Previsões sobre o passado! Não
estamos diante de um erro conceitual? Não. Na verdade, se trata de
uma simples análise estrutural sobre dúvidas e esperanças que se
somam e se atraem em determinado momento histórico. Análise de um
lugar no tempo que se revela, de maneira metafórica, como um
(hoje) velho sábio que, antes de sê-lo, foi um
vigoroso empreendedor e esperançoso jovem. Como todo jovem, a um
só tempo, além de acreditar que tudo podia, também se cercou de
percalços e incertezas com o novo que se avizinhava, com o porvir
desconhecido, que de um lado, pela curiosidade, o chamava e
atraía, mas, de outro, o assustava pelo temor daquilo que não se
conhece.
O passado, dentro
dessa régua conceitual chamada espaço-tempo, sofreu,
portanto, mutações de forma e conteúdo. Foi um vistoso presente.
E, antes disso, um irreconhecível e precário futuro. E neste
estágio - à época futurista - carregou consigo um pacote de
possibilidades e promessas igualmente frágil e temerário, mas
plenamente belo, diante dos lanços de esperanças que o
embrulhavam.
Parece tudo isso,
à primeira vista, estranho e inadequado. A água que corre no rio
não é a mesma. Alguém dirá até que vivemos numa era mágica e sem
precedentes históricos: a chamada era da informação, com
informações praticamente instantâneas, onde a um só toque numa
tecla, em tempo real e em qualquer lugar do planeta, sabemos de
tudo o que se passa. Câmeras revelam intimidades. Lugares são
lugares e ponto final. Nada de locais inacessíveis. Parece, assim,
até inocente pensar ou se comparar situações e fatos tão
diferentes, não só pelo ineditismo que lhes recobre a origem, mas,
sobretudo, pela grandeza desse novo mundo.
Parece. E nos atrevemos a
dizer, porém, que apenas parece.
Na realidade, pensar diferente disso
se revelaria mais como uma espécie de arrogância moderna, uma
espécie de "estética do tempo". Lembremos que Nicolas Berdyaev,
filósofo russo, já afirmava que a estética é o campo em que Deus e
o diabo travam suas batalhas. Temos, deste modo, de ser
cuidadosos, caso contrário corremos o risco de nos transformar em
algo como um dos habitantes dos asteróides visitados pelo Pequeno
Príncipe, ou seja, o Vaidoso; aquele que, vendo o Pequeno Príncipe
à sua frente, logo perguntou: "mais um admirador?" E pediu: "Por
favor, bata palmas!" O principezinho, sem entender, fez o que lhe
era pedido - bateu palmas. E o Vaidoso se curvou numa larga
reverência, como um artista no palco, agradecendo os aplausos.
Para o arrogante, o mundo é um palco, todas as pessoas são
admiradoras e ele é o centro do espetáculo.
O tempo, porém,
não é uma medida, mas uma qualidade. É impossível se medir, por
exemplo, o tempo com uma fita métrica. Costumamos dar saltos
gigantescos para trás - também chamados de lembranças; e outros
para o futuro, conhecidos como projetos.
Lendo
recentemente obra de Alceu Amoroso Lima, com o sugestivo título “O
Problema do Trabalho”, chamaram a atenção determinadas assertivas
e afirmações por ele feitas ao longo de sua obra, tais como:
“Começamos por ver que o trabalho existe hoje como problema, isto
é, como uma controvérsia entre dados esparsos e soluções
divergentes. É mesmo o maior dos problemas de nossos dias. Em
torno de sua solução giram destinos da nova fase da civilização
que se abriu para a humanidade com as duas guerras do século XX,
cujo resultado mais apreciável foi a ascensão das massas ao poder
e o predomínio social do trabalho (...). Bem se vê que, na
realidade social, nada se passa com essa simplicidade com que
procuramos fixar dados fundamentais do problema. Vivemos em uma
época essencialmente problemática, isto é, em que tudo é posto de
novo em discussão, em que tudo está sujeito à revisão, a
modificações, propostas, a hipóteses, que fazem da instabilidade e
da confusão o próprio clima em que se banham hoje em dia nossas
existências. Simplificar essa confusão. Procurar ver claro onde
tudo se apresenta sombrio. Tentar a esquematização de uma
realidade eminentemente complexa é um dever da inteligência”.
Esse estudo é de 1947,
portanto, tem mais de 60 anos. E, no entanto, é mais atual do que
nunca.
As incertezas - e não importa a
forma em que se apresentam ou como venham vestidas - são as
mesmas. Antes pelos desdobramentos das guerras, hoje pelo
aquecimento global, pelos transgênicos, pela biotecnologia, pelas
novas formas de assédio que surgem diuturnamente nos ambientes de
trabalho. A verdade é que se amoldam de forma absolutamente
iguais, e hoje, como naquele tempo, apresentam-se como problemas
em busca de soluções.
A solução
adequada a essas incertezas provenientes de um futuro passa
exatamente pelo mesmo crivo, pelo mesmo projeto. Passa pelo estudo
objetivo e completo das raízes dos problemas (singulares e
específicos para cada ramo de atividade; para cada empresa). Não
há boa política nem boa economia nem, portanto, boa solução para
as questões do trabalho humano, se não houver uma filosofia que
reflita, como um espelho sem jaça, a verdadeira natureza das
coisas. Das coisas como são, como devem ser e como podem ser.
E deste conjunto
de estudos sobrevêm responsabilidades. De empregadores e
empregados. Numa democracia, Direitos Fundamentais são
proporcionais. Aprendemos, portanto, todos os dias, com erros e
acertos. Direito à Dignidade da Pessoa Humana não significa
desprezo pela autoridade (numa relação de emprego). Logo, uma
estratégia conceitual, pautada em regras claras e informações
precisas deve ser traçada, para servir como uma espécie de elixir
adequado a um relacionamento moderno, alvissareiro e respeitoso no
atual (e futuro) mundo do trabalho.
Destaca-se o fato
de ser imperioso, nesse processo corrente e vertiginoso de
mudanças atuais (e vindouras), que as partes envolvidas na relação
de trabalho tenham e celebrem entre si contratos vivos e efetivos
(convenções e acordos coletivos de trabalho; regulamentos de
empresa; códigos de ética e de conduta; políticas internas;
contratos individuais de trabalho próprios e específicos e não
padronizados). Até nas sociedades chamadas selvagens já havia
regras de convívio. Existia um Direito a ser obedecido.
Devemos, pois,
para enfrentar essas incertezas e adversidades futuras, agir
mediante ao que acima chamamos de estratégia conceitual. Devemos
seguir aquela regra básica segundo a qual, para subir uma
montanha, temos que nos preparar para caminhar um quilômetro a
mais, uma vez que o percurso até o topo é sempre maior do que o
imaginado. Não devemos nos enganar. Haverá de chegar o momento em
que o que parecia perto ainda está muito longe. Mas, como nos
dispusemos a ir além, isso não chegará a ser um problema. Mais
importante do que saber o que vai acontecer, é saber o que fazer
quando isso ocorrer.
Antonio Carlos Aguiar
Férias e demissão: o que fazer?
Pânico! Tirei férias e quando voltei
minha cadeira pertencia a outra pessoa. Muitos psicólogos,
especialistas em RH e gestores de pessoas insistem em dizer que
não se deve temer as férias para garantir o emprego. Porém, a
realidade é outra. O medo das férias ainda assusta muita gente,
principalmente os que conseguiram subir alguns degraus da pirâmide
corporativa.
Em conversa com
alguns executivos de baixo, médio e alto escalão, pude observar
que nenhum tira os 30 dias corridos de férias durante um período
de 12 meses de trabalho, como prevê a legislação trabalhista
brasileira. Todos, sem exceção, se desligam por uma semana ou, no
máximo, 15 dias – esses são mais raros. Porém, nenhum admite que é
por medo de perder o posto de trabalho. Por outro lado, estudos
revelam que quanto mais alto o executivo está na pirâmide
corporativa mais difícil é uma recolocação, caso haja o imprevisto
de demissão. Essas pesquisas mostram também que um dos medos –
aliás, para a maioria dos executivos – é que decisões importantes
podem ser tomadas dentro das corporações durante sua ausência.
Para eles, não participar dessas decisões seria uma grande perda.
Tirar uma semana
de férias, esse é o tempo ideal, de acordo com a maioria dos
executivos. O cansaço e a cobrança da família forçam um período
curto de afastamento das atividades diárias. Mas, a competição do
mercado, a concorrência interna, entre outras exigências, pesam na
decisão do executivo sobre qual o melhor período para gozar alguns
dias de descanso. Mesmo assim, quando vêm as férias, a chavinha
não é desligada. O executivo leva a tiracolo o notebook, o celular
e, às vezes, um pendrive com todos os arquivos do escritório para,
nas horas de “folga” das férias, continuar trabalhando.
Isso faz bem para
a saúde? É claro que não! Mas, eles não têm escolha. Um amigo
executivo sempre me pergunta “qual é o seu plano B?” e afirma que
todos temos de ter este plano. Executar um plano B para os
profissionais com salários de alto escalão, mantendo o mesmo
nível, é bem mais difícil do que para os que têm salários menores.
Essa neurose é sentida em todos os ambientes corporativos de médio
e alto escalão. Na parte inferior da pirâmide, lá na base, a
situação já é diferente: as férias são de 30 dias e bem gozadas.
Na opinião de
alguns profissionais de alto escalão, os funcionários de áreas
operacionais são facilmente substituídos durante as férias,
diferentemente do alto executivo. Ninguém faz o trabalho dele
durante sua ausência. Quando volta das férias, há trabalho
acumulado. É um dos motivos para não tirar um período longo de
descanso. Até tem lógica!
É claro que todo
esse pavor das férias não deveria existir. O profissional não
precisaria temer se ausentar para o seu merecido descanso.
Geralmente, as demissões não acontecem por causa das férias e sim
por outros motivos como redução de custos, mudanças estratégicas,
ou até mesmo por causa do desempenho e histórico do profissional.
Se ele tiver de ser demitido, não serão suas férias que vão
segurá-lo no cargo. Às vezes o profissional é tão competente que
chega a ser uma ameaça ao seu chefe e isso poderá provocar o seu
afastamento. É fato! Aconteceu com um executivo próximo a mim que,
ao voltar das férias, encontrou sua sala já ocupada por outra
pessoa. Sem justificativa, ele havia sido dispensado.
Mesmo assim, o
acontecido é um fato isolado. Todos precisam tirar férias sim,
independentemente das razões que levam a decisões contrárias. Os
motivos para isso vão além do ambiente de trabalho. Nas grandes
metrópoles é comprovado que os níveis de estresse aumentam por
causa da violência, do trânsito e da velocidade das informações
que chegam pelos veículos de comunicação e que influenciam
diretamente no mercado corporativo. O profissional deve se valer
do bom senso e entender que as férias renovarão suas energias, seu
bom ânimo e sua capacidade de discernimento na tomada de decisões,
melhorando sua produtividade e trazendo resultados para a sua
corporação. É claro, além de proporcionar melhor qualidade de
vida.
Da mesma forma
isso vale para alertar o empregador. É fundamental cuidar do
principal capital de sua empresa, o “capital humano”. Grandes
corporações já reconheceram que o profissional, uma vez
satisfeito, desempenha muito melhor suas atividades – o que
equivale a resultados positivos. As férias são uma forma de cuidar
do capital humano. Isso é gestão de pessoas.
Reinaldo Gomes
Uma profissão de futuro
Com o crescimento da expectativa de
vida e a mudança do perfil da família brasileira, cada vez mais a
longevidade dos idosos se torna um grave problema. Nas classes
mais esclarecidas da nossa sociedade é muito comum vermos hoje um
grande grupo de idosos e pouquíssimas crianças.
Tal mudança
ocorreu de forma muito rápida e inesperada, surpreendendo quem não
se programou para essa nova realidade. Hoje o grande problema das
famílias é achar quem possa cuidar dos seus idosos, pois o filho
único ou o segundo filho, quando existe, tem de trabalhar e se for
casado, a sua esposa ou seu esposo, também trabalha. E quem fica
para cuidar e tomar conta dos seus pais e, em alguns casos, tios
ou mesmo avós?
Sem falar do
problema econômico, já que na maioria dos casos quando os idosos
têm uma aposentadoria, esta mal dá para pagar a alimentação,
médicos e remédios que todos eles necessitam. Os filhos, quando
empregados, mal conseguem se sustentar, e com o tempo que o
trabalho e principalmente a locomoção exigem, não sobra quase nada
para a atenção e os cuidados dos seus velhos. Existe também um
vasto contingente de idosos que não tiveram filhos e muitos
solteiros idosos que não têm absolutamente ninguém para contar.
No meu entender
de interessado e estudioso sobre o assunto, se não se iniciar
urgentemente um processo de preparação de profissionais (cuidadores)
para atender a essa grande demanda com perspectiva de aumento
generalizado, brevemente teremos um elevado número de brasileiros
relegados ao seu próprio destino e abandonados à sua própria
sorte. Se a sociedade e, sobretudo, o governo não implantar
políticas públicas urgentes, esse será um grave problema, muito
mais complicado que as preocupações ecológicas e a juventude —
assuntos tão em moda no momento.
Essa necessidade
poderá vir a ser suprida com a criação de escolas técnicas de
“cuidadores de idosos”, onde se ensinariam noções básicas de como
tratar quem tem idade, aprendendo a ministrar remédios, injeções,
cuidados com a higiene e companhia. Esses profissionais deverão
também ser preparados psicologicamente para conviver com velhos,
pois estes são ranzinzas, rabugentos e muito chatos, em sua grande
maioria, o que irá demandar muita paciência e espírito
humanitário.
É triste tal
perspectiva real de futuro, mas se forem criadas regras e normas
que regulamentem essa nova profissão, teremos um grande
contingente de novos profissionais empregados, idosos assistidos
e, principalmente, filhos desobrigados e sem complexo de culpa na
questão de cuidados com os seus idosos. A legislação brasileira
até pune o abandono de incapazes, como todos os muito velhos serão
um dia, mas como atender à demanda dos idosos e às necessidades
econômicas de todos nós? Fico no aguardo de sugestões para
pensarmos juntos sobre este grave problema que já enfrentamos hoje
e que, com certeza, nos afetará no futuro, cada vez mais.
Nicolau Amaral
O sistema de turnos de produção
Existem algumas empresas que
necessitam trabalhar de forma contínua, pela natureza de seu
processo produtivo ou em face de um aumento na sua produção.
Nesses casos, são implementados os chamados turnos de produção,
que podem ser ou não de revezamento. Turno de produção é a
operação feita alternativamente para desenvolvimento da soma de
bens ou serviços.
Segundo o jurista Octavio Bueno
Magano, “quando a Constituição alude a
trabalho realizado em turnos, quer dizer grupo de trabalhadores
que se sucedem na utilização do mesmo equipamento. Quando
mencionar revezamento, significa trabalhadores escalados para
períodos diferentes de trabalho, ora diurno, ora noturno, ora
misto. E quando se refere à ininterruptividade, tem em vista o
trabalho executado sem intervalo para repouso e alimentação”.
O artigo 7º,
inciso XIV, da Constituição Federal, determina que a jornada de
trabalho será de seis horas para o trabalho realizado em turnos
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva. Havendo
negociação coletiva, a jornada de trabalho poderá ser fixada em
oito horas diárias.
Nesse quadro, um sistema de
revezamento que não seja ininterrupto, cobrindo, alternativamente,
apenas parte das fases integrantes da composição dia/noite, não
estará enquadrado no tipo legal do artigo mencionado.
Vale observar os
repousos intra e interjornadas. O repouso intrajornada é aquele
estabelecido dentro da jornada de trabalho. O inter é aquele
estabelecido entre uma jornada e outra.
Os descansos interjornadas
devem ter um espaço de no mínimo 11 horas. E, em caso de alteração
de horário de trabalho, deverá existir um descanso de mais 24
horas. As folgas semanais devem ocorrer preferencialmente
aos domingos. Não sendo possível por conta das exigências técnicas
e do tipo de produto e serviço gerado pela empresa, esta deverá
obter uma permissão prévia da autoridade competente.
Os intervalos
para refeição e descanso (intrajornada), por sua vez, devem
obedecer ao mínimo de uma hora diária para as jornadas acima de
seis horas e de 15 minutos para as jornadas de quatro a seis horas
diárias.
Para os
empregados que se submetem ao trabalho noturno, estes terão
direito ao adicional noturno e à hora extra reduzida.
Muitos sindicatos
e empresas negociam um adicional chamado adicional de turno, para
aqueles que efetivamente laboram em sistemas de turnos,
independentemente de ser de revezamento. Tal verba é costumeira e
não está prevista na nossa legislação.
Ao implantar um
sistema de turno de produção na empresa, é necessário ouvir todos
os participantes: sindicato, gerentes e principalmente os
empregados, que serão diretamente atingidos pela decisão. Deve-se
observar, ainda, se há a necessidade de terceirizar os serviços ou
contratar alguns empregados de forma temporária, em decorrência do
aumento na produção, evitando um inchaço na folha de pagamento.
Porém,
independentemente da forma de contratação, o trabalho em sistema
de turno de revezamento afeta diretamente a saúde, a segurança e a
vida social do trabalhador. Por isso, é obrigatória a observância
de todas as regras de proteção ao empregado, bem como a
implementação prévia de escalas, para minimizar o impacto no
dia-a-dia, concedendo-lhe a possibilidade de organizar sua vida
junto à família, aos estudos e socialmente.
Crislaine Vanilza Simões
Motta
Você tem um bom relacionamento
com seu chefe?
Uma lenda corporativa afirma que os
únicos funcionários que trabalham felizes o dia inteiro e amam
seus chefes são os duendes ajudantes de Papai Noel. Mas, como
muitos não acreditam na existência do bom velhinho, também tendem
a não acreditar na existência desse lugar paradisíaco, onde chefes
e subordinados viverão para sempre em paz e harmonia.
Outro fato bem
conhecido é que a divergência entre chefes e subordinados é uma
das maiores causas das demissões nas organizações. Quando alguém é
contratado, esta contratação é feita pelo seu currículo. Ou seja,
pelas habilidades e conhecimentos técnicos específicos para certa
função. O recrutador queria saber, naquele momento, se o candidato
seria capaz de realizar a tarefa para a qual a empresa tinha
necessidade. Mas, quando esta pessoa é demitida, muitas vezes essa
dispensa é motivada pelo seu comportamento e não pelo seu
conhecimento.
Quem já passou
pela experiência, geralmente traumática, de uma entrevista de
desligamento, tem uma grande chance de ter saído dessa situação
com uma sensação de não ter entendido o porquê de ter sido
dispensado. É muito comum a sensação de injustiça, por que os anos
de sangue entregues à empresa, a grande experiência que se tem
sobre a função ou a satisfação e a fidelização de vários clientes
devido a seu trabalho, de um momento para outro parecem não
significar mais nada. Aí vai a dica: talvez a dispensa tenha sido
apenas devido ao seu relacionamento, ou melhor, ao seu mau
relacionamento com o chefe.
Injusto? Talvez.
Mas vamos tentar nos colocar na posição do chefe. Ele também tem
um superior ao qual precisa entregar resultados. Para isso ele
conta com sua equipe e espera que todos estejam prontos e
dispostos a suprir as necessidades da empresa. Ele precisa ter
confiança na sua equipe, de que todos vão aceitar sua liderança e
desenvolver o trabalho de forma adequada.
Confiança é um
termo chave aqui, então vejamos como o dicionário Houaiss o
define:
“1 - crença na probidade moral, na
sinceridade afetiva, nas qualidades profissionais etc., de outrem,
que torna incompatível imaginar um deslize, uma traição, uma
demonstração de incompetência de sua parte; crédito, fé;
2 - crença de que algo não falhará,
é bem-feito ou forte o suficiente para cumprir sua função”
Notem que temos
“sinceridade afetiva”, “traição” e “fé” nestas definições. As
relações entre chefes e subordinados estão carregadas de emoções,
pois, no dia-a-dia, o que conta são as relações humanas. O chefe
espera que seus subordinados tenham “qualidades profissionais”,
“sinceridade afetiva” e “probidade moral” para realizar as tarefas
e entregar os resultados que a empresa precisa. Mas, como se mede
sinceridade e fé na avaliação de desempenho?
Provavelmente
esta medida será muito subjetiva e pessoal, que dependerá dos
valores do chefe, do subordinado e dos valores da empresa como um
todo. O que é tolerado em uma empresa, pode não ser em outra. O
que é incentivado por um chefe, pode ser condenado por outro.
A solução seria,
então, tornar-se o famoso “puxa-saco do chefe”? Claramente não,
pois estes também estão faltando com a “sinceridade afetiva”, uma
vez que omitem suas opiniões apenas para não desagradar o chefe.
Só por meio do diálogo franco é possível alinhar as expectativas.
A confiança é necessária nessa relação, e esta deve ser recíproca.
Recíproca porque
o chefe precisa ter confiança de que seus funcionários seguirão
suas orientações. Os funcionários, por sua vez, devem confiar que
seu líder ouvirá suas sugestões. Para o chefe, seus colaboradores
devem estar se esforçando para cumprir a meta e os subordinados
devem confiar que seu líder avaliará os resultados de forma justa.
Existem vários exemplos desta relação essencial de confiança e,
quando as pessoas conseguem desenvolvê-la, temos as condições para
criar uma verdadeira “Liderança”, não apenas “Chefia”.
Parece difícil
encontrar esta relação ideal? E é mesmo. Como em qualquer
relacionamento humano, precisamos sempre estar atentos às nossas
atitudes e comportamentos dentro da empresa, cultivando esta
confiança para não virarmos estatística. Pois, como você deve
estar lembrado do início do texto, uma das maiores causas que
levam a demissões é o problema de relacionamento pessoal entre
chefes e empregados. Mesmo em momentos de crise, quando a situação
financeira da empresa leva a estas mudanças, o “escolhido” para
deixar a empresa pode ter sido apontado não apenas por
características técnicas, mas também (e em alguns casos,
principalmente), por problemas comportamentais.
Outro ponto
importante, ao qual precisamos ficar atentos, é que será mais
fácil mudar o seu próprio comportamento do que esperar seu chefe
mudar o dele. Se já existe um problema de relacionamento hoje, não
espere que seu chefe tenha tempo de sentar com você e “discutir a
relação”. Ele não terá tempo para isso. Analise sua postura diante
do seu chefe e tente pedir um feedback claro de quais pontos você
pode melhorar, para traçar estratégias de construção de um
comportamento mais útil para a equipe.
E então, você tem
um bom relacionamento interpessoal com seu chefe? O que você tem
feito para cultivar uma confiança recíproca?
Luiz Pagnez
Call Center: é possível fazer
carreira no setor?
No ano 2000, somente 10% da
população brasileira possuía uma linha telefônica, mesmo depois do
setor de telecomunicações ter sido privatizado dois anos antes.
Esse quadro evoluiu rapidamente e, com a consolidação da internet,
telefonia celular, ampliação de ofertas de crédito a pessoas
físicas, dentre outros fatores sociais e econômicos, as empresas
perceberam diversas mudanças no comportamento dos consumidores e
tiveram que se reestruturar para atender a crescente necessidade
de se relacionarem mais e melhor com seus clientes. O setor de
Call Center entendeu a mensagem e passou a investir em tecnologia,
mão de obra e soluções integradas a fim de estreitar o contato
entre as companhias e consumidores.
A cada nova
pesquisa, os números revelam o quanto o setor de Call Center tem
se expandido ao longo dos últimos 10 anos. Em 2009, apenas o
estado de São Paulo deve ampliar seu faturamento em 6% sobre os R$
4 bilhões totalizados no ano passado. Com isso, muito se comenta
sobre o segmento, mas é preciso que ele seja conhecido a fundo. A
começar por sua importância no quesito empregabilidade. Está cada
vez mais ultrapassada a ideia de que as oportunidades de trabalho
na área são temporárias.
Para se ter uma
ideia da dimensão do setor, o volume de profissionais passou de
294,1 mil em 2007 para 448 mil em 2008. Somente no estado de São
Paulo, este número chega a 300 mil no setor, sendo 130 mil
posições de atendimento (PAs).
Na última década,
o Call Center cresceu aproximadamente 550% em contratação de
profissionais e a expectativa de expansão para 2010 é que o setor
atinja cerca de 1,2 milhão de pessoas em todo o Brasil e
faturamento de R$ 23,6 bilhões. Atualmente mais de 1 milhão de
funcionários estão empregados, exercendo funções de operadores,
monitores, supervisores, coordenadores ou gerentes.
Na era de
serviços, diferentemente da era industrial, o Call Center se
tornou um dos principais meios de ingresso no mercado de
trabalho, isto é, tem sido o primeiro emprego da maioria dos
jovens entre 18 e 24 anos e se configura ainda como o início de
uma carreira desafiadora e promissora.
Há também espaço para outras faixas
de idade, de acordo com as necessidades do cliente atendido.
Algumas empresas buscam candidatos com um grau de conhecimento
mais elevado e cursando os primeiros anos da universidade, ou
acima dos 40 anos, uma oportunidade para se recolocarem no mercado
de trabalho.
A tendência de
crescimento do setor está cada vez mais evidente, uma vez que o
telefone tem a companhia de outros canais de relacionamento como
redes sociais, chat, e-mail e SMS. O que pede profissionais
versáteis e alinhados com a evolução tecnológica.
Mesmo com a crise
econômica e com a nova lei do SAC, o mercado não deixou de
contratar. Pelo contrário, as empresas prestadoras de serviço
aumentaram o número de PAs ativas, ampliando, assim, o número de
funcionários para compor os diversos turnos que o setor emprega.
Houve também investimentos pesados em treinamentos, o que gerou
qualificação profissional e melhores resultados aos clientes
corporativos atendidos e mais satisfação aos consumidores. Para se
ter uma noção, as Operações de SAC superaram as de venda e ocupam
70% das atividades dos Call Centers de São Paulo.
O operador de
Call Center tem grandes chances de fazer carreira no setor, tudo
depende, primeiramente, de suas habilidades e desempenho no
trabalho. Contudo, vale ressaltar que é preciso, cada vez mais,
destacar a importância da visão global da companhia ao operador. O
profissional pode migrar pelos diversos setores da empresa e
“pular” degraus como do atendimento para a supervisão, com isso,
seu universo é ampliado e ele passa a conhecer as demais áreas da
companhia. Dessa forma, as empresas do segmento precisam
identificar o potencial de gestor na pessoa em questão. Esse
aspecto irá assegurar mais chances de ascensão dentro do Call
Center, uma vez que, por exemplo, na supervisão, ela aplicará
práticas de motivação e liderança, modelagem operacional e
gerenciamento de Recursos Humanos. Somado a isso, o setor é uma
espécie de “bolsão” para a área de Tecnologia da Informação e
permite ao jovem que cresça verticalmente, isto é, por meio da
consolidação de um sistema aberto de oportunidades nas empresas, o
que permite uma ascensão mais rápida de acordo com sua
capacitação, chegando assim, por exemplo, a integrar uma equipe de
TI e, a partir daí, idealizar soluções inteligentes e práticas
para desenvolvimento de novos serviços.
Um setor, assim
como um profissional, só é líder quando inova, quando investe
tanto em tecnologia quanto em treinamento e capacitação
profissional e, principalmente, quando acredita que tudo é
possível. O resultado de todo esse processo é a excelência na
qualidade do serviço realizado: a principal meta do mercado de
Call Center.
Stan Braz
Não repita os mesmos erros de
2009
Fim de ano é sinônimo de reflexão
sobre o que deu certo ou errado em nossas vidas e essa análise
engloba nosso desempenho no âmbito profissional. Em 2009, percebi
que, por mais difícil que seja alcançar a posição desejada no
mercado de trabalho, muitos profissionais ainda não estão
preparados nem para os processos seletivos, primeiro passo para
uma carreira de sucesso.
Por isso, apresento os principais
erros que presenciei ao longo deste ano para que você não corra o
risco de repeti-los em 2010. Aproveite as dicas para programar um
2010 diferente e fazer sua carreira decolar:
Não conhecer a
empresa para a qual se candidatou – Inúmeras vezes, ainda durante
a primeira fase da seleção, quando perguntados sobre as
características da empresa em que desejam trabalhar, os candidatos
demonstraram total desconhecimento. Isso é visto como despreparo
ou falta de interesse e, com certeza, torna-se uma grande barreira
para se conseguir uma vaga. Utilize a internet para descobrir mais
sobre a organização que te convidou para uma entrevista, pois os
sites costumam ter as informações necessárias para que você não
faça feio.
Desistir da vaga
no meio da entrevista – Não parece absurdo, ou no mínimo, estranho
que uma pessoa levante e deixe o processo de seleção no meio da
entrevista? Pois é, mas isso acontece. Os motivos para esse grande
erro podem ser vários, desde a falta de conhecimento sobre as
atividades que serão exercidas em caso de contratação até a
simples falta de bom senso do candidato. Independente do caso,
mesmo que você descubra no meio da entrevista ou de um teste que
não quer mais aquele trabalho, demonstre comprometimento e termine
o que começou.
Falar mal das
empresas pelas quais passou ou dos antigos chefes – Por mais que
sua experiência tenha sido ruim em outras oportunidades de
emprego, não toque nesse assunto durante a entrevista a não ser
que a pergunta apareça. Deixar isso claro logo em um primeiro
momento demonstra que você é uma pessoa que poderá repetir essa
atitude e prejudicar a imagem da organização que pensa em
contratá-lo. Se o entrevistador lhe fizer, especificamente, essa
pergunta não fale que seu chefe era um idiota ou algo do tipo.
Mencione as incompatibilidades que
você tinha com seu chefe de uma maneira profissional e com
exemplos específicos.
Chegar atrasado para um
processo seletivo – Se você realmente quer aquele emprego não
existe desculpa cabível para se chegar atrasado em uma entrevista.
Não adianta jogar a culpa no trânsito ou no cachorro que roubou a
sua meia. Imprevistos acontecem a todo o momento e a única maneira
de se preparar para isso é sair com muito mais antecedência do que
você já está acostumado. Caso sua entrevista for às 15h00min,
planeje chegar ao local às 14h30min, para que tenha um tempo se
pintar algo inesperado..
Não entender que
procurar trabalho já é um trabalho – Muitos candidatos encaram o
desemprego como um momento ruim, mas que irá passar naturalmente,
sem muito esforço. Não se empenham de fato e acabam buscando
oportunidades em uma área na qual não têm experiência ou as
habilidades exigidas. Por isso, encare a busca de emprego já como
um verdadeiro trabalho. Estabeleça uma rotina para o seu dia,
defina metas, refine seus contatos e acione sua rede de
relacionamento.
Saiba pedir
demissão – Desligamentos são sempre difíceis, para as empresas e
para as pessoas envolvidas. Por isso, seja ético e profissional
nesse momento, pois ele será decisivo para deixar ou não as portas
abertas para um eventual retorno. E-mails, telefonemas ou aviso
por outras pessoas não são as melhores formas de anunciar que você
está deixando a empresa. Pense na situação contrária e perceberá
que gostaria de receber essa notícia do seu gestor pessoalmente.
Lembre-se que o mundo corporativo é pequeno e pode dar muitas
voltas. Por isso, sempre deixe as portas abertas.
Renato Grinberg
Os limites da superação
Às vezes passo a refletir e me
questionar o quanto somos imensos diante de nossas limitações e ao
mesmo tempo como podemos ser pequenos diante de nossa
grandiosidade.
De um lado, há pessoas
que desperdiçam tempo justificando seu desinteresse e falta de
proatividade, criando uma incapacidade física, mental e
profissional. Suas maiores criatividades se baseiam em argumentos
para justificar que não conseguem algo que mal tentaram fazer e
justamente por isso, ficaram distantes de o conseguirem. O mais
decepcionante é quando algumas pessoas utilizam em seus argumentos
o insucesso e fracasso de terceiros como referência, chegando a
comentar: “bom, pelo menos fui melhor que fulano” ou ainda, “mas
beltrano é pior que eu”.
É irônico, mas essas pessoas
criativas em justificativas de fracasso jamais argumentam algo
como “não consegui o resultado desejado porque não tive coragem de
seguir” ou “eu tenho certeza de que não consegui porque não tive
interesse em testar meus limites” e milhares de outros
comentários.
A superação não
depende de classe social, cor ou educação. Sua superação depende
de ter um objetivo em sua vida e acreditar em algo. Superar uma
dificuldade não quer dizer que terá todo o sucesso no dia
seguinte. Significa alcançar um pequeno sucesso diariamente, uma
vitória a cada momento. Obviamente precisando vencer várias
dificuldades e paradigmas, e de repente poderá até ter medo. Você
deve ter medo de desistir e não de continuar. Ir de encontro ao
que acredita é o que fará a grande diferença para sua realização e
superação.
Pesquisando na
internet temos a opção de conhecer vários textos ou vídeos sobre
pessoas que se superaram. Há pessoas da terceira idade fazendo
acrobacias com enorme grau de dificuldade e mais perfeitas que
muitos adolescentes. Há outras sem os membros inferiores e
superiores, que vivem sem depender de ajuda, que trabalham,
cozinham, nadam, enfim, têm qualidade de vida melhor do que uma
pessoa com o corpo perfeito. Isso porque não procuram criar
justificativas e vivem em busca de soluções para serem
auto-suficientes, enquanto a maioria se encontra dependente, não
realizando algo enquanto alguém não o entregar prontinho em suas
mãos.
Um fato é
verdadeiro: o ser humano somente comprova sua capacidade quando
realmente precisa dela. A maioria busca, infelizmente, problemas
onde eles não existem. Há aqueles que somente controlam suas
finanças depois de terem perdido tudo, outros valorizam os entes
queridos quando passaram por momentos traumáticos, outros
organizam melhor seu tempo quando a falta de tempo foi responsável
por prejudicá-los em algo. Quaisquer que sejam as necessidades de
superações, ao meu ver as limitações são muito mais psíquicas do
que reais. Há muito mais preocupação em se identificar um motivo
para não fazer algo do que em ver os bons resultados que serão
obtidos caso seja realizado.
Exija mais de
você! Exija mais tempo para aproveitar a convivência com os
familiares, exija mais tempo para realizar sua tão desejada
viagem, mais esforço para aprender o idioma que está estudando,
mais dedicação no esporte, mais interesse em seu aprendizado.
Exija mais disposição para ser feliz! Exija, exija e exija!
Seja mais
disposto a evoluir e se superar. Seja mais disposto a entender e
acreditar. Acredite que suas aptidões podem se revelar muito além
do que você conhece e teste os limites de sua capacidade física e
mental. Mas teste principalmente os limites de sua capacidade de
perseverar! Seu poder de superação está muito além de seus
músculos, bens e recursos financeiros. Sua maior superação
dar-se-á quando acreditar que você realmente é capaz!
Wagner Campos
Faça 2010 ser mais produtivo
Depois de um ano difícil e recessivo
como 2009, o mercado está esperançoso com o próximo ano e muitas
empresas, empreendedores e diretores prevêem que boa parte do
investimento represado neste ano será utilizado no próximo. Ao que
tudo indica, 2010 será próspero em termos de investimento,
crescimento, emprego e oportunidades.
Contudo, com toda
essa empolgação, nada é mais importante e fundamental do que os
líderes canalizarem essa expectativa e a levarem em conta na hora
de planejar os negócios futuros. Para isso, é necessário tornar a
empresa mais eficiente, diminuir os gastos desnecessários, reduzir
as urgências, melhorar as reuniões, maximizar os investimentos e
criar uma equipe com mais equilíbrio, foco e execução, sempre com
o intuito de aumentar a produtividade e qualidade e vida dos
colaboradores.
Já o resultado
aparecerá quando os líderes pensarem proativamente neste assunto,
ou então quando contarem com o apoio de especialistas – o que não
é muito comum nas empresas. O problema está com a visão de que a
correria e as urgências são normais, o que não dá chances para
mudanças.
Aproveite o final do ano, época em
que muitos planos começam a ser traçados, e inclua no planejamento
da sua empresa algumas questões fundamentais para garantir que
2010 seja um ano mais produtivo e menos corrido:
1. Como fazer minha equipe
ser mais produtiva e equilibrada? Projetos, metas, processos e
tudo mais que se possa definir na estratégia de uma organização
não têm como evoluir sem pessoas. E pessoas precisam de tempo,
pois sem ele não há resultados. Pense em novas ferramentas de
produtividade, cursos sobre o assunto para a equipe, reveja
processos, questione o time sobre como ser efetivo.
2. Como criar o senso de
importância na empresa? Muito se fala de senso de urgência, mas
isso só valoriza o contexto errado do tempo. Valorize o importante
na equipe. Valorize planejamento, sair cedo da empresa, cumprir
prazos, chegar no horário nas reuniões.
3. Qual o objetivo mais
importante da organização? Ao invés de diversas metas, que tal
definir um grande objetivo, criar indicadores precisos, se
comunicar adequadamente com o time e criar um sistema de
acompanhamento que reflita no dia-a-dia de todos?
4. Muito tempo em reuniões?
Em meu último livro,o Estou em Reunião, comprovei o absurdo
prejuízo financeiro que as reuniões causam às empresas. Por isso,
pense em algumas formas de reduzir pelo menos 1/3 das reuniões e
com isso dê mais tempo para que a equipe possa trabalhar e focar
nas atividades realmente importantes.
5. Como recompensar o
planejamento e resultados do time com equilíbrio? Quanto mais
tempo a equipe tiver para seu equilíbrio Pessoal X Profissional,
mais produtividade e motivação. Invista em programas de qualidade
de vida, dê benefícios que sejam relacionados a “mais tempo livre”
e ações de integração familiar.
Existem diversas
estratégias que podem ajudar sua empresa a entrar no próximo ano
com mais foco, produtividade e equilíbrio, o que consequntemente
irá gerar mais resultado. Porém, o mais importante é entender que
isso depende principalmente da alta direção e de suas ações
efetivas.
Christian Barbosa
Rescisão indireta do contrato de
trabalho - justa causa do empregador
A despedida indireta se origina pela
falta grave praticada pelo empregador na relação de trabalho,
prevista na legislação como justo motivo para rompimento do
vínculo empregatício.
Estes motivos
estão previstos no artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho
– CLT, os quais prevêem esta possibilidade em razão do empregador
não cumprir com as obrigações legais ou contratuais ajustadas
entre as partes.
Os motivos que ensejam a justa causa
do empregador prevista no artigo supra citado são os seguintes:
Artigo 483 da CLT
– O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a
devida indenização quando:
a)forem exigidos serviços superiores
às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes, ou
alheios ao contrato;
No presente caso
o empregado deve fazer o máximo para produzir mais e melhor. Mas
não precisa estafar-se até os limites de suas forças para que essa
produção ocorra. Há que se respeitar a energia para que sua saúde
não se desequilibre. Os serviços contratados entre as partes, que
extrapolam as forças do empregado, física ou intelectualmente pela
vultosidade, continuidade ou extensão, é repelida. Os serviços
contrários aos bons costumes ferem a moral. Os bons costumes são
aqueles acatados pela moralidade média da sociedade, não a moral
individual de cada um. Os bons costumes não variam de pessoa para
pessoa, mas sempre há a regra de bons costumes pertinentes a cada
lugar.
Russomano nos dá um exemplo :
“Serviços contrários aos bons costumes, isto é, os que ferem a
moral. Exemplo: obrigar o empregador que a garçonete faça
promessas libidinosas aos fregueses” (CLT, 10ª. Ed., p. 564).
Bons costumes não
se atém apenas a sexo. Bons costumes têm a ver com a integridade
moral geral do indivíduo.
Já os serviços defesos
por lei são aqueles proibidos por lei ou então aqueles que
oferecem risco à vida do trabalhador ou do próximo.
Se, por exemplo a
empresa obriga o empregado a exercer trabalho em ambiente
insalubre, sem as cautelas e medidas de segurança, está
infringindo a CLT. É um serviço defeso por lei.
a) for tratado pelo
empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor
excessivo;
Rigor excessivo na relação
empregado/empregador é o abuso do poder hierárquico, ou , segundo
a lição de Dorval de Lacerda, consiste em uma “ forma de violação
abusiva, por parte do empregador, do poder hierárquico que ele,
como chefe da empresa, possui”
Rigor não é sinônimo de disciplina,
ordem, comando, poder. É o excesso de tudo isso. É o abuso. O
empregado há que ser tratado com respeito pelo empregador.
b) correr risco manifesto de
mal considerável;
O dispositivo ora em estudo tem
caráter preventivo, significa que não é o caso longínquo de um
perigo remoto. Necessário se faz, para o enquadramento em tal
dispositivo, que o perigo seja manifesto, isto é , iminente.
A lei se refere ao perigo que pode
ser evitado. Refere-se a situações de risco por falta de medidas
de cautela e segurança. Situações de perigo e risco que podem ser
evitadas.
c) não cumprir o empregador
as obrigações do contrato;
Tanto as obrigações convencionadas,
estipuladas pelas vontades das próprias partes, como as inerentes
ao contrato por convenções, regulamentações, legislações são
obrigações do contrato e devem ser cumpridas.
A alteração ou falta de cumprimento
contratual por parte do empregador só se exime de caracterizar ato
faltoso se houver caso fortuito ou força maior, além das exceções
dos artigos 468 e 469 da CLT. Ressaltamos que sempre há a teoria
do risco assumida pelo empregador, mesmo em caso de força maior.
A principal obrigação do empregado é
trabalhar, enquanto ao empregador cabe o dever, dentre outros, de
dar serviço e pagar os salários. Caso isso não ocorra, o empregado
poderá pedir a rescisão indireta de seu contrato de trabalho.
d) praticar o empregador ou
seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo
da honra e boa fama;
Via de regra, o empregador é menos
simples, mais bem informado, mais culto que o empregado. É raro
que pratique ato lesivo a honra e boa fama por simplicidade, mau
jeito ou desinformação.
Esses atos dizem respeito a
informação, educação, cultura. Não se pode exigir de alguém o que
ele não tem porque não recebeu. É o caso de um empregador levantar
uma calúnia frontalmente ao empregado. Este agride imediatamente o
patrão com um safanão. Essa agressão física foi em defesa da honra
do empregado. Deve ser considerada como legítima defesa?Sim, pois
houve a legítima defesa da honra. A imediata reação do empregado
em legítima defesa pode fazer o patrão reconsiderar o ato e
retirar a calúnia. As opiniões são divergentes perante a doutrina.
Há os que não admitem a legítima defesa da honra ou boa fama.
Mesmo os que admitem essa legítima defesa, contra a ofensa,
consideram, como ponto primordial, a moderação dos meios
praticados em legítima defesa.
e) o empregador ou seus
prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima
defesa, própria ou de outrem;
Só haverá ofensa física quando
presente o elemento intencional, ou seja, o dolo.
Não resta dúvida que a expressão
“ofensa física” é restrita. Mas a lei, se necessário, deve ser
interpretada com amplitude. Assim, se uma pessoa, por causa de uma
agressão física, ficar com problemas psicológicos, a lei pode ser
analisada literalmente e restritamente. O agressor será punido
pela ofensa física no Direito do Trabalho, além das punições
penais por lesão corporal.
f) o empregador reduzir o seu
trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar
sensivelmente a importância dos salários;
A irredutibilidade salarial é
princípio constitucional. Assim, sempre que o empregador reduzir o
trabalho do empregado, provocando sensível redução salarial, o
empregado pode valer-se da rescisão indireta para rescindir o
contrato de trabalho. Tirando-se as hipóteses de força maior, o
risco natural do negócio da empresa é de responsabilidade do
empregador e não justifica a redução salarial.
Parágrafo 1º. O
empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o
contrato, quando tiver de desempenhar obrigações legais,
incompatíveis com a continuação do serviço.
Exemplo de obrigações legais,
incompatíveis com a continuidade do serviço, tem-se a nomeação do
empregado para atuar em cargo eletivo (vereador, prefeito,
deputado). Nestes casos o empregado pode suspender os serviços até
que cesse a obrigação legal, ou então, rescindir o contrato.
Parágrafo 2º. No caso de morte do
empregador constituído em empresa individual, é facultado ao
empregado rescindir o contrato de trabalho.
A faculdade dada
ao empregado só poderá ser usada se a empresa continuar
funcionando com herdeiros. Se ela fechar, com a morte do
empregador, obviamente, encerrando as atividades, o empregado não
terá oportunidade de escolher entre rescindir ou continuar
trabalhando
Parágrafo 3º. Nas hipóteses das
letras “d” e “g”, poderá o empregado pleitear a rescisão de seu
contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações,
permanecendo ou não no serviço até final decisão do processo.
Desta forma,
demonstramos que não só o empregado pode ser demitido por Justa
causa, mas se o empregador não cumprir com suas obrigações,
também poderá ser apenado com o mesmo instituto.
Esclarecemos , que nossa pretensão
não é caracterizar a figura do empregador como um autêntico
violador de direitos do empregado, empregando-lhe o cognome de
malicioso articulador e desonesto. É necessário lembrar que todo e
qualquer contrato tem suas bases esculpidas no consagrado
princípio de boa-fé, onde emana o dever de colaboração recíproca.
Sendo assim, a subordinação jurídica advinda do poder de mando do
empregador deve ter por meta o bom andamento da empresa, para o
bem estar de todos,sem lesionar os direitos de seu(s)
empregado(s).
Sueli Dias Marinha e Luciano
Figueredo De Macedo
Custos e burocracia do novo
controle de jornada
Com as novas exigências quanto ao
controle eletrônico de ponto, ditadas pela complexa Portaria nº
1.510 do Ministério do Trabalho e Emprego, que vigora desde
novembro passado, algumas dificuldades e burocracia irão
dificultar a forma de controle eletrônico do horário de entrada e
saída dos empregados.
O Ministério do
Trabalho e Emprego visou, com a edição dessa portaria, impedir a
adulteração de dados e facilitar a fiscalização da jornada do
trabalhador. Assim, essa norma objetiva, principalmente, que o
horário trabalhado e anotado pelo empregado não possa ser
posteriormente alterado, apagado ou editado, além de permitir o
fácil acesso pelo fiscal, que, por um simples terminal USB, terá
acesso direto às informações dos empregados das empresas, dados
livres de qualquer manipulação ou edição.
É admirável o
intuito do Ministério do Trabalho. No entanto, a referida portaria
é demasiadamente complexa e a implantação de suas regras trará
para os empregadores custos expressivos. Para adequar-se às regras
estabelecidas, as empresas deverão instalar equipamento com
impressora de uso exclusivo e que permita impressões com
durabilidade mínima de cinco anos.
Exige ainda a
norma que, para cada marcação de ponto, seja impresso um
comprovante de registro a ser entregue ao empregado, de forma que
cada empregado receba diariamente seus comprovantes de entrada,
saída e retorno do intervalo e saída.
As exigências não
param por aí. Entre elas, destacam-se a obrigatoriedade de que o
equipamento opere com capacidade ininterrupta por um período
mínimo de 1.440 horas na ausência de energia, a existência de
porta de saída USB e a capacidade da memória de registro, que
deverá ser equivalente ao HD de um computador, a fim de armazenar
os dados.
Além das
alterações pertinentes ao equipamento para registro de horário, a
portaria dispõe também sobre o sistema de controle de jornada,
estabelecendo que este deverá ser credenciado pelo Ministério do
Trabalho e Emprego. Os sistemas atualmente utilizados precisarão
ser atualizados pelo fabricante ou substituídos por outros que
contemplem as novas exigências.
Todos esses
sistemas deverão obedecer às diretrizes ditadas pelo Ministério e
deverão manter o fiel registro das marcações de ponto, além de não
permitir restrição de registros de horários, mantendo-os de acordo
com a realidade. O sistema não poderá permitir o registro
automático de horários preestabelecidos pelo empregador, nem a
subordinação do registro de horário de trabalho a qualquer tipo de
autorização prévia do empregador, ou que se façam alterações dos
registros do ponto, em qualquer direção, mantendo todos os
registros originais do relógio armazenados no sistema da empresa,
para efeito de fiscalização.
A publicação da
portaria gerou grande apreensão acerca do prazo concedido para a
adaptação às novas regras e acerca do custo que trará, sendo que
para utilização dos novos equipamentos os empregadores terão prazo
até o dia 25 de agosto deste ano.
As demais
obrigações contidas na portaria já estão em vigor desde 26 de
novembro de 2009, ou seja, noventa dias após a publicação, período
que fora destinado à instrução ou orientação ao empregador. Dessa
forma, desde essa data, estão as empresas obrigadas a utilizar o
sistema de controle de ponto nos moldes explicitados.
O empregador
deverá obter da empresa que fornecer o programa o "Atestado
Técnico e Termo de Responsabilidade", assinado pelo responsável
técnico pelo programa e pelo responsável pela empresa, afirmando,
expressamente, que o programa atende às determinações da Portaria
nº 1.510, de 2009. Deverá ainda exigir que o programa esteja
autorizado pelas autoridades competentes – procedimento que
aguarda regulamentação.
Evidentemente, a
portaria tem força cogente e deverá ser adotada por todas as
empresas que estejam sujeitas à aplicação do controle de jornada -
aquelas que têm mais de dez empregados - e que adotem a forma
eletrônica de controle de jornada. Destaque-se que a anotação de
jornada manual ou mecânica não sofreu alteração e poderá continuar
a ser usada normalmente.
As empresas
precisam estar atentas, pois o descumprimento de qualquer
determinação ou especificação constante na portaria poderá
descaracterizar o controle eletrônico de jornada, invalidando os
registros na Justiça do Trabalho e ensejando aplicação de multa
administrativa em eventual fiscalização.
No tocante à
possível invalidade do controle de jornada na Justiça do Trabalho,
o ônus seria quanto ao pagamento de horas extras reguladas pela
CLT com majoração mínima de 50% sobre os valores do salário. Esses
gastos poderão comprometer a atividade empresarial de muitas
empresas.
Com a entrada em
vigor das disposições contidas na portaria, questiona-se sobre sua
eficácia, especialmente quanto à finalidade de impedir a
adulteração no apontamento de horários. Em contrapartida, temos o
alto custo gerado às empregadoras.
Elaine Cristina Reis
Seu salário é justo?
Há diversas maneiras de reconhecer o
empenho e a dedicação de um profissional: parabenizá-lo com
palavras de apoio e motivação, oferecer premiações ou confiar um
cargo de maior destaque, por exemplo. Mas dentre todas essas, a
que traz mais satisfação para o colaborador é a sua remuneração no
fim do mês. Afinal, é algo mais concreto, e que permite fazer
planejamentos, realizar sonhos e atingir objetivos financeiros.
A disputa por
vagas em uma empresa está cada vez mais acirrada devido ao grande
número de candidatos capacitados que entram no mercado de
trabalho. Por isso, além de estar muito bem preparado, é preciso
ter consciência de que nem sempre será possível receber o retorno
financeiro esperado. Mas, afinal de contas, sabemos reconhecer o
que é um bom salário?
O que cada
profissional busca ao longo de sua carreira é obter excelentes
resultados, que o levem a um crescimento contínuo. Porém, as
evoluções não se dão do dia para a noite. É preciso passar por
algumas experiências antes de alcançar posições de alta confiança.
Devemos, portanto, valorizar as etapas que fazem parte do caminho
rumo ao sucesso. Para um colaborador identificar se o que recebe
pelo seu trabalho é justo, deve analisar a troca de benefícios
existente entre ele e o seu superior.
Prestar serviços
para alguém nada mais é do que uma forma de “vender” o seu
conhecimento. Por isso, antes de cobrar uma remuneração elevada,
releve algumas questões fundamentais: o que produzo é o suficiente
para ser remunerado como gostaria? Estou me dedicando ao máximo às
minhas atividades? Tenho realmente me comprometido a solucionar os
problemas da empresa?
Se todas as
respostas para as perguntas acima forem positivas, é justo que o
reconhecimento financeiro seja equivalente ao desempenho
profissional. No entanto, evite a ansiedade em excesso por
salários altos e espere por oportunidades, ou melhor, as crie com
novos projetos e alternativas. Seja proativo, faça acontecer e
mostre suas qualidades.
Lamentar o pagamento recebido não
agrega qualquer tipo de valor à carreira de um profissional, pelo
contrário, torna-se um empecilho para o desenvolvimento de
atividades. Em certas situações, como de crises financeiras, é
mais conveniente aguardar a estabilização do mercado, antes de
pensar em um aumento no ordenado.
Tenha visão de
futuro, não troque de emprego constantemente. Reflita e procure
maneiras de criar um relacionamento de confiança e credibilidade
com os membros da equipe de trabalho. Os resultados não são
imediatos, mas aparecerão ao longo do tempo, desde que se tenha
planejamento e foco.
Carlos Cruz
Coração-de-Obra
O termo mão-de-obra para qualificar
a classe trabalhadora surgiu no início da Revolução Industrial,
sendo amplamente utilizado até os dias de hoje. Poucos,
entretanto, se dão conta do que ele exatamente significa.
A expressão
carrega um significado literal. Na época em que foi concebida,
esperava-se dos trabalhadores que eles contribuíssem para com o
crescimento da empresa, através da utilização exclusiva de suas
mãos. Em outras palavras, o profissional era contratado, em sua
gigantesca maioria, para o exercício de atividades puramente
mecanizadas, as quais não exigiam a utilização mais intensa do
intelecto e tampouco a utilização da intuição ou da emoção.
Nos nossos dias
parece um enorme contra-senso pensar da mesma maneira. A empresa
moderna, independentemente de seu tamanho ou área de atuação,
necessita urgentemente contar com profissionais “integrais”.
Precisamos, mais que nunca, do espírito-de-obra, da
emoção-de-obra, da cabeça-de-obra, do coração-de-obra. Se não
tivermos o profissional engajado como um todo nas atividades da
companhia estaremos fadados a perder competitividade, de maneira
crescente.
Como, entretanto,
utilizar os conhecimentos, intuições e emoções de todos os
profissionais que trabalham em uma organização? É preciso, antes
de qualquer coisa, crer neste potencial. A Teoria da Expectativa,
ou Teoria de Pigmalião, nos mostra exatamente isto. De acordo com
ela, os colaboradores tenderão a comportar-se da maneira que seus
gestores esperam que eles se comportem. Se o gestor imaginar que
um colaborador “dará certo”, ele estará certo, e se imaginar que o
colaborador “dará errado”, ele também estará certo.
Pigmalião, na mitologia, era um
escultor que sonhava em esculpir a mulher perfeita. Insistiu em
seu projeto, e, um dia, olhando para sua obra, chegou à conclusão
de que tinha atingido seu objetivo. Apaixonou-se pela escultura e,
como prêmio por seu esforço e desempenho, Vênus deu vida à obra. O
efeito Pigmalião nos mostra que muitas profecias são
auto-realizáveis e que, quando um gestor crê no potencial de seu
colaborador, este potencial tem uma probabilidade muito maior de
desabrochar.
Quando cremos,
efetivamente, que por trás da mão-de-obra há um potencial infinito
a ser usado a favor da empresa, e liberamos este canal, as
possibilidades são imensas. A maior parte das pessoas espera que
este canal esteja aberto a fim de que possa contribuir muito mais
do que o faz hoje, exercitando sua capacidade de análise,
auxiliando na tomada de decisões e corrigindo rumos em direção ao
cumprimento do planejamento estratégico.
Por parte dos
colaboradores em geral, é preciso acreditar em seu próprio
potencial, e tratar de desenvolvê-lo. A carreira do profissional,
em tempos passados, mesmo em grande parte das vezes com
sub-utilização, se assemelhava a uma escada rolante que subia...anuênios,
qüinqüênios etc garantiam elevações de salário sem que houvesse,
digamos assim, muitas contrapartidas por parte desses
profissionais. Houve um momento em que a escada rolante parou, e
as pessoas para subir necessitavam, sim, empenhar-se mais. Agora,
a escada rolante volta a funcionar, entretanto, ela desce...se eu
desejar manter minhas atividades como as tenho hoje, necessito
buscar conhecimentos e transformá-los em “produtos” para a
empresa. Se eu desejo crescer, não basta mais subir calmamente,
necessitarei aumentar minha velocidade.
Como estamos
hoje, cada um de nós? Como gestores, acreditamos no
coração-de-obra? Qual o efeito Pigmalião que estou provocando?
Como
colaboradores, qual nossa postura com relação à escada rolante?
Vladmir Stancati
Os melhores meses para procurar
emprego
A afirmação de que o ano só começa
depois do Carnaval é bastante comum. E existe alguma lógica no
raciocínio, uma vez que muitos profissionais optam por sair em
férias no início do ano, aproveitando o período de recesso
escolar. Além disso, gastos extraordinários como IPVA, IPTU e as
primeiras parcelas das compras natalinas, por exemplo, derrubam o
planejamento financeiro de muitas pessoas.
Com isso, o mais
comum seria esperar que mudanças profissionais não estivessem
entre as prioridades durante esse período. Entretanto, não é o que
usualmente observamos. Durante a pausa para reavaliar o ano que
passou é que são identificadas as possíveis melhorias para o
próximo. Alguns fazem planos de retomar os estudos, outros pensam
em dedicar mais tempo à família, e assim por diante. E dentre
esses novos objetivos é que as mudanças profissionais aparecem.
Em geral, é no
primeiro trimestre que observamos o maior volume de profissionais
em busca de sites de carreiras e recolocação na Internet.
É neste período também que as
empresas estão colocando novos projetos em andamento. Com os
orçamentos renovados, muitos planos que foram adiados pela chegada
do fim do ano começam a andar, o que gera a contratação de novos
profissionais. Com isso, o mercado se aquece em diversas áreas,
pois muitos daqueles que estavam trabalhando aceitam novos
desafios, abrindo mais espaço para quem está desempregado.
O ano de 2010
ainda terá outra particularidade, que, certamente, contribuirá
para o aquecimento do mercado. Com a crise financeira que assolou
os dois anos anteriores, muitas empresas adiaram seus
investimentos e reduziram seus níveis de atividades. Mesmo a
aparente melhora no final de 2009 não foi suficiente para reduzir
os índices de desemprego, o que mostra a existência de uma demanda
reprimida. Com isso, a expectativa é que as empresas aumentem seu
ritmo de contratações nos primeiros três meses do ano.
Então, para quem
está pensando em dar novos rumos à carreira, seguem algumas dicas:
- Não espere passar o carnaval para
começar a procurar emprego. Alguns processos seletivos podem durar
meses, fazendo com que os currículos enviados em janeiro comecem a
render frutos em fevereiro e março;
- Se você busca um estágio, é uma
boa oportunidade para sair na frente. Isso porque muitos
estudantes devem esperar a volta às aulas para começar sua
procura, diminuindo a concorrência no início do ano;
- Reforce o seu networking, pois
muitos novos projetos costumam ser divulgados internamente antes
de se procurar profissionais no mercado;
- Divulgue para o mercado a sua
disponibilidade. Ninguém saberá que você está buscando emprego, se
você não informar.
Passados Natal e
Ano Novo, atualize o seu currículo e fique de olhos abertos para
as oportunidades. Boa Sorte!