Na ocasião em que o Governo
Serra lançou o Programa Município Verde, há dois anos, alguns
acharam se tratar de uma mera boa iniciativa, que ficaria no
campo das boas intenções. Nada como o tempo para provar que a
preservação e a conservação ambiental consolidaram-se na
agenda política paulista. Demonstrando ser possível conceber
uma política pública de maneira criteriosa, com alto grau de
ousadia, executada com equilíbrio e austeridade, capaz de
atingir as metas pré-estabelecidas e colocar o Estado de São
Paulo na vanguarda das decisões em prol do meio ambiente.
Agora, são
156 cidades certificadas pelo Programa Município Verde Azul,
ante as 44 do ano anterior. Estas cidades foram avaliadas de
acordo com dez diretivas ambientais, a partir de resultados
concretos ou propostas de ações mensuráveis e reportáveis, em
áreas estratégicas como: lixo, esgoto, educação ambiental,
arborização urbana, mata ciliar, combate à poluição, habitação
ecológica, economia de água, canal de participação civil e
estrutura da administração.
O sucesso do
Projeto não ficou somente nos números de municípios
certificados. Diante do governador José Serra, o secretário de
Meio Ambiente, Xico Graziano, apresentou um balanço com os
resultados do projeto ao longo de 2009, com a adesão de 100%
dos municípios paulistas, o preenchimento completo do Plano de
Ação Municipal, que habilita o município a ser avaliado, e a
redução do número de lixões no Estado: eram 143 em 2007 e hoje
são oito. A expectativa é que, até março de 2010, não existam
mais lixões em nosso Estado.
Outro número
surpreendente foi o de nascentes georreferenciadas ao longo do
ano. Foram 86 mil, uma média de 210 nascentes por município.
São números que evidenciam que o problema não está resolvido,
mas demonstram que estamos no caminho e que existem avanços.
Muitos dos municípios, por exemplo, só deixaram de ganhar o
certificado devido ao seu passivo ambiental.
Para 2010, as
prioridades do Projeto serão Educação Ambiental, Coleta
Seletiva e Arborização Urbana, que poderão valer prêmios
extras. Quanto aos investimentos, o governador José Serra
anunciou que R$ 50 milhões estarão disponíveis para os
municípios executarem melhorias ambientais no próximo ano. O
valor é quase o dobro do já investido desde a criação do
Projeto.
Por isso, é
com muita alegria e satisfação que vejo dezenas de municípios
que integram o ranking do Programa Município Verde Azul são
administrados por prefeitos e prefeitas amigos, além daqueles
em que tenho parcerias com vereadores e vereadoras,
demonstrando, cada vez mais, que a preocupação com o meio
ambiente saiu da seara dos ambientalistas, atropelou os
discursos de bom-mocismo ambiental de outrora, para ganhar um
espaço estratégico na administração municipal.
Este
sentimento decorre do meu compromisso com a questão ambiental,
fato evidenciado pela realização de eventos, como os de
Gestores Ambientais, nas cidades de Barra Bonita e Porto
Ferreira, no Debate sobre Mudanças Climáticas, realizado na
Assembléia Legislativa paulista, nos encontros regionais, em
Jaú e Ribeirão Preto, além do mais recente Encontro de
Vereadores.
Em todos
eles, a temática ambiental teve lugar de destaque. Por isso,
convoco aqueles prefeitos e prefeitas, vereadores e
vereadoras, além das lideranças locais de cidades que ainda
não fazem parte deste ranking ambiental, para atentarem à
diretriz do Governo Serra de privilegiar os municípios verde
azuis na liberação de verbas estaduais.
Desta
maneira, fica mais evidente a discrepância entre a posição
tímida do Governo Federal em assumir metas e iniciativas em
prol do meio ambiente em comparação com o Governo paulista,
que entende que não há incompatibilidade entre proteger o meio
ambiente e promover o crescimento econômico. Pelo contrário, o
desafio de economia de baixo carbono cria inúmeras
oportunidades de negócios, com o surgimento de novos setores
na economia, gera empregos e renda, além de estimular a
inovação e o desenvolvimento tecnológico.
Hoje, como
deputado federal, tenho uma certeza – o sucesso de adesão do
Programa Município Verde Azul é uma demonstração clara de que
a proposta de gestão integrada concebida pelo Estado, gerida
em conjunto com os municípios, terá reflexo direto na
construção de uma sociedade mais sustentável, certeza de
melhoria na qualidade de vida dos paulistas, consolidando um
modelo de crescimento ambientalmente correto, socialmente
justo e economicamente viável para as gerações futuras.
Arnaldo Jardim
Produção sustentável na ordem do
dia
Graças à pronta resposta de vários
governos e aos aportes de muitos bilhões de dólares que permitiram
tirar do sufoco indústrias, bancos e grandes corporações em geral,
a crise começou a arrefecer no segundo semestre de 2009. Aos
poucos, a economia se reergueu, e o clima de otimismo se sobrepôs
ao temor que marcou os primeiros meses do ano passado.
Foi nesse contexto de "renascimento
do mercado" que aconteceu o COP-15, encontro de lideranças
mundiais realizado no final de 2009 na capital da Dinamarca. Os
tomadores de decisão de países desenvolvidos e emergentes
discutiram alternativas voltadas a viabilizar o crescimento
econômico aliado à redução das emissões de gases de efeito-estufa.
Com discordâncias
aqui, discursos inflamados acolá, o mundo foi reintroduzido na
onda da "febre verde" que ganhou força após a veiculação do
documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, e a divulgação
do relatório de 2008 do IPCC (International Panel of Climate
Changes), que atribuiu às ações humanas a responsabilidade pelo
aumento nas emissões dos gases de efeito-estufa e o consequente
aumento da temperatura na superfície terrestre.
Muita gente, num
primeiro momento, interpretou a Cúpula de Copenhague como
uma decepção, mas essa avaliação foi um tanto precipitada. Está
certo que o desejo universal de ver os grandes líderes chegarem a
algum consenso sobre a redução das emissões de CO2 foi frustrado.
Porém, há que se reconhecer que não havia como chegar a uma
solução simples! A própria realização do encontro deve, portanto,
ser colocada no âmbito das vitórias.
Prova inconteste
de que os esforços mundiais não têm sido em vão é a decisão do
Fundo Monetário Internacional (FMI) de criar um "Fundo Verde",
estimado em 100 bilhões de dólares. Anunciado em 1º de fevereiro
de 2010 no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Fundo terá a
missão de financiar projetos de baixa emissão de carbono nos
países em desenvolvimento.
Segundo o diretor
do FMI Dominique Strauss-Kahn, as nações emergentes não dispõem de
recursos para financiar a pesquisa e a implantação de métodos de
produção mais limpa - exatamente uma das questões centrais da COP-15.
Ao mesmo tempo, os países riscos continuam às voltas com uma
grande carga de dívida pública, derivada do combate à crise
econômica. O Fundo Verde proporcionaria, assim, os recursos
necessários à implementação das inovações que não podem ser
adiadas, sem colocar em risco a sobrevivência financeira dos
países.
A ênfase dada à questão ambiental em Davos sinaliza que o
mundo está atento à necessidade de dirimir as mudanças climáticas.
Para as empresas, isso significa que a reponsabilidade socioambiental
deve ser incorporada a suas práticas. A tendência é que, dentro de
alguns anos, somente os empreendimentos sustentáveis se mantenham
competitivos. Quem se preparar para esse novo amanhã terá muito
mais chance de atingir o sucesso que merece.
Patrícia Centeno
Brasil - Mudanças no cotidiano
pode evitar a escassez de água
Em todo o mundo, países aderem
programas para economia de água
A escassez de água no planeta já não
é novidade para ninguém. De toda a água de nosso planeta, cerca de
3% é doce, o que não se mostra suficiente para toda a população.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem
11,6% de toda a água doce do planeta. Em pesquisa feita pela
Agência Nacional de Águas (ANA), mostra-se que a demanda de água
nas regiões metropolitanas é maior que a produção atual dos
recursos.
Para impedir
problemas com a falta de água nos próximos 15 anos, será
necessário um investimento de R$ 27,7 bilhões em produção,
tratamento, fornecimento de águas e tratamento de esgotos.
Para evitarmos
que o mundo chegue a essa situação, várias medidas podem ser
tomadas, entre elas está o reuso da água, que já vem sendo
utilizado por muitas empresas para diminuir seus gastos e também
colaborar com o meio ambiente. No Brasil, 80% do esgoto coletado
vai parar em cursos d’água sem receber nenhum tratamento.
A população
também pode contribuir evitando o desperdício de água com pequenas
mudanças no cotidiano em suas casas, propriedades,
estabelecimentos comerciais, etc. No Brasil gasta-se cerca de
cinco vezes mais água do que o necessário. Nosso consumo é de
cerca de 200 litros por dia por pessoa, sendo que a OMS recomenda
gastos de 40 litros por dia por pessoa. Este desperdício todo
preocupa - afinal, o ser humano é capaz de ficar 60 dias sem
comer, mas só resiste cinco sem água.
Vários países têm
adotado programas de conscientização e medidas específicas para
diminuir o desperdício de água. No Japão, por exemplo, os
orientais aproveitam a água depois de tratada em processos
industriais. A água quem vem dos ralos do Box ou das banheiras
também pode seguir por um cano até chegar a um pequeno
reservatório e assim reabastecer os vasos sanitários de
condomínios, hotéis, hospitais, clínicas, etc.
Na cidade do México, o
governo substituiu três milhões e meio de válvulas por vasos
sanitários com caixa acoplada, de 6 litros por descarga,
resultando numa redução de consumo de 5 mil litros de água por
segundo.
Nos Estados
Unidos, além de ser obrigatório o limite de 6 litros para a
descarga, a legislação também limitou a vazão de chuveiros e
torneiras em 9 litros de água por minuto, o que resultou numa
redução de 30% no consumo de água.
O problema da
escassez de água é urgente. Para Sergio Belleza, gerente da
Divisão Tratamento de Águas da Argal Química “programas de
conscientização são necessários em curto prazo. O uso racional da
água tem que ser visto como fator urgente e prioritário. Além
disso, as empresas têm que estar atentas à implantação dos
modernos sistemas de reuso de água”, finaliza o executivo.
Veja abaixo alguns tipos de
reuso de água:
Reuso indireto planejado da água:
ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados
de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou
subterrâneas, para serem utilizados a jusante, de maneira
controlada, no atendimento de algum uso benéfico.
Reuso direto
planejado das águas: ocorre quando os efluentes, depois de
tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga
até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É
o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou
irrigação.
Fonte: CETESB
Aplicações da Água Reciclada
A água reciclada pode ser
utilizada para muitas funções, tais como:
Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe,
faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários,
cinturões verdes, gramados residenciais.
Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas
fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas
ornamentais, proteção contra geadas.
Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de
processamento.
Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de
intrusão marinha, controle de recalques de subsolo.
Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao
fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado,
lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc.
Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água,
aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca.
Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira,
dessedentação de animais.
Programa de conscientização sobre
o uso responsável de sacolas plásticas terá aporte de R$ 19,6
milhões
O investimento será usado em
ações de comunicação e na ampliação do Programa de Qualidade e
Consumo Responsável de Sacolas Plásticas que, de 2007 para cá,
reduziu em 16% o consumo dessas embalagens no Brasil.
A indústria do plástico aprovou para
o triênio 2009-2011 o orçamento de R$ 19,6 milhões que e contempla
o Projeto de Comunicação sobre a imagem dos plásticos e a
continuidade do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de
Sacolas Plásticas. As contribuições desta verba contam com a
participação de toda a cadeia produtiva do plástico.
Esse montante
foram destinados à campanha para reforçar a imagem dos plásticos
como produtos de alto valor agregado, indispensável na vida
moderna, além de sustentáveis, uma vez que podem ser reutilizados
e reciclados (mecânica ou energeticamente). A campanha vem sendo
veiculada nacionalmente nos principais meios de comunicação do
país, divulgando essas práticas e terá continuidade em 2010 e
2011.
O orçamento
também contempla o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de
Sacolas Plásticas, iniciado em 2007 e já implantado em cinco
capitais (São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Goiânia e Brasília).
No ano que vem, Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis serão as
primeiras cidades que receberão o programa, que já apresenta
resultados na redução do consumo de sacolinhas. Em 2011, novas
capitais serão incorporadas ao Programa. Até o final de 2009, a
previsão de consumo dessas embalagens é de 15 bilhões ante 16,2
bilhões em 2008 e 17,9 bilhões em 2007, o que resulta em 16,2% de
redução do início do programa até agora.
São indicativos
de que a qualificação da sacola aliada ao uso responsável gera
efeito concreto. O trabalho tem o objetivo de promover o uso das
sacolinhas fabricadas dentro da norma ABNT 14.937 e a certificação
dos fabricantes dessas embalagens para produzi-las dentro das
especificações. Com isso, o consumidor não precisa mais colocar
uma sacola dentro da outra para carregar as compras ou não encher
totalmente e utilizá-la somente pela metade. Hoje, mais de 3
bilhões de sacolas já são feitas com Selo de Qualidade, por 9
empresas credenciadas. Até 2010, mais 6 empresas deverão ser
credenciadas totalizando 15 no Brasil.
O Programa também
estabeleceu importante parceria com o varejo, a partir do apoio da
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e das associações
estaduais dos supermercados. Assim, mais de 3 mil operadores de
caixa e supervisores das redes de supermercados participantes
(entre elas, algumas das maiores do Pais, como o Pão de Açúcar,
Carrefour, Zaffari, G Barbosa e outras) foram treinados para
orientar os consumidores sobre o uso responsável das sacolinhas.
Para Antônio
Tolentino Neto, superintendente da Associação de Supermercados de
Brasília (Asbra), a importância do Programa das Sacolas está na
sensibilização da população para que coloque em seu dia-a-dia
ações responsáveis, de preservação do meio e cidadania. Já o
presidente da Associação Baiana de Supermercados (Abase), Teobaldo
Luís da Costa, disse que o resultado das ações foi captado desde a
implantação dos programas pilotos: “o consumidor de Salvador
mostrou-se muito dedicado, além de cumprimentar e elogiar a idéia
do Programa”, afirmou Costa.
Para 2010, entre
as ações previstas está, por exemplo, a possibilidade do
treinamento à distância para a implantação do Programa pelo Brasil
a fora, ação essa que poderá ampliar consideravelmente o alcance
do trabalho. A novidade é que estaremos com a Escola de Consumo
Consciente, que atenderá às várias lojas das redes que aderiram ao
Programa.
O esforço
conjunto de convencimento dos consumidores sobre o uso responsável
das sacolas plásticas tem sido forte. A população vem sendo
estimulada pelo governo e pela mídia (imprensa e mídias sociais) a
Reduzirem o consumo, Reutilizarem e Reciclarem as sacolas
(conceito dos 3R’s). Em 2010, projetos sobre a Reciclagem
Energética deverão sair do papel e irão complementar o ciclo –
consumo responsável, reutilização das sacolas, reciclagem
mecânica, transformando o plástico em outros produtos e reciclagem
energética, gerando energia com a queima do lixo – processo no
qual o plástico é fundamental e serve como combustível.
Imagem dos
Plásticos - A necessidade de investimentos no Programa de
Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas e também no
Projeto de Comunicação sobre a imagem dos plásticos nasceu em
2007. Nesta época, a imprensa estava voltada para criticar os
plásticos, ligando a imagem deste produto às mazelas ambientais.
Foi também em
2007 que surgiu, com foco no Paraná, e se espalhou pelo Brasil, um
movimento pelo fim das sacolas plásticas. A crise começou com
críticas às sacolas e ganhou espaço na política. Projetos de Lei
começavam a surgir para a substituição das sacolas convencionais
por sacolas oxi-degradáveis – material que prometia se biodegradar
em seis meses, mas que foi comprovado como um engodo – pois não se
biodegrada mas apenas se fragmenta, tornando-se uma poluição
invisível.
A Plastivida se
estruturou para reunir informações científicas e enriquecer o
discurso. Foram realizadas audiências, reuniões e encontros com
políticos e autoridades com a participação da entidade para
informar a população sobre o engodo dos oxi-degradáveis e se
inserir nessa discussão como entidade representativa dos
plásticos.
Em setembro do
mesmo ano, desenhou-se uma nova crise. Importada pela jornalista e
crítica de moda, Lilian Pacce, surgiu a campanha “I’m Not a
Plastic Bag”, sugerindo o fim das sacolas plásticas. A discussão
foi ampliada e ganhou novas frentes. A imagem dos plásticos mais
uma vez voltou a ser criticada, embora algumas apresentadas fossem
de plástico.
Foi quando a Plastivida,
o INP e a ABIEF estruturaram um grupo específico para trabalhar o
case sacolas plásticas e a imagem dos plásticos como produtos
indispensáveis à vida das pessoas e além disso, sustentáveis. O
Grupo é composto por Comitês estratégicos (Responsabilidade
Socioambiental, Científico e Tecnológico, Institucional e de
Comunicação), cada um com uma frente de trabalho proprio. Dessa
forma, se compõe a ação, necessária para que os plásticos sejam
reconhecidos principalmente por seu valor agregado, seus atributos
sustentáveis e sua indispensabilidade para o cotidiano da
população. Como exemplo, dentre vários outros citamos o caso das
sacolinhas que são 100% reutilizadas como saco de lixo.
Sustentabilidade: impermeabilizar
para preservar
Sustentabilidade: tema que atinge
neste momento uma fase onde o assunto deixa ser um modismo ou
simplesmente explorado comercialmente e passa a fazer parte de um
cenário onde a preocupação com segurança, meio ambiente, conforto
e, principalmente longevidade, se torna tão importante quanto o
tamanho, a localização, e o valor de um determinado
empreendimento.
Como toda mudança
gera desconfiança e apreensão, não será diferente neste caso.
Porém, se voltarmos um pouco na história, veremos que ocorreram
mudanças em diversos setores, produtos, normas e legislações, que
acarretaram quebra de paradigmas e conceitos e que hoje fazem
parte do cotidiano de cada um de nós e não mais conseguimos
conviver sem eles.
É o caso da tão
conhecida ISO 9000, que causou semelhante apreensão inicialmente e
apostas em seu desuso, mas que hoje em dia, aplicada de forma
correta, tem se tornado uma excelente ferramenta para manutenção
da qualidade, bem como para melhoria contínua de produtos,
processos e serviços.
Entende-se por
sustentabilidade aquilo que supre as necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a
suas próprias necessidades (Nosso Futuro Comum, Editora FGV).
Sendo assim quando pensamos em sustentabilidade na
impermeabilização, certamente estaremos pensando não somente na
garantia do conforto e estanqueidade da obra, mas também no
impacto ambiental causado pela aplicação de determinado produto,
na longevidade do mesmo após aplicado, na preservação da estrutura
como um todo e também na destinação final do mesmo quando da
necessidade de sua remoção.
Dessa forma, devemos
assumir uma responsabilidade que vai além simplesmente da garantia
da estanqueidade, mas da responsabilidade sobre o ciclo completo
de vida do produto. Como disse Philip Kotler, professor de
Marketing Internacional da Kellog School of Management na
Northwestern University-USA, "os consumidores julgarão, cada vez
mais as companhias por seu desempenho com respeito ao uso sábio e
eficiente dos materiais e dos processos de produção".
A equação é clara, a
maioria das empresas ainda não despertou ou não sabe como
trabalhar essa nova exigência do mercado consumidor, especialmente
no Brasil onde 92% da população se diz preocupada com as
consequências das mudanças climáticas.
De um lado,
consumidores exigentes e preocupados com as mudanças climáticas do
planeta. Do outro, empresas buscando inovação, resultados
positivos e novos mercados. Mas, na questão da impermeabilização,
qual a preocupação que as indústrias, construtoras, engenheiros e
aplicadores devem ter em relação aos produtos e serviços
relacionados com a preservação das estruturas contra a infiltração
e vazamentos no aspecto da sustentabilidade?
Reconhecer a
necessidade de mudanças, quebra de paradigmas e conceitos
pré-estabelecidos em relação ao assunto.
Canalizar
recursos para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias
visando a melhoria de produtos e processos para o atendimento das
novas solicitações.
Estabelecer um planejamento a curto,
médio e a longo prazo com o objetivo de envolver todo o ciclo de
vida do produto.
Avaliar as
possibilidades para uma maior utilização de insumos reciclados e
recicláveis.
Diminuir a produção de itens à base
de solventes, preferindo os produtos à base d'água, alto sólidos e
até mesmo os híbridos.
Aperfeiçoar as
tecnologias para utilização dos produtos pré-fabricados ou
pré-moldados com o objetivo de viabilizar a sua utilização de
forma mais ampla.
Buscar por fornecedores cada vez mais próximos às instalações
industriais.
Dar preferência
às especificações voltadas à sustentabilidade.
A rotulagem dos
produtos deve conter todas as informações necessárias com relação
ao produto, isto é, o consumidor deve ser informado e ter a
possibilidade de escolha pelo melhor produto.
Implementar a ecoeficiência como
paradigma de atuação.
Os produtos
destinados à impermeabilização em sua grande maioria são derivados
de fontes oriundas do petróleo, como o asfalto, solventes,
polímeros e aditivos e também de recursos esgotáveis como água e
madeira e, certamente, estes mesmos produtos ainda serão por muito
tempo produzidos através destas fontes. No entanto, cabe à
indústria e ao formulador a consciência na utilização destes
recursos através do aperfeiçoamento de tecnologias visando cada
vez mais a diminuição da agressão à natureza e ao próprio ser
humano.
Outro aspecto de
igual importância e preocupação está na redução das emissões dos
compostos orgânicos voláteis (COV), pois tais emissões são
responsáveis de forma direta pela agressão à camada de ozônio.
Podemos dizer que o setor de impermeabilização já possui uma
vantagem com relação ao tema sustentabilidade, pois numa simples
reflexão concluímos que a impermeabilização é proteção e, proteção
contra degradação, portanto, a sustentabilidade já é uma
característica inerente do processo, embora talvez ainda não
tenhamos parado para pensar sobre este ponto de vista.
Neste aspecto
sentimos que estamos um passo à frente de muitos segmentos, porém,
ainda nos falta uma longa jornada para que um dia possamos olhar
para um determinado produto e conhecer todo o seu ciclo de vida,
podendo até prever o seu reúso ou reciclagem, motivo pelo qual o
empenho, dedicação e sentimento de preservação do meio ambiente
devem nos impulsionar a alcançar estes objetivos para que o setor
possa colaborar na melhora da qualidade de vida em nosso planeta.
Adilson Munin
Há cobre em todas as partes
A indústria do cobre lançou na
internet a campanha “Imagine a vida sem”, criada para divulgar
todas as aplicações deste metal, como suas propriedades
bactericidas e sua utilidade nos transportes, energia e
construção. O novo site reflete a presença determinante do cobre
na vida cotidiana.
Como uma forma de explicar as
inumeráveis propriedades e benefícios do cobre, o Instituto
Europeu do Cobre (ECI) desenvolveu um site com fácil acesso à
informação e imagens audiovisuais para explicar que o metal
vermelho está em todos os âmbitos da vida das pessoas.
O site
www.imaginelifewithout.org em sua versão em inglês, conta
agora com uma versão em espanhol:
www.imaginalavidasin.org para a América Latina. A Abertura
conta com um premiado vídeo que, em apenas dois minutos, mostra o
dia-a-dia desde a primeira hora em qualquer cidade do mundo e a
surpreendente presença do cobre ao nosso redor.
Assim, tomar
banho com água quente, sair de carro, conversar pelo celular ou
utilizar um computador são situações cotidianas que não poderiam
acontecer sem o cobre. Esta é a mensagem central da campanha que
busca estimular o conhecimento público sobre as múltiplas
propriedades e aplicações do cobre.
Para Hernán
Sierralta, Diretor de Comunicação do ICA da América Latina “Este é
um grande esforço que hoje está sendo levado a diferentes partes
do mundo, para que as pessoas conheçam o papel fundamental do
cobre na vida”.
“O destaque que damos
ao site está especificamente no vídeo, que com imagens simples e
bem feitas apresenta dados, informações e inúmeros usos que às
vezes não percebemos”, afirmou.
O site promove a
curiosidade e convida o usuário a percorrê-lo. De maneira
divertida, explica que o cobre pode ser moldado para adquirir
qualquer tipo de forma, desde cabos elétricos e tubos a
congeladores. Todas estas aplicações estão baseadas em componentes
de cobre.
Durante os
últimos anos, a indústria do cobre registrou grandes marcos. Em
2008 recebeu o credenciamento da Agência de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos (EPA) por contar com propriedades antimicrobianas
que combatem infecções, tais como MRSA, Clostridium Difficile ou a
gripe, se aplicado em superfícies de contato em espaços públicos.
Esta campanha pretende ampliar o conhecimento sobre o papel
essencial que o cobre desempenha na atualidade.
O vídeo e o site
são complementados com uma publicação intitulada “Curiosidades
sobre o cobre”. Este documento oferece várias informações sobre o
metal, como a de que é um nutriente essencial para todos os
organismos vivos, é totalmente reciclável e pode contribuir para
melhorar a eficiência energética para enfrentar os desafios da
mudança climática.
Belo Monte: a pedagogia da
palhaçada e da corrupção
Começar o ano e retomar o trabalho
nem sempre é muito fácil. Especialmente no que se refere a tarefas
que exigem alguma inspiração, como nosso esforço para denunciar a
grande mentira da "energia barata e renovável necessária para a
solução dos problemas do país" que justificaria a absurda
construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu (com
consequências desastrosas para o continente e também para o
mundo).
Mas há uma hora
em que, inevitavelmente, até mesmo os mais despreocupados tem que
voltar a se mexer: segundo uma nota da Folha de São Paulo de 19 de
janeiro, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse, enquanto
prometia o licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte
para fevereiro, que todo o processo de licenciamento foi
"pedagógico" para os órgãos ambientais do país. E que "o projeto
inicialmente apresentado tinha sérios problemas em relação à
navegação, aos peixes, que teriam mais de cem espécies ameaçadas,
e a áreas de baixa circulação que iriam piorar a qualidade da
água". Mas disse que os principais problemas teriam sido
solucionados durante o processo. Isso me deixou um bocado
revoltado.
Como ele pode dizer
que o licenciamento foi pedagógico? Se nem teve coragem de
aparecer na audiência pública de Altamira, onde, segundo os
ribeirinhos, as comunidades indígenas e o Ministério Público não
houve qualquer condição de diálogo e consulta de fato dos afetados
pelo projeto. E a população da cidade como um todo, que se
esgoelou em gritos de protesto contra a barragem, diante de
técnicos, políticos e burocratas defendidos por forte esquema de
segurança?
Só se for a pedagogia da
tropa de choque e da intimidação. Sobre os outros pontos, que
"teriam sido solucionados ao longo do processo", trata-se de
mentira pura e simples (aqui teríamos a pedagogia da enganação).
Não o foram e não é preciso ir muito longe para provar isso. Basta
recorrer às conclusões emitidas pela equipe de Licenciamento
Ambiental do IBAMA, sobre a análise técnica do Estudo de Impacto
Ambiental de Belo Monte, em documento divulgado no dia 23 de
novembro de 2009, do qual extraio a seguir alguns trechos, e que
pode ser acessado no original clicando-se
aqui .
"Ressalta-se que, tendo em
vista o prazo estipulado pela Presidência, esta equipe não
concluiu sua análise a contento. Algumas questões não puderam ser
analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões
indígenas e as contribuições das audiências públicas". "O estudo
sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que
concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade
e as condições de vida das populações do trecho de vazão reduzida
(que ocuparia grande parte da Volta Grande do Xingu, que teria a
maior parte de seu fluxo de água desviado por canais colossais,
comparáveis ao canal do Panamá ligando o Atlântico ao Pacífico,
conduzindo-o às turbinas da hidrelétrica). "A incerteza sobre o
nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite
inferir a manutenção das espécies, principalmente as de
importância sócio-econômica, a médio e longo prazos (...) Os
impactos decorrentes do afluxo populacional não foram
dimensionados a contento. Conseqüentemente, as medidas
apresentadas, referentes à preparação da região para receber esse
afluxo, não são suficientes e não definem claramente o papel dos
agentes responsáveis por sua implementação. Há um grau de
incerteza elevado acerca do prognóstico da qualidade da água,
principalmente no reservatório dos canais".
Foi com uma certa satisfação
que vi contemplada entre as recomendações dos analistas ambientais
do IBAMA a minha crítica principal, relativa aos desmatamentos,
que serão conseqüência muito mais da abertura de estradas e do
decorrente estímulo à imigração de imensos contingentes
populacionais para a região do que da obra em si: "apresentar
modelagem da projeção do desmatamento considerando os cenários de
implementação e não-implementação do Aproveitamento Hidrelétrico
de Belo Monte". Ou seja, recomenda que sejam feitas simulações
matemáticas computadorizadas (amplamente disponíveis na
atualidade) de como seria o futuro com ou sem a barragem.
Mas cadê a tal
modelagem? Dizem que os empreendedores responderam às 15 outras
recomendações, além desta sobre os desmatamentos, feitas pelos
consultores da Diretoria de Licenciamento Ambiental do IBAMA. Mas
não temos acesso a estes documentos com as respostas! Nem mesmo o
documento acima reproduzido está disponível no site do órgão como
parte do processo de licenciamento ambiental de Belo Monte.
Destaque-se que a legislação brasileira determina publicidade do
EIA/RIMA. Este é mais um dos aspectos do processo de licenciamento
que foram atropelados, nesta gana pela aprovação goela abaixo.
Mas
os jornalões, ao invés de divulgarem as notas de cautela do IBAMA
sobre Belo Monte, preferem reproduzir a bobageira de que "os
principais problemas foram solucionados", do ministro midiático
escorregadio e mascarado, com o penteado do Bozo, sempre
fantasiado de coletes, ao modo de um triste clown. É a pedagogia
da palhaçada.
Mas talvez, pior do que este seja
o ministro-sinistro. No dia 22 de janeiro, a mesma
Folha de São Paulo divulgou trechos do relatório da Operação
Castelo de Areia da Polícia Federal, segundo a qual a empreiteira
Camargo Corrêa pagou uma propina quase R$ 3 milhões para políticos
do PT e do PMDB por conta da obra da eclusa da hidrelétrica de
Tucuruí, também no Pará. O relatório cita, como beneficiários,
integrantes do grupo político de José Sarney, que controla o
Ministério de Minas e Energia. Um manuscrito chega a registrar o
pagamento de propina no valor de R$ 500 mil a um tal "Lobinho",
que, segundo a polícia, é Edison Lobão Filho, o filho do ministro
Lobão, que, aliás, recentemente queixava-se de ter que "mendigar"
a licença ambiental de Belo Monte. Mendigou porque seu grupo é
dependente da roubalheira. Como é possível que, apesar de estar
metido em tanta corrupção, Edison Lobão ainda seja cogitado para
vice da chapa de Dilma Rousseff? Talvez o seja justamente por
isso. Já esta é a pedagogia da corrupção.
A palhaçada e a
corrupção: uma bela dupla para começar o ano, que promete não ser
nada fácil. Minc e Lobão. Que fonte lamentável de inspiração! De
um lado o show midiático, de outro, os negócios escusos. Negócios
que nada mais são do que as tais "tenebrosas transações", da
música de Chico Buarque, que rolavam enquanto "a nossa pátria mãe
tão distraída" dormia, "sem perceber que era subtraída". E aqui,
as muralhas faraônicas que barrariam o Xingu (uma obra comparável
à construção de toda a nova capital), pior do que estranhas, como
as construções de Brasília, seriam "sinistras catedrais" ao deus
do desenvolvimento. Erguidas pelos filhos que erram "cegos pelo
continente", e que imigrariam aos montes para a esta região. Onde,
depois de concluídas as obras, seriam novamente abandonados,
causando imensos desmatamentos que acabariam por destruir não
apenas o Xingu, mas o que resta de toda a Amazônia Oriental. O que
em última análise afetaria todo o planeta, daí o justificado
engajamento de setores ambientalistas da comunidade internacional
na luta contra Belo Monte.
"Vai passar!", cantava-se em
referência a um período, "página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória das nossas novas gerações", que
deveria estar encerrado. Não passou. Citando agora o professor
Oswaldo Sevá, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, a
luta contra Belo Monte é a luta política contra a ditadura militar
que ainda não acabou (ver artigo especial do Correio, "Belo
Monte, Belo Montro"). É possível que quando for publicado,
esse texto já esteja desatualizado, pois, acabo de saber, o Estado
de São Paulo já está prevendo a vergonhosa liberação da Licença
Ambiental para esta semana. Se for o caso, eu posso imaginar que
cada pedra desse velho rio nesse dia vai se arrepiar.
PS: De fato, na
tarde de segunda, 1º de fevereiro, o IBAMA liberou a construção da
barragem. No Xingu, onde eu estava naquela tarde, nem os
banhistas, que se divertiam em mergulhos arriscados, nem os
ribeirinhos ou pescadores pareciam estar cientes ou preocupados
com isso. Por outro lado, disseram-me que quando a decisão foi
transmitida de Brasília, todas as pessoas no supermercado
aglomeraram-se em frente à televisão entre incrédulas e
assustadas. Eles podem ter vencido uma batalha, mas não a guerra.
A luta continua. Na verdade está apenas começando. Eu nunca
duvidei que a máfia dos barrageiros venceria em tudo o que
dependesse de papel, caneta e reuniões em Brasília. Eles dominam a
máquina e ela está lá para isso. Mas barrar efetivamente o rio é
outra história. É só quando começarem os esforços diretos neste
sentido que aqueles que vivem no rio, e do rio, efetivamente do
Xingu, vão entrar na luta contra esta obra que põe em risco mais
do que a nossa floresta ou as populações tradicionais, mas a
economia e a própria democracia do país. Uma roubalheira planejada
há décadas e que serão nossos filhos, netos e bisnetos, todos os
contribuintes brasileiros do futuro que irão pagar.
Rodolfo Salm
Ideias simples no combate às
enchentes
O excesso de chuvas tem causado
diversos problemas nos últimos meses. Desde dezembro, várias
cidades como Cunha, Angra dos Reis e São Luis do Paraitinga se
revezaram nas primeiras páginas dos jornais por causa do drama
causado pela água. Em São Paulo, a situação não é diferente. As
marginais alagam, túneis ficam interditados e o congestionamento
aumenta. Para os cidadãos, conviver com esse transtorno significa
perder tempo e, às vezes, seus bens materiais, como aconteceu com
os moradores do Jardim Romano, na zona Leste.
Um estudo
divulgado recentemente por pesquisadores dos Estados Unidos
revelou que o número de furacões de grande intensidade na região
do Caribe irá dobrar nos próximos anos, em consequência das
mudanças climáticas e do aquecimento da água do mar. Aqui no
Brasil, acredito que já estamos sentindo os efeitos do aquecimento
global. E, provavelmente, a situação só irá se agravar nos
próximos anos. Para contornar essa nova realidade, precisamos nos
adaptar urgentemente.
Na verdade, boa parte dos estragos
causados pelas chuvas poderia ser evitada se houvesse um melhor
planejamento das intervenções humanas. A construção de casas em
áreas de risco, a impermeabilização dos solos nas grandes cidades,
entre outros fatores, potencializaram os problemas e,
consequentemente, as destruições. Em São Paulo, por exemplo, nos
últimos anos a única grande medida para evitar enchentes foi a
construção de piscinões.
Novas ideias que podem
contribuir para reverter a situação já existem. O asfalto poroso,
que tem maior permeabilidade e pode inclusive substituir as bocas
de lobo, já existe no mercado e está sendo testado em algumas
vias, como na região da Capela do Socorro. Pesquisadores da USP
também conseguiram desenvolver um material similar que
substituiria o asfalto em áreas de menor movimento, como
estacionamentos.
Algumas cidades
também estão tentando acabar com a mania de cimentar áreas comuns,
incentivando a manutenção de áreas verdes em praças e calçadas e a
pavimentação ecológica, feita com tijolos intertravados que
facilitam a penetração da água no solo.
Agora, é fundamental que essas
soluções sejam divulgadas, conscientizando a população e exigindo
do poder público o comprometimento para colocar mãos à obra.
Os problemas que
as chuvas estão causando não precisam ser apenas umas desculpa
para culpar autoridades ou para se lamentar do caos. Podem ser
também um bom momento para repensar a ocupação urbana e servir de
pretexto para reformas que se mostram necessárias há alguns
verões.
Gilberto Natalini
Comunidade sustentável: o
trânsito colaborando com o meio ambiente
Que tempo e dinheiro sempre andaram
lado a lado todos sabem. Porém, agora estes dois itens ganham a
companhia de um ponto muito importante para a sobrevivência do
nosso Planeta: sustentabilidade. Isso acontece porque ao
otimizarmos recursos, contribuímos diretamente com o meio
ambiente. Mas como seguir esse conceito de forma efetiva?
Diversas empresas
ao redor do mundo passaram a incorporar esse conceito a seus
produtos e serviços. Assim, surgem aplicativos e ferramentas de
trânsito, tanto para celular, quanto para internet, que foram
desenvolvidas com o objetivo de ajudar motoristas a ganharem tempo
enquanto dirigem. Entre elas, estão o Carona Chevrolet e Carona
Brasil, no Brasil, e o Waze, em Israel.
Lançado
recentemente, o Waze tem conquistado um mercado amplo, com todas
as suas especialidades. Trata-se de um software social de grande
relevância aos motoristas, já que a ideia é que os usuários deixem
o aplicativo em execução no celular enquanto dirigem. A aplicação
envia dados de viagem para um servidor central, que agrega essas
informações e o resultado é a possibilidade de ver o tráfego em
tempo real, entre o usuário e o seu destino.
Esta não é bem
uma novidade: alguns dispositivos de GPS, como o Dash, podem fazer
o mesmo. A inovação é que, enquanto o Dash é um navegador, o Waze
é uma aplicação para smartphone, disponibilizando, assim, mais
recursos como relatórios específicos de um problema encontrado na
rua ou estrada e ainda é capaz de fazer upload de imagens que
serão compartilhadas com outros usuários (como a foto de um
acidente).
A situação da
região é gerada pelo motorista, ou seja, se você é o primeiro
usuário Waze a entrar em uma determina área, os dados do seu
dispositivo são enviados à central e, com isso, um mapa de onde
você está é disponibilizado e, a partir daí, é devolvido aos
demais condutores. Mas se você entrar em uma área onde não existam
pessoas com o Waze, não será possível ter nenhuma ajuda, já que o
aplicativo não será útil. Por isso é chamado de software social,
ou seja, é necessário que haja uma interação entre os demais
usuários, para que todos possam “trocar” informações. Isso mostra
a força e a fraqueza do aplicativo que é gratuito e está
disponível no iPhone e Android, mas ainda não chegou ao Brasil.
O Google Maps,
nos Estados Unidos, por sua vez, começou a processar as
informações de localização dos usuários do Google Maps Mobile, que
permitiram o envio de posições GPS, em tempo real, para seus
servidores. Todos estes dados compilados começam a gerar
informações de trânsito para as vias locais ainda não monitoradas
pelos grandes fornecedores.
Já no Brasil,
existem formas diferentes de driblar o trânsito, como dois
projetos que poupam o seu tempo e ainda ajudam você a economizar
dinheiro.
O Carona Chevrolet e o Carona Brasil foram desenvolvidos
especialmente com a finalidade de aumentar o hábito da carona
entre as pessoas e, com isso, diminuir o número de veículos nas
ruas, bem como a emissão de CO2.
O Carona
Chevrolet, projeto desenvolvido pela LBS Local para a General
Motors, em parceria com a agência McCann-Erickson, facilita o
trajeto das pessoas e ainda oferece rotas personalizadas pelo
próprio usuário. Cada pessoa cria o seu ponto de destino
(conhecido como comunidade) e, a partir de então, os participantes
passam a procurar carona por esses pontos de destinos/passagens. É
possível também trocar mensagens entre os usuários, na seção de
recados, para que cada um saiba qual a melhor carona pegar. Além
de toda a praticidade, a ferramenta oferece as informações de
trânsito, ajudando o motorista a escolher a rota mais adequada no
momento.
O Carona Brasil
faz parte do mesmo segmento do Carona Chevrolet, mas com o
diferencial de não precisar criar uma comunidade de destino. Basta
clicar em “Crie sua jornada”, dentro do site do projeto, e
escolher se quer oferecer carona, pegar uma, ou dividir um táxi.
Outra maneira
inteligente de ficar por dentro do que acontece nas ruas de São
Paulo e do Rio de Janeiro é Apontador Trânsito. Desenvolvido para
o iPhone e Android, o aplicativo traz informações em tempo real do
tráfego das duas capitais, com dados dos sites Apontador e Maplink.
Além disso, faz a listagem e salva seus corredores favoritos,
possui filtros de busca por nome, agrupa trechos de cada corredor
por sentido, e destaca vias com cores diferenciadas. E o mais
importante: é gratuito, eficiente e prático para quem deseja saber
do tráfego com precisão e agilidade. O aplicativo está disponível
na App Store.
Esse cenário nos
mostra a velocidade de disseminação da tecnologia, que baseada no
trinômio tempo-dinheiro-sustentabilidade, trará cada vez mais
ferramentas inteligentes e úteis para usuários em todo o mundo.
Isso sem contar que, futuramente, as informações serão
transmitidas em tempo real, com a possibilidade de visualizar
carros, saber a velocidade do tráfego e, até mesmo criar diversas
rotas em seu próprio celular.
Rafael Siqueira - CTO do
Apontador MapLink
Mudanças climáticas e os países
pobres
Algumas correntes de pensamento,
sobretudo nos países desenvolvidos, entendem que as mudanças
climáticas globais atingirão todos os países, mas em especial os
mais pobres, com repercussões importantes em regiões menos
desenvolvidas. Sob vários aspectos macroeconômicos e ambientais, é
preciso ter cuidado se fazer tal afirmação de modo categórico. Na
verdade, as nações ricas mantêm um modelo de desenvolvimento já
aceito culturalmente, com as externalidades sociais adquiridas
durante mais de um século. Mudança estrutural nesse momento
implicaria surpresas e alterações significativas no status quo de
suas populações.
As mudanças em
modelo produtivo alteram toda a previsibilidade econômica de
lucros nos setores de produção, com impactos importantes
socialmente. As adaptações à nova realidade climática significam
alteração no fluxo de despesa e consumo, devendo criar, inclusive,
mais inseguranças quanto ao fornecimento e oferta de bens em geral
e produtos de alimentação.
Ao mesmo tempo,
os países ricos, sobretudo da União Europeia, não possuem áreas
suficientes para expansão de suas fronteiras agrícolas e produção
de energia. Além disso, em seus mercados a mão-de-obra é mais
valorizada e melhor remunerada, sendo natural uma transferência de
parte da produção e serviços para nações emergentes ou em
desenvolvimento, como se verifica, de modo mais acentuado, com a
China. Prevê-se, em consequência, maior ingresso de recursos
financeiros nessas economias.
Enquanto isso, os
países pobres já sofrem um histórico de dificuldades
socioeconômicas seriíssimas, com muito pouca margem para perdas
maiores provocadas pelas alterações climáticas. Nesse sentido,
podem ser os novos protagonistas de desenvolvimento e suprimento
de energia e alimentos para o mundo.
Como se
considerava até muito pouco tempo atrás que os recursos naturais
eram ilimitados, não eram incorporados nos preços dos produtos a
valoração do meio ambiente e a limitação de recursos naturais na
formação de preço e custos dos produtos e serviços. Com essa
recente aplicação da contabilidade ambiental, esse fator passa a
ter uma importância melhor mensurada, implicando a percepção de
que há melhor custo de oportunidade e racionalidade econômica para
que inovações tecnológicas na produção de alimentos e energia
sejam aplicadas nesses países até agora menos favorecidos. Nesses
termos, outras correntes de pensamento analisam maiores
oportunidades de crescimento e desenvolvimento, com aproveitamento
social, para as nações pobres, neste momento em que o mundo se dá
conta da nova onda de aquecimento global.
Antonio Carlos Porto Araujo
A sustentabilidade ambiental na
infraestrutura de Copa do Mundo
"A questão ambiental, a
sustentabilidade, o aquecimento global eram assuntos que não
chamavam a atenção do mundo e nem entravam na pauta das agendas de
discussões governamentais até a Conferência de Estocolmo em 1972",
frisou Fabio Feldmann, secretário do Fórum Paulista do
Desenvolvimento Social e Climático, alertando que essa conferência
trouxe a todos a responsabilidade de buscar soluções.
Feldmann lembrou da importância da ECO-92, realizada no Rio
de Janeiro: a maior conferência já feita pelas Nações Unidas, e
que produziu excelentes resultados. "Governo e sociedade civil,
juntos, discutiram uma agenda para enfrentar os problemas
ambientais".
Já na Conferência de Copenhague de 2009, "o Brasil firmou-se
muito bem como potência ambiental, detentor do título da maior
biodiversidade do planeta, com biomas importantes que serão
colocados como vitrine para o mundo", assegurou o secretário.
A questão do desmatamento
Para 2014, Feldmann analisa que o tema maior de atenção do mundo,
e que colocará o Brasil na berlinda, será o desmatamento. Essa
será, em sua opinião, uma grande oportunidade para que se façam
manifestações nos estádios chamando a atenção do mundo para o
problema das mudanças climáticas e do aquecimento global. Como o
Brasil possui a maior bacia hidrográfica de água doce do mundo, a
estratégia será demonstrar esse potencial ambiental, desenvolvendo
de maneira acentuada o turismo no país.
Para que isso ocorra, ressaltou pesquisas que indicam a
limpeza como o primeiro fator de escolha dos destinos dos
turistas. "Essa pode ser uma grande oportunidade para São Paulo
resolver seus problemas de resíduos sólidos", sugeriu.
Além disso, Feldmann entende que a mobilidade deve estar
entre as prioridades das autoridades, principalmente por conta da
severidade das chuvas e enchentes. "O momento é de união entre
governo e sociedade na realização de investimentos que atendam
critérios de sustentabilidade. É preciso incorporar a
praticabilidade em conjunto com a pedagogia da sustentabilidade",
ressaltou.
Fonte: Agência Assembleia de
Notícias
Qual a melhor forma de filtrar
água em casa?
Conheça as diferenças entre água
tratada e proveniente de mina
Qual a origem da água que você toma
em casa? Da torneira ou mineral, vendida em galões? Quanto aos
cuidados, qual a melhor forma de eliminar impurezas da água
tratada? Filtrar ou ferver? A qualidade do produto reflete
diretamente na saúde do consumidor. Por isso, é importante ficar
atento e saber sobre a origem e a melhor forma de cuidar dessa
substância essencial à vida.
O biólogo e
diretor técnico da Bioagri Pedro Zagatto, explica que nem todas as
águas são iguais: a oriunda de mina ou considerada “mineral”, por
exemplo, que é engarrafa para venda, não passa por qualquer tipo
de tratamento e possui menor diversidade de minerais do que
aquela proveniente de rios e represas, que é captada e distribuída
à população após tratamento. “A água mineral tem origem em uma
fonte única, então pode apresentar baixa quantidade de elementos
naturais, como cálcio e magnésio. Por isso, só pode ser
comercializada se possuir sais minerais em quantidades mínimas
estabelecidas por lei”, afirma.
Já a água de rio,
possui, em sua maioria, composição homogênea, com alta diversidade
de elementos naturais e essenciais, já que é enriquecida
naturalmente pelos sais minerais retirados das rochas e
sedimentos, ao longo do tempo, explica. Até chegar ao consumidor,
a água passa por um longo processo de tratamento, que deve atender
os padrões estabelecidos pela legislação. Entretanto, a rede de
distribuição por onde passa a água tratada pode sofrer quebra e
infiltração. Por isso, é importante que a água seja filtrada em
casa.
E como tratar
esta água em casa? Ferver pode eliminar micro-organismos, mas
altera o sabor da água. Então, Zagatto recomenda o tradicional
“filtro de barro”, feito de argila, que filtra as partículas, e de
carvão, que retém substâncias orgânicas. Assim, é possível
consumir um produto com mais qualidade e rico em sais minerais.
Legislação
No Brasil, a portaria 518 do
Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) estabelece as normas
de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano,
que não deve ter, por exemplo, sabor e odor. O consumo de água não
tratada pode causar diversas doenças, como diarreia e amebíase.
Segundo a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo de água
contaminada no país já provocou doenças em cerca de dez mil
brasileiros, entre 1999 e 2008.
Mudança de hábitos
Até a década de 70, a população
brasileira consumia, principalmente, água de torneira, filtrada
por filtros de barro. A partir de então, em função da divulgação
da qualidade das águas dos mananciais, que em sua maioria estão
contaminados por esgoto doméstico e propiciam grandes florações de
algas, que muitas vezes dão gosto e odor à água, a população
passou a consumir água mineral (de galão/garrafa). Assim, criou-se
um grande mercado de água mineral e o problema da poluição hídrica
tornou-se de conhecimento popular.
Braskem e Quattor: o novo cenário
petroquímico
A política governamental de estímulo
a criação de corporações nacionais tem mais um integrante, a Nova
Braskem. A compra da Quattor permitiu a formação do 8° maior grupo
do mundo. Odebrecht e Petrobrás, sócios na nova empresa, aumentam
ainda mais o poder no setor. Especialistas demonstram preocupação
com uma eventual mudança de rumo a partir de 2011.
Apesar do risco
político, os desdobramentos somente serão conhecidos no longo
tempo. Os participantes do setor e os consumidores por sua vez,
podem sentir as consequências em um horizonte mais curto. Para
entendê-las, dividirei o artigo em três partes: (a) evolução do
segmento, (b) estratégias e cadeia produtiva e (c) impactos ao
consumidor.
O setor começou a
dar seus primeiros passos na década de 50, com o crescimento da
demanda pelo plástico. Capuava, no ABC paulista, foi o primeiro
pólo petroquímico, em 1972. Camaçari, na Bahia, Triunfo, no Rio
Grande do Sul, e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, completam a
lista. Dois novos projetos – Comperj, no Rio, e Suape, em
Pernambuco, estão previstos para os próximos anos.
Até o ano de
1995, somente a Petrobrás era autorizada a comercializar a nafta,
principal matéria-prima para o setor, seguido pelo gás natural. O
fim do monopólio autorizaria empresas privadas a operar por
intermédio de concessões. Odebrecht, Ipiranga, Ultra, Unipar e
Suzano foram os principais players que aqui se instalaram.
O novo século foi
marcado pela consolidação do setor. A Braskem, sociedade entre
Odebrecht e Mariani, fundada em 2001, cresceu basicamente através
de fusões e aquisições. Tornou-se a líder, sendo a Quattor sua
principal oponente. Neste mercado, economia de escala e
produtividade são aspectos essenciais para sobreviver à
concorrência.
A cadeia produtiva é
composta por grandes empresas, denominadas como 1ª e 2ª geração.
Há nesta etapa o processamento da nafta em produtos, como eteno,
benzeno, polietileno e PVC. A Nova Braskem detém o controle nestes
dois estágios, enquanto sua sócia Petrobrás, o fornecimento da
nafta. Uma rara combinação de monopólios privado e estatal.
A estratégia de
participar em elos anteriores ou posteriores da cadeia é
denominada integração vertical. As empresas que a utilizam tendem
a reduzir a incerteza em suas operações, aumentando suas margens,
uma vez que o lucro permanece dentro de casa. Sua utilização é
propícia em cenários voláteis ou em situações em que controlar a
matéria-prima é um diferencial competitivo.
A cadeia continua
com os fabricantes de 3° geração - empresas grandes, médias e
pequenas. O micro empresário, fabricante de embalagens, sacolas
plásticas, filmes e produtos injetados, têm como opções comprar do
gigante ou importar, tarefa bastante desestimulante para quem é
pequeno. Associações ou cooperativas podem ser uma saída para
aumentar o poder de barganha.
A quantidade de itens
produzidos é imensa. Olhe o interior de seu veículo, os
eletrodomésticos e eletrônicos recém-adquiridos, os brinquedos de
seus filhos, as embalagens de alimentos, bebidas e produtos de
higiene e limpeza. Garrafas PET e sacolas plásticas - as vilãs do
meio ambiente - são os filhos mais famosos e polêmicos.
Vejamos o impacto
nas gôndolas do supermercado. Qual seria sua reação a um aumento
de preços, provocado pelo material utilizado na embalagem? Talvez
aquele produto um pouco mais caro, embalado em papel, vidro ou
metal fosse sua escolha. Para não perder mercado, desenhistas
industriais seriam recrutados, procurando formas para reduzir o
custo.
Este exemplo traz
apenas aplicações em embalagens. Em outros mercados esta
substituição ou readequação não seja possível ou viável, por
condições técnicas ou especificações de projeto.
A decisão final
sobre os impactos desta compra sobre a economia brasileira ficará
sobre a batuta do CADE - Conselho Administrativo de Defesa
Econômica. Aliás, trabalho é que não falta aos seus membros, haja
vista as inúmeras fusões, aquisições e alianças estratégicas que
agitaram o mercado brasileiro.
A surpresa neste
caso talvez não esteja na resposta do órgão, mas sim na rapidez em
sua análise. Além da influência do chefe, outubro está cada vez
mais próximo. Alimentos, varejo, móveis, eletrodomésticos,
eletrônicos e bancos podem esperar um pouco mais.
Marcos Morita
Descarte correto de pilhas e
baterias usadas: um jeito simples de colaborar com o meio ambiente
São muitos os usuários de pilhas e
baterias. Porém, são ainda poucos os que se preocupam em dar um
destino ecologicamente correto para elas e acabam jogando-as fora
no lixo comum, o que é maléfico ao meio ambiente. O maior problema
das pilhas e baterias comuns é a quantidade de metais pesados em
sua composição, como: chumbo, cádmio e mercúrio, além de manganês,
cobre, níquel cromo e zinco. Por ser bioacumulativo, esse
material, quando depositado em lixões e aterros sanitários, pode
vazar e contaminar o lençol freático, o solo, os rios e os
alimentos, e, desta forma, gerar danos às pessoas e animais.
Aproximadamente
1,2 bilhões de pilhas secas (zinco-carbono) e alcalinas (hidróxido
de potássio ou de sódio – zinco) e 400 milhões de baterias de
celular são comercializadas anualmente no país. Os dados são da
Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).
Papel, plástico,
vidro, alumínio já são expressivamente reciclados no Brasil.
Contudo, reciclar pilhas e baterias esgotadas ainda não está no
cotidiano do brasileiro. As pilhas e baterias quando recicladas
geram insumos que são utilizados na indústria de refratários,
vidros, tintas, cerâmicas e química em geral. Por isso, é
importante a existência de programas de reciclagem para incentivar
e conscientizar os cidadãos a respeito da correta destinação desse
tipo de material e como ele pode ser reaproveitado.
O Grupo Santander
Brasil, pensando no baixo índice de reciclagem de pilhas,
desenvolve o Programa Papa-Pilhas, que recolhe todo tipo de pilhas
e baterias usadas em lanternas, rádios, controles remotos,
relógios, celulares, telefones sem fio, laptops, câmeras digitais
e outros aparelhos portáteis.
Os consumidores
depositam o material em coletores certificados e uma empresa
especializada faz o transporte seguro do conteúdo até a Suzaquim,
empresa localizada em Suzano, região metropolitana de São Paulo,
que se encarrega da reciclagem. Os coletores Papa-Pilhas ficam
disponíveis à população nas agências bancárias do Grupo Santander
Brasil, além de empresas, universidades e outras organizações
parceiras.
Em 2009, foram
recolhidas 155,5 toneladas destes materiais em 2.068 pontos de
coletas em todo o Brasil. Isto representa um aumento de 22,49% no
volume coletado, comparado a 2008. O crescimento do programa
demonstra que vem crescendo o engajamento da população com a
necessidade de descartar corretamente pilhas, baterias e
celulares, e com isso colaborar com a preservação o meio ambiente.
Confira as dicas sobre o uso
correto de pilhas e baterias:
Colocar pilhas na geladeira não
aumenta a carga, ao contrário, quando expostas ao frio ou calor o
desempenho pode piorar.
Na hora de trocá-las em um
equipamento, substitua todas ao mesmo tempo.
Retire-as se o aparelho for ficar um
longo tempo sem uso, pois podem vazar.
Não misture pilhas diferentes
(alcalinas e comuns; novas e usadas). Isso prejudica o desempenho
e a durabilidade.
Prefira as pilhas e baterias
recarregáveis ou alcalinas. Apesar de custarem um pouco mais, têm
maior durabilidade.
Guarde as pilhas em local seco e em
temperatura ambiente.
Nunca guarde pilhas e baterias junto
com brinquedos, alimentos ou remédios.
Não exponha pilhas e baterias ao
calor excessivo ou à umidade. Elas podem vazar ou explodir.
Pelas mesmas razões, não as incinere
e, em hipótese alguma, tente abri-las.
Nunca descarte pilhas e baterias no
meio ambiente e não deixe que elas se transformem em brinquedo de
crianças.
Evite comprar aparelhos portáteis
com baterias embutidas não removíveis.
Compre sempre produtos originais.
Não use pilhas e baterias piratas.