisa do Instituto
Análise, se fosse possível escolher entre pagar menos imposto
nos preços ou receber o Bolsa-Família, duas em cada três
pessoas que ganham até um salário mínimo ficariam com a
primeira opção.
O Brasil precisa voltar a
debater temas como a reforma tributária. Este ano é o momento
apropriado para que o eleitor identifique quem está
comprometido com um projeto viável para o país. É preciso
saber o que os candidatos pensam sobre o assunto, qual
proposta defendem e se ela é capaz de promover o crescimento
sustentado da economia brasileira.
A alternativa que pode atender
as necessidades do país refere-se ao Imposto Único sobre a
movimentação financeira, projeto que Roberto Campos, artífice
da reforma tributária que foi determinante para o “milagre
econômico” dos anos 70, dizia ser “uma ideia insolentemente
inovadora, cujo tempo chegou”.
O Imposto Único prevê a
substituição de tributos como o Imposto de Renda (pessoa
física e empresas), INSS patronal, PIS/Cofins, ICMS e outros
por apenas um cobrado no débito e no crédito de cada
lançamento nas contas-correntes bancárias. Ele seria
arrecadado de modo automático, sem burocracia. Simulações
matemática revelam que os custos para as empresas cairiam, os
preços poderiam ser reduzidos e haveria maior renda disponível
para o trabalhador.
O Imposto Único precisa voltar a
ser debatido como proposta de reforma tributária para o país.
É um projeto que a sociedade já se mostrou amplamente
favorável em três pesquisas de opinião pública (Datafolha,
CNT/Sensus e Cepac) e o eleitor precisa saber o que os
candidatos pensam a respeito dele. Com o início do horário
político no rádio e na televisão no próximo dia 17 de agosto
fica a expectativa de que os presidenciáveis se posicionem de
modo claro sobre o tema.
Marcos Cintra
O limite de um modelo
Se fosse possível resumir o primeiro
governo Lula em um só termo, poderíamos dizer que o marco seria
“Choque de Confiança”. O tripé ajuste fiscal, controle da inflação
e câmbio flutuante foi mantido e inclusive aprofundado.
Havia necessidade, então, de mostrar
ao mercado que o governo do PT e aliados não iria praticar nenhuma
aventura, pelo menos no campo econômico.
Agora para definir o segundo governo
Lula poderíamos usar o termo “Choque de Expansão”.
A expansão dos recursos destinados
aos programas de transferência de renda, aos reajustes do
funcionalismo e aos sindicatos e associações da sociedade civil,
além do aumento do volume de crédito para os consumidores e para
as empresas, sobretudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico), criaram uma situação de quase unanimidade em relação
ao governo.
Para o próximo governo, no entanto,
este modelo de expansão vigente no segundo mandato de Lula não tem
como continuar.
Sem aumento da taxa de investimentos
públicos e privados não é possível manter o atual ritmo de
crescimento da economia e de aumento de gastos do governo federal.
Independente de quem venha a ser o novo presidente da república, o
modelo econômico de expansão via aumento de gastos do governo não
será mais sustentável. Podemos dizer que a prática se esgotou.
O novo governo precisará realizar um
forte ajuste fiscal para conseguir gerar recursos para
investimentos necessários à expansão da oferta de bens e serviços,
a fim de garantir crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) sem
aumento da inflação.
Por se tratar de um período
eleitoral, nenhum candidato deixou claro em seu programa de
governo a necessidade de se cortar gastos ordinários. Mas não
tenham dúvidas. Mesmo Dilma Rousseff, se eleita, terá que afiar a
tesoura e reduzir despesas.
Alcides Domingues Leite Junior
Portabilidade é alternativa para
pagar dívidas
Toda pessoa que tem dívidas sabe que
tem como principal problema o pagamento de juros, que pode
ocasionar a inadimplência. Agora o que apenas muitos poucos sabem
é que essas taxas variam para mais ou menos dependendo do momento
e também de instituição financeira, e neste caso podendo fazer a
troca por outra instituição que tenha menor taxa de juros se tem
grande vantagem.
Essa troca é conhecida por
portabilidade de créditos. De forma simplificada essa operação
permite o transporte do saldo devedor para outro banco que ofereça
melhores condições contratuais que o banco original. O
funcionamento é simples: o cliente, após escolher a nova
instituição financeira com a qual irá operar, quitará seu saldo
devedor junto ao banco original com recursos transferidos
eletronicamente pela nova instituição. O seu saldo devedor passará
a ser devido à nova instituição escolhida, sob as novas condições
negociadas entre ela e o cliente.
Assim, aconselho para quem tem
dívidas que faça anualmente pesquisas para comparar a taxas
cobradas, é preciso ficar atento e se for necessário faça uso da
portabilidade, mude quantas vezes for necessário.
Mas, é importante registrar que a
simples troca de instituições não irá resolver o problema das
dívidas, pois isso combate o efeito do problema, e não a causa,
assim, essa operação deverá ser utilizada como uma estratégia para
iniciar a resolução em definitivo do problema financeiro.
E cuidado, porque é muito comum se acomodar e achar que está tudo
bem, mas é preciso reestruturar o orçamento financeiro, ou seja,
assumir o controle financeiro do que se ganha e, principalmente,
do que se gasta.
É necessário aprender a evitar o
pagamento de juros criando o habito e costume de poupar antes de
gastar, quando entramos no endividamento mesmo que com taxas de
juros menores, estamos gastando mais dinheiro do que temos e
deixando de realizar outros desejos e necessidades.
O caminho está aí para uma mudança
de postura e o início da inserção da educação financeira em sua
vida. Pois, ao sair das dívidas se tem duas alternativas, fazer
novas, em um ciclo vicioso que trará muito desgastes, ou partir
para o caminho do planejamento financeiro, que lhe trará um futuro
próspero se sem preocupações financeiras.
Reinaldo Domingos
8 conselhos antes de contratar uma
consultoria contábil
Contratar uma consultoria fiscal e
contábil pode dar um “upgrade” ao negócio, mas é preciso tomar
alguns cuidados na escolha da empresa que prestará o serviço. A
qualidade dos serviços prestados por uma consultora é muito
influenciada pela forma em que a contratação é efetivada.
Para auxiliar neste processo, o
administrador de empresas e sócio diretor do Grupo Prolink (www.grupoprolink.com.br),
Carlos Cuevas, dá 8 conselhos aos pequenos e médios empresários
para garantirem uma boa contratação.
Procure uma consultoria que tenha a
mesma cultura que a sua empresa para evitar possíveis choques
durante a convivência e faça uma pesquisa sobre a história fiscal
e jurídica. Procure também conhecer o trabalho da consultoria e
questione sobre clientes anteriores e resultados obtidos;
Analise qual é a real necessidade da
sua empresa, defina o escopo e estruture todas as etapas do
projeto e estratégia de implementação, isso evita que se perca o
objetivo inicial. A melhor escolha de uma assessoria dependerá de
uma análise concreta e individualizada das características da
organização, da situação contábil e financeira, bem como do
conhecimento da legislação e principalmente a tributária;
Orce o serviço em várias empresas e
negocie o valor. A contratação de uma consultoria deve ser uma
decisão de toda a organização e, no ato é importante verificar o
instrumente contratual, atenção as condições a serem impostas
contratualmente como objetivos, recursos, prazo e forma de
pagamento;É primordial que a empresa tenha o
desejo de mudança e esteja disposta a ouvir as orientações e
aderir aos procedimentos propostos pela consultoria. No entanto,
não pensa que consultoria é a solução para todas as questões
fiscais e contábeis, pois trata-se de uma assessoria;
Uma competente consultoria precisa
acompanhar toda movimentação financeira da organização, como por
exemplo, saída e entrada de dinheiro, estrutura de estoque e dos
custos incidentes das operações comerciais, para garantir uma
melhor gestão na saúde financeira da empresa;
O planejamento tributário também é
competência da assessoria que contribuirá para o sucesso diante da
elevada carga tributária, garantindo maior competitividade e
economia de gastos;
Não há uma fórmula única que
desenvolva o planejamento contábil e fiscal. Por isso, cada
empresa terá um caminho a ser seguido para obter a economia
tributária. Por isso é importante procurar por empresas que
oferecem consultoria personalizada;
Acompanhe de perto o andamento dos
processos e avalie os resultados obtidos. É preciso analisar se os
serviços, jurídico e contábil, garantirão a maximização dos
lucros, além de aperfeiçoar o desenvolvimento de atividades.
Carlos Cuevas
A importância do contador
Diminuir o desemprego, amenizar a
desigualdade social e impedir a corrupção são tarefas de um
político, de um intelectual ou de algum ministro? Nenhuma das
respostas anteriores. Parece estranho, mas estas missões tão
nobres são responsabilidades de um profissional não muito
conhecido do mundo corporativo: os contadores.
Financeiramente falando, é a eles
que os empresários recorrem quando precisam de um norte para a sua
empresa. São os contadores que cuidam da gestão econômica de uma
companhia, apuram os resultados, calculam impostos, entre outras
tarefas. Entretanto, mais do que números e burocracia, os
contadores modernos falam de ética, flexibilidade e visão de
futuro. Eles vêem a empresa para a qual prestam serviços como
parte de um mercado global, interconectado e interdependente.
Mas, afinal, o que fazem os
contadores? Com conhecimento de causa, digo que um profissional
contábil é responsável pela movimentação financeira de uma
entidade, é ele quem orienta a tomada de decisões do empreendedor
com relação às questões monetárias e, de modo geral, dá suporte
mercantil, fiscal e tributário à empresa para a qual presta
serviços.
Tudo isso com o máximo de
transparência e responsabilidade possível. Com a divulgação do
novo Código Civil, em janeiro de 2003, a responsabilidade do
contador frente à empresa aumentou, antes, meros escrivães, hoje,
responsáveis por erros repassados. O contador passou a ter
responsabilidade sobre as informações divulgadas por ele,
obrigando os profissionais contábeis a checar os dados passados
pelas empresas.
A contabilidade existe há cerca de 4
mil anos, mas foi só no século XIX que foi reconhecida como
ciência. Hoje, no Brasil, chegamos a quase 400 mil profissionais,
distribuídos por órgãos públicos, consultorias e escritórios,
exercendo a profissão como analistas, auditores ou contadores.
Concluo que a importância do
contador aumenta com o passar das horas, paralelamente à sua
responsabilidade frente à sociedade e ao governo. São séculos de
história desses profissionais dos números, dando sustentação e
orientando empresas que precisam deles no fator mais complicado do
mundo comercial, o dinheiro.
Dora Ramos
O fim da exclusividade das bandeiras
dos cartões de crédito.
Desde 01/07 cessou a exclusividade
das bandeiras de cartões de crédito com as empresas credenciadoras.
A Redecard e a Cielo, antiga Visanet, firmavam com os lojistas
contratos de exclusividade para processamento das transações
referentes às duas maiores bandeiras de cartões de crédito,
Mastercard e Visa respectivamente. Isso obrigava os lojistas a
assinar, ao menos, dois contratos com empresas credenciadoras e à
locação de, no mínimo, duas máquinas, elevando sobremaneira os
custos operacionais.
O fim da exclusividade traz a
concorrência para o setor, já que os lojistas vão poder escolher
qual credenciadora contratar e, por meio de um único contrato e de
uma única máquina, poderão processar as compras referentes a todas
as bandeiras de cartão.
Quem antes detinha exclusividade e,
portanto, clientes certos, já que os lojistas não podiam abrir mão
de utilizar as principais bandeiras de cartões, agora terá que
concorrer no mercado. A concorrência é de vital importância, já
que permite a negociação de melhores condições contratuais,
reduzindo os custos operacionais. Se os lojistas conseguem reduzir
custos, podem fazer o repasse desse desconto diretamente aos
consumidores, sem diminuir a margem de lucro.
Há tempos vem sendo defendida uma
legislação específica para o setor de cartões de crédito, que
sempre contou com muitas reclamações de consumidores,
especialmente em relação a superendividamento, à desinformação e à
falta de concorrência.
Atendendo às sugestões do Banco
Central, a Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito
(Abecs), que é contra a regulamentação estatal, partiu para a
autorregulamentação e elaborou um Código para o setor. O fim da
exclusividade entre credenciadoras e bandeiras é uma das medidas
consolidadas nesse código, resultante de acordo entre empresas e
autoridades regulatórias.
Os lojistas serão os beneficiários
diretos dessa inovação e os consumidores seus beneficiários
indiretos.
Arthur Rollo
Reversão do cenário cambial é
necessária para se evitar herança maldita
Câmbio valorizado em excesso
transformou-nos em exportadores de produtos primários. Esses
produtos têm baixo valor agregado. É preciso exportar toneladas
para receber poucos dólares. Ao importarmos produtos
industrializados, trazemos quilos (ou gramas) contra pagamento de
quantidade elevada de dólares. Estamos diante do fenômeno
conhecido por deterioração
dos termos de troca.
Durante os anos 50, 60 e 70,
falou-se que esse fenômeno era fruto da política colonialista
norte-americana. O Brasil está, ao longo desses 16 últimos anos,
mostrando que é capaz de produzir o fenômeno sem o auxílio de
nenhum agente externo.
Por um período curto, uma defasagem
cambial moderada pode ter aspectos positivos, à medida que
estimula a competitividade empresarial e até saneia o ambiente
econômico, expurgando dele os agentes com menor grau de
eficiência. A queda dos custos beneficia o sistema de preços e
aperfeiçoa o sistema econômico como um todo. Conseguir isso, de
modo geral, solicita dos governos estímulos ao aperfeiçoamento da
competitividade empresarial, tais como, financiamentos ao
desenvolvimento tecnológico, isenções para importações de máquinas
e equipamentos, apoio para absorção de novas tecnologias, para a
formação de pesquisadores, para a implantação de centros de
pesquisa e desenvolvimento, entre outros.
Economicamente é plausível também
admitir que se possa compensar a supervalorização da moeda
nacional por meio de desonerações tributárias, redução de custos
logísticos, burocráticos ou mesmo concebendo política comercial
compensatória, pela introdução de novas tarifas de importação.
Entretanto, o uso do câmbio, por tanto tempo, como mero
instrumento de contenção de inflação, conduziu a moeda nacional a
uma valorização desproporcional ao tamanho de sua economia. Entre
os estudiosos do mercado de divisas, os mais conservadores estimam
que a relação esteja próxima dos US$ 1,00 para R$ 2,10. O ministro
Mantega já falou em R$ 2,40 ou R$ 2,60.
Tem sido também forçoso reconhecer
que, nesse período todo, temos disputado os mercados
internacionais com países cujas competitividades - sistêmica e
empresarial -, são superiores às nossas e que se beneficiam de
políticas comerciais e industriais profundamente ativas, quando
não abusam de práticas cambiais para ganhar espaço no comércio
mundial. A China aqui é só o exemplo mais contundente, com a
subvalorização do yuan calculada em 40%.
As condições cambiais brasileiras,
lentamente, corroeram a base industrial brasileira e
desestimularam investimentos em nosso parque produtivo, pela
comparação, com outros países, dos custos de produção e
comercialização, em dólares. Somos preteridos pelos investidores,
em favor de outros emergentes, nesse processo de escolha para
construção de base produtiva global. Nos vemos por isso privados
da modernização tecnológica que poderia ter sido aportada, por
aqui, pelos projetos internacionais. Esse processo de desindustrialização é conhecido por reduzir a oferta de empregos e
deteriorar suas remunerações.
Ainda somos um país pluri-setorial.
Os enormes esforços feitos em décadas passadas precisam ser
preservados. A regressão manufatureira acabaria dispensando
maiores investimentos em educação, saúde, tecnologia e cultura.
Tornar-se-iam menos relevantes em uma economia que perde seu
dinamismo, substanciada em produtos primários.
Não se pode admitir que o
funcionamento do mercado interno e a ascensão social dependam mais
da assistência social que da educação. Bolsas não podem substituir
vagas de trabalho. Informalidade e crédito não sustentam o
crescimento interno. O quadro cambial precisa ser revertido e a
poupança e os investimentos ampliados de forma significativa. Caso
contrário, legaremos uma herança maldita às próximas gerações.
Celso Grisi
Clínicas médicas e
odontológicas precisam guardar dados de pacientes
De acordo com nova regra do IRPF,
consultórios devem levantar, junto a seus clientes, as informações
para preenchimento da declaração com antecedência
Com o objetivo de combater fraudes
nas declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, em
razão do lançamento de despesas médicas não comprovadas, a Receita
Federal do Brasil (RFB) criou a Declaração dos Serviços Médicos -
Dmed. A nova regra obriga todos os médicos, dentistas e clínicas a
passar, para a RFB, informações relacionadas às consultas nas
declarações de 2011, referente ao ano-calendário 2010.
O conselheiro do CRC SP – Conselho
Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, Julio Linuesa
Perez, alerta que os dados precisam ser armazenados desde já, ao
longo deste ano. “Os consultórios já devem levantar, junto a seus
clientes, todas as informações para preenchimento da declaração
com antecedência”, explica. Ele ressalta também “que aqueles que
deixarem para fazer isso na última hora, poderão passar dados
incompletos, o que poderá ocasionar punições e multas”.
O propósito da Receita Federal, com
essa nova medida, é verificar, de forma ágil e automática, os
valores declarados pelos contribuintes. “O órgão quer coibir a
compra de recibos médicos e odontológicos, um artifício muito
utilizado para aumentar a restituição ou diminuir o valor do
imposto devido”, diz Perez.
De acordo com o conselheiro do CRC
SP, essa nova medida tornará o processo de restituição do IR mais
simples e rápido, uma vez que o cruzamento de informações será
mais eficiente. “A Instrução Normativa da Receita Federal obriga
todas as pessoas jurídicas e equiparadas, prestadoras de serviços
de saúde, como laboratórios, hospitais, clínicas de odontologia,
de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, clínicas médicas
de qualquer especialidade, além das operadoras de planos privados
de assistência à saúde, com funcionamento autorizado pela Agência
Nacional de Saúde Suplementar, a entregar a Dmed”.
Programa
O programa para emitir a declaração
ainda não está disponível na página da Receita Federal, mas,
segundo o órgão, a primeira prestação de contas deverá ser
entregue em 28 de fevereiro de 2011, com dados relativos ao
ano-calendário de 2010.
Perez afirma que as multas para
omissões ou incorreções serão de R$ 5 mil por mês-calendário ou
fração, no caso de falta de entrega da declaração ou de atraso.
“No caso de informações inexatas, omitidas ou incompletas a multa
será de 5%, valor que não poderá ser inferior a R$ 100,00”,
afirma.
Conheça os riscos de manter
uma empresa inativa
É crescente o número de empresas
inativas no Brasil, e isso se dá pelo mais diversos motivos,
dentre os quais se destacam a dificuldade e burocracia para fechar
um negócio.
O erro mais comum são essas empresas
não entregarem as chamadas obrigações acessórias. As empresas
inativas estão “dispensadas” da entrega mensal da DCTF, do DACON e
da GFIP, desde que mantenham-se nessa situação (inativa) durante
todo o ano-calendário. Por outro lado, não está dispensada da
entrega da DIPJ-Inativa. Considera-se que a pessoa jurídica está
inativa a partir do mês em que não realizar qualquer atividade
operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive
aplicação no mercado financeiro ou de capitais. O pagamento de
tributo relativo aos anos-calendário anteriores e de multa pelo
descumprimento de obrigação acessória não descaracterizam a pessoa
jurídica como inativa no ano-calendário.
Para se ter uma idéia, segue abaixo
as principais multas – dentre outras – que uma empresa de
prestação de serviços está sujeita (no Município de São Paulo),
caso deixe de apresentar suas obrigações fiscais:
1) DCTF mensal (Declaração de
Créditos e Débitos de Tributos Federais) - prazo de entrega: até o
15º dia útil do segundo mês seguinte ao de referência (as empresas
inativas estão dispensadas); (Fonte: Instrução Normativa RFB nº
974/2009)
a) Multa (falta de entrega ou
entrega após o prazo): 2% ao mês ou fração de mês, sobre o total
dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que
integralmente pagos, , limitada a 20%;
b) Multa mínima: R$ 500,00;
tratando-se de pessoa jurídica inativa, a multa mínima é de R$
200,00;
2) DACON mensal (Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais Pis/Cofins): prazo de entrega:
até o 5º dia útil do segundo mês seguinte ao de referência (as
empresas inativas estão dispensadas) (Fonte: Instrução Normativa
RFB nº 1.015/2010)
a) Multa (falta de entrega ou
entrega após o prazo): 2% ao mês ou fração de mês, sobre o total
dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que
integralmente pagos, , limitada a 20%;
b) Multa mínima: R$ 500,00;
tratando-se de pessoa jurídica inativa, a multa mínima é de R$
200,00;
3) DIPJ anual (Declaração de
Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica): prazo de
entrega: até 30/Junho do ano seguinte (Fonte: Instrução Normativa
RFB nº 1.028/2010)
a) Multa (falta de entrega ou
entrega após o prazo): 2% ao mês ou fração de mês, sobre o total
imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ 2010, ainda
que integralmente pago, limitada a 20%;
b) Multa mínima: R$ 500,00;
tratando-se de pessoa jurídica inativa ou do Simples Nacional, a
multa mínima é de R$ 200,00;
4) GFIP mensal (Guia de
Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e
Informações à Previdência Social): prazo de entrega: até o dia 7
do mês seguinte (estão dispensadas as empresas inativas e as sem
movimento)
a) Multa (falta de entrega ou
entrega após o prazo): de 2% ao mês ou fração de mês, sobre o
montante das contribuições informadas, ainda que integralmente
pagas, limitada a 20%;
b) Multa mínima: R$ 500,00; ou de R$
200,00 caso não haja informações a declarar; (Fonte: Lei nº
8.212/91, arts. 32 e 32-A)
5) DES – Declaração eletrônica de
Serviços (Município de São Paulo): prazo de entrega: último dia do
segundo mês seguinte ao mês de incidência
a) Multa: de R$ 67,07, por
declaração, aos que a apresentarem fora do prazo estabelecido em
regulamento;
b) Multa de R$ 134,16, por
declaração, aos que deixarem de apresentá-la (Fonte: Decreto
Municipal/SP nº 50.896/2009, art. 145, IX ; e Instrução Normativa
SUREM/PMSP nº 9/2008);
Além das multas acima, há inúmeras
outras específicas para determinados tipos de operações. E é
importante reforçar que as empresas do Simples Nacional estão
dispensadas da entrega mensal da DCTF e do DACON.
Em síntese, a lei tem efeito contra
todos. Aquele que não cumprir as exigências da legislação
tributária estará sujeito às penalidades acima. O alerta que se
faz é no sentido de que o empresário mantenha suas obrigações
fiscais em dia para não ter surpresas desagradáveis, isto é, para
não ficar compelido a pagar as pesadas multas previstas na
legislação.
Welinton Mota
Graças a Deus que os bancos estão
lucrando
Segundo o nosso primeiro mandatário,
“graças a Deus que os bancos estão lucrando!”
Fazia muito tempo que não ouvia um
absurdo tão grande. Será que o energúmeno mor não sabe que estes
mesmos bancos que, no passado ele próprio criticava como os
exploradores dos “cumpanheiros”, mudaram tanto assim? Tenho
certeza que modificaram e muito. Hoje graças à informatização,
milhares de bancários perderam seus empregos e os banqueiros
diminuíram em muito suas folha de pagamento.
Será que aquele mesmo senhor não
sabe e não vê o nível de endividamento da classe média, hoje
pendurada nos empréstimos bancários e nos cartões de crédito com
os seus escorchantes juros de mais de 10% ao mês? Será que ele não
percebe que a única coisa que os bancos vendem é o tempo e como o
tempo é divino, só Deus poderia comercializá-lo, segundo Santo
Agostinho? Sem falar que na idade média o crime de agiotagem dava
até pena de morte.
O que produz um banco brasileiro,
além de juros, sendo estes os mais altos do mundo? Onde está a
responsabilidade social destes estabelecimentos? Alguns até
incentivam a arte e a cultura, outros têm iniciativas voltadas
para a ecologia, mas a grande maioria está mesmo é muito
preocupada em aumentar exponencialmente os seus lucros. Tudo bem,
podem até estarem certos em procurar ganhar cada vez mais, porém
mandar e desmandar nas autoridades visando apoios não muito
éticos, ou melhor, sem ética nenhuma para manterem sempre os
mesmos a seus soldos no poder em troca de toda a segurança e
garantia de que as coisas não mudarão jamais, aí já é demais!
Mas, a minha grande indignação mesmo
é com a apologia que a nossa maior autoridade vem fazer a esses
exploradores, sanguessugas de uma classe média empobrecida, de
empresários em fase pré-falimentar e de toda uma população que
para sobreviver necessita se endividar cada vez mais junto aos
bancos, os quais sem o menor pudor saem alardeando depois os seus
vergonhosos lucros obtidos à custa da escravidão imposta a todos
nós.
Sou sempre a favor da democracia e
do capitalismo, mas em nosso país parece que o governo só se
preocupa com o topo da pirâmide, ou seja, com quem tem muito
dinheiro, ou com os miseráveis, cooptados por bolsas eleitoreiras.
Já a classe média, que tem o poder do pensamento e a clareza da
realidade, eles querem mais é que se acabe, pois sem ela os que
estão hoje encastelados no poder, nele permanecerão para sempre.
Sylvia Romano
10 Dicas para se prevenir do fisco
Todo contribuinte que se preza sabe o
tamanho da complicação quando o assunto é comprar ou vender
mercadoria. O problema é ainda maior quando a empresa é de médio a
pequeno porte e não há um suporte em matéria de assessoria
tributária.
Segundo especialista em tributos Sueli
Angarita da Solução Fiscal, a legislação tributária é mesmo muito
complexa: “É uma alíquota pra esse e outra para aquele produto. São
tantas exigências que o empreendedor, a cada hora, se vê com um
questionamento por parte das fiscalizações. Ora de um posto de
fronteira, ora pelo fisco do seu estado”, explica Angarita, lembrando
que as dores de cabeça dos empresários não param por aí: “De repente,
acontece a apreensão de uma carga… Aí, lá se vão alguns milhares de
reais do caixa das empresas. Enfim, tudo isso ocorre, porque o
administrador, além de focar no objeto do seu negócio ainda precisa
se desgastar em atender a legislação”, avalia.
Por conta destes detalhes, Sueli afima,
que antes mesmo de iniciar o empreendimento, é fundamental que o
contribuinte procure conhecer, detalhadamente, sobre a carga
tributária do seu produto, dentre todas as operações que irá
realizar: “É de suma importância que a cada operação de compra de
mercadoria, os profissionais da área comercial (comprador x
vendedor), troquem informações sobre os tributos incidentes sobre
cada item a ser adquirido/vendido. É importante identificar, no
âmbito dos tributos, quais deles incidirão na operação. A troca de
informações identificará divergências de entendimento sobre a
legislação vigente e, conseqüentemente, reduzirão o índice de
problemas operacionais como notas fiscais paralisadas no sistema,
além da própria apreensão de cargas”, ensina a tributarista, que ao
longo de sua experiência profissional garante ter visto muitos donos
de empresas de cabeça quente por desconhecerem às exigências legais.
Com a finalidade de esclarecer o
assunto, Sueli criou as 10 dicas para o empresário não ser pego
desprevinido durante o processo de negociação de compra ou de venda
de uma mercadoria.
1. Se os estabelecimentos comprador e
vendedor estão em situação regular junto a Receita Federal do Brasil,
bem como a Secretaria de Estado de Fazenda, especialmente nos casos
em que ocorrer uma venda para outro estado, sempre que o vendedor for
atacadista ou distribuidor. Isso evita operações com documentos
fiscais inidôneos;
2. Que o cliente comprador transportará as mercadorias para outro
estado, através de termo de responsabilidade, devidamente assinado
pelo contribuinte ou seu representante legal. Essa medida, no caso do
ICMS, evita vendas com alíquota menor de mercadorias que
permanecerão, “criminosamente” no estado;
3. O tipo de operação no que diz respeito à origem do produto (dentro
ou fora do estado). Nesse caso, deverão ser identificados possíveis
acordos celebrados entre os estados;
4. O regime de tributação. É importante saber se o produto é tratado
com algum regime diferenciado, tais como antecipação ou substituição
tributária;
5. Se o produto tem algum benefício fiscal, tais como redução na base
de cálculo, diferimento, suspensão ou isenção dos tributos;
6. Se a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM do produto cadastrada no
sistema fiscal condiz com a classificação fiscal do fornecedor.
7. Tratamento diferenciado em razão da atividade do estabelecimento
vendedor ou comprador;
8. Junto às secretarias de fazenda ou a receita federal as possíveis
soluções de consulta, nos casos de dúvidas não sanadas;
9. Se o sistema fiscal da empresa está devidamente parametrizado de
acordo com a legislação vigente. A medida evita paralisação de notas
fiscais não processadas e o atraso no pagamento ao fornecedor, além
de pagamento a menor ou a maior de tributos e
10. Por fim, é coerente que o contribuinte faça, periodicamente, uma
revisão de procedimentos fiscais em sua operação de comercialização,
a fim de identificar possíveis contingências fiscais. A medida não só
evita cobranças por parte do fisco como também permite o
aproveitamento de créditos de tributos, o que possibilita um aumento
na margem de lucratividade do negócio.
Guarde só o necessário – organização do
IR é feita o ano todo
A data de entrega do IR de 2010 passou,
mas é preciso começar desde já organizar a documentação necessária
para o próximo ano. Especialista dá dicas do que guardar para não se
atrapalhar na hora da prestação de contas.
Passado a entrega da Declaração do
Imposto de Renda 2010, é importante começar a guardar os documentos
necessários para chegar na prestação de contas do ano que vem com
mais tranqüilidade. A ideia é que o contribuinte não tenha problemas
na hora de acertar as contas com o fisco. Segundo dados da receita,
neste ano, das 24,5 milhões de declarações recebidas pela Receita
Federal, 3,5 milhões foram entregues no último dia do prazo.
O primeiro passo para se organizar é
separar os comprovantes e recibos que devem ser guardados e quais
podem ser descartados, para não ocupar espaços desnecessários. Simone
Domingues, sócia e contadora da Trade Contabilidade, empresa do Grupo
Virtual Office, sugere que o contribuinte arquive comprovantes de
rendimento, gastos com escolas, aplicações financeiras, pagamento a
empregados domésticos e documentos de aquisição de bens. Comprovantes
de débito em conta, pagamentos no cartão de débito ou faturas de
cartão de crédito não são necessários para a Declaração do Imposto de
Renda.
Além de guardar os documentos certos, a
organização dos comprovantes pode facilitar, o contribuinte pode
utilizar uma pasta com divisórias identificando todos os documentos
que servem para declaração anual ou registrar as despesas em uma
planilha de computador ou agenda.
A dica é não deixar o
preenchimento dos dados para a última hora, afirma Simone. A
elaboração da declaração nos primeiros dias dá ao contribuinte mais
tempo para refazer o documento e enviá-lo novamente caso encontre
algum erro.
Cumprindo compromissos (financeiros)
consigo mesmo
Na prática diária como consultor
financeiro, sou frequentemente procurado por pessoas que acabam
tomando decisões financeiras que parecem perfeitamente compreensíveis
e justificáveis quando consideramos o mundo em que vivemos e as
pressões a que estamos sujeitos, mas que não fazem nenhum sentido do
ponto de vista financeiro. Um exemplo típico é quando a pessoa
adquire um consórcio, um plano de aposentadoria privada, um título de
capitalização ou seja lá o que for, por que ela precisa ser
“obrigada” a direcionar dinheiro para aquele compromisso, e assim
fazer uma poupança ou patrimônio (ou pelo menos algo que ela acredita
ser poupança ou patrimônio).
Se não houver um boleto para pagar, um
banco cobrando ou uma ameaça de multa, a pessoa seria incapaz de
fazer aquela “poupança” por si mesma. Pessoas que agem dessa forma me
procuram dizendo que tem um problema financeiro. E eu sou obrigado a
dizer: “não, você não tem um problema financeiro, você tem um
problema de outra natureza”.
Problemas financeiros, acreditem se
quiserem, costumam ser relativamente fáceis de resolver. Problemas
financeiros são, em última instância, problemas matemáticos.
Resolvem-se fazendo contas, analisando custos, cortando gastos
desnecessários, negociando com credores e buscando outras fontes de
renda, nada além disso.
Mas a pessoa que precisa ser obrigada,
por um terceiro, a fazer sua poupança, não tem um problema
financeiro. Ela tem um problema de natureza psíquica, que a impede de
estabelecer e cumprir compromissos com a pessoa mais importante (ou
que ao menos deveria ser) da vida dela: ELA MESMA. Ela tem
dificuldade, por exemplo, em estabelecer um compromisso como “todo
dia 15 do mês comprarei 200 reais em títulos de renda fixa ou ações
para minha aposentadoria”.
Ela pode fazer isso por dois ou três
meses, mas logo depois a disciplina vai embora e aqueles 200 reais
começam a ser direcionados para outras coisas, como consumo, outras
dívidas, “baladas” ou algo do gênero. Ela acaba recorrendo a um plano
de aposentadoria privada, que a “obrigará” a fazer um depósito mensal
(e cobrará também um monte de taxas...) para fazer EXATAMENTE A MESMA
COISA que ela poderia fazer sozinha, que é aplicar em títulos
financeiros.
Se não houver um boleto para pagar, a
coisa simplesmente “não anda”. Essa pessoa, na verdade, está
transformando o banco, a seguradora, ou seja lá quem for na sua
“figura paterna”, que manda, estabelece regras e pune quando falhar.
Como ela mesma não se pune, também não
consegue cumprir o compromisso consigo mesma.Pessoas assim também são
vítimas de um fenômeno identificado pelos estudiosos de finanças
comportamentais conhecido como “contabilidade mental”, que,
resumidamente, é o nosso hábito de separar os “dinheiros” como se
fossem coisas diferentes. É o caso da pessoa que contrai dívidas
caras quando tem aplicações financeiras, mas não quer “mexer” nas
aplicações. A única explicação lógica para isso é que a pessoa não
confia em sua própria capacidade de “recolocar” o dinheiro das
aplicações devidamente corrigido, caso faça um “empréstimo para si
mesma”.
Uma saída para isso, já que essa pessoa
“necessita” de uma ameaça de punição, é ela estabelecer essa punição
dentro de casa, durante um período de “dessensibilização” até que ela
consiga ganhar o hábito de cumprir obrigações consigo mesma. Por
exemplo, fazer um contrato consigo mesma (assinado), se comprometendo
a poupar “X” por mês e aplicar em um fundo de investimentos, por
exemplo, e pedir a outra pessoa (parente ou amigo) que assuma o papel
de “fiscal”, aplicando uma punição previamente combinada caso haja
algum deslize no acordo.E, obviamente, aproveitar e fazer um último
contrato consigo mesma, estabelecendo que, após determinado período,
não serão necessárias mais punições, pois ela já saberá quem é a
pessoa mais importante da vida dela e a quem deve pagar primeiro,
sempre.
Andre Massaro
Benefícios e oportunidades do IFRS
Sempre que temos algo novo em nossas
vidas, a primeira discussão é saber quais mudanças teremos que fazer
e quais as dificuldades que isso nos acarretará. Com isso, é muito
difícil pensarmos nos benefícios e nas oportunidades trazidas a médio
e longo prazo. E isso não é diferente na gestão de uma empresa, seja
ela de pequeno, médio ou grande porte.
Uma das principais mudanças que as
empresas brasileiras enfrentaram nos últimos três anos foram as
contábeis. A entrada em vigor da Lei 11.638 no final de 2007 deu uma
reviravolta na contabilidade brasileira. Junto com ela, durante estes
anos que se passaram, vieram várias normas e pronunciamentos que
deixaram os gestores das empresas brasileiras de cabelo em pé, como
já diriam os nossos avôs.
A fase mais complicada que as empresas
enfrentaram – e a maioria delas ainda enfrentam – foi a aplicação do
IFRS (International Financial Reporting Standard), que nada mais é do
que a forma mais usada de contabilidade em todo mundo. Ou seja, se
apresentarmos nossos balanços neste formato, qualquer profissional
que entenda contabilidade poderá lê-lo, sem nenhum problema.
No entanto, o caminho para a
implantação do IFRS há várias pedras, como questão financeira,
investimento em capacitação de profissionais e, até mesmo,
apresentação para os colaboradores da companhia quais são as
vantagens deste novo modelo contábil. Mas como propor isso se nem
mesmo muitos dos gestores o conhecem?É neste momento que a capacitação deve
entrar em cena. O gestor, mais do que qualquer outro, tem que
verificar os pontos positivos e negativos de se aplicar novas
ferramentas e processos dentro da empresa. Para isso, a única maneira
de conhecer é estudando e aperfeiçoando os conhecimentos. E com a
adoção do IFRS não seria diferente.
Dentre muitos benefícios e vantagens
competitivas que a aplicação deste processo contábil traz para as
empresas, podemos citar, inicialmente, a questão de negócios com o
exterior. Como já foi dito acima, qualquer profissional que tenha
conhecimento contábil poderá, agora, ler os balanços brasileiros.
Para micro e pequenas empresas, esta é uma grande vantagem, já que é
uma oportunidade para entrar em uma área que, antes, nem cogitavam,
pois as empresas estrangeiras não perderiam tempo tentando decifrar o
que os balanços estavam dizendo – faziam isso apenas com grandes
companhias (e olhe lá).
Ou seja, com o benefício da aplicação
deste novo processo contábil, as empresas ganham na competitividade e
em visibilidade tanto no Brasil quanto no mundo (claro que aquelas
que pretendem ganhar mercado lá fora ou se globalizarem). E o que
isso gera? Alinhamento à nova realizado dos negócios.
Para os contadores que já estão no
mercado e aqueles que estão para entrar, a capacitação ao novo ramo –
o IFRS – tornou-se fundamental. Cursos são oferecidos por diversas
instituições renomadas e que ajudarão nesta nova busca de
aprendizado. O que não podemos é parar e pensar que a contabilidade é
a mesma que estávamos acostumados. Esta nova contabilidade brasileira
traz grandes desafios para os profissionais. Devemos estar a par
dela.
Geuma Campos Nascimento e Vagner
Jaime Rodrigues
Devolução dos Créditos de PIS, COFINS e
IPI vinculados à exportação
O Ministério da Fazenda anunciou
programa especial de devolução acelerada de parte dos créditos de
IPI, PIS e COFINS acumulados pelos exportadores, referentes a insumos
empregados na industrialização de produtos destinados ao exterior.
Porém, o que se depreende da Portaria
MF n. 348, de 16/6/2010 editada para essa finalidade é exatamente o
inverso. São instituídas condições inaceitáveis para o ressarcimento
dos créditos, na medida em que são dados à Receita Federal do Brasil
poderes para vedar ou retardar pelo tempo que quiser a mencionada
devolução.
Com efeito, dita portaria estabelece
que 50% dos créditos de PIS, COFINS e IPI, acumulados pelos
exportadores, vinculados a receitas de exportação realizadas a partir
de 01.04.2010, serão ressarcidos em 30 dias contados do protocolo do
pedido.
No entanto, para se beneficiar do
ressarcimento acelerado na forma do ato do Ministro da Fazenda, o
exportador, além de outros requisitos: (a) tem de estar com as
obrigações fiscais em dia; (b) não ter sido submetido a regime
especial de fiscalização; (c) manter escrituração fiscal digital; (d)
ter exportado nos últimos quatro anos; (e) ter vendido ao exterior
pelo menos 30% do faturamento em 2007 e 2008, e (f) não ter mais de
15% dos pedidos de compensação de créditos rejeitados.
Mas não é só. O ressarcimento será
feito quando houver disponibilidade de caixa do Tesouro Nacional.
Portanto, se o exportador lograr ultrapassar as barreiras impostas ao
ressarcimento, a Autoridade Fiscal poderá valer-se do argumento da
indisponibilidade de caixa, para não devolver os créditos.
Considerando que o País apresenta
déficit crônico, sendo permanente a necessidade de busca de recursos
no mercado financeiro interno para zerar o caixa do Tesouro, não será
difícil aos órgãos da Receita Federal, que invariavelmente
demonstram, para dizer o mínimo, má vontade no atendimento de pleitos
legítimos dos exportadores, vedar ou retardar a devolução dos valores
dos tributos pagos sobre os insumos aplicados na produção destinada
ao exterior.
Por outro lado, a portaria não trata
dos estoques de créditos acumulados até 31/3/2010, nem da parcela de
50% daqueles acumulados a partir de 01/04/2010 e tampouco dos
créditos presumidos sobre aquisições de pessoas físicas, cooperativas
e cerealistas, fato que deixa os exportadores em total incerteza
quanto ao momento em que ocorrerá a sua devolução.
Assim, permanecem os exportadores na
incômoda situação de terem que buscar, através de medida judicial, o
direito de terem seus pleitos de ressarcimento apreciados em prazo
razoável pela autoridade fiscal, sob pena de não receber seus
créditos.
Gilson Rasador
Médicos precisam guardar dados por
causa da DMED
A Receita Federal criou a Declaração
de Serviços Médicos, DMED, que é mais uma forma para combater
fraudes nas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF)
em razão de despesas médicas. A meta é possibilitar verificação
automática e ágil dos valores declarados, mantendo o controle das
informações relacionadas à apuração do imposto.
“Na verdade, o que foi criada é mais
uma ferramenta para que o Governo possa cruzar com as informações
passadas pelos contribuintes, evitando assim um artifício muito
utilizado no país, que é a compra de recibos médicos, com o
intuito de aumentar a restituição ou diminuir o valor do imposto
devido. O objetivo é agilizar o processo de restituição de imposto
de renda, pois,a Receita Federal tinha que ter um cuidado maior
nessa área em função de alguns contribuintes que agiam de má fé
para tirarem vantagens”, informa o diretor executivo da Confirp,
Richard Domingos.
“Essa declaração passará a ter
validade para as declarações de 2011, com ano base de 2010, porém,
é importante acrescentar que os consultórios já devem levantar
junto aos clientes os dados para preenchimento da declaração com
antecedência, se deixar para última hora será praticamente
impossível de passar essa informação completa o que poderá
ocasionar punições”, alerta Richard Domingos.
Segundo a Instrução Normativa,
publicada no Diário Oficial, a Declaração será obrigatória para
todas as pessoas jurídicas e equiparadas, prestadoras de serviços
de saúde, como hospitais, laboratórios, clínicas odontológicas,
clínicas de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, e
clínicas médicas de qualquer especialidade, e operadoras de planos
privados de assistência à saúde, com funcionamento autorizado pela
Agência Nacional de Saúde Suplementar.“Como a Dmed terá início em 2010,
ela terá valor para o IRPF de 2011, o programa para realização
ainda não foi disponibilizado, mas a primeira Dmed deverá ser
entregue em 28 de fevereiro de 2011, com dados relativos ao ano de
2010, as multas para omissões ou incorreções serão de R$ 5 mil por
mês-calendário ou fração, no caso de falta de entrega da
Declaração ou de sua entrega após o prazo. No caso de informações
omitidas ou inexatas, a multa será de 5%, valor que não poderá ser
inferior a R$ 100”, finaliza o diretor executivo da Confirp.
Com isso, as empresas obrigadas já
devem ter controles internos que constem as informações que serão
necessárias, e estas irão depender de suas áreas de atuações. Para
prestadores de serviços de saúde será necessário:
a) o número de inscrição no
Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e o nome completo do responsável
pelo pagamento e do beneficiário do serviço; e
b) os valores recebidos de pessoas
físicas, individualizados por responsável pelo pagamento;
Para operadoras de plano privado de
assistência à saúde:
a) o número de inscrição no CPF e o
nome completo do titular e dos dependentes;
b) os valores recebidos de pessoa
física, individualizados por beneficiário titular e dependentes.
c) os valores reembolsados à pessoa
física beneficiária do plano, individualizados por beneficiário
titular ou dependente e por prestador de serviço.
Reforma tributária é urgente no Brasil
Agora que o país se prepara para
eleger seus próximos governantes e legisladores, há aspectos que
não podem ficar de fora das propostas de campanha dos candidatos,
como a necessidade de reforma no sistema tributário, cuja
desorganização contribui apenas para incentivar a informalidade.
“É preciso reforma mesmo, pois as leis no Brasil já têm remendos
em excesso. O país precisa parar de improvisar”, diz José Chapina
Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços
Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP).
Chapina Alcazar lembra que após 22
anos de vigência da Constituição Federal foram editadas mais de
3,7 milhões de normas tributárias e a cada hora são criadas duas
novas. “Diariamente são publicados decretos, portarias e
instruções normativas com alterações nas áreas tributária e
fiscal. Muitas vezes, os textos são confusos, mal elaborados e
contraditórios, o que causa insegurança jurídica e instabilidade
nas relações comerciais”, afirma.
Prorrogação na aplicação de multa
referente ao novo registro de ponto eletrônico
Em virtude destas questões, o próprio
Ministério do Trabalho lançou a Instrução Normativa nº 85, de
26/07/2010, que disciplina a fiscalização do Sistema de Registro de
Ponto Eletrônico, prorrogando os prazos para a visita dos auditores
fiscais nas empresas.
É previsto nesta norma que deve ser
observado o critério da dupla visita em relação à obrigatoriedade da
utilização do REP nas ações fiscais iniciadas até 25 de novembro de
2010.
Esta dupla visita no período mencionado
acima será formalizada em notificação que fixará prazo de trinta a
noventa dias, a critério do auditor fiscal do trabalho.
Não havendo a regularização quanto à
utilização do REP após o decurso do prazo fixado pelo auditor, este
autuará o empregador e elaborará relatório circunstanciado, com cópia
dos autos de infração, a ser entregue para a chefia técnica imediata,
que enviará o relatório ao Ministério Público do Trabalho.
Ainda, é previsto na Instrução
Normativa, dentre outras disposições, que durante a visitação física
do auditor, este deverá colher dos empregados informações sobre o uso
diário do sistema de controle da jornada utilizado pelo empregador,
bem como orientá-los e dirimir dúvidas eventualmente manifestadas.
É importante informar que a legislação
prevê que seja dada, pelo auditor do trabalho, durante a
fiscalização, especial atenção à verificação da regularidade dos
bancos de horas, mediante exame do seu sistema de controle, da
previsão e autorização em instrumento coletivo, bem como dos
critérios de compensação, prazo de validade e a quitação ou
compensação das horas extraordinárias neles consignadas.
Ainda, poderá o auditor analisar as
marcações de ponto para identificação de eventuais irregularidades,
tais como ausência e/ou redução de intervalos intrajornada e
interjornada, realização de horas extras além do limite legal, horas
extras sem acordo, horas extras sem a remuneração devida ou sem
compensação, não concessão do descanso semanal remunerado, entre
outros aspectos relativos aos limites da jornada e respectivos
períodos de descanso.
Ato contínuo, o auditor notificará o
empregador para entregar, além de outros documentos, o Termo de
Responsabilidade e Atestado Técnico emitido pelo fabricante do
Programa de Tratamento de Registro de Ponto; o Termo de
Responsabilidade e Atestado Técnico emitido pelo fabricante do REP; e
o espelho de Ponto Eletrônico emitido pelo Programa de Tratamento de
Registro de Ponto relativo ao período a ser fiscalizado.
Por fim, é previsto na norma que o
descumprimento de qualquer determinação ou especificação constante da
Portaria nº 1.510, de 2009, descaracteriza o controle eletrônico de
jornada, não se prestando às finalidades que a CLT lhe destina.
Assim sendo, não basta o empregador
implantar este novo registro de ponto eletrônico, mas também entender
toda a sistemática, inclusive do dia a dia das marcações de ponto de
seus funcionários, e em especial às empresas que utilizam banco de
horas, para não gerar qualquer tipo de inconsistência quando da
visita do auditor fiscal do trabalho.
Alexandre Gaiofato de Souza e Fábio Christófaro
Nota Fiscal Eletrônica: aumentando os
riscos de autuação fiscal
A internet tem sido, nos últimos anos,
o meio de comunicação mais eficientemente utilizado entre as empresas
que pretendem fazer com que seus ativos circulem com a rapidez
exigida para a maximização de seus lucros.
Paralelamente, com o mesmo objetivo, ou
seja, o de maximizar a arrecadação tributária, a União, Estados e
Municípios estão, paulatinamente, passando a adotar a Nota Fiscal
Eletrônica que, claramente, têm as seguintes finalidades:
(i) Promover atuação integrada dos
fiscos: com o compartilhamento da informação, será mais facilitado o
acesso aos registros entre os diversos órgãos de arrecadação e
fiscalização tributários, quer sejam da esfera federal, estadual ou
municipal.
(ii) Tornar mais célere a identificação de ilícitos tributários: com
a recepção dos lançamentos contábeis da empresa e com o acesso
facilitado de informações, serão naturais os cruzamentos entre as
declarações e as informações entregues pelos contribuintes e sua
contabilidade.
Essas medidas irão estreitar o poder
coercitivo de fiscalização nos contribuintes e, consequentemente,
proporcionar uma maximização da arrecadação tributária.
Aliás, não traz qualquer surpresa a
implementação das notas fiscais eletrônicas para a troca de
informações dos contribuintes entre os órgãos de arrecadação
tributária, uma vez que esta medida só tornará mais ágil algumas
práticas já adotadas hoje.
Entre os Municípios, São Paulo foi o
precursor ao instituir, por meio da Lei 14.087/2005, a chamada Nota
Fiscal Eletrônica de Serviços (NF-e), utilizada exclusivamente pelos
contribuintes do ISS estabelecidos em seu território. Tornou,
inclusive, os tomadores dos serviços coadjuvantes ativos no sistema
de migração das notas fiscais de papel para a eletrônica instituindo
conjuntamente o sistema de geração de créditos do ISS, que poderá ser
utilizado para abatimento do valor do IPTU. Com isso, os tomadores de
serviços (pessoas físicas e jurídicas) passaram a cobrar do prestador
a utilização do sistema, já que somente o ISS registrado na NF-e gera
crédito para o IPTU.
Entre os Estados, desde dezembro de
2005, através do CONFAZ, foi decidida a instituição de normas
técnicas correspondentes à emissão da Nota Fiscal Eletrônica, do
Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica - DANFE e dos Pedidos de
Concessão de Uso, Cancelamento e Inutilização de NF-e.
Alguns Estados - como Bahia, Goiás,
Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo - já começaram a implementar
em fase experimental com algumas empresas representativas de vários
segmentos – o sistema, ajudando, inclusive, a divulgar entre o
universo de Contribuintes os benefícios na adesão ao sistema
eletrônico de nota fiscal.
Entre os benefícios para o emissor da
NF-e, os Estados apontam a redução de custos de impressão, de
aquisição de papel, de envio do documento fiscal, de armazenagem de
documentos fiscais, simplificação de obrigações acessórias e até
redução de tempo de parada de caminhões em Postos Fiscais de
Fronteira, como atrativos para quem aderir ao sistema.
Como benefícios para o
contribuinte/adquirente da mercadoria com NF-e, as principais
vantagens apontadas são: a eliminação de digitação de notas fiscais
na recepção de mercadorias; o planejamento de logística de entrega
pela recepção antecipada da informação da NF-e; e a redução de erros
de escrituração devido a erros de digitação de notas fiscais.
Inafastável que a utilização Nota
Fiscal Eletrônica será compulsória em uma breve realidade para os
contribuintes, começando a partir de 1º de abril de 2008 para os
seguintes segmentos: fabricantes e distribuidores de cigarros;
produtores, formuladores, importadores e distribuidores de
combustíveis líquidos. Para os demais contribuintes, a estratégia de
implantação nacional é que estes, voluntariamente e gradualmente, se
interessem por ser emissores da Nota Fiscal Eletrônica.
Com a implementação da Nota Fiscal
Eletrônica resta evidente que as fiscalizações tornar-se-ão mais
eficientes, fazendo com que o planejamento tributário represente,
cada vez mais, uma ferramenta imprescindível de gestão para as
empresas que pretendem minimizar seus custos tributários de forma
legal, sem riscos de comprometerem seu lucro para pagamento de
vultosas autuações fiscais que, certamente, também se tornarão mais
freqüentes.
Tiziane Machado
Eficiência e qualidade
O período ainda é de incerteza,
apesar de não parecer. Após a crise financeira, que afetou o mundo
em 2008 e 2009, as empresas ainda estão com um pé atrás em relação
aos novos projetos e investimentos. Mesmo que a economia
brasileira não tenha sido afetada como as de outros países, os
empresários ainda não conseguiram alcançar à mesma confiança que
no período anterior à turbulência. Mas vai chegar lá.
É provável que este temor passe em
2011, principalmente quando for divulgado o crescimento do PIB
(Produto Interno Bruto) brasileiro. A expectativa é que atinja
7,3% - de acordo com os últimos dados do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística).
As demonstrações de que a nossa
economia está indo muito bem já é clara – a olhos vistos. Para se
ter uma ideia, mesmo enfrentando a crise mundial, o índice de
confiança da indústria era de 74,1 pontos em janeiro de 2009. No
último mês do mesmo ano, este índice atingiu 113,4, de acordo com
os dados do Ministério da Fazenda. Já o grau de confiança dos
consumidores foi de 96,9 para 112,3 no mesmo período.No entanto, um ponto que sempre
temos que prestar atenção – principalmente neste período de
readaptação pós-crise – é na retomada da eficiência e qualidade
dos serviços prestados pela organização e seus colaboradores. Se
não tomarmos cuidado com isso, pode ter certeza que será um dos
principais fatores de problemas na empresa mesmo quando a
confiança voltar plenamente no mercado.
A qualidade do atendimento prestado
por todo o tipo de empresa, principalmente as de serviços, como
outsourcing, por exemplo, tornam-se novamente um dos diferenciais
neste mercado competitivo. Com a confiança dos empresários em
crescimento, a competitividade no mercado avança cada dia que
passa. E a solução para ganhar a disputa é apenas uma: garantir
qualidade nos atendimentos neste novo momento econômico. E como se
consegue isso?
O ponto mais importante é a
qualificação dos profissionais e a experiência de mercado que ele
possui. Outro detalhe importante para avaliarmos é como estão
sendo oferecidos os serviços e se cumprem o período correto de
realização, ou seja, com agilidade e eficiência. E é neste período
que o empresário, o gestor do negócio, deve entrar em campo.
A gestão do negócio é o principal
elemento para garantir competitividade no mercado. Se não estiver
atento ao andamento da empresa nos seus negócios, pode-se correr
um grande risco de deixar escapar as oportunidades surgidas
pós-crise. Há tempo ainda de todos se adequarem à nova realidade,
mas é preciso ter pressa.
Roni de Oliveira Franco
Em 2 anos, 25% dos prédios de SP adotam
protesto automático de condômino devedor
Maioria dos condomínios que aprovaram
medida autorizam ‘sujar’ o nome do morador entre 60 e 90 dias após a
data do vencimento, aponta a Lello
Dois anos após a vigência da lei
estadual que autoriza a inscrição de condôminos devedores em serviços
de proteção ao crédito, 25,8% dos condomínios residenciais da cidade
de São Paulo colocaram a medida em prática, após aprovação em
assembléia de moradores. É o que aponta levantamento da Lello,
empresa líder em administração condominial no Estado.
Dos 1.073 condomínios gerenciados pela
empresa na capital, 277 adotaram o protesto automático. Desses, 48,4%
autorizam “sujar” o nome do condômino devedor após 90 dias da data de
vencimento, e 45,6% depois de 60 dias. Apenas 6% autorizam o protesto
após apenas 30 dias do vencimento do boleto.
A adesão ao protesto automático varia
conforme a região da cidade, chegando a 49,2% na Vila Mariana, 43,3%
no Morumbi, 34,5% em Santana, 14,7% no Tatuapé, 13,6% nos Jardins e
13% em Perdizes.
Entre os condomínios administrados pela
Lello no ABC a inscrição de condôminos inadimplentes em serviços de
proteção ao crédito atinge 21,4%. Já no Guarujá e Riviera de São
Lourenço o índice é de 19,4%.
“Os dados mostram, de maneira geral,
que o protesto automático vem sendo adotado de forma bem cautelosa
pelos condomínios, mediante aprovação em assembléia e sempre
privilegiando a cobrança amigável, o que é altamente recomendável”,
afirma Carlos Henrique, gerente de cobrança da Lello Condomínios.
A orientação da administradora a seus
clientes tem sido, primordialmente, para que os síndicos analisem
caso a caso a necessidade do protesto, utilizando-o somente quando
houver o entendimento de que o a medida incentivará o pagamento das
cotas em aberto. E para que promovam uma minuciosa revisão do
cadastro de proprietários, buscando saber quem de fato são os donos
dos apartamentos.
“Nem sempre quem mora no apartamento é
o dono da unidade. E nem sempre o boleto do condomínio é emitido no
nome do real proprietário. Se o condomínio 'sujar o nome' da pessoa
errada, corre o risco de sofrer ações de danos morais e ter de arcar
com pesadas indenizações”, conclui Carlos.
Jogos, administradores e decisões
Talvez não tenhamos algo tão complexo,
com variáveis, riquezas e possibilidades, como o dos exercícios de
inteligências propostos por um tabuleiro de xadrez, suas regras e
desafios estratégicos.
Como na vida atual e real, o xadrez é
resultante de uma evolução milenar, iniciando seu desenvolvimento na
China ou Índia (Por volta do século V d.c) e chegando “quase” ao
modelo atual por volta do ano de 1500 (Europa).
O que de comum relacionamos com o nosso
estado das coisas, sejam pessoais, profissionais ou empresariais, é
que em ambos os casos, na vida e nos jogos, não bastam apenas o
registro dos movimentos, mas conhecer e perceber suas variáveis, em
conjunto com a visão de que o ganhar deve, antes de tudo, significar
garantias de se negociar ou mesmo adicionar saídas até então não
exploradas. Pense que nos jogos ganhamos, abandonamos, empatamos ou
perdemos e que na lógica de tudo, quanto mais ganhamos, mais somos
exigidos e quando das perdas, temos sempre duas saídas, ou mudamos
pelo entender de que ajustes são necessários, ou arrumamos as
malinhas em direção a novas praias.
Outro ponto comum (jogo e mercado) é o
fato de que o Rei tem pouca mobilidade, e quase sempre é defendido
pelo conjunto do exército, aonde o integrar é a chave de êxito para
os ataques e defesas quando necessários. Por outro lado verificamos
um conjunto quantitativo de “piões”, que bem manuseados avançam pelo
acreditar nas possibilidades de conquistas, num jogo claro de que
comprometimento só existe quando acompanhado de resultados
equivalentes, aumento da utilidade, respeito e reconhecimento.
Os grandes mestres desse jogo, de
natureza profundamente estratégica, sabem que ele não tem fim, e que
por mais estudos e técnicas que absorvemos e dominamos, está no
perceber das mudanças externas, a chave de êxito para construirmos
algo internamente competente, que possa ofertar pelo “estudo dos
ventos” o que temos que criar para se encontrar a favor dos desejos e
cenários, avançando nossas peças nos campos dos adversários rumo aos
mercados.
O poder de um jogo, tal como o xadrez,
vem do fato de trabalharmos com quatro frentes fundamentais:
Disciplina, organização, avanço pelo conhecimento e prática. Na
verdade os tabuleiros e suas peças sempre foram e serão os mesmos,
podemos melhorar a técnica, o ambiente disponibilizado, mas fica
sempre a missão de que tudo depende do saber construir elos que
transformem pessoas em “talentos quando exigidos diante das
dificuldades” pelas suas convicções individuais e a forma saudável a
ser compartilhada quando formuladas em grupos.
Os jogos, sejam eles quais forem, são
desenvolvidos para que qualquer um tenha o potencial de manuseio, mas
o que faz alguém se diferenciar do demais é o empenho pelo fazer,
pelo se envolver e pelo querer sempre avançar. Em tudo onde estamos
temos o claro sentimento de que sempre, se quisermos o sucesso,
devemos evoluir para não sermos estáticos e permitir que os outros
tomem a nossa posição, e que, por tabela, acabem substituindo em
importância a nossa presença pelo como é velho o formato do que ainda
insistimos em fazer.
O ponto crítico de um jogo, de uma
empresa, ou de qualquer atividade que estamos exercendo, está no
estado da segurança dos grupos com que podemos nos assessorar e na
hora que temos que agir com algo importante, pois tudo na vida fica
pela dependência de um “sim ou não”, sempre sabendo que o “talvez”
somente deve ser usado quando no sentindo de poder pensar mais,
diante de uma decisão ainda não tão clara.
A vida profissional é um grande jogo
que passa pelo entendimento macro do ambiente escolhido, do aprender
todo dia um pouco mais no como ser um técnico útil adicionado a um
político hábil nas relações e condução de decisões. Decidir é algo é
algo que traz mudanças, que exige um conhecimento atualizado, muito
treinamento, aprimoramento, quebra de medos, e por conseqüência o
próprio fortalecimento da autoconfiança, do tipo “eu sei”, “eu faço”,
“eu participo”.
Para o amanhã, hoje dependemos de um
qualificado “sim ou não” diante das necessidades a serem visualizadas
para os avanços, mas seja qual for à posição a ser adotada, deve
estar apoiada com uma postura segura para garantir que as
possibilidades sejam possíveis de acertos imediatos ou reversíveis
através de manobras de ajustes pelos planos alternativos.
Na guerra dos mercados, na luta para
ser melhor do que os outros, no fortalecimento das marcas, na
conquista e retenção dos clientes, vivemos todo dia uma estratégia de
jogo, aonde o critério da vitória nem sempre se encontrará em
vencidos ou derrotados, mas na capacidade dos grupos de avaliar os
fatos ocorridos para que sejam avançados e desejados.
Sérgio Dal Sasso
Acordos em lugar de contendas
É fácil apontar fatores que constituem
entraves ao crescimento das empresas. Carga tributária excessiva,
burocracia, insegurança jurídica e legislação trabalhista são itens
lembrados com frequência por aqueles que analisam as dificuldades
enfrentadas pelos corajosos empresários brasileiros.
Porém, mais do que reconhecer
dificuldades, é preciso propor soluções. Esse caminho pode e deve ser
buscado por todos os organismos que tiverem essa capacidade e
dispuserem dessa prerrogativa.
Recentemente, depondo como auditor,
participei de uma sessão na Câmara de Mediação e Arbitragem da FIESP.
Fiquei muito bem impressionado com aquele exemplo de mobilização e
empenho da sociedade – no caso, da classe patronal da indústria
paulista – em dirimir problemas que afetam a todos.
A morosidade do Judiciário é, como bem
sabemos, um tremendo gargalo ao crescimento das empresas. E nada mais
frustrante e prejudicial aos negócios do que demorar anos a fio para,
por exemplo, ver a Justiça fazer valer um contrato ou assegurar um
justo ressarcimento!
Essa enorme demora tem justificativa.
Com uma legislação complexa como a nossa, um juiz precisa analisar,
em cada processo que cai em suas mãos, inúmeros aspectos e variáveis
antes de emitir uma sentença. Nem tudo é preto no branco, o que
dificulta lidar de forma eficiente com o excesso de demanda. Faltam
juízes, servidores e equipamentos modernos para que os processos
possam ser analisados e resolvidos com a devida celeridade. Enquanto
isso, a cada semana, milhares de ações são ajuizadas nos foros de
nossas cidades.
E se as duas partes pudessem chegar a
um acordo justo e economizar custas processuais? Seria melhor, sem
dúvida. Casos que envolvem impasses empresariais, como os de
acionistas que pretendem sair das companhias, podem e devem recorrer
às Câmaras de Mediação e Arbitragem.
Em vez da fila infinita e dos cartórios
abarrotados de processos padronizados, as partes encontram
conciliadores aptos a entender os problemas de cada um. E o melhor:
os acordos feitos nesses foros têm validade perante a Justiça. Ou
seja, são seguros para todos os envolvidos.
Lembrando que o principal papel da
justiça consiste em apascentar a sociedade, as Câmaras de Mediação e
Arbitragem são uma excelente solução, que merece ser comemorada e
amplamente difundida.
Esmir de Oliveira
SPED levando as empresas ao caminho da
sustentabilidade
TI verde não é mais novidade. Poucas
empresas tem conseguido implementar soluções efetivas nesse sentido.
Mas uma iniciativa da Secretaria da Fazenda, o projeto SPED, que tem
como objetivo diminuir fraudes e tornar mais transparente o envio de
informações ao Fisco, tem conseguido resultados expressivos: desde
2006, 254 mil empresas já substituíram as notas fiscais em papel pela
versão eletrônica, o que significa redução estimada de mais de 26
bilhões de toneladas de papel.
Desde que surgiu, esse projeto foi mais
visto como obrigação do que benefício pelas companhias. Mas facilitou
a rotina das áreas contábeis, comerciais e até financeiras melhorando
o relacionamento entre empresas e governo. Em paralelo, tornou o
setor mais ético e competitivo, pois quem fraudava agora será
realmente punido pela má prática correndo o risco de ficar fora do
mercado, e de um modo geral as empresas passaram a atuar de igual
para igual, pois a nota fiscal eletrônica padronizou a área fiscal de
todas, dando-lhes chances de crescer ainda mais em seus segmentos.
Em outra vertical dos benefícios, o
SPED deu fim aos arquivos mortos que há décadas as empresas
precisavam manter para guardar suas notas fiscais. Estudos apontam
que para cada árvore cortada, o mercado recebe 12 mil folhas de
papel. Se calcularmos que uma empresa emite 200 notas fiscais por
mês, e multiplicarmos por cinco, que é o número de vias necessárias,
serão 1000 folhas de papel circulando mensalmente. Esse mesmo número,
se contabilizado por um ano, gera em torno de 12 mil folhas, ou seja,
apenas uma empresa, no período de um ano, deixa de derrubar uma
árvore.
Dados do Ministério da Fazenda,
levantados ainda em 2006 quando o SPED dava os primeiros passos,
demonstram quanto o Brasil está sendo beneficiado por essa
iniciativa. Somente o Estado de São Paulo tinha na época 3,6 bilhões
de notas fiscais armazenadas. Para termos uma idéia do que esse
número representa, podemos comparar essa quantidade com 26 mil
estádios de futebol cobertos de papel. Este volume é o suficiente
também para cobrir 40 vezes o Monte Everest ou para dar 47 voltas ao
redor do mundo.
Há muito venho falando também da ajuda
que o SPED deu aos contadores. Segundo os sindicatos da classe
contabilista, o Brasil tem 400 mil contadores e cerca de 70 mil
escritórios contábeis. Os profissionais dessa área tiveram o Livro
Diário e o Livro Razão substituídos por arquivos digitais, dessa
forma reduziram os custos e também eliminaram a utilização de papel.
Outro aspecto importante é que com a
evolução das companhias para esse modelo, não basta apenas emitir a
nota fiscal eletrônica, ter uma estrutura de armazenamento de dados é
essencial. Vemos que as empresas estão avançando em busca de soluções
de virtualização, segurança, storage e backup, tudo para manter seus
dados atualizados, seguros e com o menor impacto ambiental possível.
A obrigatoriedade segue no Brasil e até
o final deste ano, segundo a Secretaria da Fazenda (SEFAZ), cerca de
um milhão de empresas precisam começar a emitir nota fiscal
eletrônica. Independente do número de árvores que isso possa
representar, trata-se de uma prática de TI, disponível para todas as
empresas.
Agora é necessário um olhar especial
para dentro de casa, verificar o quanto sua empresa já avançou no
modelo e o quanto ainda pode avançar. Se ainda não implementou, não
espere a obrigatoriedade chegar. Se implementou, é hora de começar a
contar quantas árvores sua empresa já salvou.
Marco Zanini
A Sucessão na empresa familiar põe à
prova a relação entre pai e filho
O que fazer quando a vontade de um vai
contra a necessidade do outro e quando o conflito pode atrapalhar a
harmonia da família e o futuro do negócio
O filho de um empresário de sucesso
pergunta ao pai:
-O que você quer ganhar de presente no
dia dos pais?
O pai não hesita na resposta:
-Quero que você seja o meu sucessor e
assuma a administração da minha empresa.
A situação é hipotética, mas se
aproxima da realidade da maioria das empresas brasileiras, pois 85%
delas são familiares. A sucessão é um dos grandes desafios do
empreendedor. E no processo sucessório a forma mais fácil de manter o
negócio é fazer com que o filho siga os passos do pai.
Para muitos empresários é como uma
prova de carinho e de responsabilidade com o futuro do filho. É como
se dissesse: “Vá por este caminho porque é o melhor para você”. Se os
objetivos do filho forem os mesmos do pai, o processo se torna mais
fácil. Caso contrário, o conflito se instala e pode abalar a harmonia
familiar e afetar o futuro da empresa.
Este é um momento delicado na história
de qualquer negócio. A transição deve ser conduzida de maneira
racional, de forma a não interferir nas relações familiares e manter
intacta a estrutura da empresa. Em um negócio que tem como base a
unidade familiar é preciso considerar três perspectivas fundamentais:
a família, a empresa e a propriedade.
O
herdeiro deve entender a empresa (não necessariamente gerenciá-la),
administrar as posses e vivenciar a unidade familiar.
É difícil representar o papel de pai e
gestor de uma empresa familiar. O desafio é respeitar a vida do filho
e orientá-lo na busca por seus próprios sonhos. Se há um impasse no
processo de sucessão, a solução pode estar na Governança Corporativa,
uma forma alternativa de gestão do negócio que visa minimizar os
efeitos do conflito familiar sobre a administração da empresa.
Essa opção exige do empreendedor a
capacidade de racionalizar sobre o que deseja para a empresa. A
Governança Corporativa estimula acordos entre fundadores e herdeiros.
A administração do negócio passa a ser conduzida por um Conselho de
Administração e é este conselho que vai discutir em conjunto e
harmonia a melhor forma de condução da empresa.
Domingos
Ricca
Mais moradias, mais dignidade
A construção de moradias para famílias
de baixa renda está aquecida, em virtude dos investimentos crescentes
do governo estadual e do federal. A notícia traz esperança para cerca
de 1,2 milhão de famílias paulistas, que esperam por uma casa
própria. Sempre acreditei que mais do que garantir um teto, a casa
própria simboliza uma porta para dignidade para cerca de cinco
milhões de paulistas, 900 mil deles só na capital paulista.
Comemoro os números e o fato de ter
ajudado a aperfeiçoar a MP 459, que criou o programa Minha Casa,
Minha Vida, mas sei que eles ainda são insuficientes para atender a
demanda. Todavia, destaco a grande diferença entre um pacote de
medidas de fomento à construção civil de uma verdadeira política
habitacional de Estado e não de governos.
Pensa-se em uma única estratégia – a
produção de casas – para diferentes necessidades habitacionais
existentes, quando o ideal seria dispormos de um conjunto de medidas,
como a urbanização e regularização de áreas precárias já construídas,
aluguel subsidiado e ocupação de prédios públicos vazios.
Falo com propriedade sobre a
experiência bem sucedida advinda da lei que destina 1% do ICMS à
companhia estadual de habitação, CDHU, para construção de moradias em
todo o Estado. Acredito que uma política habitacional perene não pode
prescindir de uma vinculação a execução orçamentária, por isso fui um
dos signatários da PEC que trata desta questão e conta com amplo
apoio da sociedade, inclusive, com a campanha Moradia Digna (http://www.moradiadigna.org.br).
Quando fui secretário de Habitação do
Estado de São Paulo, entreguei milhares de moradias. Tudo isso,
realizado de forma dinâmica, mais barata e apimentada pelo Projeto
Vida Melhor, que tinha por meta estimular a participação comunitária
e humanizar as condições de vida nos conjuntos habitacionais. Uma
época em que só o Estado de São Paulo tinha uma política pública
consistente de habitação social. Neste sentido, quero saudar o governo
paulista, por meio do seu secretário Lair Krähenbühl, que entregou
moradias melhores que as do programa federal, metade delas com três
dormitórios, pé-direito mais alto, desenho universal, aquecimento
solar, medidores de água individualizados, entre outras benfeitorias.
Todavia, tenho orgulho de ter sido
portador de diversas emendas que foram acatadas no texto final da MP
459, a partir de contribuição de diversas entidades setoriais e
movimentos sociais que contribuíram para que o Minha Casa, Minha Vida
melhor atendesse aos anseios da sociedade.
Conseguimos, por exemplo, beneficiar
50,5 milhões de famílias brasileiras que tem renda de até três
salários mínimos. A partir de agora, essas pessoas vão poder
requisitar, de graça, a escritura de seu imóvel. Segundo o IBGE, 91%
do déficit habitacional do país se concentra nessa população e 70,1%
dos trabalhadores com carteira assinada recebem salário nesse
patamar.
Para uma família que mora em São Paulo
e possui um imóvel na faixa de R$ 50 mil, isso pode gerar uma
economia, em média, de R$ 600. Também foi estabelecida uma multa no
valor de R$ 100 mil para os cartórios que descumprirem a gratuidade.
Também tive aprovada emenda que versa
sobre a possibilidade de “remembramento” das áreas loteadas, após um
prazo de quinze anos da data de aquisição da casa, o que não havia no
texto original da MP.
Assim como, a proposta que estabeleceu
a realização de “Sorteio Eletrônico Público” para a distribuição dos
imóveis destinados a famílias de baixa renda.
Os portadores de necessidades especiais
também foram lembrados, com a aprovação de medida que garante as
devidas condições de acessibilidade em todas as áreas de uso comum
das moradias, bem como disponibilização de unidades adaptáveis para
pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida e idosos.
Por fim, outra proposta que assegurou a
inclusão de assistência técnica aos participantes do programa federal
de habitação.
O momento agora é de consolidar as
políticas públicas para dispormos de uma verdadeira política
habitacional de Estado. Para mim, crianças nas ruas e gerações
convivendo no mesmo quarto, em péssimas condições sanitárias não
deveriam fazer parte do nosso cotidiano. Ter uma moradia é mais do
que ter acesso a um teto: é ter dignidade. Por tudo isso, nada me
emocionou mais do que entregar as chaves para as mães e ver a alegria
de toda a família com a sua nova casa própria.