Neste último século, o meio
ambiente vêm sofrendo uma grande e acelerada transformação. E
muitas destas alterações na natureza são praticamente
irreversíveis a curto ou médio prazo. Se continuarmos com o
mesmo ritmo de desenvolvimento, sem procurarmos estabelecer
limites ao manejo e preservação dos recursos ambientais, a
qualidade de vida no planeta diminuirá drasticamente.
Alguns dados alarmantes sobre
o meio ambiente:
Entre dois e sete milhões de
pessoas sofrerão anualmente com inundações, principalmente nas
áreas costeiras onde a pressão demográfica aumenta e nos
grandes deltas da África ocidental, da Ásia e do Mississippi.
As populações pobres, incluindo as dos países desenvolvidos,
serão as mais vulneráveis à mudança climática.
Antes do ano 2080, estimam os
especialistas no documento de 1400 páginas, até 3,2 mil
milhões de pessoas estarão expostos a uma severa escassez de
água e 600 milhões à fome por causa das secas e da degradação
e salinização do solo.
Os cientistas advertiram que o
aquecimento afectará todas as formas de vida na Terra. "Entre
20 e 30 por cento das espécies vegetais e animais terão um
risco crescente de extinção se o aumento da temperatura
mundial se situar entre 1,5 e 2,5 graus centígrados por
comparação a 1990", advertiu o IPCC.
A incidência de furacões nível 5
está aumentando consideravelmente. Em 2005, somente em torno
do Oceano Atlântico, foram registrados 15 do tipo;
Nas últimas décadas, a média da
temperatura mundial foi elevada em 0,7°C. No sul do Brasil, o
aumento foi de 1,4°C;
Em 2005, aconteceram 360
desastres naturais, um aumento de 18% em relação a 2004; Em 25
anos, 620 mil mortes foram registradas em virtudes de
desastres naturais; Desmatamentos e queimadas lançam,
anualmente, mais de 200 milhões de toneladas de carbono na
atmosfera;
Entre 2002 e 2005, a Amazônia
perdeu 70.000km² de seu território em virtude de desmatamentos
e queimadas indiscriminadas;
Até o final do século, prevê-se
um aumento de até 7°C na temperatura da região semi-árida do
nordeste brasileiro;
Atualmente, cerca de 1,2 bilhões
de pessoas se encontram no estado de alta pobreza devido às
condições climáticas de suas regiões;
Nos próximos 50 anos, o nível do
mar deve subir entre 30 e 80cm, devido ao derretimento das
calotas polares;
O aumento de temperatura
registrados nos últimos 50 anos foi de 3°C;
O Brasil é quarto maior poluidor
do planeta;
Nos últimos 12 anos, na
Antártica já foram perdidos 14km² de gelo;
O prejuízo estimado com os
desastres ambientais dos últimos 10 anos é de 570 bilhões de
dólares;
Denuncie:
Denúncias relacionadas a
agressões ambientais podem ser tratadas diretamente com o
IBAMA, através da Linha Verde. A Linha Verde é um canal do
Ministério do Meio Ambiente que, por meio da Ouvidoria do
IBAMA, acolhe denúncias, sugestões e reclamações ligadas a
temas ambientais.
Sua denúncia pode ser feita
gratuitamente pelo telefone 0800-61-8080 ou pelo e-mail
linhaverde.sede@ibama.gov.br
É necessário informar os dados
mais precisos, para que a apuração da denúncia seja acelerada.
Seja voluntário da natureza.
Faça desse dia 21, um dia
Especial para você, PLANTE UMA ARVORE. Salvar a natureza,é
salvar a própria vida.
O trabalho de redução de
poluentes que vem sendo desenvolvido na cidade de São Paulo já
mostra resultados. O ar da cidade está 20% melhor, o que se
deve ao conjunto de medidas que incluem restrição aos
caminhões e inspeção veicular ambiental, programa implantado
em 2008 e hoje extensivo a todos os carros, motos, ônibus e
caminhões com placa da capital paulista.
Avançar em políticas públicas de
monitoramento do meio ambiente é fundamental para uma cidade
cuja frota chega a quase 100 milhões de veículos. As ações que
vêm sendo implantadas pela prefeitura, e que incluem o combate
à poluição visual, sonora e da água, estão propiciando melhor
qualidade de vida aos paulistanos. “Estamos convictos da
necessidade desses iniciativas”, afirma o prefeito Gilberto
Kassab.
Com cerca de 12 milhões de
habitantes, São Paulo quer sair da lista das cidades com um
dos mais altos índices de poluição ambiental. Seus automóveis
lançam na atmosfera 70% de toda a poluição que compromete a
qualidade do ar e compromete a saúde da população. Com menos
poluentes aumenta a expectativa de vida dos habitantes de São
Paulo.
Medidas complementares
Em paralelo ao combate à
poluição sonora, visual e ambiental, a prefeitura de São Paulo
está investindo na manutenção das áreas verdes e na
revitalização de canteiros em grandes avenidas e praças, como
forma de humanizar o espaço urbano.
Para o trabalho foram
capacitados 371 trabalhadores desempregados e comunidades de
bairros. Até o final do ano a meta é formar 1.200 jardineiros
para cuidar de mais de 1.000 praças. Além de recuperar a praça
e fazer a sua manutenção, as pessoas terão um equipamento
limpo e organizado para convivência e lazer”, diz o prefeito
de São Paulo.
Outra iniciativa que vem sendo
intensificada pelas subprefeituras regionais é a operação cata
bagulho. Caminhões se dirigem a todos os bairros da cidade e
removem objetos que não têm mais utilidade para os moradores
ou são de difícil descarte, como móveis e colchões velhos,
pneus, madeiras e eletrodomésticos danificados.
O trabalho de retirar o lixo das
ruas é feito gratuitamente e visa proteger a saúde da
população, estancar a degradação de áreas e conscientizar os
moradores de São Paulo da importância de não despejar
quaisquer tipos de produtos nas vias da cidade.
Estudo revela mais um perigo da
geoengenharia
Cientistas canadenses alertam que a
idéia de "fertilizar" os oceanos para que capturem mais dióxido de
carbono da atmosfera pode resultar na intoxicação de diversas
espécies marinhas e inclusive do próprio ser humano
Pesquisas divulgadas recentemente demonstram que ainda há
muito a se descobrir sobre os complexos e fascinantes processos
envolvidos na química da rica vida marinha antes de começar a
colocar em práticas técnicas de geoengenharia.
Um estudo lançado
na última edição do periódico científico Proceedings of the
National Academy of Sciences USA coloca mais um obstáculo para a
idéia de adicionar ferro aos oceanos visando aumentar a absorção
do dióxido de carbono atmosférico.
Um grupo de pesquisadores liderados pelo ecólogo Charles
Trick, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, concluiu em
experimentos no Pacífico Norte que o ferro, apesar de ser
essencial na nutrição do plâncton, em concentrações muito grandes
pode desencadear florações tóxicas.
Microscópicos organismos, os plânctons, formam a base da
cadeia alimentar marinha e o chamado fitoplâncton, que realiza
fotossíntese, é responsável por absorver grandes quantidades de
dióxido de carbono da atmosfera.
Os experimentos
do grupo de cientistas confirmaram que adicionar ferro a água do
mar aumenta a produção de ácido domóico pelo plâncton do gênero
Pseudonitzschia. Este ácido é uma neurotoxina e se acumula em
frutos do mar, como ostras, mariscos, siris e lagostas e até em
vísceras de peixes, podendo afetar aves e mamíferos. Em humanos
causa uma doença chamada ASP (Amnesic Shellfish Poisoning) com
distúrbios gastrointestinais, como diarréia, vômitos e dores
abdominais, até a dor de cabeça, com alterações no sistema
nervoso.
O gênero pseudonitzschia é um dos muitos que compões
o grupo das diatomáceas e é amplamente distribuído nos mares do
globo, inclusive na região costeira do Brasil, onde freqüentemente
é responsável pela interdição da comercialização de frutos do mar.
A idéia de ‘fertilização’ dos oceanos como uma forma
de seqüestrar o carbono surgiu na década de 1980 e desde então
diversos testes controversos tem sido realizados e vários projetos
faraônicos têm sido propostos. (leia mais).
De veneno a nutriente
Ao mesmo tempo, outro estudo publicado nesta segunda-feira no
periódico Nature Geoscience demonstra a importância do ferro para
incentivar o desabrochar da vida marinha.
Cientistas australianos e franceses confirmaram pela primeira
vez que as águas quentes em fontes hidrotermais ao redor de
vulcões submarinos são uma fonte significativa de ferro nos
oceanos.
As mensurações do ferro dissolvido nas profundezas do Oceano
Austral, até quatro quilômetros de profundidade, foram feitas
comparando com modelos do traço de transporte do gás hélio-3 que
também existe nestas fontes hidrotermais e para o qual existem
dados disponíveis.
“Nossas descobertas indicam que o ferro fornecido pelos
vulcões nas profundezas marinhas é relativamente constate ao longo
de períodos de milênios e, ainda mais importante, ajuda a produzir
entre 5% e 15% do estoque de carbono total no Oceano Austral, e em
algumas regiões até 30%”, explicou o principal autor do estudo
Alessandro Tagliabule segundo o Science Alert.
A té agora se acreditava que as principais fonte
de ferro para o fitoplâncton eram a poeira e os sedimentos na
superfície oceânica.
Os avanços da ciência moderna podem criar choques de antigos
paradigmas, abrir novas fronteiras e com isso contribuir para a
compreensão do funcionamento dos processos intrínsecos ao planeta.
Porém, eles também são um lembrete que apesar de pensarmos que
compreendemos o que está acontecendo no meio ambiente, precisamos
ser cautelosos, pois certamente ainda nos surpreenderemos muito.
Fernanda Müller
Fonte: Envolverde/Carbono Brasil
Mal-do-Panamá e o Moko atingem
plantações de bananeiras
Pesquisa mostra que estas
doenças, mesmo em baixa incidência, são as principais em
plantações de bananeiras no estado de Alagoas.
Segundo artigo publicado no
periódico Summa Phytopathologica, o mal-do-panamá e o moko, apesar
de encontrados em baixa incidência, são considerados os principais
problemas em plantações de bananeiras no estado de Alagoas. O
trabalho é da autoria de Flávia Waneska Rodrigues de Andrade,
pesquisadora da Unidade Acadêmica do Centro de Ciências Agrárias
da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e colegas, e foi
disponibilizado na edição de dezembro de 2009.
De acordo com os autores, para
colheita de dados, foi realizada pesquisa entre os anos de 2006 e
2007 por meio de visitas a propriedades e coleta de materiais de
plantas infectadas em 60 áreas produtoras de banana, em quatorze
municípios de Alagoas. Eles explicam que “em cada propriedade
foram coletadas amostras de plantas infectadas e, nos casos de
sintomas de ataque de nematóides, solo da rizosfera. As amostras
foram acondicionadas em sacos plásticos e levadas ao Laboratório
de Fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas”.
Os pesquisadores destacam, entre os
resultados do levantamento, que foi registrada a ocorrência de
diversas doenças, principalmente causadas por fungos, nos
municípios estudados. No entanto, eles asseguram que em nenhum
momento do levantamento foi diagnosticada a sigatoca negra, doença
mais temida por técnicos e produtores. Mesmo assim, dizem,
“dentre as doenças fúngicas, as mais frequentes foram a sigatoca
amarela (Pseudocercospora musae), a mancha de Deightoniella (Deightoniella
torulosa), a mancha de Cordana (Cordana musae), todas estas de
ocorrência generalizada nos municípios e localidades visitadas e
com uma incidência relativamente danosa e a mancha de Chloridium (Chloridium
musae) registrada nos municípios de São Luiz de Quitunde,
Ibateguara e Palmeira dos Índios. As fitonematoses foram
detectadas apenas em alguns municípios: Rhadophulus similis,
Igreja Nova, Penedo, Porto Calvo, São Luiz de Quitunde e Santana
do Mundaú; Helicotylenchus multicinctus, Igreja nova, Porto Calvo
e Ibateguara; Pratylenchus sp., em União dos Palmares, Joaquim
Gomes e Palmeira dos Índios; o mal-do-panamá (Fusarium oxysporum
f.sp. cubense) encontrado somente em quatro municípios, Igreja
Nova, Ibateguara, São José da Laje e Palmeira dos Índios
principalmente, em reboleiras, na cultivar comprida, e o moko (Ralstonia
solanacearum), em três áreas, Igreja Nova, Penedo e Palmeira dos
Índios”.
Para Flávia e colegas, “a presença
de importantes patógenos tais como F. oxysporum f. sp cubence e R.
similis, mesmo em frequência baixa, exigem medidas de controle,
tais como utilização de mudas sadias e rotação de cultura,
evitando-se o aumento do inóculo e comprometimento da produção. A
presença de R. solanacearum, também em baixa frequência, é ainda
mais preocupante, em virtude da gravidade da doença, tendo em
vista tratar-se de uma praga quarentenária A2, o que exige medidas
de erradicação imediata dos focos, visando impedir o
estabelecimento da doença. A não eliminação de plantios velhos e a
presença de plantas de banana atacadas pelas doenças nas estradas
de acesso às propriedades contribuem para a manutenção dos
patógenos na área”. Eles concluem que apesar de mal-do-panamá e
moko (Ralstonia solanacearum raça 2) “terem sido encontradas em
baixa incidência, estas doenças ainda são consideradas como
principais problemas em plantações de bananeiras no estado de
Alagoas”..
O Brasil desperdiça muita energia,
mais de 15 bilhões/ano segundo pesquisa divulgada durante o 7ª
Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE), do qual
participei. Há tempos tenho dedicado atenção ao desafio de
transformar este desperdício em oportunidades. Necessitamos de
mais energia para sustentar nosso crescimento e o melhor caminho,
sem comprometer ainda mais os nossos recursos naturais, é a
economia, a eficiência!
Como coordenador do Grupo de
Eficiência Energética da Comissão de Minas e Energia, da Câmara
dos Deputados, entendo que “é melhor racionalizar o uso da energia
de que dispomos, a energia mais barata e ambientalmente correta é
aquela que não precisamos gerar”. Assim, defendo a definição
imediata de uma Política Nacional de Eficiência Energética.
Um marco regulatório capaz de
impulsionar políticas públicas capazes de “premiar a eficiência”,
tais como: estabelecer os chamados contratos de performance no
setor público, por meio de reformulação da Lei 8.666 (que trata de
contratos e licitações públicas); impulsionar a inovação
tecnológica (ex.: Smart Grid – tecnologia remota para controlar
aparelhos em casas dos consumidores para economizar energia,
reduzir custos e aumentar a confiabilidade e transparência);
aquecer o mercado de “Green Buildings” (prédios sustentáveis);
além de disseminar práticas cotidianas de racionalização de
energia e consumo de água para a população.
Além do grau alarmante de
desperdício, a pesquisa da ABESCO - Associação Brasileira das
Empresas de Serviços de Conservação de Energia aponta que o
mercado de implantação de programas de energia eficiente por parte
de empresas de conservação de energia (chamadas ESCOs) poderá ser
R$ 7.5 bilhões para os próximos cinco anos, considerando-se
somente projetos com viabilidade técnica, financeira e de mercado.
Tais projetos de economia de
energia, como os apoiados a partir da ANEEL (Agência Nacional de
Energia Elétrica), apresentam um custo de R$ 1.100,00 o KW, mas o
custo de produção do KW chega a R$1.700,00, se levarmos em conta
as estimativas para a mega usina de Belo Monte, o que denota uma
remuneração não condizente para viabilizar estes projetos.
Digo isso porque energia eficiente
proporciona o uso mais inteligente dos recursos, preserva o meio
ambiente e favorece a sustentabilidade do ciclo de negócios de
energia. E aos custos de geração devem ser somados outros, de
transmissão e distribuição, que inexistem para os projetos de
eficiência energética que são – por sua natureza-
descentralizados.
Vale destacar que representantes das
principais candidaturas à Presidência da República estavam
presentes no seminário, o que demonstra a importância estratégica
do tema. Como um dos formuladores do programa de governo de José
Serra e entusiasta da Economia Verde, destaquei a lei estadual
paulista de mudanças climáticas que vai impor à necessidade de
ganhos de eficiência em todos os setores da economia, a instalação
de aquecedores solares em novas moradias da CDHU, além do uso do
poder de compra das instituições públicas para privilegiar
produtos/empresas que estejam compromissadas com a eficiência
energética.
Na ocasião, também defendi a
etiquetagem de produtos/empresas como critério para orientar as
concessões de financiamentos/isenções fiscais pelo setor público,
a exemplo do que foi feito com a redução do IPI da linha branca,
produtos estes que a partir do próximo ano terão de atender normas
mais rígidas de economia de energia segundo nova determinação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e
Qualidade Industrial). Também destaquei a proposta das “Usinas
Virtuais” – o potencial de energia acumulada e que se torna
realidade a partir da eficiência energética. Para este último,
seria necessário, inclusive, criar um mercado de contratos de
ganho em eficiência energética, a exemplo do que já acontece na
comercialização dos créditos de carbono estabelecidos pelos
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, estabelecidos pela
Organização das Nações Unidas no combate as mudanças climáticas.
O Governo Federal publicou
recentemente o Plano Decenal de Expansão da Energia 2019, que faz
projeções sobre o crescimento da produção de energia e os caminhos
para esse crescimento vai seguir. Esse novo plano corrige alguns
desvios dos anteriores, principalmente em relação à primazia da
geração de energia a partir das termoelétricas. Não podemos
esquecer que foram gastos, até agora, R$ 160 milhões a mais na
conta de luz dos brasileiros por conta do acionamento de térmicas
para suprir o Apagão de 10 de novembro de 2009, que comprometeu a
transmissão de energia de Itaipu.
O atual plano prevê a retomada da
participação de fontes renováveis na matriz elétrica a partir de
2014, escorada na expansão dos leilões de energia nova da biomassa
(cana), usinas eólicas e hidrelétricas. Uma vitória do bom senso!
Em suma, disseminar projetos de
energia eficiente é o melhor caminho para aumentar a
competitividade do País, além de proporcionar redução de emissão
de poluentes e de impactos ambientais e sociais. Estou certo que a
eficiência energética vai desempenhar um papel estratégico na
nossa matriz energética!
Arnaldo Jardim
Meio ambiente e energia:
equilíbrio no fio da navalha
Um delicado e difícil equilíbrio.
Esta poderia ser a síntese que atualmente define a necessidade
cada vez mais aguda de conciliar demandas energéticas crescentes
com exigências ambientais potencializadas por desastres
ambientais, gases de efeito-estufa e o consequente aquecimento
global, entre outras sequelas de um modelo energético atrelado ao
consumo de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral,
bastante poluidores. No Brasil, a situação não é diferente.
Embora nosso país apareça
relativamente bem na foto das fontes energéticas em relação ao
meio ambiente, esse instantâneo não revela os problemas futuros. A
matriz energética brasileira é composta majoritariamente por fonte
limpa, de hidrelétricas (85%), seguida por outra fonte renovável,
as térmicas de biomassa, térmicas a óleo (2,9%), térmicas a gás
(2,6%), usinas nucleares (2,5%), térmicas a carvão (1,3%) e usinas
eólicas (0,2%). A grande dificuldade está em equacionar um quadro
no qual a demanda por energia elétrica é crescente, especialmente
se forem confirmadas as previsões que apontam aumento do PIB em
2010 entre 6% a 9%. No quadro atual, com crescimento médio do PIB
em torno de 4% ao ano, o país precisará adicionar cerca de 5 mil
megawatts anuais para atender à demanda. Mesmo se considerarmos
que o Brasil utiliza apenas 26% do seu potencial energético de
fontes hídricas, é necessário destacar que as restrições à
exploração desse potencial serão cada vez maiores, em virtude das
também crescentes – e, em boa parte, justificadas – exigências
para aprovação das licenças ambientais, pois a maior possibilidade
de construção de novas usinas está na região Amazônica.
Assim, as dificuldades de conciliar
exploração hidrelétrica x exigências ambientais devem se
intensificar, como mostrou a “novela” da aprovação ambiental da
usina de Belo Monte, extraída praticamente a fórceps pelo governo
federal, frente aos protestos de técnicos e especialistas no
assunto e de entidades ambientalistas nacionais e estrangeiras,
com riscos ainda de ter que enfrentar ações judiciais e outros
instrumentos restritivos. É evidente que, muitas vezes, falta bom
senso aos que pregam a “tolerância zero” em relação à implantação
de novas usinas hidrelétricas, mesmo na Amazônia. Não é possível
ao país prescindir da energia hidrelétrica, se quiser continuar
crescendo. Mas também não é mais possível ignorar que o custo
imposto pelas necessárias mitigações ambientais joga esse
potencial energético para o limite do antieconômico, fator que
diminuiu muito o interesse dos consórcios privados em participar
do leilão da usina no rio Xingu.
Essas dificuldades, porém, podem se
transformar em oportunidades, se prevalecer - especialmente por
parte do governo federal -, uma visão estratégica dessa questão. O
Brasil, ao contrário da imensa maioria dos países do primeiro
mundo, dispõe de fatores climáticos e de regime de ventos muito
favoráveis para implantar duas fontes renováveis de energia,
praticamente sem restrições ambientais: a solar e a eólica.
O senão a essas duas fontes
energéticas, atualmente, reside na questão econômica: o custo de
implantação de sistemas de energia solar e eólica ainda é bastante
elevado. O custo do megawatt/hora (MW/h) da energia eólica, em
média de R$ 148 por MW/h, equivale hoje a praticamente o dobro
comparado ao da energia elétrica – de R$ 78 por MW/h. Os painéis
fotovoltaicos geradores de energia solar têm custo estimado em R$
800/ MW/h. O fator econômico foi utilizado pelo governo para
defender Belo Monte ante as eólicas, que custariam, de acordo com
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, R$ 32 bilhões para
produzir a mesma quantidade de energia.
A questão é que esse quadro é um
retrato deste momento. Mas convém adicionar alguns números para
que se possa pensar no longo prazo, no interesse da sociedade e do
país. Se tomarmos Belo Monte como parâmetro, cujo custo de
construção é previsto pelo governo em R$ 19,8 bilhões, mas que, em
“off”, é estimado pelas grandes construtoras e por estatais de
energia como Furnas e Eletrosul em torno de R$ 28 bilhões, fica
evidente que a implantação de sistemas de energia eólica,
especialmente nas regiões costeiras do Nordeste e Rio Grande do
Sul, por exemplo, pode ter custo equivalente. E as eólicas
poderiam ser mais vantajosas na análise custo de geração do MW/h x
benefícios ambientais se levarmos em conta alguns fatores, nem
sempre apresentados nesse balanço. O custo de implantação de
sistemas eólicos de energia é elevado atualmente porque boa parte
dos equipamentos tem de ser trazida do exterior.
É evidente que, se houver
aumento da escala e forte conteúdo nacional no projeto e produção
desses equipamentos no Brasil, somados a benefícios que estão
sendo concedidos aos consórcios energéticos de Belo Monte e do rio
Madeira – financiamento de longo prazo e a juros favoráveis pelo
BNDES, isenções fiscais, como as do Imposto de Renda por dez anos,
entre outros -, a balança começa a pender para as fontes
energéticas “verdes”. Com a vantagem de que, se houver o
necessário estímulo ao desenvolvimento tecnológico e produção
nacional, assegurado por benefícios tributários/fiscais com
rigorosa previsão de término, essa opção pode colocar o Brasil
entre os países de ponta na produção de energia ambientalmente
correta, favorecendo o crescimento de setores hoje quase
desprezíveis do ponto de vista econômico e que podem, no futuro,
até exportar essas soluções. Basta haver planejamento, projeto e
gerenciamento rigoroso, do ponto de vista técnico e econômico.
Esse pode ser um dos principais
caminhos para o futuro energético do país, sem discriminar
qualquer outra fonte energética – apenas, equacionando melhor
necessidades de energia e preservação ambiental. Não um futuro
qualquer, marcado mais pelos interesses na eleição que está
chegando, mas sim numa visão estratégica de país, que pode crescer
a “taxas chinesas” sem necessariamente ter de adotar a poluição ou
a destruição do meio ambiente que caracterizam o gigante oriental.
Ou, então, seremos obrigados, nos próximos anos, a assistir à
reprise de um filme já gasto, caso se confirmem as atuais
previsões de crescimento: o recurso à construção em regime de
emergência de termelétricas movidas a óleo ou a carvão (caras – R$
400/MW/h -, e em geral poluidoras), sob a alegação de que “não há
outra saída”. Ou seja, mais uma vez, pode ser usado o já esgarçado
chavão para justificar a incapacidade de pensar antes e bem, para
realizar o melhor, no tempo e ao custo adequado, em todos os
sentidos.
Márcio Alberto Cancellara
Relatório pede banimento de todo
o tipo de amianto O dossiê levou dois
anos para ser concluído
O Brasil deverá dar o primeiro passo
para banir definitivamente o amianto crisotila. O jornal O Estado
de S. Paulo teve acesso ao dossiê preparado pelo Grupo de Trabalho
do Amianto, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável da Câmara dos Deputados, que propõe o banimento de
todas as formas de amianto em todo o território nacional e será
apresentado para votação na quarta-feira.
Na contramão, há um projeto de lei
na Assembleia Legislativa de São Paulo, do deputado Waldir Agnello
(PTB-SP), que pretende anular o efeito da lei estadual
12.684/2007, que proíbe a produção, transporte e manuseio do
amianto no Estado. A reportagem tentou ouvi-lo, mas não obteve
retorno.
O dossiê, cujo relator é o deputado
federal Edson Duarte (PV-BA), levou dois anos para ser concluído e
reúne, em 683 páginas, informações sobre a cadeia de produção do
mineral no Brasil. Foram visitadas fábricas, minas desativadas e
em operação e realizadas entrevistas com trabalhadores, médicos e
executivos da indústria.
O relatório sugere a desativação da
única mina de amianto ainda em operação no Brasil, localizada em
Minaçu (GO). Entre outros pontos, propõe a inclusão da substância
na lista de substâncias cancerígenas e a criação de uma política
de incentivo às indústrias que atuam com amianto para que façam a
transição para outra tecnologia. Também critica a atual posição do
governo federal em relação à continuidade do uso da substância.
Agência Estado
Fonte: Site Uol
Atitude Assoreada
O Brasil se gaba de muitas coisas.
De algumas, sem razão alguma, como é o fato de ter uma das maiores
cidades do mundo. Longe de ser vantagem, é quase calamidade. Uma
aglomeração como São Paulo vai na contramão da qualidade de vida,
com a impermeabilização das ruas, a ocupação das encostas, a
degradação ambiental causada pela concentração de gases tóxicos
etc. Entulhar 70% da população do estado em áreas urbanas traz
mais mal do que bem. Mas o Brasil se gaba de outras coisas, e em
várias têm razão de orgulho. Por exemplo, dos nossos tesouros
subterrâneos. Entre eles, a água. Sim, a água, doce, pura e
cristalina, guardada embaixo de nós, a nos unir com Argentina,
Paraguai e Uruguai, muito mais do que o quase falido Mercosul: o
aqüífero Guarani. E, a se confirmar as prospecções, podemos ser
donos da maior reserva de água doce do planeta, a Reserva Alter do
Chão, na Amazônia, com cerca de 86 mil km³ de água potável,
suficiente para abastecer cdem vezes toda a população mundial
Mas não basta ter água. Precisamos
cuidar dela. Uma das metas do milênio, acordo assinado em 2000 por
191 países, é garantir a sustentabilidade ambiental, com o
argumento que deveria falar por si: mais de um bilhão de pessoas
ainda não têm acesso a água potável. A qualidade da água
influencia na saúde, por causa do saneamento básico, da
preservação das espécies, da qualidade do ar e outros benefícios.
A água que aflora à superfície, boa
de beber com as mãos em concha, já não se vê mais. E até os lagos,
mercê de nosso descuido e nosso desprezo, vai se perdendo em areia
e lodo, virando brejos. O lago do Ibirapuera, por exemplo, cartão
postal de nossa metrópole, pode ser o cartão de epitáfio do nosso
meio ambiente. Da profundidade original de 2,5m, hoje não tem mais
que uma lâmina de 30cm (película quase um décimo da original).
Pensou-se em muita coisa para prevenir a degradação do lago.
Lembram-se de um prefeito que colocou cisnes para, com seu nado,
oxigenar a água? Lembram-se, que pela mesma razão, foi instalado
equipamento para promover as águas dançantes? Pois é.
Esqueceram-se de que, além disso, era necessário impedir o
assoreamento do leito dos lagos; denúncia recente dá conta de que,
no – não tão - fundo do lago do Ibirapuera, acumulam-se mais de 80
mil metros cúbicos de detritos, lodo e areia. Esqueceram-se,
também, de educar o povo para não jogar lixo naquelas águas (ou em
sua proximidade, porque podem ser levados pelo vento e pela
chuva). A mesma chuva que, transformada em tempestade, inundou o
lago do Parque da Aclimação e praticamente acabou com ele, revelou
que o local estava infectado de esgoto doméstico. Pois é. Faltou
educação.
O próprio governo precisa estar
ambientalmente mais educado. Lei para isso existe. A Política
Nacional do Meio Ambiente é definida pela lei nº 6.938, de 31 de
agosto de 1981. Cumprir a lei significa promover coleta seletiva
de lixo, fazer campanhas de esclarecimentos, trazer as crianças
para ajudar a disseminar a ideia de que, para desassorear rios e
lagos, é preciso desassorear as mentes de obstruções provocadas
pela preguiça, pelo despreparo e às vezes pela incompetência.
Ricardo Castilho
Floresta contribui para fixar
carbono
As queimadas provocadas pelo crescente desmatamento da Amazônia
tem contribuído para aumentar as emissões de dióxido de carbono no
ar. Ambientalistas de todo mundo tem se manifestado contrário ao
processo de ocupação da Amazônia que não prioriza a floresta
sustentável e a biodiversidade.
O exemplo das florestas de madeiras duras dos Estados Unidos segue
o caminho contrário. A gestão a longo prazo das suas florestas
para a produção de madeira sustentável permitem uma contribuição
significativa da fixação de carbono. Cada ano, durante os últimos
50 anos, as florestas de madeira duras dos Estados Unidos
armazenaram aproximadamente 110 milhões de toneladas de CO2 (
excluindo todo o material talhado). Se trata de uma quantidade
capaz de compensar aproximadamente 10% das emissões anuais de
caráter residencial dos Estados Unidos, ou 6% das emissões
originadas pelo sistema de transporte do país.
Esta contribuição direta das florestas de madeiras duras dos
Estados Unidos para a fixação de carbono não inclui o carbono
fixado a longo prazo como componente nos produtos de madeira. Com
vida útil de serviço que podem durar várias gerações, os móveis,
assoalhos e elementos de carpintaria fabricados com madeiras duras
estadounidenses atuam como armazéns de carbono adicional durante
muitas décadas.
As madeiras duras dos Estados Unidos são utilizadas e
reconhecidas como matéria prima sustentável em todo mundo. No
Brasil seu uso tem se intensificado na produção de móveis,
pisos, portas e decoração de interior. Entre as espécies mais
utilizadas estão nogueira, carvalho, amieiro, bordo, cerejeira,
freixo, entre outras Para orientar seu uso e auxiliar na área
técnica existe uma entidade chamada AHEC ( Conselho Estadunidense
de Exportação de Madeiras Duras) que trabalha na divulgação das
madeiras em diversas frentes e no mundo inteiro.
O AHEC reúne a maior parte dos produtores de madeiras duras
americana, sendo um dos grandes organismos do setor de base
florestal mundial que incentiva o uso da madeira na indústria do
móvel. No caso de aplicações no Brasil se adaptam perfeitamente ,
não competem com as espécies tropicais amazônicas , possuem um
forte apelo de sustentabilidade e podem contribuir para agregar
valor ao produto final. Maiores informações sobre suas
características e usos estão no site www.ahec-mexico.org ou pelo
e-mail ahec@porthuseventos.com.br
A sustentabilidade nos alicerces
do desenvolvimento
O bilionário americano Sam Zell, do
grupo Equity International, esteve no Brasil nos dias 23 e 24 de
junho passado para verificar oportunidades e expandir
investimentos no País. Zell, que já tem participações em cinco
empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, afirmou na
ocasião que o país vai muito bem, disse não temer o risco de
superaquecimento da economia e elogiou a opção brasileira por
apostar no crescimento sem abrir mão da disciplina fiscal.
A percepção de Zell está correta. De
fato, o Brasil desponta hoje, no cenário mundial, como o mais
promissor dos países emergentes.
Mas há lacunas que precisamos
preencher nas áreas de infraestrutura – e este quesito abrange um
amplo escopo, que vai da universalização do acesso aos serviços
básicos de saneamento à ampliação e melhoria dos portos,
aeroportos e rodovias, do suprimento das carências da população em
termos de moradia à construção de usinas que gerem a energia
necessária ao crescimento do País.
Há, evidentemente, uma clara
intenção por parte dos governos federal e estaduais de converter o
Brasil num amplo canteiro de obras. E será muito sábio
otimizá-las, ou seja: além de materializar tudo aquilo de que o
País precisa, os responsáveis pelas grandes e pequenas obras que
estão previstas devem estar atentos à questão ambiental.
Isso é necessário por dois motivos.
Primeiramente, é imprescindível cumprir uma agenda importante para
o povo brasileiro, que cada vez mais clama pelo respeito ao meio
ambiente e pela atenção aos problemas sociais. Em segundo lugar,
existe uma possibilidade real de gerar créditos de carbono para o
País. Neste sentido, os cuidados ambientais se transformam em bom
negócio.
Por convenção, uma tonelada de
dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. A
redução da emissão de outros gases de efeito estufa (GEEs) também
pode ser convertida em créditos de carbono – para isso, utiliza-se
o conceito de carbono equivalente.
Esses créditos podem ser negociados
no mercado internacional, onde, grosso modo, os países
industrializados adquirem créditos dos países em desenvolvimento,
e, dessa forma, obtêm uma espécie de aval para emitirem GEEs em
suas atividades.
O crédito de carbono é gerado quando
uma empresa consegue diminuir suas emissões abaixo das cotas
determinadas pelas leis em vigor. Quando isso acontece, ela pode
vender, a preço de mercado, o excedente de "redução de emissão" ou
"permissão de emissão".O setor da construção civil responde
por 40% do consumo de energia, 30% do uso de matérias-primas, 20%
da água, 40 % das emissões globais de GEEs, 30 % dos resíduos
sólidos descartados e 20 % dos efluentes líquidos lançados nos
corpos d’água. É um setor que, por sua própria natureza – sem
trocadilhos! –, gera imenso impacto ambiental. Por outro lado,
gera empregos para mais de 110 milhões de pessoas ao redor do
mundo e recebe investimentos da ordem de três trilhões de dólares
anuais.
Unindo agora as pontas de
raciocínio, temos um setor economicamente forte, vital para o
crescimento econômico de qualquer país, e em especial do Brasil,
mas que ao mesmo tempo é ávido consumidor de recursos – e,
justamente por isso, pode se transformar em gerador de créditos de
carbono, na medida em que for capaz de tomar providências que o
tornem sustentável.
Um primeiro passo é o uso exclusivo
de madeira certificada, ou seja, oriunda exclusivamente de manejo
sustentado. O Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC)
forneceu as metodologias necessárias para que se estime a
contribuição dos Produtos Florestais Madeireiros na redução do
carbono atmosférico (antes de se tornar matéria-prima, a madeira é
árvore, que, quando jovem, captura CO2 da atmosfera). A
Organização Internacional de Padronização (ISO) já está
desenvolvendo uma norma técnica que permita a contabilizar as
emissões de GEEs das cadeias produtivas de vários setores,
incluindo o da madeira.
Outra medida interessante é
priorizar a aquisição de materiais como tijolos e ferro de
indústrias que praticam boas políticas ambientais, especialmente
no tocante ao uso de energia limpa e à redução do consumo de
recursos hídricos. Também é possível implantar, na própria obra,
mecanismos para o aproveitamento da luz natural e para o uso
racional dos recursos hídricos. Além disso, cada projeto deverá
ser pensado de modo a causar o menor impacto possível ao meio
ambiente no qual esteja inserido.
Aliando engenharia de alto padrão e
criatividade, as empresas brasileiras responsáveis por tocar as
obras que vão colocar o Brasil no caminho do sonhado protagonismo
econômico e social poderão desempenhar um papel verdadeiramente
transformador – e, principalmente, terão um interessante universo
a desbravar no terreno da sustentabilidade.
Ieda Novais
“Política Nacional de Resíduos
Sólidos é o marco de uma batalha que começa daqui para a frente e
reforça o movimento ambientalista”
Frase é do presidente do Conselho
de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, que observa
ser difícil acreditar que o Brasil não tivesse uma lei de resíduos
sólidos
Após mais de 20 anos no Congresso, foi aprovado o Projeto de Lei
203-B/1991, que regulamenta a reciclagem e disciplina o manejo dos
resíduos por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ainda
aguardando a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o
projeto foi apresentado em 1989 e analisado somente em 1991,
voltando a pauta em 2001 pelo então deputado Emerson Kapaz.
“É difícil de acreditar que um país
grande e urbanizado como o Brasil não tivesse até agora uma lei de
resíduos sólidos”, afirma José Goldemberg, presidente do Conselho
de Estudos Ambientais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). Como a discussão a
respeito do tema se delongava no Congresso, a ausência de uma lei
que regulasse o setor permitiu até então uma variedade de
situações que não eram benéficas para ninguém, principalmente para
a saúde pública. A edição de algumas resoluções pelo Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama) veio suprir a lacuna legal,
cuidando das questões urgentes com a fixação de critérios técnicos
para o assunto, entre elas a Política Nacional de Educação
Ambiental (lei 9.795/99) e posteriores Estatuto da Cidade
(10.257/01) e Política Nacional de Saneamento Básico (lei
11.445/07).
“A lei é o marco de uma batalha que
começa daqui para a frente e reforça o movimento ambientalista”,
assinala Goldemberg. Segundo ele, a lei é complicada por envolver
diversos setores da sociedade, incluindo os catadores de lixo,
porém um grande progresso, pois dá instrumentos ao Ministério
Público para fiscalizar e punir, criando novos instrumentos de
pressão às práticas inadequadas. Se for sancionada pelo presidente
Lula (há uma tendência para tal), os governos municipais,
estaduais e federal, juntamente com os setores industrial e de
comércio e serviços terão quatro anos para se adaptarem. O lixo
remanescente da reciclagem irá para os aterros sanitários, que vão
substituir os lixões. Porém, essa não será uma tarefa fácil. “Em
São Paulo, a Cetesb levou dez anos para acabar com os lixões.
Esses problemas terão de ser resolvidos em paralelo”, pondera
Goldemberg. De acordo com dados do Compromisso Empresarial para
Reciclagem (Cempre), que embasaram o projeto, 59% do lixo
produzido no Brasil tem como destino os lixões contra 13%
encaminhados para aterros sanitários (destinação correta). Ainda
segundo os mesmos levantamentos, dos 5.564 municípios brasileiros,
apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008.
Em relação ao conteúdo material, a
proposta reforça os princípios já fixados em outras leis ligadas
ao tema, acrescentando ferramentas que poderão auxiliar no
planejamento integrado e compartilhado do gerenciamento de
resíduos. Neste sentido, destacam-se a obrigatoriedade de
elaboração dos Planos de Gerenciamento de Resíduos por parte do
Poder Público e pelos Geradores. O texto indica também quais são
os critérios para a elaboração dos mencionados planos, bem como a
indicação daqueles que são obrigados a apresentá-los (em evidente
inspiração no Estatuto da Cidade). Os municípios com menos de 30
mil habitantes de população urbana, por exemplo, poderão
apresentar um Plano Simplificado de Gerenciamento de Resíduos.
É importante lembrar que, de acordo
com o Censo Demográfico do IBGE, apurado em 2000, apenas 63
municípios brasileiros possuem população urbana superior a 30 mil
habitantes. Isso significa que, de acordo com o projeto, apenas
8,65% dos municípios seriam obrigados a elaborar o Plano de
Gerenciamento de Resíduos mais detalhado. Todos os demais
municípios (91,34%) estariam incumbidos apenas da elaboração do
plano simplificado.
Taxa do lixo
O projeto autoriza o Distrito
Federal e os municípios, em contrapartida aos serviços de
gerenciamento de resíduos prestados, instituírem e cobrarem a taxa
de limpeza urbana, de acordo com os requisitos fixados em lei.
Além do pagamento da taxa, o PL prevê que os usuários deverão
acondicionar os resíduos para a coleta da forma adequada, cabendo
ao Poder Público dar ampla publicidade a respeito dos locais de
entrega e horários de coletas (que deverá ser feita
“preferencialmente de forma seletiva e com inclusão social”.
Com relação à iniciativa privada, o
contato com os procedimentos de licenciamento ambiental já são bem
conhecidos e apenas a elaboração de um plano de gerenciamento
específico para resíduos passaria a ser novidade em alguns
Estados. A importância da logística reversa e do descarte
responsável já têm sido exploradas pelo comércio e indústria de
modo que, salvo melhor juízo, entende-se que os impactos serão bem
menores do que aqueles esperados pelo texto de 2001. Em São Paulo,
terminou no último dia 28 de maio o prazo de dois anos dado pela
Prefeitura para o cumprimento da Lei 13.316/2002 e do Decreto
49.532/2008, que obrigam empresas fabricantes e distribuidoras
(atacadistas) de bebidas, óleos combustíveis, cosméticos, produtos
de higiene e limpeza, instalados no município, recomprarem, no
mínimo, 75% das garrafas e embalagens plásticas comercializadas e
implementarem programas de destinação final ambientalmente
corretas para esse material.
A Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) é a
principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e
serviços. Representa empresas e congrega 152 sindicatos patronais,
que abrangem mais de 600 mil companhias e respondem por 11% do PIB
paulista – cerca de 4% do PIB brasileiro – gerando em torno de
cinco milhões de empregos.
O lixo vira luxo
Empresas que adotam o perfil
ecologicamente correto são reconhecidas pelas suas iniciativas e
por manter a qualidade de seus produtos. A reciclagem de lâmpadas
fluorescentes está entre os processos sustentáveis
Há muito se ouve sobre a necessidade
de conscientizar as pessoas e as empresas para o pedido de socorro
que emerge da natureza. Hoje, o conceito de reciclagem não se
limita mais à simples separação de lixo. Em vez disso, uma nova
visão empreendedora toma conta das discussões produtivas e
sustentáveis, além do processo que o mundo se encontra de
reeducação ambiental. A renovação nos conceitos de lucratividade e
o desempenho consciente têm andado em paralelo e fazem parte de
discursos político e da abordagem da mídia em geral.
Como forma de regulamentar e
incentivar as empresas, alguns órgãos em defesa do meio ambiente
desenvolveram listas como o Guide to Greener Electronics (Guia dos
Eletrônicos Verdes), do Greenpeace. Para tanto, companhias mundo
afora têm lutado para garantir seu espaço de notoriedade e
participam de uma “saudável” disputa para serem os melhores
negócios ecologicamente corretos, sem perder o padrão de qualidade
e aceitação no mercado.
Dentre os requisitos para uma
empresa ganhar espaço neste cenário estão a capacidade de “limpar”
os seus produtos, ou seja, produzi-los sem utilizar materiais
químicos nocivos à saúde; reutilizar e reciclar; além de reduzir o
impacto ambiental na produção e logística. Dentro deste contexto,
empreendimentos brasileiros despontam como inovadores e
referências na produção sustentável.
A Lepri, especializada em pisos e
revestimentos cerâmicos, é um desses empreendimentos pioneiros em
transformar materiais descartáveis em peças luxuosas, apresentando
em 2005 sua linha de produtos sustentáveis. Para o presidente da
empresa, José Lepri, “em 2010, que é o Ano Internacional da
Biodiversidade, o objetivo é fazer a linha de produtos
sustentáveis crescer, amenizando ainda mais o impacto ambiental”.
A fabricante diminuiu o uso de matéria prima natural, como argila,
madeira e o gás natural. Além disso, desenvolveu processos de
produção que diminuem o uso de energia e outros que descartam a
utilização de água.
Outra possibilidade encontrada pela
Lepri é a de criar peças de cerâmicas que são idênticas à madeira.
Para isso, esses produtos são criados a partir da reciclagem de
lâmpadas fluorescentes. Vale ressaltar que, se não for retirado da
natureza, o mercúrio metálico desse material contaminaria o solo
e o vidro dessas lâmpadas demoraria 200 anos para se decompor.
Desta forma, é possível compreender a importância da
responsabilidade socioambiental por parte das empresas.
As adaptações nas linhas de produção
e a renovação da responsabilidade social corporativa beneficiam
não só a natureza, mas também geram lucro. Segundo José Lepri, nos
dias atuais, a valorização do bem-estar do planeta é fundamental
para o sucesso de um negócio. “Por meio de processos produtivos
mais ecológicos, iniciamos uma tendência no país que, se depender
de nós, deixará de ser tendência para fazer parte de vez da nossa
cultura”, afirma o empreendedor. De acordo com uma pesquisa dos
institutos Market Analysis e Akatu, 34% das pessoas em países
ricos afirmam priorizar suas compras em empresas ambientalmente
responsáveis. O brasileiro, neste quesito, ainda está aprendendo,
já que apenas 12% dos cidadãos procuram saber a procedência dos
produtos que consomem. Portanto, o objetivo das pessoas e das
fabricantes, ao redor do mundo, deve se reforçar ao longo dos
anos: preservar o meio ambiente com atitudes criativas e
inovadoras.
Cidades brasileiras adotam
medidas para melhora da qualidade do ar
São Paulo, São Bernardo do Campo
e Joinville são pioneiras na Inspeção Veicular Ambiental
A capital paulista deu o primeiro
passo. Desde 2008 realiza a inspeção veicular ambiental. A medida
já reduziu as emissões de monóxido de carbono, dióxido de enxofre,
de nitrogênio, ozônio, hidrocarbonetos e fuligem - todos esses
gases poluentes estão nas fumaças pretas que saem dos escapamentos
dos veículos. E os bons resultados levaram a experiência a outras
cidades brasileiras.
A prefeitura de São Bernardo do
Campo, no ABC paulista, iniciou em maio a inspeção veicular
voluntária e gratuita nos veículos movidos a diesel. A cidade é a
primeira a adotar o teste depois de São Paulo. Os outros
municípios da região do ABC também começam a se mobilizar para
implementar a inspeção veicular. O programa é discutido no
Consórcio Intermunicipal, que reúne as prefeituras da região, cuja
frota é composta por mais de 1,3 milhão de veículos.
Joinville será a primeira cidade de
Santa Catarina a fiscalizar e multar motoristas que transitam com
veículos em desacordo com as leis ambientais e de trânsito
relacionadas à emissão de gases poluentes e ruídos.
O laboratório móvel da Fundação
Municipal de Meio Ambiente (Fundema) será usado na análise dos
níveis de poluição do ar e sonora. Uma blitz acontece já no mês de
agosto. O laboratório móvel é equipado para realizar, em tempo
real, a avaliação completa do escapamento de veículos a diesel,
gasolina, álcool e gás natural. A fiscalização pode resultar em
multas.
Desde 1993, o Conama estabelece
limites para a emissão de gases poluentes e ruídos por veículos.
“A Mastra Escapamentos e Catalisadores está sempre atenta as
exigências do Conama e orienta os reparadores e os proprietários
de veículos sobre a importância da originalidade do escapamento e
catalisador para a aprovação do veículo nas inspeções que reflete
diretamente na qualidade de vida nas cidades”, afirma o Gerente de
Engenharia e Qualidade da empresa, Valdecir Rebelatto.
Quando trocar o catalisador
Um catalisador genuíno, que vem no
veículo novo, tem durabilidade mínima de 80 mil quilômetros.
Trincas, quebras, derretimento e entupimento da cerâmica também
são sinais para a troca imediata, além da não conversão dos gases.
Os catalisadores para o mercado de reposição têm durabilidade
mínima de 40 mil quilômetros conforme regulamentação do CONAMA. A
verificação deve ser feita por profissionais especializados em
oficinas e centros automotivos. O motorista deve se atentar na
hora da troca pois a partir de abril de 2010 as industrias só
podem fabricar catalisadores com conformidade avaliada pelo
INMETRO, conforme portaria 346/08. Os lojistas tem até abril de
2011 para comercializar os catalisadores em estoques sem o selo de
conformidade.
Quando trocar o escapamento
O escapamento deve ser substituído
quando o proprietário notar alterações no nível de ruído do
veículo, caracterizado por sopros de gases, chocalhos no
catalisador, som estridente, ressonâncias ao trocar marchas, entre
outras, e também quando sentir que o veículo está com baixo
rendimento (amarrado) ou com excesso de consumo de combustível, é
recomendável checar o sistema de escape.
Embarque nessa onda verde
Já faz certo tempo que soaram os
alertas quanto às condições decadentes da natureza e aos males que
a humanidade tem causado ao planeta em que vivemos. Desde então o
assunto permeou por entre a mídia e pelo mundo, e a nova onda da
sustentabilidade já não é mais tão recente assim. Porém, em meio
ao enorme montante de informações sobre o tema, estudos comprovam
que sim, a causa verde é a maior tendência do nosso tempo, mas
isso só é realidade na teoria.
Estudos apresentados pela TNS Ri e
Recherche mostraram que, no Brasil, 8% da população jamais escutou
ou muito menos praticou alguma atitude sustentável, e 45% são
considerados “ausentes” quanto à causa verde. Os estudos revelaram
também que 51% dos brasileiros são considerados “envolvidos”, e
apenas 4% “engajados” de fato. Contudo, o que mais me chama
atenção e que é importante ser ressaltado, é o fato de que a
maioria dos envolvidos é atraída pela economia que a
sustentabilidade proporciona, e não pela consciência ambiental. Ou
seja, o ponto principal ao se limpar a calçada de casa com a
vassoura, e não com água, é a diminuição na conta ao final do mês.
Deixando de lado a questão sobre de
quem é a responsabilidade em conscientizar a parte ausente, e até
mesmo a envolvida na causa, o fato é que a sustentabilidade e a
diminuição no consumo desenfreado são absolutamente necessárias no
contexto atual e futuro da humanidade. Se, afinal de contas, a
onda verde não é passageira, pelo bem do planeta e também de suas
empresas, os empresários podem e devem ser agentes da
conscientização.
Seja por falta de opções acessíveis,
por desconfiança quanto aos programas ecológicos desenvolvidos
pelas empresas, por ausência de conhecimento, ou por outros
motivos, muitos consumidores ainda se encontram no grupo dos
ausentes quanto à causa. Engajar estes clientes, através de, por
exemplo, uma comunicação clara sobre os prejuízos causados pela
sua empresa e sobre o que é realizado para reduzi-los, ações
ecológicas que incluam o cliente e torne-o parte atuante de suas
ações em prol do meio ambiente, relaciona a sua marca à palavra
sustentabilidade, acrescenta credibilidade e agrega valor ao seu
negócio.
As iniciativas podem ser geradas por
empresas de qualquer tamanho e de inúmeras maneiras, seja na
produção, em mudanças no espaço físico, na rotina ou nos
investimentos. Os lucros devem e continuarão a ser primeiro foco
nos esforços do mercado, mas a questão ambiental passará pouco a
pouco a ser o que destaca um negócio em meio a tantos outros, e é
questão de tempo até que os executivos necessitem assumir uma
postura sustentável definitiva.
Gilberto Wiesel
Amazônia: a outra face de Deus
Não sei realmente por que, mas
naquele dia, caminhando por aquele bosque que mais parecia uma
floresta de pínus, fixei os olhos nos meus pés. A terra um pouco
umedecida e o ar frio que soprava não me intimidavam, ainda que o
sono quisesse me levar de volta à minha casa.
Sempre gostei das florestas, das
matas, dos bichos que vivem daquilo, e todas as vezes que estou
envolto às árvores, mantendo meu ritmo de caminhada, onde ouço
apenas meus passos e os pássaros, penso em Baruch Spinoza
(1632-1677), um filósofo do século XVII. Nascido em uma família
judaico-portuguesa, seus familiares vinham, havia algum tempo,
fugindo da Inquisição. Filho de um rico comerciante, viria a se
tornar, posteriormente, um dos maiores pensadores racionalistas
dentro da chamada filosofia moderna. Spinoza acreditava que Deus
era a engrenagem que movia o Universo, e que os textos bíblicos
nada mais eram que símbolos que dispensam qualquer abordagem
racional.
Contudo, o mais interessante em
Spinoza era sua visão una de natureza e Deus – a natureza como um
reflexo da expressão divina.
Por certo, com base nesse ponto de
vista, podemos, sim, nos conectar com Deus quando estamos em
sintonia com a natureza. Não há por que negar que não existem
diversas maneiras de orar; pensar nas questões ambientais, na luta
pela sua preservação também é uma forma de oração. Caminhar pela
manhã sentindo o orvalho no rosto e o cheiro das folhas de
eucalipto é mais do que exercitar os passos firmes em direção ao
alto da montanha – é reaver o conceito panteísta de que Deus é
naturante e a natureza, naturata (gerada).
Ainda me lembro de quando sobrevoava
a Amazônia vindo de um Congresso de empresários na Venezuela dois
anos atrás. A imensidão do verde me fez pensar em todas as formas
de vida que ali habitavam; era como se eu avistasse de cima a
expressão divina da criação. A preocupação com a preservação da
Amazônia é uma constante em todos nós, e tudo o que lá habita
pertence a nós brasileiros. Por consequência, deve existir um nexo
causal, de cunho filosófico-espiritual, entre Deus e a obrigação
cívica do nosso povo em tutelar aquela área.
Por isso o governo deve encaminhar
ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
para deixar claro que os investidores podem investir em qualquer
campo, mas não em terras. Segundo estatísticas do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estima-se que a
área total do território brasileiro sob propriedade estrangeira
chegue a 4,037 milhões de hectares e cresce cotidianamente; além
disso, é relevante notar que o levantamento do Instituto não
inclui propriedades de empresas supostamente nacionais que, na
verdade, são controladas de modo direto ou indireto por
capitalistas de outros países.
Sempre que caminho nas minhas manhãs
penso na grandiosidade divina e em nossa responsabilidade
ambiental como brasileiros. Imagino a expressão de gratidão
daqueles seres da floresta, à imagem divina, que nada possuem em
sua defesa a não ser enxergarmos a natureza como a via Spinoza.
Caminhar pelos campos verdes, na luta contra a destruição das
florestas, é sair em defesa contra as serras afiadas do lucro que
rasgam a face verde de Deus e lutar contra os que jamais
caminharam na mata sentindo o orvalho no rosto ou souberam que
natureza e Deus nada mais são que uma mesma oração.
Fernando Rizzolo
Como minimizar o efeito do óleo
de cozinha no ambiente?
Gordura despejada nas pias é
considerada uma grande inimiga quando o assunto é tratamento de
água e esgoto. Caso o tratamento de caixas de gordura não seja
feito rotineiramente, fluxo barrado pela gordura poderá voltar às
residências, empresas ou comércios
Muitas donas de casa, assim como
empregadas domésticas, diaristas e, em alguns casos, até homens do
lar, tomam algumas medidas no combate à preservação do meio
ambiente. Seja separando resíduos de alimentos, ou, então,
reciclando o lixo gerado por sua residência. Entretanto, um fato,
que para alguns pode parecer simples, faz toda a diferença quando
falamos em preservação ambiental: o descarte inadequado de
produtos como óleo e gordura nos esgotos das residências.
De acordo com dados da Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estima-se que
uma família gere 1,5 litro de óleo de cozinha por mês. Para servir
de parâmetro, 1 litro de óleo é responsável pela poluição de 1
milhão de litros de água, segundo a mesma companhia.
Para Franz Souza, diretor de
planejamento da Mariano e Souza Ambiental, empresa que realiza
tratamento dos efluentes e outros poluentes gerados por diversas
instituições, “o óleo e a gordura utilizados em frituras não se
misturam com a água, pois são insolúveis. Se o mesmo for despejado
na pia ou descartado inadequadamente, os riscos ao meio ambiente
são enormes, podendo causar entupimento das tubulações da própria
residência ou mesmo das galerias e redes de esgotos”.
Após estes empecilhos causados aos
sistemas de esgotos, o problema ambiental se agravará quando este
mesmo óleo de fritura chegar aos rios, córregos e lagoas. O
especialista explica que “com a formação de uma camada sobre a
água, serão aglomerados entulhos e lixos dos mais variados tipos.
Assim sendo, o acúmulo dificultará a passagem da luz, evitando a
oxigenação e a evaporação da água. Causando imediatamente a morte
de qualquer tipo de vida aquática, como a fauna e a flora
brasileira dos rios, lagos e lagoas.
No caso do óleo ser despejado
diretamente no solo, a impermeabilização da terra é o primeiro
resultado. Dificultando, assim, a passagem da água de chuva e
propiciando enchentes.
Souza lista seis alternativas para
contribuir pela preservação do meio ambiente e fazer o descarte
correto do óleo utilizado nas frituras:
Utilize-o na fabricação doméstica de
sabão. Muitas pessoas fazem este produto e necessitam de doações
do produto queimado;
Envie-o para uma entidade que o
reaproveite. Há muitas delas espalhadas por diversos municípios
brasileiros;
Realize o tratamento de sua caixa de
gordura eventualmente. Isso irá contribuir para que o esgoto
gerado por sua residência ou comércio chegue da forma correta aos
rios e esgotos;
Espere o óleo esfriar e coloque-o em
garrafas PET. Quando reunir uma quantidade significativa vá a uma
das muitas redes de varejista que fazem a coleta do produto;
Também é possível transformar o óleo
usado em combustível, mais precisamente em biodiesel. Porém, não é
possível fazer isto em casa. Informe-se sobre os locais de
descarte adequados;
E nunca, em hipótese alguma, despeje
o mesmo na pia, ou, mesmo, nos esgotos de sua rua ou avenida.
A responsabilidade ambiental e a
nova máquina de ponto dos trabalhadores
Enquanto se intensificam campanhas
para conscientizar as pessoas a não usarem sacolas plásticas nos
supermercados, o governo comemora recordes de redução do
desmatamento da Amazônica, o Ministério do Trabalho achou de
adotar uma máquina de marcação de ponto que cospe papel o tempo
todo.
A Portaria 1510 do Ministério do
Trabalho, instituindo as regras para utilização da nova máquina,
promete consumir hectares e mais hectares em papel para fornecer
diariamente aos trabalhadores comprovantes dos registros de
horário.
Eis que o Direito Ambiental se pôs
em campo, invadindo até mesmo o Direito do Trabalho. A Juíza da
48ª Vara do Trabalho de São Paulo concedeu liminar desobrigando
empresas representadas por uma determinada associação de cumprir a
Portaria 1510, escolhendo como um dos fundamentos justamente a
ceifa das árvores: “...a impressão ensejará um gasto indesejável
com papel e tinta, contrariando a tentativa de preservação do meio
ambiente, que vem sendo uma bandeira de luta mundial e que o uso
do sistema de papel, hoje na era da informatização, denota
retrocesso, além de não impedir a fraude, uma vez que é possível o
empregado registrar a saída, imprimir o comprovante e retornar ao
trabalho, da mesma forma que acontece atualmente”, considerou a
magistrada.
Num mundo de alta tecnologia, cada
vez mais digital e virtual, onde até o Judiciário investe
toneladas em informatização, o Ministério do Trabalho destina às
papeladas milhares de empresas e milhões de trabalhadores,
restringindo o uso de entradas USB apenas aos auditores-fiscais do
trabalho, talvez imaginando que a aquisição e uso de pen drives
seria inviável econômica e culturalmente pelos próprios
trabalhadores, o que não deveria ser aprioristicamente dado como
obstáculo, mas sim como um desafio.
O que não se pode mais é segregar, a
pretexto de nossas crônicas ignorância e desigualdade, relegando a
maioria ao século XIX. Custo por custo, aliás, o de aquisição das
novas máquinas pelas empresas não teve a mesma atenção do
Ministério, embora na proporção (a Portaria não distingue pequenas
de grandes empresas) até deveria.A intenção é boa, o resultado
previsto nem tanto. A marcação e impressão individual de
comprovantes na entrada, intervalos e saída do trabalho estima-se
que consumirá o dobro do tempo em comparação com o atual sistema,
formando enormes filas de trabalhadores ociosos para marcação do
ponto, refletindo negativamente na produtividade das empresas. O
Tribunal Superior do Trabalho não considera hora extra o tempo
consumido na marcação de ponto que não ultrapasse cinco minutos na
entrada e outros cinco minutos na saída do expediente. Se a nova
máquina vingar, esse conceito terá que ser alterado, sob pena de
se onerar ainda as empresas com milhares de horas extras por ano.
Tudo isto, repise-se, à custa do sacrifício de milhares de
árvores.
Faz lembrar o palanque histórico de
uma das candidatas à Presidência da República que vivia repetindo,
mesmo quando ainda era Ministra, que a preocupação ambiental deve
ser partilhada por todos os demais Ministérios, por “permear”
todas as grandes decisões em qualquer área. O Ministro do Trabalho
pode ter esquecido deste detalhe ou não dado a devida importância.
Mas o Judiciário Trabalhista ensaia dar, e muita. A liminar
mencionada não é a única, já existem outras se espalhando pelo
país afora, assim como há também liminares indeferidas, colocando
definitivamente a polêmica na ordem do dia.
A ótica ambiental nem seria central,
desacostumados que estamos de lançar mão, ainda, da defesa do meio
ambiente em tudo, tanto assim que o deputado Arnaldo Madeira
propôs projeto de Decreto Legislativo no sentido de cassar a
Portaria 1510, justificando que o Ministério do Trabalho legislou
onde não poderia legislar, substituindo o Congresso Nacional e,
portanto, ferindo a Constituição Federal no seu princípio da
legalidade (ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer
senão em virtude de lei).
Em nome das árvores da Amazônia ou
não, a Portaria 1510 está sob fogo cruzado. É esperar pra ver se
prevalece o desmatamento ou o pretendido controle mais eficaz da
jornada dos trabalhadores, por razões verdes ou de outras matizes.
Ainda que inconfessáveis outros
interesses econômicos pudessem estar camuflados de
responsabilidade ambiental, se esta se cumpre, importa é que se
escreva certo ainda que por linhas tortas, até porque as intenções
sempre são de pouca valia.
Mário Gonçalves Júnior
Dutos: a expansão necessária
Com a inauguração recente do
Gasoduto Rio de Janeiro-Belo Horizonte, o Gasbel II, o Brasil
atingiu 22 mil quilômetros de dutos em operação, entre gasodutos,
minerodutos e dutos submarinos. Ainda é pouco para um país
continental e com produção de peso nos setores do petróleo e da
mineração, principais demandadores desse tipo de transporte.
Ocupando a 16ª posição no ranking
mundial, o Brasil tem malha dutoviária inferior até mesmo a de
países com extensão territorial menor, como México (40 mil
quilômetros), Argentina (38 mil) e Austrália (32 mil), e está
distante dos mais de 400 mil quilômetros dos norte-americanos e
dos 800 mil quilômetros de dutos existentes na União Européia.
É verdade, houve incrementos,
especialmente no caso dos gasodutos, que praticamente dobraram de
extensão em relação ao início da década, chegando aos atuais dez
mil quilômetros. A expansão foi motivada pelo Plangás - Plano de
Antecipação da Produção de Gás, que proporcionou a utilização, em
várias regiões do Brasil, de recursos oriundos de novas
descobertas e do gás associado na Bacia de Campos, anteriormente
queimado nas plataformas.
Os avanços, porém, não mudam o fato
de que malha atual é deficiente e apresenta gargalos na
distribuição de gás no sul do país. Mais do que isso, que a
expansão continua a ser executada de forma ciclotímica, o que gera
prejuízos logísticos e instabilidade para a indústria dutoviária.
No primeiro semestre de 2010, por
exemplo, o segmento passou pelo fundo do vale, com grande
ociosidade na fabricação de tubos e na execução de obras. Na
melhor das situações, algumas empresas conseguiram compensar
parcialmente a ociosidade no Brasil com encomendas e projetos no
exterior, mas a maioria amargou perdas e redução de volume.
Por isso, é grande a expectativa de
que o Plano de Negócios 2010-2014 da Petrobras reative os
investimentos no setor. Divulgado no final de junho, o plano prevê
a aplicação de recursos da ordem de US$ 5,3 bilhões, encerrando o
ciclo de investimentos na ampliação da malha de transporte de gás
natural.
Outro foco de interesse são os
alcoodutos. Existem até o momento três projetos de implantação
desses sistemas: o da PMCC, cujo traçado vai de Uberaba (MG) a
Paulínia (SP); o CentroSul, que ligará o Mato Grosso ao litoral
paulista; e o da Uniduto, de Serrana (SP) a uma monoboia a ser
instalada no Guarujá (SP). Além de discussões relativas à
otimização dos respectivos traçados, encontra-se em curso a
definição dos projetos básicos e a conclusão dos estudos
necessários para o licenciamento ambiental (que recentemente foi
outorgado ao projeto do PMCC).
Se para o segmento de dutos esses
projetos representam oportunidades de negócios, para o país a
formação de infraestrutura de escoamento do etanol produzido no
interior do país para os mercados consumidores interno e externo é
fundamental. Limpo e renovável, o combustível é transportado em
caminhões (leia-se: queimando diesel), que trafegam na
congestionada e deteriorada rede viária brasileira. Essa situação,
no mínimo contraditória, necessita de correções, principalmente em
um país com planos de liderar o mercado mundial de biocombustíveis.
Conteúdo Local
A indústria de fabricação dutos
instalada no Brasil já responde pelo fornecimento grande parte das
demandas do país – o índice de conteúdo nacional da atividade
ultrapassa 90% – e tem sido capaz de superar desafios, como a
construção dos dutos do sistema Urucu-Manaus e de grande diâmetro,
como o do Gasduc III.
Para os projetos do pré-sal está
prevista a instalação de dois mil quilômetros de dutos submarinos.
Embora não tenham sido divulgados os valores de investimentos
previstos pelas empresas para atendimento dessa demanda, já se
observa upgrade não só na capacidade produtiva, como também na
qualidade e sofisticação dos produtos e certificação para as
condições de alta pressão e baixas temperaturas do pré-sal.
Guilherme Pires de Melo
Água na História
O homem primitivo facilmente terá
reconhecido a sua forte dependência da água: primeiramente, para
lhe matar a sede e, depois, para a utilizar na manufactura de
produtos, utensílios e construções que lhe eram essenciais.
Sentiu também como o ambiente lhe
poderia ser adverso em consequência de secas ou de inundações
devastadoras. Não estando apto a aprofundar os conhecimentos sobre
aqueles fenómenos, cedo terá passado a associar a água ao
sobrenatural.
As sociedades primitivas terão
escolhido, preferencialmente para se estabelecer, as proximidades
de rios, que lhes facultavam água, alimentos e até defesa natural.
Além disso, os rios proporcionavam vias privilegiadas de
penetração em territórios a explorar.
Civilizações das mais adiantadas da
Antiguidade floresceram nas planícies dos grandes rios: Amarelo,
Tigre, Eufrates, Nilo e Indo. Nestas sociedades a água era
amplamente usada para a rega, constituindo a produção agrícola o
factor principal de desenvolvimento.
Outras civilizações sediadas em
regiões sem rios de água abundante também basearam o seu
desenvolvimento na água, sendo, porém, esta conseguida à custa de
esforços monumentais. É o caso dos qanats no Irão, galerias de
cerca de 0,70 m de largura e 1,00 m de altura, com desenvolvimento
que atinge 70 km, utilizados desde o século V a.C. para captar
água subterrânea. O comprimento total dos qanats do Irão excede a
distância da Terra à Lua e o caudal total por eles captado é ainda
na actualidade de 700 m3/s. O trabalho na sua construção é
comparável ao das pirâmides no Egipto, mas sem o esplendor destas
por se tratar de obras subterrâneas. A água, que era importante na
vida destas sociedades, passou a estar omnipresente nas
mitologias, associada a deuses e a divindades, e inspirou
numerosas lendas.
O dilúvio aparece descrito com
muitos aspectos comuns nas civilizações hebraica, grega, hindu,
babilónia e inca.
As cosmogenias bíblica, babilónicas
e fenícia explicam a nascença dos seres vivos pela acção da água e
do vento.
Filósofos da Antiguidade Grega
consideravam o Mundo originado a partir do Caos, constituído por
quatro elementos fundamentais: água, terra, ar e fogo. Virgílio
admitia que a água estava na origem de tudo: terra, homens e
deuses.
Em ritos de religiões actuais a água
aparece como agente purificador. Ainda no campo do abstracto, a
água tem sido um tema rico para a Arte - pintura, musica e dança -
e para a Literatura.
O Homem, desde há milénios, adopta
medidas para utilizar a água e dominar os efeitos da sua
ocorrência em excesso. Capta a água subterrânea em poços e minas e
a água superficial nos rios, lagos naturais e albufeiras criadas
por barragens, que asseguram a regularização do caudal.
Há muito que utiliza albufeiras
também para dominar as cheias e criar, por deposição de
sedimentos, solos aptos para cultura. A primeira grande barragem
conhecida é a de El-Kafara, próximo do Cairo, construída há cerca
de 4800 anos e precedida por varias pequenas barragens.
Para defesa contra inundações tem o
Homem construído diques, e, para transporte da água, canais,
aquedutos, túneis e condutas. Para elevar a água a ser utilizada
ou para a retirar de zonas baixas, onde se acumulava causando
prejuízos, construiu utensílios e máquinas hidráulicas.
Um dos primeiros utensílios terá
sido um balde ligado a uma corda, mais tarde suspenso de um gancho
e, depois, de uma roldana, por ser mais fácil exercer forca em
sentido descendente do que no sentido ascendente. A picota (ou
cegonha) ainda se encontra disseminada nos nossos campos. Desde a Antiguidade Clássica, se
utilizaram máquinas de elevação de água, como o parafuso de
Arquimedes, a bomba de dois cilindros de Ctesibios, rodas de água
(movidas por homens ou pela própria corrente de água), noras e
sarilhos.
A forca motriz de origem hidráulica
captada em rodas hidráulicas foi já usada para a moagem de cereais
na Antiguidade Clássica, mas raramente.
Na Idade Media, as condições sociais
e económicas determinaram a tendência para substituir o trabalho
manual por máquinas accionadas pela água.
Nos séculos X e XI expandiu-se a
utilização da roda hidráulica (vertical - a azenha - e horizontal
- o rodízio). No século XIII, rodas hidráulicas funcionavam em
toda a Europa e a sua utilização tinha-se ampliado para o
esmagamento da azeitona e de sementes várias, para o apisoamento
de fibras, tecidos, minérios e pecas metálicas e para o
accionamento de foles de fornalhas. Há analogias entre este
período e o da revolução industrial.
Nos séculos XIX e XX, com o
desenvolvimento científico e tecnológico, o Homem passou a dispor
de materiais, equipamentos e técnicas que lhe permitiram construir
sistemas mais eficazes para a utilização e o domínio de grandes
caudais.
A construção metálica, primeiramente
de ferro fundido e depois de aço, permitiu obter equipamentos
hidráulicos eficientes e condutas de grandes diâmetros capazes de
resistir a pressões elevadas.
As turbinas hidráulicas e as bombas
rotativas vulgarizaram-se na primeira metade do presente século,
ao que esteve associado o desenvolvimento das tecnologias
eléctricas. A produção de energia hidroeléctrica sofreu grande
expansão, tendo contribuído para o desenvolvimento industrial de
muitos países. O betão armado, difundido no início deste século,
veio aligeirar e facilitar a construção de estruturas hidráulicas.