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 Edição de Setembro de 2010

21 de setembro, Dia da Árvore

 

 'Quando a última árvore...

...tiver caído,

quando o último rio tiver secado,

quando o último peixe for pescado,

vocês vão entender que dinheiro não se come.

                                    "Martin Luther king"

 

A Natureza aclama sua ajuda.

Neste último século, o meio ambiente vêm sofrendo uma grande e acelerada transformação. E muitas destas alterações na natureza são praticamente irreversíveis a curto ou médio prazo. Se continuarmos com o mesmo ritmo de desenvolvimento, sem procurarmos estabelecer limites ao manejo e preservação dos recursos ambientais, a qualidade de vida no planeta diminuirá drasticamente.

 

Alguns dados alarmantes sobre o meio ambiente:

Entre dois e sete milhões de pessoas sofrerão anualmente com inundações, principalmente nas áreas costeiras onde a pressão demográfica aumenta e nos grandes deltas da África ocidental, da Ásia e do Mississippi. As populações pobres, incluindo as dos países desenvolvidos, serão as mais vulneráveis à mudança climática.

Antes do ano 2080, estimam os especialistas no documento de 1400 páginas, até 3,2 mil milhões de pessoas estarão expostos a uma severa escassez de água e 600 milhões à fome por causa das secas e da degradação e salinização do solo.

Os cientistas advertiram que o aquecimento afectará todas as formas de vida na Terra. "Entre 20 e 30 por cento das espécies vegetais e animais terão um risco crescente de extinção se o aumento da temperatura mundial se situar entre 1,5 e 2,5 graus centígrados por comparação a 1990", advertiu o IPCC.

A incidência de furacões nível 5 está aumentando consideravelmente. Em 2005, somente em torno do Oceano Atlântico, foram registrados 15 do tipo;

Nas últimas décadas, a média da temperatura mundial foi elevada em 0,7°C. No sul do Brasil, o aumento foi de 1,4°C;

Em 2005, aconteceram 360 desastres naturais, um aumento de 18% em relação a 2004; Em 25 anos, 620 mil mortes foram registradas em virtudes de desastres naturais; Desmatamentos e queimadas lançam, anualmente, mais de 200 milhões de toneladas de carbono na atmosfera;

Entre 2002 e 2005, a Amazônia perdeu 70.000km² de seu território em virtude de desmatamentos e queimadas indiscriminadas;

Até o final do século, prevê-se um aumento de até 7°C na temperatura da região semi-árida do nordeste brasileiro;

 

 

Atualmente, cerca de 1,2 bilhões de pessoas se encontram no estado de alta pobreza devido às condições climáticas de suas regiões;

Nos próximos 50 anos, o nível do mar deve subir entre 30 e 80cm, devido ao derretimento das calotas polares;

O aumento de temperatura registrados nos últimos 50 anos foi de 3°C;

O Brasil é quarto maior poluidor do planeta;

Nos últimos 12 anos, na Antártica já foram perdidos 14km² de gelo;

O prejuízo estimado com os desastres ambientais dos últimos 10 anos é de 570 bilhões de dólares;

 

Denuncie:

Denúncias relacionadas a agressões ambientais podem ser tratadas diretamente com o IBAMA, através da Linha Verde. A Linha Verde é um canal do Ministério do Meio Ambiente que, por meio da Ouvidoria do IBAMA, acolhe denúncias, sugestões e reclamações ligadas a temas ambientais.

Sua denúncia pode ser feita gratuitamente pelo telefone 0800-61-8080 ou pelo e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br

É necessário informar os dados mais precisos, para que a apuração da denúncia seja acelerada.

 

Seja voluntário da natureza.

Faça desse dia 21, um dia Especial para você, PLANTE UMA ARVORE.  Salvar a natureza,é salvar a própria vida.

 

 

Marcio Demari

Planeta Voluntários -  Porque ajudar faz bem ! - http://www.planetavoluntarios.com.br


São Paulo reduz poluentes

Combate à poluição melhora o ar da cidade

 

 

O trabalho de redução de poluentes que vem sendo desenvolvido na cidade de São Paulo já mostra resultados. O ar da cidade está 20% melhor, o que se deve ao conjunto de medidas que incluem restrição aos caminhões e inspeção veicular ambiental, programa implantado em 2008 e hoje extensivo a todos os  carros, motos, ônibus e caminhões com placa da capital paulista. 

Avançar em políticas públicas de monitoramento do meio ambiente é fundamental para uma cidade cuja frota chega a quase 100 milhões de veículos. As ações que vêm sendo implantadas pela prefeitura, e que incluem o combate à poluição visual, sonora e da água, estão propiciando melhor qualidade de vida aos paulistanos. “Estamos convictos da necessidade desses iniciativas”, afirma o prefeito Gilberto Kassab.

Com cerca de 12 milhões de habitantes, São Paulo quer sair da lista das cidades com um dos mais altos índices de poluição ambiental. Seus automóveis lançam na atmosfera 70% de toda a poluição que compromete a qualidade do ar e compromete a saúde da população. Com menos poluentes aumenta a expectativa de vida dos habitantes de São Paulo.


Medidas complementares

Em paralelo ao combate à poluição sonora, visual e ambiental, a prefeitura de São Paulo está investindo na manutenção das áreas verdes e na revitalização de canteiros em grandes avenidas e praças, como forma de humanizar o espaço urbano.

Para o trabalho foram capacitados 371 trabalhadores desempregados e comunidades de bairros. Até o final do ano a meta é formar 1.200 jardineiros para cuidar de mais de 1.000 praças. Além de recuperar a praça e fazer a sua manutenção, as pessoas terão um equipamento limpo e organizado para convivência e lazer”, diz o prefeito de São Paulo.

Outra iniciativa que vem sendo intensificada pelas subprefeituras regionais é a operação cata bagulho. Caminhões se dirigem a todos os bairros da cidade e removem objetos que não têm mais utilidade para os moradores ou são de difícil descarte, como móveis e colchões velhos, pneus, madeiras e eletrodomésticos danificados.

O trabalho de retirar o lixo das ruas é feito gratuitamente e visa proteger a saúde da população, estancar a degradação de áreas e conscientizar os moradores de São Paulo da importância de não despejar quaisquer tipos de produtos nas vias da cidade.


Estudo revela mais um perigo da geoengenharia

 

Cientistas canadenses alertam que a idéia de "fertilizar" os oceanos para que capturem mais dióxido de carbono da atmosfera pode resultar na intoxicação de diversas espécies marinhas e inclusive do próprio ser humano
    Pesquisas divulgadas recentemente demonstram que ainda há muito a se descobrir sobre os complexos e fascinantes processos envolvidos na química da rica vida marinha antes de começar a colocar em práticas técnicas de geoengenharia.

    Um estudo lançado na última edição do periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences USA coloca mais um obstáculo para a idéia de adicionar ferro aos oceanos visando aumentar a absorção do dióxido de carbono atmosférico.
    Um grupo de pesquisadores liderados pelo ecólogo Charles Trick, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, concluiu em experimentos no Pacífico Norte que o ferro, apesar de ser essencial na nutrição do plâncton, em concentrações muito grandes pode desencadear florações tóxicas.
    Microscópicos organismos, os plânctons, formam a base da cadeia alimentar marinha e o chamado fitoplâncton, que realiza fotossíntese, é responsável por absorver grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.

    Os experimentos do grupo de cientistas confirmaram que adicionar ferro a água do mar aumenta a produção de ácido domóico pelo plâncton do gênero Pseudonitzschia. Este ácido é uma neurotoxina e se acumula em frutos do mar, como ostras, mariscos, siris e lagostas e até em vísceras de peixes, podendo afetar aves e mamíferos. Em humanos causa uma doença chamada ASP (Amnesic Shellfish Poisoning) com distúrbios gastrointestinais, como diarréia, vômitos e dores abdominais, até a dor de cabeça, com alterações no sistema nervoso.
    O gênero pseudonitzschia é um dos muitos que compões o grupo das diatomáceas e é amplamente distribuído nos mares do globo, inclusive na região costeira do Brasil, onde freqüentemente é responsável pela interdição da comercialização de frutos do mar.
    A idéia de ‘fertilização’ dos oceanos como uma forma de seqüestrar o carbono surgiu na década de 1980 e desde então diversos testes controversos tem sido realizados e vários projetos faraônicos têm sido propostos. (leia mais).

De veneno a nutriente
Ao mesmo tempo, outro estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Nature Geoscience demonstra a importância do ferro para incentivar o desabrochar da vida marinha.
    Cientistas australianos e franceses confirmaram pela primeira vez que as águas quentes em fontes hidrotermais ao redor de vulcões submarinos são uma fonte significativa de ferro nos oceanos.
    As mensurações do ferro dissolvido nas profundezas do Oceano Austral, até quatro quilômetros de profundidade, foram feitas comparando com modelos do traço de transporte do gás hélio-3 que também existe nestas fontes hidrotermais e para o qual existem dados disponíveis.
    “Nossas descobertas indicam que o ferro fornecido pelos vulcões nas profundezas marinhas é relativamente constate ao longo de períodos de milênios e, ainda mais importante, ajuda a produzir entre 5% e 15% do estoque de carbono total no Oceano Austral, e em algumas regiões até 30%”, explicou o principal autor do estudo Alessandro Tagliabule segundo o Science Alert.
A    té agora se acreditava que as principais fonte de ferro para o fitoplâncton eram a poeira e os sedimentos na superfície oceânica.
    Os avanços da ciência moderna podem criar choques de antigos paradigmas, abrir novas fronteiras e com isso contribuir para a compreensão do funcionamento dos processos intrínsecos ao planeta. Porém, eles também são um lembrete que apesar de pensarmos que compreendemos o que está acontecendo no meio ambiente, precisamos ser cautelosos, pois certamente ainda nos surpreenderemos muito.

Fernanda Müller
Fonte: Envolverde/Carbono Brasil


Mal-do-Panamá e o Moko atingem plantações de bananeiras

Pesquisa mostra que estas doenças, mesmo em baixa incidência, são as principais em plantações de bananeiras no estado de Alagoas.

 

 

Segundo artigo publicado no periódico Summa Phytopathologica, o mal-do-panamá e o moko, apesar de encontrados em baixa incidência, são considerados os principais problemas em plantações de bananeiras no estado de Alagoas. O trabalho é da autoria de Flávia Waneska Rodrigues de Andrade, pesquisadora da Unidade Acadêmica do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e colegas, e foi disponibilizado na edição de dezembro de 2009.

De acordo com os autores, para colheita de dados, foi realizada pesquisa entre os anos de 2006 e 2007 por meio de visitas a propriedades e coleta de materiais de plantas infectadas em 60 áreas produtoras de banana, em quatorze municípios de Alagoas. Eles explicam que “em cada propriedade foram coletadas amostras de plantas infectadas e, nos casos de sintomas de ataque de nematóides, solo da rizosfera. As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos e levadas ao Laboratório de Fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas”.

Os pesquisadores destacam, entre os resultados do levantamento, que foi registrada a ocorrência de diversas doenças, principalmente causadas por fungos, nos municípios estudados. No entanto, eles asseguram que em nenhum momento do levantamento foi diagnosticada a sigatoca negra, doença mais temida por técnicos e produtores. Mesmo assim, dizem,  “dentre as doenças fúngicas, as mais frequentes foram a sigatoca amarela (Pseudocercospora musae), a mancha de Deightoniella (Deightoniella torulosa), a mancha de Cordana (Cordana musae), todas estas de ocorrência generalizada nos municípios e localidades visitadas e com uma incidência relativamente danosa e a mancha de Chloridium (Chloridium musae) registrada nos municípios de São Luiz de Quitunde, Ibateguara e Palmeira dos Índios. As fitonematoses foram detectadas apenas em alguns municípios: Rhadophulus similis, Igreja Nova, Penedo, Porto Calvo, São Luiz de Quitunde e Santana do Mundaú; Helicotylenchus multicinctus, Igreja nova, Porto Calvo e Ibateguara; Pratylenchus sp., em União dos Palmares, Joaquim Gomes e Palmeira dos Índios; o mal-do-panamá (Fusarium oxysporum f.sp. cubense) encontrado somente em quatro municípios, Igreja Nova, Ibateguara, São José da Laje e Palmeira dos Índios principalmente, em reboleiras, na cultivar comprida, e o moko (Ralstonia solanacearum), em três áreas, Igreja Nova, Penedo e Palmeira dos Índios”.

Para Flávia e colegas, “a presença de importantes patógenos tais como F. oxysporum f. sp cubence e R. similis, mesmo em frequência baixa, exigem medidas de controle, tais como utilização de mudas sadias e rotação de cultura, evitando-se o aumento do inóculo e comprometimento da produção. A presença de R. solanacearum, também em baixa frequência, é ainda mais preocupante, em virtude da gravidade da doença, tendo em vista tratar-se de uma praga quarentenária A2, o que exige medidas de erradicação imediata dos focos, visando impedir o estabelecimento da doença. A não eliminação de plantios velhos e a presença de plantas de banana atacadas pelas doenças nas estradas de acesso às propriedades contribuem para a manutenção dos patógenos na área”. Eles concluem que apesar de mal-do-panamá e moko (Ralstonia solanacearum raça 2) “terem sido encontradas em baixa incidência, estas doenças ainda são consideradas como principais problemas em plantações de bananeiras no estado de Alagoas”..

 

Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)


Economizar Energia!

 

O Brasil desperdiça muita energia, mais de 15 bilhões/ano segundo pesquisa divulgada durante o 7ª Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE), do qual participei. Há tempos tenho dedicado atenção ao desafio de transformar este desperdício em oportunidades. Necessitamos de mais energia para sustentar nosso crescimento e o melhor caminho, sem comprometer ainda mais os nossos recursos naturais, é a economia, a eficiência!

Como coordenador do Grupo de Eficiência Energética da Comissão de Minas e Energia, da Câmara dos Deputados, entendo que “é melhor racionalizar o uso da energia de que dispomos, a energia mais barata e ambientalmente correta é aquela que não precisamos gerar”. Assim, defendo a definição imediata de uma Política Nacional de Eficiência Energética.

Um marco regulatório capaz de impulsionar políticas públicas capazes de  “premiar a eficiência”, tais como: estabelecer os chamados contratos de performance no setor público, por meio de reformulação da Lei 8.666 (que trata de contratos e licitações públicas); impulsionar a inovação tecnológica (ex.: Smart Grid – tecnologia remota para controlar aparelhos em casas dos consumidores para economizar energia, reduzir custos e aumentar a confiabilidade e transparência); aquecer o mercado de “Green Buildings” (prédios sustentáveis); além de disseminar práticas cotidianas de racionalização de energia e consumo de água para a população. 

Além do grau alarmante de desperdício, a pesquisa da ABESCO - Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia aponta que o mercado de implantação de programas de energia eficiente por parte de empresas de conservação de energia (chamadas ESCOs) poderá ser R$ 7.5 bilhões para os próximos cinco anos, considerando-se somente projetos com viabilidade técnica, financeira e de mercado.

Tais projetos de economia de energia, como os apoiados a partir da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), apresentam um custo de R$ 1.100,00 o KW, mas o custo de produção do KW chega a R$1.700,00, se levarmos em conta as estimativas para a mega usina de Belo Monte, o que denota uma remuneração não condizente para viabilizar estes projetos.

Digo isso porque energia eficiente proporciona o uso mais inteligente dos recursos, preserva o meio ambiente e favorece a sustentabilidade do ciclo de negócios de energia. E aos custos de geração devem ser somados outros, de transmissão e distribuição, que inexistem para os projetos de eficiência energética que são – por sua natureza- descentralizados.

Vale destacar que representantes das principais candidaturas à Presidência da República estavam presentes no seminário, o que demonstra a importância estratégica do tema. Como um dos formuladores do programa de governo de José Serra e entusiasta da Economia Verde, destaquei a lei estadual paulista de mudanças climáticas que vai impor à necessidade de ganhos de eficiência em todos os setores da economia, a instalação de aquecedores solares em novas moradias da CDHU, além do uso do poder de compra das instituições públicas para privilegiar produtos/empresas que estejam compromissadas com a eficiência energética.

Na ocasião, também defendi a etiquetagem de produtos/empresas como critério para orientar as concessões de financiamentos/isenções fiscais pelo setor público, a exemplo do que foi feito com a redução do IPI da linha branca, produtos estes que a partir do próximo ano terão de atender normas mais rígidas de economia de energia segundo nova determinação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial). Também destaquei a proposta das “Usinas Virtuais” – o potencial de energia acumulada e que se torna realidade a partir da eficiência energética. Para este último, seria necessário, inclusive, criar um mercado de contratos de ganho em eficiência energética, a exemplo do que já acontece na comercialização dos créditos de carbono estabelecidos pelos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas no combate as mudanças climáticas.  

O Governo Federal publicou recentemente o Plano Decenal de Expansão da Energia 2019, que faz projeções sobre o crescimento da produção de energia e os caminhos para esse crescimento vai seguir. Esse novo plano corrige alguns desvios dos anteriores, principalmente em relação à primazia da geração de energia a partir das termoelétricas. Não podemos esquecer que foram gastos, até agora, R$ 160 milhões a mais na conta de luz dos brasileiros por conta do acionamento de térmicas para suprir o Apagão de 10 de novembro de 2009, que comprometeu a transmissão de energia de Itaipu.

O atual plano prevê a retomada da participação de fontes renováveis na matriz elétrica a partir de 2014, escorada na expansão dos leilões de energia nova da biomassa (cana), usinas eólicas e hidrelétricas. Uma vitória do bom senso!

Em suma, disseminar projetos de energia eficiente é o melhor caminho para aumentar a competitividade do País, além de proporcionar redução de emissão de poluentes e de impactos ambientais e sociais. Estou certo que a eficiência energética vai desempenhar um papel estratégico  na nossa matriz energética!

 

Arnaldo Jardim


Meio ambiente e energia: equilíbrio no fio da navalha

 

 

Um delicado e difícil equilíbrio. Esta poderia ser a síntese que atualmente define a necessidade cada vez mais aguda de conciliar demandas energéticas crescentes com exigências ambientais potencializadas por desastres ambientais, gases de efeito-estufa e o consequente aquecimento global, entre outras sequelas de um modelo energético atrelado ao consumo de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, bastante poluidores. No Brasil, a situação não é diferente.

Embora nosso país apareça relativamente bem na foto das fontes energéticas em relação ao meio ambiente, esse instantâneo não revela os problemas futuros. A matriz energética brasileira é composta majoritariamente por fonte limpa, de hidrelétricas (85%), seguida por outra fonte renovável, as térmicas de biomassa, térmicas a óleo (2,9%), térmicas a gás (2,6%), usinas nucleares (2,5%), térmicas a carvão (1,3%) e usinas eólicas (0,2%). A grande dificuldade está em equacionar um quadro no qual a demanda por energia elétrica é crescente, especialmente se forem confirmadas as previsões que apontam aumento do PIB em 2010 entre 6% a 9%. No quadro atual, com crescimento médio do PIB em torno de 4% ao ano, o país precisará adicionar cerca de 5 mil megawatts anuais para atender à demanda. Mesmo se considerarmos que o Brasil utiliza apenas 26% do seu potencial energético de fontes hídricas, é necessário destacar que as restrições à exploração desse potencial serão cada vez maiores, em virtude das também crescentes – e, em boa parte, justificadas – exigências para aprovação das licenças ambientais, pois a maior possibilidade de construção de novas usinas está na região Amazônica.

Assim, as dificuldades de conciliar exploração hidrelétrica x exigências ambientais devem se intensificar, como mostrou a “novela” da aprovação ambiental da usina de Belo Monte, extraída praticamente a fórceps pelo governo federal, frente aos protestos de técnicos e especialistas no assunto e de entidades ambientalistas nacionais e estrangeiras, com riscos ainda de ter que enfrentar ações judiciais e outros instrumentos restritivos. É evidente que, muitas vezes, falta bom senso aos que pregam a “tolerância zero” em relação à implantação de novas usinas hidrelétricas, mesmo na Amazônia. Não é possível ao país prescindir da energia hidrelétrica, se quiser continuar crescendo. Mas também não é mais possível ignorar que o custo imposto pelas necessárias mitigações ambientais joga esse potencial energético para o limite do antieconômico, fator que diminuiu muito o interesse dos consórcios privados em participar do leilão da usina no rio Xingu.

Essas dificuldades, porém, podem se transformar em oportunidades, se prevalecer - especialmente por parte do governo federal -, uma visão estratégica dessa questão. O Brasil, ao contrário da imensa maioria dos países do primeiro mundo, dispõe de fatores climáticos e de regime de ventos muito favoráveis para implantar duas fontes renováveis de energia, praticamente sem restrições ambientais: a solar e a eólica.

O senão a essas duas fontes energéticas, atualmente, reside na questão econômica: o custo de implantação de sistemas de energia solar e eólica ainda é bastante elevado. O custo do megawatt/hora (MW/h) da energia eólica, em média de R$ 148 por MW/h, equivale hoje a praticamente o dobro comparado ao da energia elétrica – de R$ 78 por MW/h. Os painéis fotovoltaicos geradores de energia solar têm custo estimado em R$ 800/ MW/h. O fator econômico foi utilizado pelo governo para defender Belo Monte ante as eólicas, que custariam, de acordo com Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, R$ 32 bilhões para produzir a mesma quantidade de energia.

A questão é que esse quadro é um retrato deste momento. Mas convém adicionar alguns números para que se possa pensar no longo prazo, no interesse da sociedade e do país. Se tomarmos Belo Monte como parâmetro, cujo custo de construção é previsto pelo governo em R$ 19,8 bilhões, mas que, em “off”, é estimado pelas grandes construtoras e por estatais de energia como Furnas e Eletrosul em torno de R$ 28 bilhões, fica evidente que a implantação de sistemas de energia eólica, especialmente nas regiões costeiras do Nordeste e Rio Grande do Sul, por exemplo, pode ter custo equivalente. E as eólicas poderiam ser mais vantajosas na análise custo de geração do MW/h x benefícios ambientais se levarmos em conta alguns fatores, nem sempre apresentados nesse balanço. O custo de implantação de sistemas eólicos de energia é elevado atualmente porque boa parte dos equipamentos tem de ser trazida do exterior.

 É evidente que, se houver aumento da escala e forte conteúdo nacional no projeto e produção desses equipamentos no Brasil, somados a benefícios que estão sendo concedidos aos consórcios energéticos de Belo Monte e do rio Madeira – financiamento de longo prazo e a juros favoráveis pelo BNDES, isenções fiscais, como as do Imposto de Renda por dez anos, entre outros -, a balança começa a pender para as fontes energéticas “verdes”. Com a vantagem de que, se houver o necessário estímulo ao desenvolvimento tecnológico e produção nacional, assegurado por benefícios tributários/fiscais com rigorosa previsão de término, essa opção pode colocar o Brasil entre os países de ponta na produção de energia ambientalmente correta, favorecendo o crescimento de setores hoje quase desprezíveis do ponto de vista econômico e que podem, no futuro, até exportar essas soluções. Basta haver planejamento, projeto e gerenciamento rigoroso, do ponto de vista técnico e econômico.

Esse pode ser um dos principais caminhos para o futuro energético do país, sem discriminar qualquer outra fonte energética – apenas, equacionando melhor necessidades de energia e preservação ambiental. Não um futuro qualquer, marcado mais pelos interesses na eleição que está chegando, mas sim numa visão estratégica de país, que pode crescer a “taxas chinesas” sem necessariamente ter de adotar a poluição ou a destruição do meio ambiente que caracterizam o gigante oriental. Ou, então, seremos obrigados, nos próximos anos, a assistir à reprise de um filme já gasto, caso se confirmem as atuais previsões de crescimento: o recurso à construção em regime de emergência de termelétricas movidas a óleo ou a carvão (caras – R$ 400/MW/h -, e em geral poluidoras), sob a alegação de que “não há outra saída”. Ou seja, mais uma vez, pode ser usado o já esgarçado chavão para justificar a incapacidade de pensar antes e bem, para realizar o melhor, no tempo e ao custo adequado, em todos os sentidos.

 

Márcio Alberto Cancellara

 


Relatório pede banimento de todo o tipo de amianto
O dossiê levou dois anos para ser concluído

 

O Brasil deverá dar o primeiro passo para banir definitivamente o amianto crisotila. O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso ao dossiê preparado pelo Grupo de Trabalho do Amianto, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, que propõe o banimento de todas as formas de amianto em todo o território nacional e será apresentado para votação na quarta-feira.

Na contramão, há um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo, do deputado Waldir Agnello (PTB-SP), que pretende anular o efeito da lei estadual 12.684/2007, que proíbe a produção, transporte e manuseio do amianto no Estado. A reportagem tentou ouvi-lo, mas não obteve retorno.

O dossiê, cujo relator é o deputado federal Edson Duarte (PV-BA), levou dois anos para ser concluído e reúne, em 683 páginas, informações sobre a cadeia de produção do mineral no Brasil. Foram visitadas fábricas, minas desativadas e em operação e realizadas entrevistas com trabalhadores, médicos e executivos da indústria.

O relatório sugere a desativação da única mina de amianto ainda em operação no Brasil, localizada em Minaçu (GO). Entre outros pontos, propõe a inclusão da substância na lista de substâncias cancerígenas e a criação de uma política de incentivo às indústrias que atuam com amianto para que façam a transição para outra tecnologia. Também critica a atual posição do governo federal em relação à continuidade do uso da substância.


Agência Estado
Fonte: Site Uol


Atitude Assoreada

 

O Brasil se gaba de muitas coisas. De algumas, sem razão alguma, como é o fato de ter uma das maiores cidades do mundo. Longe de ser vantagem, é quase calamidade. Uma aglomeração como São Paulo vai na contramão da qualidade de vida, com a impermeabilização das ruas, a ocupação das encostas, a degradação ambiental causada pela concentração de gases tóxicos etc. Entulhar 70% da população do estado em áreas urbanas traz mais mal do que bem. Mas o Brasil se gaba de outras coisas, e em várias têm razão de orgulho. Por exemplo, dos nossos tesouros subterrâneos. Entre eles, a água. Sim, a água, doce, pura e cristalina, guardada embaixo de nós, a nos unir com Argentina, Paraguai e Uruguai, muito mais do que o quase falido Mercosul: o aqüífero Guarani. E, a se confirmar as prospecções, podemos ser donos da maior reserva de água doce do planeta, a Reserva Alter do Chão, na Amazônia, com cerca de 86 mil km³ de água potável, suficiente para abastecer cdem vezes toda a população mundial

Mas não basta ter água. Precisamos cuidar dela. Uma das metas do milênio, acordo assinado em 2000 por 191 países, é garantir a sustentabilidade ambiental, com o argumento que deveria falar por si: mais de um bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável. A qualidade da água influencia na saúde, por causa do saneamento básico, da preservação das espécies, da qualidade do ar e outros benefícios.

A água que aflora à superfície, boa de beber com as mãos em concha, já não se vê mais. E até os lagos, mercê de nosso descuido e nosso desprezo, vai se perdendo em areia e lodo, virando brejos. O lago do Ibirapuera, por exemplo, cartão postal de nossa metrópole, pode ser o cartão de epitáfio do nosso meio ambiente. Da profundidade original de 2,5m, hoje não tem mais que uma lâmina de 30cm (película quase um décimo da original). Pensou-se em muita coisa para prevenir a degradação do lago. Lembram-se de um prefeito que colocou cisnes para, com seu nado, oxigenar a água? Lembram-se, que pela mesma razão, foi instalado equipamento para promover as águas dançantes? Pois é. Esqueceram-se de que, além disso, era necessário impedir o assoreamento do leito dos lagos; denúncia recente dá conta de que, no – não tão - fundo do lago do Ibirapuera, acumulam-se mais de 80 mil metros cúbicos de detritos, lodo e areia. Esqueceram-se, também, de educar o povo para não jogar lixo naquelas águas (ou em sua proximidade, porque podem ser levados pelo vento e pela chuva). A mesma chuva que, transformada em tempestade, inundou o lago do Parque da Aclimação e praticamente acabou com ele, revelou que o local estava infectado de esgoto doméstico. Pois é. Faltou educação.

O próprio governo precisa estar ambientalmente mais educado. Lei para isso existe. A Política Nacional do Meio Ambiente é definida pela lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Cumprir a lei significa promover coleta seletiva de lixo, fazer campanhas de esclarecimentos, trazer as crianças para ajudar a disseminar a ideia de que, para desassorear rios e lagos, é preciso desassorear as mentes de obstruções provocadas pela preguiça, pelo despreparo e às vezes pela incompetência.

Ricardo Castilho


Floresta contribui para fixar carbono

As queimadas provocadas pelo crescente  desmatamento da Amazônia tem contribuído para aumentar as emissões de dióxido de carbono no ar. Ambientalistas de todo mundo tem se manifestado contrário ao processo de ocupação da Amazônia que não prioriza a floresta sustentável e a biodiversidade.
    O exemplo das florestas de madeiras duras dos Estados Unidos segue o caminho contrário. A gestão a longo prazo das suas florestas para a produção de madeira sustentável permitem uma contribuição significativa da fixação de carbono. Cada ano, durante os últimos 50 anos, as florestas de madeira duras dos Estados Unidos  armazenaram aproximadamente  110 milhões de toneladas de CO2 ( excluindo todo o material talhado). Se trata de uma quantidade capaz de compensar  aproximadamente 10% das emissões anuais de caráter residencial dos Estados Unidos, ou  6% das emissões originadas pelo sistema de transporte do  país.
Esta contribuição direta das florestas de madeiras duras dos Estados Unidos para a fixação de carbono não inclui o carbono fixado a longo prazo como componente nos produtos de madeira. Com vida útil de serviço que podem durar várias gerações, os móveis, assoalhos e elementos de carpintaria fabricados com madeiras duras estadounidenses atuam como armazéns de carbono adicional durante muitas décadas.
     As madeiras duras dos Estados Unidos são utilizadas e reconhecidas como matéria prima sustentável  em todo mundo. No Brasil seu uso tem se intensificado na  produção de  móveis, pisos, portas e decoração de interior. Entre as espécies mais utilizadas estão  nogueira, carvalho, amieiro, bordo,  cerejeira, freixo, entre outras  Para orientar seu uso e auxiliar na área técnica existe uma  entidade chamada AHEC ( Conselho Estadunidense de Exportação de Madeiras Duras) que trabalha na divulgação  das madeiras em diversas frentes e no mundo inteiro.
    O AHEC reúne a maior parte dos produtores de madeiras duras americana, sendo um dos grandes organismos do setor de base florestal mundial que incentiva o uso da madeira na indústria do móvel.  No caso de aplicações no Brasil se adaptam perfeitamente , não competem com as espécies tropicais amazônicas , possuem um forte apelo de sustentabilidade e podem contribuir para agregar valor ao produto final.  Maiores informações sobre suas características e usos estão no site www.ahec-mexico.org ou pelo e-mail ahec@porthuseventos.com.br  

 


A sustentabilidade nos alicerces do desenvolvimento

 

O bilionário americano Sam Zell, do grupo Equity International, esteve no Brasil nos dias 23 e 24 de junho passado para verificar oportunidades e expandir investimentos no País. Zell, que já tem participações em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, afirmou na ocasião que o país vai muito bem, disse não temer o risco de superaquecimento da economia e elogiou a opção brasileira por apostar no crescimento sem abrir mão da disciplina fiscal.

A percepção de Zell está correta. De fato, o Brasil desponta hoje, no cenário mundial, como o mais promissor dos países emergentes.

Mas há lacunas que precisamos preencher nas áreas de infraestrutura – e este quesito abrange um amplo escopo, que vai da universalização do acesso aos serviços básicos de saneamento à ampliação e melhoria dos portos, aeroportos e rodovias, do suprimento das carências da população em termos de moradia à construção de usinas que gerem a energia necessária ao crescimento do País.

Há, evidentemente, uma clara intenção por parte dos governos federal e estaduais de converter o Brasil num amplo canteiro de obras. E será muito sábio otimizá-las, ou seja: além de materializar tudo aquilo de que o País precisa, os responsáveis pelas grandes e pequenas obras que estão previstas devem estar atentos à questão ambiental.

Isso é necessário por dois motivos. Primeiramente, é imprescindível cumprir uma agenda importante para o povo brasileiro, que cada vez mais clama pelo respeito ao meio ambiente e pela atenção aos problemas sociais. Em segundo lugar, existe uma possibilidade real de gerar créditos de carbono para o País. Neste sentido, os cuidados ambientais se transformam em bom negócio.

Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. A redução da emissão de outros gases de efeito estufa (GEEs) também pode ser convertida em créditos de carbono – para isso, utiliza-se o conceito de carbono equivalente.

Esses créditos podem ser negociados no mercado internacional, onde, grosso modo, os países industrializados adquirem créditos dos países em desenvolvimento, e, dessa forma, obtêm uma espécie de aval para emitirem GEEs em suas atividades.

O crédito de carbono é gerado quando uma empresa consegue diminuir suas emissões abaixo das cotas determinadas pelas leis em vigor. Quando isso acontece, ela pode vender, a preço de mercado, o excedente de "redução de emissão" ou "permissão de emissão".O setor da construção civil responde por 40% do consumo de energia, 30% do uso de matérias-primas, 20% da água, 40 % das emissões globais de GEEs, 30 % dos resíduos sólidos descartados e 20 % dos efluentes líquidos lançados nos corpos d’água. É um setor que, por sua própria natureza – sem trocadilhos! –, gera imenso impacto ambiental. Por outro lado, gera empregos para mais de 110 milhões de pessoas ao redor do mundo e recebe investimentos da ordem de três trilhões de dólares anuais.

Unindo agora as pontas de raciocínio, temos um setor economicamente forte, vital para o crescimento econômico de qualquer país, e em especial do Brasil, mas que ao mesmo tempo é ávido consumidor de recursos – e, justamente por isso, pode se transformar em gerador de créditos de carbono, na medida em que for capaz de tomar providências que o tornem sustentável.

Um primeiro passo é o uso exclusivo de madeira certificada, ou seja, oriunda exclusivamente de manejo sustentado. O Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) forneceu as metodologias necessárias para que se estime a contribuição dos Produtos Florestais Madeireiros na redução do carbono atmosférico (antes de se tornar matéria-prima, a madeira é árvore, que, quando jovem, captura CO2 da atmosfera). A Organização Internacional de Padronização (ISO) já está desenvolvendo uma norma técnica que permita a contabilizar as emissões de GEEs das cadeias produtivas de vários setores, incluindo o da madeira.

Outra medida interessante é priorizar a aquisição de materiais como tijolos e ferro de indústrias que praticam boas políticas ambientais, especialmente no tocante ao uso de energia limpa e à redução do consumo de recursos hídricos. Também é possível implantar, na própria obra, mecanismos para o aproveitamento da luz natural e para o uso racional dos recursos hídricos. Além disso, cada projeto deverá ser pensado de modo a causar o menor impacto possível ao meio ambiente no qual esteja inserido.

Aliando engenharia de alto padrão e criatividade, as empresas brasileiras responsáveis por tocar as obras que vão colocar o Brasil no caminho do sonhado protagonismo econômico e social poderão desempenhar um papel verdadeiramente transformador – e, principalmente, terão um interessante universo a desbravar no terreno da sustentabilidade.

 

Ieda Novais


“Política Nacional de Resíduos Sólidos é o marco de uma batalha que começa daqui para a frente e reforça o movimento ambientalista”

Frase é do presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, que observa ser difícil acreditar que o Brasil não tivesse uma lei de resíduos sólidos


Após mais de 20 anos no Congresso, foi aprovado o Projeto de Lei 203-B/1991, que regulamenta a reciclagem e disciplina o manejo dos resíduos por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ainda aguardando a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto foi apresentado em 1989 e analisado somente em 1991, voltando a pauta em 2001 pelo então deputado Emerson Kapaz.

“É difícil de acreditar que um país grande e urbanizado como o Brasil não tivesse até agora uma lei de resíduos sólidos”, afirma José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). Como a discussão a respeito do tema se delongava no Congresso, a ausência de uma lei que regulasse o setor permitiu até então uma variedade de situações que não eram benéficas para ninguém, principalmente para a saúde pública. A edição de algumas resoluções pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) veio suprir a lacuna legal, cuidando das questões urgentes com a fixação de critérios técnicos para o assunto, entre elas a Política Nacional de Educação Ambiental (lei 9.795/99) e posteriores Estatuto da Cidade (10.257/01) e Política Nacional de Saneamento Básico (lei 11.445/07).

“A lei é o marco de uma batalha que começa daqui para a frente e reforça o movimento ambientalista”, assinala Goldemberg. Segundo ele, a lei é complicada por envolver diversos setores da sociedade, incluindo os catadores de lixo, porém um grande progresso, pois dá instrumentos ao Ministério Público para fiscalizar e punir, criando novos instrumentos de pressão às práticas inadequadas. Se for sancionada pelo presidente Lula (há uma tendência para tal), os governos municipais, estaduais e federal, juntamente com os setores industrial e de comércio e serviços terão quatro anos para se adaptarem. O lixo remanescente da reciclagem irá para os aterros sanitários, que vão substituir os lixões. Porém, essa não será uma tarefa fácil. “Em São Paulo, a Cetesb levou dez anos para acabar com os lixões. Esses problemas terão de ser resolvidos em paralelo”, pondera Goldemberg. De acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), que embasaram o projeto, 59% do lixo produzido no Brasil tem como destino os lixões contra 13% encaminhados para aterros sanitários (destinação correta). Ainda segundo os mesmos levantamentos, dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008.

Em relação ao conteúdo material, a proposta reforça os princípios já fixados em outras leis ligadas ao tema, acrescentando ferramentas que poderão auxiliar no planejamento integrado e compartilhado do gerenciamento de resíduos. Neste sentido, destacam-se a obrigatoriedade de elaboração dos Planos de Gerenciamento de Resíduos por parte do Poder Público e pelos Geradores. O texto indica também quais são os critérios para a elaboração dos mencionados planos, bem como a indicação daqueles que são obrigados a apresentá-los (em evidente inspiração no Estatuto da Cidade). Os municípios com menos de 30 mil habitantes de população urbana, por exemplo, poderão apresentar um Plano Simplificado de Gerenciamento de Resíduos. 

 

É importante lembrar que, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE, apurado em 2000, apenas 63 municípios brasileiros possuem população urbana superior a 30 mil habitantes. Isso significa que, de acordo com o projeto, apenas 8,65% dos municípios seriam obrigados a elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos mais detalhado. Todos os demais municípios (91,34%) estariam incumbidos apenas da elaboração do plano simplificado.


Taxa do lixo

O projeto autoriza o Distrito Federal e os municípios, em contrapartida aos serviços de gerenciamento de resíduos prestados, instituírem e cobrarem a taxa de limpeza urbana, de acordo com os requisitos fixados em lei. Além do pagamento da taxa, o PL prevê que os usuários deverão acondicionar os resíduos para a coleta da forma adequada, cabendo ao Poder Público dar ampla publicidade a respeito dos locais de entrega e horários de coletas (que deverá ser feita “preferencialmente de forma seletiva e com inclusão social”.

Com relação à iniciativa privada, o contato com os procedimentos de licenciamento ambiental já são bem conhecidos e apenas a elaboração de um plano de gerenciamento específico para resíduos passaria a ser novidade em alguns Estados. A importância da logística reversa e do descarte responsável já têm sido exploradas pelo comércio e indústria de modo que, salvo melhor juízo, entende-se que os impactos serão bem menores do que aqueles esperados pelo texto de 2001. Em São Paulo, terminou no último dia 28 de maio o prazo de dois anos dado pela Prefeitura para o cumprimento da Lei 13.316/2002 e do Decreto 49.532/2008, que obrigam empresas fabricantes e distribuidoras (atacadistas) de bebidas, óleos combustíveis, cosméticos, produtos de higiene e limpeza, instalados no município, recomprarem, no mínimo, 75% das garrafas e embalagens plásticas comercializadas e implementarem programas de destinação final ambientalmente corretas para esse material.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa empresas e congrega 152 sindicatos patronais, que abrangem mais de 600 mil companhias e respondem por 11% do PIB paulista – cerca de 4% do PIB brasileiro – gerando em torno de cinco milhões de empregos.


O lixo vira luxo

Empresas que adotam o perfil ecologicamente correto são reconhecidas pelas suas iniciativas e por manter a qualidade de seus produtos. A reciclagem de lâmpadas fluorescentes está entre os processos sustentáveis

Há muito se ouve sobre a necessidade de conscientizar as pessoas e as empresas para o pedido de socorro que emerge da natureza. Hoje, o conceito de reciclagem não se limita mais à simples separação de lixo. Em vez disso, uma nova visão empreendedora toma conta das discussões produtivas e sustentáveis, além do processo que o mundo se encontra de reeducação ambiental. A renovação nos conceitos de lucratividade e o desempenho consciente têm andado em paralelo e fazem parte de discursos político e da abordagem da mídia em geral.

Como forma de regulamentar e incentivar as empresas, alguns órgãos em defesa do meio ambiente desenvolveram listas como o Guide to Greener Electronics (Guia dos Eletrônicos Verdes), do Greenpeace. Para tanto, companhias mundo afora têm lutado para garantir seu espaço de notoriedade e participam de uma “saudável” disputa para serem os melhores negócios ecologicamente corretos, sem perder o padrão de qualidade e aceitação no mercado.

Dentre os requisitos para uma empresa ganhar espaço neste cenário estão a capacidade de “limpar” os seus produtos, ou seja, produzi-los sem utilizar materiais químicos nocivos à saúde; reutilizar e reciclar; além de reduzir o impacto ambiental na produção e logística. Dentro deste contexto, empreendimentos brasileiros despontam como inovadores e referências na produção sustentável.

A Lepri, especializada em pisos e revestimentos cerâmicos, é um desses empreendimentos pioneiros em transformar materiais descartáveis em peças luxuosas, apresentando em 2005 sua linha de produtos sustentáveis. Para o presidente da empresa, José Lepri, “em 2010, que é o Ano Internacional da Biodiversidade, o objetivo é fazer a linha de produtos sustentáveis crescer, amenizando ainda mais o impacto ambiental”. A fabricante diminuiu o uso de matéria prima natural, como argila, madeira e o gás natural. Além disso, desenvolveu processos de produção que diminuem o uso de energia e outros que descartam a utilização de água.

Outra possibilidade encontrada pela Lepri é a de criar peças de cerâmicas que são idênticas à madeira. Para isso, esses produtos são criados a partir da reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Vale ressaltar que, se não for retirado da natureza,  o mercúrio metálico desse material contaminaria o solo e o vidro dessas lâmpadas demoraria 200 anos para se decompor. Desta forma, é possível compreender a importância da responsabilidade socioambiental por parte das empresas.

As adaptações nas linhas de produção e a renovação da responsabilidade social corporativa beneficiam não só a natureza, mas também geram lucro. Segundo José Lepri, nos dias atuais, a valorização do bem-estar do planeta é fundamental para o sucesso de um negócio. “Por meio de processos produtivos mais ecológicos, iniciamos uma tendência no país que, se depender de nós, deixará de ser tendência para fazer parte de vez da nossa cultura”, afirma o empreendedor. De acordo com uma pesquisa dos institutos Market Analysis e Akatu, 34% das pessoas em países ricos afirmam priorizar suas compras em empresas ambientalmente responsáveis. O brasileiro, neste quesito, ainda está aprendendo, já que apenas 12% dos cidadãos procuram saber a procedência dos produtos que consomem. Portanto, o objetivo das pessoas e das fabricantes, ao redor do mundo, deve se reforçar ao longo dos anos: preservar o meio ambiente com atitudes criativas e inovadoras.


Cidades brasileiras adotam medidas para melhora da qualidade do ar

São Paulo, São Bernardo do Campo e Joinville são pioneiras na Inspeção Veicular Ambiental

 

A capital paulista deu o primeiro passo. Desde 2008 realiza a inspeção veicular ambiental. A medida já reduziu as emissões de monóxido de carbono, dióxido de enxofre, de nitrogênio, ozônio, hidrocarbonetos e fuligem - todos esses gases poluentes estão nas fumaças pretas que saem dos escapamentos dos veículos. E os bons resultados levaram a experiência a outras cidades brasileiras.

A prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, iniciou em maio a inspeção veicular voluntária e gratuita nos veículos movidos a diesel. A cidade é a primeira a adotar o teste depois de São Paulo. Os outros municípios da região do ABC também começam a se mobilizar para implementar a inspeção veicular. O programa é discutido no Consórcio Intermunicipal, que reúne as prefeituras da região, cuja frota  é composta por mais de 1,3 milhão de veículos.

Joinville será a primeira cidade de Santa Catarina a fiscalizar e multar motoristas que transitam com veículos em desacordo com as leis ambientais e de trânsito relacionadas à emissão de gases poluentes e ruídos.

 

O laboratório móvel da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Fundema) será usado na análise dos níveis de poluição do ar e sonora. Uma blitz acontece já no mês de agosto. O laboratório móvel é equipado para realizar, em tempo real, a avaliação completa do escapamento de veículos a diesel, gasolina, álcool e gás natural. A fiscalização pode resultar em multas.

 

Desde 1993, o Conama estabelece limites para a emissão de gases poluentes e ruídos por veículos. “A Mastra Escapamentos e Catalisadores está sempre atenta as exigências do Conama e orienta os reparadores e os proprietários de veículos sobre a importância da originalidade do escapamento e catalisador para a aprovação do veículo nas inspeções que reflete diretamente na qualidade de vida nas cidades”, afirma o Gerente de Engenharia e Qualidade da empresa, Valdecir Rebelatto.

 

Quando trocar o catalisador

Um catalisador genuíno, que vem no veículo novo, tem durabilidade mínima de 80 mil quilômetros. Trincas, quebras, derretimento e entupimento da cerâmica também são sinais para a troca imediata, além da não conversão dos gases. Os catalisadores para o mercado de reposição têm durabilidade mínima de 40 mil quilômetros conforme regulamentação do CONAMA. A verificação deve ser feita por profissionais especializados em oficinas e centros automotivos. O motorista deve se atentar na hora da troca pois a partir de abril de 2010 as industrias só podem fabricar catalisadores com conformidade avaliada pelo INMETRO, conforme portaria 346/08. Os lojistas tem até abril de 2011 para comercializar os catalisadores em estoques sem o selo de conformidade. 

 

Quando trocar o escapamento

O escapamento deve ser substituído quando o proprietário notar alterações no nível de ruído do veículo, caracterizado por sopros de gases, chocalhos no catalisador, som estridente, ressonâncias ao trocar marchas, entre outras, e também quando sentir que o veículo está com baixo rendimento (amarrado) ou com excesso de consumo de combustível, é recomendável checar o sistema de escape.

 

Embarque nessa onda verde

Já faz certo tempo que soaram os alertas quanto às condições decadentes da natureza e aos males que a humanidade tem causado ao planeta em que vivemos. Desde então o assunto permeou por entre a mídia e pelo mundo, e a nova onda da sustentabilidade já não é mais tão recente assim. Porém, em meio ao enorme montante de informações sobre o tema, estudos comprovam que sim, a causa verde é a maior tendência do nosso tempo, mas isso só é realidade na teoria.

Estudos apresentados pela TNS Ri e Recherche mostraram que, no Brasil, 8% da população jamais escutou ou muito menos praticou alguma atitude sustentável, e 45% são considerados “ausentes” quanto à causa verde. Os estudos revelaram também que 51% dos brasileiros são considerados “envolvidos”, e apenas 4% “engajados” de fato. Contudo, o que mais me chama atenção e que é importante ser ressaltado, é o fato de que a maioria dos envolvidos é atraída pela economia que a sustentabilidade proporciona, e não pela consciência ambiental. Ou seja, o ponto principal ao se limpar a calçada de casa com a vassoura, e não com água, é a diminuição na conta ao final do mês.

Deixando de lado a questão sobre de quem é a responsabilidade em conscientizar a parte ausente, e até mesmo a envolvida na causa, o fato é que a sustentabilidade e a diminuição no consumo desenfreado são absolutamente necessárias no contexto atual e futuro da humanidade. Se, afinal de contas, a onda verde não é passageira, pelo bem do planeta e também de suas empresas, os empresários podem e devem ser agentes da conscientização.

Seja por falta de opções acessíveis, por desconfiança quanto aos programas ecológicos desenvolvidos pelas empresas, por ausência de conhecimento, ou por outros motivos, muitos consumidores ainda se encontram no grupo dos ausentes quanto à causa. Engajar estes clientes, através de, por exemplo, uma comunicação clara sobre os prejuízos causados pela sua empresa e sobre o que é realizado para reduzi-los, ações ecológicas que incluam o cliente e torne-o parte atuante de suas ações em prol do meio ambiente, relaciona a sua marca à palavra sustentabilidade, acrescenta credibilidade e agrega valor ao seu negócio.

As iniciativas podem ser geradas por empresas de qualquer tamanho e de inúmeras maneiras, seja na produção, em mudanças no espaço físico, na rotina ou nos investimentos. Os lucros devem e continuarão a ser primeiro foco nos esforços do mercado, mas a questão ambiental passará pouco a pouco a ser o que destaca um negócio em meio a tantos outros, e é questão de tempo até que os executivos necessitem assumir uma postura sustentável definitiva.

Gilberto Wiesel 


Amazônia: a outra face de Deus

 

 

Não sei realmente por que, mas naquele dia, caminhando por aquele bosque que mais parecia uma floresta de pínus, fixei os olhos nos meus pés. A terra um pouco umedecida e o ar frio que soprava não me intimidavam, ainda que o sono quisesse me levar de volta à minha casa.

Sempre gostei das florestas, das matas, dos bichos que vivem daquilo, e todas as vezes que estou envolto às árvores, mantendo meu ritmo de caminhada, onde ouço apenas meus passos e os pássaros, penso em Baruch Spinoza (1632-1677), um filósofo do século XVII. Nascido em uma família judaico-portuguesa, seus familiares vinham, havia algum tempo, fugindo da Inquisição. Filho de um rico comerciante, viria a se tornar, posteriormente, um dos maiores pensadores racionalistas dentro da chamada filosofia moderna. Spinoza acreditava que Deus era a engrenagem que movia o Universo, e que os textos bíblicos nada mais eram que símbolos que dispensam qualquer abordagem racional.

Contudo, o mais interessante em Spinoza era sua visão una de natureza e Deus – a natureza como um reflexo da expressão divina.

Por certo, com base nesse ponto de vista, podemos, sim, nos conectar com Deus quando estamos em sintonia com a natureza. Não há por que negar que não existem diversas maneiras de orar; pensar nas questões ambientais, na luta pela sua preservação também é uma forma de oração. Caminhar pela manhã sentindo o orvalho no rosto e o cheiro das folhas de eucalipto é mais do que exercitar os passos firmes em direção ao alto da montanha – é reaver o conceito panteísta de que Deus é naturante e a natureza, naturata (gerada).

Ainda me lembro de quando sobrevoava a Amazônia vindo de um Congresso de empresários na Venezuela dois anos atrás. A imensidão do verde me fez pensar em todas as formas de vida que ali habitavam; era como se eu avistasse de cima a expressão divina da criação. A preocupação com a preservação da Amazônia é uma constante em todos nós, e tudo o que lá habita pertence a nós brasileiros. Por consequência, deve existir um nexo causal, de cunho filosófico-espiritual, entre Deus e a obrigação cívica do nosso povo em tutelar aquela área.

Por isso o governo deve encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para deixar claro que os investidores podem investir em qualquer campo, mas não em terras. Segundo estatísticas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estima-se que a área total do território brasileiro sob propriedade estrangeira chegue a 4,037 milhões de hectares e cresce cotidianamente; além disso, é relevante notar que o levantamento do Instituto não inclui propriedades de empresas supostamente nacionais que, na verdade, são controladas de modo direto ou indireto por capitalistas de outros países.

Sempre que caminho nas minhas manhãs penso na grandiosidade divina e em nossa responsabilidade ambiental como brasileiros. Imagino a expressão de gratidão daqueles seres da floresta, à imagem divina, que nada possuem em sua defesa a não ser enxergarmos a natureza como a via Spinoza. Caminhar pelos campos verdes, na luta contra a destruição das florestas, é sair em defesa contra as serras afiadas do lucro que rasgam a face verde de Deus e lutar contra os que jamais caminharam na mata sentindo o orvalho no rosto ou souberam que natureza e Deus nada mais são que uma mesma oração.

 

Fernando Rizzolo


Como minimizar o efeito do óleo de cozinha no ambiente?

 

Gordura despejada nas pias é considerada uma grande inimiga quando o assunto é tratamento de água e esgoto. Caso o tratamento de caixas de gordura não seja feito rotineiramente, fluxo barrado pela gordura poderá voltar às residências, empresas ou comércios

Muitas donas de casa, assim como empregadas domésticas, diaristas e, em alguns casos, até homens do lar, tomam algumas medidas no combate à preservação do meio ambiente. Seja separando resíduos de alimentos, ou, então, reciclando o lixo gerado por sua residência. Entretanto, um fato, que para alguns pode parecer simples, faz toda a diferença quando falamos em preservação ambiental: o descarte inadequado de produtos como óleo e gordura nos esgotos das residências.

De acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estima-se que uma família gere 1,5 litro de óleo de cozinha por mês. Para servir de parâmetro, 1 litro de óleo é responsável pela poluição de 1 milhão de litros de água, segundo a mesma companhia.

Para Franz Souza, diretor de planejamento da Mariano e Souza Ambiental, empresa que realiza tratamento dos efluentes e outros poluentes gerados por diversas instituições, “o óleo e a gordura utilizados em frituras não se misturam com a água, pois são insolúveis. Se o mesmo for despejado na pia ou descartado inadequadamente, os riscos ao meio ambiente são enormes, podendo causar entupimento das tubulações da própria residência ou mesmo das galerias e redes de esgotos”.

Após estes empecilhos causados aos sistemas de esgotos, o problema ambiental se agravará quando este mesmo óleo de fritura chegar aos rios, córregos e lagoas. O especialista explica que “com a formação de uma camada sobre a água, serão aglomerados entulhos e lixos dos mais variados tipos. Assim sendo, o acúmulo dificultará a passagem da luz, evitando a oxigenação e a evaporação da água. Causando imediatamente a morte de qualquer tipo de vida aquática, como a fauna e a flora brasileira dos rios, lagos e lagoas.

No caso do óleo ser despejado diretamente no solo, a impermeabilização da terra é o primeiro resultado. Dificultando, assim, a passagem da água de chuva e propiciando enchentes.

Souza lista seis alternativas para contribuir pela preservação do meio ambiente e fazer o descarte correto do óleo utilizado nas frituras:

 

 

 

Utilize-o na fabricação doméstica de sabão. Muitas pessoas fazem este produto e necessitam de doações do produto queimado;

Envie-o para uma entidade que o reaproveite. Há muitas delas espalhadas por diversos municípios brasileiros;

Realize o tratamento de sua caixa de gordura eventualmente. Isso irá contribuir para que o esgoto gerado por sua residência ou comércio chegue da forma correta aos rios e esgotos;

Espere o óleo esfriar e coloque-o em garrafas PET. Quando reunir uma quantidade significativa vá a uma das muitas redes de varejista que fazem a coleta do produto;

Também é possível transformar o óleo usado em combustível, mais precisamente em biodiesel. Porém, não é possível fazer isto em casa. Informe-se sobre os locais de descarte adequados;

E nunca, em hipótese alguma, despeje o mesmo na pia, ou, mesmo, nos esgotos de sua rua ou avenida.


A responsabilidade ambiental e a nova máquina de ponto dos trabalhadores

 

 

Enquanto se intensificam campanhas para conscientizar as pessoas a não usarem sacolas plásticas nos supermercados, o governo comemora recordes de redução do desmatamento da Amazônica, o Ministério do Trabalho achou de adotar uma máquina de marcação de ponto que cospe papel o tempo todo.

A Portaria 1510 do Ministério do Trabalho, instituindo as regras para utilização da nova máquina, promete consumir hectares e mais hectares em papel para fornecer diariamente aos trabalhadores comprovantes dos registros de horário.

Eis que o Direito Ambiental se pôs em campo, invadindo até mesmo o Direito do Trabalho. A Juíza da 48ª Vara do Trabalho de São Paulo concedeu liminar desobrigando empresas representadas por uma determinada associação de cumprir a Portaria 1510, escolhendo como um dos fundamentos justamente a ceifa das árvores: “...a impressão ensejará um gasto indesejável com papel e tinta, contrariando a tentativa de preservação do meio ambiente, que vem sendo uma bandeira de luta mundial e que o uso do sistema de papel, hoje na era da informatização, denota retrocesso, além de não impedir a fraude, uma vez que é possível o empregado registrar a saída, imprimir o comprovante e retornar ao trabalho, da mesma forma que acontece atualmente”, considerou a magistrada.

Num mundo de alta tecnologia, cada vez mais digital e virtual, onde até o Judiciário investe toneladas em informatização, o Ministério do Trabalho destina às papeladas milhares de empresas e milhões de trabalhadores, restringindo o uso de entradas USB apenas aos auditores-fiscais do trabalho, talvez imaginando que a aquisição e uso de pen drives seria inviável econômica e culturalmente pelos próprios trabalhadores, o que não deveria ser aprioristicamente dado como obstáculo, mas sim como um desafio.

O que não se pode mais é segregar, a pretexto de nossas crônicas ignorância e desigualdade, relegando a maioria ao século XIX. Custo por custo, aliás, o de aquisição das novas máquinas pelas empresas não teve a mesma atenção do Ministério, embora na proporção (a Portaria não distingue pequenas de grandes empresas) até deveria.A intenção é boa, o resultado previsto nem tanto. A marcação e impressão individual de comprovantes na entrada, intervalos e saída do trabalho estima-se que consumirá o dobro do tempo em comparação com o atual sistema, formando enormes filas de trabalhadores ociosos para marcação do ponto, refletindo negativamente na produtividade das empresas. O Tribunal Superior do Trabalho não considera hora extra o tempo consumido na marcação de ponto que não ultrapasse cinco minutos na entrada e outros cinco minutos na saída do expediente. Se a nova máquina vingar, esse conceito terá que ser alterado, sob pena de se onerar ainda as empresas com milhares de horas extras por ano. Tudo isto, repise-se, à custa do sacrifício de milhares de árvores.

Faz lembrar o palanque histórico de uma das candidatas à Presidência da República que vivia repetindo, mesmo quando ainda era Ministra, que a preocupação ambiental deve ser partilhada por todos os demais Ministérios, por “permear” todas as grandes decisões em qualquer área. O Ministro do Trabalho pode ter esquecido deste detalhe ou não dado a devida importância. Mas o Judiciário Trabalhista ensaia dar, e muita. A liminar mencionada não é a única, já existem outras se espalhando pelo país afora, assim como há também liminares indeferidas, colocando definitivamente a polêmica na ordem do dia.

A ótica ambiental nem seria central, desacostumados que estamos de lançar mão, ainda, da defesa do meio ambiente em tudo, tanto assim que o deputado Arnaldo Madeira propôs projeto de Decreto Legislativo no sentido de cassar a Portaria 1510, justificando que o Ministério do Trabalho legislou onde não poderia legislar, substituindo o Congresso Nacional e, portanto, ferindo a Constituição Federal no seu princípio da legalidade (ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei).

Em nome das árvores da Amazônia ou não, a Portaria 1510 está sob fogo cruzado. É esperar pra ver se prevalece o desmatamento ou o pretendido controle mais eficaz da jornada dos trabalhadores, por razões verdes ou de outras matizes.

Ainda que inconfessáveis outros interesses econômicos pudessem estar camuflados de responsabilidade ambiental, se esta se cumpre, importa é que se escreva certo ainda que por linhas tortas, até porque as intenções sempre são de pouca valia.

 

Mário Gonçalves Júnior


Dutos: a expansão necessária

 

Com a inauguração recente do Gasoduto Rio de Janeiro-Belo Horizonte, o Gasbel II, o Brasil atingiu 22 mil quilômetros de dutos em operação, entre gasodutos, minerodutos e dutos submarinos. Ainda é pouco para um país continental e com produção de peso nos setores do petróleo e da mineração, principais demandadores desse tipo de transporte.

Ocupando a 16ª posição no ranking mundial, o Brasil tem malha dutoviária inferior até mesmo a de países com extensão territorial menor, como México (40 mil quilômetros), Argentina (38 mil) e Austrália (32 mil), e está distante dos mais de 400 mil quilômetros dos norte-americanos e dos 800 mil quilômetros de dutos existentes na União Européia.

É verdade, houve incrementos, especialmente no caso dos gasodutos, que praticamente dobraram de extensão em relação ao início da década, chegando aos atuais dez mil quilômetros. A expansão foi motivada pelo Plangás - Plano de Antecipação da Produção de Gás, que proporcionou a utilização, em várias regiões do Brasil, de recursos oriundos de novas descobertas e do gás associado na Bacia de Campos, anteriormente queimado nas plataformas.

Os avanços, porém, não mudam o fato de que malha atual é deficiente e apresenta gargalos na distribuição de gás no sul do país. Mais do que isso, que a expansão continua a ser executada de forma ciclotímica, o que gera prejuízos logísticos e instabilidade para a indústria dutoviária.

No primeiro semestre de 2010, por exemplo, o segmento passou pelo fundo do vale, com grande ociosidade na fabricação de tubos e na execução de obras. Na melhor das situações, algumas empresas conseguiram compensar parcialmente a ociosidade no Brasil com encomendas e projetos no exterior, mas a maioria amargou perdas e redução de volume.

Por isso, é grande a expectativa de que o Plano de Negócios 2010-2014 da Petrobras reative os investimentos no setor. Divulgado no final de junho, o plano prevê a aplicação de recursos da ordem de US$ 5,3 bilhões, encerrando o ciclo de investimentos na ampliação da malha de transporte de gás natural.

Outro foco de interesse são os alcoodutos. Existem até o momento três projetos de implantação desses sistemas: o da PMCC, cujo traçado vai de Uberaba (MG) a Paulínia (SP); o CentroSul, que ligará o Mato Grosso ao litoral paulista; e o da Uniduto, de Serrana (SP) a uma monoboia a ser instalada no Guarujá (SP). Além de discussões relativas à otimização dos respectivos traçados, encontra-se em curso a definição dos projetos básicos e a conclusão dos estudos necessários para o licenciamento ambiental (que recentemente foi outorgado ao projeto do PMCC).

 

 Se para o segmento de dutos esses projetos representam oportunidades de negócios, para o país a formação de infraestrutura de escoamento do etanol produzido no interior do país para os mercados consumidores interno e externo é fundamental. Limpo e renovável, o combustível é transportado em caminhões (leia-se: queimando diesel), que trafegam na congestionada e deteriorada rede viária brasileira. Essa situação, no mínimo contraditória, necessita de correções, principalmente em um país com planos de liderar o mercado mundial de biocombustíveis.

 

Conteúdo Local

 

A indústria de fabricação dutos instalada no Brasil já responde pelo fornecimento grande parte das demandas do país – o índice de conteúdo nacional da atividade ultrapassa 90% – e tem sido capaz de superar desafios, como a construção dos dutos do sistema Urucu-Manaus e de grande diâmetro, como o do Gasduc III.

Para os projetos do pré-sal está prevista a instalação de dois mil quilômetros de dutos submarinos. Embora não tenham sido divulgados os valores de investimentos previstos pelas empresas para atendimento dessa demanda, já se observa upgrade não só na capacidade produtiva, como também na qualidade e sofisticação dos produtos e certificação para as condições de alta pressão e baixas temperaturas do pré-sal.

 

Guilherme Pires de Melo

 


Água na História

 

O homem primitivo facilmente terá reconhecido a sua forte dependência da água: primeiramente, para lhe matar a sede e, depois, para a utilizar na manufactura de produtos, utensílios e construções que lhe eram essenciais.

Sentiu também como o ambiente lhe poderia ser adverso em consequência de secas ou de inundações devastadoras. Não estando apto a aprofundar os conhecimentos sobre aqueles fenómenos, cedo terá passado a associar a água ao sobrenatural.

As sociedades primitivas terão escolhido, preferencialmente para se estabelecer, as proximidades de rios, que lhes facultavam água, alimentos e até defesa natural. Além disso, os rios proporcionavam vias privilegiadas de penetração em territórios a explorar.

Civilizações das mais adiantadas da Antiguidade floresceram nas planícies dos grandes rios: Amarelo, Tigre, Eufrates, Nilo e Indo. Nestas sociedades a água era amplamente usada para a rega, constituindo a produção agrícola o factor principal de desenvolvimento.

Outras civilizações sediadas em regiões sem rios de água abundante também basearam o seu desenvolvimento na água, sendo, porém, esta conseguida à custa de esforços monumentais. É o caso dos qanats no Irão, galerias de cerca de 0,70 m de largura e 1,00 m de altura, com desenvolvimento que atinge 70 km, utilizados desde o século V a.C. para captar água subterrânea. O comprimento total dos qanats do Irão excede a distância da Terra à Lua e o caudal total por eles captado é ainda na actualidade de 700 m3/s. O trabalho na sua construção é comparável ao das pirâmides no Egipto, mas sem o esplendor destas por se tratar de obras subterrâneas. A água, que era importante na vida destas sociedades, passou a estar omnipresente nas mitologias, associada a deuses e a divindades, e inspirou numerosas lendas.

 

 

O dilúvio aparece descrito com muitos aspectos comuns nas civilizações hebraica, grega, hindu, babilónia e inca.

As cosmogenias bíblica, babilónicas e fenícia explicam a nascença dos seres vivos pela acção da água e do vento.

Filósofos da Antiguidade Grega consideravam o Mundo originado a partir do Caos, constituído por quatro elementos fundamentais: água, terra, ar e fogo. Virgílio admitia que a água estava na origem de tudo: terra, homens e deuses.

Em ritos de religiões actuais a água aparece como agente purificador. Ainda no campo do abstracto, a água tem sido um tema rico para a Arte - pintura, musica e dança - e para a Literatura.

O Homem, desde há milénios, adopta medidas para utilizar a água e dominar os efeitos da sua ocorrência em excesso. Capta a água subterrânea em poços e minas e a água superficial nos rios, lagos naturais e albufeiras criadas por barragens, que asseguram a regularização do caudal.

Há muito que utiliza albufeiras também para dominar as cheias e criar, por deposição de sedimentos, solos aptos para cultura. A primeira grande barragem conhecida é a de El-Kafara, próximo do Cairo, construída há cerca de 4800 anos e precedida por varias pequenas barragens.

 

Para defesa contra inundações tem o Homem construído diques, e, para transporte da água, canais, aquedutos, túneis e condutas. Para elevar a água a ser utilizada ou para a retirar de zonas baixas, onde se acumulava causando prejuízos, construiu utensílios e máquinas hidráulicas.

Um dos primeiros utensílios terá sido um balde ligado a uma corda, mais tarde suspenso de um gancho e, depois, de uma roldana, por ser mais fácil exercer forca em sentido descendente do que no sentido ascendente. A picota (ou cegonha) ainda se encontra disseminada nos nossos campos. Desde a Antiguidade Clássica, se utilizaram máquinas de elevação de água, como o parafuso de Arquimedes, a bomba de dois cilindros de Ctesibios, rodas de água (movidas por homens ou pela própria corrente de água), noras e sarilhos.

 

 

A forca motriz de origem hidráulica captada em rodas hidráulicas foi já usada para a moagem de cereais na Antiguidade Clássica, mas raramente.

Na Idade Media, as condições sociais e económicas determinaram a tendência para substituir o trabalho manual por máquinas accionadas pela água.

Nos séculos X e XI expandiu-se a utilização da roda hidráulica (vertical - a azenha - e horizontal - o rodízio). No século XIII, rodas hidráulicas funcionavam em toda a Europa e a sua utilização tinha-se ampliado para o esmagamento da azeitona e de sementes várias, para o apisoamento de fibras, tecidos, minérios e pecas metálicas e para o accionamento de foles de fornalhas. Há analogias entre este período e o da revolução industrial.

Nos séculos XIX e XX, com o desenvolvimento científico e tecnológico, o Homem passou a dispor de materiais, equipamentos e técnicas que lhe permitiram construir sistemas mais eficazes para a utilização e o domínio de grandes caudais.

A construção metálica, primeiramente de ferro fundido e depois de aço, permitiu obter equipamentos hidráulicos eficientes e condutas de grandes diâmetros capazes de resistir a pressões elevadas.

As turbinas hidráulicas e as bombas rotativas vulgarizaram-se na primeira metade do presente século, ao que esteve associado o desenvolvimento das tecnologias eléctricas. A produção de energia hidroeléctrica sofreu grande expansão, tendo contribuído para o desenvolvimento industrial de muitos países. O betão armado, difundido no início deste século, veio aligeirar e facilitar a construção de estruturas hidráulicas.

Fonte: snirh.inag.pt

 

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